Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"ideias claras, escrita clara" Entrevista de José Saramago à revista "Nova Escola" - 2003

Todo o artigo pode ser consultado e lido, aqui
em http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/ideias-claras-escrita-clara-423611.shtml

"Confira entrevista concedida à NOVA ESCOLA em 2003, na qual Saramago argumenta que a língua é uma ferramenta de comunicação e cabe à escola ensinar a usá-la"

"...ler em voz alta. 
Não há maneira melhor de ganhar consciência 
do que se lê e do que se poderá vir a escrever." 

"José Saramago nasceu em 1922 em Azinhaga, aldeia próxima a Lisboa, Portugal, para onde se mudou com seus pais ainda pequeno. Por dificuldades econômicas, interrompeu os estudos ao concluir o liceu (equivalente ao Ensino Fundamental). Voltou a estudar mais tarde, em curso técnico. Foi serralheiro, mecânico, desenhista, funcionário público, editor e tradutor antes de consagrar-se como um dos mais destacados escritores contemporâneos. Em 1998 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2009, publicou seu último romance, Caim. Saramago faleceu no dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos, em sua residência, nas Ilhas Canárias.

O Prêmio Nobel de Literatura José Saramago começou a ter contato com livros ao freqüentar o curso técnico de mecânica, estimulado pela disciplina de Literatura. Escreveu seu primeiro romance aos 25 anos, Terra do Pecado, e parou. Ficou duas décadas sem nada publicar. Em 1966 lançou coletâneas de poemas e ensaios escritos nas horas vagas. Sua carreira literária decolou mesmo quando ele estava com 57 anos, com Levantado do Chão. Dono de narrativa de estilo inconfundível, faz de seus romances verdadeiras reflexões sobre o ser humano, suas preocupações mais íntimas e aspectos da vida que o inquietam. Saramago esteve no Brasil em maio de 2003, lançando o romance, O Homem Duplicado,  quando nos concedeu esta entrevista por e-mail, contando um pouco de seu processo de criação e de sua visão do papel do professor e da escola na formação do aluno leitor e escritor. "Cabe à escola ensinar o aluno a escrever corretamente", afirma o autor, para quem a língua é a mais eficiente ferramenta de comunicação e, como tal, "precisa estar sempre limpa e em condições de uso". As ideias de Saramago põem em questão o papel da escola no desenvolvimento da criatividade. Ele provoca os educadores ao afirmar que para navegar sem regras é preciso ser um bom condutor, e este não se faz sem aprendê-las. Saramago não espera - e portanto não cobra - da escola a subversão da língua, e sim seu domínio."

(Fotografia que acompanha a entrevista: Associated Press/AP)


Entrevista
"O estilo de sua escrita muitas vezes subverte a estrutura da língua portuguesa, atitude raramente valorizada pelos professores quando manifestada pelos alunos. O senhor acredita que há pouca flexibilidade na forma de lecionar o português? 
José Saramago - A escola deveria ensinar a ouvir. Cabe a ela ensinar o aluno a escrever corretamente e também explicar por que as regras são assim, e não de outra maneira. Mas a escola não será o lugar onde se subverte e revoluciona a estrutura da língua. Essa tarefa pertence aos escritores, se estes consideram que têm motivos para o fazer. 

A maneira como a língua é ensinada não influi no surgimento de novos estilos? 
Saramago - Os estilos saem do ovo da sua própria necessidade. Ensine-se a pensar claro e a escritura será clara. E, já agora, gostaria que houvesse uma luta implacável contra o erro de ortografia. A língua é uma ferramenta de comunicação de todas a mais perfeita , e as ferramentas (pergunte-se a um operário) têm de estar limpas e em condições de trabalhar eficazmente. 

É difícil criar uma nova maneira de redigir quando existe toda uma norma culta que impõe regras a quem usa a língua? 
Saramago - Como eu disse, a escola não é o lugar em que se subverte a estrutura da língua porque ela não tem preparação própria suficiente para se arriscar nessa aventura. As regras são como os sinais de trânsito numa estrada. Estão ali para orientar e dar segurança ao condutor. Claro que é possível viajar por uma rodovia onde não haja sinais de trânsito, mas para isso é indispensável ser um bom condutor. Aí está a diferença. 

Nas suas memórias de estudante, o que mais influenciou a sua carreira? 
Saramago - Nada me influenciou verdadeiramente, nem ninguém. Salvo a seleta escolar (a coletânea de textos literários que havia à disposição dos alunos), que para mim fez as vezes da biblioteca que não existia na minha casa. Depois descobri o caminho das bibliotecas públicas, e foi aí, sem que eu pudesse sequer imaginá-lo, que o escritor começou a nascer. 

No início de sua carreira, a crítica literária muitas vezes foi negativa ao analisar suas obras, mas isso não o impediu de continuar... 
Saramago - Uma ou outra crítica reticente ou negativa que algum dia me tenha sido feita não mereceria que lhe pusessem ao pescoço um cartaz tão terrível. Salvo, evidentemente, se se trata de opiniões que não chegaram ao meu conhecimento. De qualquer modo, nem a crítica mais destrutiva me faria desviar do meu caminho. 

O prazer que crianças e adolescentes sentem ao escrever corre o risco de ser minado por críticas negativas recebidas durante as aulas. Como seria a maneira mais adequada de analisar as redações dos alunos? 
Saramago - Penso que a análise deveria ser não de julgamento, mas orientadora. O mais fácil de tudo é dizer "isto está bem" ou "isto está mal". Os problemas começam quando se quer explicar o porquê e se chega à conclusão de que afinal o que determinou o juízo, positivo ou negativo, foi simplesmente o gosto pessoal e intransmissível do mestre. 

De que maneira um professor de Língua Portuguesa incentiva e ajuda seus alunos a compor boas redações? 
Saramago - Pondo-os para ler em voz alta. Não há maneira melhor de ganhar consciência do que se lê, e, portanto, do que se poderá vir a escrever. O que os signos impressos mostram é o desenho da palavra "embalsamada". Só a leitura em voz alta a "ressuscita" completamente. Os docentes dirão que não há tempo para isso, mas depois não terão outro remédio que corrigir erros que poderiam ter sido evitados. Se é que verdadeiramente os corrigem. Porque corrigir não é traçar um risco vermelho debaixo da palavra. Corrigir é reconstruir a palavra na mente do aluno. 

Como se dá o processo de criação de seus livros? 
Saramago - É quase impossível lhe dar essa resposta. Pode-se recordar como nasceu a idéia de um romance, pode-se reconstituir mais ou menos o que no seu percurso foi consciente, mas, tal como sucede com os icebergs, o mais importante não se vê. O que sustenta o visível está por baixo. Sabe-se aonde se quer chegar, mas, exceto alguns pontos de passagem, não conhecemos o itinerário. Como escreveu Antonio Machado, o grande poeta espanhol, é o andar que faz o caminho. 

O senhor não planeja a obra que está iniciando? 
Saramago - No meu caso particular, o romance cresce como cresce uma árvore. Suponha que a árvore conhece a altura que terá, o aspecto geral da espécie a que pertence, mas sabe (imagino que sabe) que não será igual à sua vizinha. Os ramos podem nascer-lhe mais acima ou mais abaixo, apontar para um lado ou para outro. Se tem um plano de crescimento, é possível dizer que nesse plano há tanto de liberdade como de necessidade. Para mim, seria impensável estabelecer um plano rígido para o livro, com cada coisa no seu lugar e um lugar para cada coisa. As associações de idéias, processo mental que não controlamos, podem levar-nos por caminhos que não havíamos previsto. Também na escrita a liberdade vai de braço dado com a necessidade. 

Depois de finalizar um romance, o senhor costuma modificar o que inicialmente escreveu, aumentar ou diminuir capítulos, inserir novos trechos? 
Saramago - Volto à comparação com a árvore. Podemos conceber uma árvore capaz de corrigir-se a si mesma? Não ignoro que há autores que trabalham longamente sobre o texto, que desenvolvem, encurtam, intercalam. Não é o meu caso. Avanço devagar, com a preocupação de não deixar pontas soltas, e isso permite-me manter sempre "esticado" o fio narrativo. De todo o modo, não devemos esquecer que o texto é inseparável do momento em que é escrito. Há muito de aleatório no que se escreve. 

O que significa escrever para o senhor? 
Saramago - É ir descobrindo que tínhamos na cabeça mais coisas do que havíamos suposto antes. 

Como o senhor escolhe os temas de seus romances? 
Saramago - Não "escolho" os assuntos dos meus romances. São eles que se apresentam de súbito, e às vezes nas situações mais prosaicas. O autor é "escolhido" pelo assunto, não o contrário. Quando parar de redigir, isso significará que os temas deixaram de considerar-me capaz de lidar com eles. Quanto à circunstância de que eles sejam o que são e não outros, isso explicar-se-á, talvez, por determinados estímulos exteriores encontrarem eco na minha mente mais facilmente que outros. 

Há temas que o escolhem, então, com mais frequência? 
Saramago - Há que levar em conta a natureza pessoal do autor. Não tenho nada contra a alegria, mas sou e sempre fui melancólico. E tenho a veleidade de pensar que o ser humano cresce mais com a tristeza que com a alegria. Começando pelas crianças. Se uma criança está triste, melancólica, pensativa, deixemo-la em paz porque está a crescer."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conferência em Paris - "Academia Universal das Culturas" (Cadernos de Lanzarote Diário II - 20/12/1994)

in, "Cadernos de Lanzarote - Diário II"
Caminho, páginas 254 a 259 (20/12/1994)

"Não sei se diga. Não sei se diga que vim a Paris, não sei se diga que participei pela primeira vez na assembleia da Academia Universal das Culturas e que nela botei fala crítica, tão protestativa quanto dorida-mente patriótica. Se digo, que dirão? Que não devia dizer, que deveria ter dito outra coisa, tudo menos que fui a Paris e que me receberam na Academia, aquela. Portanto não digo que infelizmente Jorge Amado não estava, mas que estavam, entre outros de que não tinha notícia anterior, Elie Wiesel, Umberto Eco, Wole Soyinka, Paul Ricoeur, Jacques Le Goff, Ismail Kadaré, Jorge Semprun. Também não digo que conheci com gosto e proveito o libanês Amin Maalouf, o tunisino Mohamed Talbi, o israelita Joseph Ciechanover, uns tantos outros de aqui e de além, de que não farei men-ção para não alongar mais o que não digo. Limitar-me-ei a dizer umas quantas palavras daquelas que não disse: 

«Quando se pede a um português uma definição breve do seu País, as explicações previsíveis, pondo de parte alguma diferença de pormenor, são, invariavelmente, duas: a primeira, ingénua, optimista, proclamará que jamais existiu, debaixo do Sol, outra terra tão notável e tão admirável gente; a segunda, pelo contrário, corrosiva e pessimista, nega essas sublimadas excelências e afirma que, últimos entre os últimos no continente europeu desde há quatro séculos, nessa situação ainda hoje nos comprazemos, mesmo quando protestamos dela querer sair. 
«Procuram os optimistas encontrar em tudo razões para que os Portugueses possam vangloriar-se duma identidade, duma cultura, duma história alegadamente superiores, como se História, Cultura e Identidade, qualquer que seja o grau de comparabilidade recíproca admissível, não fossem radicalmente inseparáveis, em causa e efeito, da própria relação social, conflitiva ou harmoniosa, dos seres humanos no tempo. 
«Já os pessimistas, propensos, em geral, a uma percepção relativizadora dos factos, afirmam que a História e a Cultura portuguesas, projectadas na época dos Descobrimentos em todas as direcções do globo, não foram, depois deles, e hoje, no limiar de integrações de todo o tipo que se anunciam arrasadoras, igualmente não parecem, essa História e essa Cultura, bastante sólidas para defender, preservar e intensificar a identidade de um povo que, com demasiada frequência, cai na simpleza de gabar-se de viver dentro das mais antigas fronteiras da Europa, como se o facto, inegável, se devesse exclusivamente a méritos próprios, e não, como a História ensina, aos acasos da geografia e à evidente insignificância estratégica da região.» 
Também não disse: 
«Ao longo de quatro séculos vivemos o que poderia denominar-se a expressão endémica duma subalternidade estrutural, atravessada por surtos agudos de intervenção estrangeira directa, como foi o caso do pró-consulado de William Beresford, o general inglês que foi para Portugal em 1809, com a missão de reorganizar o exército desmantelado em consequência da primeira invasão napoleónica, e que no país se manteve até 1820, exercendo um poder que foi, primeiro, rigoroso, depois abusivo, e finalmente ditatorial. Do mesmo nosso aliado britânico viria mais tarde, em 1890, a brutalidade e a humilhação do Ultimatum, sem dúvida um episódio menor no quadro mundial das disputas coloniais da época, mas que se configurou como ocasião para uma daquelas erupções de passionalidade patriótica com que, de longe em longe, procura equilibrar-se vitalmente a habitual passividade portuguesa. Chegou-se ao ponto de promover uma subscrição nacional para a compra de navios de guerra, a qual, sendo tão escassos os recursos do País, não deu para mais que a aquisição de um cruzador, construído em Itália, que entrou em Lisboa sete anos depois. Tinha razão Antero de Quental quando escreveu, no meio do mais indignado ardor das manifestações públicas, estas lúcidas e implacáveis palavras que deveriam ter-nos servido de lição para o futuro: "O nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos...".» 
Igualmente não disse: 
«Acabados de sair duma longa e traumatizante guerra colonial, teria sido desejável que os Portugueses tivessem podido pensar sobre si mesmos, examinando o seu passado e o seu presente, para depois, pelos caminhos de uma consciência criticamente nova, acertarem o passo com a Modernidade, sendo, porém, primeira condição desse ajuste novo o apuramento e desenvolvimento de mais amplas capacidades de auto-regeneração, e não a simples adopção, voluntária ou forçada, de modelos alheios que, no final das contas, já demasiado o sabemos, muito melhor servem a alheios interesses. 
«Porém, a História tinha pressa, a História não podia esperar que os Portugueses parassem para pensar em si mesmos, fazendo algo parecido com um exame do seu sentido histórico, num trabalho sério de reflexão colectiva que lhes permitisse identificar claramente as causas estruturais, mas também ideológicas e psicológicas, da sua tendência a aceitarem ser, como por uma espécie de determinismo congénito, um parceiro menor, e de certa maneira nisso se satisfazerem, talvez porque essa subordinação lhes permite, por um lado, exercitar a paixão da lamentação e do protesto contra as constantes incompreensões e injustiças dos poderosos, paixão essa acrescida de um fechar-se em si mesmos a que chamam orgulho nacional, e, por outro lado, persistir em interpretações messiânicas do destino português, actualizando-as e adaptando-as, melhor ou pior, às novas realidades exteriores. «Bastará recordar a Mensagem de Fernando Pessoa, agora retomada por novos visionários de todas as idades, porventura de uma maneira menos primariamente "patriótica", dificilmente adoptável por aqueles outros, os pragmáticos, que se preocupam, sobretudo, com decorar e repetir, como se seu fosse, o discurso europeu oficial, abandonando, por antiquados, os sonhos pessoanos de um império espiritual português, excepto nos casos em que tal discurso se mostre ainda ideologicamonte vantajoso para uso interno, ainda assim muito mais com o objectivo de ornamentar com citações literárias a banalidade da nova retórica política do que por convicta adesão a esses retardados messianismos.» 
O que vem a seguir também não foi dito: 
«Interessante, porém, será observar como uns e outros, os visionários e os pragmáticos, coincidem numa visão finalmente providencialista: enquanto os primeiros teimam em colocar num tempo sucessivamente adiado a Hora em que Portugal se achará a si mesmo, os outros, prosseguindo um percurso mental semelhante, colocam as suas esperanças nas benesses materiais da União Europeia, graças ao que, com mínimo esforço próprio e como por um efeito mecânico de «arrastamento», consequência do processo integrador geral, todos os problemas portugueses se acharão resolvidos, com as evidentes vantagens do dinheiro fácil, do curto prazo, das datas à vista, em lugar da infinita espera de um infinito futuro. 
«Tudo considerado, creio poder dizer-se, quanto aos primeiros, que lhes é bastante indiferente o que Portugal venha a ser, desde que seja (mesmo apresentando-se tão pouco nítido o ser que é possível deduzir das suas nebulosas especulações); quanto aos segundos, tão-pouco essa questão lhes parece importante, porque, não tendo uma ideia precisa do que Portugal poderia ser, estão decididos a transformá-lo noutra coisa o mais depressa possível, e, sendo tão faltos de imaginação criadora, não serão capazes de fazer melhor que pagar, por qualquer preço, o modelo europeu prêt-à-porter, onde o corpo português terá de entrar, com jeito ou à força, consoante as exigências de cada momento, reduzindo-o no que sobrar ou esticando-o até à completa ruptura social e cultural.» 
E finalmente não disse: 
«Portugal não foi capaz, até hoje, nem parece preparado para o fazer, de definir e executar um projecto nacional próprio, obviamente enquadrável, sendo as coisas o que são, na União Europeia, mas não exclusivamente tributário dela, porquanto uma definitiva dependência económica (ressalvando o que na palavra definitivo há de demasiado categórico) não deixará de acarretar uma dependência política e cultural não menos definitiva. O que, no decorrer dos tempos, foi começado por incipientes interesses dinásticos, depois continuado por razões imperiosas de estratégia militar, será inevitavelmente consolidado pela lógica de ferro dos condicionamentos políticos e culturais que resultarão duma organização planificada, não só da produção e da distribuição, mas também do consumo... 
«Não parecem estas evidências perturbar excessivamente os governantes europeus. Menos ainda, talvez, os governantes portugueses, se tenho em conta a resposta dada por um deles - hoje festejado comissário da União Europeia - ao serem-lhe apontados os perigos duma diminuição da soberania nacional por efeito da aplicação do Tratado de Maastricht: "Ainda no século passado, um governo português não chegou a tomar posse por a isso se ter oposto o almirante duma esquadra inglesa fundeada no Tejo..." E sorriu ao dizê-lo, provavelmente porque, a partir de agora, as ordens, ferindo ou não a legitimidade dos governos e a dignidade dos povos, vão passar a ser dadas por um civil - e de Bruxelas.» 
Realmente, não sei se diga. É que teria de dizer que vim a Paris, que vim à assembleia da Academia Universal das Culturas, e isso já se sabe que não pode ser dito. Não faltaria mais." 

in, "Cadernos de Lanzarote - Diário II"
Caminho, páginas 254 a 259 (20/12/1994)

Integrou desde 1994 a Academia Universal das Culturas, com sede em Paris. França.

De Óscar Aranda “Aprende, aprende o meu corpo. Sobre o amor na obra de José Saramago”, novo livro da Fundação José Saramago


(Capa da edição original publicada na "revista española de sexologia")

A sinopse da edição pode ser consultada, aqui

"LECTURA SEXOLÓGICA DE LA OBRA DE SARAMAGO"

Por Oscar Aranda

"Preliminares  

Este ensayo reúne la aportación sexológica de José Saramago a través de, sobre todo, sus novelas. En sus libros podemos encontrar infinidad de ejemplos, de situaciones, de citas, de aforismos, que nos hablan del hecho sexual humano de una manera tan cálida, tan verdaderamente humana y con tanta lucidez que merecía reunirlas en un solo texto.  

Y ese ha sido el propósito de estas líneas. Descubrir la obra de Saramago desde otro punto de vista, del lado de la sexualidad, del erotismo, del amor y de las relaciones sexuales entre los hombres y las mujeres.  

En cada capítulo centro las miradas en un hecho concreto, desde la manera tan propia que tienen sus personajes de seducir y ser seducidos hasta la manera de amar y ser amados. Del beso como entidad propia y fusionadora. De la visión que tienen del amor y del enamoramiento y el papel que juegan en este juego amoroso hombres y mujeres. De cómo viven el deseo, de cómo se materializa en un cuerpo concreto, de la importancia de la belleza y del ars amandi o el arte del acto sexual y sus peculiaridades. De cómo trata el fenómeno de la prostitución a través de los siglos y de la crítica feroz que hace a las agresiones hacia las mujeres. También me detengo en las rupturas, en las infidelidades y en la falta de amor.  

En definitiva un compendio de las habilidades del autor por acometer algo tan importante como reflejar, interpretar y posicionarse ante algo tan humano como el cuerpo sexuado. Cuerpo sexuado que se materializa en María de magdala y Jesus, en el pintor de cuadros, Adelina, Olga, la familia Maltiempo, Bilmunda y Baltasar, Marta y Marcial, Cipriano e Isaura, Tertuliano Máximo Afonso, Don José, la mujer del médico y tantos otros que llenan los párrafos de todas sus obras de una manera exquisita, de una manera vitalista que nos hace creer en sus personajes porque en todos ellos y ellas encontramos una parte, pequeña o grande, de nuestra propia biografía sexual.  

La estructura de cada capítulo se resuelve reflejando con grandes entrecomillados cada situación que merece la pena comentar, a modo de ejemplo, siguiendo todas y cada una de las novelas que escribió el autor. Se mantiene la estructura gramatical del autor en los diálogos y en su peculiar manera de escritura. En ocasiones, el mero ejemplo, sin interpretar, sirve para contextualizar, desde un ejercicio sexológico, las ideas y posicionamientos ante un hecho concreto. Porque partimos de la idea que, en gran parte de sus novelas, José Saramago, mantiene unos mismos esquemas, propios y originales, de entender el hecho sexual humano. 

INDICE GENERAL 
Preliminares 
I. La seducción
II. Los deseos, las fantasías y otros anhelos
III. El cuerpo, el pudor y la belleza
IV. El ars amandi
V. Algunas observaciones sobre los besos
VI. Sobre el amor
VII. Rupturas, infidelidades y faltas de amor
VIII. Violencias y otras brutalidades
IX. Sobre la prostitución
X. Los hombres y las mujeres"

(Capa da edição a ser lançada - FJS)


Notícia via Fundação José Saramago, que pode ser aqui consultada
em http://www.josesaramago.org/aprende-aprende-o-meu-corpo-sobre-o-amor-na-obra-de-jose-saramago-novo-livro-da-fundacao-jose-saramago/

"Aprende, aprende o meu corpo. Sobre o amor na obra de José Saramago é o título do próximo livro com chancela da Fundação José Saramago, que estará disponível na livraria da FJS a partir da segunda quinzena de fevereiro, antes de chegar às livrarias portuguesas.

Para além do ensaio de autoria de Óscar Aranda, com tradução de António Costa Santos, esta edição conta com um prefácio de Helder Macedo e um posfácio de Teresa Cristina Cerdeira.

Sobre o autor: Óscar Aranda nasceu em maio de 1974 em Ermua (Biscaia) e trabalha como sexólogo e técnico para a igualdade em diferentes localidades do País Basco. 
Da sua profissão e da admiração pela obra de Saramago nasce este texto onde se juntam o amor, os sentimentos, os desejos e o encontro entre sexos que o narrador procura e que faz palpitar homens e mulheres.

A frase que dá título ao livro foi retirada de O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago."


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"Saramago e os computadores" de Teresa Firmino para o jornal "Público" (03/06/1995)



O presente texto pode ser consultado e lido, aqui 
em http://static.publico.pt/docs/cmf/autores/joseSaramago/saramagoComputador.htm
Publicado no jornal "Público", suplemento "Computadores" de 3 de Junho de 1995
Teresa Firmino

"Saramago e os computadores"

"Uma metáfora, a do campo de batalha, serve a José Saramago para expor as diferenças entre o acto da escrita no computador e o na máquina de escrever. "Numa máquina de escrever, temos de elaborar o pensamento antes de passá-lo ao papel: é muito trabalhoso e obriga a que se atire muito papel fora. O ecrã é um papel que está sempre limpo e tem uma vantagem enorme: se há uma ideia, ainda que esteja mal alinhada, escreve-se e depois trabalha-se. Comparo o ecrã do computador a um campo de batalha, de onde os mortos e feridos vão sendo sempre retirados" - que são "as palavras que não interessam, as ideias imprecisas que deixaram de ter sentido". 
Saramago não desenvolve previamente uma escrita à mão para, em seguida, a transcrever à máquina ou ao computador. A única excepção são as notas que aponta num caderno de capa preta, por motivos de superstição ou talvez por hábito. "O trabalho de escrita é feito directamente no computador. Escrevo no computador, corrijo no computador. A minha folha é o computador." A verdade é que Saramago alterna a sua "máquina de escrever" electrónica Videowriter - talvez por ter um ecrã e uma unidade de disquetes - com o computador. "Quando falo do computador, já é a contar com a Videowriter". 
O computador propriamente dito só apareceu há duas ou três semanas na vida do escritor, que se diz ainda em fase de adaptação. A Videowriter, essa sim, mais velha, comprou-a em 1989 para substituir uma máquina Hermes, que possuía há mais de 30 anos: "Quando chegou ao fim do livro 'História do Cerco de Lisboa', renunciou ir mais além. Quando se avariava, as pessoas tinham de fabricar a peça. Em conversa com António Alçada Baptista, disse-me que tinha comprado uma máquina estupenda, que era uma Videowriter. Tinha a vantagem de ter a impressora incorporada, mas era um instrumento grande, pesado, difícil de transportar e acabei por comprar um computador Philips em segunda mão. Teve uma grande quantidade de problemas, acabou por não me servir e continuei com a Videowriter." 
Tinha, porém, um sonho: "Sempre sonhei que, um dia, havia de aparecer um computador portátil com impressora. Há um ano, tive conhecimento que a Canon tinha produzido um computador com impressora. Acho que pode resolver-me o problema das viagens e a necessidade, que continuo a ter, de ver a coisa escrita no papel. Enquanto não vir as letras (o preto no branco), duvido sempre. Sou um homem doutro tempo e deste tempo. Vou usando o que aparece, mas sempre numa atitude de desconfiança. Isso é que me leva sempre a imprimir." Desprende o teclado da base do portátil e mostra que ali debaixo são introduzidas as folhas, até dez de cada vez, saindo impressas do lado de trás. O tinteiro aloja-se no canto direito, logo acima do teclado. "É uma espécie de ovo de Colombo. Sendo isto tão óbvio, como é que os outros fabricantes ainda não se lançaram sobre isto?"
Pouco escreveu no novo portátil. Continuou o romance "Ensaio sobre a cegueira", mas talvez não o termine ali por uma questão de fidelidade. "Tenho dúvidas se concluo o romance na Videowriter ou no computador. O mais provável é que o conclua na Videowriter. É uma traição que faço à Videowriter abandoná-la no meio de um livro." Mas assegura: "O próximo livro já vai ser em computador." O que também facilitará a vida ao seu editor; que até agora se via obrigado a utilizar o original em papel, porque as disquetes da Videowriter não são compatíveis com o seu equipamento de fotocomposição. 
Que usos dará ao portátil? Exige-lhe pouco. "Uso o computador como uma simples máquina de escrever. É o processamento de texto, no meu caso muito simplificado. O romance é uma coisa que se vai fazendo palavra por palavra. Não há necessidade de passar blocos de texto de um sítio para o outro. É como escrever um manuscrito ou na máquina, em que cada palavra faz nascer a palavra seguinte. O uso de que faço do computador é muito limitado." 
É prático, limpo, rápido e tem a magnífica vantagem da impressora incorporada - "mas não considero que seja indispensável". A preferência de muitos escritores pela caneta de tinta permanente, a esferográfica ou a velha máquina prova-o.

EQUIPAMENTOS
Um portátil Canon BN22, com uma impressora Micro-BJ incorporada, comprado há duas ou três semanas no Corte Inglés, em Madrid. Custou-lhe 399 mil pesetas. 
O teclado respeita as regras da língua espanhola e, por isso, não tem o til. 
Em compensação, sobre a letra "n" há um til, os pontos de interrogação e de exclamação estão de cabeça para baixo e o menu está escrito em espanhol. 
O Canon substituiu uma "máquina de escrever" Videowriter, da Philips. Conserva um portátil Philips, comprado talvez em 1993, mas nunca o utiliza.

PROGRAMAS 
Windows 3.1: "interface" gráfica sobre o sistema operativo MS-DOS. Write: processamento de texto, em castelhano.

FICHEIROS
Cadernos: notas para os "Cadernos de Lanzarote". 
Cegueira: parte do romance que se encontra a escrever, que em princípio terá o título "Ensaio sobre a cegueira" e cuja publicação prevê para Novembro. 
"É um romance, embora se chame ensaio".  

"Na ilha por vezes habitada" - José Saramago

Pode ser visualizado, via YouTube, aqui
(Voz de Soares Teixeira)

"Na ilha por vezes habitada" - José Saramago"

"Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.

Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.

Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.

Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.

Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.

Cada um de nós é por enquanto a vida.

Isso nos baste."

in, "Provavelmente Alegria"
Caminho, 3.ª edição, página 52



domingo, 31 de janeiro de 2016

A forma como José Saramago descobre Ricardo Reis - Cadernos de Lanzarote Diário III (11/01/1995)

"Ricardo Reisin Viimeinen Vuosi" - Tammi, Finlandia
A editora Tammi continua a apostar nas reedições dos romances de José Saramago, 
apresentando novos arranjos gráficos de grande qualidade e sensibilidade.
Acaba de dar à estampa a nova edição de "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 
com um trabalho gráfico de Markko Taina e fotografia de Pertti Nisonen.


11 de Janeiro (1995)
"Carlos Câmara Leme, do Público, pediu-me, a propósito da próxima publicação duma edição crítica dos poemas de Ricardo Reis, umas palavras que recordassem as circunstâncias em que os li pela primeira vez. 
Escrevi o que segue: 
«Não era risonha, e de certeza não era franca completamente. Refiro-me à escola. Chamava-se de Afonso Domingues vizinha do lado da Igreja da Madre de Deus, paredes meias com o Asilo de Maria Pia, que era onde se corrigiam os rapazes maus daquele tempo. A escola era industrial, mas está claro que não preparava industriais: preparava gente para as oficinas. Também, havendo na família suficientes teres e cumpridos os necessários exames de admissão aos escalões seguintes - Instituto Industrial e Instituto Superior Técnico -, podia-se chegar a agente técnico ou a engenheiro. A maior parte tinha de contentar-se com os cinco anos do curso (que podia ser de serralharia mecânica, serralharia civil ou carpintaria) e ia à vida. Levava umas luzes gerais de matemática e de mecânica, de desenho de máquinas, de física e química, de francês, de ciências da natureza, o suficiente de português para escrever sem erros - e literatura. Sim, nos remotíssimos anos 30 aprendia-se literatura portuguesa no ensino industrial. Ora, quem diz literatura, diz biblioteca: a Afonso Domingues tinha uma biblioteca, um lugar escuro, misterioso, com altas estantes envidraçadas e muitos livros lá dentro. Nisto de livros, os meus amores (estava na idade, andava pelos 16, 17 anos) iam sobretudo para a Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias, no Campo Pequeno, mas foi em Xabregas, na Escola de Afonso Domingues, que começou a escrever-se O Ano da Morte de Ricardo Reis. Um dia, numa das minhas incursões à biblioteca da escola (estava a chegar ao fim do curso) encontrei um livro encadernado que tinha dentro, não um livro como se espera que um livro seja, mas uma revista. Chamava-se Athena, e foi para mim como outro sol que tivesse nascido. Talvez alguma vez seja capaz de descrever esses momentos. O que certamente não conseguirei explicar é a razão por que me abalaram tão profundamente as odes de Ricardo Reis ali publicadas, em particular as que começam por Seguro assento na coluna firme / Dos versos em que fico, ou Ponho na altiva mente o fixo esforço, ou Melhor destino que o de conhecer-se / Não frui quem mente frui. Nesse momento (ignorante que eu era) acreditei que realmente existia ou existira em Portugal um poeta que se chamava Ricardo Reis, autor daqueles poemas que ao mesmo tempo me fascinavam e assustavam. Mas foi anos mais tarde, poucos, no princípio dos anos 40, quando Adolfo Casais Monteiro publicou uma antologia de Pessoa (então já eu sabia isso dos heterónimos), que uns quantos versos de Ricardo Reis se me impuseram como uma divisa, um ponto de honra, uma regra imperativa que iria ser meu dever, para todo o sempre, cumprir e acatar. Eram eles estes:

Para ser grande, sê inteiro: nada 
Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 
No mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive. 

Durou uns anos. Fiz o que pude para não ficar atrás do que se me ordenava. Depois compreendi que não podiam chegar-me as forças a tanto, que só raros deveriam ser capazes de ser tudo em cada coisa. O próprio Pessoa, que foi grande mesmo, ainda que de outra forma de grandeza, nunca foi inteiro... Logo... Não tive outro remédio que tornar-me humano.»" 
in, "Cadernos de Lanzarote Diário III"
Caminho, páginas 16 a 18 (11 de Janeiro de 1995)

sábado, 30 de janeiro de 2016

"Cartas para José Saramago" de Orlando Brito (Fotografo)

"Cartas para José Saramago"

"O carteiro já sabia que dificilmente encontrava o famoso destinatário e por isso confiava todas as correspondências que vinham pelos correios ao dono da Quitanda Mascote, uma pequenina mercearia vizinha do modesto apartamento de Saramago em Lisboa"

(Fotografia de Orlando Brito - 1993)
"O escritor português José Saramago recebe as correspondências 
que chegavam a seu endereço de Lisboa."

O presente texto pode ser consultado e lido, aqui

"Como foi – Em 1991, o laureado José Saramago resolvera mudar-se para Lanzarote, uma das ilhas Canárias, depois que seu livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, foi censurado em seu próprio país. Ao lado da mulher espanhola Maria Del Pilar (Nota correcção, Pilar del Río), ele dizia ter encontrado no lugar dois fatores ideais para meditar e escrever: silêncio e tranquilidade. Tranquilidade e silêncio no cenário de crateras e vulcões adormecidos do arquipélago atlântico.

O colega jornalista Luís Costa Pinto e eu viajamos para fazer várias matérias em Lisboa, então um canteiro de obras porque Portugal fora admitido na Comunidade Europeia. Arriscamos um encontro com José Saramago. Não foi difícil localizá-lo, consultamos a lista telefônica e lá estava o número em “Saramago, José”. Tivemos sorte. Ele mesmo atendeu à chamada e marcou hora para irmos à sua casa. Primeiramente, quis saber de quatro brasileiros, seus conhecidos: Jorge Amado, Roberto Pompeu de Toledo, Fernando Morais e José Sarney.

Depois, José Saramago nos deu uma longa entrevista, nos contou que não tirou o pé de Lanzarote durante meses. Disse que, enfim, podia escrever um diário. Queria narrar a vida pacata naquela aldeia, uma pequena novela de um personagem só.

O certo é que naquele início de 1993, coincidindo com nossa estada lá, o escritor estava de passagem por sua residência lisboeta para conferir a correspondência. Afinal, um ganhador do Prêmio Nobel de Literatura – e também do Prêmio Camões – recebe cartas de admiradores e amigos de todas as partes do mundo.

O carteiro já sabia que dificilmente encontrava o famoso destinatário e por isso confiava todas as correspondências que vinham pelos correios ao dono da Quitanda Mascote, uma pequenina mercearia vizinha do modesto apartamento de Saramago, à Rua dos Ferreiros, número 36-A, no Bairro da Estrela, um dos mais tradicionais da aprazíveis de Lisboa. Foi lá que fiz essa inusitada fotografia.

José Sousa Saramago – ateu e ativista do Partido Comunista – escreveu livros admiráveis, entre eles, Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Levantado do Chão, Conto da Ilha Desconhecida, Ensaio Sobre a Cegueira. O escritor, teatrólogo, dramaturgo, jornalista e poeta, nascido na freguesia de Azinhaga, na região do Alentejo, faleceu em 2010, aos 78 anos, na pequena cidade de Tias, província de Las Palmas, na Espanha, terra de sua mulher."


"Casa dos Bicos" sede da FJS, alguns elementos da sua história

Pequena abordagem da evolução histórica da "Casa dos Bicos" (baseada na fotografia postada na página do Facebook da Fundação José Saramago), datada de 1951; de onde se recua até ao século XIX, e daí até aos nossos dias.

A página da Direcção-Geral do Património Cultural, classifica o edifício "Casa de Brás de Albuquerque (Casa dos Bicos)", e cuja informação histórica pode ser aqui consultada, 
"A Casa dos Bicos é um dos raros exemplares da arquitectura renascentista que subsistiu da Lisboa manuelina. Foi mandada edificar por Brás de Albuquerque, cortesão de reconhecida e esmerada cultura humanista, devendo-se também ao seu patrocínio a construção da magnífica Quinta da Bacalhôa. 
Em 1521 Brás de Albuquerque integrou a comitiva real que conduziu a Infanta D. Beatriz, filha de D. Manuel, a Itália para seu o casamento com o duque Carlos III de Sabóia; aí, o conselheiro do Venturoso terá contactado com os modelos eruditos da arquitectura renascentista italiana. Ao voltar a Portugal, cerca de 1523, mandou erguer nos terrenos fronteiros à Ribeira Velha e à Alfândega que haviam pertencido ao vice-rei Afonso de Albuquerque, seu pai, um edifício inspirado nos palácios dei diamanti italianos, com loja, sobreloja e dois andares nobres, havendo alguns autores que atribuem a obra ao arquitecto régio Francisco de Arruda. 
A estrutura original ficou bastante danificada devido ao terramoto de 1755 e ao incêndio que se lhe seguiu. A fachada principal, que ficava virada à actual Rua Afonso de Albuquerque, caiu, e os dois andares cimeiros de todo o edifício ruíram. Em 1772 o edifício foi parcialmente reconstruído, mas a estrutura quinhentista ficou irremediavelmente alterada. Ao longo do século XIX a casa sofreu as mais variadas vicissitudes, chegando a ser utilizada como armazém de bacalhau por largas dezenas de anos. 
Cerca de 1960 a Câmara de Lisboa adquiriu a Casa dos Bicos, contratando em 1968 o arquitecto Raul Lino para executar um projecto de adaptação do espaço a museu. No entanto, a obra foi adiada, e somente em 1981 foi desenhado o plano de recuperação da Casa dos Bicos, pela mão do arquitecto Santa Rita. O espaço foi então adaptado às novas funções museológicas, sendo acrescentados ao edifício os dois andares que perdera com o terramoto. A fachada foi reconstruída segundo imagens antigas de Lisboa que mostram a estrutura original da casa de Brás de Albuquerque. 
De planta rectangular, o edifício distingue-se pela sua invulgar fachada, em que o aparelho de pontas de diamante de gosto renascentista - que originou a designação popular de Casa dos Bicos - se conjuga com as janelas contemporâneas inspiradas na linguagem decorativa manuelina, cuja distribuição irregular imprime ritmo à fachada. No piso térreo foram abertas portas de moldura regular com diferentes dimensões. A disposição original do espaço interior foi profundamente alterada para poder albergar os núcleos de museologia. 
Entre 1986 e 2002 o edifício albergou a extinta Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Actualmente, é a sede da Fundação José Saramago. 
Catarina Oliveira - DGPC, Julho de 2012"

A fachada da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago
Nas janelas, obra do artista plástico José Santa-Bárbara, baseada no "Memorial do Convento"
"Edição especial de Memorial do Convento, de José Saramago, comemorativa 
do vigésimo aniversário da sua primeira edição, em Outubro de 1982. 
É ilustrada com pinturas de José Santa-Bárbara que se incluem no ciclo «Vontades. 
Uma leitura de Memorial do Convento»." (Fonte: Bibliografia FJS)


Casa dos Bicos e a Oliveira transplantada da
Azinhaga, terra natal de José Saramago
Ponto de encontro e de acesso aos visitantes da Fundação José Saramago
(Na foto, a criança e a continuidade - Fotografia Helena Mesquita)


"Lisboa 1951 - Casa dos Bicos - Fotografia de Alfred Franz Adolf Ehrhardt"
Fotografia colocada na página do Facebook da Fundação José Saramago, aqui

Do blog "Lisboa de Antigamente" é feita uma abordagem histórica 
à construção e história da conhecida "Casa dos Bicos" Pode ser consultado, aqui 

(Rua dos Bacalhoeiros, 10/10F (Século XIX)
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

(Rua dos Bacalhoeiros, 10/10F (Século XIX)
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Municipal de Lisboa

Mais informação, na página do Facebook, aqui




Reflexão sobre a sua obra e "actos de passagem" - Cadernos de Lanzarote Diário II (15/09/1994)

15 de Setembro (1994)
"Relendo ocasionalmente a conferência de Luciana Stegágno Picchio no Instituto de Cooperação Iberoamericana, em Madrid, em Maio do ano passado, quando da «Semana» dedicada a este autor, encontro a afirmação de que Levantado do Chão marcou uma «passagem» em toda a minha escrita, tanto em sentido temporal como estilístico e de género. Creio que de facto é assim, e eu próprio, sem esquecer a Viagem, o tenho designado por «livro de mudança», o que vem a dar mais ou menos no mesmo. Mas esta declaração de Luciana, agora refrescada pela leitura, leva-me a perguntar se os meus romances não serão, todos eles, afinal, não apenas «livros de passagem» como também autênticos «actos de passagem», que, implicando obviamente as respectivas personagens, talvez envolvam, mais do que pareça, o próprio autor. Não digo em todos os casos nem da mesma maneira. Por exemplo: de passagem a uma consciência se trata no Manual; da passagem de uma época a outra creio estar feito muito do Memorial; em passagens da vida à morte e da morte à vida passa Ricardo Reis o seu tempo; passagem, em sentido total, é a Jangada; passagem mais do que todas radical é a que quis deixar inscrita no Cerco; finalmente, se o Evangelho não é a passagem de todas as passagens, então perca eu o nome que tenho... Do que aí fica não tiro conclusões, nem para sim, nem para não. A primeira operação investigadora a cometer seria confrontar as sucessivas fases da minha vida com os livros que as prepararam ou delas foram consequência - e isso quem o fará? Não eu, porque de certeza me perderia no labirinto que inevitavelmente estaria a emaranhar no mesmo instante em que começasse a pôr a claro as primeiras relações de causa e efeito..."

in, "Cadernos de Lanzarote Diário II"
Caminho, páginas 196 e 197

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Compilação de Prémios, Doutoramentos «Honoris Causa» e Distinções à obra e ao autor


"A obra de José Saramago foi distinguida em diversos países, 
com vários prémios, entre os quais cabe destacar 
o Prémio Luís de Camões em 1995 
e o Prémio Nobel da Literatura em 1998."

Informação recolhida através da página da Fundação José Saramago que pode ser aqui consultada,


Prémios

1979. Prémio da Associação de Críticos Portugueses - Melhor Peça de Teatro, representada em 1979, por A Noite. Portugal.

1981. Prémio Cidade de Lisboa, por Levantado do Chão. Portugal.

1982. Prémio Pen Clube, por Memorial do Convento. Portugal.

1982. Prémio Literário do Município de Lisboa, por Memorial do Convento. Portugal.

1984. Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, pelo conjunto da sua obra. Portugal.

1984. Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Portugal.

1985. Prémio Pen Clube, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Portugal.

1985. Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Portugal.

1986. Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Portugal.

1987. Prémio Grinzane-Cavour, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Itália.

1992. Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, por O Evangelho segundo Jesus Cristo. Portugal.

1992. Prémio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, em Pescara. Itália.

1992. Prémio Brancatti, em Zafferana, pelo conjunto da sua obra. Itália.

1992. Prémio Literário Internacional Mondello, em Palermo, pelo conjunto da sua obra. Itália.

1993. Prémio The Independent Foreign Fiction, por O Ano da Morte de Ricardo Reis. Reino Unido.

1993. Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores, por In Nomine Dei. Portugal.

1993. Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, pelo conjunto da sua obra. Portugal.

1995. Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra. Portugal.

1995. Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, pelo conjunto da sua obra. Portugal.

1996. Prémio Rosalía de Castro do Prémio Pen Clube (Galiza), pelo conjunto da sua obra. Espanha.

1998. Prémio Nobel da Literatura, pelo conjunto da sua obra. Suécia.

1998. Prémio Arcebispo Juan de San Clemente, por Ensaio sobre a Cegueira. Espanha.

1998. Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras, de Girona, pelo conjunto da sua obra. Espanha.

1998. Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne, pelo conjunto da sua obra. Itália.

1998. Prémio Scanno da Universidade Gabriele d’Annunzio, por Objecto Quase. Itália.

1998. Prémio Internacional de Narrativa Città di Penne-Mosca, pelo conjunto da sua obra. Itália.

2001. Prémio Canárias Internacional pelo Governo das Canárias, pelo conjunto da sua obra. Espanha.

2006. Prémio Dolores Ibárruri, pelo conjunto da sua obra. Espanha.

2009. Prémio à Cooperação Internacional CajaGranada, Granada, pelo conjunto da sua obra. Espanha.


Doutoramentos «Honoris Causa»

1991. Universidade de Turim. Itália.

1991. Universidade de Sevilha. Espanha.

1995. Universidade de Manchester. Reino Unido.

1997. Universidade de Castilla-La Mancha. Espanha.

1997. Universidade de Brasília. Brasil.

1999. Universidade de Évora. Brasil.

1999. Universidade de Nottingham. Reino Unido.

1999. Universidade de Porto Alegre. Brasil.

1999. Universidade de Minas Gerais. Brasil.

1999. Universidade de Federal de Santa Catarina. Brasil.

1999. Universidade de Rio de Janeiro. Brasil.

1999. Universidade de Massachussets. Estados Unidos da América.

1999. Universidade de Las Palmas de Grã-Canária. Espanha.

1999. Universidade de Politécnica de Valência. Espanha.

1999. Universidade de Federal do Rio Grande do Sul. Brasil.

1999. Universidade de Fluminense. Brasil.

1999. Universidade de Michel de Montaigne. França.

1999. Recusa o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Pará. Brasil.

2000. Universidade de Santiago do Chile. Chile.

2000. Universidade da República, Montevideu. Uruguai.

2000. Universidade de Salamanca. Espanha.

2001. Universidade de Granada. Espanha.

2001. Universidade de Roma Tre. Itália.

2002. Universidade para Estrangeiros de Siena. Itália.

2003. Universidade Carlos III. Espanha.

2003. Universidade de Buenos Aires. Argentina.

2003. Universidade Autónoma do México. México.

2003. Universidade Juaréz Autónoma de Tabasco. México.

2004. Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra. Portugal.

2004. Universidade Charles de Gaulle, Lille. França.

2004. Universidade de Alicante. Espanha.

2005. Universidade de Alberta. Canadá.

2005. Universidade Nacional de El Salvador. El Salvador.

2005. Universidade Nacional de São José. Costa Rica.

2005. Universidade Nacional de Comahue. Argentina.

2005. Universidade de Estocolmo. Suécia.

2006. Universidade de Dublin. Irlanda.

2007. Universidade Autónoma de Madrid. Espanha.

2010. Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste. Hungria.


Outras Distinções

1985. Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada. Portugal.

1985. Presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Portugal.

1991. Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres.França.

1992. Membro da Frente Nacional para a Defesa da Cultura. Portugal.

1993. Membro do Parlamento Internacional de Escritores. França.

1993. Membro da Academia Universal da Culturas. França.

1994. Integra a Academia Universal das Culturas, com sede em Paris. França.

1994. Membro Correspondente da Academia Argentina de Letras. Argentina.

1994. Membro do Patronato de Honra da Fundação César Manrique, Lanzarote. Espanha.

1994. Sócio Honorário da Sociedade Portuguesa de Autores. Portugal.

1994. Medalha de Instrução e Arte da Federação das Colectividades de Cultura e Recreio. Portugal.

1996. Medalha da Cidade da Câmara Municipal da Golegã. Portugal.

1997. Filho Adoptivo da Câmara Municipal de Castril. Espanha.

1997. Filho Adoptivo da Ilha de Lanzarote pelo Cabildo de Lanzarote. Espanha.

1997. Beca de Honra da Residência de Estudantes da Universidade Carlos III. Espanha.

1998. Membro da Academia Europeia de Yuste, ocupando a cadeira Rembrandt. Espanha.

1998. Leitor Emérito da Biblioteca Nacional de Portugal. Portugal.

1998. Medalha de Ouro de Mérito pela Câmara Municipal do Porto. Portugal.

1998. Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada. Portugal.

1998. Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Portugal.

1998. Sócio Honorário da Academia de Ciências de Lisboa. Portugal.

1998. Membro do Comité de Honra da Academia do Mediterrâneo. Itália.

1999. Sócio Honorário Desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Portugal.

1999. Filho Adoptivo de Tías, Lanzarote. Espanha.

1999. Medalha de Honra da Universidade Internacional Menéndez Pelayo. Espanha.

1999. Medalha de Ouro da Universidade Coimbra. Portugal.

1999. Oficial da Legião de Honra (Croix d’Officer de la Légion d’Honneur). França.

2000. Medalha de Ouro do Governo das Canárias. Espanha.

2000. Presidente Honorário do Festival Son Latinos. Espanha.

2000. Medalha de Ouro da Confederação Internacional das Sociedades de Autores, atribuído no Chile.

2000. Membro da Academia Internacional de Humanismo. Estados Unidos da América.

2001. Visitante Distinto de São Domingos. República Dominicana.

2001. Professor Coordenador Honorário do Instituto Politécnico de Leiria. Portugal.

2001. Medalha Cuenca Património da Humanidade. Espanha.

2001. Sócio de Honra da Academia das Ciências e das Artes de Televisão. Espanha.

2002. Grã-Cruz da Ordem das Ilhas Canárias. Espanha.

2003. Medalha Reitoral da Universidade do Chile. Chile.

2003. Académico Honorário da Academia Canária da Língua, Lanzarote. Espanha.

2003. Chaves de Ouro da Cidade de Pinhel. Portugal.

2003. Presidente Honorário da Fundação Alonso Quijano, Málaga. Espanha.

2003. Sócio de Honra da Associação de Amigos do Povo Saharaui de Sevilha. Espanha.

2003. Membro do Comité de Honra da Fundação Rafael Alberti, Cádiz. Espanha.

2004. Medalha Isidro Fabela pela Faculdade de Direito da Universidade Nacional Autónoma do México. México.

2004. Medalha Guayasamín-Unesco pela Fundação Guayasamín. Equador.

2004. Hóspede Ilustre de Quito. Equador.

2004. Grã-Cruz de Mérito Cultural e Literário pelo Congresso Nacional. Equador.

2004. Grã-Cruz de Mérito Educativo e Cultural “Juan Montalvo” pelo Ministério da Educação, Quito. Equador.

2004. Medalha General Rumiñahui pelo Governo Municipal de Pichincha. Equador.

2004. Membro Honoris Causa do Conselhor do Instituto de Filosofia e Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa. Itália.

2004. Cidadão de Honra da Cidade de Pisa. Itália.

2004. Membro Honorário do Colégio Máximo das Academias. Colômbia.

2004. Membro Honorário do Conselho Supremo das Academias. Colômbia.

2004. Membro Honorário do Instituto Caro y Cuervo de Bogotá. Colômbia.

2004. Membro Honorário do Centro Nacional de Cultura. Portugal.

2004. Membro da Academia Europeia das Ciências das Artes e das Letras. Áustria.

2004. Chave da Cidade de Santiago de León de Caracas. Venezuela.

2004. Visitante Ilustre da Cidade de Santiago de León de Caracas. Venezuela.

2004. Membro Honorário do Conselho Consultivo do Tribunal de Bruxelas.

2004. Membro do Conselho do Futuro da Unesco. França.

2005. Visitante Distinto de São José da Costa Rica. Costa Rica.

2005. Membro da Academia da Lanitidade. Brasil.

2006. Filho Adoptivo da Província de Granada. Espanha.

2006. Membro do Comité Assessor Baketik. País Basco. Espanha.

2007. Filho Predilecto da Andaluzia. Espanha.

2007. Presidente de Honra da Fundação José Saramago. Portugal.

2007. Prémio Save the Children pela ONG Save the Children.Argentina.

2007. Medalha de Mérito — Grau Ouro da Câmara Municipal de Mafra. Portugal.

2007. Sócio de Honra pela Associação de Imprensa de Sevilha. Espanha.

2009. Sócio Correspondente da Academia Brasileira de Letras, com a cadeira nº 16, cujo patrono é José Bonifácio de Andrade e Silva. Brasil.