Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Revista de Estudos Saramaguianos #2 - Julho de 2015

Sinopse de apresentação da revista
Via Página do Facebook, aqui  
em https://www.facebook.com/saramaguianos?fref=ts

(Capa da edição)


"Os dois volumes da edição n.2 (português e espanhol) já estão on-line. Há dois destaques sobre este número: um, é a marca de celebração dos 20 anos do romance “Ensaio sobre a cegueira” (publicado em novembro de 1995) e outro os acontecimentos protagonizados pela Fundação José Saramago sobre a redação de um documento a ser entregue às Nações Unidas e que foi defendido publicamente pelo escritor desde sempre, marcadamente durante a recepção do Prêmio Nobel de Literatura em 1998: uma Carta de Deveres Humanos. Esses dois acontecimentos estão marcados na edição de forma diversa: o primeiro com um ensaio de Maria Alzira Seixo, um conjunto de fotografias de Marcelo Buainain realizadas em Alfama em fevereiro de 1996 numa sessão cujo ponto de partida foi justamente o drama do livro agora lembrado e excertos dos “Cadernos de Lanzarote” em que Saramago comenta sobre o processo de escrita do “Ensaio”; o segundo, um texto do próprio Saramago (de 1993) “Heresia, um direito humano” (para os leitores de língua portuguesa é um texto inédito, visto que, até onde alcançamos pesquisar, não aparece em nenhum dos títulos já publicados e o encontramos numa versão em língua espanhola editada em 16 de fevereiro de 1994 do jornal El País da qual escrevemos a tradução em língua portuguesa. A relação deste texto com os acontecimentos na Cidade do México (lugar onde foi realizado o evento de início para elaboração da Carta dos Deveres Humanos) é que no ano em que o texto sobre a necessidade da heresia foi publicado, Saramago enunciou-a como um direito inerente aos Direitos Humanos; tema sobre o qual recorreu várias vezes em outras de suas intervenções, como quando publicou “Caim”, em 2009. E atenção para os textos de Gisela Maria de Lima Braga Penha, Júlia Cristina Figueiredo, Saulo Gomes Thimóteo, Eula Carvalho Pinheiro, Maria do Socorro Velos, Maria Angela Pavan, Miguel Koleff, Diego J. González e Pedro Fernandes de Oliveira Neto. Os dois volumes podem ser descarregados diretamente (por texto ou por arquivo completo) em: http://www.estudossaramaguianos.com/"


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Volume I da Saramaguinana - Revista de Estudos Saramaguianos (Edição em português e espanhol)



Volume I da Saramaguinana
Revista de Estudos Saramaguianos
(Edição em português e espanhol)

Todas as matérias, disponíveis para consulta
em http://www.estudossaramaguianos.com/2013/02/blog-post_8.html

"APRESENTAÇÃO"

"Em A jangada de pedra, de José Saramago, uma série de acontecimentos de ordem fabular aproximam pessoas de diversos pontos da Península Ibérica que cumprirão uma longa jornada de travessia terrestre enquanto sob seus pés é a terra que corre com um destino um tanto incerto. Há, nesses indivíduos, uma mesma força que os une e não é ver o fim do percurso ou o outro lado da barca de pedra, mas aquilo que se passa consigo e ao redor de si. Movem-se como exercício de conhecer a si e ao outro e constituem uma forma cara ao homem contemporâneo que, imerso numa individualidade cada vez mais cerrada, vê no outro uma ameaça secreta a si e a sua liberdade.

O sentimento que une os que compõem essa primeira edição da REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS é o mesmo dos desbravadores desse romance. Vêm de várias partes do Brasil, unem-se a nomes de Portugal e Argentina e são já vozes em torno de uma mesma obsessão, um mesmo nome, uma mesma obra tornada sempre mais necessária ao exercício de compreensão de nós mesmos num mundo que se mostra sempre pela incoerência e pela incapacidade de reunir numa mesma unidade o sentido principal que nos irmana: a humanidade. Não é uma uniformização, evidentemente, o que queremos. É uma abertura a pontos de vista diferentes no intuito não da tolerância, que esta palavra é uma farsa cara à convivência, e sim, uma ampliação do universo de perspectivas desenhado pela obra de José Saramago.

A ideia não nasceu ao acaso e nem se construiu sozinha. É esforço de uma coletividade. E é preciso que se diga para evitar mais adiante falácias de que tudo se alcança a um passo de distância de nós mesmos. Trata-se de uma proposta que começou a ser costurada por Pedro Fernandes na noite de vigília quando lhe veio, de fato, a consciência da partida Saramago naquele 18 de junho de 2010. Foi quando o professor assumiu de si para com os livros do escritor português que estavam à sua frente naquela ocasião – quase uma profissão de fé, que a tarefa de todo crítico é dar a conhecer, pela via mais simples, o esforço de outros homens cujo desejo é sempre o de dizer sobre eles e o mundo onde estão. A tarefa de todo estudioso da literatura é irmanar-se com a obra não para catar louros de glória, mas para continuar a exercer as revisões sempre necessárias, hoje mais que sempre, de um extenso, ardoroso e mais complexo itinerário, o de humanização – esse que vimos construindo entre erros e acertos desde quando assumimos a consciência sobre o mundo e demos por inaugurado o império da razão. 

Depois, a ideia foi ter com Miguel Koleff, há muito um leitor e dedicado estudioso da obra de José Saramago, com organização de trabalhos de ampla significação para a fortuna crítica do escritor; encontrou com Pilar del Río, quem, desde que tomou contato mais concreto com a ideia, em novembro de 2013, se manteve atenta ao andamento da edição ora publicada e abriu-nos as portas da Fundação José Saramago para nos apoiar com tudo que estivesse ao seu alcance. E, claro, houve empecilhos, mas tudo se firmou no abraço prontamente dado por todos os nomes escritos ao longo destas páginas.   

É notável que desde o final dos anos oitenta a produção acadêmica em torno da obra de José Saramago, até então quase inexistente, tem se avolumado numa proporção sem limite calculável. Ao redor do mundo, não temos alcance sobre os números, mas sabemos pelas buscas breves cumpridas numa ou noutra entrada à grande Conservatória virtual, da leva de estudos desenvolvidos, de eventos realizados, de grupos de pesquisa dedicados tão somente ao exercício da leitura crítica e de perscrutar a infinita correnteza de sentidos que se desenha toda vez que decidimos entrar nesse mundo de palavras. Nunca pretenderíamos abarcar essa quantidade de trabalhos. Queremos, sim, irmanarmos com a mesma sede deles em manter viva a obra saramaguiana.

É esta uma revista acadêmica, mas sem a sisudez da academia. É resultada de uma parceria editorial entre investigadores da obra de José Saramago de Brasil (mentor da ideia), Argentina e Portugal. Sua proposta é a publicação de ensaios, documentos e recensões críticas que tenham como escopo a obra do escritor português. Seu intuito é dar a conhecer e o fortalecer as diversas correntes de estudos formadas ao redor do mundo, estabelecer intercâmbios de pesquisas e ser ponto de encontro entre os diversos leitores que se alimentam do interesse pela obra do escritor português.

Parte como a península no romance evocado à abertura dessas palavras à procura de seu próprio espaço. Quer ser um ambiente de rupturas com a calmaria dos estereótipos e propõe-se a estar sempre em trânsito frente à imobilidade das forças da consciência sobre o mundo, afinal uma literatura de desassossego como é a de José Saramago pede uma abordagem igualmente desassossegadora. Como o itinerário da jangada de pedra, é este um itinerário que, tomara, renda muitas movências e nele se produzam tantas significações sejam possíveis numa abertura de diálogo sincero com o texto literário. 

A edição aqui apresentada é organizada pelos editores da REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS, os professores Miguel Koleff e Pedro Fernandes de O. Neto; reúne parte do material editado numa tiragem impressa e limitada com chancela da Editora Patuá e da Fundação José Saramago apresentada por ocasião das celebrações do 92° aniversário do escritor português, em 16 de novembro de 2014, Dia do Desassossego."

Equipe editorial


SUMÁRIO

O fatalismo da pobreza (?): o miúdo pormenor interessa à história 
(Levantado do chão, de José Saramago)
ANA PAULA ARNAUT

Do filosofar sobre a morte: uma leitura das ideias de suicídio e morte em José Saramago
FABIANA TAKAHASHI

Figuração da personagem: a ficção meta-historiográfica de José Saramago
CARLOS REIS

Querido diário...
LÍLIAN LOPONDO

O caminho da morte na narrativa de José Saramago
MARIA VICTORIA FERRARA

Duplos paródicos na obra saramaguiana
CONCEIÇÃO FLORES

Caim decreta a morte de Deus
SALMA FERRAZ

Temas, formas e obsessões em Claraboia, de José Saramago
PEDRO FERNANDES DE OLIVEIRA NETO

O poder, a gloria e a nua vida
MIGUEL ALBERTO KOLEFF

Os espaços concentracionários e as crises da utopia: Sartre e Saramago
TERESA CRISTINA CERDEIRA


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Site LiteraturaBR dá destaque à "Revista de Estudos Saramaguianos"

O site "Literatura BR", dá um amplo destaque à "Revista de Estudos Saramaguianos", apresentada no passado dia 15 de Novembro de 2014, na sede da Fundação José Saramago, num evento com palestra de Pedro Fernandes e Carlos Reis

Aqui o link, do destaque dado pela Fundação José Saramago, em http://www.josesaramago.org/nasce-revista-academica-de-estudos-saramaguianos/


"O que é a REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS

É notável que desde o final dos anos 1980 a produção acadêmica em torno da obra de José Saramago, até então quase inexistente, tem se avolumado numa proporção sem limite calculável. Entretanto, uma rápida busca nos arquivos de universidades, em revistas acadêmicas, em eventos organizados, nos coloca sempre diante de uma quantidade surpreende de estudos e abordagens diversos.

A REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS quer, assim ser um espaço em torno desse interesse em manter vivo o legado construído pela literatura saramaguiana; trata-se de uma revista acadêmica, com tiragem semestral, gratuita e eletrônica cuja proposta é a publicação de ensaios, documentos e recensões críticas que tenham como escopo a obra de José Saramago. Seu objetivo é o de fortalecer os estudos, intercambiar pesquisas e dar a conhecer as diversas possibilidades de leituras em torno da obra do escritor português.

A primeira edição teve uma tiragem impressa pela Editora Patuá apresentada em dois volumes distintos: um em língua portuguesa e outro em língua espanhola, as duas línguas em que circularão os textos publicados na revista.

A parceria editorial é dada entre investigadores da obra de José Saramago de Brasil, representado pelo professor Pedro Fernandes (mentor da ideia), Argentina, pelo professor Miguel Koleff e Portugal, pela Fundação José Saramago.


De onde vem a ideia de sua criação

A ideia não nasceu ao acaso e nem se construiu sozinha. Ela é esforço de uma coletividade. A proposta que começou a ser costurada pelo professor Pedro Fernandes na noite de vigília quando lhe veio, de fato, a consciência da partida Saramago naquele 18 de junho de 2010 e lembra ser este também um produto do “que assumiu de si para com os livros do escritor português que estavam à sua frente naquela ocasião”; “a profissão de fé”, segundo ele próprio chama foi “baseada tarefa de todo crítico, que é a de dar a conhecer, pela via mais simples, o esforço de outros homens cujo desejo é sempre o de dizer sobre eles e o mundo onde estão”.

Ele e Miguel Koleff, editores da ideia, compreendem e desenvolvem no texto de apresentação da primeira edição para a REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS que “a tarefa de todo estudioso da literatura é irmanar-se com a obra não para catar louros de glória, mas para continuar a exercer as revisões sempre necessárias, hoje mais que sempre, de um extenso, ardoroso e mais complexo itinerário, o de humanização – esse que vimos construindo entre erros e acertos desde quando assumimos a consciência sobre o mundo e demos por inaugurado o império da razão”.

Pedro Fernandes é pesquisador da obra de José Saramago desde o curso de Licenciatura em Letras, quando conheceu o trabalho do escritor português através da leitura de O evangelho segundo Jesus Cristo. Tem quase oito anos que se dedica a investigação da literatura saramaguiana. Autor da ideia confessou-a ao professor Miguel Koleff, também há muito um leitor e dedicado estudioso da obra de Saramago, com organização de trabalhos de ampla significação para a fortuna crítica do escritor como o Diccionario de Personajes Saramguianos e a coleção Apuntes Saramaguianos a partir de um grupo de pesquisa dedicado à obra do Prêmio Nobel. Juntos, a ideia foi levada ao encontro de Pilar del Río, quem, desde que tomou contato mais concreto com a proposta, em novembro de 2013, se manteve atenta ao andamento da edição ora publicada e abriu, como presidenta da Fundação José Saramago,  todo apoio com tudo que estivesse ao seu alcance.

Dados sobre a primeira edição

A REVISTA teve uma primeira apresentação no âmbito de abertura pelas celebrações do Dia do Desassossego, data pensada pela Fundação José Saramago, que este ano integra a lembrança pelo 92º aniversário do escritor. A edição reúne ensaios de pesquisadores de Brasil, Portugal e Argentina. Cada autor, à sua maneira, abre-se para algum elemento da obra literária saramaguiana, de modo a elucidar o itinerário multifacetado como é o da literatura de Saramago. Aí estão textos de Ana Paula Arnaut, Carlos Reis, Teresa Cristina Cerdeira, Conceição Flores,
Fabiana Takahashi, Salma Ferraz, Miguel Koleff, Maria Victoria Ferrara,
Pedro Fernandes e Lílian Lopondo.

Boa parte dos nomes que escrevem para esta primeira edição integra como corpo científico para a REVISTA composto ainda por professores e pesquisadores de várias instituições brasileiras, portuguesas e estrangeiras (conforme se pode ler no próximo item). Esta edição, portanto, apresenta-se com nomes de convidados, a demarcarem um ponto de partida. A edição por vir deverá manter essa estrutura até que o periódico ganhe a projeção para a recepção voluntária de ensaios e recensões críticas.

Os dois volumes reúnem ainda imagens de José Saramago do período de escrita de Claraboia, fac-similar de páginas de Claraboia e de materiais para a escrita de O ano da morte de Ricardo Reis. O volume em língua portuguesa, além desses arquivos, recebe um conjunto inédito de telas da exposição “O feminino na escrita de José Saramago”, produzida pela artista plástica Lena Gal a partir da obra de Saramago e do livro de Pedro Fernandes, Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago.

Informações

Site: http://www.estudossaramaguianos.com/
Facebook: https://www.facebook.com/saramaguianos/
Twitter: @saramaguianos

http://www.literaturabr.com/2014/12/revista-de-estudos-saramaguianos.html


domingo, 16 de novembro de 2014

Dia(s) do desassossego em Saramago e Pessoa

Da apresentação da Revista de Estudos Saramaguianos - "Saramaguiana" (Fundação José Saramago, 15/11/2014 - 16 horas) - gerou-se um ambiente muito harmonioso e cúmplice, através (e em redor) da obra e pensamento de José Saramago. 

Ficou no ar, e em sumo transcrito do evento duas interrogações, com o mesmo espírito, mas abordando uma noção de pluralidade diferente.

- "Que farei com este escritor?"
- "Que faremos nós com este escritor? "

O "EU" leitor, como fio condutor de ligação e de continuidade da obra, em co-relação de forças e união, com o "NÓS", leitores e ao mesmo tempo, quiçá, estudiosos e elementos fundamentais para dar maior profundidade à "pedra" depois da "estátua" originalmente trabalhada.

Pedro Fernandes e Carlos Reis, abordam e vincam a ideia da continuidade e vivência da obra, após morte do seu autor. Se em vida Saramago, foi o "alimentador" real deste universo, cabe agora ao leitor manter viva a palavra e o pensamento.



6 actores do Grupo Éter realizam leituras diversas, de Saramago e Pessoa
Circularam pelas 4 linhas do Metro de Lisboa e pelos ascensores do Lavra e da Glória 


Pontos de Troca de Livros
Fundação José Saramago - Casa Fernando Pessoa - CCB - Instituto Camões - Plano Nacional de Leitura




A lendária Oliveira no largo em frente à Fundação

Apresentação da Revista "Saramaguiana"
Painel composto por Ricardo Viel, e intervenções de Pedro Fernandes e Carlos Reis


Pilar del Río, inestimável anfitriã que nos deu a honra de nos receber no evento e brindar com um sorriso que enche a alma...