Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Concerto "A Viagem do Elefante" de Luís Pastos e Trigo Limpo Teatro Acert - 30 de Abril - CCB - 21 horas

A propósito do concerto "A Viagem do Elefante" de Luís Pastos e Trigo Limpo Teatro Acert (30 de Abril - CCB Pequeno Auditório - 21 horas), recorda-se aqui os dois post's do blog "Caderno" (com a sua publicação no livro "O Caderno 2"), "O elefante em viagem" e "Regresso". 

Queremos uma casa cheia de música...

Para leitura aqui,

"O elefante em viagem"
"Os leitores recordarão que os nomes das duas aldeias que a expedição encontrou no seu caminho para Figueira de Castelo Rodrigo nunca foram mencionados pelo narrador da história. Essas aldeias, tal como se encontram descritas, foram simples inventos necessários à ficção e não tinham nem têm qualquer correspondência na vida real. Parecerá portanto abusivo aos amantes do rigor histórico que Salomão esteja a preparar-se hoje para uma viagem que, não sendo documentalmente a que foi, bem o poderia ter sido, ainda que dela não tenha ficado qualquer registo. A vida traz muitos acasos no bolso e não se pode excluir que, em um ou outro caso, a letra tenha acertado com a tabuleta. É certo que a História não diz que Salomão tivesse pisado terras de Castelo Novo, Sortelha ou Cidadelhe, mas também é impossível jurar que tal não sucedeu. Dessa obviedade nos servimos, nós, Fundação José Saramago, para idear e organizar uma viagem que vai começar hoje em Belém, diante do mosteiro dos Jerónimos e nos levará à fronteira, lá em cima, onde aconteceu aquilo dos couraceiros austríacos que pretendiam levar o elefante ao arquiduque. Que o itinerário é arbitrário, protestará o leitor, nós, porém, se no-lo permitem, preferiremos chamar-lhe um dos inúmeros possíveis. Andaremos por fora dois dias e do que neles se passar faremos relato. Quem vai? Vai a Fundação em peso, vão mais uns poucos amigos fixes de Salomão, jornalistas portugueses e espanhóis, tudo boa gente. Ficai em paz. Até ao nosso regresso, adeus, adeus."
(Quarta-feira, 17 de Junho de 2009)


Para leitura aqui,
em http://caderno.josesaramago.org/47860.html

"Regresso"
"O elefante gostou do que viu e fê-lo saber à companhia, embora em nenhum ponto o itinerário que escolhemos tivesse coincidido com aquele que a sua memória de elefante zelosamente guardava. Que haviam, disse, ele e os soldados de cavalaria, subido para o norte quase a pisar a linha da fronteira, por isso eram os caminhos tão ruins. Comparada com a viagem de então, esta foi um passeio: boas estradas, bons alojamentos, bons restaurantes, o próprio arquiduque, ainda que habituado aos luxos da Europa central, teria ficado surpreendido. A expedição foi para trabalhar, mas disfrutou como se andasse de férias. Até os sofridos câmaras, obrigados a carregar com equipamentos de sete quilos ao ombro, estavam encantados. O interessante é que nem os nossos amigos, nem os jornalistas conheciam os lugares que visitámos. Melhor para eles, que dali levaram muito que contar e recordar. Começámos por Constância, onde se crê que Camões viveu e teve casa, de cujas janelas terá visto mil vezes o abraço do Zêzere e do Tejo, aquele suave remanso da água na água capaz de inspirar os versos mais belos. Dali fomos para Castelo Novo para ver a Casa da Câmara, do tempo de D. Dinis, e o chafariz joanino que lhe está pacificamente encostado. Vimos também a lagariça, essa espécie de dorna ao ar livre para a pisa das uvas, cavada na rocha bruta em tempos que se acredita serem os da pré-história. Dormimos no Fundão, terra de cerejas por excelência, e na manhã seguinte ala para Belmonte onde nasceu Pedro Álvares Cabral, direitos à igreja de S. Tiago, da minha particular devoção. Ali está uma das mais comovedoras esculturas românicas que existem na face da terra, uma pietà de granito toscamente pintado, com um Cristo exangue deitado sobre os joelhos da sua mãe. Ao pé desta estátua, a célebre pietà de Miguel Ângelo que se encontra no Vaticano não passa de um suspiro maneirista. Não foi fácil arrancar o pessoal à extática contemplação em que havia caído, mas lá os conseguimos levar aliciando-os com o enigma arquitectónico de Centum Cellas, essa construção inacabada cuja problemática finalidade foi e continua e ser objecto das mais acaloradas discussões. Seria uma torre de vigia? Uma hospedaria para viajantes de passagem? Uma prisão, embora o neguem as rasgadas janelas que subsistem? Não se sabe. Saciada a fome de imagens, o destino seguinte seria Sortelha, a das muralhas ciclópicas. Ali nos caiu em cima uma trovoada como poucas, relâmpagos em rajada, trovões a condizer, chuva a cântaros e granizo que era como metralha. Não chegámos a beber o café, a corrente eléctrica sumira-se. Uma hora foi o que demorou o céu a escampar. Ainda chovia quando entrámos no autocarro, a caminho de Cidadelhe, sobre o qual não escreverei. Remeto o leitor interessado e de boa vontade para as quatro ou cinco páginas que lhe dediquei na Viagem a Portugal. Os companheiros arregalaram os olhos perante o pálio de 1707, depois foram ver aldeia, os relevos nas portas das casas, os caixotões da igreja matriz com retratos de santos. Vinham transfigurados e felizes. Agora só faltava Castelo Rodrigo. O presidente da câmara municipal de Figueira de Castelo Rodrigo esperava-nos na ponte sobre o Côa, a pouca distância de Cidadelhe. De Castelo Rodrigo eu conservava a imagem de há trinta anos, quando lá fui pela primeira vez, uma vila velha decadente, em que as ruínas já eram só uma ruína de ruínas, como se tudo aquilo estivesse a desfazer-se em pó. Hoje vivem 140 pessoas em Castelo Rodrigo, as ruas estão limpas e transitáveis, foram recuperadas as fachadas e os interiores, e, sobretudo, desapareceu a tristeza de um fim que parecia anunciado. Há que contar com as aldeias históricas, elas estão vivas. Eis a lição desta viagem."
(Segunda-feira, 22 de Junho de 2009)

domingo, 19 de abril de 2015

Citador #37 ... da estrutura e coerência do romance, em "Diálogos com José Saramago" de Carlos Reis

Citador #37
... da estrutura e coerência do romance
em "Diálogos com José Saramago"
Carlos Reis - Porto Editora
Página 134

(...) "O que me preocupa é a arquitectura do livro, a sua solidez, um sistema de vigas que suportam, de modo a que nada trema, mesmo que a história seja delirante e avance pelo fantástico de velas erguidas." (...)
José Saramago

Carlos Reis via Universidade Aberta - Documentário sobre José Saramago

Pode ser visionado pelo YouTube, aqui

... um testemunho sobre o Homem e sua Obra...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Apresentação da obra do Prof. Carlos Reis "Diálogos com José Saramago"

Início da apresentação. 
A escritora Lídia Jorge, o autor e professor Carlos Reis
Pilar del Río a Presidenta da Fundação José Saramago e anfitriã do evento

Capa da actual edição - Porto Editora

Capa da edição original - Caminho

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quinto Foro Social Mundial de Porto Alegre (2005) com a participação de (entre outros) José Saramago

Aqui deixo a conferência, e ao minuto 50, com o início da tomada da palavra por parte de José Saramago, é aplaudido como se de uma estrela mundial se tratasse. 

"Tenho uma má notícia para Vos dar. E a má notícia é que eu não sou utopista. E ainda pior... considero a utopia inútil... "
José Saramago 


Pode ser visionado via YouTube, 
em http://www.youtube.com/watch?v=lUQLMmUZE5k&sns=em

"Quijotes Hoy: Utopía y Política en Porto Alegre"

"En el 2008, en el Foro Social Mundial de Porto Alegre, se realizó un panel sobre el tema "La Utopía y la política", organizado por Roberto Savio, de la comisión de comunicación del FSM, con el apoyo del Comit Para la celebración del IV Centenario de Don Quijote. Este panel se realizó en el Estadio de Porto Alegre, con aproximadamente 40.000 partecipantes, gracias a la presencia de Saramago y Galeano, que protagonizaron un enriquecedor debate sobre la utopía vista desde una perspectiva y vivencia de izquierda."

"Una discusión histórica y a la vez de última hora es preguntarse si hay una utopía implícita en la idea de combatir la globalización. ¿Es posible otro mundo? Durante el Quinto Foro Social Mundial de Porto Alegre, el Comité de Celebración del IV Centenario del Quijote llevó a discutir el tema a personalidades como Federico Mayor Zaragoza, José Saramago, Ignacio Ramonet y Eduardo Galeano."


segunda-feira, 13 de abril de 2015

No dia da morte de Gunter Grass, fica a memória das imagens e palavras...


Günter Grass, cujo último trabalho foi provavelmente 
a colaboração com a edição de "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas", 
num manifesto pela paz, morreu hoje aos 87 anos.
As suas palavras, as suas imagens continuam vivas!
(Mensagem de homenagem publicada pela Fundação José Saramago)







No dia da morte de Eduardo Galeano, recuperamos em sua homenagem o post que José Saramago publicou (24/04/2009)


Via página do Facebook da "Fundação José Saramago", 

Pode ser consultado e lido,
em http://caderno.josesaramago.org/37490.html

"Eduardo Galeano"
"Grande alvoroço nas redacções dos jornais, rádios e televisões de todo o mundo. Chávez aproxima-se de Obama com um livro na mão, é evidente que qualquer pessoa de bom senso achará que a ocasião para pedir um autógrafo ao presidente dos Estados Unidos é muito mal escolhida, ali, em plena reunião da cimeira, mas, afinal, não, trata-se antes de uma delicada oferta de chefe de Estado a chefe de Estado, nada menos que As veias abertas da América Latina de Eduardo Galeano. Claro que o gesto leva água no bico. Chávez terá pensado: “Este Obama não sabe nada de nós, quase que ainda não tinha nascido, Galeano lhe ensinará”. Esperemos que assim seja. O mais interessante, porém, além de se terem esgotado As veias na Amazon, as quais passaram num instante de um modestíssimo lugar na tabela de vendas à glória comercial do “best-seller”, de cinquenta e tal mil a segundo na classificação, foi o rápido e parecia que concertado aparecimento de comentários negativos, sobretudo na imprensa, tratando de desqualificar, embora num caso ou noutro com certos matizes benevolentes, o livro de Eduardo Galeano, insistindo em que a obra, além de se exceder em análises mal fundamentadas e em marcados preconceitos ideológicos, estava desactualizada em relação à realidade presente. Ora, As veias abertas da América Latina foi publicada em 1971, há quase quarenta anos, portanto, a não ser que o seu autor fosse uma espécie de Nostradamus, só com um hercúleo esforço imaginativo seria capaz de adiantar a realidade de 2009, tão diferente já dos anos imediatamente anteriores. A denúncia dos apressados comentadores, além de mal intencionada, é bastante ridícula, tanto como o seria a acusação de que a História verdadeira da conquista da Nova Espanha, por exemplo, escrita no século XVII por Bernal Díaz del Castillo, abunda, também ela, em análises mal fundamentadas e em marcadíssimos preconceitos ideológicos. A verdade é que quem pretender ser informado sobre o que se passou na América, naquela América, desde o século XV, só ganhará em ler o livro de Eduardo Galeano. O mal daqueles e outros comentadores que enxameiam por aí é saberem pouco de História. Agora só nos falta ver como aproveitará Barack Obama da leitura de As veias abertas. Bom aluno parece ser." 
(24 de Abril de 2009)

em "O Caderno 2"
Caminho
Páginas 57 a 59

domingo, 12 de abril de 2015

Edição para recordar - Abril de 2013, chegava o n.º 11 da "Blimunda", que passaria pelo seu primeiro mês dos cravos


Abril de 2013, chegava o n.º 11 da "Blimunda", que passaria pelo seu primeiro mês dos cravos



Para ler e descarregar a edição de Abril de 2013, aqui
em http://blimunda.josesaramago.org/2013/04/20/blimunda-11-abril-2013/

Sinopse
"A Blimunda de abril está aqui! Com várias páginas sobre o festival Rota das Letras de Macau, uma entrevista a Andréa del Fuego, Prémio José Saramago, um dossier sobre os 50 anos da Feira do Livro Infantil de Bolonha, com a escolha de um livro descoberto na Feira por editores, autores e ilustradores portugueses, e a habitual secção Saramaguiana, com um texto de Laura Restrepo, que assinala também nas páginas da Blimunda a abertura da Feira do Livro de Bogotá que dedica a José Saramago grande parte da sua programação.

Tudo isto e muito mais no número 11 da Blimunda, do mês de abril."

"Blimundas" passadas... Recordando a edição de Abril de 2014, enquanto aguardamos a edição de 2015


Recordando a edição de Abril de 2014, enquanto aguardamos a edição de 2015

Para consultar o n.º de Abril de 20014 (#23), aqui
em http://blimunda.josesaramago.org/2014/04/20/blimunda-23-abril-de-2014/

Sinopse da edição
"Numa data tão simbólica para Portugal, a Blimunda não poderia ficar alheia ao aniversário de 40 anos do 25 de Abril. Neste mês a revista dedica boa parte dos seus conteúdo à celebração da Revolução dos Cravos. Do acervo de Vasco Gonçalves, em depósito na Fundação José Saramago, recuperam-se 15 cartazes do 25 de Abril, acompanhados por frases de 15 convidados, de diferentes países, sobre o significado desse momento histórico. Sara Figueiredo Costa escreve sobre Os Rapazes dos Tanques, de Alfredo Cunha e Adelino Gomes, um precioso registo da manhã em que a democracia renasceu. Há ainda espaço para A Hora da Revolução: vinte anos depois, um texto escrito por Eduardo Lourenço em 1994, inédito em português, e para O sabor da palavra Liberdade, discurso proferido por José Saramago em 1990.

Na secção Infantil e Juvenil, o 25 de Abril está em destaque com um mosaico de obras revolucionárias publicadas antes de 1974. Andreia Brites conversa com as três editoras independentes que este ano marcaram presença na Feira do Livro Infantil de Bolonha com espaço próprio.

A abrir este número, num dos poucos textos sem referência ao 25 de Abril, Sara Figueiredo Costa publica as suas impressões sobre a terceira edição do festival literário Rota das Letras, em Macau.

Até Maio!"

José Saramago em discurso directo "Platão ...o Mito da Caverna..."


"José Saramago Platão ...o Mito da Caverna...
Nesta versão moderna do mito da caverna de Platão, 
José Saramago faz uma apresentação subtil da face cruel do mundo capitalista e tecnológico."

"Saramago y Ella" de Joaquín Dholdan - Revista Visperas (30/03/2015)




Texto de Joaquín Dholdan, pode ser lido e consultado em

"Saramago y Ella"

"Con el tiempo algunos de los llamados “defectos” se enquistan. O sea, las características con las que nos movemos socialmente- si no evolucionan- se instalan en nuestros mecanismos. Prueba de ello es un viejo padecimiento, tengo la mala costumbre de reaccionar luego de un tiempo. O sea, ante un suceso cualquiera, me quedo inmóvil (a veces unos minutos, a veces días) y luego de la pausa aparece la respuesta, o la pregunta, o la reacción de forma tardía y en general inoportuna. Les cuento este “defecto” como excusa para mi reacción el día que conocí a Pilar del Rio, la compañera de José Saramago, su esposa, su viuda. Que conste que sigo con la teoría que durante unas décadas los hombres deberíamos dejar de escribir, gobernar y administrar, quizás sea una forma de compensar el despropósito que nuestra civilización hizo con ellas. Ya está bien de Yokos Onos, de María Kodamas, de hombres recogiendo premios y dándoles las gracias a ellas, sus apoyos, sus respaldos. El caso de Pilar es otro, aunque seguramente José podía escribir con calma teniendo a alguien que le gestionara la parte de su obra que no tiene que ver con la escritura. Pero volvamos a mi reacción lenta: en un homenaje que algunas asociaciones de amigos del pueblo saharaui le hicieron a Aminetu Haidar y a Saramago conocí a Pilar. Le iba a contar que había visto muchas veces (muchas) el documental José y Pilar y quería contarle que había llegado a una conclusión… Pero no lo hice, le pedí que me firmara su traducción de “El cuaderno” , me dijo “que bien, ya está publicado”, y yo sabía que iba a querer decirle algo más, pero necesitaba un tiempo indefinido para pensar como hacerlo… esto fue hace cuatro años.


Saramago está afeitándose y de repente mira al espejo y murmura “El hombre duplicado” y allí nace la novela, que no sabe sobre que, o quien, hablará, y como con tantos de sus libros a partir de una anécdota”mágica” todos sus sucesos son lógicos e hipnóticos- La muerte deja de matar. Se desprende la península ibérica y va a la deriva por el Atlántico. Casi todo el mundo se queda ciego- Quizás por esto Manuel Vilas me dijo un día que Saramago escribía siempre la misma novela, y tal como les conté con mis reacciones lentas, al mes le pedí que me explicara su afirmación y en cambio me contó: “Una vez presenté a Saramago en el norte y uno del público se levantó y le cantó una jota, una compuesta para él, ante el estupor de todos, pero Saramago la escuchó con atención sabiendo que era un gesto de afecto de aquel tipo”.


En “José y Pilar” veía muchas cosas que me hacían sentir aún más cercano a uno de mis escritores preferidos. Me encantaba cuando se escuchaba el murmullo que hablaba de él mientras estaba en su casa, ajeno a todo, o cuando mientras Pilar armaba y organizaba y él decía “Pilar, yo me voy para casa”. Jorge Wagensberg dice que el “aire de familia” entre un escritor y un lector, es clave en el hecho artístico. Por eso, cada vez que escuchaba una entrevista y sabía como pensaba Saramago, en las cosas que creía, en las que no creía, a quienes defendía, a quienes acusaba, yo saltaba de libro en libro como quien se va a vivir de adulto a la casa en la que fue criado.


Ahora hagamos el siguiente ejercicio: Cortázar nunca traduce a Poe. Historias extraordinarias , ese libro, nunca llega a nuestras manos, nuestra vida es otra. Pilar del Río no traduce a Saramago, lo haría otro u otra traductora, pero nunca de forma tan simultánea. Podrían decir, los contras de siempre, que también otro u otra traduciría a Poe, y que quizás nadie traduciría a Saramago. Lo que importa es: los libros de Saramago que yo he leído, todos, han sido traducidos por Pilar del Río. Y más allá de la traducción como género literario, está, en este caso, la perfecta sintonía entre la versión portuguesa y la española, pocos casos habrá en la literatura en que uno podría asegurar, sin el mínimo atisbo de duda, que la traducción y la versión original son el mismo libro.


Hay otra anécdota que pasa muy rápido en José y Pilar, el documental: la pareja viene cansada en un vuelo trasnoceánico cuando, bajando del avión Saramago dice al pasar algo así como “Me gustaría escribir un libro sobre Caín”, al rato Pilar le pide que lo repita y mira de reojo a la cámara “Pues nada señores, tenemos un nuevo libro”. ¿Qué habrá visto o pensado esta vez José durante ese vuelo? ¿En algún traidor? ¿En algún escritor hermano? ¿Viendo las nubes pensó en ese Dios que no entendemos ni nos entiende? Me gustaba ver como en ese comentario ella sabía que había un libro, conocía ese mecanismo como nadie. Por eso, y hablando estrictamente de literatura, mucho se ha escrito y se escribirá sobre Saramago, y seguramente grandes escritores podrán construir brillantes ensayos sobre su obra, pero el análisis definitivo, el verdadero “Universo Saramago” sólo nos podrá ser descrito por Pilar del Río.

Dicen que uno se hace hombre cuando muere su padre. El día que me dijeron que el mío ya no estaba, me llevó todo un día reaccionar y llorar, y el resto de los días entender lo que había pasado. Estaba haciendo una tortilla cuando dijeron por la televisión que había muerto Saramago y quizás por primera vez reaccioné de inmediato y me puse a llorar (esto también me hubiera gustado contárselo a Pilar). El resto de lo días pensé en ella y llegué a la conclusión que no me dio tiempo a decirle aquel día que nos conocimos: se merece cada una de los libros que José le dedicó."



sábado, 11 de abril de 2015

"Pilar del Rio, Freitas do Amaral, Sérgio Godinho e Mário Zambujal em Vila Real de Santo António para falar de livros"

Ciclo "Sinónimos de Leituras" de 16 a 24 de Abril




"As conversas à volta do universo dos livros, da leitura, do teatro e da literatura regressam a Vila Real de Santo António, com um ambicioso programa que traz até à Biblioteca Municipal Vicente Campinas grandes nomes da cultura nacional e ibérica como Freitas do Amaral, Pilar del Rio, Sérgio Godinho ou Mário Zambujal.
Pelo quarto ano consecutivo, entre os dias 16 e 24 de abril, o ciclo «Sinónimos de Leitura» reúne dezenas de autores, ilustradores, contadores de histórias e profissionais do palco num ambiente informal onde a troca de ideias e o debate são de participação totalmente livre.
Além de um vasto programa que inclui apresentações e lançamento de livros, sessões de conto e poesia e conversas com autores, a iniciativa reserva igualmente espaço para uma feira do livro, teatro e oficinas de música, dança e expressão plástica.
Com um cartaz para todos os públicos e faixas etárias, o evento tem como convidados os investigadores e académicos Filipe Vasconcelos Romão, que apresentará o livro «Nacionalismos espanhóis – tensão e conflitualidade» (16 de abril), ou Freitas do Amaral, que apresentará o livro «Uma introdução à Política (17 de abril).
O cantautor Sérgio Godinho também se associou à programação e irá apresentar, na primeira pessoa, a sua obra «Vidadupla» (21 de abril), enquanto o escritor Mário Zambujal falará de «Serpentina», o seu mais recente trabalho (23 de abril).

O universo de José Saramago volta a estar em destaque com uma palestra que contará com a presença de Pilar del Rio (presidente da Fundação José Saramago) e do académico Carlos Reis, que apresentará o último texto editado de Saramago intitulado «Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas» (17 de abril).

Simultaneamente, estará patente, durante todo o ciclo, a exposição «Mail Art», de Diego Mesa, produzida a partir do livro «Levantado do Chão», de José Saramago.
Para ampliar as perspetivas e os caminhos que tornam possível a leitura, será dado destaque à ilustração no universo da literatura e promovido um encontro com a ilustradora Danuta Wojciechowska (23 de abril).
As celebrações de Abril também dão corpo ao programa: na manhã do dia 24 de abril, será exibido o documentário de Edgar Pêra «25 de Abril – uma aventura para a democracia», enquanto a tarde será dedicada ao debate «O 25 de Abril nos media do século XXI».
Em paralelo, os Sinónimos de Leitura dão espaço às artes de palco, com duas apresentações do grupo de teatro «A Gorda» (dia 22) e um espetáculo do grupo «Doismaisum», também dedicado à Revolução de Abril.
As sessões de conto – especialmente dedicadas ao púbico escolar – serão uma constante ao longo da semana, com diversas sessões que se farão ouvir pelos diferentes espaços da biblioteca.
O ciclo «Sinónimos de Leitura» é organizado pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Biblioteca Municipal Vicente Campinas. Todos os eventos têm entrada livre."

Pilar del Río e João Amaral à conversa com João Caldeira sobre a obra "Viagem do Elefante" (Banda Desenhada)






O testemunho de Pilar del Río e de João Amaral com a moderação de João Caldeira.


"A propósito da adaptação da Viagem do Elefante da obra de José Saramago, prémio Nobel da Literatura, para banda desenhada, aqui se reúnem em conversa Pilar del Río, João Amaral e João Caldeira.
Pilar del Río, Presidenta da Fundação José Saramago, dispensa apresentações, João Amaral é o autor da BD e João Caldeira o fundador da Casa das Artes e Conhecimentos.
A Obra de Saramago e as suas múltiplas adaptações, bem como o valor dessas adaptações e o lugar que ocupam, é dos assuntos abordados.
A Viagem do Elefante e as suas mensagens profundas, é um tópico de destaque nesta conversa.
Uma conversa que irá revelar um pouco mais sobre esta obra inserida no mundo de Saramago.
Um apontamento realizado na Fundação José Saramago.
Referências:
João Caldeira Monsanto - Casa das Artes e Conhecimentos - http://www.arteseconhecimentos.com"


Link do trabalho do autor João Amaral - http://joaocamaral.blogspot.pt/










segunda-feira, 6 de abril de 2015

"Todos os Nomes" Adaptação por Margaret Jull Costa - "All the Names" no Quantum Theater Pittsburgh (Pensilvânia EUA)

Via Facebook, página "Blimunda" e "Fundação José Saramago"

"Depois de um tributo no Iberian Suite, em Washington, e da estreia da ópera "As Intermitências da Morte" em San Francisco, é a vez de "Todos os Nomes" chegar a um palco nos Estados Unidos. A partir de 10 de abril, no Quantum Theater, em Pittsburgh (Pensilvânia). 
Todas as informações, aqui:"
http://www.quantumtheatre.com/season/allthenames

"Adaptation based on José Saramago's book, translated by Margaret Jull Costa
Devised by Karla Boos, Chris Evans, Cindy Limauro, Barbara Luderowski, Sarah Pickett, Megan Monaghan Rivas, Joe Seamans, and Narelle Sissons
April 10–May 2, 2015
Location: The Original Carnegie Free Library of Allegheny"





"World premiere adaptation based on José Saramago's Nobel Prize winning book, translated by Margaret Jull Costa

A team of collaborators and a fascinating premise: make José Saramago’s Nobel Prize-winning novel a three-dimensional, theatrical experience.  Devised by: Karla Boos, Chris Evans, Cindy Limauro, Barbara Luderowski (Co-Director of the Mattress Factory), Sarah Pickett, Megan Monaghan Rivas, Joe Seamans, and Narelle Sissons.  What results might look like theatre from one perspective, but installation art from another, allowing Luderowski’s love of architecture, sculpture, and assemblage to contribute in a fundamental way, and asking patrons to forget everything they know about the traditional theater experience and become completely immersed in José Saramago's beautiful story, about Senhor José, a lowly clerk in the Central Registry of an unnamed city, obsessed with collecting and on a journey to find a mysterious woman who has slipped through the cracks of Kafka-esque categorization.

World Premiere"




sexta-feira, 3 de abril de 2015

Discurso de Estocolmo... "...não nasci para isto, mas isto foi-me dado, bem hajam..."


Via YouTube, em https://www.youtube.com/watch?v=0F-fupSNmJk#t=23

Discurso de Estocolmo
"...não nasci para isto, mas isto foi-me dado, bem hajam..."

Fundação José Saramago - "Em Abril, Coisas Mil" - Programação

Parceria Casa Fernando Pessoa |
Fundação José Saramago
Bilhetes de 1,00 €

2 de abril, Fundação José Saramago, 18h30
Os Labirintos da Viagem, 7.ª sessão

9 de abril, Fundação José Saramago, 18h30
Sahara Ocidental
A última colónia africana 

Com a participação de:
Ahmed Fal - Delegado da Frente Polisário em Portugal;
Isabel Lourenço - Ativista dos Direitos Humanos, membro da Adala UK e da Fundación Sahara Occidental;

16 de abril, Fundação José Saramago, 18h30
Apresentação de Diálogos com José Saramago, de Carlos Reis 

Apresentação por Lídia Jorge

Diálogos com José Saramago, de Carlos Reis

18 de abril, Fundação José Saramago, 15h
Apresentação de Notícias de Babilónia e outras metáforas, de Manuel Veiga

29 de abril, Fundação José Saramago, 18h30
Apresentação do livro A Viagem do Elefante por Viseu Dão Lafões

Um relato que cruza 14 localidades com a digressão do
espectáculo do Trigo Limpo teatro ACERT"

Apresentação por Fernando Alves e António Pedro Ferreira


Neste livro, textos e imagens são gestos complementares de um mesmo olhar. Entre a grandeza de um elefante e a agitação que acompanhou a preparação de cada espectáculo, os autores criaram uma foto-narrativa emotiva que traduz as vivências e partilhas que foram nascendo durante os quatro meses da digressão. Um livro onde, tal como num palco, os intérpretes emergem das palavras e gestos duma contracena permanente com a vida em cenários oníricos que são o
seu chão.

Autoria e Produção: ACERT - Associação Cultural e Recreativa De Tondela
Fotografias: Carlos Teles e Ricardo Chaves
Textos: Ricardo Viel e Sara Figueiredo Costa
Design e ilustração: Zétavares
Coordenação de Edição: Miguel Torres
Edição: Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões

30 de abril, CCB - Pequeno Auditório, 21h
Concerto A Viagem do Elefante
Luís Pastor | A cor da língua ACERT

O Pequeno Auditório do CCB recebe o cantautor espanhol acompanhado pelos músicos do A Cor da Língua ACERT e convidados para um concerto que celebra as palavras de José Saramago, aqui acompanhadas pelos sons do fado, da morna, da chula ou do flamenco, dando-lhes novas identidades, como se um novo corpo ganhasse vida para palmilhar outra viagem. O concerto serve de apresentação ao CD/Livro editado no final de 2014 pela ACERT com o apoio da Fundação José Saramago.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Texto "Ceia" (25/12/2008), e que bem se enquadra em qualquer outra data...

Perdoai-me que sou um pecador...
Não menos a propósito, se bem que a quadra "católico-festiva" da Páscoa, tem um significado menos consumista, logo por inércia muito menos importante, já que o "Pai Natal da multinacional Coca-cola" tem exponencialmente muito mais poder que os famosos "coelhos" e amêndoas de chocolate, ora, lembrou-me procurar um texto apropriado.
Remontemos ao "natal" de 2008...


Pode ser consultado e lido em
http://caderno.josesaramago.org/18470.html


"Ceia"

"Há muitos anos, nada menos que em 1993, escrevi nos “Cadernos de Lanzarote” umas quantas palavras que fizeram as delícias de alguns teólogos desta parte da Ibéria, especialmente Juan José Tamayo, que desde aí, generosamente, me deu a sua amizade. Foram elas: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”. Reconheça-se que a ideia não está mal formulada, com o seu “quantum satis” de poesia, a sua intenção levemente provocadora e o subentendido de que os ateus são muito capazes de aventurar-se pelos escabrosos caminhos da teologia, ainda que a mais elementar. Nestes dias em que se celebra o nascimento do Cristo, outra ideia me acudiu, talvez mais provocadora ainda, direi mesmo que revolucionária, e que em pouquíssimas palavras se enuncia. Ei-las. Se é verdade que Jesus, na última ceia, disse aos discípulos, referindo-se ao pão e ao vinho que estavam sobre a mesa: “Este é o meu corpo, este é o meu sangue”, então não será ilegítimo concluir que as inumeráveis ceias, as pantugruélicas comezainas, as empaturradelas homéricas com que milhões e milhões de estômagos têm de haver-se para iludir os perigos de uma congestão fatal, não serão mais que a multitudinária cópia, ao mesmo tempo efectiva e simbólica, da última ceia: os crentes alimentam-se do seu deus, devoram-no, digerem-no, eliminam-no, até ao próximo natal, até à próxima ceia, ao ritual de uma fome material e mística sempre insatisfeita. A ver agora que dizem os teólogos." (Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008)

Das "Armas" em "O Caderno 2" (26/05/2009), até às "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas"

A 26 de Maio de 2009, José Saramago apresenta no seu blog, o texto "Armas", cuja inserção no livro "O Caderno 2", acontece com a compilação de todos os "posts", compreendidos entre Setembro de 2008 e Novembro de 2009.
Este texto - "Armas" - será a demonstração de um pensamento crítico e constante, que antecedeu a "fermentação" da ideia na qual surgiria a obra inacabada "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas".
As fábricas em laboração contínua, as negociatas com as convenientes complacências dos "estados e seus governantes"... quem se indigna é porque não suporta, seguramente viverá agoniado, com o triste espectáculo que é este mundo...  



(Capa da edição italiana, pela editora Feltrinelli)

Texto publicado no blob/livro "O Caderno 2", pode ser lido e consultado
em http://caderno.josesaramago.org/43247.html

"Armas"
"O negócio das armas, sujeito à legalidade mais ou menos flexível de cada país ou de simples e descarado contrabando, não está em crise. Quer dizer, a tão falada e sofrida crise que vem destroçando física e moralmente a população do planeta não toca a todos. Por toda a parte, aqui, além, os sem trabalho contam-se por milhões, todos os dias milhares de empresas declaram-se em falência e fecham as portas, mas não consta que um único operário de uma fábrica de armamento tenha sido despedido. Trabalhar numa fábrica de armas é um seguro de vida. Já sabemos que os exércitos precisam de armar-se, substituir por armas novas e mais mortíferas (disso se trata) os antigos arsenais que fizeram a sua época mas já não satisfazem as necessidades da vida moderna. Parece portanto evidente que os governos dos países exportadores deveriam controlar severamente a produção e a comercialização das armas que fabricam. Simplesmente, uns não o fazem e outros olham para o lado. Falo de governos porque é difícil crer que, a exemplo das instalações industriais mais ou menos ocultas que abastecem o narcotráfico, existam no mundo fábricas clandestinas de armamento. Logo, não há uma pistola que, por assim dizer, não vá tacitamente certificada pelo respectivo, ainda que invisível, selo oficial. Quando num continente como o sul-americano, por exemplo, se calcula que há mais de 80 milhões de armas, é impossível não pensar na cumplicidade mal disfarçada dos governos, tanto dos exportadores como dos importadores. Que a culpa, pelo menos em parte, é do contrabando em grande escala, diz-se, esquecendo que para fazer contrabando de algo é condição sine qua non que esse algo exista. O nada não é contrabandeável. Toda a vida tenho estado à espera de ver uma greve de braços caídos numa fábrica de armamento, inutilmente esperei, porque tal prodígio nunca aconteceu nem acontecerá. E era essa a minha pobre e única esperança de que a humanidade ainda fosse capaz de mudar de caminho, de rumo, de destino." (26/05/2009)

(Ilustrações de Gunter Grass , Porto Editora, páginas 124/125)

Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas - Porto Editora, 2014
(com textos de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano, capa e ilustrações de Günter Grass)

Sinopse, via página da Fundação José Saramago, para ser consultada, 

"Aquando do seu falecimento, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance; trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências.Saramago escreve a história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século xx. Dois outros textos – de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano – situam e comentam as últimas palavras do Prémio Nobel português, cuja força as ilustrações de um outro Nobel, Günter Grass, sublinham."

Livros infantis pelo punho de José Saramago - Imagem Cénica

Dia Internacional do Livro Infantil

... porque todas as crianças devem ser felizes, 
crescer em ambientes socialmente saudáveis, 
com acesso aos cuidados médicos necessários,
disponham de acesso ao sistema de ensino,
devam ser protegidas de todas e quaisquer ameaças,
cuidadas e orientadas em família e junto dos seus pares...
... porque todas as crianças têm direito à construção do seu mundo e das suas fantasias...

Deixemos e proporcionemos que as crianças possam navegar nos rios
e mares do faz de conta, que caminhem pelas montanhas de onde se consegue tocar as nuvens, que construam todas as naves espaciais para poderem viajar para lá do que conhecemos, e só elas sabem onde fica... 

Viva o "Dia Internacional do Livro Infantil"
Viva todas as crianças 



Montagem cénica, com as 3 obras de José Saramago, conjuntamente com um conjunto de bandeiras imaginadas pelo Ódin Santos (8 anos) e alguns pequenos brinquedos...

"A Maior Flor do Mundo" - Caminho 2001 (Ilustrações de João Caertano

"O Silêncio da Água" - Caminho 2011 (Ilustração de Manuel Estrada), conto retirado da obra "Pequenas Memórias de 2006

"O Conto da Ilha Desconhecida" - Caminho 1999 (Ilustração de Bartolomeu dos Santos)

Dia Internacional do Livro Infantil

"O Dia Internacional do Livro Infantil celebra-se anualmente no dia 2 de Abril.
Esta data é celebrada por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que em Portugal é representada pela Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil (APPLIJ).
O IBBY criou o Dia Internacional do Livro Infantil em 1967, para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, (autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo), cujo aniversário do nascimento é assinalado a 2 de Abril."



Via Página do Facebook da "Blimunda" - Revista Digital
 "No Dia Internacional do Livro Infantil recuperamos da Blimunda # 6, de novembro de 2012, 
dois artigos sobre a Literatura Infantil de José Saramago (por Luísa Ducla Soares) 
e sobre o seu livro "A Maior Flor do Mundo" (por Andreia Brites).



terça-feira, 31 de março de 2015

Acordo de parceria entre a Fundação José Saramago e Casa Fernando Pessoa

A Cultura, a sua força, a sua vida.
A Cultura que se mexe e move.
Saramago e Pessoa, o desassossego que nos mantém inquietos...




Informação em detalhe, recolhido via página da Fundação José Saramago,

"Casa Fernando Pessoa e Fundação José Saramago assinam acordo"

"A partir de hoje, Fernando Pessoa e José Saramago cruzam-se de modo mais marcado e efectivo: as duas casas de autor, que trabalham para dar a conhecer o melhor da literatura, assinam um acordo de parceria no sentido de desenvolver acções comuns e conjuntas.
A Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa (equipamento municipal gerido pela EGEAC) associam-se de modo a trabalhar em conjunto na promoção do conhecimento sobre dois nomes maiores da cultura portuguesa e no sentido de estimular o gosto pelo livro e pela leitura.
No âmbito desta parceria, estão acções como o ciclo Sem casas não haveria ruas, já em curso e em articulação com a editora BOCA, que leva leituras e contos a cada uma das instituições em meses alternados. O arranque fez-se em Fevereiro, em torno de Nuno Bragança, na Casa Fernando Pessoa; continua hoje, 27 de março, na Fundação José Saramago, desta feita com o actor e contador Carlos Marques e O gosto das palavras.
No futuro e em crescendo as acções consideram um bilhete de desconto mútuo (ao entrar na segunda instituição o visitante da primeira apenas paga €1), o desenvolvimento da iniciativa Os dias do Desassossego em Novembro, roteiros que unam as duas Casas, entre outras acções concertadas junto dos diferentes públicos.
O acordo agora assinado tem vigência de um ano, prorrogável a mais dois.

A parceria com a Casa Fernando Pessoa, que agora se aprofunda, depois do arranque do passado mês de novembro com o(s) Dia(s) do Desassossego, cumpre um objectivo fundamental para a Fundação José Saramago, o de trabalhar em conjunto com outras entidades do meio cultural da cidade de Lisboa. E que melhor parceiro que a Casa Fernando Pessoa, a outra casa de autor da capital. Se Lisboa tem a felicidade de contar com estes dois equipamentos, só podia fazer sentido que o trabalho em conjunto passasse a ser uma realidade. O crescimento do turismo em Lisboa é hoje uma realidade, para o qual, na nossa opinião, deve contar em grande medida a oferta cultural, garantindo que muitos dos que nos visitam, nacionais e estrangeiros, possam ter contacto com a vida e obra de dois dos grandes escritores universais, fundamentais para um maior entendimento da realidade portuguesa e mundial.

Sérgio Machado Letria - Director

Colaborar de forma continuada e alargada com a Fundação José Saramago é para a Casa Fernando Pessoa o prolongamento natural e desejado das anteriores iniciativas conjuntas. As duas casas de autor de Lisboa passam a desenvolver uma programação articulada e dialogante, procurando desenvolver o eixo que se estende entre um espaço e o outro e actuando conjuntamente em circuitos que estimulem o interesse e o contacto dos leitores com dois grandes escritores que são de Lisboa e do mundo.

Clara Riso - Directora"