Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

sábado, 19 de novembro de 2016

Cartas aos avós "O meu avô, também" e "Carta para Josefa, minha avó" - publicadas no livro de crónicas "Deste mundo e do outro"

Crónica emoldurada e presenta na exposição permanente da
Fundação José Saramago

"O meu avô, também"

"Talvez o dia chuvoso seja o responsável desta melancolia. Somos uma máquina complicada, em que os fios do presente activo se enredam na teia do passado morto, e tudo isto se cruza e entrecruza de tal maneira, em laçadas e apertos, que há momentos em que a vida cai toda sobre nós e nos deixa perplexos, confusos, e subitamente amputados do futuro. Cai a chuva, o vento desmancha a compostura árida das árvores desfolhadas – e dos tempos passados vem uma imagem perdida, um homem alto e magro, velho, agora que se aproxima, por um carreiro alagado. Traz um cajado na mão, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu. À frente, caminham animais fatigados, de cabeça baixa, rasando o chão com o focinho. Homem e bichos avançam sob a chuva. É uma imagem comum, sem beleza, terrivelmente anónima.
Mas o homem que assim se aproxima, vago, entre cordas de chuva que parecem diluir o que na memória não se perdeu, é meu avô. Vem cansado, o velho. Arrasta consigo setenta anos de vida difícil, de desconforto, de ignorância. E, contudo, é um homem sábio, calado e metido consigo, que só abre a boca para dizer as palavras importantes, aquelas que importam. Fala tão pouco (são poucas as palavras realmente importantes) que todos nos calamos para o ouvir quando no rosto se lhe acende qualquer coisa como uma luz de aviso. Fora isso, tem um modo de estar sentado, olhando para longe, mesmo que esse longe seja apenas a parede mais próxima, que chega a ser intimidade. Não sei que diálogo mudo o mantém alheado de nós. O seu rosto é talhado a enxó, fixo mas expressivo, e os olhos, pequenos e agudos, têm de vez em quando um brilho claro como se nesse momento alguma coisa tivesse sido definitivamente compreendida. Parece uma esfinge, direi eu mais tarde, quando as leituras eruditas me ajudarem nessas comparações tão abonatórias de uma fácil cultura. Hoje digo que parecia um homem.
E era um homem. Um homem igual a muitos desta terra, deste mundo, um homem sem oportunidades, talvez um Einstein perdido sob uma camada espessa de impossíveis, um filósofo (quem sabe?), um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria, que não pôde ser nunca. Recordo agora aquela noite morna de verão, que dormimos, nós dois, debaixo da figueira – ouço-o ainda falar da vida que tivera, da Estrada de Santiago que sobre as nossas cabeças resplandecia (as coisas que ele sabia do céu e das estrelas), do gado que o conhecia, das histórias e lendas que eram o seu cabedal da infância remota. Adormecemos tarde, enrolados na manta lobeira, que a madrugada refrescaria com certeza e o orvalho não caía só sobre as plantas.
Mas a imagem que me não larga é a do velho que caminha sob a chuva, obstinado e silencioso, como quem cumpre um destino que nada pode modificar. A não ser a morte. Mas, nessa altura, este velho, que é meu avô, ainda não sabe como vai morrer. Ainda não sabe que poucos dias antes do seu último dia vai ter a premonição (perdoa a palavra, Jerónimo) de que o fim chegou, e irá, de árvore em árvore do seu quintal, abraçar os troncos, despedir-se deles, dos frutos que não voltará a comer, das sombras amigas. Porque terá chegado a grande sombra, enquanto a memória o não fizer ressurgir no caminho alagado ou sob o côncavo do céu e a interrogação das estrelas. Só isto – e também o gesto que de repente me põe de pé e a urgência da ordem que enche o quarto aquecido onde escrevo."

José Saramago 
"Deste Mundo e do Outro: Crónicas" 
1985 (3.ª edição) Editorial Caminho, 29 a 31

Crónica emoldurada e presenta na exposição permanente da
Fundação José Saramago

"Carta para Josefa, minha avó"

“Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio começava a gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua cama, lume da tua lareira, – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. 
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos da rua, casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti a palavra Vietnam é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de palmo. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?). Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. Como tu não vi rir ninguém.
Estou diante de ti e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de sabes onde é o mundo. Chegaste ao fim da vida e o mundo é para ti o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não fazia parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior.
Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas e dezes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “o mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.”

José Saramago 
"Deste Mundo e do Outro: Crónicas" 
1985 (3.ª edição) Editorial Caminho, 27 e 28

José Saramago, in Deste Mundo e do Outro (1971)

Pilar del Río: «Hay una obra de teatro y varios cuentos inéditos de Saramago» ao "ABC" (Francisco Chacón - 16/11/2016)

A notícia pode ser recuperada e consultada, aqui

Publicado pelo "ABC" (Francisco Chacón - 16/11/2016)

"Pilar del Río recibe a ABC en su morada literaria de la Fundación Saramago, en la antesala de las mejores casas de fado de Lisboa. Allí desarrolla la necesaria divulgación de la obra del Premio Nobel portugués de cara a las nuevas generaciones, una labor que la ha acreditado para hacerse con el Premio Luso-Español de las Artes en su sexta edición.

El galardón, instituido por el Ministerio de Cultura en colaboración con la República portuguesa, se falla cada dos años y arrancó precisamente hace una década con una convocatoria en la que fue jurado el propio José Saramago.

Después de 24 años de vida en común con el autor de «La caverna» o «El evangelio según Jesucristo», Pilar del Río se acostumbró a la constancia de tender puentes entre Portugal y España. Y ahora esta distinción reconoce su esfuerzo.

«Este premio lo ha ganado él», asegura a este periódico al borde de las lágrimas, aunque muy contenta porque la distinción le llega justo en el 30 aniversario de la publicación original de «La balsa de piedra», que fabula sobre la unión ibérica e incluso su separación geográfica de Europa .

«Lo primero que pensé fue "hostia, José" y después me acordé de la casa-museo de Lanzarote [donde falleció el escritor en junio de 2010], que es un proyecto personal mío pero que me cuesta dinero porque es deficitario», relata quien se define como «la primera reivindicadora de su obra».

Pilar del Río preside la Fundación Saramago para «cumplir su mandato». Se desplaza en metro cada mañana para acudir a su despacho y mantener viva la antorcha de quien fue su compañero de viaje y marcó su existencia para siempre.

¿Quedan aún textos inéditos de don José por publicarse?, le preguntamos conscientes de que miles de lectores los aguardan como un maná literario. «Fernando Gómez Aguilera está investigando ese tema y sí, podemos decir que hay una obra de teatro y varios cuentos que todavía no han visto la luz».

En medio de la emoción del momento, le viene a la mente la lucidez de Saramago, omnipresente hoy como ayer: «Aquí, en esta fundación, lo que pretendemos no es otra cosa que construir un mundo mejor. Él nunca hablaba de revoluciones, decía que los cambios no pueden arrancar más que a partir de la responsabilidad individual. Decía también que si hay armas es porque permitimos que las haya, y si hay guerras es también porque lo permitimos. No se trata de gobiernos, se trata de la necesidad de asumir la responsabilidad individual».

De forma inminente, Pilar del Río tiene previsto ir a la Feria del Libro de Guadalajara (México) para presentar el teatro completo de José Saramago, recién publicado por Alfaguara."

"Paulo Coelho e Saramago são os mais traduzidos" via Público (de Luís Miguel Queirós, 15/11/2016)

A notícia (Jornal Público, em 15/11/2016 - Luís Miguel Queirós), pode ser recuperada e consultada, aqui em, https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/paulo-coelho-e-saramago-sao-os-mais-traduzidos-1751172

"O espanhol é a língua com mais traduções do português."

"Exposição com as traduções dos livros de José Saramago" 
Fotografia de RG Rui Gaudêncio

"Nas línguas para as quais mais se traduz, o português está em oitavo, e é a 18.ª língua mais traduzida para outros idiomas. Dados da UNESCO relativos ao período que vai de 1979 a 2015 permitiram ainda aos autores do Novo Atlas da Língua Portuguesa, que esta terça-feira é apresentado em Lisboa, incluir informação mais detalhada, como a lista das línguas e países para os quais o português é mais traduzidos, e ainda os autores lusófonos mais traduzidos no mundo.

O espanhol é a língua com mais traduções do português, seguido do inglês, do francês, do alemão e do italiano. Já o inglês é de longe a língua com mais traduções para português, numa lista cujos 7.º e 8.º lugar são ocupados pelo latim e pelo grego antigo.

No top five dos autores de língua portuguesa mais traduzidos, a maior surpresa é talvez a presença, em 5.º lugar, do teólogo Leonardo Boff, a grande figura da Teologia da Libertação no Brasil. A lista é encabeçada por outro brasileiro, o ficcionista Paulo Coelho, e seguem-se José Saramago, Jorge Amado e Fernando Pessoa.

Se olharmos para as línguas e países para os quais estes cinco autores são mais traduzidos, o que se afasta mais do padrão é Paulo Coelho. Em todos os casos, a língua de destino mais usual é o espanhol, mas enquanto nos outros quatro escritores, os dois lugares seguintes são ocupados por combinações de francês, inglês ou alemão, o autor de O Alquimista goza de particular sucesso em húngaro e sérvio. E se Saramago, Amado, Pessoa e Boff são muito traduzidos em Espanha e na Alemanha, a lista de Paulo Coelho é novamente a que menos tem a ver com as restantes: o país que mais o traduz é a Rússia, seguida da Suíça e da Croácia.

A lista dos dez autores lusófonos mais traduzidos completa-se com dois portugueses - Eça de Queirós e António Lobo Antunes - e três brasileiros: José Mauro de Vasconcelos, Clarice Lispector e Machado de Assis."

Nota Blog
Segundo a notícia, a obra de José Saramago tem 541 traduções em 38 línguas (espanhol, alemão, inglês, catalão e francês) de 50 países (Espanha, Alemanha, Noruega, França e Itália). 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Luis Pastor e Esperanza Fernández interpretam o verso "Nesta esquina do tempo" inserido na obra de José Saramago "Os Poemas Possíveis" (1966)

"Nesta esquina do tempo"
Actuación Homenaje a José Saramago en el Auditorio Pilar Bardem. Rivas Vacíamadrid
Letra: José Saramago. Música: Luis Pastor
Voz: Luis Pastor
Piano: Luis Fernández
Cavaquinho: Sérgio Tannus
Guitarra: Pedro Pastor
Coros: Lourdes Guerra
Pode ser visualizado via Youtube, aqui

"Nesta esquina do tempo"

"Nesta esquina do tempo é que te encontro, 
Ó nocturna ribeira de aguas vivas 
Onde os lírios abertos adormecem 
A mordência das horas corrosivas 

Entre as margens dos braços navegando 
Os olhos nas estrelas do teu peito, 
Dobro a esquina do tempo que ressurge 
Da corrente do corpo em que me deito 

Na secreta matriz que te modela, 
Um peixe de cristal solta delírios 
E como um outro sol paira, brilhando, 
Sobre as águas, as margens e os lírios"

In, "Os Poemas Possíveis", 1966 

Pode ser visualizado via Youtube, aqui

Esperanza Fernández 
Álbum "Mi voz em tu palabra"
"En esta esquina del tiempo"
Música: Luis Pastor. Arreglos Dorantes y poesía de José Saramago.
Grabado en teatro Lope de Vega de Sevilla. 
CD editado por Discmedi 2013 
Canal de Vídeos de Esperanza Fernández


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Samarago." Conferência gravada em Belo Horizonte em Maio de 1999

No dia em que se assinalam os 94 anos do nascimento de José Saramago,
nada como recuperar as suas palavras.

Pode ser visualizado e recuperado aqui,

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Saramago. 
Palestra gravada em Belo Horizonte, em maio de 1999, no Grande Teatro do Palácio das Artes"

Exposição de João Vilhena "La Ventana de Saramago" no Teatro Español (Espacio Andrea d'Odorico) - 18/11 a 23/12


Exposición "La ventana de Saramago"
Teatro Español - Espacio Andrea d'Odorico

Mais informações aqui

"El próximo 18 de noviembre comienza la exposición "Lanzarote, la ventana de Saramago" del fotógrafo portugués João Francisco Vilhena, sobre la relación entre el Nobel de Literatura fallecido en 2010 y la isla que eligió para vivir.
La exposición constará de dos niveles de intervención. En el primero estarán imágenes coloridas representando la apertura del escritor para el mundo, una interpretación de Lanzarote como un nuevo instante emocional en la vida de Saramago. El segundo espacio estará compuesto por fotos en sepia, y blanco y negro del escritor.

El espacio estará dividido en dos ambientes (tierra y cielo) y en él se abrirá un camino a los visitantes representando una ruta de los lugares preferidos de Saramago en Lanzarote.

La exposición se completa asimismo con pequeños fragmentos de textos escritos por el autor portugués sobre el lugar. El objetivo consiste en  invitar a los espectadores a descubrir la isla del escritor a partir de la mirada sensorial de un fotógrafo enamorado por las palabras del literato.

'Cultura Portugal– 14ª Muestra de cultura portuguesa en España' es una iniciativa que tiene como objetivo acercar a los españoles la producción cultural lusa más actual con propuestas de distintas disciplinas como música, fotografía, cine, teatro, literatura, arquitectura o artes plásticas.

En esta 14ª edición, destacan como principales exponentes de la cultura de Portugal músicos como José Cid o Rodrigo Leão, reconocido músico del país; la obra de teatro Oda Marítima con el actor Diogo Infante; la intervención del artista visual Vhils; o la conferencia del arquitecto y recién premio FAD, João Mendes Ribeiro, entre muchos otros."

"Fecha
Del 18 de noviembre al 23 de diciembre de 2016Horario
De martes a sábado de 11:30 a 13:30h y de 17:30 a 19:00. Domingos de 11:30 a 13:30h.
Sala - Teatro Español - Espacio Andrea D'Odorico
Dirección - Plaza Santa Ana. Calle Príncipe 25 
Precio - Entrada gratuita"


Imagens da I Cátedra Internacional José Saramago - Vigo

"Algumas impressões das diferentes exposições nas I Jornadas José Saramago em Vigo"

Publicado na página do Facebook, aqui







terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pilar del Río, Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura - Via Fundação José Saramago

Pode ser consultado e recuperado, através da notícia publicada na página da Fundação José Saramago, aqui http://www.josesaramago.org/pilar-del-rio-premio-luso-espanhol-arte-cultura/

"A jornalista e tradutora Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, foi galardonada nesta terça-feira (15) com o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura pelo seu trabalho «como criadora e Presidente da Fundação Saramago, dedicada à defesa dos direitos humanos, à promoção da literatura portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana». Segundo o Júri, o prémio é um reconhecimento pelo «amplo trabalho intelectual» como jornalista, tradutora e promotora da cultura luso-espanhola que Pilar del Río desempenha. «Na sua própria pessoa e na Fundação que dirige se encarna o espírito e os valores da fraternidade luso-espanhola», lê-se no comunicado de imprensa divulgado pelos governos de Espanha e de Portugal."


"O Júri foi constituído por Ana Santos Aramburo (Diretora da Biblioteca Nacional de Espanha), José Pascual Marco Martinez (Diretor-Geral de Política e Indústrias Culturais e do Livro) e Juan Cruz Ruiz (Escritor e Jornalista), pela Parte espanhola, e por João Fernandes (Subdiretor do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia), José Bragança de Miranda (Professor Universitário) e Nuno Júdice (Escritor e Poeta), pela Parte portuguesa.

Criado em 2006, o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura já foi entregue a José Bento, poeta y traductor (Portugal), Perfecto Cuadrado Fernández, escritor (Espanha), Álvaro Siza, arquitecto (Portugal), Carlos Saura, cineasta (Espanha) e Lidia Jorge, escritora (Portugal).

A cerimónia de entrega do Prémio será realizada em Espanha, em data a anunciar."

domingo, 13 de novembro de 2016

Porto Editora lança nova edição da obra "Viagem a Portugal" e recuperação do prefácio de Claudio Magris

Link directo para a edição da Porto Editora e restantes obras já reeditadas, aqui
em https://www.portoeditora.pt/noticias/viagem-a-portugal-de-jose-saramago/116222

"Publicado pela primeira vez há 35 anos, Porto Editora lança nova edição do emblemático livro de viagens de Saramago.
“É preciso recomeçar a viagem. Sempre.» escreve José Saramago em Viagem a Portugal, que regressa amanhã às livrarias. 35 anos depois da primeira edição, este é um livro que reúne as crónicas de viagem do Nobel português pelo nosso país, oferecendo-nos um retrato de cada região, das suas pessoas e paisagens.

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite... É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»."

Já publicados na Porto Editora e as personalidades que colaboraram nas capas: 

Ensaio sobre a Cegueira- Caligrafia da capa por Chico Buarque
O Homem Duplicado - Caligrafia da capa por Lídia Jorge
A Viagem do Elefante -Caligrafia da capa por Mário de Carvalho
Os apontamentos - Caligrafia da capa por Maria do Céu Guerra
Provavelmente alegria - Caligrafia da capa por Nuno Júdice
As Pequenas Memórias - Caligrafia da capa por Gonçalo M. Tavares
As Intermitências da Morte - Caligrafia da capa por Valter Hugo Mãe
Memorial do Convento - Caligrafia da capa por José Mattoso
História do Cerco de Lisboa- Caligrafia da capa por Álvaro Siza Vieira
Os poemas possíveis- Caligrafia da capa por Almeida Faria
A Noite - Caligrafia da capa por Armando Baptista-Bastos
Manual de Pintura e Caligrafia - Caligrafia da capa por Júlio Pomar
Que farei com este livro?- Caligrafia da capa por Carlos do Carmo
Folhas políticas - Caligrafia da capa por Teresa Villaverde
A Caverna - Caligrafia da capa por Eduardo Lourenço
Ensaio sobre a Lucidez - Caligrafia da capa por Dulce Maria Cardoso
Levantado do Chão - Caligrafia da capa por Mia Couto
Objeto Quase – Caligrafia de capa por João Tordo
Terra do Pecado – Caligrafia de capa por José Luís Peixoto
A Jangada de Pedra – Caligrafia de capa por Mário Cláudio
Todos os Nomes – Caligrafia de capa por Miguel Gonçalves Mendes
O Evangelho segundo Jesus Cristo – Caligrafia de capa por Sebastião Salgado
O ano da morte de Ricardo Reis – Caligrafia de capa por Carlos Reis

Capa da edição



"É proibido quebrar ninhos e escrever prefácios
Homenagem a José Saramago"

Claudio Magris
Texto publicado na edição espanhola da Viagem a Portugal de José Saramago, editada pelo jornal El Mundo.
Tradução de José Colaço Barreiros.

"José Saramago não gosta de prefácios. Foi uma das primeiras coisas que o ouvi dizer, quando nos encontrámos pela primeira vez em Lisboa, há muitos anos, e  ele nos ofereceu, a  mim e  a Marisa, precisamente a  Viagem a  Portugal. As linhas iniciais desta viagem põem-nos em guarda contra os prefácios, inúteis se a obra não os requerer ou indícios da sua debilidade se deles precisar.
Eu de facto nunca escreveria — nem ninguém mo pediria — uma introdução ao Ano da Morte de Ricardo Reis, talvez o livro de Saramago que mais amo, ou a outros romances seus amados. Mas a viagem — no mundo e no papel — é em si uma espécie de contínuo prefácio, um prólogo a qualquer coisa que deve sempre estar ainda por vir e está sempre ainda a um canto; partir, deter-se, voltar para trás, fazer e desfazer as malas, anotar no seu caderninho a paisagem fugidia, que se esboroa, que se recompõe, enquanto se atravessa, como uma sequência cinematográfica com os seus
fundidos e encadeados, ou como um rosto muda com o tempo. E depois retocar, apagar e reescrever esses apontamentos, nessa contínua deslocação da realidade para o papel e vice-versa que é a escrita, neste sentido muito semelhante à viagem. Esta última, escreve Saramago no epílogo, recomeça sempre, tem sempre de recomeçar, como a  vida, e  toda a  sua anotação é  um prólogo. 
A Viagem a Portugal desmente as idiossincrasias do seu autor; com efeito tem uma apresentação e uma apostilha. Todo o texto autenticamente poético — e a Viagem é-o intensamente — é mais sabido do que quem o escreveu; esta é aliás uma prova da sua grandeza. Saramago viaja em Portugal, ou seja, dentro de si mesmo e não só, como ele diz, porque Portugal é a sua cultura. É-o no mundo, no espelho das coisas e dos outros homens, que se encontram a si mesmos, como aquele pintor de que fala uma parábola de Borges, que pinta paisagens, montes, árvores e rios, e por fim repara que deste modo retratou o seu próprio rosto. Toda a verdadeira viagem é uma odisseia, uma aventura cuja grande questão é se nos perdemos ou se nela nos encontramos a atravessar o mundo e a vida, se captamos o sentido ou se descobrimos a insensatez da existência. Desde as origens e desde o que é talvez o maior de todos os livros, a Odisseia, literatura e viagem surgem estreitamente ligadas, uma análoga exploração, desconstrução e recomposição do mundo e do eu. Um reconhecimento do real que, na sua fidelidade, se torna invenção e inventa mesmo o eu viajante, uma personagem literária.
A Viagem a  Portugal é  disto um fascinante exemplo. O  viajante avança, tal como na vida, numa mistura de programa e casualidade de metas marcadas e  imprevistas digressões que levam a outro sítio; engana-se no caminho, volta atrás, salta rios e ribeiros; está incerto quanto ao que visitar e ao que descurar, porque também viajar, como escrever e como viver, é acima de tudo abandonar. Detemo-nos em momentos gloriosos, grandes personagens e obras-primas artísticas — a admirável descrição de quadros e  sobretudo de igrejas, cinzeladas ou descascadas pelo vento e pelos séculos — mas também nas figuras das pessoas encontradas e entrevistas só por um instante, em que se lê uma história individual e ao mesmo tempo coletiva, como as mulheres de Miranda do Douro, que não se lembram de terem sido jovens, ou os rostos do Alentejo, ensombrados por antigos jugos sociais. 
O viajante recolhe histórias, célebres e obscuras, detém-se ao perfume de uma mimosa que resgata a mísera ruela de uma vilazinha. Presta atenção às cores, às estações, aos odores, às plantas, aos animais, ultrapassando muitas vezes as delimitações entre a natureza e a história — passar confins é o ofício do viajante — e descobrindo que esta mesma, como todas as fronteiras, é precária. «Onde é a fronteira?», pergunta-se ele e esta questão, que eu também me tenho posto tantas vezes, ao vagabundear ao longo do Danúbio ou nos meus microcosmos, não diz apenas respeito à fronteira entre Portugal e Espanha.
Quando passa por esta, o  viajante dirige-se aos peixes que numa margem nadam no Douro e na outra no Duero, pedindo conselho, talvez lembrando-se de que Santo Iago tinha pregado aos salmões, embora para os converter e induzir a aceitar o seu destino de serem pescados e comidos. Protagonistas desta viagem são, em páginas belíssimas, também o esplendor das águas do rio que encontram as do mar, a luz da praia, o brilho da cascata, a solidão da lagoa, o fragor do oceano nos rochedos, música que evoca um imenso silêncio, o dourado brunido do entardecer que se apaga nas planícies nas vizinhanças de Serpa, as pedras românicas de que até das mais humildes nascia uma grande arte, porque «os construtores estavam conscientes de erigirem a casa de Deus».
Neste livro, que sinto extraordinariamente próximo do meu contínuo vagabundear no mundo e na cabeça, a viagem também penetra não só no espaço mas sobretudo no tempo; é experiência da sua plenitude e da sua fugacidade e ao mesmo tempo guerrilha contra esta última, desejo de reter a tarde que foge e amanhã já não será a mesma, de fazer parar o tempo ou de o manter bem seguro errando no espaço. A viagem, como diz o título de um livro de Gadda, tem a ver com a morte e é por isso que capta momentos tão intensos de vida e se encanta, numa esplêndida passagem do livro, perante uma proibição, sob pena de uma forte multa, de destruir ninhos; proibição que penso que José Saramago aprovará ainda mais do que a de escrever prefácios. 
Para compreender a  sério, o  viajante paradoxalmente teria de parar, ser sedentário, participar a fundo na vida que se atravessa e  se deixa para trás; eu viajo continuamente e  sempre pensei que o viajante é alguém que desejaria ser residente, radicado mas em muitos lugares. A viagem nunca acaba, mas os viajantes, ou seja, nós, sim. Este viajante português diz, a certa altura, que esteve no bairro de Alfama, mas que não sabe o que é Alfama. Também nós estamos na vida, sem saber o que ela é."
Claudio Magris

Podem ser recuperadas e consultadas outras crónicas de Claulio Magris no jornal El Mundo, aqui
em http://ariadna.elmundo.es/buscador/archivo.html?q=claudio+magris&b_avanzada=

sábado, 12 de novembro de 2016

"José Saramago em destaque no Cinema História de novembro" - Biblioteca Municipal de Ponte de Lima

Cartaz alusivo ao evento

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"José Saramago - o primeiro escritor de Língua Portuguesa a arrecadar o Nobel da Literatura - é a personalidade que se segue no Cinema História - rubrica de pendor lúdico-didático dinamizada pela Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL).

No mês de nascimento do autor de "Memorial do convento" - ocasião que coincide com a abertura da exposição biobibliográfica "A universalidade da escrita no Nobel da Literatura", que naturalmente destaca a figura de Saramago - a BMPL disponibiliza o documentário "José e Pilar", da autoria de Miguel Gonçalves Mendes que, filmado entre 2006 e 2009, mostra o quotidiano de um dos mais importantes escritores contemporâneos na sua relação com Pilar del Río, o público, a escrita e a vida.

Como tem sido habitual, a BMPL vai colocar à disposição dos utilizadores um livreto com a biografia da figura visada na edição de novembro do Cinema História, funcionando como complemento informativo do documentário que aborda um período específico da história de José Saramago.

Celebre a cultura portuguesa. Visite-nos!"


Exposição "José Saramago, 90 anos" - Biblioteca Municipal das Figueira da Foz (de 5/11 a 4/12)

Cartaz alusivo à iniciativa

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"05 novembro a 04 dezembro 

Local: Hall Biblioteca e Museu Municipais 
Entrada:Livre

Público-alvo: Escolas Secundárias e Público em geral 

A exposição é composta por 20 roll-ups onde constam nove retratos de José Saramago, seis  de ilustradores portugueses e três de espanhóis (André Carrilho, Alex Gozblau, Cristina Sampaio, Gonçalo Viana, Javier Olivares, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Grañera López, Tiago Albuquerque) que, a convite da Fundação e da Silva Designers, aceitaram o repto de retratar Saramago.

A exposição não ficaria no entanto completa sem uma marca mais pessoal da vida de José através de referências a alguns dos seus dados biográficos, acompanhados de textos do Escritor, retirados do livro José Saramago nas Suas Palavras, um dicionário sobre o pensamento do autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo organizado por Fernando Gómez Aguilera."

I Cátedra Internacional José Saramago - Universidade de Vigo (Galiza Espanha) de 15 a 22 de Novembro


I Cátedra Internacional José Saramago

"A I Cátedra Internacional José Saramago (CJS) nasceu de um protocolo de cooperação entre a Universidade de Vigo e a Fundação José Saramago, assinado no dia 27 de abril de 2015. 
No dia 26 de julho de 2016, na Primeira Assembleia dos Membros Fundadores e Honorários, associaram-se formalmente a esta cátedra a Fundação Eng.º António de Almeida e o Camões, I.P., e foi designado o Comité Executivo, constituído por quatro elementos: Presidente: Burghard Baltrusch. Vice-Presidenta: Camiño Noia Campos. Diretor: Carlos Nogueira. Secretária: Regina Carreira-López. 
Neste mesmo dia, fez-se a primeira apresentação pública da CJS, na Universidade de Vigo, e definiu-se para outubro de 2016 a apresentação em Portugal, a ocorrer na Fundação José Saramago com o apoio do Camões, I.P.
O primeiro grande objetivo da I Cátedra Internacional José Saramago é o estudo e a difusão da obra e do pensamento do autor de Memorial do Convento, Prémio Nobel da Literatura 1998. Este propósito concretizar-se-á nos três principais eixos da ação universitária: docência, investigação e atividades de extensão.
O pensamento e a literatura de um autor de dimensão universal como José Saramago pedem abordagens que usem não só os procedimentos mais convencionais de análise literária, linguística, retórica ou histórica, mas também outros métodos interdisciplinares de estudo. Referimo-nos a aproximações que considerem as inter-relações entre literatura e autobiografia, literatura e justiça / direito / direitos humanos, literatura e tradição oral / etnografia, literatura e antropologia, literatura e filosofia, literatura e infância, literatura e política ou literatura e ambiente / ecocrítica.
Estudando José Saramago, estamos também a contribuir para a divulgação e a realização humanística, comunicativa e pragmática da língua portuguesa. Compreende-se: Saramago cultivou e revolucionou os registos da língua portuguesa de várias épocas – dos orais, populares e tradicionais aos eruditos, incluindo os universos linguístico-literários destinados à infância e à juventude.
A matéria-prima da I Cátedra Internacional José Saramago é a escrita de José Saramago. Ainda assim, não deixamos de ligar a CJS à promoção de outras atividades relacionadas quer com as literaturas e as culturas lusófonas atuais, quer com uma língua falada por mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. As atividades da CJS partem da Galiza e do Norte de Portugal, mas desejam incluir, explicitamente, todo o âmbito ibero-românico, sem excluir a colaboração com outras geografias.
São objetivos específicos da I Cátedra Internacional José Saramago:
O desenvolvimento de projetos de divulgação social e de transferência do conhecimento.
A organização e a realização, também a nível internacional, de todo o tipo de atividades de difusão e promoção da figura e da obra universal de José Saramago, como cursos, conferências, simpósios ou seminários.
O apoio a docentes, pessoal investigador e estudantes.
A publicação e o intercâmbio de publicações, trabalhos de investigação e de qualquer tipo de materiais académicos que resultem de interesse a todo tipo de projetos culturais e literários de interesse comum.
A mobilidade internacional de estudantes e de pessoal docente e investigador.
A promoção da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens em todos os âmbitos da sociedade."

Todas as informações disponíveis podem ser consultadas e acompanhadas aqui
@cjosesaramago (Twitter)

Programação completa das I Jornadas José Saramago em Vigo








Atividades culturais nas I Jornadas José Saramago em Vigo

Campo de Batalha - Performance do Grupo F (15 e 18/11/2016)
O Grupo F, composto por estudantes da Faculdade e outras artistas da cidade de Vigo, realizará duas performances dentro da programação das I Jornadas José Saramago em Vigo. As duas atuações têm como título Campo de Batalha e inspirar-se-ão no livro O Ano de 1993 de José Saramago, partindo da ideia saramaguiana de que "nenhum lugar é suficientemente belo na terra para que doutro lugar nos desloquemos a ele". A primeira performance realizar-se-á no dia 15 de novembro de 2016 às 13h00 no Hall da Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo. A segunda performance terá lugar no dia 18 de Novembro de 2016, à 19h30 na Casa de Arines (Centro Cultural Português, Camões – I.P.) em Vigo. O Grupo F são Eva Comesaña, Marcia Vázquez, Nuria Vilán e Vanesa Ferreira. A entrada é gratuita.

Exposições (10-14/11/2016)
“José Saramago: Obra e Estudos” (Biblioteca da FFT)
“Documentários e Trailers”, em reprodução contínua (Hall de entrada da Biblioteca da FFT)
“30 Anos de A Jangada de Pedra” (Hall da FFT)
"O Prémio Nobel na imprensa portuguesa e espanhola” (Hall da FFT)
“A Produção da curta-metragem galega A mais grande flor do mundo” (Hall da FFT)

Exibições de filmes
Terça-feira, 15/11/2016, 16h30, Salão de Atos da FFT
A Jangada de Pedra (George Sluizer), apresentação de Iria Alonso Fernández, seguido de debate.
Quarta-feira, 16/11/2016, 19h00, Centro Cultural Camões-Vigo
The Enemy (Denis Villeneuve,  a partir de O Homem Duplicado, de José Saramago), apresentação de Carla Sofia Amado, seguido de debate.
Quinta-feira, 17/11/2016, 17h00, Salão de Atos da FFT
Blindness (Fernando Meireles, a partir de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago), apresentação de Uxío Couto Carballido, seguido de debate.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. La littérature de Saramago vue par le cinema" - via Fundação Calouste Gulbenkian Del. Francesa

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN (Delegação Francesa)

Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. 
Conferência "La littérature de Saramago vue par le cinema"

Pode ser ouvida via SoundCloud, aqui

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils" - Reportagem via Telemadrid.es

A reportagem com vídeoda cadeia espanhola Telemadrid.es, pode ser consultada, aqui


Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de 64 metros cuadrados en la fachada del campus de Madrid-Puerta de Toledo de la Universidad Carlos III de Madrid. El artista portugués Alexandre Farto es el autor de la obra dedicada al Nobel de Literatura. Una iniciativa que se enmarca en la XIV Muestra de Cultura Portuguesa en España.

La obra, realizada en la glorieta de la Puerta de Toledo, forma parte de las acciones de mejora del paisaje urbano.La directora general de Intervención en el Paisaje Urbano y Patrimonio Cultural, María Sol Mena, y el embajador de Portugal en España, Francisco Ribeiro de Menezes, han asistido a la presentación del mural firmado por el artista Alexandre Farto, conocido internacionalmente como Vhils.

La obra homenajea al escritor José Saramago con un retrato en gran formato trabajado sobre el propio muro con la técnica de cincelado. El Área de Cultura y Deportes ha colaborado con la embajada de Portugal para la elaboración de este mural como parte del 'Programa de mejora de la calidad del paisaje urbano mediante intervenciones artísticas en muros singulares'. La presentación de la obra se enmarca dentro un ciclo dedicado a la cultura portuguesa que tiene lugar estos días.

'Vhils' es un artista de reconocido prestigio internacional, licenciado por la universidad de las Artes de Londres, que ha expuesto en galerías de Hong Kong, Londres, Brasil y Shanghái, entre otros, y ha colaborado también importantes proyectos artísticos internacionales como 'Look at Porto' o 'Keith Haring 1978-1982'.

El muro, situado en una fachada con un paño de unos aproximadamente 8 x 8 m2, está situado en el antiguo Mercado de Pescados de Puerta de Toledo, actual sede de la Universidad Carlos III, quien colabora también con el proyecto junto con la Junta de Distrito Centro."

Vhils desenha José Saramago, "alguém que admirava", em Madrid - Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

A reportagem pode ser recuperada e consultada, através do site do jornal Público, aqui 
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/vhils-desenha-jose-saramago-na-fachada-da-universidade-carlos-iii-de-madrid-1750354

Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

"O trabalho do artista faz parte da 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada portuguesa na capital espanhola.

O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, vai criar um mural em Madrid com o rosto de José Saramago. O trabalho será efectuado a partir desta terça-feira e, se tudo correr como planeado, estará ultimado na próxima quinta-feira. O rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, passará a estar na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.

De partida para Madrid, Alexandre Farto disse ao PÚBLICO, que o convite para a feitura da obra partiu da Embaixada de Portugal na capital espanhola. "É um convite que me orgulha e que me faz sentido até pela ligação privilegiada que José Saramago teve com Espanha", disse. A intervenção artística num espaço público onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano."



"O José Saramago era alguém que muito admirava pelo corpo da sua obra, pela integridade e pelas posições políticas", afirmou Alexandre Farto que adiantou que o mural terá uma dimensão considerável. "O seu rosto será destacado mas também haverá elementos alusivos à sua vida e obra" disse o artista que trabalha com uma técnica singular onde explora as camadas do espaço urbano.

O actor Diogo Infante e o músico Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid. Alexandre Farto nasceu em Lisboa, em 1987, terminou os seus estudos de Arte em 2008, em Londres, tendo iniciado a actividade como artista  em 1998, com a pintura de muros e comboios, na margem sul do rio Tejo. Nos últimos dez anos deixou o seu trabalho inscrito por todos os continentes, transformando-se num dos artistas portugueses de maior circulação internacional.

A par das intervenções urbanas integra também o circuito expositivo convencional. A sua última grande exposição esteve patente em Honk Kong em Abril deste ano. Esta segunda-feira um vídeo produzido por si e pela agência Solid Dogma – da qual faz parte – foi exibido na abertura do Web Summit, numa encomenda da agência Invest Lisboa. com Lusa"




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Saramago por Vhils (Madrid Espanha)

em progresso...

Por um mundo melhor...


... um sinal de esperança

Dias do Desassossego - de 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

Seguir link para ajudar a divulgar o evento, via Facebook aqui
em https://www.facebook.com/events/1733223670336043/

De 16 a 30 de Novembro, a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa voltam a trazer para diferentes espaços da cidade de Lisboa os Dias do Desassossego. Cruzando linguagens artísticas, o programa destes Dias faz-se de debates, concertos, leituras, acções de promoção da leitura, poesia e prosa ditas e passeios literários, partindo dos livros, dos seus autores, da leitura e da literatura.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

14.ª Mostra da Cultura Portuguesa em Madrid - Vhils desenha José Saramago na fachada da Universidade Carlos III de Madrid

Notícia pode ser visualizada e recuperada, aqui
"O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, realiza a partir de hoje, até quinta-feira, um graffiti com o rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.
Esta «intervenção» num espaço público, onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano.
Diogo Infante e Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid."
Diário Digital / Lusa (08/11/2016)


Os diversos trabalhos do artista Vhils podem ser consultados, aqui

Mais informações sobre a 14.ª Mostra da Cultura Portuguesa, aqui



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos" com vários destaques para o "Memorial do Convento" de José Saramago

Pode ser consultada e recuperada a informação aqui,
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/mafra-comemora-300-anos-do-palacio-nacional-com-meia-centena-de-eventos-1749749

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos"

O programa prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos, encenação de uma peça de teatro, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições

Mafra vai comemorar os 300 anos, desde o lançamento da primeira pedra do Palácio Nacional, com cerca de 50 iniciativas culturais e religiosas, ao longo do ano, anunciou esta quarta-feira a comissão organizadora.

Direcção-Geral do Património Cultural, Palácio Nacional, Câmara Municipal, Escola das Armas, Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra anunciaram, em conferência de imprensa, o programa, que prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos a seis órgãos, encenação de uma peça de teatro baseada no Memorial do Convento, de José Saramago, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições, ao longo do ano.

O director do palácio, Mário Pereira, espera que as comemorações sejam "sinónimo de investimento", recordando que foi lançado um concurso de 2,3 milhões de euros para a reabilitação dos sinos e carrilhões durante o próximo ano.

Em 2017, o monumento vai ser alvo também de obras de instalação de um elevador (400 mil euros), para as quais deverá ser em breve lançado concurso, e de restauro da Sala do Trono (50 mil euros), além de vir a ser dotado de 'áudio-guias' para facilitar a visita pelos turistas.

O programa das comemorações arranca no dia 17 com um espectáculo de fogo-de-artifício e uma conferência, pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás Martins.

O programa contempla, ainda este mês, uma exposição de arte alusiva ao tricentenário, uma missa na Basílica, acompanhada pelos seis órgãos históricos e dois coros (dia 19), e uma conferência pelo cardeal patriarca, Manuel Clemente (28).

Em Dezembro, acolhe, nos dias 17 e 18, um concerto a seis órgãos com a participação do Coro da Academia de Música de Santa Cecília de Lisboa, enquanto no dia 10 é lançada uma nova edição do Memorial do Convento, com prefácio de Carlos Reis e ilustrações do pintor João Abel Manta, para assinalar os 18 anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.

Em 2017, o palácio associa-se às cerimónias da Quaresma (Março) e da Páscoa (Abril), com missas presididas pelo cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.

Em Maio, é realizado o espectáculo teatral A luz no Sagrado, nos dias 19 e 20, a 26 é lançado o livro Os Órgãos Históricos do Concelho de Mafra, e, de 24 a 28, o palácio acolhe o Festival Internacional de Órgão, promovido pela Associação das Cidades com Órgãos Históricos.

Em Junho, organistas austríacos dão um concerto nos seis órgãos da basílica (dia 11) e vai ser promovida uma recriação histórica alusiva à fase de construção do monumento (dias 24 e 25).

Em Setembro, os visitantes vão poder observar um espectáculo de videomapping e fogo-de-artifício ( dias1 e 2).

Em Outubro, destaque para o dia 21, com uma mostra gastronómica alusiva à época e ópera e, no dia 22, uma missa presidida por Manuel Clemente, para assinalar a sagração da basílica.

O programa encerra a 17 de Novembro de 2017, com a comemoração dos 300 anos do lançamento da primeira pedra da basílica, de novo com um concerto a seis órgãos e fogo-de-artifício."

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis" baseado na obra de José Saramago em cena no teatro A Barraca

Aqui mais informações,

"Este belo e profundo romance convida a uma reflexão dramatúrgica muito entusiasmante.
Começa pela invenção do encontro entre Fernando Pessoa já falecido e o heterónimo Ricardo Reis, com casos reais de sexo e paixão, também de ambiente surdo, falso e pesado, e porque fala com humor da relação criador / “obra / figura/personagem”.
Além disso, define como protagonista principal da obra, o ANO em que a trama se desenvolve.

E que ANO!!??

1936! Alguns dados... Comemoração dos 10 anos do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que foi o pontapé de saída para o início do fascismo, especialização da polícia política com o apoio da Gestapo, fundação da Mocidade Portuguesa, Legião Portuguesa e campo de concentração do Tarrafal… Mussolini invade a Etiópia com o silêncio cúmplice das casas Reais Europeias, Hitler intensifica o ataque aos judeus, começo da guerra civil de Espanha…
Nos tempos de hoje, de frágil memória, menoridade cívica e ética, fundamentalismos, militarismos, imperialismo financeiro gerando miséria e horror Universais, renascendo a tenebrosa fénix nazi-fascista, aqui está uma obra que demonstra que as convulsões sociais nunca - infelizmente - , passaram a “coisa” datada e de dispensável interesse arqueológico."

de Hélder Mateus da Costa

Pode ser visualizado via YouTube, aqui

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis"
a partir do romance de José Saramago
um espectáculo de Hélder Mateus da Costa

com
ADÉRITO LOPES - Ricardo Reis
CAROLINA PARREIRA – Marcenda
JOÃO MARIA PINTO – Dr. Sampaio / Espanhol Franquista / Ceguinho viola
RUBEN GARCIA – Fernando Pessoa /Carregador da mala
SAMUEL MOURA – Salvador
SÉRGIO MORAS – Vitor/ Recrutador/ Saramago
SÓNIA BARRADAS – Lídia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programa "Dias do Desassossego" - 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

O cartaz e a programação prevista para os "Dias do Desassossego"





"José Saramago combate 'cegueira' com votos em branco" - Entrevista de Cassiano Elex Machado (Folha de São Paulo, 2004)

"José Saramago combate "cegueira" com votos em branco"
de Cassiano Elex Machado
Folha de São Paulo, em 22/03/2004

A entrevista pode ser recuperada e consultada aqui
em, http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u42623.shtml

Capa da edição da editora brasileira "Companhia das Letras"

Pode ser consultado aqui

"No seu universo literário sem interrogações ou exclamações, José Saramago imprime com freqüência uma mesma pontuação invisível: não vemos as coisas como elas são. É um arco que vai da cegueira "explícita" de "Ensaio sobre a Cegueira" até a visão viciada dos personagens de "A Caverna", que vivem apalpando as sombras da realidade.

De repente, é como se as criaturas do Nobel de Literatura tivessem por fim seus estalos. No seu novo romance, "Ensaio sobre a Lucidez" (seu 11º), que a Companhia das Letras lança nesta semana, o escritor português de 81 anos dá a rara chance de seus personagens de reagirem.

Na sua nova alegoria, Saramago arquiteta uma população que resolve votar quase toda em branco. Na capital de um país sem nome (no qual as pessoas igualmente nome não têm), 83% dos eleitores depositam seus votos na urna sem "xis" algum. Tal qual Gandhi, pai da resistência pacífica, "derrubam" o poder usando o branco.

A metáfora canina (mais uma) "uivemos, disse o cão", com suas quatro e compactas palavras, dá o tom do livro, como explica o próprio autor, em entrevista por e-mail à Folha de S.Paulo (que teve outros trechos publicados no sábado). Saiba a seguir por quê.

Folha de S.Paulo - De quem é a frase "Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos: Quem assinou isto por mim"?
José Saramago - É minha. Ou não se pensa que eu seja capaz de produzir uma frase assim? E digo mais: essa frase resume todo o livro. Sem esquecer da epígrafe: "Uivemos, disse o cão". Os cães somos nós. É hora de começar a uivar.

Folha de S.Paulo - Por que, em um universo de sem-nomes, tem nome somente o cachorro que lambe as lágrimas dos outros? Por que é "imaterial" o cenário do romance?
Saramago - O cão viaja nos meus livros desde "Levantado do Chão", e o nome Constante que lhe dei é a homenagem de um humano a um canino. Sobre a "imaterialidade" do cenário, limito-me a dizer que a impressão sumiria se as personagens e as ruas tivessem nome, se tudo pudesse ser colocado em categorias. O leitor compreenderá que o que ali se passa tem a ver diretamente com ele, precisamente por parecer não ter nada a ver com o que quer que seja. Espero ter sido claro.

Folha de S.Paulo - Em palestra recente, o sr. criticou a falta de reflexão da nossa sociedade, que segue vivendo de espetáculos, de pães e circos. Qual a saída da "caverna"?
Saramago - Dizia que estamos a repetir o que Juvenal escreveu numa de suas sátiras, "Panem et Circenses", isto é, pão e divertimento, pão suficiente para que não protestemos demasiado e divertimento tanto e tanto que nos salte pela boca e pelos ouvidos. Provavelmente morreremos de uma indigestão de divertimento... Manipulados, desinformados, enganados, mas bestialmente divertidos.

Folha de S.Paulo - O sr. já havia falado em uma "trilogia involuntária", ao se referir à relação de "A Caverna" com os dois livros anteriores. Com "Ensaio" o sr. chega a uma "tetralogia involuntária"?
Saramago - A trilogia começou por ser involuntária, isto é, não pensada antes. Também não se tornou voluntária, no sentido de corresponder a algo deliberado e planificado. As ideias surgem quando surgem, valem o que valem, e os livros vão aparecendo. Há um nexo entre eles, evidentemente, mas recuso-me a usar palavras como trilogia, tetralogia ou pentalogia... A expressão caiu no gosto dos jornalistas, por isso voltam sempre a referi-la. Deixemo-la, não merece tanto.

Folha de S.Paulo - Em livros como "Todos os Nomes", o sr. já relatou o processo de uma investigação. Na "segunda parte" de "Ensaio sobre a Lucidez", porém, essa busca se aproxima dos contornos da clássica literatura policial. Como o sr. se sentiu ao fazer essa incursão ao quase policial?
Saramago - Não se tratou propriamente de uma incursão ao policial. Sendo a história o que é, havendo um governo com a sua autoridade e as suas polícias, havendo uma insurreição cívica, era natural que o desenvolvimento fosse por aí. Mas não é policial tudo o que o parece. É policial "Crime e Castigo", de Dostoiévski?

Folha de S.Paulo - Como anda seu projeto de "policial" sobre Alexandre Dumas?
Saramago - Dentro de algumas semanas regressarei ao projeto.

Folha de S.Paulo - Por que o sr. já disse que "Ensaio..." é o seu testamento?
Saramago - Não penso em morrer nestes próximos dias. Se chamei testamento ao "Ensaio sobre a Lucidez" foi por nele ter escrito algumas coisas que nunca havia dito antes. Quando terminei o "Ensaio sobre a Cegueira" também me recordo de dizer: "Agora já posso morrer". Como se vê, não morri. Ainda."

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras