Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Visita à delegação da Fundação José Saramago na Azinhaga (Golegã)

Delegação de Azinhaga da Fundação José Saramago
Os presentes dados podem ser consultados na página da FJS, aqui

Largo das Divisões
Azinhaga
2150-008 Golegã
azinhaga@josesaramago.org
Tel. ( 351) 249 957 032

Horário de  funcionamento
Horário de Inverno: De 3.ª a sábado, das  10 às 13 horas e das 15 às 18 horas

Horário de Verão: De 3.ª a sábado, das  10 às 13 horas e das 15 às 19 horas
Entrada gratuita

Como chegar à Azinhaga, de carro
1. Na A1, ir pela saída nº 6 em direção a Torres Novas.
2. 1,5km depois, sair em direção Torres Novas / Porto de Mós, entrando na N3.
3. Na N3 seguir as indicações de Torres Novas.
4. Cerca de 4,5km depois, passagem por Póvoa de Santarém.
5. Cerca de 3,5km depois, ir pela saída para Alcanhões, entrando na N365 a seguir até ao destino final.
6. 2km depois, em Alcanhões, virar à esquerda em direção a Golegã.
7. 400m depois, virar à direita em direção a Golegã / Pombalinho / Vale de Figueira.
8. Cerca de 3,5km depois, em Vale Figueira, virar à esquerda em direção a Golegã.
9. 700m depois, virar à direita em direção a Pombalinho / Golegã.
10. Cerca de 7,8km depois, no Pombalinho, virar à direita em direção a Golegã
11. 200m depois, virar à esquerda em direção a Golegã.
12. Cerca de 2km depois, chegada ao destino: Azinhaga.

Tempo estimativo de Lisboa → Azinhaga: cerca de 70 minutos.
How to arrive to Azinhaga by car
1. Take the high-way A1, take exit no. 6 to Torres Novas.
2. 1,5km (0,93206mi) after, take the direction Torres Novas / Porto de Mós, in the main road N3.
3. In N3 follow the direction to Torres Novas.
4. About 4,5km (2,7962mi) after, you’ll find Póvoa de Santarém.
5. About 3,5km (2,1748mi) after, take the exit to Alcanhões, in the side road N365 to be followed till the final destination.
6. 2km (1,2428mi) after, at Alcanhões, turn left to Golegã.
7. 400m (0,248mi) after, turn right to Golegã / Pombalinho / Vale de Figueira.
8. About 3,5km (2,1748mi) after, at Vale Figueira, turn left to Golegã.
9. 700m (0,435mi) after, turn righ to Pombalinho / Golegã.
10. About 7,8km (4,846mi) after, at Pombalinho, turn right to Golegã
11. 200m (0,124mi) after, turn left to Golegã.
12. About 2km (1,2428mi) after, arrival to final destination: Azinhaga.

Estimate time Lisboa → Azinhaga: about 70 minutes.

 

 




















(Créditos fotografias: Helena Mesquita, 24/11/2017)

II Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo (Casa das Campás - Pontevedra, 4 e 5 de dezembro de 2017)

Cartaz alusivo ao evento
"Saramago nos 300 anos do Convento: Comunicação, Arte e Política"

Aqui mais informações via,

"A segunda edição das Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo, organizadas anualmente pela I Cátedra Internacional José Saramago, realiza-se na Casa das Campás, em Pontevedra, nos dias 4 e 5 de dezembro de 2017. 

As atividades destinam-se a especialistas de várias áreas do conhecimento, aos alunos da Universidade de Vigo e ao público em geral. Os estudantes das áreas de Filologia Galega e Portuguesa, Belas-Artes, Ciências Sociais e Comunicação da Universidade de Vigo estão diretamente envolvidos nestas Jornadas: colaboram na organização, apresentam comunicações e participam nos debates. 

Há, portanto, nestas Jornadas, uma aspiração simultaneamente académica, interdisciplinar, didática e de divulgação do pensamento ético e da ação político-cultural de José Saramago. As II Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo dedicam uma atenção especial quer ao tricentenário do Convento de Mafra, quer aos trinta e cinco anos da primeira edição do romance de Saramago Memorial do Convento (1982), mas também aos 30 anos da edição de O Ano de 1993, ilustrada por Graça Morais. Abordam-se também temas relacionados com os videojogos, poesia política, feminismo, arte e cinema, com o propósito de demonstrar o alcance e a pluralidade da obra saramaguiana. 

Estas Jornadas cumprem com o principal objetivo da I Cátedra Internacional José Saramago (CJS) da Universidade de Vigo, que é o estudo e a difusão da obra e do pensamento do autor de Memorial do Convento, Prémio Nobel da Literatura em 1998. Ao mesmo tempo, estas Jornadas centram-se nos três principais eixos da ação universitária que guiam a I Cátedra Internacional José Saramago: ensino, investigação e atividades de extensão. 

As seguintes palavras de José Saramago, ditas em 1987, resumem bem o espírito e o intuito destas II Jornadas José Saramago da Universidade de Vigo, que visam contribuir para a divulgação da obra de Saramago junto do público galego (e não só): 

O ser humano não deve contentar-se com o papel do observador. 
Tem responsabilidade perante o mundo, tem de actuar, intervir

Burghard Baltrusch e Carlos Nogueira 
(Comité executivo da CJS-UVigo)"

Casa das Campás  
Salão em Pontevedra, Espanha
Endereço: Rúa Don Filiberto, 9, 36002 Pontevedra, Espanha
Telefone: +34 986 80 20 80
Província: Pontevedra


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Fliaraxá - Festival Literário de Araxá (Brasil) com enorme destaque para José Saramago


Todas as informações sobre o evento realizado, aqui

"Festival Literário de Araxá

Realizado pelo Ministério da Cultura e Circuito Cultural CBMM, por intermédio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o Fliaraxá – Festival Literário de Araxá – chega à 6ª edição em 2017. Focado no tema: “Língua, Leitura e Utopia”, o Festival traz para o circuito mineiro de literatura vários autores de renome nacional e internacional, inclusive escritores da literatura lusófona, para discutir leitura, literatura e educação para crianças, jovens e adultos.

Para 2017, o Fliaraxá mantém o objetivo de contemplar uma programação que espelhe a vocação cultural e artística dos araxaenses, despertando em crianças e jovens o interesse pelos livros e o prazer pela leitura. O evento conta com oficinas, lançamento de livros, sessão de autógrafos, teatro, painéis, saraus, contação de histórias, música, exposição e a grande novidade: o “Diálogos em Espiral”, que pretende desconstruir o velho modelo de debates e mesas, onde o público interage com os autores com mais dinamismo.
O 6º Festival Literário de Araxá acontece de 15 a 19 de novembro de 2017."



"SARAMAGO O patrono desta edição será o português José Saramago (in memoriam), Prêmio Nobel de Literatura em 1998. “Teremos uma exposição do livro O lagarto, do Saramago, ilustrada pelo gravurista e cordelista pernambucano J. Borges. Ela faz parte da mostra Saramago Criança, projeto educativo que está sendo produzido pela comunidade estudantil de Araxá”, diz Borges, observando que “essa programação com escolas da cidade e voltada ao público infantojuvenil faz parte do Fliaraxá desde o começo e contribuiu bastante para a formação de leitores”."

Aqui nota de notícia, em


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"Dias do Desassossego'17 16-30 Nov. - Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

Cartaz de apresentação da edição 2017

Apresentação da edição dos Dias do Desassossego, via Fundação José Saramago aqui,

"Duas datas, duas casas, dois escritores: de 16 e 30 de Novembro, a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago novamente juntam forças e programam em conjunto mais uma edição dos Dias do Desassossego.

O programa, que arranca na quinta-feira 16 de novembro, aniversário de José Saramago, com uma performance de André e. Teodósio/Teatro Praga, Rafael Esteves Martins e Ana Ribeiro comemorativa dos 35 anos do Memorial do Convento, encerra-se a 30 de novembro com um espetáculo inédito de Ana Deus e Luca Argel concebido especialmente para assinalar os 82 anos da morte do poeta e os 24 anos de existência da Casa Fernando Pessoa.

Pelo caminho, durante duas semanas, os Dias do Desassossego estarão pelas ruas, teatros, casas e muros da cidade de Lisboa. Leituras, conversas, música, oficinas, passeios literários e arte urbana unem as duas casas de escritores numa iniciativa que parte dos livros, da leitura e os seus efeitos, para promover encontros.

A programação completa destes Dias do Desassossego’17 pode ser consultada abaixo e também no site www.diasdodesassossego.org. "






domingo, 8 de outubro de 2017

"José Saramago: um humanista por acaso escritor" o filme documentário

Pode ser recuperado e visualizado via YouTube, aqui

"filme-homenagem que busca olhar o mundo pelas lentes desassossegadas de josé saramago. documentário que revive o redemoinho de sensações, palavras e lembranças deixadas em quem o sentiu por perto. um humanista, que usou os microfones de um escritor, para gritar sobre o nosso mundo."

Na passagem dos 19 anos do anúncio da atribuição do prémio Nobel

https://www.youtube.com/watch?v=7_vKuX0_jk0

Faz 19 anos que a Real Academia sueca que atribui o prémio Nobel em diversas áreas, 
agraciava José Saramago com mais alto galardão da literatura. 
No anúncio do prémio Nobel da Literatura de 1998 foram apresentadas as palavras de reconhecimento da obra publicada até essa altura.
(...) "que através de parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia, nos permite apreender continuamente uma realidade ilusória."

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Aquisições de última hora

Suplemento do jornal Público Mil Folhas de 17/11/2006 
"Saramago memórias da infância e juventude"

Público de 19/06/2010 
"Saramago Memorial de um país"

Sobre o seu livro de memórias a Adelino Gomes

(...) "Eu considero que, se não somos a criança que fomos, 
pelo menos a criança que fomos gerou a pessoa que somos." (...)
Entrevista de Adelino Gomes a José Saramago (17.11.2006 - Mil Folhas)

Revista Blimunda - Edição #64 Setembro de 2017

Capa da edição #64

A presente edição pode ser descarregada gratuitamente aqui

"A Blimunda deste mês inaugura uma nova rubrica. Joana Simões Piedade abordará a questão dos direitos humanos nesse novo espaço. Na primeira colaboração a jornalista e ativista portuguesa conta, através de relatos dos que passaram por situações limite, a sua experiência como voluntária num campo de refugiados.
Uma das mais antigas feiras portuguesas, a Feira da Luz atrai há séculos comerciantes e visitantes ao bairro de lisboeta de Benfica. A revista esteve lá e conta o que viu.
Para que serve uma biblioteca? Mais do que administrar um acervo, uma biblioteca pode ter múltiplas valências que devem ser pensadas a partir do seus utilizadores. É esse o tema abordado no nosso espaço destinado à literatura infantil e juvenil.
A secção Saramaguiana recupera uma entrevista de José Saramago ao extinto jornal grego Eleftherotypia, em 1998. “Todos os escritores são autodidatas”, disse o escritor umas semanas depois de ganhar o Prémio Nobel. Palavras que, por fim, são dadas a conhecer em português.

Boas leituras e bom outono!"

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O "meu espólio" Saramaguiano



O "meu espólio" Saramaguiano

“O caos é uma ordem por decifrar” do Livro dos Contrários

Bibliografia do Autor
Caderno manuscrito de “A Jangada de Pedra” – Notas sob o punho de José Saramago
Discursos de Estocolmo – Fundação José Saramago
A Caverna (Caminho – 2000)
A Estátua e a Pedra (Fundação José Saramago – 2013)
Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas (Porto Editora – 2014)
Caim (Caminho – 2009)
O Caderno (Caminho – 2.ª edição 2009
O Caderno 2 (Caminho – 2010)
A Viagem do Elefante (Caminho – 2.ª edição 2008)
As Pequenas Memórias (Caminho – 2006)
As Intermitências da Morte (Caminho – 2005)
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido (Caminho – 2005)
Ensaio sobre a Lucidez (Caminho – 2004)
O Homem Duplicado (Caminho – 2002)
Folhas Políticas 1976-1998 (Caminho – 1999) Autografado em 09/12/1999 por José Saramago
O Conto da Ilha Desconhecida (Caminho – 4.ª edição 2010)
Todos os Nomes (Caminho – 1997)
Cadernos de Lanzarote I (Caminho – 1994)
Cadernos de Lanzarote II (Caminho – 1995)
Cadernos de Lanzarote III (Caminho – 1996)
Cadernos de Lanzarote IV (Caminho – 1997)
Cadernos de Lanzarote V (Caminho – 1998)
Ensaio sobre a Cegueira (Caminho – 1995)
In Nomine Dei (Caminho – 3.ª edição 1994)
O Evangelho segundo Jesus Cristo (Caminho – 1991)
História do Cerco de Lisboa (Caminho – 2.ª edição 1995)
A Segunda Vida de Francisco de Assis (Caminho – 1987)
A Jangada de Pedra (Caminho – 6.ª edição 1994)
A Maior Flor do Mundo (Caminho – 3.ª edição 2005)
O Silêncio da Água (Caminho – 2011)
O Ano da Morte de Ricardo Reis (Caminho – 11.ª edição 1995)
Memorial do Convento (Caminho – 20.ª edição 1990)
Viagem a Portugal (Caminho – 11.ª edição 1995)
Que Farei com Este Livro? (Caminho – 2.ª edição 1988) Autografado em 17/05/1998 por José Saramago
Levantado do Chão (Caminho – 10.ª edição 1994)
A Noite (Caminho – 2.ª edição 1987)
Objecto Quase (Moraes editores – 1978)
Manual de Pintura e Caligrafia (Caminho – 4.ª edição 1993)
Apontamentos (Caminho – 2.ª edição 1990)
O Ano de 1993 (Caminho – 3.ª edição 2007)
A Bagagem do Viajante (Caminho – 4.ª edição 1997) Autografado em 17/05/1998 por José Saramago
Deste Mundo e do Outro (Caminho – 3.ª edição 1986)
Provavelmente Alegria (Caminho – 3.ª edição 1987) Autografado em 17/05/1998 por José Saramago
Terra do Pecado (Caminho – 1997)
Claraboia (Caminho – 2011)
Discurso Honoris Causa Universidade de Évora (1999)
Crónica "A guerra do desprezo" (1999)
Os Poemas Possíveis (Porto Editora - 8.ª edição 2014)
Viagem a Portugal (Edição com Fotografias - Caminho - 1990)
Os Apontamentos (inclui "As opiniões que o DL teve" - Porto Editora - 4.ª edição 2014)
As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz (Concerto de Joseph Haydan 2011)
Este mundo da injustiça globalizada - Texto lido no Fórum Social Mundial de Porto Alegre / Brasil (2002)
Ensaio sobre a Cegueira - Arquitetura de um romance (Porto Editora e Fundação José Saramago - 2015)
Moby Dick em Lisboa - (Expo98 - 1996)

Livros referentes à temática "Saramaguiana"
- Democracia e Universidade – Ensaio (Fundação José Saramago e ed.ufpa – 2013)
- Chamo-me… José Saramago – Infantil - Cidália Fernandes (Didáctica Editora – 2010)
- Conversas com José Saramago – Entrevistas – José Carlos de Vasconcelos (JL – 2010)
José Saramago da Cegueira à Lucidez – António José Borges (Zéfiro – 2010)
- José Saramago Nas suas Palavras – Fernando Gómez Aguillera (Caminho – 2010)
- Correspondência 1959-1971 José Saramago | José Rodrigues Miguéis (Caminho 2010)
- Lanzarote A Janela de Saramago – João Vilhena (Porto Editora – 2014)
- Biografia de José Saramago – João Marques Lopes (Guerra e Paz – 2011)
- José e Pilar Conversas Inéditas – Miguel Gonçalves Mendes (Quetzal – 2011)
- Saramago: A Consistência dos Sonhos – Fernando Gómez Aguilera (Caminho - 2008)
- Revista de Estudos Saramaguianos - (Patuá Editora – Novembro 2014)
- Revista de Estudos Saramaguianos N.º 2 - (Patuá Editora – Julho 2015)
- Revista de Estudos Saramaguianos N.º 3 - (Patuá Editora – Janeiro 2016)
- Revista de Estudos Saramaguianos N.º 4 - (Patuá Editora – Julho 2016)
- Revista de Estudos Saramaguianos N.º 5 - (Patuá Editora – Janeiro 2017)
- Revista de Estudos Saramaguianos N.º 6 - (Patuá Editora – Agosto 2017)
- Dicionário de Personagens da Obra de José Saramago – Salma Ferraz (Edifurb – 2012)
- Colóquio Letras, n.º 151/152 (01-06/1999) – José Saramago o Ano de 1998
- Palavras para Saramago – (Caminho e Fundação José Saramago – 2011)
- A Viagem do Elefante Banda Desenhada – João Amaral (Porto Editora – 2014)
- Uma Longa Viagem com José Saramago – João Céu e Silva (Porto Editora – 2009)
- "Apontamentos sobre a cidade saramaguiana" - Horácio Costa (Universidade de São Paulo)
- José Saramago e a tradição do romance histórico em Portugal - Horácio Costa (Revista USP, São Paulo, dez./fev. 1998/99)
- Lucerna, n.º 0, (04/2014) Versão digital impressa – dará lugar a “Blimunda” no n.º 1
- "Um ensaio itinerante para ler José Saramago - paisagens", de Pedro Fernandes
- Caderno-revista de poesia (07/2011) "Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago"
- Caderno-revista de poesia (07/2011) Encarte "Um ensaio itinerante para ler José Saramago, paisagens"
- A Espiritualidade Clandestina de José Saramago - Manuel Frias Martins (Fundação José Saramago)
- Retratos para a Construção do Feminino na Prosa de José Saramago - Pedro Fernandes (Editora Appris)
- O essencial sobre José Saramago - Maria Alzira Seixo (INCM)
- Diálogos com José Saramago - Carlos Reis (Porto Editora, 2015 reedição do original de 1998, via Caminho)
- José Saramago A luz e o Sombreado - Fernando Venâncio (Campo das Letras, 2000)
- A Viagem do Elefante por Viseu Dão Lafões (2014)
- "José Saramago El viaje del elefante - diseño e ilustraciones de Manuel Estrada" - Alfaguara 2010 (Tradução de Pilar del Río)
- "O outro lado da personagem: a (re)criação de Blimunda" - Ana Paula Arnaut UC
- "Novos rumos na ficção de José Saramago: os romances fábula (As Intermitências da Morte, A Viagem do Elefante, Caim) - Ana Paula Arnaut UC
- "José Saramago e o romance como ensaio" - Carlos Reis
- "Figuração da personagem: a ficção meta-historiográfica de José Saramago" - Carlos Reis UC
- "Romance e História depois da revolução: José Saramago e a ficção portuguesa contemporânea" Carlos Reis UC
- "José Saramago: Singularidades de uma morte plural" - Ana Paula Arnaut UC
- "Todos os Nomes: José Saramago e a poesia lírica" - Maria Irene Ramalho UC
- "Nas margens do tempo e do espaço: onde pa(i)ram as utopias?" - Ana Paula Arnaut UC
- "José Saramago - Apresentação geral da obra" - José Ornelas (University of Massachusetts)
- "José Saramago: Tudo, provavelmente são ficções; mas a literatura é Vida" - Eula Pinheiro - Editora Musa (2012)
- "José Saramago e a tradição do romance histórico em Portugal" - Horácio Costa (1996)
- "Lugares de Ficção em José Saramago" - Maria Alzira Seixo - INCM (1999)
- "Blimunda" Libreto da ópera do Teatro Nacional de São Carlos (1991)
- "La Caverna de José Saramago: Uma Imagem Dialéctica" - Miguel Koleff (EDUCC de puño y letra #21 - 2013)
- "José Saramago: O Amor Possível" - Juan Arias (Manati - 2003)
- Agenda 2016 "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam" (Fundação José Saramago - 2015)
- Colóquio Letras #88 - Novembro de 1985 (edição Homenagem a Fernando Pessoa) - Texto de Luís de Sousa Rebelo "José Saramago: O Ano da Morte de Ricardo Reis", páginas 144 a 148
- Colóquio Letras #120 - Abril/Junho de 1991 (História, Ficção, Tradução e outras Interpretações) - Texto de Helena kaufman "A metaficção historiográfica de José Saramago", páginas 124 a 136
- Escrita e Combate -Textos de Escritores Comunistas - Edições Avante 1976 - Conto de José Saramago "O Embargo", páginas 217 a 228
- "Vontades Uma leitura de Memorial do Convento" de José Santa-Bárbara (Caminho, 2.ª edição - 2013)
- "Aprende, aprende o meu corpo. Sobre o amor na obra de José Saramago" de Óscar Aranda (Fundação José Saramago, 2015)
- "Ler Saramago: O Romance" de Beatriz Berrini (Caminho, 1998)
- "Pensamento Arquitectónico na Obra de José Saramago: Acerca da arquitectura da Casa" de José Joaquín Parra Bañón (Caminho, 2004)
- "José Saramago O Período Formativo" de Horácio Costa (Caminho, 1997)
- Agenda 2017 "Dificílimo ato é o de escrever, responsabilidade das maiores" (Fundação José Saramago - 2016)
- "José Saramago e o Alentejo: entre o real e a ficção" de Maria Graciete Besse (casa do sul - 2008)
- "A Paixão Segundo José Saramago" de Conceição Madruga (Campo das Letras - 1998)
- Tese de doutoramento de Maria de Fátima Faria Roque "Saramago: Escrever, Interromper" (Maio 2016)
- "O Ano da Morte de Ricardo Reis - Educação Literária / Leituras Orientadas 12.º ano" do Prof. Carlos Reis (2017 - Porto Editora)
- "José Saramago entre a história e a ficção: uma saga de portugueses" de Teresa Cristina Cerdeira da Silva (1989 - Publicações Dom Quixote)
- "Jorge Amado José Saramago Com o mar por o meio Uma amizade em cartas" (2017 - Companhia das Letras Brasil - Fundação José Saramago e Fundação Casa de Jorge Amado)
- "José Saramago Aproximação a Um Retrato" de Baptista-Bastos (1996 - Publicações Dom Quixote)
- "José Saramago Uma voz contra o silêncio" na entrega do Prémio Nobel da Literatura 1998 (Caminho - ICEP - MC - IPLB)

Revistas e Jornais
A Bola Magazine, n.º 138 – 11/1998 – Entrevista “Vamos lá falar de futebol”
Actual Expresso, n.º 1965 – (26/06/2010) – Reportagem
Actual Expresso, n.º 2014 – (03/06/2011) – Entrevista a Pilar del Río
Actual Expresso, n.º 2187 – (27/09/2014) – Reportagem sobre o inédito “Alabardas Alabardas”
Actual Expresso, recorte (20/04/2013) – “Um movimento de escavação”
Actual expresso, recorte (30/08/2014) – Lídia Jorge em análise a “Alabardas Alabardas…”
Actual Expresso, recorte, (30/12/2010) – “O Ano da Morte de José Saramago” de J. Mário Silva
Actual Expresso, recorte, (não datado) – Cartaz promoção do filme “José e Pilar”
Blimunda, Edição Impressa Junho 2014 (autografada por Pilar del Río)
Camões Revista de Letras, n.º 3 – (1998) – Estudo sobre Saramago
Caras, recorte (não datado) – Reportagem no lançamento de “A Claraboia”
Courrier Internacional, n.º 127 – (07/09/2007) – Reportagem no “The New York Times”
DN, (16/11/2012) – Ensaio Inédito – “Verdade e Ilusão Democrática”
DN, n.º 51.572 – (19/06/2010) – Reportagem
DN, n.º 51.574 – (21/06/2010) – Reportagem
DN, n.º 51.622 – (08/08/2010) – Entrevista a Pilar del Río
DN, recorte, 12/11/2014 – João Amaral e “A Viagem do Elefante” em BD
Expresso - Grandes Entrevistas da História, n.º 6 (1991-2006) Entrevista de Clara Ferreira Alves em (2/11/1991)
Expresso, recorte (não datado) – Inês Pedrosa “A aliança”
Fnac, recorte (não datado) – Entrevista a Pilar del Río, lançamento de “A Claraboia”
JL / Visão, 19/06/2010 – Edição conjunta – Número especial
Jornal de Letras, n.º 1000 – (28/01/2009) - Edição comemorativa – Crónica “Esperança”
Jornal de Letras, n.º 1073 – (16/11/2011) – “José e Pilar – Saramago continua”
Jornal de Letras, n.º 1147 – (17/09/2014) - Reportagem sobre o inédito “Alabardas Alabardas”
Jornal de Letras, nº 1037 – (30/06/2010) - Reportagem
Jornal de Letras, nº 704 – (08/10/1997) – Reportagem “Portugal em Frankfurt”
Jornal de Letras, nº 800 – (30/05/2001) – “Harold Bloom em Portugal com Saramago”
Jornal de Letras, nº 841 – (24/12/2002) – Crónica de Carlos Reis
Jornal de Letras, nº 1170 – (05/08/2015) – O Romance Histórico - Texto "História e Ficção"
LIV do Jornal I, recorte (10/04/2014) – Reportagem “Estrada fora na Lanzarote de Saramago”
LIV do Jornal I, recorte (16/10/2010) – Entrevista a Pilar del Río
Notícias Magazine, n.º 1039 – 22/04/2012 – “Pilar sem Saramago”
Playboy Portugal, n.º 16 – 07/2010 – Entrevista de Humberto Werneck”
Público Suplemento P2, (26/06/2010) – Reportagem
Público, n.º 7380 (19/06/2010) – Reportagem
Público, n.º 7381 (20/06/2010) – Reportagem
Público, recorte (26/06/2010) – Notícia de Isabel Coutinho
Revista Caras, recorte, 04/03/2012 – Entrevista a Pilar del Río
Revista DN (150 anos), n.º 4 - "José Saramago - O Verão Quente do Diário de Notícias"
Revista Expresso "100 Portugueses 4.º Volume" - de Luísa Mellid-Franco "José Saramago - A serenidade do conhecimento das coisas"
Revista Expresso Única, n.º 1818 – 1/09/2007 – “Pilar de Saramago”
Revista Expresso Única, n.º 1876 – 11/10/2008 – “Pilar del Río entrevista José Saramago”
Revista Expresso, n.º 1355 – 17/10/1998 – Diversos “Prémio Nobel 1998)
Revista Flash, recorte (??/11/2010) – Entrevista a Pilar del Río
Revista Ler, n.º 6 - Primavera 1989 - "José Saramago: um novo livro" - entrevista de Francisco José Viegas
Revista Ler, n.º 16 - Outono 1991 - "O Evangelho segundo José Saramago"
Revista Ler, n.º 38 - Primavera/Verão 1997 - "José Saramago escreve sobre a ideia de autor"
Revista Ler, n.º 43 - 1.º Edição Verão/Outono 1998
Revista Ler, n.º 44 - Inverno 1998 - "As notas escritas de José Saramago"
Revista Ler, n.º 70 – 06/1998 – “O Nobel é uma invenção diabólica”
Revista Ler, n.º 74 - Novembro de 2010 - Sobre o lançamento de "A Viagem do Elefante"
Revista Ler, n.º 93 – 07/08 2010 – “O autor está no livro todo”
Revista Ler, n.º 108 - 12/2010 - "José Saramago: o primeiro pilar da catedral" e "Miguel Gonçalves Mendes"
Revista Tabu, n.º 84 – 19/04/2008 – “José Saramago Sou um sentimental”
Revista VIP, recorte (??/06/2011) – Reportagem “Um ano sem Saramago”
Sábado, n.º 321 – 24/06/2010 – Número especial
Todos os Nomes do Homem Duplicado ou o Caos é uma Ordem por Decifrar de Eula Carvalho Pinheiro
Vértice, n.º 14, II Série, 05/1989 - Entrevista com José Saramago (diálogo com Manuel Gusmão)
Vértice, n.º 168, II Série, 07-09/2013 – Estudo e Projecto “Oficina Saramago”
Vida Mundial, n.º 10 (11/1998) - Linguagem e História segundo José Saramago de Manual Gusmão
Café com Letras, n.º 1 (04/2016) - "Saramago e a literatura como resistência" de João Céu e Silva
Caderno Vermelho, n.º 18 (09/2010) Revista do Sector Intelectual de Lisboa do PCP (Especial sobre José Saramago)
Saramago "A obra mais próxima que nunca" - Porto Editora para a Feira do Livro de Lisboa 2016
"o escritor" Revista da APE Associação Portuguesa de Escritores - n.º 11/12 (Dezembro de 1998)
Diário de Notícias (02/01/2017) - Pilar del Río "O Convento de Mafra está habitado pelo espírito de Saramago"
"Fugas" do "Público" (18/06/2016) - Anabela Mota Ribeiro "Lanzarote A casa que Saramago quis que fosse feita de Livros"
Entrevista a Pilar del Río "José foi uma maldição" (Expresso, Abril 2017)

DVD (Filmes) / CD
CD - “Nesta Esquina do Tempo” de Luis Pastor – Sony 2006
DVD - “José e Pilar” de Miguel Gonçalves Mendes – Filme Documentário 2010
DVD – “Ensaio sobre a Cegueira” de Fernando Meirelles 2009
“Homem Duplicado” em versão não original
“La Balsa de Piedra” em versão não original
CD - "As Canções Possíveis" de Manuel Freira - Ovação 1999
CD Duplo "Divara - Wasser und Blut" de Azio Corghi (Marco Polo - 1994)
CD - "Levantei-me do Chão" de Carlos Marques e Projecto Rise Up

Prospectos e outros artefactos
Peça de Teatro “Quem quer ser Saramago” – Andante Associação Artística – (7/11/2014)
Percurso Literário “O Ano da Morte de Ricardo Reis” - 2013
Moeda Comemorativa Escritores Europeus – José Saramago (moeda de prata, 2,50€)
Fundação José Saramago “A Semente e os frutos” – Texto sobre exposição permanente
Fundação José Saramago – Casa dos Bicos
Dia José Saramago – Centro Cultural de Belém – Homenagem (26/09/2008)
Peça de teatro “Memorial do Convento de José Saramago” Teatro da Trindade (20/05/1999)
“José Saramago – A Consistência dos Sonhos”
“Nobel Priset – Memorandum on the Nobel week 1998”
"Palavras para uma cidade" - José Saramago (folha solta para leitura e acompanhamento do vídeo)
"Carta para Josefa, minha avó" Postal Flyer
"Discurso de Estocolmo" - Fundação José Saramago
"Contar os anos pelos dedos e encontrar a mão cheia" - Fundação José Saramago
"Levantei-me do Chão" de Carlos Marques e Projecto Rise Up - Flyer autografado
Ofertas várias assinalando a doação do espólio à BN (10/12/2016)
"Memorial do Convento - Baltasar and Blimunda - José Saramago" Flyer da exposição Palácio Nacional de Mafra
"Lanzarote A Janela de Saramago" Exposição de fotografia de João Francisco Vilhena (Casa da Avenida - Setúbal, Maio 2017)
Quadro "A Existência da Memória" pintura acrílica de Minela Reis (2015)
Quadro baseado em "A Viagem do Elefante" pintura em aguarela de João Amaral (2016)
Quadro "Saramago" pintura acrílica de Isa Silva (réplica n.º 6, de 2013 - Projecto Square Faces)
Quadro baseado em "A Maior Flor do Mundo" pintura em aguarela de João Amaral (2017)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

'Precisamos de ideias dos intelectuais para a sociedade', diz Pilar del Río na Flip (via Estadão 27/07/2017)

A notícia foi publicada por Guilherme Sobota - "O Estado de S. Paulo" em 27 Julho 2017 e pode ser recuperada aqui

"Pilar del Río em Paraty, nesta quinta-feira, 27 
Foto: Guilherme Sobota/Estadão"

"Jornalista espanhola e presidente da Fundação José Saramago ainda ironizou que os pensadores capazes não podem ficar especulando sobre o 'gerúndio'"

"PARATY - Conhecida também por sua postura firma na defesa dos direitos humanos frente à Fundação José Saramago, a jornalista espanhola Pilar del Río cobrou, em coletiva de imprensa na Flip, de pensadores e intelectuais ideias para que a sociedade global consiga sair das crises em que se meteu. “De quem virão as ideias? Dos partidos políticos? Não, precisamos das universidades, dos pensadores, criadores, intelectuais, dos aristocratas da sociedade, que não são os que têm dinheiro, mas o que têm ideias”, comentou. "Os intelectuais capazes disso não podem ficar pensando no 'gerúndio'", ironizou.

Pilar falou a jornalistas na manhã desta quinta-feira, 27. Ela participa de uma mesa na programação oficial nesta sexta-feira, 28, às 17h15, com mediação do escritor Alexandre Vidal Porto.

Ela falou também sobre o trabalho da Fundação José Saramago. “Há milhões de seres humanos que são excluídos do presente e do futuro, e talvez tenha sido nós (pensadores e intelectuais) que permitimos que isso tenha acontecido. Talvez não tenhamos cumprido com nossa obrigação quanto ao futuro.” A Fundação tem um trabalho permanente de resgate da Declaração Universal de Deveres Humanos, proposta formulada por Saramago para o discurso do Prêmio Nobel, em 1998.

Pilar está em Paraty também por conta da parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado. Um livro, Jorge Amado e José Saramago - Com o Mar Por Meio, com a troca de cartas entre os dois foi lançado e uma Casa em Paraty foi montada para receber programação e celebrar a obra de ambos. “Fico muito feliz que esses dois autores, conhecidos por seu respeito à diversidade e às mulheres, tenham sido incluídos na programação institucional dessa Flip que relembra Lima Barreto”, comentou."


sábado, 22 de julho de 2017

"José Saramago e suas personagens" de Adelto Gonçalves (Mundo Lusíada, 22/07/2017)

Recuperação da obra de Salma Ferraz - "Dicionário de personagens da obra de José Saramago"

Texto de Adelto Gonçalves (Mundo Lusíada, 20 julho 2017), pode ser recuperado aqui
em http://www.mundolusiada.com.br/artigos/jose-saramago-e-suas-personagens-por-adelto-goncalves/

"I
Um levantamento de 354 protagonistas e figurantes – praticamente, todos – que perpassam os romances e peças teatrais do Prêmio Nobel de Literatura de 1998 é o que o leitor vai encontrar em Dicionário de Personagens da Obra de José Saramago (Blumenau-SC: Editora da Fundação Universidade Regional de Blumenau – EdiFurb, 2012), da professora Salma Ferraz, resultado de uma pesquisa que durou mais de 15 anos e contou com a colaboração de mais de oito dezenas de seus alunos.

Obra aberta, sem a pretensão de se tornar definitiva ou completa, o livro, além de homenagear Saramago, segundo a autora, tem o objetivo de não só catalogar a imensa galeria de personagens saramaguianos como abrir um debate e até mesmo aceitar novos verbetes para uma futura segunda edição. Mas, desde já, constitui, sem dúvida, leitura indispensável aos amantes da boa literatura de Saramago.

Da pesquisa, ficaram de fora os contos e crônicas da primeira fase de Saramago, ainda que o romance Terra do Pecado (1947), também da época inicial da trajetória do autor, tenha sido igualmente analisado. Exceção foi aberta para O Conto da Ilha desconhecida (1997), que faz parte da fase madura do escritor. Já o romance Claraboia, embora escrito em 1953, e, portanto, da primeira fase, mas publicado em 2011 pela editora Companhia das Letras, de São Paulo, não foi incluído na pesquisa por se tratar de publicação post mortem.

Como esclarece na apresentação que escreveu para sua própria obra, a autora incluiu ainda determinados lugares que aparecem em alguns dos romances, já que “transcendem o papel de mero local em que os fatos acontecem e chegam a comportar-se como personagens importantes para o desenvolvimento do enredo”. A título de exemplo, pode-se citar o “Centro” (shopping) de A Caverna (2000), a “Conservatória Geral” e “Cemitério Geral” de Todos os Nomes (1997), o “quarto da morte” de As Intermitências da Morte (2005) e o “deserto” de Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991). Personificações como “morte” e “gadanha” de As Intermitências da Morte e instituições como “máphia” e “governo” do mesmo romance também ganharam verbetes.

Até mesmo personagens que fogem à condição humana foram contemplados, como os cães “Achado”, “Ardent”, “Tomarctus” e “Cão das Lágrimas”, que na obra de Saramago tantas vezes apresentam sentimentos e reações que nem sempre são encontrados com facilidade em homens e mulheres. Sem contar o “Elefante”, que seria a personagem principal do conto A Viagem do Elefante (2008).

II
Uma das personagens mais fascinantes dessa extensa galeria, na verdade, não saiu da cabeça de Saramago, mas do poeta Fernando Pessoa (1888-1935). Trata-se de Ricardo Reis, protagonista de O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), heterônimo pessoano, cuja “morte” foi deixada em aberto por seu idealizador. No romance de Saramago, porém, Reis tem 48 anos de idade, é solteiro, natural do Porto, graduado em medicina, vive no Rio de Janeiro auto-exilado e recebe de seu segundo criador, como diz Salma, “uma segunda vida fictícia, uma vida em trânsito, uma vida em suspenso”. Ou seja, o romancista recria um Ricardo Reis “que nunca existiu”, que acaba por se tornar, isso sim, um heterônimo saramaguiano.

“O romancista brinca com essa personagem, pois através dela transgride os limites entre realidade e ficção”, diz a dicionarista. E acrescenta: “Saramago faz com que Ricardo Reis perca características heteronímicas básicas, sendo esse o motivo pelo qual Pessoa aparece na obra para cobrá-lo. Isso o perturba, pois seu heterônimo não se envolvia com nada, vivia uma ataraxia. Reis se mantém contemplativo até a última página do livro e como um morto-vivo, ou vivo-morto, não consegue se libertar do seu criador”. Para quem não sabe, ataraxia quer dizer apatia ou ausência de paixão ou ainda ausência de inquietude.

Outra personagem fascinante – e memorável – da obra saramaguiana é Raimundo Benvindo Silva, protagonista de História do Cerco de Lisboa (1989), revisor de textos de uma editora, homem sóbrio e tímido, cinquentão, de vida sedentária, solteiro e distante de seus parentes, que, um dia, acha de transgredir as normas de seu ofício, ao colocar um não que adultera uma obra séria que trata da tomada de Lisboa no ano de 1147, na qual os portugueses teriam contado com a ajuda dos cruzados para expulsar os mouros. O livro é impresso com o erro e, quando descoberta a fraude, a editora é obrigada a anexar uma errata a cada exemplar. Com isso, o olho da rua começa a piscar para o pacato e sério revisor, responsável pelo mal-estar c riado entre os donos da editora e o autor da obra.

O episódio serve para Raimundo Silva aproximar-se de Maria Sara, sua nova supervisora na editora, também objeto de verbete nesta obra. A partir daí, sua vida começa a ganhar novas cores, como diz Salma Ferraz: “Ter colocado este não no texto que revisava foi o feito mais importante de sua vida, pois a partir desse momento delineiam-se dois fatos importantes que mudarão completamente sua vida: passa a reescrever, agora como autor, a nova História do Cerco de Lisboa, e passa a viver um cerco amoroso, envolvendo-se com Maria Sara”.

III
Obviamente, os verbetes repetem, em boa parte, o que o autor deixou em sua extensa obra, mas há um que se sobressai não só por sua extensão (de seis páginas) como pela erudição da dicionarista e o seu profundo conhecimento de Teologia, o que pode ser comprovado em seu robusto currículo. É quando trata da personagem Jesus, de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, homem, porque filho de José, e divino, por ser também filho de Deus.

Salma Ferraz recorda que, “na concepção de Jesus, o divino fecunda a carne humana, como na antiga Grécia, onde os deuses desciam do Olimpo para se relacionar com os humanos, fazendo nascer os heróis, estes semideuses que nada mais eram que humanos virtuosos sob determinados aspectos”.

Para a dicionarista, Saramago, que sempre se disse materialista e ateu, escreveu um “evangelho profano, espécie de desevangelho”, procurando mostrar Jesus Cristo como um homem comum, que carregaria a culpa herdada do pai José que, para que ele vivesse, teria deixado que “outras 25 crianças inocentes fossem assassinadas”. E que se revolta contra Deus que o teria escolhido como o seu cordeiro. Ou que não se daria bem com a mãe, Maria, nem com os seus irmãos, que o teriam tomado por louco por afirmar que vira Deus. Ou ainda que teria tido um caso passional com Maria de Magdala.

Obviamente, tudo isto é questionável. Tanto que, para a dicionarista, o romancista criou um Jesus que reflete as suas próprias dúvidas. Mas, seja como for, não se pode deixar de reconhecer que, para escrever o seu Evangelho, Saramago teve de se aprofundar como poucos teólogos no conhecimento das Escrituras. Até mesmo para contestá-las ou interpretá-las ao seu modo.

IV
Salma Ferraz é graduada em Letras pelas Faculdades Integradas Hebraico Brasileira Renascença de Letras de São Paulo (1987), com mestrado em 1995 e doutorado em 2002 pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis. Concluiu o pós-doutoramento em Teologia e Literatura em 2008 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi bolsista da Fundación Carolina na Universidad Autónoma de Madrid (2009). Atualmente, é professora associada de Literatura Portuguesa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atua na pós- graduação, orientando projetos de pesquisa na área de Teopoética, estudos comparados entre Teologia e Literatura.

Tem experiência na área de Teologia, com ênfase no diálogo com a literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: José Saramago, Teologia, Bíblia e Literatura, Madalena, Judas, o demoníaco na Literatura, o vampiro na Literatura, contos e criação literária. Dirige o Núcleo de Estudos Comparados entre Teologia e Literatura (Nutel), sediado na UFSC, em Florianópolis-SC. É graduanda de Teologia na Faculdade de Teologia de Santa Catarina. Realizou pós-doutoramento na UFMG em 2013. Além de ensaísta, é contista com diversos prêmios recebidos e livros publicados.

Publicou 15 livros de crítica literária, entre os quais: Sois Deuses (Edufgd, 2012), As Malasartes de Lúcifer (Eduel, 2012), O Pólen do Divino (EdiFurb, 2011), Maria Madalena: a Mulher que Amou o Amor (Eduem, 2011), Deuses em Poética (João Pessoa, UFPB, 2009), No Princípio era Deus e Ele se fez Poesia (Rio Branco: Edufac, 2007) e As faces de Deus na Obra de um Ateu: José Saramago (Juiz de Fora, Eufjf, 2004), entre outros. Na área de ficção, publicou Em Nome do Homem (Rio de Janeiro, Sette Letras, 1999); O Ateu Ambulante (Blumenau, Furb, 2001), A Ceia dos Mortos (Florianópolis, edição de autor, 2007), Nem Sempre Amar é Tudo (EdiFurb, 2012). É autora ainda de Dicionário Machista: três mil anos de frases cretinas contra as mulheres (São Paulo, Jardim dos Livros, 2013)."

"Dicionário de personagens da obra de José Saramago, de Salma Ferraz. 
Blumenau-SC: EdiFurb, 360 págs., 2012. Internet: www.furb.br/editora"

"Por Adelto Gonçalves
Mestre em Língua e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entr e outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br" 

Quando as artes plásticas recuperam, recordam e perpetuam a essência do escritor José Saramago

Alguns links de referência dos autores indicados

Quadro baseado em "A Maior Flor do Mundo" 
pintura em aguarela de João Amaral (2017)


Quadro "A Existência da Memória" pintura acrílica de Minela Reis (2015)
Quadro baseado em "A Viagem do Elefante" pintura em aguarela de João Amaral (2016)
Quadro "Saramago" pintura acrílica de Isa Silva (réplica n.º 6, de 2013 - Projecto Square Faces)
10 fotografias de João Francisco Vilhena "Lanzarote A Janela de Saramago"


Quadro "A Existência da Memória" pintura acrílica de Minela Reis (2015)
Quadro baseado em "A Maior Flor do Mundo" pintura em aguarela de João Amaral (2017)


Quadro "Saramago" pintura acrílica de Isa Silva 
(réplica n.º 6, de 2013 - Projecto Square Faces)


Quadro baseado em "A Viagem do Elefante" 
pintura em aguarela de João Amaral (2016)

"Com o mar por meio" A amizade de Jorge Amado e José Saramago em cartas - José Saramago e Jorge Amado (Companhia das Letras)


Apresentação do livro de correspondência trocada entre José Saramago e Jorge Amado
Fotografias e texto de apresentação via "Companhia das Letras" (Brasil)


"O livro, que será lançado na casa que homenageia os escritores durante a Flip 2017, apresenta a correspondência inédita entre os dois gigantes da literatura de língua portuguesa."


"Apresentação
A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já tinham idade mais avançada e consolidada carreira literária, porém o vínculo tardio não impediu que os escritores formassem um laço forte, estendido as suas companheiras, Zélia e Pilar. Este livro reúne a correspondência entre os dois mestres - e os dois casais, muitas vezes -, entre os anos de 1992 e 1998. São cartas, bilhetes, cartões e faxes com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sobretudo a cena literária. Eles debatem com humor sobre prêmios e associações de escritores, com especulações divertidas sobre quem seria, por exemplo, o próximo a ser contemplado com o Nobel ou o Camões. Com um projeto gráfico especial, ilustrado com facsímiles das missivas e belíssimas fotos do acervo pessoal dos autores, Com o mar por meio aproxima os leitores do universo particular dos dois amigos."



"Ficha Técnica
Título original: COM O MAR POR MEIO
Capa: Kiko Farkas / Máquina Estúdio 
Páginas: 120
Formato: 18.00 x 23.00 cm
Acabamento: Brochura
Lançamento: 24/07/2017
ISBN: 9788535929492
Selo: Companhia das Letras"


domingo, 16 de julho de 2017

"A importância de dizer não, segundo José Saramago" de Maria João Caetano (DN 05/07/2017)

Recuperação da notícia da estreia da peça de teatro baseada na obra de José Saramago, via DN por Maria João Caetano (05/07/2017) aqui
em http://www.dn.pt/artes/interior/a-importancia-de-dizer-nao-segundo-jose-saramago-8612698.html

"Quatro companhias portuguesas juntaram-se para adaptar "História do Cerco de Lisboa", do Nobel. Espetáculo estreia hoje no Teatro Municipal Joaquim Benite, no Festival de Almada.

Raimundo Silva, revisor numa editora, solteiro, de 50 anos, é um homem apagado, daqueles funcionários que cumpre as suas tarefas sem dar muito nas vistas. Porém, ao ler uma obra intitulada História do Cerco de Lisboa, ele tem vontade de fazer uma alteração: introduzir um "não". Essa simples palavra iria implicar uma enorme mudança na história pois significaria que os Cruzados não teriam ajudado Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros, em 1147. Descoberto, Silva mete-se em apuros na editora. No processo, o revisor apaixona-se pela sua supervisora, Maria Sara, ao mesmo tempo que pensa como há de recontar a história do cerco num novo livro. A conquista amorosa desenrola-se a par da conquista dos portugueses aos mouros."

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

"Esta é, em traços largos, a História do Cerco de Lisboa, contada por José Saramago no livro de 1989, e que a dupla espanhola José Gabriel Antuñano (dramaturgia) e Ignacio García (encenação) transformou em espetáculo numa megaprodução de quatro companhias de teatro: ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, Companhia de Teatro de Almada, Companhia de Teatro de Braga e Teatro dos Aloés.

No palco, além das personagens da história, está também o próprio José Saramago, o narrador que no romance se revela em alguns momentos mas que aqui tem protagonismo: não só lhe ouvimos a voz inconfundível (são excertos de entrevistas) como ganha um corpo e uma presença constante com o ator Jorge Silva. "Interessou-me muito a sobreposição de planos - e esta é uma característica de muitos dos romances de Saramago", explica Ignacio García. "É como um conjuntos de matrioskas, as bonecas russas: Saramago escreve um romance sobre duas personagens, das quais uma é um romancista que está a escrever um livro e que tem as suas próprias personagens, Há um jogo de reflexos, histórias que se desenrolam em paralelo, em diferentes níveis, e que tanto no livro como no espetáculo vão lutando para captar a atenção do leitor/ espectador."

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

 Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

"José Saramago é uma personagem que fala com todas as personagens, de todos os planos, e também fala com o público", explica José Gabriel Antuñano, responsável pela adaptação da obra do escritor português. E vai mais longe na interpretação: "As personagens não pertencem a um único mundo, pois estão todas na cabeça dos escritores (Saramago e Silva). Por um lado, são criadas pelo escritor, por outro, também influenciam o autor, esse jogo acontece aqui permanentemente."

Quem está na plateia tem oportunidade ver todos os planos. No cenário povoado por livros, imaginado por José Pedro Castanheira, o palco fica aberto, mostrando a teia de iluminação e os chariots, nas laterais, onde estão pendurados os figurinos, vemos os atores entrar e sair de cena, trocar de roupa, fazer a maquilhagem, beber água quando precisam de beber água e até comentarem as cenas. "Todas as decisões do espetáculo tentam ser fiéis a Saramago", justifica o encenador. "Ele incluiu-se a si mesmo no romance e nós incluímo-lo no espetáculo. Saramago brinca com o que significa escrever um romance e nós, aqui, fazemos piadas sobre o teatro e a representação. O público vê os atores a fazerem personagens, vê o truque, a mentira." E explica: "Há uma frase de Saramago de que gosto muito: 'o passado é o reino dos fragmentos'. Isto inspirou-me muito. Numa mentira muito grande vemos fragmentos de verdade, é o que se passa neste espetáculo."

Que todo este jogo meta literário não nos desvie daquilo que Saramago queria dizer com o seu livro, sublinha o encenador: "Há que ler de uma maneira crítica e dialética, não se pode acreditar em tudo o que se lê. Num momento como este em que vivemos em que estamos todos acostumados a acreditar em tudo o que vemos - na televisão, no twitter... - Saramago propõe uma atitude crítica, ler sim mas ter uma opinião e ser capaz de dizer que não àquilo que não está certo ou que não é aceitável." A importância de dizer não - às injustiças, às ditaduras, às mentiras - é reforçada à medida que nos aproximamos do final do espetáculo. José Gabriel Antuñano sublinha essa ideia "de que um simples não pode mudar tudo".

E faz mais uma interpretação: "Este é também um livro sobre a condição do ser humano; como uma pessoa triste, como é o revisor (e como era Saramago) quando decide ter um ato de rebeldia transforma-se numa pessoa criativa e feliz, que sai de si mesmo e que encontra o amor, essa é a história de Silva mas também é a história de saramago com Pilar." José Saramago e Pilar casaram-se em 1988, na altura em que ele estaria a escrever História do Cerco de Lisboa.

O espetáculo estreia no Festival de Almada mas regressará, em setembro, com uma carreira longa que irá passar pelos vários teatros envolvidos, num esforço que Rodrigo Francisco, diretor do festival, vê como "um verdadeiro serviço público". No palco, juntam-se Elsa Valentim, Jorge Silva e José Peixoto (Aloés), Rui Madeira (Braga), Luís Vicente e Tânia Silva (ACTA), João Farraia, Pedro Walter (Almada) e ainda Ana Bustorff."

"O ignorado aniversário da morte de Saramago" de Marco Aurélio Abrão Conte (Jornal Metrópole, Carapicuíba Brasil)

"O ignorado aniversário da morte de Saramago" de Marco Aurélio Abrão Conte[1]

O trabalho que se publica pode ser consultado aqui 
em http://www.jornalmetropole.com.br/o-ignorado-aniversario-da-morte-de-saramago/

“Medo da morte não consigo ter
Mas outros, mais humanos e banais
Medos que a gente tem, mesmo sem crer
Como o medo que eu tenho de morrer
Só por querer viver um pouco mais.”
Manuela de Freitas, a partir de declarações de José Saramago

“Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”
Álvaro de Campos

"Que Fernando Pessoa profetizasse, através de seu heterônimo engenheiro, a escassa e intermitente memória a que são reduzidos os mortos, não é de  espantar, dada sua aguda percepção da alma e do comportamento humanos. Também não é espantoso, conquanto a intertextualidade seja genial, que José Saramago (1922-2010), propondo-se a revisitar o mito pessoano, em 1984, com o romance O ano da morte de Ricardo Reis, fizesse com que seu protagonista ouvisse do autor de Mensagem, recém-falecido na diegese  ambientada em 1936, que, imediatamente após a morte, o homem outra vez atravessaria emblemáticos nove meses, nos quais deveria habituar-se a “ter estado e já não estar” – definição de morte dada pelo Nobel de literatura.
No dia 18 de junho passado, o aniversário de morte de José de Sousa Saramago, talvez sufocado pelos caóticos acontecimentos na esfera política, foi simplesmente ignorado pelos veículos midiáticos brasileiros. Mesmo em Portugal, país onde o escritor passou setenta anos de sua vida antes de se mudar para a ilha canária de Lanzarote, poucos foram os jornais que relembraram o autor falecido há sete anos. Ao que parece, apenas a Porto Editora, que publica a obra do escritor em seu país de origem, e a fundação que leva seu nome, presidida por sua viúva, a jornalista espanhola Pilar del Río, promoveram eventos em homenagem ao romancista: na Casa dos Bicos, em Lisboa, sede da Fundação José Saramago, foi apresentado o concerto-teatral Levantei-me do Chão, Lado B, inspirado no primeiro sucesso do escritor; e, na Feira do Livro de Lisboa, no espaço da editora – que, na mesma semana, lançou Claraboia, romance escrito em 1953 que permaneceu inédito até a morte do escritor –, o autor e sua obra foram homenageados.
Segundo Harold Bloom, Saramago foi um dos mais importantes escritores da literatura universal do século XX. Conquanto tenha sido um escritor tardio, publicou, aos 25 anos de idade, o romance Terra do Pecado – assim chamado por razões comerciais, haja vista que o título por ele escolhido era A viúva –, o qual rejeitou até os últimos anos de sua vida, quando foi convencido por Zeferino Coelho, da Editorial Caminho, então responsável pela publicação de sua obra, a relançar o livro. Neste, que nem de longe lembra a marcante prosa saramaguiana a que fomos apresentados na década de 1980, já estavam presentes, mesmo que de forma embrionária, alguns dos maiores temas de sua posterior produção: a incoerência das religiões e a força da mulher, retratados pelo Dr. Viegas e pela empregada doméstica Benedita. “Felizmente”, como escreveu, o jovem não obteve sucesso e passou quase vinte anos sem nada publicar, dedicando-se às mais diversas profissões, como a de serralheiro mecânico e a de funcionário público numa agência de seguros, até tornar-se conhecido na sociedade lisboeta por sua atuação na Editorial Estúdios Cor e nos vários jornais para os quais  escreveu. No prefácio da reedição da obra, o autor diz que não sentia ter algo relevante para escrever e, portanto, resistiu à vaidade de publicar apenas pelo prazer da publicação.
A partir de 1966, o autor publica os livros que seriam responsáveis por sedimentar seu estilo literário, mesmo que a literatura fosse então um trabalho secundário em sua vida: poemas, crônicas, traduções e artigos jornalísticos. Em 1975, no entanto, ao ver-se desempregado – consequência da contrarrevolução de novembro – e desamparado pelo Partido Comunista Português, para o qual sempre militou, decide dedicar-se exclusivamente à escrita e publica, dois anos depois, Manual de pintura e caligrafia, chamado em seu subtítulo de ensaio de romance, no qual o protagonista H., pintor insatisfeito com os rumos de sua produção e de sua vida, decide investir na carreira de escritor. Talvez o mais autobiográfico dos livros do autor – ressalte-se que é nesta obra que Saramago afirma que “tudo é autobiografia” –, o romance evidencia uma escrita madura, decidida, irônica e sensível, revelando que, sim, José teria algo a dizer a partir de então.
E disse! Das mais diversas e criativas formas. Em 1980, auxiliado pelas vozes alentejanas, o escritor vaza Levantado do Chão no revolucionário estilo que o tornaria célebre. Subvertendo a pontuação, transpondo traços da oralidade à prosa romanesca e impondo ao leitor uma simbiose entre o discurso direto e indireto, o livro fora imediatamente aclamado em seu país, criando uma expectativa em torno do que seria  daquele escritor, que iniciava uma carreira num momento da vida em que, como disse Gabriel Garcia Márquez, seu dileto amigo, “a maioria dos escritores já estão a deixar de escrever”. Dois anos mais tarde, com Memorial do Convento, o autor consolida seu estilo e influência na literatura, traçando um retrato do reinado de D. João V corroído por sua ácida ironia, dando voz aos que, historicamente, não a tiveram, tentando evitar que a grandeza do feito, o Palácio Nacional de Mafra, ofuscasse a vital importância dos que o construíram .
José Saramago, veemente crítico da União Europeia, usa de sua Jangada de Pedra para estimular a reflexão acerca do que representariam os dois ibéricos países no conjunto de uma Europa historicamente conduzida por interesses econômicos das nações mais potentes. Ao propor que Portugal e Espanha descolem-se geograficamente do velho continente e estacionem entre o Brasil e a África – não coincidentemente, dois territórios já conhecidos e explorados pelos portugueses – o autor evidencia a necessidade de comunicação entre a Península Ibérica e os países de que mais se aproxima culturalmente, como os da América Latina.
O polêmico escritor, propõe, ainda, a revisitação histórica de mitos portugueses – como os de Dom Sebastião e Camões, na peça Que farei com este livro?, e o de Fernando Pessoa no romance de 1984 –, de episódios históricos responsáveis pela formação da contemporaneidade portuguesa – como a própria formação do país, em História do Cerco de Lisboa, em que, narrando a retomada da cidade das mãos mouras, reflete acerca da importância da Igreja Católica e de seus Cruzados na sociedade portuguesa; a Revolução dos Cravos – tão presente no chamado por Horácio Costa de período formativo de sua obra – em A Noite, peça de 1979 – e de pilares culturais da sociedade ocidental – como o controverso OEvangelho segundo Jesus Cristo, cuja retirada do Prêmio Literário Europeu, vinda do então subsecretário de cultura Sousa Lara, leva José e Pilar a mudarem-se para as Ilhas Canárias; e o incendiário Caim, último romance publicado em vida pelo escritor, no qual chega a afirmar violentamente, abdicando das sutilezas de sua conhecida ironia, que “deus é um filho da puta”.
A genialidade de Saramago evidenciou em sua literatura a total fragilidade da condição humana no mundo: a civilização desmantelada, na qual o homem usa da razão para prejudicar seus semelhantes, em Ensaio sobre a Cegueira, poderosa e insólita alegoria da vida contemporânea; o eminente fracasso da democracia – segundo o autor, apenas formal e não substancial – da qual as nações ocidentais se orgulham, em Ensaio sobre a lucidez; a naturalidade da morte, em As intermitências de morte, romance de 2008 em que o autor trata, com invejável bom humor, do fim da vida; a inutilidade da existência, revelada pelo destino do histórico Salomão, morto para que suas patas servissem de porta-guarda-chuvas, em A viagem do elefante; a identidade perdida, alegorizada em O homem duplicado… É imensurável a contribuição do escritor português para a literatura e a reflexão humana.
Desde sua morte, há sete anos, a responsável pela divulgação de sua obra e suas bandeiras sociais – em especial a defesa da Declaração dos Direitos Humanos, foco de seu discurso em Estocolmo quando da recepção do Prêmio Nobel – é Pilar del Río, com quem o escritor dividiu os últimos vinte e três anos de sua vida e por quem nutria – basta que olhemos as dedicatórias de seus livros – verdadeira devoção, tanto é que, ateu convicto e descrente de toda e qualquer metafísica, no documentário José e Pilar, do realizador português Miguel Gonçalves Mendes, ao falar de sua morte, Saramago diz que suas cinzas ficariam sob uma pedra no jardim de sua casa em Lanzarote e diz ter pedido à esposa que, sempre que sentisse sua falta, lhe levasse uma pequena flor, “para que eu saiba que não me esqueceram”. Pilar, “que não deixou que eu morresse”, “minha casa”, “meu pilar”, é o catalisador de um raríssimo momento em que o escritor admite para si uma continuidade pós-morte: saber de algo, mesmo depois de “já não estar”. No mesmo filme, quando da filmagem da inauguração de sua fundação, José Saramago diz ter respondido, ao ser perguntado a respeito das ações que esperava por parte dela, Pilar, após sua morte: “continuar-me”, ao que a jornalista vem cumprindo – passou a publicar a obra do autor pela Porto Editora para que, segundo disse, tivesse mais alcance e melhor tratamento; discursou em diversas e importantes ocasiões a respeito dos temas por ele tratados em seus romances; e dedica-se exclusivamente à fundação da qual é presidenta – termo que ambos defenderam.
Saramago, mesmo depois de morto, permanece atual num ocidente cada vez mais desumanizado. Sua obra, pungente e vigorosa, pode/deve ser lida como um preciso retrato de uma sociedade guiada por escusos interesses de devassas instituições políticas, religiosas e, sobretudo, econômicas – faz-se possível, por exemplo, analisar a postura da imprensa no impedimento de Dilma Rousseff à luz da peça A Noite, a atual condição política brasileira sob as reflexões de Ensaio sobre a lucidez, ou o drama dos refugiados sírios a partir do Ensaio sobre a cegueira. Pena é que, culturalmente, as mídias, e consequentemente seus consumidores, habituaram-se a relembrar célebres mortos apenas quando de suas datas mais esteticamente agradáveis: como se dará em 2020, ano em que sua morte completará os redondos 10 anos, ou em 2022, centenário de seu nascimento. Álvaro de Campos tinha razão. Os homens, em sua maioria, perderam-na. José Saramago foi um grito de alerta em relação a esta perda, mesmo que hoje seja ouvido apenas aniversariamente pelas grandes multidões. Serve de consolo, no entanto, que a produção saramaguiana, esta sim, siga imortal e aja como uma tentativa de resgate das consciências humanas num momento em que elas são cada vez mais necessárias.

“Um dia desaparece o Sol… e acabou. E o Universo nem sequer se dará conta de que nós existimos. O Universo não saberá que o Homero escreveu a Ilíada”.

[1] Graduando em Letras na Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara.