Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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segunda-feira, 20 de junho de 2016

"José e Pilar" Fragmentos I - Exibido na Fundação José Saramago "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"

Pode ser visualizado através do YouTUbe, aqui

"Seis anos depois da morte de José Saramago, apresentamos o primeiro volume de Fragmentos de «José e Pilar», um conjunto de inéditos das 240 horas de filmagem captadas pela equipa do realizador Miguel Gonçalves Mendes."

domingo, 19 de junho de 2016

Momentos da homenagem "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"


Aline Frazão interpreta música do seu álbum "Insular"
"O homem que queria um barco", baseado na obra de José Saramago "Conto da Ilha Desconhecida"

Pode ser visualizado, via YouTube, aqui

Presidenta Pilar del Río, apresentou em castelhano extracto de um 
capítulo inédito da obra "Jangada de Pedra", que faz parte da edição espanhola

Pedro Lamares, deu voz à "Jangada de Pedra"

Apresentação de imagens inéditas do filme documentário "José e Pilar"

A Oliveira que nos acolhe à chegada da Fundação José Saramago
"Casa dos Bicos" em Lisboa

"Nos seis anos da partida de José Saramago" do professor Carlos Reis

O presente texto, pode ser recuperado e consultado, através do site "Figuras da Ficção" do professor Carlos Reis, aqui
em https://figurasdaficcao.wordpress.com/2016/06/18/a-personagem-segundo-saramago/
Palavras proferidas no elogio fúnebre (20/06/2010) 

"Nos seis anos da partida de José Saramago" - Professor Carlos Reis

"Das personagens de José Saramago, magistral inventor de ficções que ecoam no quotidiano palpável das nossas vidas, bem podemos dizer que são mestres do escritor e nossos mestres, sempre que nas suas ações, nos seus rostos e nas suas palavras reencontramos a sabedoria de homens e de mulheres legitimados pela  autonomia e pela incondicional possibilidade que a  ficção lhes confere; homens e mulheres chamados Baltasar e Blimunda, Ricardo Reis e Bartolomeu Lourenço, Raimundo Silva e José,  Maria Sara e Oriana, Lídia e Maria de Magdala, Joana Carda e Cipriano Algor,  o elefante Salomão e o seu cornaca, Tertuliano Máximo Afonso e António Claro,  sua cópia exata e duplicada – ou vice-versa.   E mesmo quando o nome não está lá – como em Ensaio sobre a Cegueira e em Ensaio sobre a Lucidez – é a sua omissão, como falso anonimato,  que alegoricamente projeta  os homens e as mulheres da  ficção sobre o mundo real em que revemos dramas e conflitos ficcionais identificados como  nossos e porventura com os nossos nomes.  Citando um título conhecido: identificados com Todos os Nomes que no nosso mundo se encontram; ou ainda, lembrando palavras do escritor, no discurso de Estocolmo: “Não escritos, todos os nossos nomes estão lá.”  
José Santa-Bárbara, "Os fazedores do capricho"

São estas figuras e outras mais (sem esquecer um cão chamado Constante), com nome inscrito ou sem ele, que nos provocam  (provocare: chamar para fora),  ao mesmo tempo que nos  propõem sentidos que os transcendem e que nos transcendem, sob o signo do poder subversivo da linguagem. É esse poder que José Saramago invoca, quando um  minúsculo e redondo vocábulo – um simples não – suscita a  reconstrução histórica  de um universo afinal fragilizado por esse poder subversivo; e é ainda em clave de subversão que o romancista enuncia a alegoria da fratura e da deriva, engenhosa indagação ficcional do destino ibérico; ou a metáfora do regresso e do reencontro com a pátria, sentidos camonianos mas também, à sua maneira,  pessoanos; ou a imagem do coletivo e do seu poder redentor, no termo de  um processo histórico  que conduz à libertação dos levantados do chão; ou a imagem da construção e a sugestão ascensional que a confirma, quando se ergue  o convento que a vontade real idealizara, ao mesmo tempo que a passarola voa; ou a representação da cegueira coletiva em que se surpreende uma condição humana degradada na repulsiva violência do seu egoísmo. Isso tudo e também o árduo trajeto da existência humana, a dissolução da identidade, a contestação da ortodoxia religiosa, a celebração da rebeldia, a revisão da palavra bíblica, a questionação da culpa ou a  denúncia da arbitrariedade divina."
(Extrato do elogio fúnebre; Lisboa, 20 de junho de 2010)

O
Post do Facebook, 18/06/2016

sábado, 18 de junho de 2016

"6 anos sem José Saramago com o escritor presente, revisitando da sua obra" Texto enviado ao jornal Expresso para publicação na secção "Cartas"

Para o Expresso remeto esta carta e peço publicação

6 anos sem José Saramago com o escritor presente, revisitando da sua obra

Fará dia 18 de Junho seis anos em que se assinala a data da morte de José Saramago. Escritor genial e humanista sempre agitador da consciência mundial, criador de um estilo literário inconfundível que deixou marca na história de literatura escrita em língua portuguesa. 

Não é possível dissociar o criador de Blimunda e Baltasar (Memorial do Convento), da Mulher do Médico e do Cão das Lágrimas (Ensaio sobre a Cegueira), da família Mau-Tempo (Levantado do Chão) - entre tantas outras personagens -, do seu sentido de denunciador e activista social em diversas partes do mundo onde os direitos humanos e do meio ambiente estavam a ser atacados, e que ainda hoje se manifestam sob agressão constante. Assim foi, por exemplo conjuntamente com o fotógrafo Sebastião Salgado na defesa da causa do Movimento Sem Terra, na sua voz apelando à libertação do povo palestiniano ou no apoio à luta da activista Aminatou Haidar pela causa Saharaui.

Passam seis anos, e José Saramago é uma das principais figuras portuguesas que interessa fazer esquecer por parte das “cúpulas institucionais”; por ser incómodo nas verdades cruas e expostas nas suas metáforas que se perpetuam em centenas de reedições das suas obras por todo o mundo e em todas as línguas, e também porque foi (é) brilhante e genial na forma como investido de escritor não se demitiu de ser um valoroso agente de desassossego. 

Vivemos mergulhados num autêntico "Ensaio sobre a Cegueira", que se repete no "Ensaio sobre a Lucidez" a que muitos apetece partir numa "Jangada de Pedra", ou seguir na rota da "Viagem do Elefante", porque as coisas que vivemos não são "Deste Mundo e do Outro".
Quando chegará de novo "A Noite" para que "Os Poemas Possíveis" possam ser de novo musicados?
Às vezes, sinto-me acabado de ser "Levantado do Chão", extenuado depois de uma "Viagem a Portugal", onde "Os Apontamentos" recolhidos são peças soltas de uma passarola construída por um padre alucinado que vive num suposto estado de "Provavelmente Alegria".
"O Ano da Morte de Ricardo Reis" em que este, sendo "O Homem Duplicado" de Pessoa, viveu nas suas "Pequenas Memórias" as "Intermitências da Morte", dentro de uma obscura "Caverna" em que este país se tornou, desde a famosa "História do Cerco de Lisboa".
Os censores andam aí, com a cara destapada ou com uma simples capa vestida, gritam e bramem aos céus "In Nomine Dei", "In Nomine Dei"!!! Também estes, em busca de outra interpretação do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" já estão alertados porque "Caim" foi marcado para sempre, e não dará outra oportunidade à "Segunda Vida de Francisco de Assis".
Nesta "Terra do Pecado", onde falta a bondade ao homem, procuramos uma nova luz de esperança e que essa possa chegar sob o signo da "Maior Flor do Mundo". "Que Farei com este Livro", onde constam todas as evangélicas atrocidades cometidas em nome de deuses, por homens raivosos cegos de razão, esses a quem lhes faltou sempre um "Manual de Pintura e Caligrafia" com os nobres valores inscritos para a humanidade.

Rui Mesquita dos Santos
(05/06/2016)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"18 de junho, seis anos depois, vivendo José Saramago" - "José e Pilar" Entrevista com o diretor Miguel Gonçalves Mendes

O vídeo pode ser visualizado, via YouTube, aqui

"O diretor português Miguel Gonçalves Mendes fala sobre o documentário "José e Pilar", feito a partir de registros dos últimos quatro anos de vida do escritor José Saramago ao lado de sua esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río."


"Nesta entrevista o realizador Miguel Gonçalves Mendes fala sobre "José e Pilar" e conta da dificuldade que foi transformar 230 horas de filmagens em um filme de duas horas. No sábado veremos cerca de 15 minutos de cenas inéditas do documentário."

Via página do Facebook da Fundação José Saramago


quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Homenaje a Saramago" pelo grupo parlamentar Podemos - A Casa em Tías - Lanzarote

"Este próximo sábado, 18 de junio, parlamentarias y parlamentarios de Podemos, rendiremos homenaje al maestro José Saramago. 
Será en su casa, recorreremos su vivienda, el lugar donde en los últimos 19 años escribió todos sus libros, desde el "Ensayo sobre la ceguera" hasta el último e inacabado "Alabardas", pasearemos por su jardín, tomaremos café en la cocina, para acabar en la Biblioteca, donde leeremos pequeños fragmentos de su obra, aquellos que por alguna razón nos parecen más significativos, o simplemente nos impactaron más. 
Será a partir de las 10.30"


Mais informações via página do Facebook "A Casa José Saramago", aqui


sexta-feira, 3 de junho de 2016

"18 de junho, seis anos depois, vivendo José Saramago"


No dia em que passam seis anos sobre a morte de José Saramago, a FJS convida para uma sessão com palavras e sons de uma obra sempre viva:

17 Horas - Exibição de fragmentos inéditos 
das filmagens de «José e Pilar»;

17H30 - Leitura de excertos de «A Jangada de Pedra», por Pedro Lamares;

18 Horas - Concerto de Aline Frazão.

Auditório da Fundação José Saramago - Casa dos Bicos.

Entrada livre, sujeita à lotação da sala.

Mais informação aqui