Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

sábado, 6 de agosto de 2016

José Saramago e o titulo Doutor Honoris Causa pela UFMG - 1999 (via Revista de Estudos Saramaguianos)

Créditos da imagem para a Revista de Estudos Saramaguianos
Via conta Twitter em https://twitter.com/saramaguianos

"Rara brochura com discurso de José #Saramago de quando recebeu o 
Doutor Honoris Causa pela UFMG em 1999." 

O titulo Doutor "Honoris Causa" foi proposto pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais e atribuído em 29/04/1999

"Saramago recebe título de Doutor Honoris Causa"

"Num auditório lotado por cerca de 400 pessoas, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1998, recebeu, no dia 29 de abril, das mãos do reitor Sá Barreto, o título de Doutor Honoris Causa da UFMG, a mais importante honraria concedida pela instituição. "Não é ao Prêmio Nobel que queremos homenagear, mas ao autor do Memorial do Convento, do Evangelho Segundo Jesus Cristo e de Todos os Nomes, à pura voz da dignidade humana em língua portuguesa", disse o Reitor, na abertura da solenidade realizada no auditório da Reitoria. 
A cerimônia foi prestigiada pelo cônsul de Portugal em Minas Gerais, Silvino Ferreira Leite, pela secretária de Estado da Educação em exercício, Maria José Vieira Félix, representando o governador Itamar Franco. Participaram também o secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte, Paulo Lott, o ex-reitor da UFMG, Aluísio Pimenta, o secretário municipal de Cultura, Arnaldo Godoy, e o estadual, Angelo Oswaldo. A vinda do escritor José Saramago a Belo Horizonte foi viabilizada pelo Projeto Sempre Um Papo, coordenado pelo jornalista Afonso Borges. 
Sá Barreto disse que a vinda de Saramago à Universidade marca um dos momentos mais significativos da Agenda Brasil 500 Anos, lançada em janeiro pela UFMG para comemorar os cinco séculos do descobrimento do país: "José Saramago dela participa portando a mais legítima e poderosa das armas, a de seu testemunho humanístico e literário, que passou à condição de patrimônio comum dos homens".

Momento dos discursos elogiosos na atribuição do titulo  

Desejo 
O escritor foi saudado pelo professor da Faculdade de Letras e diretor da Editora UFMG, Wander Melo Miranda. Ele lembrou que a outorga do título de Doutor Honoris Causa ao autor, proposta pela Congregação da Faculdade de Letras, traduz o desejo da comunidade universitária que ama seus livros, "companheiros no sempre renovado ofício de aprender e ensinar - de viver, em suma"
Pontuado por trechos de livros do escritor, o discurso de Melo Miranda lembrou que a obra de Saramago, em especial Todos os Nomes, representa uma indagação aos limites da solidão humana e sua capacidade de superá-la. 
"É por ter-se dedicado a avançar, com tanta paixão e rigor, no escuro e no claro de todos nós, que lhe rendemos esta necessária e justa homenagem", justificou, ao final da saudação. 
Em sua explanação, marcada por uma reflexão sobre o papel do autor, Saramago disse estar profundamente grato pela honra de ser acolhido pela UFMG e afirmou que procurará ser digno dela e não desmerecer jamais "do vosso bom juízo, graças ao qual se me abriram as portas desta casa, que a partir de agora considerarei também minha", finalizou.

Imagem da plateia repleta

Música 
Um dos destaques da cerimônia foi a apresentação do quinteto de metais Itarratan, da Escola de Música. O grupo executou os hinos nacionais do Brasil e de Portugal. Uma particularidade, ignorada pela maioria dos participantes da cerimônia, marcou a apresentação do hino de Portugal: a ausência da partitura. 
"Conseguimos a melodia na Biblioteca da Música e ouvimos um CD-ROM que continha o hino português para conhecermos os arranjos e fazer uma adaptação mais próxima do original. Acho que nos saímos bem", afirma o professor Anor Luciano Júnior, coordenador do quinteto. 
Após a cerimônia, a Faculdade de Letras ofereceu coquetel para 200 pessoas, no 4º andar da Reitoria."

O boletim da UFMG, elaborou vários artigos de destaque à atribuição deste titulo. 

"Pessimismo marca obra do escritor"
"Aos 76 anos, Saramago tornou-se o primeiro escritor de Língua Portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Ele é um pessimista confesso, traço que marca toda a sua obra. "Sou feliz num mundo triste e pessimista, onde os otimistas são poucos. Eles estão contentíssimos porque acreditam que o mundo é tão bom que não precisa de mudança", disse o escritor, em outubro do ano passado, ao saber de sua escolha para o prêmio da Academia Sueca. 
Filho e neto de agricultores pobres, José Saramago de Souza nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo, em 1922. Mudou-se com a família para Lisboa dois anos depois. Por falta de condições financeiras, abandonou a escola para trabalhar como mecânico. Foi desenhista, editor, tradutor e jornalista sem jamais ter freqüentado uma universidade. 
Em mais de 50 anos de carreira, Saramago publicou 25 livros, entre romances, poesias, crônicas e contos. Seu primeiro livro, Terra do pecado, foi lançado em 1947, mas somente em 1980, quando publicou Levantado do Chão, o escritor começou a ganhar notoriedade. Em 1982, o best-seller Memorial do Convento o projetou para além das fronteiras de Portugal. O êxito internacional se firmou em 1986, com Jangada de Pedra, uma parábola sobre as relações de Portugal e Espanha com o resto da Europa. 
Nos anos 90, Saramago se consagra definitivamente como um dos maiores escritores contemporâneos ao lançar O Evangelho segundo Jesus Cristo, versão romanceada da vida de Cristo, e Ensaio sobre a cegueira, um libelo contra a intolerância. O conjunto da sua obra já foi traduzido para 25 idiomas.

Militante 
Em seu parecer para a Comissão de Legislação do Conselho Universitário, o relator Célio Celso destaca inúmeras honrarias que atestam o reconhecimento internacional da obra literária de Saramago, entre elas a de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas e os títulos de Doutor Honoris Causa das universidades de Turim (Itália), Sevilha (Espanha) e Manchester (Inglaterra). 
Intelectual engajado nos movimentos de esquerda, Saramago é militante histórico do Partido Comunista Português. "Serei sempre comunista", costuma dizer toda vez que indagado sobre a sua opção ideológica. Há dois anos, abraçou a causa dos sem-terra brasileiros ao prefaciar um livro co-editado pelo fotógrafo Sebastião Salgado e pelo músico Chico Buarque.

Drummond disse ter sido alvo de "honraria indevida"
O escritor Carlos Drummond de Andrade foi protagonista de uma verdadeira novela em torno da entrega do título de Doutor Honoris Causa. Por unanimidade, Drummond foi indicado pelo Conselho Universitário para receber o título em março de 1973. O então reitor Marcelo Vasconcellos Pinheiro encaminhou ofício ao escritor, sugerindo que ele escolhesse a data da homenagem. 
No mês seguinte, Drummond enviou uma resposta na qual já demonstrava certa resistência a receber o título: "Devo confessar que o propósito manifestado por essa nobre instituição cultural despertou em mim a sensação de ser alvo de uma honraria indevida". 
E justificou: "Nenhuma falsa modéstia inspirou esta afirmação. Ela é antes motivada pela concepção, que tenho, da importância e especificidade da missão universitária". Ao final da mensagem, pediu à UFMG que aguardasse "ocasião propícia" para formalizar a entrega, alegando que sua saúde o impedia de viajar a Minas naquele momento. 
Em 1987, por ocasião das comemorações dos 60 anos da UFMG, o então reitor Cid Veloso pretendia enviar ao Rio de Janeiro uma comissão especial do Conselho Universitário para, enfim, entregar o diploma a Drummond. Mas a morte do escritor, em agosto daquele ano, impediu que a novela tivesse final feliz.

Ao lado de Drummond e Niemeyer
Da ilha de Lanzarote, na Espanha, onde mora, José Saramago enviou um fax ao reitor Sá Barreto aceitando o convite para ser o próximo Doutor Honoris Causa da UFMG. No texto de oito linhas, datado de 12 de março, o escritor manifestou satisfação por figurar ao lado de Drummond e Niemeyer na seleta lista de agraciados com o título: 
Não preciso sublinhar quanto me honra a atribuição do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Minas Gerais. Saber que o meu nome vai ficar ao lado dos nomes de Carlos Drummond de Andrade (de quem tão injustamente a Academia Sueca não se lembrou para o Nobel...) e de Oscar Niemeyer (de quem sou amigo e a quem tanto admiro) é algo que nunca esteve entre as minhas mais ousadas esperanças. Devo ao Reitor e ao Conselho Universitário da UFMG essa profunda alegria. Espero poder corresponder sempre, em dignidade e em fidelidade, à honra que se me faz."

"Ensayo sobre la lucidez" de José Saramago no clube de leitura de Sanlúcar la Mayor

"Ensayo sobre la lucidez" de José Saramago, esteve em destaque no infoLibre http://www.infolibre.es/, por Chary Arbolí (22/07/2016).


"Este grupo de lectura de Sanlúcar la Mayor tiene al Premio Nobel 
entre sus autores más visitados y polémicos.
Este volumen plantea una ciudad sin nombre cuyos habitantes deciden dar 
un escarmiento a sus gobernantes a través del voto en blanco."

"Ensayo sobre la lucidez" José Saramago
Alfaguara (Madrid - 2004)

"Los clubes de lectura forman un tejido muy importante en la vida cultural. Les dejamos esta sala para que comenten sus lecturas y nos ayuden a componer nuestra biblioteca. Si formas parte de un club de lectura, puedes escribirnos a losdiablosazules@infolibre.es para hacernos llegar vuestras sugerencias.

El club de lectura Punto, fundado en 2005, es uno de tres clubes de la biblioteca municipal de Sanlúcar la Mayor, en Sevilla. Chary Arbolí, su coordinadora, recomienda su última lectura colectiva:

Leer a Saramago se ha convertido en una aventura estimulante y revulsiva que genera siempre jugosas tertulias. Desde que el club de lectura Punto comenzó su andadura en 2005, el escritor portugués ha sido uno de los que más hemos leído y que menos indiferencia ha provocado. Ensayo sobre la lucidez (Alfaguara, 2004) es una fábula, según palabras de su propio autor, sobre la actitud de los gobernantes de una ciudad sin nombre que después de unas elecciones democráticas contemplan asombrados un porcentaje muy elevado de votos en blanco. Este hecho significativo es el detonante de la novela, sin embargo la actitud de los políticos está muy lejos de la autocrítica, culpando a los ciudadanos de conspiradores y utilizando los mecanismos del poder para castigarlos. Se trata de una reflexión sobre la democracia, la clase política, la libertad del ciudadano y el papel que juegan los medios de comunicación. La imaginación de Saramago para plantear situaciones complejas y actuaciones extravagantes o absurdas también potencia la imaginación del lector. 

Uno de nuestros objetivos en el club es hacer de la lectura no sólo un instrumento de conocimiento literario sino también una herramienta para el diálogo y el respeto. Precisamente este libro ha generado diversas opiniones, algunas opuestas, y controversias muy interesantes. Para unos monótono, para otros divertido, ponderado o demagógico, crítico o manipulador, a nadie ha dejado indiferente. Lo primero que notamos al leer es la densidad del texto cuya lectura te atrapa de tal modo que no sabes cuándo interrumpirla. Dicen que Saramago no escribe diálogos o los utiliza poco, pero no es cierto. El diálogo existe aunque no está señalizado como tal, los personajes intercalan su conversación en una prosa concentrada y al mismo tiempo diligente. Sin embargo para algunos lectores este hecho les resulta aburrido e incómodo porque se pierden al retomar la lectura. 

Ha sido unánime la visión crítica de Saramago hacia los políticos, tal vez una metáfora de la condición humana. No falta ni sobra su particular ironía que se respira junto a su pesimismo inherente a través de la apretada prosa. Su pérdida de fe en el hombre corre paralela a la esperanza puesta en la unión de los ciudadanos. Tampoco escapa a su particular análisis de la sociedad el sensacionalismo y la manipulación de los medios de comunicación, muy presentes en toda la historia. Existen muchas similitudes con su Ensayo sobre la ceguera: el anonimato de ciudades y personajes, el aislamiento de los presuntos culpables, el “ensayo” , y además el color blanco, símbolo de la paz y la pureza que paradójicamente aparece en ambos libros como un elemento disonante y rebelde. Inquietante fábula, extraña novela, cuento filosófico o reflexión literaria, no hay duda que este ensayo revela la extraordinaria y admirable lucidez de José Saramago."


sábado, 30 de julho de 2016

"El cuento de la Isla Desconocida" de José Saramago por Roberto Maydana (blog Libros Y Literatura - 19/07/2016)

O presente artigo foi publicado no passado dia 19 de Julho de 2016 no blog "Libros Y Literatura", por Roberto Maydana, e pode ser recuperado e consultado aqui,

"Cuando en 1998 José Saramago recibió el Premio Nobel de Literatura, la Academia Sueca resaltó su capacidad para “volver comprensible una realidad huidiza, con parábolas sostenidas por la imaginación, la compasión y la ironía”. Considero que esta afirmación es una perfecta definición de toda su obra y que al mismo tiempo puede aplicarse a aquellos grandes escritores que sin decir nada directamente, nos dejan un mensaje profundo y lleno de significado, que tal vez se escape a la primera lectura."



"Me estoy refiriendo, claro, a aquellos grandes libros (se me viene a la mente Ensayo sobre la ceguera, del mismo Saramago, o Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez) que ante una lectura superficial nos ofrecen una bonita historia de fácil comprensión con principio, nudo y desenlace y un final cerrado, pero que, sin embargo, en la relectura profunda y analítica, en ese reencuentro con el texto, dejan entrever todo un tesoro de parábolas, significados y mensajes secundarios que convierten un libro común en una obra de arte, que hacen de un autor uno más o uno inolvidable, que marcan la diferencia entre escribir y ser escritor. Cualquier persona podría afirmar que Cien años de soledad es la historia de varias generaciones de una familia signada por la tragedia y la soledad, y no sería incorrecto hacerlo, aunque un análisis más profundo nos lleva a la realidad, esa que deja ver que los Buendía (con sus Aurelianos y sus Arcadios) conforman no la historia de una familia, sino el devenir histórico de toda Sudamérica.

“…pero quiero encontrar la isla desconocida, quiero saber quién soy cuando esté en ella, 
No lo sabes, Si no sales de ti, no llegas a saber quién eres…”

El cuento de la isla desconocida es un ejemplo claro de libro profundo, con más de un significado, compactado en apenas 72 cortísimas páginas. Y puedo asegurar que (me voy a permitir el uso de una frase remanida) es un libro apto para todo público. Si un niño de 10 años lo leyera, encontraría una bonita historia de amor, en la que un hombre solicita insistentemente un barco al Rey, quien tras negarse termina por ofrecérselo. El hombre afirma que usará el barco para encontrar una isla desconocida y allí se hace a la mar con la compañía de una señora que trabajaba para el Rey con el objetivo de conseguirlo. Finalmente lo conseguirá o no, pero eso ya es algo que no contaré para no arruinar la sorpresa o hacer “spoilers” como se usa decir en estos tiempos de enamoramientos hacia las palabras ajenas.

“Y no ignoro que todas las islas, incluso las conocidas, 
son desconocidas mientras no desembarcamos en ellas”

Pero estamos ante Saramago, que siempre dice más de lo que dice; es entonces cuando al bucear entre sus palabras, uno empieza a ver que el barco es la persona, que el Rey la burocracia, que los marineros aquello de lo que hay que desprenderse, que la mujer es el apoyo ante la incertidumbre y que todos juntos conforman el proceso de introspección, de autoconocimiento psicológico, de maduración. Que todos somos islas y que tenemos que conocernos para reconocernos. Que todo se trata de un viaje con destino a uno mismo.

“…primero tienes que ver tu barco, sólo lo conoces por fuera, Qué tal lo encontraste, 
Hay algunas costuras de las velas que necesitan refuerzo…”

Leer este hermoso cuento de cualquiera de las dos maneras puede entonces compararse con hacer un crucero sin detenerse más que en los puertos de las diferentes ciudades: uno podrá decir “estuve ahí” pero jamás podrá afirmar “conozco ese lugar” Como amante de la buena literatura, siempre recomiendo bajarse en los puertos, llenar de polvo las zapatillas de tanto andar, respirar, sentir, tocar… leer de verdad."

"El cuento de la Isla Desconocida" de José Saramago por Roberto Maydana (blog Libros Y Literatura - 19/07/2016)

O presente artigo foi publicado no passado dia 19 de Julho de 2016 no blog "Libros Y Literatura", por Roberto Maydana, e pode ser recuperado e consultado aqui,

"Cuando en 1998 José Saramago recibió el Premio Nobel de Literatura, la Academia Sueca resaltó su capacidad para “volver comprensible una realidad huidiza, con parábolas sostenidas por la imaginación, la compasión y la ironía”. Considero que esta afirmación es una perfecta definición de toda su obra y que al mismo tiempo puede aplicarse a aquellos grandes escritores que sin decir nada directamente, nos dejan un mensaje profundo y lleno de significado, que tal vez se escape a la primera lectura."



"Me estoy refiriendo, claro, a aquellos grandes libros (se me viene a la mente Ensayo sobre la ceguera, del mismo Saramago, o Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez) que ante una lectura superficial nos ofrecen una bonita historia de fácil comprensión con principio, nudo y desenlace y un final cerrado, pero que, sin embargo, en la relectura profunda y analítica, en ese reencuentro con el texto, dejan entrever todo un tesoro de parábolas, significados y mensajes secundarios que convierten un libro común en una obra de arte, que hacen de un autor uno más o uno inolvidable, que marcan la diferencia entre escribir y ser escritor. Cualquier persona podría afirmar que Cien años de soledad es la historia de varias generaciones de una familia signada por la tragedia y la soledad, y no sería incorrecto hacerlo, aunque un análisis más profundo nos lleva a la realidad, esa que deja ver que los Buendía (con sus Aurelianos y sus Arcadios) conforman no la historia de una familia, sino el devenir histórico de toda Sudamérica.

“…pero quiero encontrar la isla desconocida, quiero saber quién soy cuando esté en ella, 
No lo sabes, Si no sales de ti, no llegas a saber quién eres…”

El cuento de la isla desconocida es un ejemplo claro de libro profundo, con más de un significado, compactado en apenas 72 cortísimas páginas. Y puedo asegurar que (me voy a permitir el uso de una frase remanida) es un libro apto para todo público. Si un niño de 10 años lo leyera, encontraría una bonita historia de amor, en la que un hombre solicita insistentemente un barco al Rey, quien tras negarse termina por ofrecérselo. El hombre afirma que usará el barco para encontrar una isla desconocida y allí se hace a la mar con la compañía de una señora que trabajaba para el Rey con el objetivo de conseguirlo. Finalmente lo conseguirá o no, pero eso ya es algo que no contaré para no arruinar la sorpresa o hacer “spoilers” como se usa decir en estos tiempos de enamoramientos hacia las palabras ajenas.

“Y no ignoro que todas las islas, incluso las conocidas, 
son desconocidas mientras no desembarcamos en ellas”

Pero estamos ante Saramago, que siempre dice más de lo que dice; es entonces cuando al bucear entre sus palabras, uno empieza a ver que el barco es la persona, que el Rey la burocracia, que los marineros aquello de lo que hay que desprenderse, que la mujer es el apoyo ante la incertidumbre y que todos juntos conforman el proceso de introspección, de autoconocimiento psicológico, de maduración. Que todos somos islas y que tenemos que conocernos para reconocernos. Que todo se trata de un viaje con destino a uno mismo.

“…primero tienes que ver tu barco, sólo lo conoces por fuera, Qué tal lo encontraste, 
Hay algunas costuras de las velas que necesitan refuerzo…”

Leer este hermoso cuento de cualquiera de las dos maneras puede entonces compararse con hacer un crucero sin detenerse más que en los puertos de las diferentes ciudades: uno podrá decir “estuve ahí” pero jamás podrá afirmar “conozco ese lugar” Como amante de la buena literatura, siempre recomiendo bajarse en los puertos, llenar de polvo las zapatillas de tanto andar, respirar, sentir, tocar… leer de verdad."

“Aquí, en la selva, nacieron ideas nuevas” Juan Gelman entrevistou José Saramago para o "Página/12" (Argentina, 2001)

A entrevista pode ser recuperada e consultada, aqui

Esta entrevista foi destacada na página da Fundação José Saramago

EXCLUSIVO: JOSE SARAMAGO ANALIZA LA MARCHA ZAPATISTA 
“Aquí, en la selva, nacieron ideas nuevas”

"Horas antes de la llegada de la marcha zapatista a Ciudad de México, el novelista Saramago y el poeta Gelman hablaron de la importancia de ese movimiento nacido en la selva Lacandona. Una entrevista donde se toca el tema de la injusticia, del milenarismo de la causa indígena, del talento de Marcos, de la verdadera esencia de la democracia y hasta de la naturaleza del tiempo. Todo, en el marco de una caminata estremecedora de miles de kilómetros."


Na foto: Fernando Gómez Aguilera (Diretor da Fundação César Manrique), 
Juan Gelman e José Saramago

Por Juan Gelman

"Parece inmune al cansancio. De regreso de una nueva gira de presentación de La caverna, su novela más reciente, por República Dominicana, Colombia, Guatemala y México, este hombre de 78 años insiste en demostrar que la palabra del escritor puede y tal vez debe rebasar los límites de la hoja impresa para imprimirse además en la conciencia social de nuestro tiempo. Con voz pausada, José Saramago expuso así sus convicciones y opiniones en torno de la marcha zapatista, pocas horas antes de que los 23 comandantes del EZLN y el Subcomandante Marcos llegaran al Zócalo o corazón prehispánico, hispánico y mestizo de la inmensa ciudad de México.

–¿Qué significado tiene, a su juicio, esta insólita marcha?
–Supongo que nadie tiene el derecho de ignorar una situación cuya gravedad se ha tratado de minimizar y aun desconocer. En principio, nadie debería ignorar que los pueblos indígenas, no sólo de México, sino también de toda América, hasta el sur de Chile, han sido humillados, explotados, reducidos a una condición casi infrahumana, abandonados a su suerte. Los avances sociales que a lo largo de los años se han ido introduciendo en la sociedad mexicana, por ejemplo, ya que de ésta ahora se trata, no han beneficiado nunca, jamás, no sólo a los indígenas, sino tampoco a una gran parte de la población mestiza. Ciertas investigaciones han demostrado que el uso de las lenguas indígenas está disminuyendo y eso se ha entendido en México como una muestra de progreso. Es decir, el aplastamiento, el laminaje de culturas y tradiciones milenarias durante estos 500 años transcurridos desde que llegamos aquí los colonizadores europeos no ha sido, ni más ni menos, otra cosa que un genocidio lento, el intento de eliminar progresivamente al indígena del espacio americano, y no sólo de México. Y lo que está pasando aquí ahora no es sólo de ahora, porque no se puede olvidar que los levantamientos indígenas no son hechos que se remontan a 10 o 15 años atrás: ocurrieron siempre, en el siglo XIX ocurrieron, y en el XX ocurrieron, y siempre fueron aplastados reduciendo a los indígenas a la miseria, a la ignorancia, a todas las enfermedades posibles e imaginables, como si se estuviera esperando que el destino, la suerte o la fatalidad, como se lo quiera llamar, limpiara de una vez para siempre esa especie de lepra, desde el punto de vista del dominador, del explotador, que sería el indígena, y que de alguna forma estaría afeando la luminosa faz de México. ¿Qué es lo que ha pasado, qué es lo que está pasando? Se puede decir Marcos, sí, claro que sí, Marcos, pero no es sólo Marcos, es todo un espíritu de resistencia verdaderamente sorprendente. La resistencia de los indígenas siempre ha sido un fenómeno que quizás tenga aspectos incomprensibles para nosotros, pero es finalmente la resistencia de quien está y quiere seguir estando. Creo que más allá de los levantamientos y las luchas armadas hay algo mucho más fuerte: una suerte de conciencia de sí mismo que tiene el indígena y su sentido de comunidad. Cada uno de ellos es un individuo, pero un individuo que no puede vivir fuera de la comunidad, la comunidad es su fuerza, y eso explica que su resistencia haya creado este momento en que nos encontramos. El hecho de que no se haya concretado el intento de eliminarlos que prevaleció 500 años sólo puede entenderse por esa capacidad de resistencia absolutamente extraordinaria que encontró no sólo una expresión solidaria entre ellos, sino también algo que hasta ahora no había sucedido: la solidaridad internacional. Marcos, que no se ve a sí mismo como líder, es una ventana a través de la cual se puede mirar todo lo que hay detrás y lo que hay detrás es lo que importa, él no es más que eso, una ventana. Una ventana, una voz, un pensamiento. Claro, puede decirse que Marcos se indianizó. No sé si se indianizó; el problema no está ahí, pero Marcos ha entendido lo que estaba pasando. Eduardo Galeano lo señala de manera luminosa cuando dice que Marcos llegó a la selva y no lo entendieron, más tarde volvió aentrar y se perdió en la niebla y a partir de ahí empezó a entender porque empezó a escuchar. Y lo que está pasando con esta marcha y con todo lo sucedido desde el ‘94 hasta hoy, sin olvidar que Marcos entró a la selva en el ‘83, es que esa voz que aparentemente sólo era la de Marcos se convirtió en la voz de los indígenas de México. Y súbitamente toda la sociedad mexicana se encuentra frente a una realidad que sí, que allí estaba, que daba por descontada y que si en 500 años no había cambiado mucho, por qué iba a cambiar ahora. Lo que pasó es que todo ha cambiado. México se encuentra en una esquina de su historia y la conciencia social al respecto es tan fuerte que basta para justificar que esta marcha de 3 mil kilómetros hasta el D.F. tenga un carácter triunfal. Y más: en el fondo, los zapatistas representan la llave que el gobierno mexicano estaba necesitando para resolver sus propios problemas. Esto no significa que los zapatistas -.está claro, y tenemos suficiente información para saberlo– se van a organizar en partido político, no lo harán. No. Porque la verdad es que México, partidos políticos ya tiene. Lo que le falta es un movimiento social que en estos momentos sólo puede ser encarnado por el zapatismo. Hace un par de días Noam Chomsky dijo que el contagio zapatista puede imprimir un giro al mundo. No soy tan optimista, pero lo que está pasando en América, no sólo en México, puede ser decisivo para el futuro de esta parte del mundo. No tengo la menor duda de que existe una influencia clarísima del zapatismo seguramente en muchas otras partes, que se da por una razón muy sencilla: faltan ideas en el mundo y muchísima gente se da cuenta de que aquí, en México, en la selva Lacandona, nacieron ideas nuevas. No sabemos qué futuro podrán tener, pero son ideas nuevas. Y eso es lo que necesitamos.

"En marzo de 2001 en la llegada del EZLN al Zócalo capitalino. 
Foto: Francisco Olvera/ archivo La Jornada"

–¿Por qué no es usted tan optimista como Chomsky?
–Me gustaría serlo, pero hay un problema que tenemos que resolver: el problema de la democracia. Lo que estamos llamando democracia –y el discurso alimentado al respecto por los políticos y los medios de comunicación, esa cierta retórica de la que todos hacemos más o menos uso- es en el fondo una falacia. No pasa de ser una fachada. Las instituciones están ahí, funcionan los parlamentos, los gobiernos, los tribunales, pero todo eso nada tiene que ver, y además nunca tuvo nada que ver en el pasado, incluso en la antigua Grecia, con esa idea, esa fórmula perfectamente admirable pero utópica, de la democracia como gobierno del pueblo, para el pueblo y por el pueblo. Jamás ha sido así, y hoy mucho menos. Porque hasta ahora teníamos la ilusión de que el poder político era la democracia, así como la relación del ciudadano con las instituciones sobre todo mediante el voto y las elecciones. Pero si miramos la situación en que se encuentra el mundo hoy, es fácil darse cuenta de que los gobiernos no mandan, que el poder efectivo, real, ése que está condicionando la vida de 6 mil millones en el mundo, es el poder económico concentrado en las multinacionales. Yo digo: se puede quitar un gobierno y poner otro si los ciudadanos así lo deciden, pero no pueden quitar el poder a una multinacional. Podría ser tan optimista como Chomsky si el movimiento zapatista, o movimientos similares -.no necesariamente debe haber un zapatismo universal– expresaran una conciencia colectiva mundial de la situación en que nos encontramos respecto de algo fundamental en la vida de una sociedad: la cuestión del poder, de quién lo tiene, por qué lo tiene, para quién y para qué. Y está clarísimo que el poder multinacional no se preocupa para nada de la suerte de la gente, sólo se guía por el lucro. No tiene otra explicación el hecho de que 3 mil millones de personas, la mitad de la población mundial, vivan con apenas 2 dólares diarios. Y cuando, algo provocante, digo a veces que el planeta Marte me importa un bledo, me importa un pepino, es porque tenemos que decidir las prioridades. Y desde mi punto de vista la prioridad absoluta es el ser humano. El cosmos está ahí hace no sé cuánto tiempo, un tiempo que escapaa la capacidad imaginativa sumada de los 6 mil millones de habitantes del mundo. Para qué asaltarlo ahora. El cosmos podría esperar 50 o 100 años más y no pasaría nada, al cosmos no le importaría nada. No tiene sentido ir a Marte mientras una persona en la Tierra, una única persona en la Tierra, se esté muriendo de hambre. Lo verdaderamente obsceno no es la pornografía. Lo que es obsceno es que se pueda morir de hambre. Entonces, soy menos optimista que Chomsky porque tenemos que resolver el problema del poder. Creo necesario que se desarrolle ese movimiento mundial de conciencia y el zapatismo puede ser un elemento para eso y aun favorecer con su ejemplo la aparición de movimientos similares en otros países, que no busquen la conquista del poder político convirtiéndose en nuevos partidos que reproducirían el sistema en la misma dirección y con los resultados conocidos. Hay indicios de ese desarrollo, Seattle, Davos, Cancún, Washington, Porto Alegre. Pero qué hacer cuando una multinacional patenta una planta que tiene propiedades curativas, que la gente estaba ya usando, como si Dios hubiera destinado la explotación de esa planta a esa multinacional, al cabo de no sé cuántos miles y miles de años, y nadie protesta. ¿Y dónde queda la privacidad? Hoy lo que cuenta es la tarjeta de crédito, nada más, el número de la tarjeta de crédito; el nombre no tiene ninguna importancia. Esto es expresión del problema fundamental que, a mi juicio, está subyacente en el discurso zapatista: es decir, no entrar en cuestiones de competitividad entre partidos políticos, sino hacer de un fuerte nivel social de conciencia algo que pueda cambiar el mundo. Su rumbo actual nos lleva al desastre.

–En ocasiones ha dicho usted que pasarán siglos antes de alcanzar una sociedad justa. También que dentro de millones de años nada quedará de este mundo. Todo lo cual remite a algo muy importante en su obra: el tema del tiempo. ¿Cómo ve este tiempo corto en relación con el tiempo largo?
–Yo creo que los tiempos son a la vez cortos y largos. Hay un tiempo que mide el reloj, pero sabemos que hay circunstancias de la vida en que el mismo lapso mensurable posee una diferente intensidad. La rutina de mi vida en Lanzarote contiene, por ser rutinaria, menos tiempo en el tiempo que yo tengo. Mientras que, si estoy en otro lugar, con una actividad mucho más intensa, puede en ese tiempo caber mucho más tiempo. Claro, esto es relativo y existen el tiempo psicológico, el tiempo matemático, el tiempo real, todo eso. Eso sí, estoy absolutamente convencido de la no existencia de algo que se pueda llamar presente. El presente no existe. Lo único que existe es pasado, porque ha sido vivido, consumido por nosotros o por los que vivieron antes. Creo que no podemos llamar presente a algo más que el momento en que decimos la palabra, que inmediatamente se convierte en pasado. Entonces veo a la humanidad como transportadora de tiempo. La humanidad es la que lleva el tiempo, lo lleva detrás, lo transporta o es transportada por él, como se quiera. El símbolo sería éste: el mar, la playa, la ola que se pliega con su espuma blanca y muere en la arena. Esa ola, que para mí es el tiempo de nuestra vida, y el brillo de esa espuma blanca el de nuestra existencia, cuando lo hay, no tendría ninguna posibilidad de ser sin el mar que está atrás, y el mar es todo el tiempo pasado. Si esto es así, y quizás es lo que usted nota en mis libros, se trata de esa especie de respiración del tiempo que va en dirección a algo que llamamos futuro, que tampoco sabemos dónde está. El futuro es el tiempo por vivir, el pasado, el tiempo vivido, y entre una cosa y otra no hay nada. Yo creo que el tiempo sencillamente está y no que pasa, sencillamente está. Nosotros estamos en el tiempo, que sigue un proceso de envejecimiento y, por lo tanto, a la vez que envejece, vamos envejeciendo nosotros.

–En estos días se ha entrevistado usted -.por separado, desde luego– con el presidente Vicente Fox y con el Subcomandante Marcos. ¿Cuáles son sus conclusiones sobre la presente coyuntura? 
–Para ser breve: de un lado y de otro hay palabras. Las palabras de Marcos, las palabras de Fox. Las palabras de Marcos tienen una consistencia, un sentido, que conocemos por sus escritos y comunicados, y agrego que Marcos es un gran escritor, sobre eso no tengo duda alguna. Yo diría que las palabras de Marcos son hechos, cada palabra que ha pronunciado es un hecho. Las palabras de Fox no son más que eso, palabras. Los hechos no han confirmado hasta ahora sus palabras. He estado con él y puedo decir, como declaré a los medios, que Fox tiene una voluntad de paz. Añadiría que no tiene más remedio que tener esa voluntad de paz, porque no es un problema de Fox, es un problema de México. Y tal vez llevado por su facundia verbal y por su ansiedad de llegar al poder, ha dicho esas tres o cuatro palabras que lo comprometieron, “en 15 minutos resuelvo el problema de Chiapas”. Se puede decir entonces que todas sus declaraciones actuales sobre la posibilidad de un acuerdo con los zapatistas obedecen, efectivamente, a que Fox quiere la paz. Sí, probablemente quiere la paz, no tengo duda alguna de que se pronuncia por la paz, porque una cosa está clarísima ya: los zapatistas no van a firmar una paz cualquiera, no han venido aquí para eso, la paz tendrá que esperar. Y tendrá que esperar toda una negociación, lenta, complicada, y lo que está claro es que los zapatistas no piensan renunciar a ninguna de sus reivindicaciones, a ninguna. Se puede opinar que dará comienzo el acostumbrado proceso político de tire y afloje, pero pienso que si el gobierno mexicano cree que los zapatistas van a entrar en el juego de que te doy esto para que me des aquello, se equivoca gravemente. Marcos y los zapatistas merecen todo el crédito que les da una larga resistencia, una coherencia ideológica y política ejemplar, un sentido estratégico verdaderamente notable: Marcos ha gestionado los silencios con la misma maestría con que ha gestionado las palabras. Cuando se decía que no hablaba, que pasaban los meses y no hablaba, la palabra necesaria surgía siempre en el momento justo, preciso, indispensable. Fox es un político semejante a muchísimos otros, no tiene credenciales en el sentido de un pensamiento, una idea, un proyecto. Sólo cuenta con las propuestas de sus asesores en la coyuntura actual, pero dudo de que tenga ideas más allá del día de mañana. Y los zapatistas sí tienen ideas, que no se limitan a la selva Lacandona, a Chiapas, a México. Tienen ideas que pueden trascender, sobre todo en el marco de los pueblos indígenas de toda América. Creo que ese movimiento es imparable. Quizás se lo podría contener en México, aunque lo dudo porque esta marcha está diciendo que no, que ya no se puede. Y las declaraciones de Marcos de que no se retirarán del Distrito Federal sin que se resuelva el problema indígena muestran una voluntad que llega a emocionar. Más allá del debate de ideas, de estrategias y tal, hay una especie de serenidad profunda en esa gente, en esos comandantes. Marcos, sí, pero en todos ellos hay una especie de estoicismo increíble. Conocemos las degradaciones que esa gente ha sufrido y, sin embargo, mantiene una serenidad profundísima que creo que les viene de esa relación del individuo con la comunidad. Cada uno de ellos es el que es, pero es también lo que todos los otros son. Y lo que debería estar presente en la conciencia de todos es que la tierra es de ellos. Hay cosas de las que uno debería avergonzarse. Por ejemplo, de los colonos blancos de Estados Unidos que regalaban a los pieles rojas mantas infectadas de viruela. Y del genocidio de 10 millones de habitantes del ex Congo Belga cuando era propiedad personal del rey Leopoldo II. Y del genocidio de 6 millones de judíos sacrificados por la Alemania nazi. Y del genocidio lento en estas tierras. Se debe poner fin a la falta de respeto humano que padecen los indígenas de América."

quarta-feira, 27 de julho de 2016

"A Viagem do Elefante" ACERT Tondela e Luis Pastor (2013)

"A Viagem do Elefante" espectáculo produzido e encenado pela ACERT Tondela ( http://www.acert.pt/aviagemdoelefante/ ) e direcção musical de Luis Pastor.

Aqui se recuperam imagens do espectáculo ocorrido neste dia em 2013, 
em Sortelha (Castelo da Sortelha - Largo do Corro)

Fotografias de Ricardo Chaves

Dados recolhidos e consultados aqui, 


"A companhia Trigo Limpo Teatro ACERT construiu um paquiderme, lançou-se à adaptação do texto, encomendou música a Luís Pastor (as letras são poemas de Saramago) e concebeu um espectáculo que promete envolver as comunidades que fazem parte da rota de Salomão."


"Ver o Elefante [espetáculo] tem que ser um acontecimento das vidas das pessoas, como no conto o foi para os aldeãos que saíam no caminho", transmitiu à companhia Pilar del Río, companheira de Saramago e presidente da fundação com o nome do Nobel da Literatura. "Espero que nossos antepassados não tenham sido mais activos, curiosos e generosos que nós próprios."


"Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam", lê-se no livro "A Viagem do Elefante", em que José Saramago se deteve, com as devidas liberdades criativas, sobre um episódio histórico fora do comum. Em 1951, D. João III ofereceu um elefante ao arquiduque Maximiliano da Áustria, ansioso pelo impacto que o animal causaria num Europa que nunca vira tal coisa. Entre situações mais ou menos caricatas, Salomão, o tratador e a comitiva lá foram percorrendo os caminhos entre Portugal e Viena, passando por Espanha, por Itália e pelos Alpes."


Programação e mais informações, aqui




Nova edição da obra "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" - Porto Editora

Detalhe da capa da obra, com caligrafia do fotógrafo Sebastião Salgado


Obra lançada em 1991 e que aqui é brevemente retratada através da sinopse constante na página da Fundação José Saramago.

«É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
«Já que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram servidores da palavra, resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expor-tos por escrito e pela sua ordem, ilustre Teófilo, afim de que reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído.» (Lucas, 1, 1-4)

"Contra a cegueira social, a I Cátedra Internacional José Saramago" - Via Universidade de Vigo

"Contra a cegueira social, a I Cátedra Internacional José Saramago"


Artigo publicado por Rosa Tedín, através do site da Universidade de Vigo, em https://uvigo.gal/ e que aqui recuperamos a presente informação da implementação da Cátedra
Aqui em http://duvi.uvigo.es/index.php?option=com_content&task=view&id=11690&Itemid=39

"Este martes presentouse a iniciativa que pretende difundir a obra e pensamento do escritor luso.
Entre as primeiras actividades estarán a posta en marcha en novembro dunhas xornadas anuais."


“A I Cátedra Internacional José Saramago pretende crear pensamento e levar á sociedade en xeral, portuguesa, galega e internacional, a discusión en temas esenciais e de afondamento no debate en torno aos grandes problemas nacionais e universais. Pretende contribuír ao desenvolvemento, para o fornecemento da cohesión social e para a xustiza, e para iso, fundaméntase na obra, na vida e no pensamento de José Saramago”. Con estes obxectivos, recollidos nos seus estatutos, presentouse este martes na Universidade de Vigo a I Cátedra Internacional José Saramago. En tempos de recortes en humanidades, Pilar del Río, presidenta da Fundación José Saramago e viúva do escritor, salientou como é o momento de “loitar contra a indiferenza, o medo e a resignación”, tres vectores que Saramago identificou como característicos do noso tempo, “desde a cultura e desde a universidade”.

Pór en valor o pensamento de Saramago, pór en valor o humanismo
A cátedra foi presentada por representantes das institucións que son membros fundadores, a Universidade de Vigo e a Fundación José Saramago, e membros honoríficos, o Camões (Instituto da Cooperação e da Língua) e a Fundação Eng.º António de Almeida. A iniciativa, explicaron os seus promotores, bota a andar despois de que en 2014 xurdise a idea no seo do Grupo de Análise e Estudos da Literatura e da Tradutoloxía da Universidade de Vigo e trala sinatura o pasado ano dun convenio entre as entidades fundadoras. “A creación desta cátedra non puido acaer nun momento histórico máis oportuno”, recalcou o docente da Universidade de Vigo Burghard Baltrusch, presidente da cátedra, salientando como se vén de celebrar o Día de Galicia e como este ano se conmemora o centenario das Irmandades da Fala. Lembrando a relación de Saramago con Galicia, a través da súa obra e en visitas ao longo da súa vida, Baltrusch subliñou como “todos e todas gañamos con esta cátedra”, tanto Saramago como Galicia, España e o mundo lusófono. 

A cátedra, recalcou Salustiano Mato, reitor da Universidade de Vigo, permitirá “pór en valor a obra e o pensamento deste autor” co obxectivo de “intentar recuperar o humanismo nas persoas” e ante a convicción de que “só ese humanismo nos permitirá ter futuro”. A cátedra nace na Universidade de Vigo, apuntou o reitor, aproveitando o papel de Vigo como punto de encontro e “lugar de maridaxe do mundo lusófono”. Neste senso, Pilar del Río sinalou como se aledaba de que fose “unha universidade nova”, como a Universidade de Vigo, a que puxese en marcha esta cátedra, “xa que son os novos os que son donos do presente e do futuro”.


A iniciativa, destacou pola súa banda Fernando Aguiar-Branco, presidente da Fundação Eng.º António de Almeida, permitirá “perdurar e divulgar a valía cultural e humanística de Saramago”. A cátedra, recalcou Filipa Soares, coordinadora para España do Ensino de Portugués do Instituto Camões, non só dará a coñecer a obra de José Saramago senón que levará a cabo un “traballo extenso” de divulgación e difusión da cultura portuguesa e do pensamento do escritor luso. Lembrando como o pensamento dos escritores é inmortal a través das súas publicacións, Soares subliñou como a obra de Saramago obriga aos lectores a saír da súa comodidade e a pensar permanentemente na súa identidade. 

Primeiras accións
A presentación da cátedra realizouse despois dunha asemblea dos membros da cátedra na que se presentou a composición do seu primeiro comité executivo e o seu plan de acción para o segundo semestre do ano. Deste xeito, o comité executivo estará presidido por Burghard Baltrusch. Camiño Noia será a vicepresidenta e completarán o equipo Carlos Nogueira e Regina Carreira. Segundo explicou o presidente deste órgano, entre as primeiras accións da cátedra estarán a posta en marcha dunha base de datos de literatura crítica sobre a obra de Saramago, que completará e ampliará á realizada pola fundación dedicada ao Premio Nobel. 

Outras das actividades prevista é a realización a principios de outubro dunha presentación da cátedra na Casa da Música, en Porto, coincidindo coa organización dun coloquio sobre Valter Hugo Mãe, gañador do Premio Saramago 2007. “As actuacións non se limitarán á obra do homenaxeado senón tamén á literatura actual”, recalcou Baltrusch. Por último, tendo en conta a data de nacemento de Saramago, o presidente da cátedra subliñou como en novembro se porán en marcha na Facultade de Filoloxía e Tradución da Universidade de Vigo unhas xornadas sobre o escritor luso que terán un carácter anual e nas que se buscará a implicación na organización e nos contidos non só dos docentes do centro senón tamén do alumnado. Como mostra desde desexo de implicar aos universitarios, o acto de presentación da I Cátedra Internacional José Saramago rematou coa lectura a cargo de dúas estudantes do centro de varios textos do escritor homenaxeado. 

Estas serán as primeiras accións dunha cátedra que se constitúe como un espazo para a reflexión, o diálogo e a toma conxunta de acordos, co obxectivo de promover a cooperación científica, lingüística, educativa e cultural ao redor desta figura das letras universais e a través da investigación, da docencia e da divulgación social da súa obra e produción humanística. Entre os obxectivos desta iniciativa estarán o desenvolvemento de proxectos de divulgación social e de transferencia do coñecemento; a organización e a realización de todo tipo de actividades de divulgación e/ou difusión e promoción da figura e da obra de José Saramago, tales como cursos, conferencias, simposios ou seminarios; o apoio a docentes, investigadores e estudantes; o intercambio de publicacións, traballos de investigación e de calquera tipo de materiais académicos que resulten de interese en todo tipo de proxectos culturais e literarios; e a mobilidade de estudantes e de persoal docente e investigador."

A Universidade de Vigo crea a I Cátedra Internacional José Saramago - Notícia via "Sermos Galiza"

Pilar del Río e restante equipa na apresentação da I Cátedra - Foto: DUVI

Notícia via "Sermos Galiza", e pode ser recuperada e consultada aqui
em, http://www.sermosgaliza.gal/articulo/cultura/universidade-vigo-crea-i-catedra-internacional-jose-saramago/20160726201322049845.html

"A institución académica vén de crear esta cátedra que pretende difundir a obra e pensamento do escritor luso. En novembro poñerán en marcha unhas xornadas anuais.

“A I Cátedra Internacional José Saramago pretende crear pensamento e levar á sociedade en xeral, portuguesa, galega e internacional, a discusión en temas esenciais e de afondamento no debate en torno aos grandes problemas nacionais e universais. Pretende contribuír ao desenvolvemento, para o fornecemento da cohesión social e para a xustiza, e para iso, fundaméntase na obra, na vida e no pensamento de José Saramago”. Con estes obxectivos, recollidos nos seus estatutos, presentouse este martes na Universidade de Vigo a I Cátedra Internacional José Saramago. 

A cátedra foi presentada por representantes das institucións que son membros fundadores, a Universidade de Vigo e a Fundación José Saramago, e membros honoríficos, o Camões (Instituto da Cooperação e da Língua) e a Fundação Eng.º António de Almeida. A iniciativa, explicaron os seus promotores, bota a andar despois de que en 2014 xurdise a idea no seo do Grupo de Análise e Estudos da Literatura e da Tradutoloxía da Universidade de Vigo e trala sinatura o pasado ano dun convenio entre as entidades fundadoras. “A creación desta cátedra non puido acaer nun momento histórico máis oportuno”, recalcou o docente da Universidade de Vigo Burghard Baltrusch, presidente da cátedra, salientando como se vén de celebrar o Día Nacional e como este ano se conmemora o centenario das Irmandades da Fala. Lembrando a relación de Saramago con Galiza, a través da súa obra e en visitas ao longo da súa vida, Baltrusch subliñou como “todos e todas gañamos con esta cátedra”, tanto Saramago como Galiza e o mundo lusófono. 

A cátedra, recalcou o reitor, Salustiano Mato, permitirá “pór en valor a obra e o pensamento deste autor” co obxectivo de “intentar recuperar o humanismo nas persoas” e ante a convicción de que “só ese humanismo nos permitirá ter futuro”. A cátedra nace na Universidade de Vigo aproveitando o papel de Vigo como punto de encontro e “lugar de maridaxe do mundo lusófono”. 

Neste senso, Pilar del Río, presidenta da Fundación Saramago e viúva do escritor sinalou como se aledaba de que fose “unha universidade nova”, como a Universidade de Vigo, a que puxese en marcha esta cátedra, “xa que son os novos os que son donos do presente e do futuro”. En tempos de recortes en humanidades, Pilar del Río salientou como é o momento de “loitar contra a indiferenza, o medo e a resignación”, tres vectores que Saramago identificou como característicos do noso tempo, “desde a cultura e desde a universidade”.

Primeiras accións

Entre as primeiras accións da cátedra estará a posta en marcha dunha base de datos de literatura crítica sobre a obra de Saramago, que completará e ampliará á realizada pola fundación dedicada ao Premio Nobel. E en novembro poranse en marcha na Facultade de Filoloxía e Tradución da Universidade de Vigo unhas xornadas sobre o escritor luso que terán un carácter anual e nas que se buscará a implicación na organización e nos contidos non só dos docentes do centro senón tamén do alumnado."

domingo, 24 de julho de 2016

"Carta de María Magdalena, de José Saramago" no blog "Las Horas Cuaderno de bitácora" de Octavio Salazar Benítez

O texto e restante trabalho de Octavio Salazar Benítez, pode ser recuperado e consultado, aqui
em http://lashoras-octavio.blogspot.pt/ e link directo em,
http://lashoras-octavio.blogspot.pt/2016/07/carta-de-maria-magdalena-de-jose.html

Blog "Las Horas" Cuaderno de bitácora de Octavio Salazar Benítez

"Carta de María Magdalena, de José Saramago"

"De mí ha de decirse que tras la muerte de Jesús me arrepentí de lo que llamaban mis infames pecados de prostituta y me convertí en penitente hasta el final de la vida, y eso no es verdad. Me subieron desnuda a los altares, cubierta únicamente por el pelo que me llegaba hasta las rodillas, con los senos marchitos y la boca desdentada, y si es cierto que los años acabaron resecando la lisa tersura de mi piel, eso sucedió porque en este mundo nada prevalece contra el tiempo, no porque yo hubiera despreciado y ofendido el cuerpo que Jesús deseó y poseyó. Quien diga de mí esas falsedades no sabe nada de amor.
Dejé de ser prostituta el día que Jesús entró en mi casa trayendo una herida en el pie para que se la curase, pero de esas obras humanas que llaman pecados de lujuria no tendría que arrepentirme si como prostituta mi amado me conoció y, habiendo probado mi cuerpo y sabido de qué vivía, no me dio la espalda. Cuando, porque Jesús me besaba delante de todos los discípulos una y muchas veces, le preguntaron si me quería más a mí que a ellos, Jesús respondió: “¿A qué se puede deber que yo no os quiera tanto como a ella?”

No supieron qué responder porque nunca serían capaces de amar a Jesús con el mismo absoluto amor con el que yo lo amaba. Después de que Lázaro muriera, la pena y la tristeza de Jesús fueron tales que, una noche, bajo las sábanas que tapaban nuestra desnudez, le dije: “No puedo alcanzarte donde estás porque te has encerrado tras una puerta que no es para fuerzas humanas”, y él dijo, sollozo y gemido de animal que se esconde para sufrir: “Aunque no puedas entrar no te apartes de mí, tenme siempre extendida tu mano, no te apartes de mí incluso cuando no puedas verme, porque si lo haces me olvidaré de la vida o ella se olvidará de mí.
  
Cuando, pasados algunos días, Jesús fue a reunirse con los discípulos, yo, que caminaba a su lado, le dije: “Miraré tu sombra si no quieres que te mire a ti”, y él respondió: “Quiero estar donde esté mi sombra si allí va a estar tu mirada”. Nos amábamos y nos decíamos palabras como éstas, no solo por ser bellas y verdaderas, si es posible que sean una cosa y otra al mismo tiempo, sino porque presentíamos que el tiempo de las sombras estaba llegando y era necesario que comenzásemos a acostumbrarnos, todavía juntos, a la oscuridad de la ausencia definitiva. Vi a Jesús resucitado y en el primer momento pensé que aquel hombre era el cuidador del jardín donde se encontraba el túmulo, pero hoy sé que no lo veré nunca desde los altares donde me han puesto, por más altos que sean, por más cerca del cielo que los coloquen, por más adornados de flores y perfumados que estén. La muerte no fue lo que nos separó, nos separó, para siempre jamás, la eternidad.
En aquel tiempo, abrazados el uno al otro, unidas nuestras bocas por el espíritu y por la carne, ni Jesús era lo que de él se proclamaba, ni yo era lo que de mí se zahería.
Jesús, conmigo, no fue el Hijo de Dios, y yo, con él, no fui la prostituta María de Magdala, fuimos únicamente este hombre y esta mujer, ambos estremecidos de amor a quienes el mundo rodeaba como un buitre barruntando sangre.
Algunos dijeron que Jesús había expulsado siete demonios de mis entrañas, pero tampoco eso es verdad. Lo que Jesús hizo, sí, fue despertar los siete ángeles que dormían dentro de mi alma esperando a que él viniera a pedirme socorro: “Ayúdame”. Fueron los ángeles quienes le curaron el pie, los que me guiaron las manos temblorosas y limpiaron el pus de la herida, fueron ellos quienes me pusieron en los labios la pregunta sin la cual Jesús no podría ayudarme a mí: “¿Sabes quién soy, lo que hago, de lo que vivo”, y él respondió: “Lo sé”, “No has tenido nada más que mirarme y ya lo sabes todo”, dije yo, y él respondió: “No sé nada”, y yo insistí: “Que soy prostituta”, “Eso lo se”, “Que me acuesto con hombres por dinero”, “Sí”, “Entonces lo sabes todo de mí” y él, con voz tranquila, como la lisa superficie de un lago, murmurando, dijo: “Sé eso solo”.
Entonces yo todavía ignoraba que era él era el hijo de Dios, ni siquiera imaginaba que Dios tuviera un hijo, pero, en ese instante, con la luz deslumbrante del entendimiento, percibí en mi espíritu que solamente un verdadero Hijo del Hombre podría haber pronunciado esas tres simples palabras: “Sé eso solo”. Nos quedamos mirándonos el uno al otro, ni nos dimos cuenta de que los ángeles se habían retirado ya, y a partir de esa hora, en la palabra y en el silencio, en la noche y en el día, con el sol y con la luna, en la presencia y en la ausencia, comencé a decirle a Jesús quien era yo, y todavía me faltaba mucho para llegar al fondo de mí misma cuando lo mataron.
Soy María de Magdala y amé. No hay nada más que decir."

«O Lagarto» de José Saramago e J. Borges, chega em setembro (Fundação José Saramago)

Publicado na página da Fundação José Saramago, pode ser recuperado e consultado aqui
em http://www.josesaramago.org/lagarto-jose-saramago-j-borges/

"«O Lagarto», de José Saramago e J. Borges, chega em setembro"

"Em setembro chega às livrarias portuguesas O Lagarto, livro que une as palavras de José Saramago ao traço do artista brasileiro José Francisco Borges, conhecido como J. Borges. O projeto, que nasce da ideia original do editor argentino Alejandro García Schnetzer, será publicado pela Porto Editora em colaboração com a Fundação José Saramago, terá design da Silvadesigners, e propõe uma nova leitura da crónica com o mesmo título escrita por José Saramago em 1972.


Passados mais de 40 anos da publicação de O Lagarto no livro A Bagagem do Viajante, o texto ganha novas leituras trazidas pelas ilustrações do “génio da arte popular”, nas palavras do New York Times. O artista brasileiro, que ficou conhecido internacionalmente ao ilustrar em 1993 o livro Palavras Andantes, de Eduardo Galeano, produziu um conjunto de xilogravuras que dialogam com o texto do Prémio Nobel português.


A 22 de Setembro, o FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos inaugura uma exposição das matrizes das xilogravuras e das ilustrações que J. Borges fez para as palavras de José Saramago.

Saramago conhecia e gostava muito do trabalho de J.Borges (…) dizia que para ele J.Borges compreendia e explicava o mundo de forma aparentemente simples e ao mesmo tempo profunda. Este Borges aproximava-se, para Saramago, dos seus avós na forma de olhar o mundo. Além disso, Saramago tinha muito apreço pelos trabalhos de criação. Na sua mesa de trabalho, por exemplo, estava um crucifixo que um artesão lhe dera de presente após ler O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Para ele não era uma homenagem a um homem crucificado mas sim ao homem que fez aquela peça e que a compartilhou. Criar é compartilhar, e agora dois Josés presenteiam-nos com uma obra que deve ser compartilhada. Um grande presente.
(Palavras de Pilar del Río ao Jornal do Commercio, do Brasil, a propósito do livro)


Quem é J.Borges:

Nasceu em Bezerros (Pernambuco, Brasil) no ano de 1935. Aos 20 anos começou a vender cordéis nas feiras. Em 1964 assinou o seu primeiro trabalho autoral. Tornou-se gravurista para ilustrar os cordéis que produzia. Durante a vida escreveu algumas centenas de cordéis. Ilustrou o livro As palavras Andantes, de Eduardo Galeano, e expôs o seu trabalho em vários lugares do mundo, entre eles EUA, Suíça, França, Alemanha, Venezuela, Itália e Cuba. Em 2006 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, outorgado pelo Governo do Estado. Atualmente vive na sua cidade natal, num local que foi transformado num espaço artístico, o Memorial J.Borges, onde ensina a arte da xilogravura aos mais novos."


Crónica "O lagarto",
publicada na obra "A Bagagem do Viajante"

"De hoje não passa. Ando há muito tempo para contar uma história de fadas, mas isto de fadas foi chão que deu uvas, já ninguém acredita, e por mais que venha jurar e trejurar, o mais certo é rirem-se de mim. Afinal de contas, será a minha simples palavra contra a troça de um milhão de habitantes. Pois vá o barco à água, que o remo logo se arranjará. 
A história é de fadas. Não que elas apareçam (nem eu o afirmei), mas que história há-de ser a deste lagarto que surdiu no Chiado? Sim, apareceu um lagarto no Chiado. Grande e verde, um sardão imponente, com uns olhos que pareciam de cristal negro, o corpo flexuoso coberto de escamas, o rabo longo e ágil, as patas rápidas. Ficou parado no meio da rua, com a boca entreaberta, disparando a língua bífida, enquanto a pele branca e fina do pescoço latejava compassadamente. 
Era um animal soberbo. Um pouco soerguido, como se fosse lançar-se numa súbita corrida, enfrentava as pessoas e os automóveis. O susto foi geral. Gentes e carros, tudo parou. Os transeuntes ficaram a olhar de longe, e alguns, mais nervosos, meteram pelas ruas transversais, disfarçando, dizendo consigo próprios, para não confessarem a cobardia, que a fadiga, lá diz o médico, causa alucinações. 
Claro que a situação era insustentável. Um lagarto parado, uma multidão pálida nos passeios, automóveis abandonados em ponto morto — e de repente uma velha aos gritos. Nem foi preciso mais nada. Num ápice a rua ficou deserta, os lojistas correram as portas onduladas, e uma rapariga que vendia violetas (era o tempo delas) largou o cesto, e as flores rolaram pelo chão, de tal maneira que fizeram em volta do lagarto um círculo perfeito, como uma grinalda de aromas. O animal não se mexeu. Agitava devagar a cauda e erguia a cabeça triangular, farejando. 
Alguém devia ter telefonado. Ouviram-se apitos, e as duas saídas da rua foram cortadas. De um lado, bombeiros com o material todo; do outro, forças armadas com todo a material. Havia quem dissesse que o lagarto era venenoso, quem afirmasse que as escamas resistiam à bala. A velha continuava a gritar, embora ninguém soubesse onde. A atmosfera carregava-se de pânico. Uma esquadrilha de aviões passou no céu, em observação, e do lado do Rossio começou a ouvir-se o chiar característico dos carros, de assalto. O lagarto deu alguns passos, rompendo a grinalda de violetas. A velha foi transportada de urgência para o hospital. 
A história está quase a acabar. Chegámos precisamente ao ponto em que as fadas intervêm, embora por manifestação indirecta. Reunidas todas as forças disponíveis, foi dado sinal de avançar. Agulhetas de um lado, baionetas do outro, e o trovejar dos carros roncando na subida — lançou-se o ataque geral. Das janelas, pessoas a seu salvo davam conselhos e opiniões. Mas tudo contra o lagarto. 
O qual lagarto, de repente (por intervenção das fadas, não esqueçam), se transformou numa rosa rubra, cor de sangue, pousada sobre o asfalta negro, como uma ferida na cidade. Desconfiados, os atacantes hesitaram. A rosa crescia, abria as pétalas, rescendia, lavava de perfume as fachadas encardidas dos prédios. A velha no hospital perguntava: que foi que aconteceu? E então a rosa moveu-se rapidamente, tornou-se branca, as pétalas mudaram-se em penas e asas — e uma pomba levantou voo para o céu azul. 
Uma história assim só podo acabar em verso: 

Calados, muitos recordam, 
Na prosa das suas casas, 
O lagarto que era rosa, 
Aquela rosa asas.

Há por aí quem não acredito? Eu bem dizia: isto de fadas já não é nada o que era."

in "A Bagagem do Viajante"
Caminho, 4.ª edição, páginas 95 a 97

"A Viagem do Elefante" pela ACERT Tondela na 3.ª edição do Festa – Festival Internacional de Artes de Rua (Ovar)

A notícia pode ser recuperada e consultada, aqui via jonal Expresso,
em http://expresso.sapo.pt/cultura/2016-07-21-Ovar-ao-natural-Festa-da-arte-e-feita-na-rua

Imagem da estrutura que dá corpo à personagem, o elefante Salomão

"Música, dança, teatro, espetáculos comunitários, oficinas, performances e instalações artísticas, entre outras atrações, constam no programa do Festa – Festival Internacional de Artes de Rua, este ano numa versão alargada, a realizar entre amanhã e domingo. Ao todo são 25 manifestações culturais e 17 espetáculos, a cargo de 11 companhias portuguesas, quatro espanholas e duas francesas que vão invadir e deambular pelo centro de Ovar.

Na terceira edição do evento “o palco é o chão”, como explicou aos jornalistas a programadora Fátima Alçada, para quem “a inexistência de palcos liberta-nos para olhar à volta”. E há muito para ver este ano.

Belas construções de madeira, um dueto improvável entre um bailarino e uma escavadora, girafas deambulantes, uma orquestra incomum proveniente de Espanha, uma cadeira de rodas abandonada ou a viagem de um jovem elefante asiático chamado Salomão que veio parar a Ovar. Tudo isto andará à solta, seja numa praça, num largo, rua ou ruela da cidade.

“Quase todos os projetos tiveram de ser adaptados”, refere Fátima Alçada, porque, na verdade, o Festa “não é um festival de artes de rua, mas sim de arte na rua e isso faz toda a diferença”. O evento pauta-se também pela democratização da cultura. Não se limita a sair dos espaços convencionais para ir ao encontro das pessoas, antes convida a comunidade ser parte integrante e ativa dos espetáculos.

Exemplo que ilustra isso mesmo é a peça “Viagem do Elefante”, baseada no romance histórico de José Saramago e que inclui dezenas de pessoas sem qualquer experiência de representação. “O paquidermismo humano e a humanização afetuosa de Salomãozinho, cruzam a narrativa teatral assimilada do texto literário de José Saramago que se caracteriza pelo humor irreverente, a ironia distanciadora, a compaixão, o humanismo cético e a ternura”, adianta a sinopse do espetáculo.

Um enredo onde uma comunidade fica em sobressalto com a presença do grande animal e pede ajuda a todos os santos. Até mesmo aos mais atuais, como o “Santo Éder”, o “Santo Ronaldo” ou o “Santo Fernando”. A peça poderá ser vista no sábado, pelas 23h, na Praça da República.

“Abranger a comunidade local é um dos pressupostos desde o início, com o objetivo de ter diferentes níveis de participação. Em todas as edições tem havido projetos com a comunidade. Alguns espetáculos já existentes, como ‘A Viagem do Elefante’, e outros criados de raiz para o Festa, como é o caso do ‘Phonoambient’, um trabalho de pesquisa sobre as sonoridades que a cidade encerra”, destacou a programadora cultural do Festa durante a apresentação do certame.

A organização realça que este será “o mais internacional Festa de sempre”, com espetáculos de companhias de Espanha e França, designadamente “The Strange Travel of Senyor Tonet” de Tomb Cratius, “Transports Exceptionnels”, da Companhia Beau Geste, “Ulik’s Glissendo” de Ulik & Le Snob, “Girafes” de Xirriquiteula Teatre, “Wandering Orchestra” de Adrian Scharstein e Sergi Estebanel e “Ceci 3.0” de Ferran Orobitg.

Projetos nacionais de referência também marcarão presença no festival, como “Água” da Companhia Circolando, “Pozzo” de Rui Paixão, “Hugo Carvalhais Cryptic Quartet”, Oficinas pelo Mundo Científico, e ainda instalações permanentes de Add Fuel e Tamara Alves, Diogo Aguiar, entre outros.

Em declarações à imprensa, o vereador da cultura Alexandre Rosas manifestou o desejo de ver o Festa continuar a crescer e transformar-se num “cartão-de-visita de Ovar”, tal como o carnaval.

“Fazemos estas atividades em vários locais e é uma forma de mostrar a cidade. Estamos convencidos de que vamos atrair gente de fora. Esse é um dos objetivos”, assegurou Alexandre Rosas, que acredita que este formato alargado para três dias irá perdurar. “Tem a ver com o crescimento e consolidação do próprio espetáculo”, sustentou.

O orçamento para a terceira edição do Festa foi de 80 mil euros, valor semelhante ao das edições anteriores." (...)