Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

"Los libros de la isla desierta: “Ensayo sobre la lucidez, de José Saramago’" de Óscar Hernández Campano, publicado em "Culturamas" (21/08/2018)

Los libros de la isla desierta: “Ensayo sobre la lucidez, de José Saramago’ 
de Óscar Hernández Campano, publicado em "Culturamas" (21/08/2018)

Pode ser consultado e recuperado aqui
em https://www.culturamas.es/blog/2018/08/21/los-libros-de-la-isla-desierta-ensayo-sobre-la-lucidez-de-jose-saramago/



"Cada pocos años tengo una cita con José Saramago. Desde que lo conocí en persona en la feria del libro de Madrid en 2003, regreso de vez en cuando a su prosa magnética para zambullirme en sus historias tan originales como profundas. Comencé con La caverna, a aquella fábula sobre la voracidad del capitalismo le siguieron otro títulos del portugués inmortal y no hace tanto, me adentré en la ceguera blanca que colma su extraordinario Ensayo sobre la ceguera. Obviamente le había de seguir este título que hoy comparto con vosotros y que me acompañará a la isla desierta. El Ensayo sobre la lucidez es, sin lugar a dudas, un texto que rezuma lucidez y clarividencia por los cuatro costados. Publicado en 2004 y con traducción de Pilar del Río, se adelantó el Nobel a la crisis económica y sobre todo a la revolución política que supuso el 15-M en España y otros movimientos paralelos, similares o parecidos en otros estados del mundo. Saramago parte, como siempre hace, de una forma magistral, sencilla e inteligente, de un supuesto plausible, o no, verosímil, al menos en el universo de la narración, al tiempo que increíble para este mundo en el que vivimos.

Fue un especialista el escritor afincado en Lanzarote de las premisas sorprendentes que se resumen en un: ¿Qué pasaría si…? Y eso es lo que plantea en este Ensayo sobre la lucidez. ¿Qué pasaría si la mayoría de la población votara en blanco? La respuesta, con idas y venidas, con salto de protagonista, con múltiples aristas, con un tono que pasa de la euforia al pesimismo, se desarrolla durante más de 300 páginas que pasan volando. El don de José Saramago era la capacidad de coger de la mano al lector y llevarlo a través de sus páginas, arrojarlo a la corriente de narración propia y peculiar del Nobel, para que llegue, de forma fluida y apacible, a un final abrupto, duro, estremecedor que, en página y media, sobre todo en unas líneas, abofetea al lector y le hace quedarse temblando y, sobre todo, le obliga a reflexionar sobre todo lo que ha propuesto el narrador, que poco no ha sido.

Pues bien, en la capital portuguesa, las elecciones municipales dan como resultado un voto en blanco de las tres cuartas partes del censo. El Gobierno, de derechas, seguido por el partido del medio, y de lejos por el de izquierda, este último intentando hacer suyo el voto de protesta, decide repetir las elecciones. Es que llovía a cántaros, la gente  no lo tenía claro, esto no puede ser. Así que se repiten y la participación masiva, en una soleada jornada electoral, da como resultado que el 83% de los votantes han depositado en las urnas votos en blanco. El Gobierno, noqueado por el resultado y sin precedentes a los que agarrarse, declara el estado de sitio, evacúa los poderes del Estado de la capital, ordena a la policía y al ejército que abandonen la ciudad y la rodea militarmente, a la espera de que la anarquía y el caos purguen y castiguen a la indisciplinada Lisboa. Sin embargo, nada de eso sucede. La ciudad se organiza y vive con calma la nueva situación. No obstante, los gobernantes, temiendo que la revolución se extienda por el país y sospechando que un grupo está detrás de lo que califican como un ataque a la democracia, tomarán cartas en el asunto.

José Saramago nos plantea cuestiones trascendentales en esta novela. ¿Hasta qué punto la ciudadanía ha sido domesticada por el sistema? ¿Cómo reaccionarían los gobiernos ante una situación, pacífica y democrática, que altera el juego de los partidos políticos? ¿Qué harían los políticos para volver al status quo previo? ¿Seríamos los ciudadanos capaces de organizarnos para recuperar el poder político que nos corresponde?

La novela, llena de matices, críticas más o menos veladas y personajes, nuevos y ya conocidos, que se nos antojan no sólo verosímiles, sino cercanos y llenos de sentimientos, pasiones e ideas humanas, se apodera de nuestros sentidos y nuestra mente para hacernos partícipes de la revolución democrática que vive la capital portuguesa (a la que sus políticos le roban la capitalidad del Estado por disoluta y rebelde). Saramago nos dice que el voto es sagrado, que es poderoso, que el sistema democrático se sustenta en el derecho a la libertad de expresión, de ideología, de prensa, de pensamiento y, por supuesto, a votar lo que consideremos oportuno. ¿Por qué si el 83% vota a un partido el resultado es legítimo y si lo hace en blanco es porque hay una conspiración detrás?

Dentro de un tiempo regresaré a mi cita con el maestro José Saramago y me adentraré en una nueva propuesta tan fantástica como realista, pero, sobre todo, lúcida."

"Saramago para além do romance – Um nobel em outros gêneros" de José Figueiredo via "Homo Literatus"

"Saramago para além do romance – Um nobel em outros gêneros"  
de José Figueiredo, publicado em "Homo Literatus"

O texto pode ser consultado e recuperado aqui



"A obra do Nobel de 1998 é bem maior do que apenas a sua faceta conhecida nos romances. Saiba quais são os livros de poesia, conto e teatro de Saramago.

Quando se fala de José Saramago, alguns lugares comuns são inevitáveis: ser o único autor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura; os seus romances extensos com períodos longuíssimos e parágrafos infindáveis; a análise crítica da História portuguesa; a tentativa de mostrar alguns problemas do mundo moderno e seus desdobramentos. O que, porém, nem sempre se fala é que a obra do Nobel de 1998 é bem maior do que apenas a sua faceta conhecida nos romances.

Se juntarmos o conjunto da obra, encontraremos um complexo amalgama formado peças de teatro, livros de contos – por mais difícil que possa parecer aos que conhecem seus romances caudalosos -, poesia, crônica, diários, memórias, livros de viagens e (imaginem só!)  até um livro infantil.

Para aqueles que ainda não conhecem o autor para além dos romances, elencamos algumas obras de outros gêneros para quem quiser ir além dos romances no mundo saramaguiano.

Que farei com este livro? (Teatro)
É provavelmente a melhor das cinco peças escritas por José Saramago, além de ser a que tem o mote mais interessante: Luís de Camões retorna das Índias depois de muito sacrifício e da ajuda de um amigo e deseja publicar a sua grande obra, Os Lusíadas. Mas estamos em Portugal do século XVI, ou seja, temos a Inquisição que não vê com bons olhos um livro onde deuses pagãos ditam o destino da humanidade; além disso, vemos uma corte portuguesa ociosa, puxa-saca e comandada por Dom Sebastião – um sujeitinho um tanto aficionado em lutar contra os mouros no norte de África. Mesmo sendo uma peça – e não tendo, assim, um narrador –, José Saramago consegue mostrar o mundo contraditório e por vezes mesquinho de Portugal por meio de diálogos afiadíssimos.

Cadernos de Lanzarote (Diários)
Escritos por Saramago no alto dos seus setenta anos, estes cadernos são o cotidiano do escritor português entre 1993 e 1995. Neles encontramos os mais variados assuntos: o cotidiano caseiro em Lanzarote; comentários sobre o que é Literatura e sobre outros autores; a reação de Saramago frente aos acontecimentos do mundo e ao recebimento do Prêmio Camões; a sua evolução no romance que escrevia à época, Ensaio Sobre a Cegueira. Não há nada de bombástico nesses cadernos-díários, encontramos apenas o autor a se desvelar dos assuntos mais prosaicos – sobre o fato de ter aparecido mais um cão sem dono à sua casa, por exemplo – aos mais complexos e espinhosos, sempre com total dedicação e entusiasmo.

O Conto da Ilha Desconhecida (Conto)
Pode parecer estranho, ou até aterrador, que Saramago tenha escrito contos, dado o seu estilo nada conciso de escrita, mas o fato é que ele se aventurou pelas histórias curtas algumas vezes durante a vida, tendo encontrado o seu melhor resultado nesse livretinho de trinta e pouca páginas. O mote que dá espaço para as divagações do autor é bem simples: um homem bate no castelo e pede um barco para descobrir uma ilha; sendo indagado qual ilha ele quer descobrir, ele responde que quer descobrir a dita ilha desconhecida do título. Saramago, assim, cria uma grande metáfora sobre o homem, focando suas ambições e frustrações durante a existência.

O Ano de 1993 (Poesia)
Quando se fala desse livro, normalmente é para se mostrar espanto em relação a ele. Escrito antes de Saramago retomar o romance, gênero que havia abandonado há vinte cinco anos, temos narrado aqui um mundo distópico onde o caos está instalado. Uma alegoria da história da humanidade (é fácil reconhecer vários eventos da história). Já aqui o autor mostra muitas das características que fariam parte da sua escrita a partir de então: sintaxe flexível, personagens sem nome, histórias/parabólicas (estes dois últimos pontos, ele retomaria apenas vinte anos depois, em Ensaio Sobre a Cegueira). Um ponto de transição da sua incursão pelo mundo da poesia para o da prosa, o livro é composto por pequenos trechos de escrita elíptica, que nada lembram a enxurrada de palavras que estava por vir. É um livro interessante para quem quer conhecer um grande escritor em formação.

Há ainda outras recomendações que poderíamos fazer, tais como Os Poemas Possíveis, seu primeiro livro de poesia, ou as peças A Segunda Vida de Francisco de Assis e In Nomine Dei, nas quais Saramago aborda mais uma vez a boa e velha religião católica. Seja como for, José Saramago é um mundo a parte – muito maior que apenas seus romances conhecidos."

terça-feira, 14 de agosto de 2018

"Aquilo que não foi esquecido continua vivo e presente" - José Saramago (in Revista Blimunda #74 - Julho de 2018)



Link da edição #74 da Revista Blimunda (Julho de 2018)

Páginas 61 a 70

"Em 1998, meses antes de receber o Prémio Nobel, José Saramago concedeu ao jornal italiano Liberazione uma extensa entrevista a propósito do romance Todos os Nomes, que acabara de ser publicado em Itália. A Blimunda publica as respostas que o escritor enviou ao jornalista Marco Romani, por fax, no dia 30 de agosto. 
As perguntas, embora não estejam reproduzidas por José Saramago, deduzem-se da leitura das respostas enviadas.

1) A vida do Sr. José funcionário duma conservatória de Registo Civil nada tem que ver com a minha. Nunca vivi só, estou casado pela terceira vez, tenho uma filha e dois netos. Também não assaltei escolas nem falsifiquei documentos. O facto de o Sr. José ter esse nome resulta apenas do facto de eu ter pretendido dar-lhe um nome banal que estivesse de acordo com a insignificância do personagem. Não encontrei nome mais banal que o meu próprio... Não é este o primeiro romance em que os personagens não têm nome. Já em Ensaio Sobre a Cegueira isso sucedia. Nesse caso foi a exepcionalidade da situação criada – uma cidade de cegos, um mundo de cegos – que me fez compreender como são frágeis os nomes que usamos, como facilmente deixam de ter significado quando o indivíduo se dissolve no grupo, no bando, na multidão. Nos campos de concentração não se tatuavam nomes, mas números, e as sociedades em que hoje vivemos parecem mais interessadas em conhecer o número do nosso cartão de crédito do que em saber como nos chamamos. O caso de Todos os Nomes é diferente. Pessoas diferentes têm o mesmo nome, dizer o nome não é suficiente para «dizer» a pessoa. O Sr. José sabe como se chama a mulher desconhecida, mas isso é o mesmo que nada saber. 

2) Não afirmo que procurar uma coisa seja o «único» significado que ela tem, mas, tratando-se do «outro», o caminho que nos deveria levar a ele não tem ponto de chegada. Iremos aproximando-nos cada vez mais, mas nunca poderemos dizer: «Conheço-te». O Sr. José tem consciência dessa impossibilidade (uma consciência difusa, mas que está presente em todos os seus actos), por isso semeia de obstáculos o seu caminho. Vencer esses obstáculos é mais importante para ele do que
encontrar o objecto da busca.

3) Ponhamo-nos no lugar do Sr. José, ou talvez não seja preciso tanto. Na vida de cada um de nós houve pelo menos um momento em que tivemos de «inventar» uma razão para mudar a vida, uma razão maior que nós, uma razão capaz de transportar-nos aonde não nos levaria a rotina do quotidiano. O que o Sr. José fez foi «inventar» uma ilha desconhecida e lançar-se ao mar à procura de si mesmo, que é o que realmente fazemos quando procuramos o «outro»...

4) A ordem hierárquica dos funcionários da Conservatória pode ser interpretada com a ordem de uma História em que todos os factos, datas e nomes tivessem os seus lugares marcados e fixados de uma vez para sempre. O Sr. José irá perturbar esta fixidez, primeiro procurando alguém a quem não deveria procurar e sem para tal estar autorizado, depois, pouco a pouco, fazendo desaparecer a linha que separa a morte da vida, ou a vida da morte, segundo se prefira. O Sr. José, se se me permite a ousadia, é uma espécie de Orfeu...

5) Da colecção de notícias do chefe da Conservatória não chegamos a saber nada. Sabemos apenas que ele tem conhecimento de tudo o que se vai passando. Aproxima-o do Sr. José precisamente o carácter «subversivo» das acções deste, e essa aproximação torna-se em cumplicidade quando o chefe compreende que a humanidade autêntica é o conjunto dos mortos e dos vivos, confundidos uns com os outros no ontem e no hoje, inseparáveis no agora e no sempre.

6) Na Conservatória estão os papéis da vida e da morte de todos os seres humanos nascidos, no Cemitério estão os restos dos que já não pertencem à vida mas pertencem invisivelmente à História. Assim, Cemitério e Conservatória são complementares, nenhum deles poderia existir sem o outro. No fundo são uma coisa só.

7) Penso que comentemos um erro grave quando esquecemos os nossos mortos, crendo que essa é a maneira de negar a morte. Também tentamos negar a velhice quando retiramos os velhos da vida afectiva e social. Nesse momento começamos a esquecê-los. Como em Todos os Nomes está escrito, só o esquecimento é a morte definitiva. Aquilo que não foi esquecido continua vive e presente.

8) Essa declaração é feita por um dos personagens do romance, e não por mim... Mas é verdade que a metáfora nos aparece como uma iluminação das coisas diferente, como uma luz rasante que iluminasse o releve de uma pintura. A metáfora é um pressentimento do saber total. Quanto ao dever e ao fim da literatura, recordemos que os seus fins e os seus deveres foram diversos e nem sempre concordantes ao longo do tempo. Como não foram iguais e muitas vezes foram opostos os deveres e os fins das sociedades humanas, de que a literatura é, ao mesmo tempo, reflexo e reflector.

9) O fim do milénio é um mero acidente de calendário. O que está a acabar, de facto, é uma civilização. Paulo Valéry não imaginava a que ponto tinha razão quando escreveu: «Nós, civilização, sabemos agora que somos mortais.» Já antes o deveríamos ter sabido se fôssemos capazes de aprender com o passado. O tipo humano que começou a definir-se na época do Iluminismo está a extinguir-se. Não sei o que virá depois dele. Penso, contudo, que não haveria lugar para mim nos tempos que se aproximam...

10) A pergunta não deveria ser «que é que existe ainda da esquerda?», mas sim «que foi o que abandonámos da esquerda?». Nesse caso direi que muitos (muitíssimo) abandonaram o que chamo um «estado de espírito de esquerda» para passar-se, fosse por ambição, oportunismo, ou cobardia moral, ao outro lado, mesmo quando fingem contestá-lo. Contra todas as aparências, a questão central do nosso tempo não é a globalização da economia, mas a ética. Espero que a esquerda (a que ainda resta) o descubra a tempo...

11) A mesma Europa que gastou séculos e séculos para conseguir formar cidadãos, só precisou de vinte anos para transformá-los em clientes. Sócrates tornaria a pedir o vaso de cicuta...

12) A cultura «europeia» não existe como tal. E se alguma vez vier a existir, temo que não seja «europeia» no sentido de uma síntese mais ou menos lograda das suas diversas culturas nacionais, mas sim o resultado do predomínio de uma dessas culturas sobre as outras. A globalização, seja ela mundial ou apenas europeia, é um totalitarismo." 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Edição online da revista "Blimunda" Julho de 2018 #74

Pode ser descarregada e consultada aqui

"A caleidoscópica série de fotografias do sul-africano Pieter Hugo, expostas no Museu Berardo, em Lisboa, é um dos destaques do número 74 da Blimunda. Como são os avós retratados nos livros para os miúdos? É este o tema da secção infantil e juvenil da revista. A Saramaguiana recupera uma entrevista que José Saramago deu ao jornal italiano Liberazione, meses antes de lhe ser concedido o Prémio Nobel de Literatura. «Só o esquecimento é a morte definitiva. Aquilo que não foi esquecido continua vivo e presente», afirmou o escritor ao diário. A Blimunda de julho fala ainda de Saviano e de Trump, e sobre a foto que marcou a Mundial da Rússia.

Boas leituras e boas férias!" 
(Via página da FJS)





sexta-feira, 20 de julho de 2018

"Falando de... O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago" - Publicado no "Jornal do Nordeste"

Crónica de João Cabrita, publicada no "Jornal do Nordeste" e que pode ser recuperada aqui 
em http://www.jornalnordeste.com/opiniao/falando-de-o-ano-da-morte-de-ricardo-reis-de-jose-saramago

Link para a página da publicação aqui http://www.jornalnordeste.com/

"Falando de... O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago"



"Os tempos eram outros. Nos anos trinta aprendia-se Literatura Portuguesa no ensino industrial. São palavras de Saramago nos Cadernos de Lanzarote – Diário III. Frequentador da biblioteca da escola Afonso Domingues, em Xabregas pelos seus 16, 17 anos tomou contacto com Ricardo Reis. Vale a pena recordar o que em 11 de Janeiro de 1995 afirmou a propósito das suas incursões pela Biblioteca. Encontrara a revista Athena dentro de um livro encadernado. Aí viu pela primeira vez as Odes de Ricardo Reis. Acreditara que existia ou existiria um poeta que se chama Ricardo Reis, que ao mesmo o fascinara e assustara, mas foi no princípio dos anos 40 que uns quantos versos de Ricardo Reis se lhe impuseram, como uma divisa, um ponto de honra, uma regra imperativa que iria ser seu dever, para cumprir e acatar.
Mas se Ricardo Reis é a segunda metade de um sintagma que funciona como título, o ano da morte é a outra escolha de Saramago. Questionamo-nos: porquê o ano da morte e não o ano do nascimento? É conhecida a afirmação proferida por Saramago que os seus livros têm uma marca política e ideológica bastante forte. Em entrevista concedida a Carlos Reis em 25 de Janeiro de 1997, publicada pela Caminho em 1998, sob o título Diálogos com Saramago, afirma o escritor: “Onde é que a literatura viveria, se pudesse viver fora da ideologia ou à margem dela? A Literatura pode viver até de uma forma conflituosa com a ideologia […] O que não pode é viver fora da ideologia”. 
Se é certo que a ideologia está ligada à Literatura, só depois do 25 de Abril é possível conceber um texto como O Ano da Morte de Ricardo Reis, onde a ironia e a crítica se apresentam lado a lado para retratarem a governação de Salazar, e daí importa citar Saramago na entrevista a Baptista-Bastos publicada pela parceria Sociedade Portuguesa de Autores-Publicações Dom Quixote, em 1996, com o título José Saramago, Aproximação a Um Retrato, “Creio que nada ou quase nada daquilo que fiz, depois do 25 de Abril, podia ter sido feito antes”.
Levam-nos estes considerandos sustentados pela ideologia, pelo 25 de Abril e pela política, a uma afirmação que nos parece pertinente “1936, ano considerado como o da morte de Ricardo Reis, é o ano que reúne todos os ingredientes, configurando um painel de regras tendentes a cercear a liberdade; é o ano da consagração do salazarismo na sua plenitude, ano da afirmação de todas as transgressões, daí encontrarmos nesse tempo histórico, paratexto e pretexto, os elementos que enformam O Ano da Morte de Ricardo Reis, andaimes, alicerces e infra-estruturas que puseram de pé esta estrutura narrativa que se enfileira na obra saramaguiana.
Saramago é um homem empenhado politicamente. É um denunciador de causas políticas. Não lhe são indiferentes os problemas sociais. Quem escreve Levantado do Chão, em 1980 e Memorial do Convento, em 1982, tornando públicas questões laborais caídas no olvido, naturalmente que não vai optar de forma ingénua pelo Ano da Morte de Ricardo Reis. Era a ditadura salazarista em plena formação a dar os primeiros passos. Da escrita do texto, aproveitámos e vimos “vivo” um Ricardo Reis ficcionado como se fosse um de nós e lembrámo-nos que a PVDE/PIDE também existiu.
É o título um elemento premonitório de um texto que se abre à nossa frente e nos quer introduzir na vivência heteronímica de Fernando Pessoa. Ricardo Reis é um elemento de ficção legitimado e dado ao mundo por Fernando Pessoa em carta escrita a Adolfo Casais Monteiro, em 13 de Janeiro de 1935.
Viveu dentro de Saramago muitos anos. Sabemo-lo “nascido” em 1887, médico de profissão, residente no Brasil desde 1919, poeta, criador de Odes.
Saramago, empenhado no processo político, leitor de todos os quadrantes e observador tenaz, está atento ao que se passa em seu redor. Romancista do jornalismo herdado, conhecido em tempos de estro serôdio, dá à luz os seus romances mais conhecidos por volta dos anos oitenta, depois de ter passado pela poesia e pelas crónicas políticas publicadas antes do 25 de Abril, quando a censura campeava. Em plena ditadura, Saramago vai-se furtando aos olhares inquisitoriais, em artigos de opinião, em prosa, crónica e contos, mostrando a sua verve de homem político, o mesmo se passando na poesia, onde o seu mérito, contudo, não atingiu o esplendor do romance.
Escritor da inquietação, da insatisfação e da rebeldia, faz de Portugal o seu objecto de cultura, conferindo-lhe uma dimensão ética e épica, através de uma “arqueologia” onde são postos a nu acontecimentos que, produzindo o presente, exorcizam o passado, tornando o tempo coevo, conforme afirma, “Só o tempo passado é que é tempo reconhecível – o tempo que vem, porque vai, não se detém, não fica presente […] Desse tempo que assim se vai acumulando é que somos o presente infalível, não de um inapreensível presente”.
Sabemos que uma das justificações encontradas por Saramago para a escrita de O Ano da Morte de Ricardo Reis foi o “desafio” imposto pelo verso “Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo”, escrito por Ricardo Reis em 19 de Junho de 1914. 
Não sendo Saramago um homem acomodado, as suas leituras nas várias bibliotecas que frequenta em Lisboa, não fazem dele um ser instalado e passivo. Sábio seria, antes, para quem o mundo é motivação, convocação, correcção de assimetrias através da assunção de compromissas resultantes de uma tomada de consciência despertada por um espírito crítico que lhe advém da correlação entre o conquistar-se e o conquistar o mundo segundo paradigmas que vão sendo instaurados pela palavra que não é exclusivamente pensamento.
Com frequência o romance convive com o espaço e o tempo, e é nesta convivência que se move O Ano da Morte de Ricardo Reis. Sabemos que a acção central se desenrola em Lisboa, uma vez Ricardo Reis aí desembarcado. Desembarca no cais de Alcântara. Viajou no Highland Brigade, vapor inglês da Mala Real. Recebera um telegrama de Álvaro de Campos anunciando a morte de Fernando Pessoa, sentira que era um dever regressar. Não sabe se fica para sempre em Portugal ou se regressa ao Brasil. 
Ficou instalado no Hotel Bragança, no segundo andar de onde pode ver o rio, no quarto 201, que tinha ficado livre naquela manhã. Ficou entre nós e deambulou pela cidade. Lisboa é porta aberta para os que de Espanha procuram paz e sossego “por isso os Estoris albergam o que em linguagem de crónica mundana se diz ser uma selecta colónia espanhola, afinal pode bem acontecer que lá estejam, em veraneio, aqueles e outros duques e condes”. Para benefício destes, o Rádio Clube Português passou a ter uma locutora espanhola que lê as notícias dos avanços nacionalistas na língua de Cervantes. 
Saramago pensou preencher o espaço deixado em aberto por Fernando Pessoa, como se fosse preciso dar vida a Ricardo Reis que permanece na capital até Agosto de 1936. Como se estivesse a fazer a exumação de um passado mal conhecido que era obrigatório desvendar e denunciar com vista a esclarecer o presente para que se entenda o passado, numa ótica de efemeridade e de transitoriedade, porque salvando-o através da reescrita, há uma hipótese de correcção, com vista a criar homens e mulheres mais capazes, como se o mundo pudesse vir a ser melhor, através da adição de pessoas mais sólidas.
Sendo um texto, um movimento de reorganização que produz destruindo a partir de um extra-texto, ou que de outra forma tende a arrumar o caos e que, neste caso, sendo o social, é também a vida de Ricardo Reis que se vai transformando. Para a sua construção, serviu-se José Saramago de jornais da época, como por exemplo, O Século, investigado durante dois meses, na Biblioteca Nacional. Oito meses ocuparam o autor para a feitura da sua obra. 
Neste painel de espaços e personagens imaginado a partir de um outro já existente, rebuscado no verdadeiro ou imaginado, com vista a criar o verosímil ou inverosímil, onde o autor e o leitor dialogam, numa troca de significantes e significados, com vista a dinamizar uma acção em que o facto do contacto assume foros de autenticidade. Uma retrospectiva de Portugal, um postal ilustrado de Lisboa com as cores da simpatia e da vivência dos bairros menos afortunados por onde Saramago viveu, “Aqui não é sequer a Lisboa toda, muito menos o país, sabemos nós lá o que se passa no país, Aqui é só estas trinta ruas entre o Cais do Sodré e S. Pedro de Alcântara, entre o Rossio e o Calhariz, como uma cidade interior cercada de muros invisíveis que a protegem de um invisível sítio, vivendo conjuntos os sitiados e os sitiantes”.
Lisboa é o macro-espaço onde tudo se passa, para além de Fátima aonde se deslocou, numa tentativa para encontrar Marcenda:

"Ricardo Reis partiu para Fátima. O comboio saía do Rossio 
às cinco horas e cinquenta e cinco minutos, e meia hora antes 
de a composição entrar na linha já o cais estava apinhado de gente."

Ricardo Reis está aqui no livro. Dinâmico, parece que vivo, dialogante, médico ainda, de trabalho precário, quarenta e oito anos, natural do Porto, solteiro,” última residência, Rio de Janeiro, Brasil, donde procede, a recordar-nos tempos de Polícia política, de agentes a cheirar a cebola, provocando um sorriso irónico ao leitor que ainda se lembra da ditadura e da matança de Badajoz. Como se fosse um de nós, autónomo e senhor de si”, “é aqui que irá viver não sabe por quantos dias, talvez venha a alugar casa e instalar consultório, talvez regresse ao Brasil”. Veio para falar com Fernando Pessoa. O cemitério dos Prazeres é já ali, não muito longe do Hotel Bragança. Lá no jazigo 4371 está Fernando Pessoa. Sai de quando em vez e dialoga com Ricardo Reis. Rua do Alecrim, Chiado, Rua Garrett, Rossio, Calçada da Estrela, Largo de São Roque, Príncipe Real e Estátua de Eça de Queirós são referentes que nos remetem para a realidade, dissipando a ficção. 
Dezanove capítulos, não numerados, de 415 páginas, de vida de Ricardo Reis, médico de profissão, de guerra, de Hitler, de Salazar, de silêncio, de medo, de presos políticos, de palavras interditas, de manifestações de apoio contra o comunismo.

"Sem dúvida os sindicatos nacionais repelem com energia o comunismo, 
sem dúvida os trabalhadores nacionais(…) os sindicatos nacionais pedem a Salazar, 
em suma grandes remédios para grandes males, os sindicatos nacionais reconhecem(…)
a iniciativa privada e a apropriação individual dos bens, dentro dos limites da justiça social."

Há, também, os nomes que se recordam e cujas raízes ainda perduram: Luís Pinto Coelho, Fernando Homem Cristo, António Castro Fernandes, Ricardo Durão, Nobre Guedes, Jorge Botelho Moniz, de bancários de fita azul com a Cruz de Cristo no braço e as iniciais SNB.
Como se fosse um repórter, alguém que sentimos presente, o narrador vai-nos dando conta do quotidiano, sem esquecer a localização espacial, “Aqui o mar acaba e a terra principia”, pintando-a em tons de meteorologia. Há o rio e a água em abundância. Chove muito. E há Camões, Os Lusíadas, onde todos nós vamos dar.

"Todos os caminhos portugueses vão dar a Camões, de cada vez
 mudado consoante os olhos que o vêem, em vida sua braços às armas feito e 
mente às musas dado, agora de espada na bainha, cerrado o livro, os olhos cegos, ambos,
tanto lhos ficam os pombos como os olhares indiferentes de quem  passa."

Narrador omnisciente, que tudo sabe, com prerrogativas ilimitadas, sabendo o que está a acontecer, informa o que se passou, ao mesmo tempo que transmite uma visão do futuro, “Quando amanhã cedo o Highland  Brigade sair a barra, que ao menos haja um pouco de sol e de céu descoberto”. 
Não participando na acção, o narrador está em condições privilegiadas para observar e contar. Digamos que se trata, segundo Genette, de um narrador heterodiegético, com uma capacidade de contar que não é posta em causa, dada a autoridade que lhe advém do seu saber, embora não seja alheio a cenários ideológicos que se vão manifestando através das suas impressões, fruto da sua subjetividade.
Se é verdade que Ricardo Reis é transportado para a vida, suscitado pelas Odes descobertas na revista Athena, outras são as personagens revividas no Ano da Morte de Ricardo Reis. O hotel Bragança é o local de todos os encontros. Espanhóis que em Portugal procuram a paz e a serenidade que a guerra do seu país não proporciona. Marcenda, nome gerúndio, filha do Dr. Sampaio, notário de Coimbra, que é maneta, “irmã” física de Baltazar, do Memorial do Convento. Conheceram-se de soslaio na sala de jantar do hotel Bragança, “foi ela quem daí a pouco olhou, por cima da manga do criado que a servia, no rosto pálido perpassou uma brisa, um levíssimo rubor que era apenas sinal de reencontro”. Através do olhar mantêm uma relação que as regras da época não permitem ir muito longe. Carteiam-se e são parcos em contactos físicos. Casamento que é pedido e recusado. Nunca seriam felizes. Marcenda não o esquece. Uma ida a Fátima e um encontro fracassado e de fracasso é também o seu primeiro encontro com Lídia, figura nuclear nas Odes de Ricardo Reis. Transportada para a obra de Saramago, Lídia é filha de pai incógnito, empregada de quartos de hotel e de casas a dias, subalterna de Ricardo Reis, de parto adiado, de olhos vermelhos e inchados, grávida de médico, irmã de Daniel, marinheiro do Afonso de Albuquerque, também ele vítima da ditadura salazarista.
Não tendo nenhum assunto a tratar em Lisboa, Ricardo Reis decide ir ao cemitério dos Prazeres visitar Fernando Pessoa que tinha morrido e que se encontra no jazigo quatro mil trezentos e setenta e um. Depois de desencontros, a vinda a Lisboa acaba por resultar. Ricardo Reis que se confessa monárquico, sem rei, tivera o seu primeiro encontro com o seu “criador” graças ao poder vivificador do demiúrgico narrador. O verosímil acabara com as fronteiras entre a vida e a morte. A partir daqui tudo é possível, mas só durante oito meses pode circular à vontade, tempo suficiente para o total olvido.
Passaram oito meses e onze encontros. A noite estava quente, naquele final do mês de Agosto. O prazo estipulado por Fernando Pessoa estava a terminar. Só podiam estar juntos oito meses. Era ali, em Lisboa, “onde o mar se acabou e a terra espera”.
E a leitura/escrita poderia continuar…
João Cabrita"

Destaque para a Editora Saraiva (Brasil)

Mais informações sobre o catálogo em venda das obras de José Saramago


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Saramago: "La Navidad es una burbuja consumista que nos aísla del Apocalipsis" (25/12/2006 - 20minutos.es)

Saramago: "La Navidad es una burbuja consumista que nos aísla del Apocalipsis" 
(EFE 25.12.2006)

El escritor José Saramago considera que la época navideña, caracterizada por el consumismo y despilfarro en los países ricos, supone "vivir en una burbuja que nos defiende de lo que pasa afuera", donde hay personas que "nacen en el Apocalipsis, viven toda su vida en él y no tienen ninguna esperanza".

Destaque pode ser recuperado e lido aqui
em https://www.20minutos.es/noticia/185438/0/saramago/navidad/consumista/#xtor=AD-15&xts=467263

Saramago, en una imagen de archivo (J.Méndez/ EFE) J.MÉNDEZ/ EFE

"En una entrevista concedida a Efe durante una visita a Barcelona, el escritor portugués, ha destacado, con un discurso tremendamente pesimista, que esta situación "es uno de los dramas de la Humanidad" y ha advertido de que "lo que está pasado afuera es un crimen". 

Este mundo no tiene solución, no nos merecemos la vida 

Saramago recuerda que "nunca se ha podido vencer el hambre y la miseria", pero ahora "hay muchos más ricos que hace 50 ó 100 años, mientras los pobres se han multiplicado". 

"Hay que tener en cuenta que la distancia entre los que tienen y los que no tienen sólo guarda paralelismo con la distancia que existe entre los que saben y los que no saben, y los que no tienen son los que no saben", por lo que "son condenados desde que nacen", explica el célebre autor lusitano. 

"Este mundo no tiene solución, no nos merecemos la vida", ha sentenciado el escritor, premio Nobel de Literatura en 1998. 

El hombre es el único animal que tortura a sus semejantes   

Saramago ha apuntado que se tiene que ver "si la paz realmente es posible, porque hasta ahora no lo ha sido", en parte porque "imaginar al hombre como un ser pacífico, es completamente imposible". "El hombre es el único animal que tortura a sus semejantes", por lo que "no nos merecemos mucho respeto como especie", ha apuntado el escritor. 

Saramago se ha mostrado también muy pesimista respecto el futuro de Europa, que "no está definida, no se sabe lo que es y, al fin y al cabo, es un proyecto social que ha fracasado, porque no logra conciliar intereses", ya que "cada uno está tirando por su lado".



terça-feira, 17 de julho de 2018

Sobre António Mau-Tempo

(...) "grande contador de histórias, vistas e inventadas, vividas e imaginadas, e terá a arte suprema de apagar as fronteiras entre umas e outras" (...)
Levantado do Chão, pag. 124

sexta-feira, 29 de junho de 2018

11.º aniversário da Fundação José Saramago



Declaração de Princípios

Os objectivos da Fundação José Saramago, nesta data criada, estão enunciados com toda a clareza nas disposições estatutárias pelas quais deverá reger-se. Não têm, portanto, que ser repetidos aqui em Declaração de Princípios. Contudo, pareceu-me apropriado, na circunstância, expressar de modo pessoal umas quantas vontades (ou desejos) que em nada contradizem os referidos objectivos, antes os poderão enquadrar num todo harmonioso e familiarmente reconhecível. Não me dou como exemplo a ninguém, porém, revendo a minha vida, distingo, ora firme, ora trémula, uma linha contínua de passos que não projectei, mas que, de maneira consciente ou não tanto, me fizeram perceber que nenhuma outra poderia servir-me, ao mesmo tempo que se me ia tornando cada vez mais claro que uma das minha obrigações vitais seria servi-la eu a ela. Ter conhecido Pilar, viver ao seu lado, só viria confirmar-me que tal direcção era a correcta, tanto para o escritor como para o homem. A direcção dos grandes valores, sim, mas também a direcção das pequenas e comuns acções que deles decorrem no quotidiano e que lhes darão a melhor validez das experiências adquiridas e das aprendizagens que não cessam. O paradoxo da existência humana está em morrer-se em cada dia um pouco mais, mas que esse dia é, também, uma herança de vida legada ao futuro, que o futuro, longo ou breve seja ele, deverá assumir e fazer frutificar. Nem por vocação, nem por opção nasceu a Fundação José Saramago para contemplar o umbigo do autor.

Sendo assim, entre a vontade e o desejo, eis as minhas propostas:

a ) Que a Fundação José Saramago assuma, nas suas actividades, como norma de conduta, tanto na letra como no espírito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Nova Iorque no dia 10 de Dezembro de 1948.

b) Que todas as acções da Fundação José Saramago sejam orientadas à luz deste documento que, embora longe da perfeição, é, ainda assim, para quem se decidir a aplicá-lo nas diversas práticas e necessidades da vida, como uma bússola, a qual, mesmo não sabendo traçar o caminho, sempre aponta o Norte.

c) Que à Fundação José Saramago mereçam atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo.

Bem sei que, por si só, a Fundação José Saramago não poderá resolver nenhum destes problemas, mas deverá trabalhar como se para isso tivesse nascido.

Como se vê, não vos peço muito, peço-vos tudo.

Lisboa, 29 de Junho de 2007

José Saramago

A presente declaração de principios que orientam a Fundação José Saramago pode ser consultada aqui em https://www.josesaramago.org/declaracao-de-principios/

https://www.youtube.com/watch?v=F-KKemLlRH8

"No dia 29 de junho de 2007, a meio da tarde, numa casa perto da Praça de Londres, assinava-se a acta de constituição da Fundação José Saramago. Nesse dia, ganhava estatuto legal a aventura, iniciada uns meses antes, de pôr de pé uma casa aberta, múltipla, interveniente, combativa, com objectivos definidos pelas palavras plasmadas na Declaração de Princípios que nos orienta. No final desse documento, o Prémio Nobel português, afirmava: «Como se vê, não vos peço muito, peço-vos tudo». Hoje, passados dez anos, o tudo que se conseguiu, deixa-nos com a certeza de para isso termos trabalhado. Com a mágoa diária de não o termos connosco, levamos o seu legado em cada acção que realizamos, seja na Casa dos Bicos, que desde 2012 nos acolhe, noutros locais espalhados pelo mundo, ou na «infinita página da Internet». Para trás, ficam algumas centenas de iniciativas realizadas, organizadas a sós ou em parceria com outras entidades, fica o trabalho de acolhimento a quem nos visita diariamente a partir dos quatro cantos do mundo, fazendo muitas vezes desta Casa o primeiro espaço a visitar em Lisboa, fica a emoção que observamos nos olhos dos leitores de Saramago. Fica também o justo agradecimento a todos os que, directa ou indirectamente, contribuem para que a Fundação seja uma realidade sólida no espaço cultural português e internacional. E, por fim, fica a certeza de que a estes dez anos muitos mais se somarão. Porque enquanto não se cumprir o «tudo» a que as palavras que José Saramago nos obrigam, o «muito» que se faça será sempre pouco. A todos os que nos visitam, virtual ou fisicamente, o nosso obrigado."
Via Fundação José Saramago

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Textos inéditos de José Saramago apresentados em Santarém" via "O Mirante" (11/06/2018)

A notícia pode ser consultada e recuperada aqui
em http://omirante.pt/sociedade/2018-06-11-Textos-ineditos-de-Jose-Saramago-apresentados-em-Santarem

"Textos inéditos de José Saramago apresentados em Santarém"
"A iniciativa, que assinala os oito anos da morte do Prémio Nobel da Literatura, é promovida pelo Grupo “Mais Saramago”.
Textos inéditos de José Saramago vão ser apresentados no dia 18 de Junho, pelas 18h00, no Fórum Actor Mário Viegas do Centro Cultural Regional de Santarém,.

A iniciativa, que assinala os oito anos da morte do Prémio Nobel da Literatura, é promovida pelo Grupo “Mais Saramago”, fundado em Santarém, no dia 1 de Dezembro de 2006, e responsável pela criação da estátua, em homenagem ao escritor, na freguesia da Azinhaga, sua terra natal.

A organização recorda que o autor esteve no Fórum Mário Viegas, no dia 30 de Novembro de 1991, para apresentar a sua obra intitulada “O Evangelho segundo Jesus Cristo”."

sexta-feira, 8 de junho de 2018

José Saramago pela criadora Paula Marques

Agradecer publicamente tão generosa atenção aproveitar para divulgar o trabalho da 
criadora Paula Marques (designer & illustrator)



Dedicar as palavras:
"Há imagens que ficam. E a imagem das coisas tem muito a ver com a pessoa que somos, com o olhar que temos, com a sensibilidade que transportamos dentro de nós." (...)
Entrevista de Gema Veiga a José #Saramago para a revista "Elle" (Madrid, Março de 2007)



Apresentação do livro "Diálogos con José Saramago" do Professor Carlos Reis na Feira do Livro de Madrid (via Real Academia Española, 05/06/2018)


A presente informação pode ser consultada e recuperada aqui



"Diálogos con José Saramago en la Feria del Libro de Madrid
Participó el director de la RAE, Darío Villanueva
Ayer se presentó en la Biblioteca Eugenio Trías el libro Diálogos con José Saramago, del ensayista y catedrático de Literatura de la Universidad de Coimbra (Portugal) Carlos Reis.

En el acto, enmarcado en las celebraciones por la Feria del Libro de Madrid, participaron, además del autor de la obra, Darío Villanueva, director de la RAE; Tomás Albaladejo, catedrático de Teoría de la Literatura y Literatura Comparada de la Universidad Autónoma de Madrid; Filipa Soares, del Instituto Camões, y la periodista y viuda del nobel de literatura portugués, Pilar del Río. 

Tal y como señaló la propia Pilar del Río, «esta obra sirvió para que Saramago recuperara de la memoria sus primeros escritos». Una obra que la editorial La Umbría y la Solana acaba de publicar en español, con traducción de Susana Gil. 


NARRADOR DE IDEAS

Darío Villanueva quiso resaltar de José Saramago que «era un gran creador», ya que tenía una conciencia de la literatura «como un sistema de relaciones insertadas en la sociedad en la que intervienen diferentes agentes. Toda esta suma es la que forma ese sistema de la literatura del que formaba parte Saramago». 

Este sistema literario, continuó Villanueva, parte de un juego entre escritor y lector. Entre uno y otro intervienen otros factores, como el editor, la censura en algunos casos, el agente literario. «Pero la obra existe en cuanto que es leída. Esta idea —añadió el director de la RAE— está muy presente en Saramago, quien reconoció que nunca se sintió escritor hasta que no tuvo muchos lectores». Un libro, añadió Villanueva, que, siendo de conversaciones, «incluye un tratado sobre literatura y nos deja una huella imborrable de quién fue José Saramago». 

Darío Villanueva también quiso referirse al nobel portugués como «un gran narrador de ideas [...]. La función extraordinaria del escritor que plantea en su obra preguntas es una cualidad de Saramago, algo que Carlos Reis ha sabido plasmar muy bien en este libro». 


DIÁLOGOS CON SARAMAGO

Si bien han pasado casi veinte años desde que «iniciamos estas conversaciones», tal y como apuntó Carlos Reis, «Saramago seguirá estando presente con nosotros siempre porque es un gran escritor».

Diálogos con José Saramago nació en Lanzarote, donde residía el nobel portugués y a donde se trasladó Reis. Se recogen en él más de siete horas de conversaciones sobre el oficio de escribir, la trayectoria personal y profesional de Saramago y su opinión sobre otros escritores que le precedieron, sobre su obra y su influencia. Tres días de trabajo en los que ambos, Saramago y Reis, hablaron sobre el lenguaje de la narración, de la inspiración y del trabajo diario, pero también sobre la vida y la condición del escritor, de sus primeras novelas y lecturas, de cómo se eligen los títulos o estos eligen al autor.


LECTURA FASCINANTE

El profesor Tomás Albaladejo recordó que la lectura de este libro tiene, como muchas obras de Saramago, «el sabor de la oralidad». Albaladejo añadió que en la obra de Saramago se hallan todas las preguntas y respuestas, así como los asuntos y problemas más importantes de la literatura. 

Diálogos con José Saramago es, como concluyó Filipa Soares, «un libro fascinante que ofrece la oportunidad a los lectores de reconocer el interior de Saramago»."




quarta-feira, 23 de maio de 2018

Faleceu Júlio Pomar artista plástico e homens das artes

Fotografia de Rui Gaudêncio

Em 11 de Janeiro de 2013, a Fundação José Saramago publicava o texto que se segue, e pode ser recuperado e consultado aqui

"Júlio Pomar já tem o seu Atelier-Museu em Lisboa. E já os amantes da pintura poderão gozar da obra deste grande artista português, amigo de José Saramago, autor do cartaz que anunciava a ópera Blimunda, baseada no romance Memorial do Convento, para o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Júlio Pomar e José Saramago não foram apenas amigos, foram também cúmplices na oposição à ditadura de Salazar e juntos celebraram a democracia e contaram Portugal em diferentes partes do mundo. A primeira gravura que José Saramago pôde comprar na sua vida é de autoria de Pomar e pode ser vista na Fundação José Saramago, na reprodução do escritório que se exibe no primeiro andar da Casa dos Bicos, no final da exposição A Semente e os Frutos.

Parabéns, Júlio Pomar por este Atelier-Museu que a partir de abril deverá ser visitada como uma jóia principal da cidade de Lisboa.


No dia em que completou 87 anos, Júlio Pomar recebeu finalmente a prenda que lhe estava prometida desde 2000 pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), através do então presidente João Soares: um espaço para instalar um atelier-museu dedicado à sua obra. Depois de anos de complicações e burocracias, avanços e paragens, a obra de reconstrução do velho armazém na Rua do Vale, perto de São Bento, assinada pelo arquitecto Álvaro Siza, está concluída e abre portas já em Abril. Hoje foi por isso dia de se celebrar. “Finalmente está feito.” Chama-se Rua do Vale mas podia bem ser a Rua Júlio Pomar. É uma rua estreita, com passeios apertados e de apenas um sentido. Típico bairro lisboeta, onde já é habitual ver o pintor. É aqui que vive e é aqui que trabalha, ou não fosse o atelier em sua casa. E agora é também aqui que a sua obra vai passar a estar exposta, no número 7 dessa rua, no Atelier-museu Júlio Pomar. A longa fachada branca com várias janelas serve quase de caixa-forte do que o interior guarda. Lá dentro, num espaço pensado e projectado por Álvaro Siza, estará todo o espólio do pintor pertencente à Fundação Júlio Pomar. Entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, quase 400 obras. Já há exposições programadas e também colaborações institucionais, com museus e universidades, em curso. Em Abril vamos saber mais porque quinta-feira o dia foi de festa. Pomar faz anos e as obras acabaram. “É um presente de amigos”, diz, não poupando elogios a Siza, arquitecto que escolheu para este projecto. “Este espaço parece-me magnífico, parece-me uma grande lição dada pelo Siza, que é o menos fantasista dos arquitectos que conheço, tudo o que ele faz é pensado e sentido”, acrescenta, lamentando no entanto as burocracias e problemas que a obra levantou ao longo do tempo e que levou a constantes adiamentos.


Desde que João Soares deliberou que o edifício seria para Júlio Pomar que mais três presidentes (Carmona Rodrigues, Santana Lopes e António Costa) passaram pela CML, tal foi a quantidade de avanços e recuos. O projecto inicial, que seria a criação de um atelier, foi abandonado à medida que os anos foram passando. Hoje, Pomar tem um museu. “Porque tem mais lógica”, diz. “O que não quer dizer que não faça os seus desenhitos, mas acredito que trabalhará muito melhor, no seu atelier mesmo aqui em frente e ao qual já está habituado”, conta Siza, explicando que o pintor em nada interferiu na projecção da obra. Se alguma influencia existiu na idealização do espaço foi a amizade entre os dois, que “deu um ar de felicidade ao interior”. “Isto assim como está é o que faz mais sentido”, garante o pintor, não escondendo a gratidão também perante António Costa, o actual presidente da Câmara.

“Porque é que uma ideia leva 12 anos a ser concretizada?”, questiona-se Costa, que entregou simbolicamente a chave do edifício a Pomar, que imediatamente fez questão de a passar a Sara Antónia Matos, a directora do Atelier-Museu. “Não é obvio que um barracão que estava abandonado devia ser transformado em algo como aquilo que temos aqui hoje? Não é óbvio que é um privilégio para Lisboa ter no seu território uma obra de Siza? Não é óbvio que Júlio Pomar é um artista extraordinário?”, continua o presidente, queixando-se da regulamentação “muito pesada e que complica muito”. Por tudo isto, a obra, paga na sua totalidade pela Câmara, ficou em cerca de 900 mil euros, valor que podia ter sido mais baixo se se tivesse levado menos tempo, explica Costa.

Nas paredes para já está apenas um quadro, Praça do Comércio, de 2007. A escolha é simbólica, explica a directora. Além de ter sido a última doação à Fundação, apenas há dias, foi a mulher do pintor que ofereceu. “Agora é preciso que chegue Abril para o espaço ganhar vida.”

quarta-feira, 9 de maio de 2018

"José Saramago nas suas palavras" Publicado na Folha de São Paulo (Brasil) sobre o Acordo Ortográfico (29/11/2008)

"Em princípio, não me parecia necessário [o acordo ortográfico da língua portuguesa de 1990, adotado pelos países lusófonos em 2008, para sua entrada em vigor no ano seguinte]. De toda forma, continuaríamos a nos entender. O que me fez mudar de opinião foi a ideia de que, se o português quer ganhar influência no mundo, tem de adotar uma grafia única. Se Portugal tivesse 140 milhões de habitantes, provavelmente teríamos imposto ao Brasil a nossa grafia. Acontece que os 140 milhões estão no Brasil, e o Brasil tem mais presença internacional. Quando acabou o “ph”, não consta que tenha havido em Portugal uma revolução. Perderíamos muito com a ideia de que o português é só nosso, acabaria como o húngaro, que ninguém entende nada."

“A humanidade não merece a vida”
Folha de S.Paulo
São Paulo - Brasil
29 de novembro de 2008

"Saramago já mora em Óbidos" via "Gazeta das Caldas" (Fátima Ferreira, 04/05/2018)

A notícia publicada no "Gazeta das Caldas" via online, pode ser recuperada e consultada aqui
em https://gazetacaldas.com/cultura/saramago-ja-mora-obidos/

"Saramago já mora em Óbidos" via "Gazeta das Caldas" (Fátima Ferreira, 04/05/2018)

"Celeste Afonso, Pilar del Rio, Humberto Marques, Jorge Leonardo e José Pinho" 
Créditos: Fátima Ferreira

"O Dia Mundial do Livro (23 de Abril) foi assinalado em Óbidos com a abertura da Casa Saramago, numa parceria entre a Fundação do Nobel da Literatura e a Óbidos Cidade Criativa da Literatura da UNESCO, que ali também está sediada. “É uma honra para a fundação José Saramago vir ao coração do centro do Portugal”, disse a sua presidente, e viúva do Nobel, Pilar del Rio, acrescentando que a casa deve “ser um mapa que cada dia se pode escrever de uma maneira distinta”.
O espaço multifuncional e multicultural acolherá exposições, lançamentos de livros, filmes, espetáculos, workshops e é composto por um auditório e biblioteca e sala de leitura.

“Nos próximos tempos aqui poderemos ouvir poesia, música, teatro e ter exposições, que são a manifestação profunda do que são os seres humanos”. As palavras são de Pilar del Rio que referiu ainda a possibilidade dos dois milhões de visitantes anuais da vila poderem também entrar nesta casa e nela encontrarem livros e filmes de Saramago em vários idiomas. O escritor é um dos autores portugueses mais traduzidos no mundo.
A programação ainda não está fechada, mas a responsável disse que o objectivo é levar a Óbidos “muita da programação da Casa dos Bicos, numa versão adaptada à sua dimensão”. Por ali passarão parte das exposições rotativas da Fundação, sobre a obra de Saramago, assim como a apresentação de peças de teatro, eventos musicais e outras iniciativas que façam a palavra circular. De acordo com Pilar del Rio, a programação não se resume à “palavra de Saramago”, lembrando que o último trabalho apresentado na Casa dos Bicos não esteve directamente relacionada com a obra do Nobel português.
Da colaboração entre a Fundação e a Óbidos Vila Literária nascerá o programa a desenvolver até ao final do ano, mas Pilar del Rio adianta que poderá passar por Óbidos uma exposição que reunirá frases de 23 autores galardoados com o prémio Nobel, tanto na literatura como na música.

“Lugar de permanente criação”

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, esteve para vir à inauguração, mas não pôde estar presente por questões de agenda. Fez-se representar pelo chefe de gabinete, Jorge Leonardo, que leu uma mensagem do governante que destaca Óbidos como um “exemplo da relação perfeita que é possível ter e aprofundar entre o património e o valor cultural e intemporal do livro e da leitura”. Referindo-se à Casa Saramago, o governante referiu que será mais um lugar de “permanente criação que ultrapassará as fronteiras de Óbidos”.
O presidente da Câmara, Humberto Marques, disse que aquele não pretende ser apenas um espaço de memórias, mas um local onde haja um permanente processo criativo com a presença de escritores do presente, e de várias línguas, de modo a captar também novos leitores.
“Para nós o livro é uma porta que se abre ao mundo”, disse o autarca, que aposta na cultura como o motor de desenvolvimento e afirmação daquele território. E deixou pedidos ao governo: “também precisamos que o Ministério da Cultura olhe para esta estratégia não como de Óbidos, mas do país”.
O designer Jorge Silva, autor do conceito da Casa Saramago em Óbidos, referiu que o mobiliário e a decoração das paredes “são muito singelos”. Disse ainda tratar-se de um trabalho de continuidade e que a “verdadeira mobília vai aparecer depois -serão as pessoas que a vão habitar, ler e aprender”
Localizada na antiga Galeria do Pelourinho, a Casa Saramago tem diversos espaços, como loja, galeria, sala de leitura e biblioteca, auditório e a sede de Óbidos Cidade Criativa da Literatura."

sexta-feira, 4 de maio de 2018

1.º Colóquio de Estudos Saramaguianos (UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil de 13 e 15 de Junho)

Que enorme satisfação em divulgar todos os eventos e trabalhos realizados pelos "criadores" e Académicas e Académicos brasileiros, estudiosos da obra de José Saramago.

Bem Hajam estes nobres "Saramaguianos" que não deixam a obra e o autor "morrer"!!!!!



"Estão abertas as inscrições para o 1o Colóquio de Estudos Saramaguianos, que a UFRN vai sediar entre os dias 13 e 15 de junho. O evento marca os 20 anos da atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago. A conferência de abertura será da professora Teresa Cristina Cerdeira da Silva, da UFRJ. Informações e inscrições em




"Revista Blimunda" Edição #71 - Abril 2018

"Para ler e descarregar a revista aceda: 

"Que Lisboa estamos a construir para o futuro? Essa é a pergunta que permeia boa parte do número #71 da revista Blimunda. Conversámos com especialistas, procurámos textos de José Saramago sobre a cidade e terminamos a edição com mais perguntas do que respostas. Objetivo cumprido.

Nesta edição também se fala sobre uma mostra de cartazes políticos, sobre ciúme, sobre o trabalho do ilustrador Isidro Ferrer, e sobre outros vários temas.

Bem-vindos a mais uma edição da Blimunda. Boas leituras e boas reflexões!"

 "A epígrafe da Revista Blimunda #71"


"Que Lisboa queremos para o futuro, 
pergunta o editorial da Revista Blimunda."