Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Luis Pastor e Esperanza Fernández interpretam o verso "Nesta esquina do tempo" inserido na obra de José Saramago "Os Poemas Possíveis" (1966)

"Nesta esquina do tempo"
Actuación Homenaje a José Saramago en el Auditorio Pilar Bardem. Rivas Vacíamadrid
Letra: José Saramago. Música: Luis Pastor
Voz: Luis Pastor
Piano: Luis Fernández
Cavaquinho: Sérgio Tannus
Guitarra: Pedro Pastor
Coros: Lourdes Guerra
Pode ser visualizado via Youtube, aqui

"Nesta esquina do tempo"

"Nesta esquina do tempo é que te encontro, 
Ó nocturna ribeira de aguas vivas 
Onde os lírios abertos adormecem 
A mordência das horas corrosivas 

Entre as margens dos braços navegando 
Os olhos nas estrelas do teu peito, 
Dobro a esquina do tempo que ressurge 
Da corrente do corpo em que me deito 

Na secreta matriz que te modela, 
Um peixe de cristal solta delírios 
E como um outro sol paira, brilhando, 
Sobre as águas, as margens e os lírios"

In, "Os Poemas Possíveis", 1966 

Pode ser visualizado via Youtube, aqui

Esperanza Fernández 
Álbum "Mi voz em tu palabra"
"En esta esquina del tiempo"
Música: Luis Pastor. Arreglos Dorantes y poesía de José Saramago.
Grabado en teatro Lope de Vega de Sevilla. 
CD editado por Discmedi 2013 
Canal de Vídeos de Esperanza Fernández


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Samarago." Conferência gravada em Belo Horizonte em Maio de 1999

No dia em que se assinalam os 94 anos do nascimento de José Saramago,
nada como recuperar as suas palavras.

Pode ser visualizado e recuperado aqui,

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Saramago. 
Palestra gravada em Belo Horizonte, em maio de 1999, no Grande Teatro do Palácio das Artes"

Exposição de João Vilhena "La Ventana de Saramago" no Teatro Español (Espacio Andrea d'Odorico) - 18/11 a 23/12


Exposición "La ventana de Saramago"
Teatro Español - Espacio Andrea d'Odorico

Mais informações aqui

"El próximo 18 de noviembre comienza la exposición "Lanzarote, la ventana de Saramago" del fotógrafo portugués João Francisco Vilhena, sobre la relación entre el Nobel de Literatura fallecido en 2010 y la isla que eligió para vivir.
La exposición constará de dos niveles de intervención. En el primero estarán imágenes coloridas representando la apertura del escritor para el mundo, una interpretación de Lanzarote como un nuevo instante emocional en la vida de Saramago. El segundo espacio estará compuesto por fotos en sepia, y blanco y negro del escritor.

El espacio estará dividido en dos ambientes (tierra y cielo) y en él se abrirá un camino a los visitantes representando una ruta de los lugares preferidos de Saramago en Lanzarote.

La exposición se completa asimismo con pequeños fragmentos de textos escritos por el autor portugués sobre el lugar. El objetivo consiste en  invitar a los espectadores a descubrir la isla del escritor a partir de la mirada sensorial de un fotógrafo enamorado por las palabras del literato.

'Cultura Portugal– 14ª Muestra de cultura portuguesa en España' es una iniciativa que tiene como objetivo acercar a los españoles la producción cultural lusa más actual con propuestas de distintas disciplinas como música, fotografía, cine, teatro, literatura, arquitectura o artes plásticas.

En esta 14ª edición, destacan como principales exponentes de la cultura de Portugal músicos como José Cid o Rodrigo Leão, reconocido músico del país; la obra de teatro Oda Marítima con el actor Diogo Infante; la intervención del artista visual Vhils; o la conferencia del arquitecto y recién premio FAD, João Mendes Ribeiro, entre muchos otros."

"Fecha
Del 18 de noviembre al 23 de diciembre de 2016Horario
De martes a sábado de 11:30 a 13:30h y de 17:30 a 19:00. Domingos de 11:30 a 13:30h.
Sala - Teatro Español - Espacio Andrea D'Odorico
Dirección - Plaza Santa Ana. Calle Príncipe 25 
Precio - Entrada gratuita"


Imagens da I Cátedra Internacional José Saramago - Vigo

"Algumas impressões das diferentes exposições nas I Jornadas José Saramago em Vigo"

Publicado na página do Facebook, aqui







terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pilar del Río, Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura - Via Fundação José Saramago

Pode ser consultado e recuperado, através da notícia publicada na página da Fundação José Saramago, aqui http://www.josesaramago.org/pilar-del-rio-premio-luso-espanhol-arte-cultura/

"A jornalista e tradutora Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, foi galardonada nesta terça-feira (15) com o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura pelo seu trabalho «como criadora e Presidente da Fundação Saramago, dedicada à defesa dos direitos humanos, à promoção da literatura portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana». Segundo o Júri, o prémio é um reconhecimento pelo «amplo trabalho intelectual» como jornalista, tradutora e promotora da cultura luso-espanhola que Pilar del Río desempenha. «Na sua própria pessoa e na Fundação que dirige se encarna o espírito e os valores da fraternidade luso-espanhola», lê-se no comunicado de imprensa divulgado pelos governos de Espanha e de Portugal."


"O Júri foi constituído por Ana Santos Aramburo (Diretora da Biblioteca Nacional de Espanha), José Pascual Marco Martinez (Diretor-Geral de Política e Indústrias Culturais e do Livro) e Juan Cruz Ruiz (Escritor e Jornalista), pela Parte espanhola, e por João Fernandes (Subdiretor do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia), José Bragança de Miranda (Professor Universitário) e Nuno Júdice (Escritor e Poeta), pela Parte portuguesa.

Criado em 2006, o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura já foi entregue a José Bento, poeta y traductor (Portugal), Perfecto Cuadrado Fernández, escritor (Espanha), Álvaro Siza, arquitecto (Portugal), Carlos Saura, cineasta (Espanha) e Lidia Jorge, escritora (Portugal).

A cerimónia de entrega do Prémio será realizada em Espanha, em data a anunciar."

domingo, 13 de novembro de 2016

Porto Editora lança nova edição da obra "Viagem a Portugal" e recuperação do prefácio de Claudio Magris

Link directo para a edição da Porto Editora e restantes obras já reeditadas, aqui
em https://www.portoeditora.pt/noticias/viagem-a-portugal-de-jose-saramago/116222

"Publicado pela primeira vez há 35 anos, Porto Editora lança nova edição do emblemático livro de viagens de Saramago.
“É preciso recomeçar a viagem. Sempre.» escreve José Saramago em Viagem a Portugal, que regressa amanhã às livrarias. 35 anos depois da primeira edição, este é um livro que reúne as crónicas de viagem do Nobel português pelo nosso país, oferecendo-nos um retrato de cada região, das suas pessoas e paisagens.

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite... É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»."

Já publicados na Porto Editora e as personalidades que colaboraram nas capas: 

Ensaio sobre a Cegueira- Caligrafia da capa por Chico Buarque
O Homem Duplicado - Caligrafia da capa por Lídia Jorge
A Viagem do Elefante -Caligrafia da capa por Mário de Carvalho
Os apontamentos - Caligrafia da capa por Maria do Céu Guerra
Provavelmente alegria - Caligrafia da capa por Nuno Júdice
As Pequenas Memórias - Caligrafia da capa por Gonçalo M. Tavares
As Intermitências da Morte - Caligrafia da capa por Valter Hugo Mãe
Memorial do Convento - Caligrafia da capa por José Mattoso
História do Cerco de Lisboa- Caligrafia da capa por Álvaro Siza Vieira
Os poemas possíveis- Caligrafia da capa por Almeida Faria
A Noite - Caligrafia da capa por Armando Baptista-Bastos
Manual de Pintura e Caligrafia - Caligrafia da capa por Júlio Pomar
Que farei com este livro?- Caligrafia da capa por Carlos do Carmo
Folhas políticas - Caligrafia da capa por Teresa Villaverde
A Caverna - Caligrafia da capa por Eduardo Lourenço
Ensaio sobre a Lucidez - Caligrafia da capa por Dulce Maria Cardoso
Levantado do Chão - Caligrafia da capa por Mia Couto
Objeto Quase – Caligrafia de capa por João Tordo
Terra do Pecado – Caligrafia de capa por José Luís Peixoto
A Jangada de Pedra – Caligrafia de capa por Mário Cláudio
Todos os Nomes – Caligrafia de capa por Miguel Gonçalves Mendes
O Evangelho segundo Jesus Cristo – Caligrafia de capa por Sebastião Salgado
O ano da morte de Ricardo Reis – Caligrafia de capa por Carlos Reis

Capa da edição



"É proibido quebrar ninhos e escrever prefácios
Homenagem a José Saramago"

Claudio Magris
Texto publicado na edição espanhola da Viagem a Portugal de José Saramago, editada pelo jornal El Mundo.
Tradução de José Colaço Barreiros.

"José Saramago não gosta de prefácios. Foi uma das primeiras coisas que o ouvi dizer, quando nos encontrámos pela primeira vez em Lisboa, há muitos anos, e  ele nos ofereceu, a  mim e  a Marisa, precisamente a  Viagem a  Portugal. As linhas iniciais desta viagem põem-nos em guarda contra os prefácios, inúteis se a obra não os requerer ou indícios da sua debilidade se deles precisar.
Eu de facto nunca escreveria — nem ninguém mo pediria — uma introdução ao Ano da Morte de Ricardo Reis, talvez o livro de Saramago que mais amo, ou a outros romances seus amados. Mas a viagem — no mundo e no papel — é em si uma espécie de contínuo prefácio, um prólogo a qualquer coisa que deve sempre estar ainda por vir e está sempre ainda a um canto; partir, deter-se, voltar para trás, fazer e desfazer as malas, anotar no seu caderninho a paisagem fugidia, que se esboroa, que se recompõe, enquanto se atravessa, como uma sequência cinematográfica com os seus
fundidos e encadeados, ou como um rosto muda com o tempo. E depois retocar, apagar e reescrever esses apontamentos, nessa contínua deslocação da realidade para o papel e vice-versa que é a escrita, neste sentido muito semelhante à viagem. Esta última, escreve Saramago no epílogo, recomeça sempre, tem sempre de recomeçar, como a  vida, e  toda a  sua anotação é  um prólogo. 
A Viagem a Portugal desmente as idiossincrasias do seu autor; com efeito tem uma apresentação e uma apostilha. Todo o texto autenticamente poético — e a Viagem é-o intensamente — é mais sabido do que quem o escreveu; esta é aliás uma prova da sua grandeza. Saramago viaja em Portugal, ou seja, dentro de si mesmo e não só, como ele diz, porque Portugal é a sua cultura. É-o no mundo, no espelho das coisas e dos outros homens, que se encontram a si mesmos, como aquele pintor de que fala uma parábola de Borges, que pinta paisagens, montes, árvores e rios, e por fim repara que deste modo retratou o seu próprio rosto. Toda a verdadeira viagem é uma odisseia, uma aventura cuja grande questão é se nos perdemos ou se nela nos encontramos a atravessar o mundo e a vida, se captamos o sentido ou se descobrimos a insensatez da existência. Desde as origens e desde o que é talvez o maior de todos os livros, a Odisseia, literatura e viagem surgem estreitamente ligadas, uma análoga exploração, desconstrução e recomposição do mundo e do eu. Um reconhecimento do real que, na sua fidelidade, se torna invenção e inventa mesmo o eu viajante, uma personagem literária.
A Viagem a  Portugal é  disto um fascinante exemplo. O  viajante avança, tal como na vida, numa mistura de programa e casualidade de metas marcadas e  imprevistas digressões que levam a outro sítio; engana-se no caminho, volta atrás, salta rios e ribeiros; está incerto quanto ao que visitar e ao que descurar, porque também viajar, como escrever e como viver, é acima de tudo abandonar. Detemo-nos em momentos gloriosos, grandes personagens e obras-primas artísticas — a admirável descrição de quadros e  sobretudo de igrejas, cinzeladas ou descascadas pelo vento e pelos séculos — mas também nas figuras das pessoas encontradas e entrevistas só por um instante, em que se lê uma história individual e ao mesmo tempo coletiva, como as mulheres de Miranda do Douro, que não se lembram de terem sido jovens, ou os rostos do Alentejo, ensombrados por antigos jugos sociais. 
O viajante recolhe histórias, célebres e obscuras, detém-se ao perfume de uma mimosa que resgata a mísera ruela de uma vilazinha. Presta atenção às cores, às estações, aos odores, às plantas, aos animais, ultrapassando muitas vezes as delimitações entre a natureza e a história — passar confins é o ofício do viajante — e descobrindo que esta mesma, como todas as fronteiras, é precária. «Onde é a fronteira?», pergunta-se ele e esta questão, que eu também me tenho posto tantas vezes, ao vagabundear ao longo do Danúbio ou nos meus microcosmos, não diz apenas respeito à fronteira entre Portugal e Espanha.
Quando passa por esta, o  viajante dirige-se aos peixes que numa margem nadam no Douro e na outra no Duero, pedindo conselho, talvez lembrando-se de que Santo Iago tinha pregado aos salmões, embora para os converter e induzir a aceitar o seu destino de serem pescados e comidos. Protagonistas desta viagem são, em páginas belíssimas, também o esplendor das águas do rio que encontram as do mar, a luz da praia, o brilho da cascata, a solidão da lagoa, o fragor do oceano nos rochedos, música que evoca um imenso silêncio, o dourado brunido do entardecer que se apaga nas planícies nas vizinhanças de Serpa, as pedras românicas de que até das mais humildes nascia uma grande arte, porque «os construtores estavam conscientes de erigirem a casa de Deus».
Neste livro, que sinto extraordinariamente próximo do meu contínuo vagabundear no mundo e na cabeça, a viagem também penetra não só no espaço mas sobretudo no tempo; é experiência da sua plenitude e da sua fugacidade e ao mesmo tempo guerrilha contra esta última, desejo de reter a tarde que foge e amanhã já não será a mesma, de fazer parar o tempo ou de o manter bem seguro errando no espaço. A viagem, como diz o título de um livro de Gadda, tem a ver com a morte e é por isso que capta momentos tão intensos de vida e se encanta, numa esplêndida passagem do livro, perante uma proibição, sob pena de uma forte multa, de destruir ninhos; proibição que penso que José Saramago aprovará ainda mais do que a de escrever prefácios. 
Para compreender a  sério, o  viajante paradoxalmente teria de parar, ser sedentário, participar a fundo na vida que se atravessa e  se deixa para trás; eu viajo continuamente e  sempre pensei que o viajante é alguém que desejaria ser residente, radicado mas em muitos lugares. A viagem nunca acaba, mas os viajantes, ou seja, nós, sim. Este viajante português diz, a certa altura, que esteve no bairro de Alfama, mas que não sabe o que é Alfama. Também nós estamos na vida, sem saber o que ela é."
Claudio Magris

Podem ser recuperadas e consultadas outras crónicas de Claulio Magris no jornal El Mundo, aqui
em http://ariadna.elmundo.es/buscador/archivo.html?q=claudio+magris&b_avanzada=

sábado, 12 de novembro de 2016

"José Saramago em destaque no Cinema História de novembro" - Biblioteca Municipal de Ponte de Lima

Cartaz alusivo ao evento

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"José Saramago - o primeiro escritor de Língua Portuguesa a arrecadar o Nobel da Literatura - é a personalidade que se segue no Cinema História - rubrica de pendor lúdico-didático dinamizada pela Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL).

No mês de nascimento do autor de "Memorial do convento" - ocasião que coincide com a abertura da exposição biobibliográfica "A universalidade da escrita no Nobel da Literatura", que naturalmente destaca a figura de Saramago - a BMPL disponibiliza o documentário "José e Pilar", da autoria de Miguel Gonçalves Mendes que, filmado entre 2006 e 2009, mostra o quotidiano de um dos mais importantes escritores contemporâneos na sua relação com Pilar del Río, o público, a escrita e a vida.

Como tem sido habitual, a BMPL vai colocar à disposição dos utilizadores um livreto com a biografia da figura visada na edição de novembro do Cinema História, funcionando como complemento informativo do documentário que aborda um período específico da história de José Saramago.

Celebre a cultura portuguesa. Visite-nos!"


Exposição "José Saramago, 90 anos" - Biblioteca Municipal das Figueira da Foz (de 5/11 a 4/12)

Cartaz alusivo à iniciativa

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"05 novembro a 04 dezembro 

Local: Hall Biblioteca e Museu Municipais 
Entrada:Livre

Público-alvo: Escolas Secundárias e Público em geral 

A exposição é composta por 20 roll-ups onde constam nove retratos de José Saramago, seis  de ilustradores portugueses e três de espanhóis (André Carrilho, Alex Gozblau, Cristina Sampaio, Gonçalo Viana, Javier Olivares, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Grañera López, Tiago Albuquerque) que, a convite da Fundação e da Silva Designers, aceitaram o repto de retratar Saramago.

A exposição não ficaria no entanto completa sem uma marca mais pessoal da vida de José através de referências a alguns dos seus dados biográficos, acompanhados de textos do Escritor, retirados do livro José Saramago nas Suas Palavras, um dicionário sobre o pensamento do autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo organizado por Fernando Gómez Aguilera."

I Cátedra Internacional José Saramago - Universidade de Vigo (Galiza Espanha) de 15 a 22 de Novembro


I Cátedra Internacional José Saramago

"A I Cátedra Internacional José Saramago (CJS) nasceu de um protocolo de cooperação entre a Universidade de Vigo e a Fundação José Saramago, assinado no dia 27 de abril de 2015. 
No dia 26 de julho de 2016, na Primeira Assembleia dos Membros Fundadores e Honorários, associaram-se formalmente a esta cátedra a Fundação Eng.º António de Almeida e o Camões, I.P., e foi designado o Comité Executivo, constituído por quatro elementos: Presidente: Burghard Baltrusch. Vice-Presidenta: Camiño Noia Campos. Diretor: Carlos Nogueira. Secretária: Regina Carreira-López. 
Neste mesmo dia, fez-se a primeira apresentação pública da CJS, na Universidade de Vigo, e definiu-se para outubro de 2016 a apresentação em Portugal, a ocorrer na Fundação José Saramago com o apoio do Camões, I.P.
O primeiro grande objetivo da I Cátedra Internacional José Saramago é o estudo e a difusão da obra e do pensamento do autor de Memorial do Convento, Prémio Nobel da Literatura 1998. Este propósito concretizar-se-á nos três principais eixos da ação universitária: docência, investigação e atividades de extensão.
O pensamento e a literatura de um autor de dimensão universal como José Saramago pedem abordagens que usem não só os procedimentos mais convencionais de análise literária, linguística, retórica ou histórica, mas também outros métodos interdisciplinares de estudo. Referimo-nos a aproximações que considerem as inter-relações entre literatura e autobiografia, literatura e justiça / direito / direitos humanos, literatura e tradição oral / etnografia, literatura e antropologia, literatura e filosofia, literatura e infância, literatura e política ou literatura e ambiente / ecocrítica.
Estudando José Saramago, estamos também a contribuir para a divulgação e a realização humanística, comunicativa e pragmática da língua portuguesa. Compreende-se: Saramago cultivou e revolucionou os registos da língua portuguesa de várias épocas – dos orais, populares e tradicionais aos eruditos, incluindo os universos linguístico-literários destinados à infância e à juventude.
A matéria-prima da I Cátedra Internacional José Saramago é a escrita de José Saramago. Ainda assim, não deixamos de ligar a CJS à promoção de outras atividades relacionadas quer com as literaturas e as culturas lusófonas atuais, quer com uma língua falada por mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. As atividades da CJS partem da Galiza e do Norte de Portugal, mas desejam incluir, explicitamente, todo o âmbito ibero-românico, sem excluir a colaboração com outras geografias.
São objetivos específicos da I Cátedra Internacional José Saramago:
O desenvolvimento de projetos de divulgação social e de transferência do conhecimento.
A organização e a realização, também a nível internacional, de todo o tipo de atividades de difusão e promoção da figura e da obra universal de José Saramago, como cursos, conferências, simpósios ou seminários.
O apoio a docentes, pessoal investigador e estudantes.
A publicação e o intercâmbio de publicações, trabalhos de investigação e de qualquer tipo de materiais académicos que resultem de interesse a todo tipo de projetos culturais e literários de interesse comum.
A mobilidade internacional de estudantes e de pessoal docente e investigador.
A promoção da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens em todos os âmbitos da sociedade."

Todas as informações disponíveis podem ser consultadas e acompanhadas aqui
@cjosesaramago (Twitter)

Programação completa das I Jornadas José Saramago em Vigo








Atividades culturais nas I Jornadas José Saramago em Vigo

Campo de Batalha - Performance do Grupo F (15 e 18/11/2016)
O Grupo F, composto por estudantes da Faculdade e outras artistas da cidade de Vigo, realizará duas performances dentro da programação das I Jornadas José Saramago em Vigo. As duas atuações têm como título Campo de Batalha e inspirar-se-ão no livro O Ano de 1993 de José Saramago, partindo da ideia saramaguiana de que "nenhum lugar é suficientemente belo na terra para que doutro lugar nos desloquemos a ele". A primeira performance realizar-se-á no dia 15 de novembro de 2016 às 13h00 no Hall da Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo. A segunda performance terá lugar no dia 18 de Novembro de 2016, à 19h30 na Casa de Arines (Centro Cultural Português, Camões – I.P.) em Vigo. O Grupo F são Eva Comesaña, Marcia Vázquez, Nuria Vilán e Vanesa Ferreira. A entrada é gratuita.

Exposições (10-14/11/2016)
“José Saramago: Obra e Estudos” (Biblioteca da FFT)
“Documentários e Trailers”, em reprodução contínua (Hall de entrada da Biblioteca da FFT)
“30 Anos de A Jangada de Pedra” (Hall da FFT)
"O Prémio Nobel na imprensa portuguesa e espanhola” (Hall da FFT)
“A Produção da curta-metragem galega A mais grande flor do mundo” (Hall da FFT)

Exibições de filmes
Terça-feira, 15/11/2016, 16h30, Salão de Atos da FFT
A Jangada de Pedra (George Sluizer), apresentação de Iria Alonso Fernández, seguido de debate.
Quarta-feira, 16/11/2016, 19h00, Centro Cultural Camões-Vigo
The Enemy (Denis Villeneuve,  a partir de O Homem Duplicado, de José Saramago), apresentação de Carla Sofia Amado, seguido de debate.
Quinta-feira, 17/11/2016, 17h00, Salão de Atos da FFT
Blindness (Fernando Meireles, a partir de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago), apresentação de Uxío Couto Carballido, seguido de debate.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. La littérature de Saramago vue par le cinema" - via Fundação Calouste Gulbenkian Del. Francesa

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN (Delegação Francesa)

Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. 
Conferência "La littérature de Saramago vue par le cinema"

Pode ser ouvida via SoundCloud, aqui

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils" - Reportagem via Telemadrid.es

A reportagem com vídeoda cadeia espanhola Telemadrid.es, pode ser consultada, aqui


Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de 64 metros cuadrados en la fachada del campus de Madrid-Puerta de Toledo de la Universidad Carlos III de Madrid. El artista portugués Alexandre Farto es el autor de la obra dedicada al Nobel de Literatura. Una iniciativa que se enmarca en la XIV Muestra de Cultura Portuguesa en España.

La obra, realizada en la glorieta de la Puerta de Toledo, forma parte de las acciones de mejora del paisaje urbano.La directora general de Intervención en el Paisaje Urbano y Patrimonio Cultural, María Sol Mena, y el embajador de Portugal en España, Francisco Ribeiro de Menezes, han asistido a la presentación del mural firmado por el artista Alexandre Farto, conocido internacionalmente como Vhils.

La obra homenajea al escritor José Saramago con un retrato en gran formato trabajado sobre el propio muro con la técnica de cincelado. El Área de Cultura y Deportes ha colaborado con la embajada de Portugal para la elaboración de este mural como parte del 'Programa de mejora de la calidad del paisaje urbano mediante intervenciones artísticas en muros singulares'. La presentación de la obra se enmarca dentro un ciclo dedicado a la cultura portuguesa que tiene lugar estos días.

'Vhils' es un artista de reconocido prestigio internacional, licenciado por la universidad de las Artes de Londres, que ha expuesto en galerías de Hong Kong, Londres, Brasil y Shanghái, entre otros, y ha colaborado también importantes proyectos artísticos internacionales como 'Look at Porto' o 'Keith Haring 1978-1982'.

El muro, situado en una fachada con un paño de unos aproximadamente 8 x 8 m2, está situado en el antiguo Mercado de Pescados de Puerta de Toledo, actual sede de la Universidad Carlos III, quien colabora también con el proyecto junto con la Junta de Distrito Centro."

Vhils desenha José Saramago, "alguém que admirava", em Madrid - Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

A reportagem pode ser recuperada e consultada, através do site do jornal Público, aqui 
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/vhils-desenha-jose-saramago-na-fachada-da-universidade-carlos-iii-de-madrid-1750354

Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

"O trabalho do artista faz parte da 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada portuguesa na capital espanhola.

O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, vai criar um mural em Madrid com o rosto de José Saramago. O trabalho será efectuado a partir desta terça-feira e, se tudo correr como planeado, estará ultimado na próxima quinta-feira. O rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, passará a estar na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.

De partida para Madrid, Alexandre Farto disse ao PÚBLICO, que o convite para a feitura da obra partiu da Embaixada de Portugal na capital espanhola. "É um convite que me orgulha e que me faz sentido até pela ligação privilegiada que José Saramago teve com Espanha", disse. A intervenção artística num espaço público onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano."



"O José Saramago era alguém que muito admirava pelo corpo da sua obra, pela integridade e pelas posições políticas", afirmou Alexandre Farto que adiantou que o mural terá uma dimensão considerável. "O seu rosto será destacado mas também haverá elementos alusivos à sua vida e obra" disse o artista que trabalha com uma técnica singular onde explora as camadas do espaço urbano.

O actor Diogo Infante e o músico Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid. Alexandre Farto nasceu em Lisboa, em 1987, terminou os seus estudos de Arte em 2008, em Londres, tendo iniciado a actividade como artista  em 1998, com a pintura de muros e comboios, na margem sul do rio Tejo. Nos últimos dez anos deixou o seu trabalho inscrito por todos os continentes, transformando-se num dos artistas portugueses de maior circulação internacional.

A par das intervenções urbanas integra também o circuito expositivo convencional. A sua última grande exposição esteve patente em Honk Kong em Abril deste ano. Esta segunda-feira um vídeo produzido por si e pela agência Solid Dogma – da qual faz parte – foi exibido na abertura do Web Summit, numa encomenda da agência Invest Lisboa. com Lusa"




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Saramago por Vhils (Madrid Espanha)

em progresso...

Por um mundo melhor...


... um sinal de esperança

Dias do Desassossego - de 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

Seguir link para ajudar a divulgar o evento, via Facebook aqui
em https://www.facebook.com/events/1733223670336043/

De 16 a 30 de Novembro, a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa voltam a trazer para diferentes espaços da cidade de Lisboa os Dias do Desassossego. Cruzando linguagens artísticas, o programa destes Dias faz-se de debates, concertos, leituras, acções de promoção da leitura, poesia e prosa ditas e passeios literários, partindo dos livros, dos seus autores, da leitura e da literatura.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

14.ª Mostra da Cultura Portuguesa em Madrid - Vhils desenha José Saramago na fachada da Universidade Carlos III de Madrid

Notícia pode ser visualizada e recuperada, aqui
"O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, realiza a partir de hoje, até quinta-feira, um graffiti com o rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.
Esta «intervenção» num espaço público, onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano.
Diogo Infante e Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid."
Diário Digital / Lusa (08/11/2016)


Os diversos trabalhos do artista Vhils podem ser consultados, aqui

Mais informações sobre a 14.ª Mostra da Cultura Portuguesa, aqui



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos" com vários destaques para o "Memorial do Convento" de José Saramago

Pode ser consultada e recuperada a informação aqui,
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/mafra-comemora-300-anos-do-palacio-nacional-com-meia-centena-de-eventos-1749749

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos"

O programa prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos, encenação de uma peça de teatro, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições

Mafra vai comemorar os 300 anos, desde o lançamento da primeira pedra do Palácio Nacional, com cerca de 50 iniciativas culturais e religiosas, ao longo do ano, anunciou esta quarta-feira a comissão organizadora.

Direcção-Geral do Património Cultural, Palácio Nacional, Câmara Municipal, Escola das Armas, Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra anunciaram, em conferência de imprensa, o programa, que prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos a seis órgãos, encenação de uma peça de teatro baseada no Memorial do Convento, de José Saramago, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições, ao longo do ano.

O director do palácio, Mário Pereira, espera que as comemorações sejam "sinónimo de investimento", recordando que foi lançado um concurso de 2,3 milhões de euros para a reabilitação dos sinos e carrilhões durante o próximo ano.

Em 2017, o monumento vai ser alvo também de obras de instalação de um elevador (400 mil euros), para as quais deverá ser em breve lançado concurso, e de restauro da Sala do Trono (50 mil euros), além de vir a ser dotado de 'áudio-guias' para facilitar a visita pelos turistas.

O programa das comemorações arranca no dia 17 com um espectáculo de fogo-de-artifício e uma conferência, pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás Martins.

O programa contempla, ainda este mês, uma exposição de arte alusiva ao tricentenário, uma missa na Basílica, acompanhada pelos seis órgãos históricos e dois coros (dia 19), e uma conferência pelo cardeal patriarca, Manuel Clemente (28).

Em Dezembro, acolhe, nos dias 17 e 18, um concerto a seis órgãos com a participação do Coro da Academia de Música de Santa Cecília de Lisboa, enquanto no dia 10 é lançada uma nova edição do Memorial do Convento, com prefácio de Carlos Reis e ilustrações do pintor João Abel Manta, para assinalar os 18 anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.

Em 2017, o palácio associa-se às cerimónias da Quaresma (Março) e da Páscoa (Abril), com missas presididas pelo cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.

Em Maio, é realizado o espectáculo teatral A luz no Sagrado, nos dias 19 e 20, a 26 é lançado o livro Os Órgãos Históricos do Concelho de Mafra, e, de 24 a 28, o palácio acolhe o Festival Internacional de Órgão, promovido pela Associação das Cidades com Órgãos Históricos.

Em Junho, organistas austríacos dão um concerto nos seis órgãos da basílica (dia 11) e vai ser promovida uma recriação histórica alusiva à fase de construção do monumento (dias 24 e 25).

Em Setembro, os visitantes vão poder observar um espectáculo de videomapping e fogo-de-artifício ( dias1 e 2).

Em Outubro, destaque para o dia 21, com uma mostra gastronómica alusiva à época e ópera e, no dia 22, uma missa presidida por Manuel Clemente, para assinalar a sagração da basílica.

O programa encerra a 17 de Novembro de 2017, com a comemoração dos 300 anos do lançamento da primeira pedra da basílica, de novo com um concerto a seis órgãos e fogo-de-artifício."

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis" baseado na obra de José Saramago em cena no teatro A Barraca

Aqui mais informações,

"Este belo e profundo romance convida a uma reflexão dramatúrgica muito entusiasmante.
Começa pela invenção do encontro entre Fernando Pessoa já falecido e o heterónimo Ricardo Reis, com casos reais de sexo e paixão, também de ambiente surdo, falso e pesado, e porque fala com humor da relação criador / “obra / figura/personagem”.
Além disso, define como protagonista principal da obra, o ANO em que a trama se desenvolve.

E que ANO!!??

1936! Alguns dados... Comemoração dos 10 anos do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que foi o pontapé de saída para o início do fascismo, especialização da polícia política com o apoio da Gestapo, fundação da Mocidade Portuguesa, Legião Portuguesa e campo de concentração do Tarrafal… Mussolini invade a Etiópia com o silêncio cúmplice das casas Reais Europeias, Hitler intensifica o ataque aos judeus, começo da guerra civil de Espanha…
Nos tempos de hoje, de frágil memória, menoridade cívica e ética, fundamentalismos, militarismos, imperialismo financeiro gerando miséria e horror Universais, renascendo a tenebrosa fénix nazi-fascista, aqui está uma obra que demonstra que as convulsões sociais nunca - infelizmente - , passaram a “coisa” datada e de dispensável interesse arqueológico."

de Hélder Mateus da Costa

Pode ser visualizado via YouTube, aqui

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis"
a partir do romance de José Saramago
um espectáculo de Hélder Mateus da Costa

com
ADÉRITO LOPES - Ricardo Reis
CAROLINA PARREIRA – Marcenda
JOÃO MARIA PINTO – Dr. Sampaio / Espanhol Franquista / Ceguinho viola
RUBEN GARCIA – Fernando Pessoa /Carregador da mala
SAMUEL MOURA – Salvador
SÉRGIO MORAS – Vitor/ Recrutador/ Saramago
SÓNIA BARRADAS – Lídia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programa "Dias do Desassossego" - 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

O cartaz e a programação prevista para os "Dias do Desassossego"





"José Saramago combate 'cegueira' com votos em branco" - Entrevista de Cassiano Elex Machado (Folha de São Paulo, 2004)

"José Saramago combate "cegueira" com votos em branco"
de Cassiano Elex Machado
Folha de São Paulo, em 22/03/2004

A entrevista pode ser recuperada e consultada aqui
em, http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u42623.shtml

Capa da edição da editora brasileira "Companhia das Letras"

Pode ser consultado aqui

"No seu universo literário sem interrogações ou exclamações, José Saramago imprime com freqüência uma mesma pontuação invisível: não vemos as coisas como elas são. É um arco que vai da cegueira "explícita" de "Ensaio sobre a Cegueira" até a visão viciada dos personagens de "A Caverna", que vivem apalpando as sombras da realidade.

De repente, é como se as criaturas do Nobel de Literatura tivessem por fim seus estalos. No seu novo romance, "Ensaio sobre a Lucidez" (seu 11º), que a Companhia das Letras lança nesta semana, o escritor português de 81 anos dá a rara chance de seus personagens de reagirem.

Na sua nova alegoria, Saramago arquiteta uma população que resolve votar quase toda em branco. Na capital de um país sem nome (no qual as pessoas igualmente nome não têm), 83% dos eleitores depositam seus votos na urna sem "xis" algum. Tal qual Gandhi, pai da resistência pacífica, "derrubam" o poder usando o branco.

A metáfora canina (mais uma) "uivemos, disse o cão", com suas quatro e compactas palavras, dá o tom do livro, como explica o próprio autor, em entrevista por e-mail à Folha de S.Paulo (que teve outros trechos publicados no sábado). Saiba a seguir por quê.

Folha de S.Paulo - De quem é a frase "Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos: Quem assinou isto por mim"?
José Saramago - É minha. Ou não se pensa que eu seja capaz de produzir uma frase assim? E digo mais: essa frase resume todo o livro. Sem esquecer da epígrafe: "Uivemos, disse o cão". Os cães somos nós. É hora de começar a uivar.

Folha de S.Paulo - Por que, em um universo de sem-nomes, tem nome somente o cachorro que lambe as lágrimas dos outros? Por que é "imaterial" o cenário do romance?
Saramago - O cão viaja nos meus livros desde "Levantado do Chão", e o nome Constante que lhe dei é a homenagem de um humano a um canino. Sobre a "imaterialidade" do cenário, limito-me a dizer que a impressão sumiria se as personagens e as ruas tivessem nome, se tudo pudesse ser colocado em categorias. O leitor compreenderá que o que ali se passa tem a ver diretamente com ele, precisamente por parecer não ter nada a ver com o que quer que seja. Espero ter sido claro.

Folha de S.Paulo - Em palestra recente, o sr. criticou a falta de reflexão da nossa sociedade, que segue vivendo de espetáculos, de pães e circos. Qual a saída da "caverna"?
Saramago - Dizia que estamos a repetir o que Juvenal escreveu numa de suas sátiras, "Panem et Circenses", isto é, pão e divertimento, pão suficiente para que não protestemos demasiado e divertimento tanto e tanto que nos salte pela boca e pelos ouvidos. Provavelmente morreremos de uma indigestão de divertimento... Manipulados, desinformados, enganados, mas bestialmente divertidos.

Folha de S.Paulo - O sr. já havia falado em uma "trilogia involuntária", ao se referir à relação de "A Caverna" com os dois livros anteriores. Com "Ensaio" o sr. chega a uma "tetralogia involuntária"?
Saramago - A trilogia começou por ser involuntária, isto é, não pensada antes. Também não se tornou voluntária, no sentido de corresponder a algo deliberado e planificado. As ideias surgem quando surgem, valem o que valem, e os livros vão aparecendo. Há um nexo entre eles, evidentemente, mas recuso-me a usar palavras como trilogia, tetralogia ou pentalogia... A expressão caiu no gosto dos jornalistas, por isso voltam sempre a referi-la. Deixemo-la, não merece tanto.

Folha de S.Paulo - Em livros como "Todos os Nomes", o sr. já relatou o processo de uma investigação. Na "segunda parte" de "Ensaio sobre a Lucidez", porém, essa busca se aproxima dos contornos da clássica literatura policial. Como o sr. se sentiu ao fazer essa incursão ao quase policial?
Saramago - Não se tratou propriamente de uma incursão ao policial. Sendo a história o que é, havendo um governo com a sua autoridade e as suas polícias, havendo uma insurreição cívica, era natural que o desenvolvimento fosse por aí. Mas não é policial tudo o que o parece. É policial "Crime e Castigo", de Dostoiévski?

Folha de S.Paulo - Como anda seu projeto de "policial" sobre Alexandre Dumas?
Saramago - Dentro de algumas semanas regressarei ao projeto.

Folha de S.Paulo - Por que o sr. já disse que "Ensaio..." é o seu testamento?
Saramago - Não penso em morrer nestes próximos dias. Se chamei testamento ao "Ensaio sobre a Lucidez" foi por nele ter escrito algumas coisas que nunca havia dito antes. Quando terminei o "Ensaio sobre a Cegueira" também me recordo de dizer: "Agora já posso morrer". Como se vê, não morri. Ainda."

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras

Terceiro Centenário da Colocação da Primeira Pedra do Convento de Mafra e o Memorial do Convento como exepcional obra de divulgação

Memorial do Convento - 1982
Via página da Fundação José Saramago, aqui

«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: “Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra… Era uma vez a gente que construiu esse convento… Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes… Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido”. Tudo, “era uma vez…”. Logo a começar por “D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (…). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» 
(Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998)


José Saramago em diversos momentos junto ao Palácio Nacional de Mafra,
que serviu de inspiração para a sua obra


A arte de José Santa-Bárbara, aqui Baltasar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas
Do catálogo da exposição "Vontades Uma leitura de Memorial do Convento"

Cartaz alusivo à comemoração

Pode ser consultada informação sobre o assunto, aqui

"Terceiro Centenário da Colocação da Primeira Pedra do Convento de Mafra."

"Estamos perante o monumento português que melhor reflecte o que podemos chamar de Obra de Arte Total: arquitectura, escultura, pintura, música, livros, têxteis… enfim, um património tipologicamente diversificado, coerentemente pensado e criteriosamente encomendado para este Palácio/Convento/Basílica/Tapada e que aqui configura uma realidade única.

Com efeito, numa área com cerca de 40.000 m2, temos implantado um notável projecto de arquitectura que foi executado sem hiatos nem soluções de remedeio. De facto, aqui tudo é marcado por uma marca de qualidade que só a generosidade joanina podia e sabia exigir: excelência de materiais, soluções arrojadas e requinte de execução.

A Arquitectura modela funcionalidades ligadas por quilómetros de corredores e mais de 150 escadarias. A Engenharia perpassa por todo o monumento, desde o zimbório aos subterrâneos. Para Mafra, escolheram-se os melhores e escolheu-se do melhor: Ludovice e Custódio Vieira na arquitectura, Trevisani e André Gonçalves na pintura, Wolkmar Machado e Domingos Sequeira na pintura mural, Monaldi e Machado de Castro na escultura, Witlockx e Levache nos carrilhões, são alguns daqueles que contribuíram para configurar este património.

Quando visitamos este monumento sentimos que é uma experiência diferente. Diferente porque as singularidades que aqui são vivenciáveis não têm paralelo em qualquer outro sítio: um complexo Hospitalar do século XVIII, dois Carrilhões monumentais do século XVIII, um conjunto (único) de Seis Órgãos de tubos e uma das que por muitos é considerada como sendo a mais bonita Biblioteca histórica do mundo configuram este património que, na sua génese, é um Palácio do Rei, um Palácio da Rainha, um Convento franciscano, uma Basílica e uma Tapada."

sábado, 29 de outubro de 2016

Uma leitura de o "Ensaio sobre a Cegueira" do blogger Elenilson Nascimento (Brasil)

É sempre uma enorme satisfação poder divulgar o trabalho dos Saramaguianos espalhados pelo mundo, aqui deixo mais uma prova de uma opinião e análise sobre o "Ensaio sobre a Cegueira". 
E o Brasil sempre tão perto e acarinhando o legado de José Saramago.
Um enorme agradecimento ao Elenilson Nascimento!

A análise do blogger Elenilson Nascimento, aqui em 

"Minha resenha sobre o livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago. "Talvez, ainda hoje, o preconceito com a obra de Saramago seja por causa do gesto de total lucidez, mesmo na loucura, a rejeição sumária a todo o sistema do mais do mesmo que ai está. Pode-se concordar ou não. A questão nos seus livros não é ideológica, mas literária. Uma curiosidade: ao longo de sua vida, Saramago resistira em ceder os direitos sobre seus livros para o cinema." Confira aqui: http://cabinecultural.com/2016/10/20/literatura-ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago/ 
fonte: Cabine Cultural/UOL
#LiteraturaClandestina #Saramago"

“O autor português expressa os valores sociais que quer condenar como a crueldade, o egoísmo, a indiferença, o consumismo e a competição, que fazem com que os cegos estejam “sempre em guerra”, mas exalta os valores que pretende que prevaleçam como o respeito ao outro, a dignidade, a coragem, a solidariedade, e a convivência…”

Por Elenilson Nascimento

Sempre tive as minhas dificuldades com Saramago, autor português comunista que, quando vivo (*faleceu em 2010), era atuante, incentivador de cultura e voraz leitor, mas não pelo seu trabalho, afinal sempre achei eficaz as suas descrições do caráter humano, porém até hoje não gosto da maneira como ele organizava os seus textos: parágrafos gigantes, sem pontuação, sem travessões para separar os diálogos e afins. Contudo, a minha admiração com relação à sua vida foi bem maior do que as minhas limitações e preconceitos. Sim, eu tinha muitos preconceitos com relação ao que eu achava ser uma falta de cuidado com o texto, mas que, com o tempo, aceitei como sendo uma técnica de escrita bem particular do autor. Lembrando que se fosse eu que enviasse um livro assim para os editores brasileiros, na sua maioria excludentes e corporativistas, todos me reprovariam sem pensar duas vezes e ainda iriam me chamar de analfabeto. Pois bem…

“Ensaio Sobre a Cegueira” é um livro difícil para quem não está acostumado com o português de Portugal, além das barreiras já citadas, mas a história é fascinante e eu já tinha lido “História do Cerco de Lisboa”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Caim”, três livros maravilhosos da obra do autor. Aí abrir o “Ensaio…” em uma página qualquer e me deparei com a frase: “O medo cega… são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos”. Pensei: “Tenho que comer logo este livro!”. Mesmo porque eu queria fazer algum tipo de comparação com o filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. E tudo começa quando um homem, a caminho do trabalho, dentro de um carro, parado em um sinal de trânsito, espera pacientemente o sinal ficar verde. Sua espera é interrompida por uma “nuvem branca” que cobre toda a sua visão. Este é o primeiro que fica cego. No meio do desespero, ele é levado para casa por um desconhecido que, aproveitando da sua incapacidade física, rouba o seu carro. Tudo indica ser um vírus desconhecido transmitido pelo ar, pois, mais tarde, a mulher deste primeiro cego se contamina; e Saramago começa a apresentar ao leitor os demais personagens: a rapariga de óculos escuros que quando fazia um programa se vê “dentro de um pote de leite”; o médico, oftalmologista para ser exato; a mulher do médico; o velho da venda preta; o farmacêutico que cantou a rapariga de óculos escuros na farmácia; o rapazinho estrábico, além do ladrão do carro do primeiro cego. E queria ressaltar também um personagem pouco citado e que só apareceu quase no final da história, mas que achei muito pertinente: o cão das lágrimas.

Jorge Amado e José Saramago na porta da Fundação Jorge Amado, 
Pelourinho, Salvador – BA: o português daria o Nobel ao brasileiro 
(foto: divulgação/Fundação José Saramago)

Engraçado como Saramago optou em não citar nomes, mas adjetivá-los. No decorrer da trama, a tal “cegueira branca” vai se espalhando pelo mundo inteiro, sem controle e sem nenhuma explicação, atingindo todas as pessoas, sem distinção de raça, idade, crença religiosa, opção sexual. Mas a única isenta de tal sofrimento é a mulher do médico – sem nenhuma explicação aparente por parte do autor, vale ressaltar. Diante da epidemia sem controle, o governo resolve colocar em quarentena todas as pessoas que ficaram cegas, sob condições subumanas. Uma vez lá dentro, não há nada o que fazer a não ser tentar sobreviver. Para isso, os protagonistas se unem e tentam sobreviver em um lugar onde pessoas mais se parecem com animais. “Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos”, escreveu Saramago. Na camarata, como o autor chama a prisão, que na verdade é um velho sanatório, o ser humano se rebaixa ao nível de um animal irracional. Fazem suas necessidades em qualquer lugar, matam sem saber exatamente o motivo, estupram mulheres apenas pelo prazer de comandar alguém ou alguma coisa (*uma das cenas mais chocantes), comem a carne de seus amigos mortos… Enquanto isso, do lado de fora, cada vez mais pessoas vão ficando cegas. Os governadores, os presidentes, os funcionários públicos, os mendigos, os religiosos… todos. E o caos se forma no mundo!

Porém, num incêndio, sem explicações mais detalhadas, os cegos se vêem livres daquela prisão, descobrem que todo o mundo – isso mesmo, o mundo todo está cego. Não há mais quem enxergue nada, há não ser o “mar de leite”. “Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”. Fora da prisão, o desafio agora é sobreviver do lado de fora da quarentena. A mulher do médico, a única que pode ver e guiá-los, descreve as cenas aterradoras: corpos em estágio avançado de putrefação espalhados pela cidade em meio a fezes, ratos, lixo e pessoas vivas brigando pelos motivos mais diversos. A luta agora não é por um emprego, por dinheiro ou por sucesso, e sim por comida. “As ruas estão cheias de cegos que andam à cata de comida. Entram e saem das lojas, de mãos vazias entram, de mãos saem quase sempre, depois discutem entre eles (…) O lixo nas ruas, que parece ter-se duplicado desde ontem, os excrementos humanos, meio liquefeitos pela chuva violenta os de antes, pastosos, saturam de fedor a atmosfera, como uma névoa densa através da qual só com grande esforço é possível avançar”.

Impossível não se impactar com a cena. Não existe meio de transporte, telecomunicação ou qualquer coisa do tipo. Nem energia elétrica. As casas agora não são de ninguém, e sim de quem invadir primeiro. É o degrau mais baixo que um ser humano pode chegar. “A cegueira também é isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança”. Quando enfim, o grupo consegue um abrigo na casa do primeiro cego, que já estava ocupada por um escritor, Saramago parece querer mostrar a vergonha dos seres humanos perante suas próprias imperfeições. A cena dos cegos tirando suas roupas sujas para tomar banho e mesmo cegos com vergonha de se despirem na frente uns dos outros ficou simplesmente perfeita. “Se quiserem, posso pôr cada um de vocês numa parte da casa”, respondeu ironicamente a mulher do médico. “A cegueira é a providência dos feios…”

Anotação enviada por Saramago aos amigos mais próximos, na tarde de 8 de agosto de 1995, anunciando que tinha acabado de escrever “Ensaio sobre a Cegueira”. 
(imagem: divulgação/Fundação José Saramago)

Saramago também brinca com a importância dos livros: “Agora ninguém os pode ler, portanto é como se não existissem…” O autor neste “Ensaio Sobre a Cegueira” nos faz refletir sobre nós mesmos. Sobre nossos medos, nossas vergonhas, nossas inseguranças, nossos preconceitos. Através de uma cegueira física, ele ilustra a cegueira da nossa própria alma. Como se os nossos corações estivessem como aquela cidade, como se estivéssemos nos transformando, cada vez mais rápido, a um estado social caótico. Mas o autor também sinaliza para uma solução: “Organizando-se, organizar-se já é, de certa maneira, começar a ter olhos” – exatamente como o grupo de protagonistas no livro. “O mundo está cheio de cegos vivos (…) Morremos de doenças, de acidentes, de acasos. Morreremos de cegueira e de cancro, de cegueira e de tuberculose, de cegueira e de sida (AIDS?), de cegueira e de enfarte… (…) O único milagre que podemos fazer será o de continuar a viver…”

Quase no final do livro, o médico e a sua mulher chegam numa igreja onde a mulher do médico diz que parecia ter alucinações, pois o homem pregado na cruz tinha uma venda branca nos olhos, além de todas as outras imagens de santos também tinham vendas nos olhos: um homem com um livro aberto com um menino pequeno sentado, um velho de barbas compridas com três chaves nas mãos, um homem com o corpo cravejado de flechas e todos os outros santos tinham os olhos tapados. Só havia uma mulher que não tinham os olhos tapados porque já os levava arrancados numa bandeja de prata. “A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança”.

O final do livro não vou contar aqui. Mas garanto é surpreendente. E como todo bom livro, “Ensaio Sobre a Cegueira” também deu origem à um roteiro cinematográfico, cujo diretor, como já foi citado, foi um brasileiro que pegou toda a essência do livro. Em suma, pegue o livro e depois veja o filme. Ou o oposto, pois esse é um dos melhores livros da minha estante e acredito que vai arrebatar qualquer um. “É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade”. Estou louco agora para pegar o “Ensaio Sobre a Lucidez”, que também começa com um evento insólito. Num dia eleitoral, a maioria da população sai de casa para abarrotar as urnas com votos em branco. O sistema político entra em colapso, mas dessa vez o que se segue não é uma queda na loucura e na bestialidade. Ao contrário em o “Ensaio Sobre a Cegueira”, as pessoas neste livro são tomadas uma inquebrantável sensatez, que lhes permite manter as engrenagens funcionando.

Talvez, ainda hoje, o preconceito com a obra de Saramago seja por causa do gesto de total lucidez, mesmo na loucura, a rejeição sumária a todo o sistema do mais do mesmo que ai está. Pode-se concordar ou não. A questão nos seus livros não é ideológica, mas literária. Uma curiosidade: ao longo de sua vida, Saramago resistira em ceder os direitos sobre seus livros para o cinema. No entanto, em 2008, com a adaptação do “Ensaio Sobre a Cegueira”, ele ficou tão feliz com o resultado que ficou muito emocionado na pré-estreia – procure no YouTube. O filme obteve mundialmente críticas mistas, dividindo opiniões. O escritor disse a Meirelles “estar tão feliz de ter visto o filme como estava quando acabou de escrever o livro”. Em outra declaração, Saramago disse que “agora conhecia a cara de suas personagens”. Em suma, Saramago escreveu uma obra maravilhosa, não foi à toa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por este livro. (“ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA”, de José Saramago, romance, 310 págs, 19 edição, Cia. das Letras – 2001)

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina