Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

domingo, 21 de junho de 2015

Pilar del Río - "Prospectiva del Mundo - México 2015" e a conferência "Carta das Obrigações do Ser Humano"


Todas as informações podem ser consultadas aqui,

"Pensemos que ninguno de los derechos humanos podría subsistir sin la simetría de los deberes que les corresponden... Tomemos entonces, nosotros, ciudadanos comunes, la palabra, con la misma vehemencia con que reivindicamos los derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo pueda ser un poco mejor."
José Saramago
Premio Nobel de literatura
Octubre, 1998

Realizada pela
Universidad Nacional Autónoma de México
World Future Society Capítulo Mexicano A.C.

Associados
Fundação José Saramago
Consejo Coordinador Empresarial

"BIENVENIDA POR PARTE DE LA UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO
MENSAJE DE LA WORLD FUTURE SOCIETY CAPÍTULO MEXICANO A.C."
"En los últimos años hubo un reconocimiento de los derechos de diferentes grupos o minorías, que hicieron a las sociedades más plurales y tolerantes. Ahora es momento de establecer los deberes, obligaciones, y responsabilidades, que los seres humanos tenemos para que las sociedades puedan prosperar justa e igualitariamente, que nos permitan preservar el medio ambiente, respetar al resto de los seres vivos que nos acompañan en el planeta. En fin, creemos que ha llegado el momento de establecer los deberes que son la contraparte de los derechos por lo que tantos han luchado.
Es por ello que la Universidad Nacional Autónoma de México y la World Future Society Capítulo Mexicano A.C. han convocado a académicos, intelectuales, y pensadores de varias partes del mundo, a un encuentro que pretende establecer ideas concretas, que den forma a una Carta de las obligaciones del ser humano, carta que posteriormente presentaremos ante la Organización de las Naciones Unidas.
Acompaña esta iniciativa, como institución asociada, La Fundación José Saramago, pues fue el ilustre escritor portugués, quien, en su discurso de recepción del Premio Nobel de Literatura en 1998, expresó por primera vez la necesidad de establecer esas obligaciones a la que hombres y mujeres de todos los países deben atenerse.
De igual manera, El Consejo Coordinador Empresarial de México, ha sumado sus esfuerzos, y es consciente de que es responsabilidad de la iniciativa privada colaborar para lograr un mundo mejor.
Derivado de la entusiasta respuesta que hemos recibido de quienes asistirán al encuentro, estamos seguros de que tendremos un coloquio relevante, del que saldrá un documento definitivo."


"CARTA DE LAS OBLIGACIONES DEL SER HUMANO (Por Pilar del Río)"

Dia 24/06 - 9h40m/10h30m (Hora Local)

"Antes de morir, José Saramago concibió la idea de conjuntar a un grupo de sabios –intelectuales, científico, humanistas, académicos— que pudieran sentar las bases para una carta que plasmara la responsabilidad que tiene cada ser humano en el desarrollo de su entorno. Hasta el día de hoy, todo mundo habla de los derechos de los seres los humanos independientemente de su condición, y así, se han publicado diversos documentos que proponen derechos para niños, mujeres o grupos homosexuales. Sin embargo, poco se habla de las obligaciones y los deberes que tienen los seres humanos con la sociedad, con el planeta, con los animales, etc. Este encuentro retoma la idea original de José Saramago, y Pilar del Río, quien fue su esposa, nos explica su propósito."


Pilar del Río, no passado dia 18 de Junho, data que assinalou os cinco anos da morte de José Saramago, elaborou o artigo de opinião que o jornal "Folha de São Paulo" - Brasil
Pode ser consultado e lido aqui,
em http://app.folha.uol.com.br/site/noticia/564253

"Reivindicar os nossos deveres"

"Foi-nos proposta uma Declaração Universal de Direitos Humanos, e com isso julgámos ter tudo, sem repararmos que nenhuns direitos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem, o primeiro dos quais será exigir que esses direitos sejam não só reconhecidos, mas também respeitados e satisfeitos", disse José Saramago no banquete de recepção do Prêmio Nobel de Literatura, em 10 de dezembro de 1998, em Estocolmo.

Era para ser apenas um brinde, mas o escritor português preferiu usar a palavra para lançar um desafio no dia em que se completavam os 50 anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos: e se começássemos a exigir que se respeitem, também, os deveres humanos?

José Saramago morreu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, combativo e lúcido como poucos. Até os últimos dias de vida escreveu. Esteve às voltas com a história de um empregado de uma fábrica de armas, um sujeito pacato e apagado, que nunca disparou uma arma, que vive entre papéis e carimbos, e que de repente vê-se diante da possibilidade (ou seria do dever?) de insurgir-se, de levantar-se, de dizer não.

Em "Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas", livro publicado postumamente, o autor que já havia feito com que, a partir de uma cegueira branca, enxergássemos e reparássemos no próximo, desta vez assalta a consciência dos leitores com a possibilidade de construção de um futuro distinto edificado sobre um não.

"Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não", declarou em entrevista a esta Folha em 1991.

Na Suécia, na mesma ocasião em que recebeu o Prêmio Nobel, Saramago pediu aos cidadãos comuns, grupo no qual se incluiu, que tomassem a palavra e a iniciativa. "Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor."

Mais de 15 anos depois desse chamamento, a Fundação José Saramago, em parceria com a UNAM (Universidade Autónoma do México) e com a World Future Society, entidade que reúne especialistas em prospectar as tendências da economia e da sociedade para o futuro, convoca um encontro na capital mexicana com o intuito de dar corpo à ideia lançada pelo autor de "Ensaio sobre a Cegueira".

Entre 24 e 25 de junho meia centena de académicos, intelectuais e pensadores de várias nacionalidades estarão reunidos na Cidade do México com o objetivo de criar uma proposta de Carta dos Deveres Humanos a ser encaminhada à ONU (Organização das Nações Unidas).

Ratificada há quase 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos está longe de ser uma realidade para muitos habitantes deste nosso planeta, infelizmente. Dizia José Saramago que quem efetivamente governa o mundo são as empresas "multinacionais e pluricontinentais", e o fazem a partir de um poder tirânico que reduziu "a uma casca sem conteúdo" o que ainda havia do ideal de democracia.

Mas se é certo que os governos e as grandes corporações não respeitam os direitos básicos dos cidadãos, nós também não estamos a cumprir com o dever de cidadão que somos, acrescentou.

Com esperança de que a elaboração de um documento que estabeleça obrigações significará, ao mesmo tempo, o fortalecimento da proteção dos direitos humanos é que estaremos reunidos com a sociedade civil na Cidade do México nos próximos dias.

Dizer não, mais do que um direito, é nos dias de hoje também um dever. Sobre isso escreveu José Saramago. Sobre isso falaremos na capital mexicana, deixando neste espaço também um apelo ao debate e à discussão de propostas.

PILAR DEL RÍO, 50, tradutora e jornalista, é presidente da Fundação José Saramago"

Fotogaleria que o "El País" mantém on-line num especial sobre José Saramago

O "El País", influentíssimo meio de comunicação social mundial, com forte influência na Europa e nos países onde se fala o Castelhano, nomeadamente na América Latina, sempre mostrou uma enorme proximidade com a obra de José Saramago.
Ao longo da sua vida literária, entre notícias, entrevistas e vários destaques, estão disponíveis no site elpais.com inúmeras entradas. Não é pois de estranhar, a existência de um belíssimo trabalho biográfico, sob o nome "José Saramago El escritor que nunca se escondió", onde se podem encontrar diversos elementos. São entrevistas, fotografias (que aqui se reproduz com as legendas originais), dados biográficos e uma compilação de artigos sobre o homem e a sua obra, que aqui não posso deixar de elencar.

• "Cuando la atmósfera tiembla", por MANUEL RIVAS
• "Agujero sin fondo", por JUAN GELMAN
• "De literatura e ideología", por CARLOS FUENTES
• "La fuerza de la palabra", por MARIANO RAJOY
• "Memoria del árbol", por JOSÉ LUIS RODRÍGUEZ ZAPATERO
• "Lanzarote al pie de los volcanesl", por FERNANDO GÓMEZ AGUILERA
• "En el día de la muerte de José", por LAURA RESTREPO
• "Estás y de pronto no estás", por GAEL GARCÍA BERNAL
• "Juez severo, juez sensible", por SERGIO RAMÍREZ
• "Un mundo más burro", por FERNANDO MEIRELLES
• "La felicidad era una isla para Saramago", por JUAN CRUZ
• "En lucha titánica con Dios", por JUAN JOSE TAMAYO
• "El escritor que abrazaba hombres", por RAMÓN LOBO
• "Saramago, el agnóstico místico", por ENRIQUE BARÓN
• Dario Fo recuerda a Saramago

Qualquer amante da obra de José Saramago, não pode perder a visita a este documento. 
O trabalho do "El País" prova que os homens, a sua vida e obra não têm fronteiras. 
As fronteiras são levantadas pelos próprios homens.



Reflexión
AP - José Saramago, pensativo, espera a ser recibido por los líderes zapatistas en Aguas Calientes de Oventic (San Andrés de Larraínzar, Chiapas, México), donde el premio acudió en labores de mediación a finales de 1999.

Máquina de escribir
La vieja máquina de José Saramago y sus gafas en la sala a la que da nombre en la Fundación César Manrique de Lanzarote, con motivo de una exposición dedicada a su obra. (Foto de Adriel Perdomo)

(Foto de Daniel Mordzinski)

Abrazo entre dos escritores
José Saramago y Arturo Pérez-Reverte se saludan en la Feria del Libro del año 2002

José Saramago
El escritor José Saramago, en la presentación de su libro "El hombre duplicado". 
(Foto de Gorka Lejarcegi)

Entrega del Nobel
José Saramago recoge el primer premio Nobel de Literatura 
concedido a un escritor de habla portuguesa.

Dos nobeles
Saramago y García Márquez, durante la ceremonia del cuarenta aniversario de la Revolución Cubana.
(Foto Agência Reuters)

Junto a Mario Vargas
Llosa El premio Nobel de Literatura charla con el escritor Mario Vargas Llosa en la 
Feria del Libro de Madrid, en 2002. (Foto de Gorka Lajarcei)

Traductora y esposa
La periodista sevillana Pilar del Río fue su mujer los últimos 20 años de su vida. Ella trabajaba en el centro territorial de TVE en Andalucía cuando, impresionada por Memorial del convento, propuso entrevistarlo. Así nació su relación. Luego, ella se convertiría también en la traductora al castellano de sus obras. En la foto aparecen ambos este pasado julio. Antes, Saramago estuvo casado durante 25 años con la pintora Ilda Reis. (Foto Agência Reuters)

Doctor honoris causa
El escritor José Saramago junta al príncipe Felipe, durante su investidura como Doctor honoris causa por la Universidad de Castilla-La Mancha en 1997. (Foto de Bernardo Pérez)

El escritor y el comandante
José Saramago habla con Fidel Castro durante un acto de apoyo a Cuba celebrado en Oporto en octubre de 1998. El premio Nobel se distanció más tarde del régimen, con una celebre frase: "Hasta aquí llego con la revolución cubana". (Foto de Gorka Lajarcei)

Escenario de una novela
 José Saramago, escritor portugués, en el edificio en el que ambientó su novela 
Memorial de un convento. (Foto de Bernardo Pérez)

Junto a su esposa
Fotografía de archivo, del 27 de agosto de 2009, de Saramago, 
junto a su esposa, Pilar del Río, en su casa de Lanzarote. (Foto Agência EFE)

José Saramago
El escritor portugués acompaña al Subcomandante Marcos durante un acto celebrado 
en Ciudad de México, en marzo de 2001. (Foto Agência Reuters)

"Textos inéditos de Saramago: su creatividad íntima" de Ferran Bono no "El País" de 19/06/2015

Textos inéditos de Saramago: su creatividad íntima
El Nobel portugués anotaba sus dudas y el proceso de escritura de sus novelas
A los cinco años de su muerte, EL PAÍS publica el ‘making of’ de ‘Ensayo sobre la lucidez’

(José Saramago, na Playa Quemada de Lanzarote, 
2007 / Pedro Walter - El País)

Pode ser consultado e lido, aqui

"Anotaba cuándo se le ocurría una idea para empezar una novela. Podía ser de madrugada o viajando en tren. Expresaba sus dudas sobre la calidad de lo que llevaba escribiendo o manifestaba su desconfianza sobre el interés de una trama cuando él mismo se había hastiado urdiéndola. José Saramago solía apuntar todo, incluso cuando de repente decidía cambiar el título de una novela hasta que el juicio de su mujer, Pilar del Río, le hacía desistir y volvía a su plan original.

Así pasó con Ensayo sobre la lucidez, del que hoy, justo cuando se cumplen cinco años del fallecimiento del premio Nobel de Literatura de 1998, EL PAÍS publica en exclusiva una serie de textos inéditos en castellano (en portugués lo hace la revista Blimunda de la Fundación Saramago). Son notas del autor en 2003 durante la redacción del libro publicado un año después que muestran el proceso creativo del autor, la construcción del relato, el cómo se hizo la novela (lo que en el cine se denomina making of).

Saramago (Santarém, Portugal, 1922-Lanzarote, 2010) narra en Ensayo sobre la lucidez (publicado por Alfaguara) la historia de una ciudad cuyos habitantes deciden votar mayoritariamente en blanco, lo que provoca la reacción virulenta del Gobierno. Estos son algunos fragmentos de las notas del autor traducidas al castellano por Roser Vilagrassa [Los textos íntegros están publicados en un documento adjunto en esta información]:

4 de febrero de 2003
“La noche del 30 al 31 de enero me desperté a las tres de la madrugada con la idea repentina de que, por fin, ya tenía el tema para una nueva novela, que ya andaba buscando de manera más o menos consciente. Se trata de esa “revolución blanca" de la que hablé en Madrid y Barcelona durante la presentación de El hombre duplicado, del voto en blanco como única forma eficaz de protesta contra el loado sistema “democrático” que nos gobierna. Por si fuera poco, también tuve la súbita, la instantánea certeza de que dicho libro, en caso de que llegue a existir, tendría que llevar el título de Ensayo sobre la lucidez, como si el hecho de votar en blanco en la presente situación del mundo fuera un acto exactamente contrario a aquellos, o a la mayoría de aquellos, que se cometían en Ensayo sobre la ceguera. Durante esos días, la convicción de haber acertado de lleno era cada más fuerte (...)”.

17 de marzo
“(...) He llegado a la conclusión de que el título de la novela determina que los personajes sean los mismos que habitaron el otro Ensayo, el de la ceguera. Probablemente no todos. He pensado que la mujer del primer ciego se habría divorciado del marido y que la madre del niño estrábico aparecería y se ocuparía de él. Los demás, la mujer del médico y el marido, la chica con las gafas de sol y el viejo del parche negro se mantienen. También el perro de las lágrimas, que cerrará el libro con la mujer del médico muerta a su lado, asesinada por aquellos que decidieron que todo debía volver a ser como en los buenos viejos tiempos (...)”.

29 de marzo
“El primer capítulo empezará con la descripción (sumaria, claro está) de la tormenta y el viento que cae sobre el país. La televisión y la radio apelan a la conciencia cívica de los electores para que no se queden en casa pese al mal tiempo. Usar la palabrería insustancial propia de las ocasiones patrióticas. Entrar en casa de los personajes principales: la mujer del médico y el marido (también el perro, que vive con ellos), la mujer divorciada del primer ladrón, la chica de las gafas de sol y el viejo del parche negro, y el niño estrábico (la madre nunca llegó a aparecer, ¿o sí?), el escritor y la familia (¿toda?, recuerdo que estaba casado y creo que tenía hijas). A las cuatro de la tarde salen todos para ir a votar (también saldrán los habitantes que aún no habían votado). Descripción de la caminata bajo la lluvia. Barrios inundados, bomberos, barcos. La radio y la televisión se apresuran a transmitir la noticia del inopinado acontecimiento: los electores de la ciudad X están dando un extraordinario ejemplo de civismo, arrostrando la tormenta para cumplir con su sagrado deber (...)”.

19 de abril.
Sobrevolando el Mediterráneo.

“La idea de que los personajes de la Ceguera reaparezcan en Lucidez me parece cada vez mejor. Así como el título del nuevo libro ya sugiere una continuidad, la presencia de los personajes lo confirma definitivamente. En la mente de las autoridades perplejas surgirá la sospecha de que la mujer que no perdió la vista en la Ceguera podría tener algo que ver con el nuevo ‘fenómeno’. Como consecuencia lógica, esta sospecha se extenderá a aquellos a quienes ella había guiado. Así como la novela anterior obedecía escrupulosamente a ‘cierta lógica’, esta no podrá quedar atrás (...)”.

3 de junio.
Día en que Sophia de Mello Breyner gana el Premio Reina Sofía de poesía iberoamericana

“El final no será como se ha descrito más arriba. La mujer del médico será asesinada, pero no en el balcón de la parte de atrás de su casa. La matarán en un jardín donde había llevado a pasear al perro de las lágrimas. El perro empezará a aullar y también lo matarán. Los ciegos se preguntarán: ¿Has oído algo? Dos tiros, Pero también un perro que aullaba, Ya se ha callado, habrá sido el segundo tiro, Menos mal, porque el aullido de los perros me afecta a los nervios”.

Las obras y las ideas del Nobel siguen vivas

JAVIER MARTÍN, LISBOA
A los cinco años de su desaparición, José Saramago está muy presente. En todo el mundo han aumentado los libros sobre él, las representaciones teatrales, las traducciones, las cátedras y las muestra y hasta se publicó, póstumamente, Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas. “Nos llama la atención”, explicó ayer Pilar del Río, viuda del escritor y directora de la Fundación Saramago en Lisboa, “que, sin iniciativa nuestra, muchas televisiones recuerdan esta fecha”. En Italia se prepara una ópera a partir de Las intermitencias de la muerte, y en São Paulo, la mayor muestra sobre el autor en el Museo de la Lengua Portuguesa. Hoy, la Fundación estrena el documental Un humanista por casualidad escritor, del brasileño Leandro Lopes. Y se ultima un guion sobre El fin de la paciencia, una obra jamás representada.
Sus ideas tampoco han muerto. En 1998, el primer premio Nobel portugués propuso en su brindis en la cena de la Academia sueca crear la Declaración Universal de los Deberes Humanos. “No parece que los Gobiernos hayan hecho por los derechos humanos todo aquello a lo que, moralmente, cuando no por fuerza de ley, estaban obligados. Las injusticias se multiplican en el mundo, las desigualdades se agravan, la ignorancia crece, la miseria se extiende”.
Aquel brindis al sol lo ha recogido, 17 años después, la Universidad Autónoma de México, que el próximo miércoles organiza un congreso sobre su idea de los Deberes Humanos. La web Prospectivas del Mundo de la UNAM ha recogido ideas, e intelectuales de todo el mundo debatirán sobre el futuro que nos aguarda o, en su defecto, que nos guardan. “A José no le gustaba que lo clasificaran como intelectual”, recordó Pilar del Río, “él era un humanista, pero un humanista compasivo”."


#cincoanos - Memória da Data - "La Consistencia de los Sueños" documentário sobre a exposição

#cincoanos
Memória da Data 
"La Consistencia de los Sueños" documentário sobre a exposição


( Pode ser visualizado aqui, via YouTube,

#cincoanos - Memória da Data - "Un optimista informado y memorioso" de J. Ignacio Chaves G. (Nueva Tribuna)

"Un optimista informado y memorioso"

"En recuerdo a José Saramago, un gran novelista, un buen periodista y un ciudadano comprometido."

Pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.nuevatribuna.es/articulo/cultura---ocio/optimista-informado-y-memorioso/20150619100609117330.html



"El dieciocho de junio de dos mil diez nos dejaba una de las personas que más y mejor entendió el papel de la ciudadanía en la construcción de la democracia. En fechas repletas de movimientos estratégicos por detentar el poder, uno, el que sea, porque en el fondo a la mayoría lo que les importa es tenerlo, conviene no perder de vista algunas de sus palabras:

“Ésta es una sociedad falsa. Quiero decir... inexistente. Pienso que para que una sociedad exista, debe darse una cierta unión entre sus miembros, no un continuo estado de competencia. Lo que hoy vivimos es la tiranía de un sistema que ha conseguido que el hombre que se mueve dentro de él sea fácilmente desechable.”

Sus reflexiones sobre la lucidez y la ceguera son profundas muestras sobre el conocimiento de una política hueca en una sociedad huera, al menos esa mitad mal llamada desarrollada que parece no tener más afán que consumir y morir enriquecida por el empobrecimiento de la otra mitad. Las enfermedades mentales transmutan en físicas para narrar lo débil y falso de un sistema que ha convertido en incompetentes las relaciones humanas y sus instituciones. Tal como él decía: “Creo que no nos quedamos ciegos, creo que estamos ciegos, ciegos que ven, ciegos que, viendo, no ven.”Un revolucionario pacífico que era lo que Edward Said, otro de los grandes pensadores éticos, llamaba un intelectual comprometido, que tienen que usar su lugar destacado en la sociedad para luchar contra el statu quo, para criticar a los poderes y a los medios que intentan moldear a la ciudadanía a través de conformar la mal llamada opinión pública.

Como miembro del Parlamento Internacional de Escritores se atrevió a comparar la situación de la población palestina en los territorios ocupados con el campo de concentración nazi en Auschwitz, declarando tras una visita a Ramala que "Un sentimiento de impunidad caracteriza hoy al pueblo israelí y a su ejército. Se han convertido en rentistas del holocausto. Con todo el respeto por la gente asesinada, torturada y gaseada.”

José de Sousa Saramago nació en Azinhaga (Portugal) el 16 de noviembre de 1922 y murió en Tías (España) el 18 de junio de 2012. Le concedieron el premio Nobel de Literatura en 1998 “por permitirnos, a través de parábolas sostenidas por la imaginación, la compasión y la ironía, aprehender una realidad esquiva”.

Hace cinco años que se fue y su memoria, sus ideas y sus acciones siguen tan vivas y actuales como cuando estaba entre nosotros. Podemos conocerle más y mejor leyéndole o visitando la exposición permanente en la Fundación José Saramago (Casa dos Bicos en Lisboa), la Biblioteca Saramago en Tías (Lanzarote) o la delegación en su Azinhaga natal.

En 2010, le dediqué un tardío y póstumo homenaje en el número 12 deTribuna, órgano de expresión de la Federación de Servicios a la Ciudadanía del sindicato español Comisiones Obreras, curiosamente esa ciudadanía a la que él tan bien leyó y a la que tanto sirvió.

Su literatura nos enriqueció, “era capaz de poner el universo en movimiento apenas con dos palabras”. Sus discursos nos motivaron, como el que ofreció hace diez años, el 17 de junio de 2005, en la Casa de las Américas en La Habana (Cuba). Tras explicar cómo en España, unos años antes, le habían reunido junto a un grupo de personas para que presentaran propuestas para el milenio, que se convirtieron en puro delirio, Saramago nombró la décima suya: “regresar a la filosofía”. Todo eso para invitar a los asistentes a pensar: “Regreso a la filosofía no en el sentido absurdo de que ahora nos vamos a convertir todos en filósofos. Filosofía aquí podría significar exactamente todo lo que esperamos encontrar en la filosofía, es decir, la reflexión, el análisis, el espíritu crítico, libre. Es decir, circular dentro del universo humano donde conceptos de otro tipo se enfrentan, se encuentran, se juntan, se separan, es lo que pasa todos los días, pero apuntar la idea de que si el hombre es un ser pensante, pues entonces que piense.”

Fue un comunista de pura cepa, un ateo militante, un defensor de la justicia social y de las causas justas, aunque pudieran parecer utópicas, que no significa que estuvieran perdidas.

Fue una simiente que dio muchos frutos, sus más de cuarenta obras publicadas, que nos han llevado a tierras de pecado; al cerco de Lisboa; a la caverna; a releer la existencia de Jesucristo o la vida errante de Caín; a la isla desconocida; a viajar con un elefante o en una balsa de piedra; a levantarnos del suelo; al memorial de un convento; a pensar en el hombre duplicado, en la lucidez o en la ceguera, ocupan, por mérito propio, las más destacadas bibliotecas contemporáneas.  

Yo quisiera recomendarles, al margen de esos grandes ensayos que son sus novelas, esa pequeña metáfora, obra maestra sobre el derecho de soñar y de libertad, que es El cuento de la isla desconocida y el texto que sirvió de guión a un hermoso cortometraje de animación, que yo utilizo en clase para hablar de educación, comunicación y ciudadanía,La flor más grande del mundo, “¿Y si las historias para niños fueran de lectura obligatoria para los adultos? ¿Seríamos realmente capaces de aprender lo que, desde tanto tiempo venimos enseñando?”.

A este mundo insolidario, materialista, grosero y jodón le hacen falta personas como Saramago, gente ética, comprometida y con criterio que piense, que nos haga pensar y que nos invite a la acción tras la reflexión.

Hoy le seguimos pensando."

#cincoanos - Memória da Data - José Saramago - "Il racconto dell'isola sconosciuta" (Leitura de "O Conto da Ilha Desconhecida")

#cincoanos 
Memória da Data - José Saramago 
"Il racconto dell'isola sconosciuta" (Leitura de "O Conto da Ilha Desconhecida")


( Pode ser visualizado e ouvido, aqui

"Il racconto dell'isola sconosciuta"
Einaudi, Torino, 1998, tradução de Paolo Collo e Rita Desti
"O conto da ilha desconhecida" Caminho, edição de 1999

Lettura di Luigi Maria Corsanico

#cincoanos - Memória da Data - Antena1 - Reposição da entrevista Pilar del Río (Março de 2011)

#cincoanos 
Memória da Data - Antena1 - Reposição da entrevista Pilar del Río (Março de 2011)

( Pode ser visualizado, aqui

#cincoanos - Memória da Data - "Relembrar Saramago" de Pedro Reis (PT Jornal)

#cincoanos 
Memória da Data 
"Relembrar Saramago" de Pedro Reis (PT Jornal)

Pode ser consultado e lido, aqui
em http://ptjornal.com/relembrar-saramago-42647

"Relembrar Saramago" de Pedro Reis

"“Aprendamos um pouco, isso e o resto, o próprio orgulho também, com aqueles que do chão se levantaram e a ele não tornam, porque do chão só devemos querer o alimento e aceitar a sepultura, nunca a resignação”.




Começo esta crónica com esta citação retirada de “Levantado do Chão”. Não foi fácil a escolha, poderia ter começado com outra qualquer. O leitor deve então estar a questionar-se o porquê desta escolha. Bem, penso que o principal motivo – para além de ser retirada de uma das minhas obras preferidas do autor – deve-se ao facto desta demonstrar uma linha do pensamento de José Saramago que tanto me inspira: a ideia de não nos resignarmos seja em que circunstância for. Talvez esteja a incorrer no erro de ser demasiado simplista, mas há nesta citação uma certa inquietação e desassossego que definem muito daquilo que Saramago pretendia transmitir com a sua escrita e que, enquanto leitor, muito me influencia.

Existem escritores assim, que através do que escrevem passam-nos mais do que simplesmente uma boa história. São capazes de criar uma ligação de proximidade entre escritor e leitor, onde este último – o aprendiz -, retira das palavras do primeiro – o mestre -, lições de vida, formas de a encarar, de a enfrentar. Através da leitura, o aprendiz obtém uma fonte de inspiração que acaba por moldar a forma como vê o mundo que o rodeia. “As palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio (…) para que possamos chegar à outra margem”, diz-nos Saramago algures em “A Caverna”.

Mas de onde nasce, afinal, o meu gosto por este escritor? O primeiro livro que li de José Saramago foi “As Intermitências da Morte”. Bem, não será totalmente verdade, uma vez que o primeiro contacto que tive com o autor foi no 12o ano através do “Memorial do Convento”, mas confesso que na altura – e aqui faço o mea culpa – passou-me um bocado ao lado. Outra idade, outra mentalidade, outra forma de encarar a vida. Portanto o meu contacto com Saramago foi um bocado mais tardio do que aquilo que seria suposto, mas sinceramente ainda bem que assim foi. Sugeriram-me “As Intermitências da Morte” e decidi dar uma nova oportunidade ao autor, e em boa hora o fiz. Confesso que li aquela página final perto de dez vezes de seguida, sem exagero. Para além do livro em si me ter fascinado, aquele final deixou-me completamente rendido. Percebi imediatamente que José Saramago tinha algo de especial, que havia ali algo de maior que eu podia retirar daquilo que este me tinha para ensinar. Seguiu-se o “Caim”, que tanto me fez rir pela crítica implacável e irónica sobre Deus e sobre a religião. Mas a confirmação de que Saramago seria um escritor que tinha aparecido para mudar a forma como encaro a literatura deu-se com duas obras em particular: “Ensaio sobre a Cegueira” e “Levantado do Chão”. A primeira, ainda hoje me deixa perplexo com a brutalidade, com a violência, e com a maldade do Ser Humano, mas ao mesmo tempo com um sorriso de esperança perante personagens tão marcantes como a “mulher do médico” ou o “cão das lágrimas”. A segunda deixa-me inspirado pela força retratada através de várias gerações de uma família, e a forma como um povo, oprimido pela ditadura política e religiosa, foi capaz de se erguer e lutar por uma vida melhor. Um retrato ímpar do povo português, principalmente o povo alentejano, desde o início do século XX até à Revolução de Abril.

Dei então por mim a ler Saramago compulsivamente. “O caos é uma ordem por decifrar” e “Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, citações retiradas das epígrafes de “O Homem Duplicado” e “A Viagem do Elefante” respectivamente foram os livros seguintes, e ainda hoje são provavelmente duas das frases do autor que mais me marcam, e que com tão poucas palavras conseguem dizer tanto. Depois de uma pequena pausa, voltei a pegar na sua obra com “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, que me fez perceber porque é que não nos podemos contentar em observar o espectáculo do mundo como o heterónimo pessoano nos dizia, com o “Ensaio sobre a Lucidez” que gira à volta de um tema tão actual (a abstenção) e que demonstra o quão perversos e maldosos podem ser os nossos governantes, com a releitura do “Memorial do Convento” que desta vez fez tanto sentido, e com o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, um livro único onde somos presenciados com uma outra forma de ver a religião católica, com Jesus a ser apresentado sob uma perspectiva humana, uma vítima nas mãos de um Deus maldoso: “Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez”. De destacar ainda que foi com este livro que Saramago abandonou o país, mudando-se para Lanzarote depois da polémica com o subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara. Uma obra e um autor demasiado grandes para um governo com uma mentalidade tão pequena.

Mas ainda havia muito da obra de Saramago para conhecer. Seguiram-se “A Jangada de Pedra” que me prendeu pela viagem e pelo relacionamento entre as personagens, “A Caverna” que pela sua simplicidade é uma das histórias mais bonitas que já li (Cipriano Algor pela sua humildade é das personagens que mais me marcou até hoje), assim como uma grande crítica às consequências das transformações provenientes do capitalismo, onde cada vez somos menos humanos e mais sombras e, por fim, “Todos os Nomes”, o último livro de Saramago que li, sendo uma grande abordagem ao sentido da nossa existência, aquilo que fazemos, aquilo que somos, e à procura constante pelo outro.

Apesar de já ter lido muito da obra de Saramago, ainda há muito para ler e descobrir.

Quando hoje me perguntam qual o meu livro favorito do autor, nunca consigo responder. Penso que isso depende muito do momento, do estado de espírito. Em certas alturas poderia responder “Ensaio sobre a Cegueira”, noutras “Levantado do Chão” ou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Ou até mesmo “O Ano da Morte de Ricardo Reis” ou “Memorial do Convento”. Cada livro de Saramago marcou-me de determinada forma. Ensinou-me algo, mudou a minha percepção sobre o mundo. Portanto, é sempre complicado responder a essa questão. O que é comum em todas as suas obras é a forma como o autor não é simplesmente um narrador, uma vez que a sua personalidade está bastante presente em cada um dos seus livros. Quando lemos Saramago não se trata apenas de conhecer uma história e as respectivas personagens. Trata-se, acima de tudo, de entrar num diálogo que o autor constrói connosco leitores, fazendo observações constantes que nos dizem quem ele é, no que acredita e o que nos pretende transmitir.

Não há melhor sensação na leitura do que ficar preso numa frase para de seguida tirar os olhos da página, olhar para cima, e reflectir sobre aquilo que acabamos de ler. E ao ler Saramago isto acontece-me frequentemente, normalmente seguindo um gigante sorriso.

Mais do que um escritor, José Saramago era um humanista. Através das suas personagens, parábolas e da sua ironia tão própria, conseguia analisar o Ser Humano de uma forma única, realçando os seus maiores defeitos, mas invocando também as suas melhores qualidades. Uma tarefa e luta constantes para melhorarmos enquanto humanos que somos, dotados de direitos mas também de deveres. “Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar”, dizia-nos.

Através do seu olhar crítico e lúcido – que tanta falta nos faz nos dias de hoje – batia-se através de uma inquietação constante para mudar o mundo que o rodeava, sempre movido por valores éticos e morais de uma enorme grandeza e bondade. Ontem (quinta-feira, 18 de Junho) assinalaram-se os cinco anos da morte de José Saramago, que nos disse que “o que extingue a vida e os seus sinais, não é a morte, mas o esquecimento”. A morte pode ter levado o autor, mas a sua obra é eterna, e continuar a ler o que escreveu manterá para sempre viva a sua memória e o enorme legado que nos deixou. “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”. E aos leitores, sobretudo aos leitores."

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Revista Blimunda #37 (Junho de 2015) com "Inédito: Notas para Ensaio sobre a Lucidez"

(Capa da edição n.º 37 - Junho 2015)

Pode ser consultada e lida, aqui
em http://blimunda.josesaramago.org/2015/06/18/blimunda-37-junho-de-2015/#more-251

Sinopse da edição:
"José Saramago tinha uma definição muito simples da morte, para ele morrer era não estar. Neste mês de junho completam-se cinco anos desde que lhe dissemos adeus. Mas continuamos a senti-lo tão próximo que, para nós, José Saramago ainda está. É a essa presença que este número da Blimunda dedica grande parte das suas páginas; não só para recordar José Saramago e falar da falta que nos faz, mas também com o intuito de contar como a sua obra continua a ser lida e reinterpretada. Entre os destaques do dossier estão as notas preparatórias para o Ensaio sobre a Lucidez, nunca antes publicadas, os textos do professor Carlos Reis e do jornalista Fernando Berlín, além de depoimentos de vários dos tradutores que trabalharam sobre os textos de José Saramago.

Para além destas páginas, a Blimunda de junho traz, para além das suas secções habituais, uma reportagem sobre o Festival Literário da Gardunha e um relato sobre um projeto que coloca crianças a fazer os seus próprios livros infantis.

Passados cinco anos da morte de José Saramago entregamos aos leitores, neste número do seu terceiro aniversário, uma Blimunda feita de saudade mas também de alegria. José Saramago está, e estando o nosso trabalho continua a fazer sentido."

E se estivéssemos todos cegos... cegos da "razão"? - O Mito da Caverna de Platão

Pode ser visualizado e consultado aqui 


quarta-feira, 17 de junho de 2015

"Uma mão cheia de eventos para lembrar os cinco anos da morte de Saramago" - Via Observador.pt (Sara Otto Coelho)

"Uma mão cheia de eventos para lembrar os cinco anos da morte de Saramago"

A notícia pode ser consultada e lida, aqui

"O quinto aniversário da morte do Nobel português vai ser assinalado com vários eventos em Lisboa. No Brasil, vai ser organizada uma exposição no Museu da Língua Portuguesa. Em Roma, haverá uma ópera."

A Fundação José Saramago, em Lisboa, vai estar aberta esta quinta-feira, de manhã à noite, com vários eventos gratuitos que assinalam o quinto aniversário da morte do único Nobel português da Literatura. O público vai poder ler um texto inédito do escritor.

“Contar os anos pelos dedos e encontrar a mão cheia” foi a frase escolhida para a capa da revista Blimunda, que a Fundação publica todos os meses. Cinco anos depois da morte de José Saramago, a 18 de junho de 2010, Pilar del Río destaca o quanto a memória do escritor está viva, em Portugal e no estrangeiro. O destaque do número 37 da revista inclui as notas preparatórias que escreveu para o livro Ensaio Sobre a Lucidez, um texto inédito que estará disponível a partir de quinta-feira, aqui.

Logo a partir das 10h00, quem se deslocar à Casa dos Bicos, onde está sediada a Fundação, vai poder ver as ilustrações que André Letria criou para o livro infantil A Maior Flor do Mundo, que Saramago publicou em 2001.

(Cartaz ilustrado por André Letria)

"Às 11h30, vai ser exibido, em estreia, o documentário “Um Humanista por acaso Escritor”, realizado pelo brasileiro Leandro Lopes. O filme vai estar nos cinemas brasileiros e pretende dar uma visão do mundo pelas lentes “desassossegadas” de José Saramago. Como parte da homenagem, foram feitos uns óculos a partir dos originais que Saramago usava e o visitantes vão poder experimentá-los, bem como tirar fotografias.

Às 21h00, a atriz Maria do Céu Guerra vai ler excertos da obra do autor de Ensaio sobre a Cegueira, seguindo-se um concerto de João Afonso e Rogério Cardoso Pires."

(Pilar del Río segura os óculos que os visitantes vão poder usar 
e o caderno original agora encontrado. ©Sara Otto Coelho)

"No encontro com os jornalistas, Pilar del Río anunciou também a descoberta de um texto de teatro escrito por José Saramago e Costa Ferreira, no final dos anos 1970. “Está aqui Saramago”, disse a viúva do escritor. Há anos que Pilar o tinha no gabinete que ocupa na Fundação, pensando ser outra obra. “O Fim da Paciência” nunca chegou a ser apresentado nos palcos. Depois da descoberta, deverá ser publicado, não se sabe ainda se pela Alfaguara, se pela Porto Editora. “Por enquanto, a prioridade da Porto Editora é fazer chegar às livrarias as quatro obras que faltam reeditar para completar a nova coleção, A Jangada de Pedra (1986), Objeto Quase (1978), Terra do Pecado (1947) e Todos os Nomes (1997) e o Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), disse ao Observador Manuel Alberto Valente.

Durante os próximos meses haverá uma mão cheia de referências internacionais ao português que venceu o Nobel da Literatura em 1998. Uma das principais é a exposição que está a ser organizada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Brasil, e que se estima que abra as portas em 2016. Pilar del Río admitiu que falou com o diretor do museu, Antonio Carlos de Moraes Sartini, sobre a hipótese de a exposição ser posteriormente mostrada em Portugal, mas ainda não existem certezas.

Destaca-se também o Congresso Internacional sobre os Deveres Humanos que se vai realizar no México, a 24 e 25 de junho. A ideia é fazer o esboço de uma “Carta dos Deveres Humanos”, que José Saramago sugeriu no seu discurso em Estocolmo, em 1998, quando recebeu o Nobel.

Na capital italiana, Roma, vai ser apresentada uma ópera baseada no romance As Intermitências da Morte. Em Espanha, vai subir ao palco o Ensaio sobre a Cegueira, pela companhia Sarabela, na Galiza, e O Homem Duplicado, em Madrid."


"História de uma flor" post colocado no livro/blog "O Caderno 2" - 25 de Maio de 2009


Pode ser visualizado aqui, via YouTube 

E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?

Pode ser consultado e lido, aqui 
em http://caderno.josesaramago.org/42904.html

"História de uma flor"
"Aí pelos começos dos anos 70, quando eu ainda não passava de um escritor principiante, um editor de Lisboa teve a insólita ideia de me pedir que escrevesse um conto para crianças. Não estava eu nada certo de poder desobrigar-me dignamente da encomenda, por isso, além da história de uma flor que estava a morrer à míngua de uma gota de água, fui-me curando em saúde pondo o narrador a desculpar-se por não saber escrever histórias para a gente miúda, a quem, por outro lado, diplomaticamente, convidava a reescrever com as suas próprias palavras a história que eu lhes contava. O filho pequeno de uma amiga minha, a quem tive o desplante de oferecer o livrinho, confirmou sem piedade a minha suspeita: “Realmente”, disse à mãe, “ele não sabe escrever histórias para crianças”. Aguentei o golpe e tentei não pensar mais naquela frustrada tentativa de vir a reunir-me com os irmãos Grimm no paraíso dos contos infantis. Passou o tempo, escrevi outros livros que tiveram melhor sorte, e um dia recebo uma chamada telefónica do meu editor Zeferino Coelho a comunicar-me que estava a pensar em reeditar o meu conto para crianças. Disse-lhe que devia haver um engano, porque eu nunca tinha escrito nada para crianças. Quer dizer, havia esquecido totalmente o infausto acontecimento. Mas, há que dizê-lo, foi assim que começou a segunda vida de “A maior flor do mundo”, agora com a bênção das extraordinárias colagens que João Caetano fez para a nova edição e que contribuíram de maneira definitiva para o seu êxito. Milhares de novas histórias (milhares, sim, não exagero) foram escritas nas escolas primárias de Portugal, Espanha e meio mundo, milhares de versões em que milhares de crianças demonstraram a sua capacidade criadora, não só como pequenos narradores, também como incipientes ilustradores. Afinal, o filho da minha amiga não tivera razão, o conto, de transparente simplicidade, havia encontrado os seus leitores. Mas as coisas não ficaram por aqui. Há alguns anos, Juan Pablo Etcheverry e Chelo Loureiro, que vivem na Galiza e trabalham em cinema, procuraram-me com o objectivo de fazer da “Flor” uma animação em plasticina, para a qual Emilio Aragón já tinha composto uma bela música. Pareceu-me interessante a ideia, dei-lhes a autorização que pediam e, passado o tempo necessário, inútil dizer que depois de muitos sacrifícios e dificuldades, o filme foi estreado. Eu próprio apareço nele, de chapéu e bastante favorecido na idade. São quinze minutos da melhor animação, que o público tem aplaudido em salas e festivais de cinema, como foram, no passado recente, os casos de Japão e Alasca. Como foi igualmente o prémio que acaba de lhe ser atribuído no Festival de Cinema Ecológico de Tenerife, felizmente ressurgido de uma paragem forçada de alguns anos. Chelo veio a nossa casa, trouxe-nos o prémio, uma escultura representando uma planta que parece querer ascender até ao sol e que, muito provavelmente, irá continuar a sua existência na Casa dos Bicos, em Lisboa, para mostrar como neste mundo tudo está ligado a tudo, sonho, criação, obra. É o que nos vale, o trabalho."

José Saramago, em "O Caderno 2"
Caminho, 25 de Maio de 2009

"Saramago no pierde la visión cinco años después de su muerte" de Prado Campos em "El Confidencial"

O texto pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.elconfidencial.com/cultura/2015-06-17/saramago-muerte-quinto-aniversario-nobel_888325/

"Saramago no pierde la visión cinco años después de su muerte", texto de Prado Campos
http://www.elconfidencial.com/



(José Saramago - 2009 - Agência EFE)

"José Saramago no quiso ser escritor. De hecho, contaba que de niño en su casa no había libros -sólo uno "grueso, encuadernado, salvo error, en azul celeste, que se llamaba A Toutinegra de Moinho, y cuyo autor, si la memoria me acierta, era Émile Richerbourg"-, pero iba a menudo a la ópera gracias a la amistad de su padre con el portero del teatro. Sin embargo, quien empezó a leer en los periódicos y se encontró con los libros en una rara asignatura de Literatura en la escuela técnica, no sólo se acabó convirtiendo en uno de los escritores más célebres sino que encontró en la escritura la forma de "desasosegar" al lector. Mañana se cumplen cinco años de la muerte del Premio Nobel de Literatura luso que repetía que “a donde va el escritor, va el ciudadano”, dejando claro que en sus obras y en sus palabras era siempre él y que nunca iba a renunciar a su responsabilidad con la sociedad.
"Yo soy una persona pacífica, sin demagogia ni estrategia. Digo exactamente lo que pienso. Y lo hago en forma sencilla, sin retórica”, aseguró Saramago (Azinhaga, 1922) en una de sus incontables entrevistas. Y esa es, precisamente, una de las (muchas) claves de su vida: una conciencia social y política lúcida, honesta y capaz de adelantarse a los acontecimientos.
'Yo soy una persona pacífica, sin demagogia ni estrategia. Digo exactamente lo que pienso. Y lo hago en forma sencilla, sin retórica'
Dice su mujer, Pilar del Río, que “José no es un muerto para nada”. Y en esa idea se van a centrar las actividades de este quinto aniversario. El mejor ejemplo sale del que va ser uno de los nuevos descubrimientos literarios del escritor portugués. Hoy se presenta en su fundación lisboeta El fin de la paciencia, una adaptación teatral inédita hecha por Saramago y Costa Ferreira del relato Cosas, recogido en Casi un objeto (1978). Esta obra, llevada a la escena haciendo hincapié en su parte social, es un cuento ficticio que recrea una sociedad de ciudadanos usuarios clasificados según sus prioridades para consumir (A, B y C) y gobernada por un Estado autoritario en la que las cosas cobran vida y desaparecen.

(Ver el mundo con la mirada de Saramago, 
es lo que propone su fundación en el quinto aniversario de su muerte)

- Lo peor es que el efecto de la represalia acaba siempre por caer sobre nosotros: dificultades de abastecimiento, escasez de producto, carestía... Pensaba que ya habíamos pasado esta fase.
- Será inevitable. Sin austeridad no podemos volver a la armonía social.
Del Río recita al otro lado del teléfono este diálogo de la versión escénica del relato de su marido que tanto suena al hoy “hemos vivido por encima de nuestras posibilidades” y crítico con la austeridad como receta gubernamental para salir de la crisis. Porque si algo ha sido una constante en la mirada de Saramago ha sido su actualidad y su carácter visionario. "No os resignéis, indignémonos", espetó en más de una ocasión al ciudadano, quien era el centro de un discurso que alcanzó su máxima responsabilidad social tras recibir, en 1998, un Nobel que no sólo no le domesticó sino que acrecentó su carácter quijotesco y su condición de creador de opinión.
“En mi oficio de escritor, pienso no haberme apartado nunca de mi conciencia de ciudadano. Defiendo que adonde va uno, debe ir el otro. No recuerdo haber escrito ni una sola palabra que estuviese en contradicción con mis convicciones políticas, pero eso no significa que haya puesto alguna vez la literatura al servicio de mi ideología. Significa, eso sí, que cuando escribo estoy expresando la totalidad de la persona que soy", escribió en Cuadernos de Lanzarote como recoge Fernando Gómez Aguilera en José Saramago en sus palabras (Alfaguara, 2010).
El legado de Saramago
Apenas hoy podría entenderse en la totalidad la figura del escritor Saramago sin su compromiso con el pensamiento crítico, la defensa de los derechos humanos y una firme creencia en los ciudadanos como motor para cambiar la realidad. No puede estar más de actualidad en este panorama político. "No era un optimista y tampoco era pesimista, pero el mundo era pésimo decía siempre. La única salida que veía a las situaciones absurdas que vive el mundo está en los ciudadanos manifestando sus derechos y cumpliendo con sus obligaciones", asegura Del Río.

(José Saramago e Pilar del Río - Agência EFE)

Sus palabras siempre apelaron e interrogaron a los ciudadanos para hacerles creer en la necesidad de intervenir. "Siempre sostuvo que no podíamos mantener la fachada del edificio de la democracia como si todo estuviera bien, cuando por dentro había desafección, corrupción y suciedad", garantiza su mujer. Sin lugar a dudas, Ensayo sobre la ceguera (1995) y, después, Ensayo sobre la lucidez (2004) -siempre sostuvo que no era una continuación y que sólo compartían la palabra ensayo en su título porque reconocer la ceguera no es sinónimo de volverse lúcido- son, además de sus obras más célebres, la mejor muestra de esa censura al fracaso de la racionalidad y ese llamamiento a huir y levantarse contra la manipulación.
De ahí, que esa anticipación a los acontecimientos de Saramago sea pasmosa. Tras ese mundo abatido por la ceguera, en el Ensayo sobre la lucidez plantea una mundo en el que el pueblo se revela ante los abusos del poder y dice no a más sometimiento. Algo que resuena mucho en estos años post 15M, mareas y primaveras y de panoramas políticos cambiantes. Sirvan estas citas de sendas entrevistas como ejemplo de su plena vigencia:
- "El poder político es el que menos cuenta, el poder real es el económico, y no es democrático. Entonces, ¿tiene sentido que sigamos hablando de democracia? Me parece poco serio. Las noticias políticas no son más que declaraciones. Es como el mundo del fútbol, los presidentes se calumnian, se intrigan, protestan, pero ¿quién gobierna los países?: las finanzas internacionales". (1997, El Mundo)
- "Lo que me preocupa más es la apatía de la gente, ese desánimo, esa crisis de indiferencia que se vive en el país. Parece mentira que sea el mismo pueblo que hace 30 años era el más combativo de Europa", decía sobre Portugal en 2005 (El País).
- "El Gobierno socialista [portugués] ha hecho políticas de derecha y el problema es que no hay ningún palacio de invierno para asaltar. Lo peor de todo, y esta crisis lo ha demostrado, es que la izquierda no tiene ideas. Ningún partido de izquierda, más o menos roja, más o menos rosa, ha presentado una sola idea para combatir la crisis. Y con los sindicatos ha ocurrido lo mismo. Su fuerza está dormida, domesticada. Me parece que Marx nunca ha tenido tanta razón como ahora. Pero eso no es suficiente. Haría falta una reflexión profunda, partiendo de Marx". (2009, El País)

Por eso, su lucidez es el mayor legado de un genio comprometido dentro y fuera de sus páginas. "Nunca hizo pactos con nada ni con nadie porque un intelectual que se precie no pacta y dice lo que piensa aunque no sea simpático. Dijo cosas que nadie quería oír como, por ejemplo, hablar de la corrupción hace muchísimo tiempo. Lo que le distingue y le caracteriza, además de su estilo, es la ciudadanía, era un ciudadano de una integridad y una valentía esplendorosa", dice su mujer.
Y su vigencia es más que evidente porque desde que Samarago falleció se han publicado dos obras póstumas: Claraboya (escrita en 1953) y Alabardas (obra en la que estaba trabajando cuando falleció), se ha llevado al cine El hombre duplicado (2003), se estrenó el documental José y Pilar, se ha estrenado una ópera suya en San Francisco y hay otra en marcha en Italia, varias obras de teatro en Estados Unidos, Portugal o España y el 24 y 25 de junio la Universidad Nacional Autónoma de México acogerá un congreso sobre su figura.
Además, su mujer recuerda que la casa museo de Lanzarote siempre está abierta con café para los visitantes y en su fundación en la Casa dos Bicos, de Lisboa, mañana habrá una exposición de ilustraciones; el estreno del documental Um humanista por acaso escritor, de Leandro Lopes; un concierto con lecturas de Saramago a cargo de Joao Afonso y Rogério Cardoso Pires y en su página web se publicarán unas notas inéditas sobre el Ensayo sobre la lucidez. Unas gafas como las suyas también aguardarán en la fundación para que cualquiera pueda ver el mundo con lúcida mirada de Saramago... aunque sea durante unos minutos."



terça-feira, 16 de junho de 2015

Kjell Espmark é mencionado no Blog/Livro "O Caderno 2", no post "Todos os nomes" (19/11/2008)

Pode ser consultado e lido, aqui
em http://caderno.josesaramago.org/12775.html

(Imagem da capa da obra realizada por Kjell Espmark, 
sobre a atribuição dos prémios Nobel da literatura - 2012)

"Todos os nomes"

"A dedicar exemplares de “A Viagem do Elefante” na editora durante uma boa parte da manhã. Na sua maioria irão ficar em Portugal como um recado para os amigos e companheiros de ofício dispersos nas lusitanas paragens, mas outros viajarão a terras distantes, como sejam o Brasil, a França, a Itália, a Espanha, a Hungria, a Roménia, a Suécia. Neste último caso, os destinatários foram Amadeu Batel, nosso compatriota e professor de literatura portuguesa na Universidade de Estocolmo, e o poeta e romancista Kjell Espmark, membro da Academia Sueca. Enquanto dedicava o livro para Espmark recordei o que ele nos contou, a Pilar e a mim, sobre os bastidores do prémio que me foi atribuído. O “Ensaio sobre a Cegueira”, já então traduzido ao sueco, havia causado boa impressão nos académicos, tão boa que ficou praticamente decidido entre eles que o Nobel desse ano, 1998, seria para mim. Acontece, porém, que no ano anterior tinha publicado outro livro, “Todos os Nomes”, o que, obviamente, em princípio, não deveria constituir obstáculo à decisão tomada, a não ser uma pergunta nascida dos escrúpulos dos meus juízes: “E se este novo livro é mau?” Da resposta a dar encarregou-se Kjell Espmark, em quem os colegas depositaram a responsabilidade de proceder à leitura do livro no seu idioma original. Espmark, que tem certa familiaridade com a nossa língua, cumpriu disciplinadamente a missão. Com o auxílio de um dicionário, em pleno mês de Agosto, quando mais apeteceria ir navegar entre as ilhas que enxameiam o mar sueco, leu, palavra a palavra. a história do funcionário Sr. José e da mulher a quem ele amou sem nunca a ter visto. Passei o exame, afinal o livrinho não ficava nada atrás do “Ensaio sobre a Cegueira”. Uf."

em "O Caderno 2"
Caminho, 19 de Novembro de 2008

(Kjell Espmark, no momento do 
discurso de apresentação)

A apresentação do Prémio Nobel, na cerimónia de entrega, lida por Kjell Espmark, pode ser consultado e lido, aqui

"Your Majesties, Your Royal Highness, Ladies and Gentlemen,"

"There is one type of writer who, like a bird of prey, circles time and again over the same territory. Book succeeds book, in progress towards a coherent picture of the world. José Saramago belongs to the opposite category, writers who repeatedly seem to want to invent both a world and a style that is new. In his novel The Stone Raft, he makes the Iberian peninsula separate and drift out into the Atlantic, an opening that provides a wealth of possibilities for a satirical description of society. But in his next book, The History of the Siege of Lisbon, no trace of this geological catastrophe is to be found. In Blindness: a Novel, the epidemic that deprives people of their sight is confined between the covers of the work. In his next novel All the Names, at the Population Registration Office nothing has been heard of any rampant spread of blindness, nor in previous works has there been anything to suggest the existence of this chillingly all-embracing agency. It is not Saramago's ambition to portray a coherent universe. On the contrary, he seems every time to be trying out a new model to apprehend an evasive reality, fully aware that each model is a crude approximation that could permit other approximate values, indeed one that requires them. He explicitly condemns anything that claims to be "the only version"; it is merely "another version among many". There is no overriding truth. Saramago's apparently contradictory images of the world have to be placed alongside each other to provide their own alternative accounts of an existence that is fundamentally protean and unfathomable.

In each and every one of these versions, the rules of common sense are suspended in some way. This is not uncommon in recent fiction. But here we are dealing with something different from narrative in which anything can happen - and does so all the time. Saramago has adopted a demanding artistic discipline which allows the laws of nature or common sense to be violated in one decisive respect only, and which then follows the consequences of this irrationality with all the logical rationality and exact observation it is capable of. In his novel The Year of the Death of Ricardo Reis, he makes a flesh and blood character of a figure that has only existed in the imaginary world, one of the guises adopted by the poet Pessoa. But this miracle gives rise to a masterfully realistic picture of Lisbon in the 1930s. Again, the severance of the Iberian peninsula that allows it to drift off into the Atlantic is a one-off violation of the natural order; what follows is a hilariously precise description of the consequences of this absurd aberration. In The History of the Siege of Lisbon the accepted order of things is subverted more discreetly. A proof-reader introduces a "not" into a book about the war of liberation against the Moors, thus altering the course of history. As penance he is made to write an alternative history that delineates the consequences of his amendment; this is once again a version that denies any claim to be the only valid one. In the same spirit, Saramago has also published a new, wonderful version of the narrative of the gospels, a version in which the contravention of the expected order is to be found in God's petty hunger for power so that the role of Jesus is redefined as one of defiance. Perhaps the greatest scope allowed to the fantastic is in Baltasar and Blimunda where the clairvoyant heroine gathers up the wills of the dying - energy that makes the aerial voyage in the book possible. But she too and her love are placed in an objectively described historical process, in this case the construction of the convent at Mafra that cost so much human suffering.

This rich work, with its constantly shifting perspectives and constantly renewed images of the world, is held together by a narrator whose voice is with us all the time. Apparently he is a story-teller of the old-fashioned omniscient variety, a master of ceremonies standing on the stage next to his creations, commenting on them, guiding their steps and sometimes winking at us across the footlights. But Saramago uses these traditional techniques with amused distance. The narrator is also adept in the contemporary devices of the absurd and develops a modern scepticism when faced with the omniscient claim to be able to say how things stand.The result is literature characterised at one and the same time by sagacious reflection and by insight into the limitations of sagacity, by the fantastic and by precise realism, by cautious empathy and by critical acuity, by warmth and by irony. This is Saramago's unique amalgam.


Dear José Saramago,

Anybody who tries in a few minutes to portray your work will end up articulating a series of paradoxes. You have created a cosmos that does not want to be a coherent universe. You have given us ingenious versions of a history that will not allow itself to be taken captive. You have taken the stage as the kind of narrator we feel we have long been familiar with - but with all of our contemporary liberties at your fingertips and imbued with contemporary scepticism about definite knowledge.Your distinguishing mark is irony coupled with discerning empathy, distance without distance. It is my hope that this award will attract many people to your rich and complex world. I would like to express the warm congratulations of the Swedish Academy as I now request you to receive this year's Nobel Prize for Literature from the hands of His Majesty the King."

10 de Dezembro de 1998
Versão portuguesa, publicada no Diário de Notícias, a 11/12/1998

"Há escritores tipo ave predadora, que descrevem círculos repetidos sobre o mesmo território, de livro para livro, buscando um retrato coerente do mundo". (...) "[Saramago] pertence a uma categoria contrária, a dos escritores que parecem querer sempre inventar um mundo e um estilo novos". [Assim, se a Península Ibérica fica à deriva em A Jangada de Pedra, não há traços dessa catástrofe geológica na História do Cerco de Lisboa; tal como a epidemia que é descrita em Ensaio sobre a Cegueira não deixa traços em Todos os Nomes.]

"[Na realidade], a ambição de Saramago não é retratar um universo coerente. Pelo contrário, parece, de cada vez, tentar criar um novo modelo de apreensão de uma realidade evasiva, consciente de que cada modelo é uma aproximação crua que pode admitir outros valores aproximados, na realidade um que os exige a todos. Ele condena explicitamente tudo que proclame ser "a única versão", é apenas "uma versão entre muitas".

"Em cada uma destas versões, as regras do senso comum estão suspensas de alguma forma. Isto não é invulgar na ficção recente. Mas aqui estamos a lidar com algo diferente da narrativa em que tudo pode acontecer - e acontece constantemente. Saramago adoptou uma exigente disciplina artística que autoriza as leis da natureza e do senso comum a serem violadas apenas num aspecto decisivo e que então segue as consequências desta irracionalidade com toda a racionalidade lógica e observação exacta de que é capaz." [A propósito, Espmark citou os casos de O Ano da Morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho segundo Jesus Cristo e Memorial do Convento.]

"Esta obra rica, com as suas perspectivas constantemente mutáveis e renovadas imagens do mundo, recebe a sua unidade de um narrador cuja voz está sempre connosco. Aparentemente é um contador de histórias da velha espécie omnisciente, um mestre de cerimónias de pé no palco, comentando-as, guiando os seus passos. Mas Saramago usa esta técnica tradicional com divertida distância. O narrador desenvolve um moderno cepticismo quando confrontado com a omnisciente proclamação de ser capaz de dizer em que pé estão as coisas. O resultado é uma literatura caracterizada, simultaneamente, por uma sagaz reflexão e por uma visão interior dos limites da sagacidade, pelo fantástico e por um realismo preciso, por uma empatia cautelosa e por uma acuidade crítica, pelo calor e pela ironia. Essa é a amálgama, única, de Saramago."

[Dirigindo-se directamente ao laureado, e usando o português] "Caro José Saramago, quem tentar, em poucos minutos, retratar a sua obra acaba por articular uma série de paradoxos. Criou um cosmos que não quer ser um universo coerente. Deu-nos versões engenhosas de uma história que não se deixa aprisionar. Entrou no palco como o género de narrador com que há muito nos familiarizámos - mas com todas as nossas liberdades contemporâneas nos seus dedos e imbuído de um cepticismo actual acerca do conhecimento definitivo. A sua marca distinta é a ironia associada a uma simpatia, distância sem distanciação. Espero que este prémio atraia muitas pessoas para o seu mundo rico e complexo. Desejo exprimir as felicitações da Academia Sueca ao mesmo tempo que lhe peço que receba o Prémio Nobel da Literatura das mãos de Sua Majestade o Rei."

Professor Kjell Espmark, membro da Academia Sueca e presidente do Comité Nobel

Estocolmo, 10 de Dezembro, 1998"