Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

domingo, 5 de julho de 2015

Revista Blimunda #2 - Mês de Julho 2012 - Recordação

Neste mês de Julho, recordamos o #2 da Revista Blimunda 
Pode ser descarregada gratuitamente, aqui
em http://blimunda.josesaramago.org/2012/07/20/blimunda-2-julho-2012/

(Capa edição do #2 - Revista Blimunda)

Sinopre da edição
"O segundo número da revista Blimunda coincide com o mês em que terminou mais um Europeu de Futebol. Atenta ao que a rodeia, aBlimunda não poderia deixar de abordar este tema, não de um ponto de vista desportivo mas sim analisando a forma como o futebol, esse fenómeno de massas, afeta a sociedade, condiciona resultados políticos ou é tratado pela literatura. Tudo isto se pôde confirmar este ano nos jogos que opuseram equipas como a Alemanha a outras como Portugal, Espanha ou Grécia, momentos que significaram mais do que simples jogos de futebol, momentos que motivaram inúmeras discussões políticas, económicas e sociais. Ainda no dossier sobre este tema, aBlimunda recupera um texto de Fernando Assis Pacheco e outro do colombiano Jairo Aníbal Niño, aqui em formato de som, numa edição da Boca – palavras que alimentam, mostrando que muitas das nossas mais fortes memórias caminham para a par com a bola, de pano ou de pele, jogada na rua ou no campo de futebol da nossa imaginação. A secção Saramaguiana recupera uma entrevista de José Saramago dada à revista A Bola Magazine no ano de 1998. Vamos falar de futebol é o título do conjunto de respostas em que José Saramago aborda temas que partem do futebol e do desporto em geral e que passam pelo Iberismo ou pela luta dos mais fracos contra os mais fortes.

O segundo número da revista Blimunda chega aos seus leitores poucos dias depois de se ter assinalado o primeiro mês de abertura ao público da sede da Fundação na Casa dos Bicos.

Ao longo destes trinta dias, mais de 10.800 pessoas já visitaram este espaço que, desta forma, vai cumprindo um dos objectivos que presidiu à sua abertura, o de devolver à cidade um espaço que em mais de quatro séculos de vida só agora passa a estar aberto de forma permanente. A Fundação José Saramago, cumprindo o que ficou estabelecido, deu-lhe conteúdo, tornou-a habitada pelo espólio, pelo espírito de Saramago. Passada a avalanche de visitas nos primeiros dias, a Casa pode agora ser visitada de forma mais tranquila, permitindo um contacto mais próximo com a profundidade da exposição José Saramago. A semente e os frutos ou com a coleção de 1.as edições das obras de José Saramago em traduções de todo o mundo. E como a Casa se quer viva e vivida, já a 10 de agosto a Fundação organiza uma homenagem a Jorge Amado, pela passagem do centenário do seu nascimento. Num dia que se quer de festa, estará presente a Baía que foi sua, como presentes estarão também os seus textos, os seus livros e a música que a partir deles se criou. E também uma mostra de fotografias de Zélia Gattai, companheira de vida do grande escrito e que com a sua câmara fotográfica foi registando momentos únicos e inesquecíveis. Fica, portanto, o convite."

"Um jantar com Saramago" por José Rentes de Carvalho... um episódio com memória

Pode ser consultado e lido,

(Arti et Amititiae)

(*) Publicado no nr. 136 da LER

"São sem conta as maneiras de arruinar um jantar, e o que devia ser um civilizado convívio de gente de boas maneiras resulta, por vezes, numa desagradável refeição.
Ao anoitecer de 6 de Outubro de 1998, num restaurante italiano de Amsterdam, sentavam-se à mesa José Saramago; a baronesa Chantal d'Aulnis de Bourouil, directora de Meulenhoff, a editora holandesa de Saramago; Laurens van Krevelen, antigo director da mesma, bom amigo que se arriscara a publicar Com os Holandeses; Ray Güte-Mertin, celebrada agente literária alemã; e este que assina.
A mesa era redonda. José Saramago, que já antes notara que Ray Güte-Mertin e eu nos calhávamos menos que pouco, sentou-se entre nós, tomando a si a função de pára-choques. De nada adiantou, pois o que eu afirmava, dirigindo-me a um dos outros convivas, rebatia-o ela com azedume. Defendia a senhora uma ou outra ideia sobre a literatura portuguesa, caía-lhe eu em cima ridicularizando o seu ponto de vista.
Saramago ouvia sem intervir, os anfitriões faziam o possível por desviar a conversa para a probabilidade dele, dois dias depois receber o Nobel e, despachada a sobremesa, bebido o café, desfez-se a companhia. A alemã despediu-se dos holandeses, de Saramago, e fazendo o que eu já tinha feito,  voltou-me as costas.
-E agora? – perguntou Saramago.
A noite apenas começara, estava serena, fazíamo-nos boa companhia, e como se  alguém o sussurrasse do alto ouvi-me a dizer:
- Vamos homenagear a "Ramalhal figura".
Concordou ele, e porque era mesmo ao lado, começámos por visitarHet Begijnhof, o retiro de beguinas que data de 1389 e é ali um oásis de paz. Seguindo Ramalho, aquando da sua visita à cidade, onde então se realizava a  Exposition Internationale & Coloniale, fomos pela Kalverstraat, desembocámos na Praça do Dam e, logo ao lado, entrámos como ele no  Wijnand Fockink, diminuto espaço onde desde 1679 se bebe licor ou genebra e, por tradição, se enchem os copos tão à borda que o cliente tem de se curvar para chupar o primeiro gole.
O prédio vizinho é agora hotel de luxo, mas em 1883 Ramalho Ortigão maravilhou-se com o Jardim de Inverno do que então era café e mantém o nome de Krasnapolsky. "Vinte bilhares, lugares para duas mil pessoas, iluminação a luz eléctrica e grande orquestra às horas de jantar". Demos uma vista de olhos ao que continua a ser uma sala espectacular e, de novo na praça, deixando perto os canais de boa e má fama, rumamos castamente pelo Rokin.
Parámos no cruzamento dessa avenida com a Spui, julgando o futuro Nobel que nos despedíamos ali. Assim não foi, porque enquanto deambulávamos me tinha ocorrido a possibilidade de terminar o passeio, se não en beauté, pelo menos de modo a que José Saramago guardasse dele boa memória. E guardou, como com uma pontinha de emoção gravemente disse, quando horas depois nos separámos e eu lhe desejei boa estadia em Frankfurt.
Explicando: em meados de 1976, com dois livros publicados na Holanda, um de  inesperado êxito e outro que me marcou com o ferrete de "inimigo do povo e traidor da Revolução", surpreendeu-me o convite de me tornar sócio de Arti et Amititiae, sociedade de intelectuais e artistas fundada em 1839, um pouco no género dos clubes londrinos, com razoável restaurante, boa conversa,  excelente bar e, ao invés desses outros, com companhia feminina.
Quando lá entrei a primeira vez esperava-me uma surpresa: dando-me boas-vindas, o presidente anunciou-me ser eu o segundo sócio português. O nome do primeiro, feito sócio honorário em 1883, era de difícil de pronúncia, mas ia mostrar-mo no livro de registos que eu acabava de assinar. De facto, ao abrir no ano correspondente, lá estava, robusto e floreado o autógrafo de José Duarte Ramalho Ortigão.
Isso contava eu a Saramago, parados ambos no hall de entrada e, posso enganar-me, mas nele como que dei conta de um ligeiro cepticismo. Entrámos, assinámos o livro de presenças e sentámo-nos a aguardar que nos viessem atender. Havia bastante gente, mas a algazarra tornou-se um murmúrio, quando uma senhora se foi sentar ao piano da sala e, de certeza profissional, começou a tocar Bach.
José Saramago ouvia calado, observando o ambiente, os lambris, os candelabros, as estátuas, os sofás de couro. Os duzentos e tal quadros de mestre que Ramalho admirara, acham-se na galeria do primeiro andar, a essa hora fechada, mas havia ali um vintena deles, entre outros um retrato de Erasmo, lendo o seu Elogio da Loucura a Thomas More, uma Lição de Anatomia, de Rembrandt, de 1632;  batalhas navais, retratos de burgomestres, um de Herman Boerhave (1668-1738), médico famoso e mestre do nosso não menos ilustre clínico António Nunes Ribeiro Sanches (1699-1783) natural de Penamacor e médico de Catarina da Rússia.
- Então o Ramalho esteve aqui?
A pergunta parecia encerrar uma ponta de suspeita, e foi o que me fez levantar à procura do gerente. Expliquei quem era o meu convidado e o que provavelmente ia acontecer em Frankfurt, poderia ele fazer-me um favor? Trazer do escritório o registo dos sócios?
A última memória que guardo dessa noite é a de Saramago olhando à vez para o autógrafo da "Ramalhal figura" e para mim, como que a perguntar-se se seria apenas acaso o termos ido ali."

(*) Publicado no nr. 136 da LER

Entrevista a José Saramago por J. Rentes de Carvalho, em 9 de Fevereiro de 1989

Pode ser aqui consultada e lida,
em http://tempocontado.blogspot.com.es/2013/11/jose-saramago-1989.html

(*) Traduzida em neerlandês, esta entrevista foi publicada em Amsterdam no matutino  De Volkskrant, a 10 de Março de 1989. 
Link do jornal em, http://www.volkskrant.nl/

Mencionado na página da Fundação José Saramago, na "Bibliografia Passiva", aqui
em http://www.josesaramago.org/entrevistas/






"Entrevista a José Saramago por J. Rentes de Carvalho em 9 de Fevereiro de 1989 (*)"

"Aos sessenta e seis anos José Saramago vive confortavelmente a dois passos da residência oficial do primeiro-ministro, sorri divertido quando lhe pergunto qual é a sensação de, quase do dia para a noite, se ver liberto de tantas pressões e ser considerado como the grand old man das letras portuguesas: 
«Se o êxito tivesse vindo quando eu tinha uns trinta ou quarenta, anos, é possível que, depois de viver muito tempo com semelhante aura, eu estivesse imbuído dum sentimento de importância e caminhasse pelas ruas de Lisboa com um ar de patriarca e glória nacional. Daqui a cinco ou dez anos, se tiver tempo para escrever o que ainda penso escrever, talvez o possam dizer. Mas hoje não tiro daí nenhum sentimento de vaidade ou de orgulho, não me tomo por importante, e quando ouço afirmações tão simpáticas como essa, a minha tentação, sinceramente, é olhar para o lado, a ver se estão a falar com outra pessoa.»

- Quais são, na sua opinião, as circunstâncias que promoveram em Portugal o actual interesse do público pelo realismo mágico e o romance histórico?
«Eu não sei se haverá de facto um interesse do público orientado para essas duas áreas, se exactamente é verdade existir esse interesse. O que sim, acontece, é um fenómeno bastante mais geral e eventualmente positivo: depois do 25 de Abril, uma data que vai ficar como uma inevitável referência no plano cultural e no plano literário, aconteceu qualquer coisa que é novo nesta terra, e que foi o súbito - porque efectivamente foi como que uma espécie de explosão, de erupção - o súbito interesse do público português pelos seus escritores. Quer dizer: não é que antes não existisse um interesse, mas digamos que a atenção do público se dispersava mais pelas obras traduzidas. Quando dois ou três anos depois começaram efectivamente a aparecer obras, e refiro-me especialmente ao romance, houve de facto como que uma descoberta dos romancistas portugueses por parte dos leitores portugueses, e que, julgo eu que tem que ver muito com - eu não quero cair na velha questão da perda da identidade nacional, o que creio ser um falso problema - tem a ver, enfim, com o regresso à pátria, ao nosso ponto de partida. Parece notar-se desde então como que uma espécie de regresso do interesse dos portugueses a si próprios. Quer dizer: passaram a interessar-se por si próprios e, consequentemente, passaram a interessar-se mais pela sua história e pela sua cultura, como uma descoberta de si mesmos no plano histórico e cultural geral.»

Mas no seu caso…
«No meu caso, penso que isso tem a ver com uma atitude minha em relação à história e à cultura, e sobretudo em relação à história, que é o eu não separar o ontem do hoje, e também para quase não separar o amanhã do hoje e do ontem. Para mim o tempo é qualquer coisa onde eu estou, não onde eu me movo, porque é o tempo que se move comigo, ou eu me movo com o tempo, eu não me movo no tempo, e esta ideia dum tempo que é uno e que não se pode dividir em passado, presente e futuro, faz com que, ao escrever, por exemplo, o Memorial do Convento, eu o tenha feito, não com a consciência de estar a escrever um romance histórico, mas com a consciência de estar a tomar uma parte do tempo, que tanto faz que seja anterior ou posterior, ou de agora, ou de amanhã, e que contém - não quero dizer que contenha uma lição, porque não vou buscar lições à história para dar essas lições às pessoas de hoje - mas que tem pelo menos uma constância para mim, a constância do sonho do homem, do trabalho do homem, da aventura do homem no tempo. Para mim estão tão perto de mim o D. João V do Memorial do Convento como o primeiro-ministro Cavaco Silva. Eu não tenho a consciência de estar a escrever um romance histórico. Quanto à questão do realismo mágico, ou real maravilhoso, tudo isso, essas pequenas etiquetas que tentam definir, enquadrar, um modo de ver a realidade, eu acho que tem mais que ver, no meu caso, com aquilo a que eu chamaria uma espécie de sobrenaturalização da realidade. O tomar toda a realidade como sobrenatural. Ou melhor: ao escrever, sobrenaturalizar a realidade.»

Mas ao sobrenaturalizar a realidade, não se corre o risco de lhe dar assim como que um cheiro de religioso?
«Não, não acho, sinceramente que não. É realmente verdade que há como que uma espécie de atitude religiosa minha em relação a tudo isto. Quer dizer: em relação ao mundo, em relação à sociedade, ao homem, à criação, seja ela qual for - a criação literária, a criação artística. Há uma atitude de profundo respeito de mim em relação a esta coisa que é o ser humano, e esta coisa que envolve o ser humano, mas sem qualquer sobrenatural ou transcendência. Não tenho nenhuma relação com a transcendência. Sou ateu confesso, declarado e imperturbável. A morte não me tira o sono e o além não me traz nenhuma preocupação particular e não creio na vida futura. Tenho essa atitude em relação à vida, mas à vida que eu sou, à vida que eu tenho, à vida que é dos outros, onde eu estou. Então, quando eu falo em sobrenaturalização da realidade, no fundo talvez isso não se afaste muito de qualquer coisa que não tem nada que ver com a religião - e quando eu digo que não se afasta muito não é em relação aos fins, não é em relação aos resultados, digamos que é em relação à atitude. Uma atitude próxima da atitude surrealista.»

De que modo é que o seu ser comunista se enquadra nessa forma literária que, como diz, se aproxima do surrealismo?
«Eu acho que se enquadra muito bem, pacificamente, sem nenhuma dificuldade. Creio que tudo isso assenta num preconceito, que consistiria nisto: se o escritor x. é comunista deve escrever desta maneira e deve tratar estes temas, como se todo o resto lhe estivesse vedado. O facto de, em certas épocas, ter havido orientações de carácter geralmente vindas de ideólogos-funcionários, ou de funcionários-ideólogos, como se lhes queira chamar, e que eram geralmente gente sem nenhuma sensibilidade artística, e decidiam no seu foro particular que a arte ou a literatura se deviam fazer de determinada maneira, e se esses funcionários encontraram escritores ou artistas que acataram essas ordens, ou essas orientações, então eu direi que o mal aí se divide pelas aldeias, e tanta culpa têm uns como têm outros. O que me parece é que a limitação exterior da capacidade imaginativa, criativa, especulativa, é, seria com certeza, um atentado contra a minha própria liberdade pessoal e, tão grave como isso, contra a liberdade que reivindico de criar conforme eu entenda. E é-me completamente indiferente, mas rigorosamente indiferente que, eventualmente, à direcção do Partido Comunista Português ou algumas das pessoas da direcção do meu partido - coisa que aliás nunca aconteceu, é preciso acrescentar, mas pode ter acontecido dentro deles próprios e não mo terem dito - não tenha agradado particularmente, ou que continue a não lhes agradar particularmente o tipo de literatura que eu faço. Se isso acontece é-me completamente indiferente, porque nem eles ficam mais comunistas pelo facto de pensarem assim, nem eu fico menos comunista pelo facto de escrever como escrevo.»

Embora Portugal seja um país onde uma grande parte da população continua a viver mal, na literatura portuguesa nota-se uma espécie de enfado, um desinteresse em relação aos acontecimentos da sociedade em que vivem. E não me refiro somente aos acontecimentos políticos. Enquanto o neo-realismo esteve na moda, tinha-se a impressão de que os escritores se sentiam solidários com aqueles que viviam menos bem. Hoje tem-se a impressão que essa solidariedade desapareceu para dar lugar a preocupações exclusivamente estéticas.
«Bom, eu não sei exactamente… Eu diria que esse fenómeno não é exclusivamente nosso. Eu creio que isso a que chamávamos o romance social, para falar só do romance, evidentemente, está "desacreditado" em toda a parte. Eu dou-lhe um exemplo, até aqui ao lado, na nossa vizinha Espanha, um romance meu publicado em 1980, o Levantado do chão, e que é o quarto livro meu que se publicou em Espanha, depois d’O ano da morte de Ricardo Reis, o Memorial do Convento e A jangada de pedra, embora tendo sido bem recebido pela crítica, essa crítica não deixou de estranhar que, num tempo como o de hoje, esse romance abordasse duma maneira tão crua questões como a fome, o desemprego, a luta pelo pão e tudo isso, o que se considera - e é natural que sim, que se considere - que agora no quadro da felicidade que vem aí pela porta da CEE, todas essas questões não têm mais sentido. Portanto não é apenas aqui em Portugal que esse fenómeno se dá, eu creio que é um fenómeno europeu. Não sei como é que as coisas se passam na Holanda, mas se calhar não andarão muito longe disso, a não ser que a Holanda já seja um país tão feliz, tão feliz, que os seus escritores não precisem de preocupar-se com essas questões.
Estas coisas estão todas ligadas umas às outras, e talvez haja uma razão de carácter sociológico para que a literatura se esteja a afastar, ou se tenha afastado de temas que, ainda há vinte anos ou coisa que o valha, eram temas que o escritor se sentia como que obrigado a tratar.» 

E hoje não?
«Eu julgo que isso tem que ver com a difusão maciça das imagens, com a televisão, que enche as nossas casas de tudo quanto até há algum tempo era campo quase exclusivo de tratamento para os escritores. O mal social, neste caso a fome, a droga, tudo, a televisão, pelo menos a televisão portuguesa, dá-me todos os dias uma dose maciça de fome em África, de tudo quanto são carências, oferece-me tudo limpo e a cores. Então, quer dizer, a brutalidade dessa informação e o efeito de analgésico são de tal ordem que acabam por produzir o cansaço da repetição. E tenho a impressão de que o escritor acaba por chegar a esta conclusão: não vale a pena estar eu a escrever sobre aquilo que está constantemente a ser visto. Penso que esta pode ser, enfim, uma razão. De qualquer maneira não creio que se esteja a cair numa espécie de esteticismo, de vazio. Antes me parece que estamos todos um pouco angustiados.»

De olhos abertos para o ecrã da televisão, mas fechados para a realidade circundante?
"É o fim duma civilização, a entrada noutro tempo que nenhum de nós é capaz de imaginar o que vai ser. Esse bombardeamento maciço de canais de televisão está a encher as casas de tudo quanto é mensagem, de tudo quanto é imagem e informação, e nós não sabemos o que vamos fazer com elas. Eu neste momento não sei o que é que faço com o acumular de informação que, se eu abrir a porta, me entra pela porta dentro. Então, eu julgo que no nosso caso particular, aqui, com um desenvolvimento tecnológico que não tem comparação nem sequer com o dos vizinhos mais próximos - eu julgo que a atitude dos escritores portugueses hoje… Mas não quero falar em nome dos meus colegas, tenho de falar em meu próprio nome, eu sinto que o meu dever neste momento, neste momento em que um certo Portugal vai morrer, inevitavelmente vai desaparecer, é como se eu tentasse, e tentasse é mesmo a palavra, escrever algumas linhas de um testamento que vamos ter de deixar neste tempo da nossa história. Eu julgo que todos os meus livros têm no fundo um carácter testamentário.»

E de mensagem?
«Não lhe chamaria mensagem. É por um lado uma palavra demasiado cheia e por outro lado demasiado vazia. O que eu quero dizer é como se fosse um acto de reflexão. Pensar por um lado na minha própria vida pessoal, o que fiz, o que fui, o que sou, mas sobretudo pensar nisso não em termos autistas, mas sim em termos de parte de uma colectividade, de uma sociedade, dum país, dum povo que é este. E sempre com a consciência de que estou também a dizer algumas das últimas palavras de um país que, duma certa maneira, vai dar lugar a outro país. Dentro de vinte, trinta anos, Portugal não terá nada que ver, ou pouco terá - e eventualmente em aspectos positivos, mas quem sabe se também em aspectos negativos - não terá que ver com o Portugal do século 19 que só agora é que está nas vascas da agonia. O Portugal do século 19 está a morrer agora. Então digamos que os escritores deste tempo talvez sejam os últimos escritores do século 19.»

Li com alguma surpresa o seu romance A jangada de pedra, e ainda com mais surpresa li um artigo seu demonstrando uma certa irritação para com a ideia da Comunidade Europeia, a Europa de nós todos, aquela casa europeia em que vamos ser obrigados a viver, sem meios para pagar o aluguer. Acha que a nossa adesão à CEE acabará por nos fazer culturalmente mal?
«Eu não posso ser evidentemente contra as permutas culturais. A cultura dos homens fez-se da criação própria e da permuta com os outros e não se trata de buscar uma espécie de isolacionismo cultural. Simplesmente, quando se diz que uma posição como a minha é uma posição que está, digamos, contaminada de nacionalismos, e neste caso de nacionalismo literário, de nacionalismo cultural, a minha resposta é sempre esta: quando a mim me acusam de nacionalismo é porque, ou melhor, quem me acusa de nacionalismo está, no fundo, a defender o seu próprio nacionalismo.»

Espere aí! Além de também ser português, eu de maneira nenhuma o acuso de nacionalismo.
«Não, não é você que me acusa, são as pessoas que dizem ah! mas agora nesta altura, e fazendo já parte da Europa, para que é que vamos estar a incomodar-nos com isso? E dizem que não faz sentido. Ora eu digo que faz sentido. Porque vamos lá ver: o que é a CEE, o que é o Mercado Comum? Bom, eu sou ignorante de todas essas questões, mas não sou completamente ignorante da história. E as guerras na Europa sempre tiveram um único motivo: a disputa da hegemonia sobre a Europa. Depois destas duas guerras terríveis, eu penso que, mais ou menos conscientemente, as grandes potências europeias deverão ter chegado à conclusão de que não é possível alcançar a hegemonia sobre a Europa através duma guerra. E isso é positivo. Então as duas ou três maiores potências europeias puseram-se de acordo para, conjuntamente, administrarem a Europa. O que se está a passar é a administração da Europa. E eu não posso esquecer nunca, não esquecerei nunca, que de facto este nosso pequeno país foi literalmente desprezado, ignorado, humilhado algumas vezes, até pelos seus próprios aliados, como é o caso da Grã-Bretanha. E não tenhamos ilusões, o desdém continua, os pequenos países da Europa vão continuar a ser pequenos países e tratados como pequenos países. Essa ideia de doze parceiros iguais é uma mentira. Se a política económica portuguesa já não é resolvida aqui, se na distribuição europeia do trabalho nem sequer sabemos que parte é que nos vai caber, começamos a suspeitar. Quando o ministro da agricultura português declara que a nossa vocação florestal é um trunfo junto da CEE, está a dizer que na divisão da produção europeia, a nós cabe-nos apenas sermos uma floresta para fornecimento de celulose.»

Afinal você mostra ter uma preocupação política e social, enquanto que no seu romance A jangada de pedra...
"Quando eu n' A jangada de pedra entro nessa utopia de separar a Península Ibérica da Europa não é, isso não significa o corte da Península Ibérica em relação à Europa, significa que a Europa deve ser arrastada, levada para o sul, é dizer: atenção Europa, há mais coisas no mundo do que tentar ser um terceiro bloco económico entre os Estados Unidos e o Japão. E no plano cultural o que eu não quero é que este país desapareça culturalmente. Mas esse risco existe, precisamente com todos os meios e todas as pressões de ordem económica e o processo de implantação das multinacionais. Essa alegria da circulação dos capitais dentro da Europa não vai significar que os capitais portugueses se irão instalar na Holanda ou na Alemanha, mas que os capitais holandeses e alemães se vão instalar aqui. E os espanhóis, os franceses, todos mais. Ora a partir do momento em que o capital está instalado não precisa de mandar tropas, não precisa de obrigar toda a gente a falar alemão ou holandês. Quer dizer: é a própria força das coisas que vai fazendo como acontece com um queijo que é cortado pelo lado de baixo, e olhando assim de cima parece que o queijo está intacto. Nós vamos ser cortados em fatias finíssimas pelo lado de baixo, e um dia destes nós não teremos queijo, ou teremos um queijo completamente reduzido à casca. Mas o que também felizmente acontece é que as pessoas e as culturas têm uma grande capacidade de defesa. O homem sabe que morre, que tem de morrer, mas insiste em deixar a marca da sua presença. E assim, ao mesmo tempo que assistimos a um processo de globalização cultural, assistimos também à inssurreição das pequenas culturas e das pequenas nacionalidade que, justamente, não querem desaparecer.»

Mas como explica então que em Portugal se recomece a falar a sério da possibilidade de uma União Ibérica, do iberismo, a fusão do nosso país com a Espanha?
«Aí há as velhas histórias do medo da Espanha. Temos um medo incrível de tudo quanto vem de Espanha, até inventamos o ditado de que da Espanha não vem bom vento nem bom casamento. O que acontece é que, ao olharmos para a Europa, podemos ver que há um certo ar de família dos Pirinéus para cá. Para além das diferenças que não são só entre Portugal e a Espanha, porque existem dentro da própria Espanha, e eu creio que nalguns aspectos as diferenças no interior da Espanha podem até ser maiores do que aquelas que há entre nós e os espanhóis tomados nos seu conjunto. A Catalunha não é a Andaluzia, a Andaluzia não é a Galiza, e assim por diante. Aqui em Portugal o espanhol é sempre o inimigo puro por definição. Não importa que outros nos tenham tratado da pior maneira, que os franceses nos tenham invadido por três vezes, que os ingleses nos tenham humilhado profundamente. Em Portugal, a atitude no fundo resume-se a que toda a gente continua a encarar a Espanha com desconfiança, se bem que eu julgue que há alguns sinais de mudança. A União Ibérica não faz sentido nenhum, e eu próprio, que tenho a fama de ser iberista, não vejo que haja qualquer viabilidade nessa ideia. O que me parece, contudo, é que embora o iberismo esteja morto, nós não podemos viver sem um iberismo, uma ideia ibérica. E afinal de contas, se é possível uma ideia europeia, se é possível o maior, porque é que não há-de ser possível o menor?»

Enquanto que você parece recear que muita coisa vai desaparecer da nossa cultura e literatura, ao ler a imprensa portuguesa eu noto que existe um certo contentamento entre os escritores portugueses, um sentimento de dinamismo, ouve-se afirmar com seriedade e frequência que a literatura portuguesa está num auge, que é neste momento uma das grandes da Europa, das mais dinâmicas. Qual é o seu comentário a isso?
«Eu não posso ler tudo aquilo que se escreve por essa Europa, e às vezes a gente faz certas afirmações sem grandes fundamento objectivo, mas enfim, são coisas que começam a ser ditas e a partir de certa altura repetem-se sem sentido crítico, não é? Mas parece que há de facto a ideia de que neste momento, e eu penso que pode haver alguma verdade nisso ouvindo os críticos estrangeiros, a literatura portuguesa, e especialmente o romance, são, talvez, dos mais originais, dos que têm mais interesse. Eu creio que isso é perfeitamente compatível com uma situação de fim, que é esta nossa. Eu não quero entrar pelas metáforas, mas a verdade é que, até a chama duma vela, no momento exacto em que vai extinguir-se, tem um clarão súbito, e depois é que se extingue. Isto não significa, evidentemente, que eu pense que depois deste clarão a literatura portuguesa se extinga. Enfim, não vai acabar, não vai morrer, mas estamos de facto numa altura em que as manifestações literárias talvez não dependam da atitude pessimista ou optimista do autor, mas antes das próprias circunstâncias. Constata-se entre nós uma atmosfera de expectativa. Toda gente hoje fala na Europa, espera coisas da Europa, e essa atitude é muito nossa, porque estamos sempre à espera do que há-de vir de fora, seja o ouro do Brasil, ou o que não chegou a vir de África. Mas a verdade é que por baixo de todo esse aparente optimismo começa a haver também uma preocupação, à qual as pessoas ainda não estão a dar voz. De repente tem-se a consciência de que a Europa não nos dá nada, que a Europa não tem nada que nos dar - e porque é que havia de dar? nós é que temos de fazer o nosso próprio país - então assiste-se agora como que a uma espécie de demissão dos portugueses em relação ao seu próprio país.»

Também por parte dos escritores?
«Os escritores no fundo afastaram-se muito da vida social, da vida política. Viraram muito as costas a todas essas coisas, e estão eventualmente a fazer grandes livros, mas com um ou duas excepções, nunca os escritores portugueses intervieram tão pouco na vida do quotidiano do país, através do artigo, da opinião, da polémica. Nunca aconteceu tão pouco como acontece agora. É um mau sinal. Eventualmente será uma situação transitória, mas é realmente preocupante. Eu acho que não tardará muito a que começaremos a sentir-nos preocupados, já não em relação a toda essa questão da economia, que provavelmente é irreversível, mas quanto às consequências no plano cultural com que de certeza vamos sofrer. E por favor não me falem em consenso cultural europeu, porque isso é coisa que não existe. A cultura europeia não existe. A cultura europeia sempre foi, e felizmente, o conjunto das culturas dos povos da Europa. Isso é que fez a sua riqueza, a sua diversidade, a sua fertilidade. Quando me falam em projectos europeus de vária ordem, no fundo aquilo que eu vejo é que nunca se falou tanto em indústria de cultura. Do ponto de vista tecnocrático a cultura é meramente uma indústria e sob esse ponto de vista a cultura será tanto melhor quanto mais render. E cultura que não rende não tem interesse para as multinacionais, para a banca internacional. De forma que hoje somos meros números dentro dum computador.»
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(*) Traduzida em neerlandês, esta entrevista foi publicada em Amsterdam no matutino  De Volkskrant, a 10 de Março de 1989.
(**) Com o título Memoriaal van het Klooster, a tradução neerlandesa foi editada pela De Arbeiderspers no Outono de 1989."

Actualização da "Biblioteca" com referência ao estudo da obra de José Saramago

Actualização da "Biblioteca" com referência ao estudo da obra de José Saramago
Data 01/07/2015

(Autografo de José Saramago na obra de teatro
"Que Farei com Este Livro?", a 17/05/1998)

Livros referentes à temática "Saramaguiana"
Democracia e Universidade – Ensaio (Fundação José Saramago e ed.ufpa – 2013)
Chamo-me… José Saramago – Infantil - Cidália Fernandes (Didáctica Editora – 2010)
Conversas com José Saramago – Entrevistas – José Carlos de Vasconcelos (JL – 2010)
José Saramago da Cegueira à Lucidez – António José Borges (Zéfiro – 2010)
José Saramago Nas suas Palavras – Fernando Gómez Aguillera (Caminho – 2010)
Correspondência 1959-1971 José Saramago | José Rodrigues Miguéis (Caminho 2010)
Lanzarote A Janela de Saramago – João Vilhena (Porto Editora – 2014)
Biografia de José Saramago – João Marques Lopes (Guerra e Paz – 2011)
José e Pilar Conversas Inéditas – Miguel Gonçalves Mendes (Quetzal – 2011)
Saramago: A Consistência dos Sonhos – Fernando Gómez Aguilera (Caminho - 2008)
Revista de Estudos Saramaguianos - (Patuá Editora – Novembro 2014)
Dicionário de Personagens da Obra de José Saramago – Salma Ferraz (Edifurb – 2012)
Colóquio Letras, n.º 151/152 (01-06/1999) – José Saramago o Ano de 1998
Palavras para Saramago – (Caminho e Fundação José Saramago – 2011)
A Viagem do Elefante Banda Desenhada – João Amaral (Porto Editora – 2014)
Uma Longa Viagem com José Saramago – João Céu e Silva (Porto Editora – 2009)
"Apontamentos sobre a cidade saramaguiana" - Horácio Costa (Universidade de São Paulo)
José Saramago e a tradição do romance histórico em Portugal - Horácio Costa (Revista USP, São Paulo, dez./fev. 1998/99)
Lucerna, n.º 0, (04/2014) Versão digital impressa – dará lugar a “Blimunda” no n.º 1
"Um ensaio itinerante para ler José Saramago - paisagens", de Pedro Fernandes
Caderno-revista de poesia (07/2011) "Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago"
Caderno-revista de poesia (07/2011) Encarte "Um ensaio itinerante para ler José Saramago, paisagens"
A Espiritualidade Clandestina de José Saramago - Manuel Frias Martins (Fundação José Saramago)
Retratos para a Construção do Feminino na Prosa de José Saramago - Pedro Fernandes (Editora Appris)
O essencial sobre José Saramago - Maria Alzira Seixo (INCM)
Diálogos com José Saramago - Carlos Reis (Porto Editora, 2015 reedição do original de 1998, via Caminho)
José Saramago A luz e o Sombreado - Fernando Venâncio (Campo das Letras, 2000)
A Viagem do Elefante por Viseu Dão Lafões (2014)
"José Saramago El viaje del elefante - diseño e ilustraciones de Manuel Estrada" - Alfaguara 2010 (Tradução de Pilar del Río)

(Selo emitido pelos CTT, em homenagem à atribuição do Prémio Nobel, 
como valor facial de 200$00 - Dez./1998)

Revistas e Jornais
A Bola Magazine, n.º 138 – 11/1998 – Entrevista “Vamos lá falar de futebol”
Actual Expresso, n.º 1965 – (26/06/2010) – Reportagem
Actual Expresso, n.º 2014 – (03/06/2011) – Entrevista a Pilar del Río
Actual Expresso, n.º 2187 – (27/09/2014) – Reportagem sobre o inédito “Alabardas Alabardas”
Actual Expresso, recorte (20/04/2013) – “Um movimento de escavação”
Actual expresso, recorte (30/08/2014) – Lídia Jorge em análise a “Alabardas Alabardas…”
Actual Expresso, recorte, (30/12/2010) – “O Ano da Morte de José Saramago” de J. Mário Silva
Actual Expresso, recorte, (não datado) – Cartaz promoção do filme “José e Pilar”
Blimunda, Edição Impressa Junho 2014 (autografada por Pilar del Río)
Camões Revista de Letras, n.º 3 – (1998) – Estudo sobre Saramago
Caras, recorte (não datado) – Reportagem no lançamento de “A Claraboia”
Courrier Internacional, n.º 127 – (07/09/2007) – Reportagem no “The New York Times”
DN, (16/11/2012) – Ensaio Inédito – “Verdade e Ilusão Democrática”
DN, n.º 51.572 – (19/06/2010) – Reportagem
DN, n.º 51.574 – (21/06/2010) – Reportagem
DN, n.º 51.622 – (08/08/2010) – Entrevista a Pilar del Río
DN, recorte, 12/11/2014 – João Amaral e “A Viagem do Elefante” em BD
Expresso - Grandes Entrevistas da História, n.º 6 (1991-2006) Entrevista de Clara Ferreira Alves em (2/11/1991)
Expresso, recorte (não datado) – Inês Pedrosa “A aliança”
Fnac, recorte (não datado) – Entrevista a Pilar del Río, lançamento de “A Claraboia”
JL / Visão, 19/06/2010 – Edição conjunta – Número especial
Jornal de Letras, n.º 1000 – (28/01/2009) - Edição comemorativa – Crónica “Esperança”
Jornal de Letras, n.º 1073 – (16/11/2011) – “José e Pilar – Saramago continua”
Jornal de Letras, n.º 1147 – (17/09/2014) - Reportagem sobre o inédito “Alabardas Alabardas”
Jornal de Letras, nº 1037 – (30/06/2010) - Reportagem
Jornal de Letras, nº 704 – (08/10/1997) – Reportagem “Portugal em Frankfurt”
Jornal de Letras, nº 800 – (30/05/2001) – “Harold Bloom em Portugal com Saramago”
Jornal de Letras, nº 841 – (24/12/2002) – Crónica de Carlos Reis
LIV do Jornal I, recorte (10/04/2014) – Reportagem “Estrada fora na Lanzarote de Saramago”
LIV do Jornal I, recorte (16/10/2010) – Entrevista a Pilar del Río
Notícias Magazine, n.º 1039 – 22/04/2012 – “Pilar sem Saramago”
Playboy Portugal, n.º 16 – 07/2010 – Entrevista de Humberto Werneck”
Público Suplemento P2, (26/06/2010) – Reportagem
Público, n.º 7380 (19/06/2010) – Reportagem
Público, n.º 7381 (20/06/2010) – Reportagem
Público, recorte (26/06/2010) – Notícia de Isabel Coutinho
Revista Caras, recorte, 04/03/2012 – Entrevista a Pilar del Río
Revista DN (150 anos), n.º 4 - "José Saramago - O Verão Quente do Diário de Notícias"
Revista Expresso "100 Portugueses 4.º Volume" - de Luísa Mellid-Franco "José Saramago - A serenidade do conhecimento das coisas"
Revista Expresso Única, n.º 1818 – 1/09/2007 – “Pilar de Saramago”
Revista Expresso Única, n.º 1876 – 11/10/2008 – “Pilar del Río entrevista José Saramago”
Revista Expresso, n.º 1355 – 17/10/1998 – Diversos “Prémio Nobel 1998)
Revista Flash, recorte (??/11/2010) – Entrevista a Pilar del Río
Revista Ler, n.º 43 - 1.º Edição Verão/Outono 1998
Revista Ler, n.º 70 – 06/1998 – “O Nobel é uma invenção diabólica”
Revista Ler, n.º 93 – 07/08 2010 – “O autor está no livro todo”
Revista Tabu, n.º 84 – 19/04/2008 – “José Saramago Sou um sentimental”
Revista VIP, recorte (??/06/2011) – Reportagem “Um ano sem Saramago”
Sábado, n.º 321 – 24/06/2010 – Número especial
Todos os Nomes do Homem Duplicado ou o Caos é uma Ordem por Decifrar de Eula Carvalho Pinheiro
Vértice, n.º 14, II Série, 05/1989 - Entrevista com José Saramago (diálogo com Manuel Gusmão)
Vértice, n.º 168, II Série, 07-09/2013 – Estudo e Projecto “Oficina Saramago”
VidaMundial, n.º 10 (11/1998) - Linguagem e História segundo José Saramago de Manual Gusmão

domingo, 28 de junho de 2015

XXIII edição do Festival Sete Sóis Sete Luas 2015

(Cartaz da XXIII edição do Festival Sete Sóis Sete Luas 2015)

Toda a informação do evento pode ser consultada aqui 


Breve história via site do festival

"A história

COMO NASCE

Pela curiosidade e audácia de um grupo de estudantes da Toscana e o apoio de um escritor português nasce a experiência do Festival Sete Sóis Sete Luas.

Jovens sonhadores, com uma grande paixão pelo teatro, fundam o Gruppo Teatrale Immagini (Grupo Teatral Imagens) em 1987. Ansiosos por atravessar a fronteira italiana, em 1991, voam até ao Alentejo. Aqui apresentam vários espectáculos com muito sucesso e entram em contacto com José Saramago, convidando-o a visitar Pontedera. O escritor português não só aceita o convite, como também lhes oferece os direitos de autor em Itália do seu livro “O ano de 1993”. Em 1993 nasce o Festival Sete Sóis Sete Luas, dirigido por Marco Abbondanza desde a sua primeira edição, e começa  o original e rico intercâmbio cultural entre Itália e Portugal que, ao longo dos seus 21 anos (1993-2013), já viu aderir muitos outros países: Grécia (1993), Espanha (1997), Cabo Verde (1998), França e Marrocos (2005), Israel (2006), Croácia (2008), Brasil (2009), Roménia (2012), Eslovénia e Tunísia (2013), privilegiando sempre as localidades periféricas e não os grandes centros.



UM PRESIDENTE HONORÁRIO MILITANTE E UM SÍMBOLO ILUMINISTA

José Saramago deu ao Festival SSSL os instrumentos, filosóficos e práticos, para começar esta fantástica viagem pelo Mediterrâneo e pelo mundo lusófono. O Festival inspira-se nos valores presentes na sua obra “Memorial do Convento”, cujas personagens são sonhadores de alma visionária, que vivem numa Europa medieval, oprimidos por uma intolerante e tenebrosa Inquisição. Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas criam a “passarola”, uma máquina voadora, que é o símbolo do Festival pelo seu poder evocativo e simbólico, representando a metáfora do sonho e da liberdade utópica. O Festival serve-se da capacidade da arte, da música e da literatura de ver para além da realidade do nosso tempo.



O QUE É

– Uma Rede cultural de 30 cidades de 13 Países – Brasil, Cabo Verde, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal, Roménia e Tunísia – que privilegia relações vivas e directas com os pequenos centros e os artistas;

– Uma viagem pelo Mediterrâneo e pelo mundo lusófono: uma viagem feita de encontros. Os artistas, os operadores culturais e os espectadores participam nas acções de mobilidade internacional ;

– Um Festival que vai ao encontro das pessoas, não das praças e dos monumentos;

– Um Festival da criação musical: cada ano produz uma ou mais orquestra multicultural;

– Promotor de turismo cultural: o público pode seguir o Festival nas várias paragens da sua viagem pelo mundo lusófono e mediterrâneo;



PRÉMIOS E DISTINÇÕES INTERNACIONAIS

– 2 vezes o apoio do Programa Caleidoscópio da Comissão Europeia

– 6 vezes o apoio do Programa Cultura2000 da Comissão Europeia e 1 vez o apoio do Programa Interreg Medocc

– a 20 de Janeiro de 2009 e de 2013, o Festival SSSL foi apresentado no Parlamento Europeu em Bruxelas, numa audição especial;

– a 16 de Abril de 2009 recebeu o prestigioso prémio espanhol “Caja Granada” para a Cooperação internacional. O prémio de 50.000€ foi investido na construção de um novo Centrum SSSL na Ribeira Grande, na ilha de Santo Antão em Cabo Verde."

“E agora, José?”, crónica de José Saramago inspirada no poema homônimo de Drummond - Via "CONTI outra"


A presente crónica foi publicada através do site "CONTI outra", e que merece ser assiduamente seguido, não só pela diversidade de temas que aborda, como pelo profissionalismo que apresente.

O texto, pode ser consultado e lido aqui,

(Capa da Editorial Futura, 1973, 1.ª edição)

"Há versos célebres que se transmitem através das idades do homem, como roteiros, bandeiras, cartas de marear, sinais de trânsito, bússolas — ou segredos. Este, que veio ao mundo muito depois de mim, pelas mãos de Carlos Drummond de Andrade, acompanha-me desde que nasci, por um desses misteriosos acasos que fazem do que viveu já, do que vive e do que ainda não vive, um mesmo nó apertado e vertiginoso de tempo sem medida. Considero privilégio meu dispor deste verso, porque me chamo José e muitas vezes na vida me tenho interrogado: «E agora?» Foram aquelas horas em que o mundo escureceu, em que o desânimo se fez muralha, fosso de víboras, em que as mãos ficaram vazias e atónitas. «E agora, José?» Grande, porém, é o poder da poesia para que aconteça, como juro que acontece, que esta pergunta simples aja como um tónico, um golpe de espora, e não seja, como poderia ser, tentação, o começo da interminável ladainha que é a piedade por nós próprios.

Em todo o caso há situações de tal modo absurdas (ou que o pareceriam vinte e quatro horas antes), que não se pode censurar a ninguém um instante de desconforto total, um segundo em que tudo dentro de nós pede socorro, ainda que saibamos que logo a seguir a mola pisada, violentada, se vai distender vibrante e verticalmente armar. Nesse momento veloz tocara-se o fundo do poço.

Mas outros Josés andam pelo mundo, não o esqueçamos nunca. A eles também sucedem casos, desencontros, acidentes, agressões, de que saem às vezes vencedores, às vezes vencidos. Alguns não têm nada nem ninguém a seu favor, e esses são, afinal, os que tornam insignificantes e fúteis as nossas penas. A esses, que chegaram ao limite das forças, acuados a um canto pela matilha, sem coragem para o último ainda que mortal arranco, é que a pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita, como um derradeiro apelo ao orgulho de ser homem: «E agora, José?»

Precisamente um desses casos me mostra que já falei demasiado de mim. Um outro José está diante da mesa onde escrevo. Não tem rosto, é um vulto apenas, uma superfície que treme como uma dor contínua. Sei que se chama José Júnior, sem mais riqueza de apelidos e genealogias, e vive em São Jorge da Beira. É novo, embriaga-se, e tratam-no como se fosse uma espécie de bobo. Divertem-se à sua custa alguns adultos, e as crianças fazem-lhe assuadas, talvez o apedrejem de longe. E se isto não fizeram, empurraram-no com aquela súbita crueldade das crianças, ao mesmo tempo feroz e cobarde, e o José Júnior, perdido de bêbedo, caiu e partiu uma perna, ou talvez não, e foi para o hospital. Mísero corpo, alma pobre, orgulho ausente — «E agora, José?»

Afasto para o lado os meus próprios pesares e raivas diante deste quadro desolado de uma degradação, do gozo infinito que é para os homens esmagarem outros homens, afogá-los deliberadamente, aviltá-los, fazer deles objecto de troça, de irrisão, de chacota — matando sem matar, sob a asa da lei ou perante a sua indiferença. Tudo isto porque o pobre José Júnior é um José Júnior pobre. Tivesse ele bens avultados na terra, conta forte no banco, automóvel à porta — e todos os vícios lhe seriam perdoados. Mas assim, pobre, fraco e bêbedo, que grande fortuna para São Jorge da Beira. Nem todas as terras de Portugal se podem gabar de dispor de um alvo humano para darem livre expansão a ferocidades ocultas.

Escrevo estas palavras a muitos quilómetros de distância, não sei quem é José Júnior, e teria dificuldade em encontrar no mapa São Jorge da Beira. Mas estes nomes apenas designam casos particulares de um fenómeno geral: o desprezo pelo próximo, quando não o ódio, tão constantes ali como aqui mesmo, em toda a parte, uma espécie de loucura epidémica que prefere as vítimas fáceis. Escrevo estas palavras num fim de tarde cor de madrugada com espumas no céu, tendo diante dos olhos uma nesga do Tejo, onde há barcos vagarosos que vão de margem a margem levando pessoas e recados. E tudo isto parece pacífico e harmonioso como os dois pombos que pousam na varanda e sussurram confidencialmente. Ah, esta vida preciosa que vai fugindo, tarde mansa que não será igual amanhã, que não serás, sobretudo, o que agora és.

Entretanto, José Júnior está no hospital, ou saiu já e arrasta a perna coxa pelas ruas frias de São Jorge da Beira. Há uma taberna, o vinho ardente e exterminador, o esquecimento de tudo no fundo da garrafa, como um diamante, a embriaguez vitoriosa enquanto dura. A vida vai voltar ao princípio. Será possível que a vida volte ao princípio? Será possível que os homens matem José Júnior? Será possível?

Cheguei ao fim da crónica, fiz o meu dever. «E agora, José?»

Cronica do livro “A bagagem do viajante”, de 1973.
Edição Caminho, 4.ª edição, página 35 a 37

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Entrega dos prémios do concurso "Quem conta um conto... ao modo de Saramago?!" no Palácio Nacional de Mafra

Hoje é anunciado o prémio do concurso, e pode ser consultado aqui, 
nas páginas do Facebook da Fundação José Saramago e da Revista Blimunda, em:

https://www.facebook.com/revistablimunda?fref=nf
https://www.facebook.com/fjsaramago?fref=ts

"Hoje, às 14h30, entregam-se os Prémios do concurso "Quem conta um conto... ao modo de Saramago?!". A sessão terá lugar no Palácio Nacional de Mafra e é de entrada livre. Aos vencedores, os nossos parabéns, a todos os que concorreram, o nosso obrigado!"


Destaque do "Herald Tribune Latin American" na notícia "João Vilhena Brings Photo Chronicle of Saramago to Chile"

(Imagem de João Vilhena em destaque na notícia) 

A notícia pode ser consultada e lida, aqui
em http://www.laht.com/article.asp?ArticleId=2391039&CategoryId=13003

"SANTIAGO – Fifteen years after traveling to the island of Lanzarote to photograph writer Jose Saramago (1922-2010), artist and photographer João Vilhena returned to retrace the steps he and the Nobel laureate took during their earlier strolls around the isle off the African coast.

“To Jose, Lanzarote was the place that allowed him to think about his work and his way of looking at life, and made it possible for him to reconnect with himself,” Vilhena said in an interview with EFE.

The Portuguese artist’s exhibit, “Lanzarote: Jose Saramago’s Window,” recently opened at the Spain Cultural Center in Santiago.

The show includes 29 photographs from both of Vilhena’s visits to the Spanish island, arranged to provide a visual counterpart to the words of Saramago’s diary of his life there, “Cadernos de Lanzarote.”

Portugal’s most prominent man of letters settled on Lanzarote in 1993 with his second wife, Spanish journalist Pilar del Rio.

Vilhena, whose first visit to Lanzarote in 1998 coincided with the announcement of Saramago’s Nobel Prize in Literature, went back to the volcanic island three years after the writer’s death to capture the echoes of the author’s voice in the untamed landscape that inspired him so much.

“This magic island was an adopted homeland that completely transformed Saramago, not only in the way he lived and communicated, but also in the style of his writing,” Vilhena said.

The intense hues of clouds, the whistling of the wind and the sound of steps on volcanic ground led Saramago into a new, more philosophical phase that produced novels such as “Todos os Nomes” (All the Names), “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness) and “O Homen Duplicado” (The Double).

Far from being solemn and distant, on the island of volcanoes Vilhena found a Saramago who was approachable and of “incommensurable sweetness.”

Lanzarote became a second homeland for Saramago, a silent refuge where he could isolate himself from a world he had often denounced as cynical and cowardly."

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Revista "Blimunda" #25 edição de Junho de 2014... faz um ano e sabe bem sempre recordar...

(Capa da edição #25 Junho de 2014)

Está a terminar o mês de Junho, mês da edição #37, com a publicação de textos inéditos sobre a preparação do "Ensaio sobre a Lucidez", entre outras matérias. Mas para trás, não podemos deixar as anteriores edições da revista. Aqui se recorda o #25, referente a Junho de 2014.

Via Fundação José Saramago, pode ser descarregada e lida, aqui 
em, http://www.josesaramago.org/blimunda-25-junho-2014/

Sinopse da edição
"No mês em que completa dois anos de existência, a Blimunda chega aos seus leitores em duas plataformas. Além da já tradicional publicação em formato digital, esta edição de junho pode ser lida também em papel. Ao disponibilizar a revista também como objeto físico oferece-se aos leitores uma Blimunda diferente, que pode ser manuseada e guardada, ao mesmo tempo que se mantém o compromisso de publicar, de forma gratuita e mensal, uma revista cultural. Para assinalar este segundo aniversário da revista foi produzida uma edição especial que recupera textos publicados desde o seu início, acrescida de um artigo inédito. Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez, Jorge Amado, Clarice Lispector e, claro, José Saramago, são alguns dos personagens que fizeram parte desses dois anos de vida da Blimunda, e esta edição extraordinária da revista tem por objetivo homenageá-los.

A revista em papel está à venda na loja/livraria da Fundação José Saramago, em Lisboa, e, a partir do dia 27 de junho, nas principais livrarias do país. Pode também ser adquirida aqui.

Boa leitura, e até julho, mês em que a Blimunda volta a ser publicada exclusivamente em formato digital e com algumas novidades gráficas.

José Saramago disse várias vezes que o que pedia à vida era tempo. E depois, se o privilégio do tempo lhe fosse concedido, gostaria de reunir-se com leitores de todo o mundo e com eles falar interminavelmente de livros. Faltou-lhe tempo, os 87 anos de vida não foram suficientes para celebrar todos os encontros, mas a fundação que leva o seu nome abre as suas portas todos os dias para que os leitores se reconheçam em títulos e autores diferentes. Esta Blimunda também pretende recordar, uma vez mais, a impressionante estatura daqueles a que chamamos mestres e o nível que alcançamos, os leitores, quando nos aproximamos dos livros. A cultura salva-nos da mediocridade e do desânimo, as revista culturais são pontos de apoio quando a confusão nos aturde."

Entrevista de Pilar del Río à "TV Creadores Universitarios", a propósito da "Prospectiva del mundo México 2015"

Colaboran la UNAM y fundación Saramago
Pilar del Río, viuda del escritor José Saramago, hablan de prospectiva al hablar del futuro para no olvidar el pasado

Aqui o link da entrevista de Pilar del Río à TV Creadores Universitarios
http://noticieros.televisa.com/foro-tv-creadores-universitarios/1506/colaboran-unam-fundacion-saramago/

Entrevista ao "Primero Noticias" Pilar del Río e Amy Zalman CEO 'The World Future Societyb', falam da conferência 'Perspectivas del Mundo'

"En entrevista en Primero Noticias, Pilar del Río, presidenta de la Fundación José Saramago y Amy Zalman de CEO 'The World Future Societyb', hablan del Foro 'Perspectivas del Mundo'"

Aqui o link da entrevista
http://noticieros.televisa.com/programas-primero-noticias/1506/foro-perspectivas-mundo-arrancara-mexico/

No livro/blog "O Caderno 2" Saramago recordava a personalidade de Jorge Sampaio, agora agraciado com o Prémio Nelson Mandela

Notícia de 24/06/2015
"Jorge Sampaio venceu, em conjunto com a ativista natural da Namíbia Helena Ndume, o Prémio Nelson Mandela.
O antigo Presidente da República portuguesa é o responsável pelo programa de receção em Portugal de estudantes sírios. Foi durante seis anos alto-representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, foi enviado especial do secretário-geral da ONU para o combate à tuberculose e já recebeu uma distinção Organização Mundial da Saúde."


(José Saramago e Jorge Sampaio em acto político)

Pode ser consultado e lido, aqui

"Sampaio"
"Gostei de o ver. É o mesmo homem, sóbrio, inteligente, sensível. Há vinte anos estivemos juntos na campanha para as eleições autárquicas que então se iam celebrar e que ganhámos, ele para o exercício inovador e competente da sua função de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, eu para o desempenho pouco afortunado do cargo de presidente de uma Assembleia Municipal de má memória. Calcorreámos corajosamente ruas, praças e mercados de Lisboa pedindo votos, mesmo quando, creio que por pudor, não o fazíamos explicitamente. Como já ficou dito, ganhámos, mas quem ganhou realmente foi a cidade de Lisboa que pôde rever-se com orgulho no seu máximo representante na Câmara. Tivemo-lo depois como presidente da República durante dois mandatos em que deixou a marca de uma personalidade nascida para o diálogo civilizado, para a procura livre de consensos, sem nunca esquecer que a política, ou é serviço da comunidade, serviço leal e coerente, ou acaba por tornar-se em mero instrumento de interesses pessoais e partidários nem sempre limpos. Ficámos de ver-nos com tempo e vagar, promessa mútua que espero ver cabalmente cumprida no futuro, apesar da intensa actividade no projecto da Aliança de Civilizações, de que é Alto Representante. Com Jorge Sampaio não há palavras falsas, podemos fiar-nos no que diz porque é o retrato do que pensa." (5 de Fevereiro de 2009)

"Debaten expertos sobre ciudadanía y democracia a partir de las ideas de Saramago" via "Notícias MVS" México

Mais notícias da conferência mundial "Prospectiva del Mundo" México 2015


Pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.noticiasmvs.com/#!/noticias/debaten-expertos-sobre-ciudadania-y-democracia-a-partir-de-las-ideas-de-saramago-260.html

"Debaten expertos sobre ciudadanía y democracia a partir de las ideas de José Saramago"

"En un debate abierto por la Universidad Nacional Autónoma de México y la World Future Society, el rector de la UNAM, José Narro Robles apuntó que "las asimetrías de nuestro mundo no tienen parangón. Las diferencias son tan grandes que resulta poco probable su existencia... La desigualdad que ahora vive el mundo resulta del rezago de lo social en la acción de los gobiernos y de la concentración de la riqueza en muy pocos individuos."


En un mensaje leído por Enrique Balp, Secretario de servicios a la comunidad UNAM, el Dr. Narro subrayó que los actuales modelos de desarrollo "han provocado una gran desigualdad económica y social que prevalece en todo el mundo, que ha mantenido en la miseria a cientos y cientos de millones de personas, algunos que llegan incluso al grado de carecer de los nutrientes indispensables para subsistir."

Ante científicos, intelectuales, académicos, artistas, periodistas y jóvenes estudiantes reunidos en el encuentro "Prospectiva del Mundo México 2015. El encuentro de pensadores para crear la carta de las obligaciones del ser humano", el Dr. Narro alertó que "lo que aquí se argumentará tiene que ver con el porvenir de la humanidad."

"Necesitamos cambiar de enfoques para imaginarnos un mundo distinto donde el hambre, la ignorancia y las muertes prevenibles no tengan cabida; donde no exista marginación por motivos raciales, religiosos, de género o económicos; donde el planeta Tierra y sus recursos se utilicen de manera racional y se respete; donde nadie quede excluido de los beneficios que generan los grandes adelantos científicos y tecnológicos de nuestra era," señaló.

Frente a Julio A. Millán, creador del encuentro y Pilar del Río, viuda del escritor José Saramago, se recordó la voz del maestro lusitano quien el 10 de diciembre de 1998, en coincidencia con el cincuentenario de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, durante la celebración que se organizó en su honor por el Premio Nobel de Literatura que recibiría al día siguiente, apuntó que “con la misma vehemencia con que reivindicamos los derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo pueda ser un poco mejor".

"Hoy día el llamado de Saramago sigue vigente --recordó el rector Narro en su mensaje-- el concepto de ciudadanía debe ser discutido y reelaborado para avanzar hacia lo que la UNESCO ha denominado la Ciudadanía Mundial. Un mundo global requiere de un ciudadano global."

"Ser ciudadano significa que se tiene un conjunto de derechos, pero también de obligaciones como miembro de una colectividad. Falta ahora, como proponía Saramago, avanzar en una declaración de las obligaciones del ser humano."

Cuando un porcentaje significativo de individuos en el mundo padecen los efectos de la ignorancia, el rezago y la exclusión, apuntó el rector de la UNAM en su mensaje, No hay respuestas simples. Lo cierto es que no podemos seguir sin hacer nada en un mundo donde, como decía Saramago: “Las injusticias se multiplican, las desigualdades se agravan, la ignorancia crece, la miseria se expande”.

Julio A. Millán subrayó que México "si quiere democracia; así lo demostramos en las pasadas elecciones, si fuimos a votar; derrotamos el terrorismo político pero lo que no hemos podido cambiar son las estructuras de las designaciones de quienes nos van a gobernar. Los independientes son simbologías aún muy pequeñas y la partidocracia sigue siendo quien controla el sistema democrático."

Pero, advirtió el experto, "México no debe caer en el cinismo de que aceptamos que la democracia propicie la criminalidad y la falta de un estado de derecho; la democracia tiene que propiciar precisamente el estado de derecho."

Posteriormente, Pliar del Río dio lectura a las ideas de José Saramago sobre "las obligaciones" del ser humano."

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Post intitulado "Laicismo" no livro/blog "O Caderno 2" (4 de Junho de 2009)

No dia em que o escritor Manuel Frias Martins, foi galardoado com o "Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2014", pela obra «A Espiritualidade Clandestina de José Saramago», trago aqui a entrevista de Mário Crespo (SicNotícias) ao Padre Dr. Joaquim Carreira das Neves e José Saramago, a propósito do lançamento da obra "Caim", e também, o post "Laicismo" de 4 de Junho de 2009.

(Pode ser visualizado aqui via YouTube,


O post, pode ser consultado e lido aqui,
em http://caderno.josesaramago.org/44956.html

"Laicismo"
"Anda acesa a questão do laicismo, a meu ver em termos não muito claros, porquanto parece querer ignorar-se a questão fundamental que subjaz ao debate: crer ou não crer na existência de um deus que, não só terá criado o universo e portanto a espécie humana, como virá a ser, no fim dos tempos, o juiz dos nossos cometimentos na terra, premiando as boas acções com a admissão num paraíso em que os eleitos contemplarão a face do Senhor durante toda a eternidade, enquanto, também por toda a eternidade, os culpados de acções más arderão no inextinguível fogo do inferno. Esse juízo final não será fácil, nem para deus nem para os que vão ter de prestar contas, pois não se conhece um único caso de alguém que, em vida, tenha cometido exclusivamente boas acções ou más acções. O próprio do homem é a inconstância nos propósitos e nos actos, sempre a contradizerem-se de uma hora para a outra. No meio de tudo isto, o laicismo aparece-me mais como uma posição política determinada mas prudente que como a emanação de uma convicção profunda da não existência de deus e portanto da impertinência lógica das instituições e dos instrumentos que pretendem impor o contrário à consciência da gente. Discute-se o laicismo porque, no fundo, se teme discutir o ateísmo. O interessante do caso, porém, é que a Igreja Católica, na sua velha tradição de fazer o mal e a caramunha, anda por aí a queixar-se de ser vítima de um suposto laicismo “agressivo”, nova categoria que lhe permite insurgir-se contra o todo fingindo atacar apenas a parte. A duplicidade sempre foi inseparável das tácticas e das estratégias diplomáticas e doutrinais da cúria romana.

Seria de agradecer que a Igreja Católica Apostólica Romana deixasse de meter-se naquilo que não lhe diz respeito, isto é, a vida civil e a vida privada das pessoas. Não devemos, porém, surpreender-nos. À Igreja Católica importa pouco ou nada o destino das almas, o seu objectivo sempre foi controlar os corpos, e o laicismo é a primeira porta por onde começam a escapar-lhe esses corpos, e de caminho os espíritos, já que uns não vão sem os outros aonde quer que seja. A questão do laicismo não passa, portanto, de uma primeira escaramuça. A autêntica confrontação chegará quando finalmente se opuserem crença e descrença, indo esta à luta com o seu verdadeiro nome: ateísmo. O mais são jogos de palavras." (4 de Junho de 2009)

"Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2014" atribuído a Manuel Frias Martins pela obra «A Espiritualidade Clandestina de José Saramago»

O detalhe da notícia pode ser consultada e lida, aqui
em http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=779004

"«Há mais mistérios entre Saramago e Deus do que possamos prever». 
A frase é da investigadora brasileira Selma Ferraz, que José Tolentino Mendonça citou, em Fevereiro último, na crítica que assinou no semanário Expresso ao livro «A Espiritualidade Clandestina de José Saramago». A obra, vista pelo crítico como um «interessantíssimo ensaio», acaba de valer ao autor, Manuel Frias Martins, o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2014."

(Montagem cénica, da obra de Manual Frias Martins, 
conjuntamente, com o "Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "Caim", 
obras abordando a temática de Deus e religão)  


Nesta sua sexta edição, o galardão, promovido em parceria pela Associação Portuguesa de Escritores e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, distinguiu por unanimidade a obra escrita pelo crítico, professor universitário e ensaísta português.

O livro, editado pela Fundação José Saramago, choca com o assumido ateísmo de Saramago, conforme se percebe com uma rápida leitura do prólogo: «(…) as obras de Saramago se dirigem inequivocamente aos interesses e às necessidades práticas dos leitores (…) apontando ao mesmo tempo para a espiritualidade como expressão intensa da verdade.»  

O Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho foi instituído em 2010 e distingue, anualmente, uma obra de ensaio literário, publicada em livro, com o valor monetário de 7.500 euros.

«Trata-se de uma homenagem que pretende perpetuar o grande ensaísta Eduardo Prado Coelho, falecido em 2007, que doou ao nosso município o seu espólio bibliográfico de 12.500 títulos, disponível para consulta na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco», explica a propósito o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha.

O Grande Prémio de Ensaio premiou em 2014, José Gil; em 2013, Rosa Maria Martelo; em 2012, João Barrento; em 2011, Manuel Gusmão e em 2010, Vítor Aguiar. A data da cerimónia de entrega do prémio será divulgada oportunamente.

Sinopse de «A Espiritualidade Clandestina de José Saramago»
Saramago pertence àquele grupo de escritores que parecem ter lido em toda a parte ou vivido em todo o lado, mapeando o humano por sinais identificáveis por todos ao mesmo tempo e decifrados por cada um à sua maneira. Tanto as suas construções ficcionais das atmosferas judaica e cristã como as observações subsidiárias que encontramos dispersas por entrevistas e artigos refletem uma amplitude de referências culturais onde se abriga um extraordinário ecletismo filosófico e religioso ou, dito de outra maneira, um conhecimento amplo do fundo cultural e religioso da humanidade, o qual é não raras vezes encarado como desafio à razão e à imaginação do próprio escritor. Possuidor de um espírito inquieto quando à humana condição e de um coração ávido de justiça, o homem José Saramago é uma espécie de abrigo intelectual de um escritor que mistura criativamente os inúmeros conseguimentos do pensamento humano independentemente da sua proveniência histórica ou geográfica.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Saramago no Festival de Cinema Europeu de Guanajuato (GUCE) - México (Evento ocorrido no início de Junho)

Informação sobre o detalhe do evento aqui
em http://www.guce.ugto.mx/index.php/proyecciones/17-saramago-y-el-cine

Via Instituto Camões (http://www.instituto-camoes.pt/agenda/event?id=4682)
"O cineasta Manoel de Oliveira será homenageado postumamente na 5ª edição do Festival de Cinema Europeu de Guanajuato, que decorrerá entre 1 e 7 de junho de 2015.
José Saramago e o cinema será o tema para outra sessão do certame que tem Portugal como país convidado.
O Camões, I.P. apoia este evento.
Sofia Marques é a cineasta e realizadora portuguesa convidada deste festival onde irá apresentar uma conferência sobre o Cinema Português do Século XXI. Será ainda projetado o seu filme Ilusão.
Consulte aqui o programa: http://www.guce.ugto.mx/"

"Saramago en el cine. Enfoque semiótico
Luis Palacios Hernández / México
2 de junio de 2015, 18:00 hrs.
Galería Hermenegildo Bustos"

"GUANAJUATO CINE EUROPEO"
El Festival de Cine Europeo en Guanajuato (GUCE) es un festival universitario anual realizado en Guanajuato capital, que posibilita el disfrute del cine europeo de calidad y la sinergia entre las industrias cinematográficas de Europa y México. Ofrece realizaciones de cine europeo que han constituido grandes éxitos de crítica y público, han sido premiadas por las academias de cine de sus respectivos países y que representan ejemplos relevantes de la realidad cinematográfica de las naciones europeas.

Además, brinda espacios para el análisis de la realidad cinematográfica europea y mexicana, y posibilita el disfrute de otras manifestaciones culturales a través de su relación con el cine, que proponen vivir intensamente el cine en general y el cine europeo en particular, orientados a reafirmar que el cine, a más de un siglo de existencia, es un fenómeno social y cultural de primer orden.

GUCE celebrará su quinta edición en Guanajuato capital y Campus universitarios del 1 al 7 de junio de 2015, tomando como sedes la escalinata de la Universidad de Guanajuato, el Teatro Principal, el auditorio Euquerio Guerrero, el Mesón de San Antonio, el Museo Iconográfico del Quijote, la sala de cine municipal en la Plaza Juárez, así como diversos espacios universitarios en Campus."

Revista "El Ciervo" - «Aquí yace José Saramago, indignado» Francesc Ponsa (Jul./Agosto 2010)


Recuperação de um texto, da revista "El Ciervo", edição de Julho/Agosto de 2010.
Pode ser consultada e lida, aqui 
em http://www.elciervo.es/index.php/archivo/3078-2010/numero-712-713/834-alias_920

Capa da edição #712/713 (Julho/Agosto de 2010)


«Aquí yace José Saramago, indignado», Francesc Ponsa

"Un amigo me guardaba todas las noticias publicadas en la prensa que hablaban de José Saramago. El día de la muerte del escritor portugués, me vino a la cabeza un recorte de una revista hispanoamericana que mi amigo sacó de un viaje y que citaba una frase del escritor: “Cuando me muera, quiero que pongan en la lápida ‘Aquí yace José Saramago, indignado’. Primero, por estar muerto. Segundo, por no haber hecho todo lo que debía hacer”. Estas palabras muestran el carácter vitalista y inconformista del primer Nobel de las letras portuguesas. Saramago esperaba la muerte pacientemente. Nunca rehuía hablar de ella. Al contrario. De hecho, en dos de sus obras aparece explícitamente en el título: El año de la muerte de Ricardo Reis y Las intermitencias de la muerte. Recuerdo un pasaje de sus Cuadernos de Lanzarote I (1993– 1995) donde reflexionaba sobre la felicidad y el paso del tiempo: “Estar sentado frente al mar. Pensar que ya no quedan muchos años de vida. Comprender que la felicidad es apenas una cuestión personal, que el mundo, ése, no será feliz nunca. Recordar lo que se hizo y parecer tan poco. Decir: ‘Si tuviese más tiempo…’ y encoger los hombros con ironía porque son palabras insensatas. Mirar la piedra volcánica que está en mitad del jardín, bruta, áspera y negra, y pensar que es un buen sitio para no pensar en nada más. Debajo de ella, claro”.
Mi aproximación a la obra de Saramago fue completamente azarosa. Buscando recepciones actuales del mito de la caverna de Platón para mi proyecto de final de carrera topé con la novela La caverna. Hasta ese momento, la única referencia que tenía del escritor portugués era aquella leyenda urbana atribuida a Esperanza Aguirre, en aquel entonces ministra de Educación y Ciencia, que decía así: “Sara Mago, fantástica escritora”.
Cuando empecé a leer La caverna accedí a una literatura diferente que tenía un estilo revolucionario de escritura, sin puntos y aparte, donde la voz del narrador se mezclaba con la de los personajes y con el propio lector. Justo cuando acabé de leer La caverna, Saramago publicó la novela Ensayo sobre la lucidez. Rápidamente la leí. Seguidamente, para comprender la evolución de los personajes, leí Ensayo sobre la ceguera; una historia claustrofóbica pero amargamente bella y sensible. Sin duda, una auténtica obra de arte.
A partir de ese momento, leí otras de sus obras, también de gran calidad, y descubrí que en todas ellas se repetía una dicotomía metafórica entre “ceguera” y “lucidez”. Es decir: entre las sombras de la caverna y la luz de la realidad. Esta constante también la vi en la crítica al capitalismo que Saramago explicitaba en entrevistas, en conferencias y en todo tipo de actos públicos. Aproveché este hallazgo intelectual para situar el estudio de la obra de Saramago en el centro de mi investigación doctoral.
Así fue como me introduje en su particular universo. Leí y leí su prosa, su teatro, su poesía y sus crónicas periodísticas publicadas en el Diario de Lisboa. Analicé sus opiniones en los medios de comunicación. Me entrevisté con otras personas que también estudiaban la obra de Saramago.
Recuerdo una breve estancia en Sevilla para charlar con José Joaquín Parra Bañón, un arquitecto sevillano que acababa de publicar una tesis doctoral sobre el pensamiento arquitectónico del Nobel portugués. Motivado por Parra, meses más tarde emprendía un viaje en coche a Portugal para conocer Azinhaga, el pueblo que vio nacer a Saramago. Lo primero que se ve al llegar a Azinhaga es un gran local del Partido Comunista. Allí comprendí cómo la infancia y los orígenes nutren el compromiso, la literatura y la vida. De hecho, la autobiografía de José Saramago titulada Las pequeñas memorias sólo alcanza hasta los doce años porque el escritor considera que la infancia es la que marca la trayectoria de una persona y todo lo demás es consecuencia de ella. En este sentido, Saramago dijo en diversas ocasiones que el niño que fue es el hombre que es. Por este motivo, nunca ha perdido de vista sus orígenes humildes, como demuestra la frase con la que arrancó el discurso de aceptación del Premio Nobel en 1998: “El hombre más sabio que he conocido en toda mi vida no sabía leer ni escribir”. Se refería a su abuelo, Jerónimo Melrinho; alma y espejo de muchos de los personajes populares de las primeras novelas de Saramago.
A diferencia de su abuelo, Saramago fue a la escuela. Primero en Azinhaga y luego en Lisboa, dónde estudió de cerrajero en una escuela mecánica. Por la noche acudía a una biblioteca para leer a Kafka, Gogol, Marx, Pessoa, Camões. Paradójicamente, no pasó por la universidad pero fue nombrado honoris causa por diferentes instituciones académicas. Su capacidad autodidacta es otra de las características esenciales del Saramago que más admiro. En palabras de Carlos Reis, el “tránsito de la imposibilidad aparente a la posibilidad irrestricta”. Esta posibilidad ilimitada reside hoy, latente, en su obra y en la fundación que lleva su nombre. Esta última trabaja incansablemente a favor de los derechos humanos y en contra de todas las injusticias. Este es el legado de Saramago que nos compromete como lectores y ciudadanos libres. Saramago: intelectual comprometido, autodidacta y comunista militante; descansa en paz bajo esa piedra volcánica."

#cincoanos - Recordação da "Aula José Saramago" - "Cruci-Verba di Azio Corghi - 2012"

"Aula José Saramago" assinalou com esta preciosidade, com adaptação de Azio Corghi, baseado na obra "Evangelho segundo Jesus Cristo"

Pode ser visualizado aqui, em

"per voce recitante, coro e orchestra
Orchestra della Svizzera italiana
diretta da Enrique Mazzola
voce recitante: Sonia Bergamasco"