Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Revista Blimunda - Outubro 2016 Edição #53

A presente edição da revista Blimunda, pode ser consultada e descarregada gratuitamente, aqui

Capa da edição #53

Sinopse da edição da autoria da Fundação José Saramago

"A Blimunda #53 viajou até ao encontro literário “Poesia, Um Dia”, que desde 2012 promove o diálogo com a poesia no belo cenário natural de Vila Velha de Ródão.

Editar é uma tomada de posição. Este é o lema da editora Chão da Feira, que, prestes a completar cinco anos de vida, publica livros usando táticas de guerrilha. A Blimunda deste mês conversou com Maria Carolina Fenati, criadora do selo com um pé no Brasil e outro em Portugal.

Há 20 anos o IBNL (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro), atual DGLAB, criou o Prémio Nacional de Ilustração. A revista deste mês propõe um balanço destas duas décadas de ilustração em Portugal.

Na secção Visita Guiada, o ponto de paragem deste mês é a Nuvem de Letras, selo criado há um ano e que integra o grupo Alfaguara/Penguin Random House.

No dia 14 de dezembro de 1990, a revista O Ribatejo Ilustrado publicou uma crónica de José Saramago intitulada O Planeta dos Macacos, recuperada 26 anos depois nesta edição da Blimunda.

Este número inclui também o habitual conto de Andréa Zamorano e as sempre presentes sugestões de leitura na Estante e nas Leituras do Mês.

Boas leituras e até Novembro!"

Epígrafe que acompanha a presente edição

Dias do Desassossego - 16 a 30 de Novembro - Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa


Aproxima-se o mês de Novembro. 
De 16 a 30 com inúmeras actividades à volta de José Saramago e Fernando Pessoa.
Da Casa dos Bicos sede da Fundação José Saramago 
até à Casa Fernando Pessoa em Campo de Ourique.


sábado, 15 de outubro de 2016

José Santa-Bárbara, artista plástico... um criador

Recuperação de fotografia tirada no atelier de José Santa-Bárbara 
na companhia de José Saramago



"Vontades Uma leitura de Memorial do Convento" de José Santa-Bárbara

Blimunda "Nunca te olharei por dentro" - Óleo sobre Tela (60*73cm)
de José Santa-Bárbara (Informação livro/catálogo "Vontades")

Um dos episódios mais importantes da obra - O desfazer do jejum de Blimunda


Detalhe da obra

 Baltasar Mateus

Baltasar Mateus o Sete-Sóis e Blimunda a Sete-Luas


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Faleceu Dario Fo, amigo de José Saramago (1926/2016)

Via Fundação José Saramago

O presente post pode ser recuperado e consultado, aqui
em http://caderno.josesaramago.org/36163.html

"Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Com Dario Fo
Com Dario Fo e quantos se reuniram no auditório da Caja Granada para assistir à cerimónia da entrega do prémio à Cooperação Internacional que a mesma Caixa vem atribuindo, salvo erro, desde há dez anos, e que este ano nos coube a Fo e a mim, deveria ter eu estado para, como disse numa declaração gravada, partilhar as alegrias e os abraços próprios do momento. Infelizmente, não pude fazer a viagem, mas as actuais tecnologias de comunicação quase me fizeram viver em tempo real o desenrolar do acto em que, por solicitação minha, logo amavelmente satisfeita, fui representado pelo Reitor da Universidade de Granada. De certo modo, Dario Fo e eu representávamos ali o Festival Sete Sóis-Sete Luas de que nos honramos ser presidentes honorários. Como é tradição na história deste prémio, o valor dele, a que o premiado renuncia, irá beneficiar uma instituição cultural ou de actividades sociais, neste caso, o próprio Festival, que o aplicará na construção de um centro cultural na Ribeira Grande, em Cabo Verde, esse país enfeitiçador, como eu disse na minha declaração gravada. Depois de tudo isto, creio poder dizer que da entrega do prémio Caja Granada à Cooperação Internacional saímos todos, incluindo este ausente, mais ou menos enfeitiçados.Notícias sobre a cerimónia de entrega do Prémio:Diário de Notícias"

José Saramago escolhido "Autor do Mês" na Livraria Tigre de Papel

"Outubro marca o início da programação regular no auditório da Tigre de Papel. Teremos sempre um ‘Autor do Mês’, em torno do qual organizaremos alguns eventos. O primeiro Autor do Mês é o José Saramago e teremos, nesse âmbito, quatro eventos:


http://www.tigrepapel.pt/
geral@tigrepapel.pt
21.354.0470
Rua de Arroios, 25 - Lisboa (Zona da Almirante Reis)
https://www.facebook.com/tigrepapel.pt/


- 13 de Outubro, quinta-feira, 18h | Conversa com Pilar del Rio sobre o papel das figuras femininas na obra de José Saramago;

- 20 de Outubro, quinta-feira, 18h | O OUTRO SARAMAGO | Conversa com António José Borges em torno do seu livro José Saramago – Da Cegueira à Lucidez;

- 22 de Outubro, sábado, 16h | Leitura para crianças: Joana Patricio lê O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago

- 27 de Outubro, quinta-feira, 18h30 | Showcase dos Come-se a pele?, com adaptação musicada da crónica «O meu avô, também», do livro Deste Mundo e do Outro, de José Saramago

No dia 19, quarta-feira, pelas 18h30, teremos ainda a Apresentação livro Cidade Participada: arquitectura e democracia, um volume coordenado por Ricardo Fernandes Santos e recém-editado pelas Edições tinta-da-china."



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"O Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago em cena no Teatro A Barraca


Mais informações, aqui


"Um Homem que queria um barco…
Um Rei a quem só interessam Ilhas Conhecidas…
Uma Mulher da Limpeza que decide só limpar barcos…
Um Capitão do Porto rezingão…
Dois Marinheiros maus…
Dois Narradores e dois Técnicos a ajudar à festa…
Um palco aberto…
De Palácio em Cais…
De Cais em Barco…
De Barco em Ilha…
Um Sonho…
Uma Vontade de ferro…

A Barraca dos miúdos conta um conto de José Saramago.

O Conto da Ilha Desconhecida conta que “Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco.” Depois de muitas dificuldades em chegar à fala com o Rei, o Homem lá conseguiu o que queria e ajudado pela Mulher Da limpeza do palácio, que entretanto decide juntar-se a ele na aventura, partem em busca da Ilha Desconhecida.

Uma história sobre o poder do Sonho e da Vontade de um Homem, sobre o Amor e sobre um caminho para uma Utopia. Conceitos complicados de transmitir às crianças? Talvez.... Mas são elas que dominam melhor do que ninguém essa linguagem. 
Para nós, crescidos, é que o mundo torna difícil reencontrar a criança capaz de nos fazer ir atrás de um Sonho.

Rita Lello
Adaptação e Encenação

Horário
Sábado às 15h00
Domingo às 11h00"
"

sábado, 8 de outubro de 2016

Breve discurso no anuncio da atribuição do prémio Nobel, em 8 de Outubro de 1998

Via YouTube, aqui
em https://www.youtube.com/watch?v=7_vKuX0_jk0

"Bem vindos à Academia.
Este ano. a Academia atribuiu o prémio Nobel da Literatura ao escritor português José Saramago... José Saramago.
... que através de parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia, nos permite apreender continuamente uma realidade ilusória."

Breve discurso no anuncio da atribuição do prémio Nobel, em 8 de Outubro de 1998

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"A Casa José Saramago" em Tías - Lanzarote

Publicado na página do Facebook em 

INFORMAÇÃO DA PÁGINA
Morada - Calle Los Topes, 3, 35572 Tías, Canarias, Spain
Horário Seg-Sáb: 10:00 – 14:30

Casa Museo José Saramago en la Isla de Lanzarote 

Telefone +34 928 83 30 53
E-mail acasajosesaramago@gmail.com



21 de septiembre de 1996
"Esta mañana, todavía en la cama, entre las nebulosas del primer despertar, tal y como si ante mí fuesen fluctuando piezas sueltas de un mecanismo que, por sí mismas, buscasen sus lugares y se encajasen unas en otras, comencé a distinguir, de un extremo a otro, el desarrollo del enredo de Todos los nombres, esa novela cuyo título nació, en enero, en un avión que aterrizaba en Brasilia, y que, para mostrarse (¿definitivamente?), necesitó que otro avión me trajera hasta Amherst. Estaba pensando, de un modo vago, soñoliento, en los esfuerzos que vengo realizando para encontrar la pista de mi hermano, y de repente, sin ninguna relación aparente, comenzaron a desfilar en mi cabeza los personajes, las situaciones, los motivos, los lugares de una historia que no llegaría a existir (suponiendo que la escriba) si el óbito de Francisco de Sousa hubiera sido registrado en la Conservaduría de Golegã, como debería...".
José Saramago, Cuadernos de Lanzarote II.

Apresentação de «O Lagarto», de José Saramago e J. Borges – 22/09, no Festival Literário de Óbidos

A presente informação foi publicada pela Fundação José Saramago, e pode ser recuperada, aqui

Na quinta-feira (22), pelas 18h30, no âmbito do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, será apresentado «O Lagarto», livro publicado pela Porto Editora e que une as palavras de José Saramago com o traço do artista popular brasileiro J. Borges.



"A sessão, que acontece no Museu Abílio, em Óbidos, contará com a presença de Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, Alejandro García Schnetzer, editor independente que concebeu o projeto, e Manuel Alberto Valente, editor responsável pela obra de José Saramago na Porto Editora. Pelas 17h45, o trio de música nordestina “Só Lapada” recepcionará os convidados à entrada da vila de Óbidos.

Também será inaugurada uma exposição com as xilogravuras feitas especialmente para o livro. A entrada é livre, sujeita à lotação da sala. Para ver o programa completo do FOLIO aceda: www.foliofestival.com/ "



"O Lagarto é um conto breve incluído em A Bagagem do Viajante (1973), volume que reuniu as crónicas escritas por José Saramago para o diário A Capital e para o semanário Jornal do Fundão. A história narra o aparecimento, no Chiado, de um misterioso lagarto, cuja presença surpreende os transeuntes e mobiliza os bombeiros, o exército e a aviação.

Quem é J.Borges:

Nasceu em Bezerros (Pernambuco, Brasil) no ano de 1935. Aos 20 anos começou a vender cordéis nas feiras. Em 1964 assinou o seu primeiro trabalho autoral. Tornou-se gravurista para ilustrar os cordéis que produzia. Durante a vida escreveu algumas centenas de cordéis. Ilustrou o livro As palavras Andantes, de Eduardo Galeano, e expôs o seu trabalho em vários lugares do mundo, entre eles EUA, Suíça, França, Alemanha, Venezuela, Itália e Cuba. Em 2006 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, outorgado pelo Governo do Estado. Atualmente vive na sua cidade natal, num local que foi transformado num espaço artístico, o Memorial J.Borges, onde ensina a arte da xilogravura aos mais novos."

* Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco


Conto «A ilha desconhecida», no Festival Literário Internacional de Óbidos - Produção "Trigo Limpo teatro ACERT"

«A ilha desconhecida», no Festival Literário Internacional de Óbidos



http://www.josesaramago.org/ilha-desconhecida-no-festival-literario-internacional-obidos/

A segunda edição do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos contará com a estreia do espetáculo A Ilha Desconhecida, a partir d’ O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago. Trata-se de uma coprodução da Fundação José Saramago e do Trigo Limpo teatro ACERT que será apresentada durante o festival e seguirá em digressão nos próximos meses.

A peça, que foi adaptada e encenada por José Rui Martins, do ACERT, será interpretada pelos actores e músicos Catarina Moura e Luis Pedro Madeira.

Exibida gratuitamente nos seguintes dias:  22, 23, 24, 25, 29, 30 de setembro, e 1 e 2 de outubro. Aceda à página do festival para ver os horários e local do espetáculo www.foliofestival.com/

Foto: Ricardo Chaves

Sinopse

COMO É QUE UMA ILHA PODERÁ SER A UTOPIA QUE HÁ EM CADA UM DE NÓS?

Como é que a utopia pode ser o desconhecido que se procura pelo prazer da navegação e o desprendimento pela calculista ancoragem?
Imagine-se um pensamento de uma Mulher da Limpeza: “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és.”
Imagine-se que um Homem que Queria um Barco sonhou com a Mulher da Limpeza e lhe segredou: “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”
Agora, imagine-se que estamos no lugar deste Homem e desta Mulher que temos diante de nós três portas: a dos obséquios, a das petições e a das decisões. Qual delas seremos tentados a abrir?
No seu conto, José Saramago convida-nos a uma viagem em “que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós”. Habitar teatralmente esta  aventura onde a metáfora se espraia na areia das palavras é desafiante. Parabolizar teatral e musicalmente uma narrativa que, sendo complexa, não se pode desligar da singeleza do pensamento que a originou, constitui um desafio artístico aliciante. A palavra teatral e musicada é o roteiro para a construção de personagens oníricas, fantasiosa e poético-amorosas. A música, território de eleição dos intérpretes, pisca o olho sedutor ao argumento, deixando-o fluir encantatoriamente. A cenografia e os figurinos são enxertias de uma só planta.
Esta adaptação teatral do conto de José Saramago são as palavras de um livro que é palco. O Trigo Limpo teatro ACERT, após ter compartilhado com a Fundação José Saramago a maravilhosa aventura de “A Viagem do Elefante” que, desde 2013, continua e continuará a circular junto das comunidades onde ancora, aceitou afectuosamente este convite para partilhar, em co-produção “O Conto da Ilha Desconhecida”.

(José Rui Martins)


Ficha Técnica

 Coprodução: Fundação José Saramago e Trigo Limpo teatro ACERT

A partir de “ O Conto da Ilha Desconhecida” de José Saramago

Adaptação e encenação: José Rui Martins

Interpretação: Catarina Moura e Luís Pedro Madeira

Música: Luís Pedro Madeira

Cenografia: ZéTavares

Desenho de Luz: Paulo Neto

Figurinos, tapeçaria e adereços: Cláudia Ribeiro | Casa de Figurinos

Adereços: Sofia Silva

Costureira: Marlene Rodrigues

Pesquisa e coordenação literária: Sérgio Letria e Sara Figueiredo

Montagem e operação de luz: Rui Sérgio Henriques

Assistentes de produção: Joana Cavaleiro e Ricardo Viel

Carpintaria de cena: Filipe Simões

Fotografia: Ricardo Chaves

Edição #52 da revista Blimunda - Setembro de 2016 - Já disponível para descarregar gratuitamente


Recorte da capa da presente edição

A edição pode ser consultada e descarregada gratuitamente, aqui
em http://www.josesaramago.org/blimunda-52-setembro-2016/

"No campo de refugiados de Jenin, na Palestina, faz-se teatro. Uma realidade que a Blimunda descobriu ao conversar com os diretores do Freedom Theatre, companhia que esteve em digressão por Portugal neste mês de Setembro e que aposta que o teatro pode ser uma alternativa para os jovens de uma zona tão castigada pela violência. A reportagem é assinada por Ricardo Viel.

Manifestação política e cultural, a Festa do Avante! viveu este ano a sua 40.ª edição. A Blimunda esteve lá e traz nas suas páginas uma crónica assinada por Sara Figueiredo Costa sobre a festa organizada pelo Partido Comunista Português.

A escritora e professora argentina María Teresa Andruetto marcou presença na XIV edição das Palavras Andarilhas. O programa incluía uma entrevista ao vivo à escritora vencedora do Prémio Andersen em 2012. Essa conversa, conduzida por Andreia Brites e Sérgio Machado Letria, ocupa agora o seu espaço nesta edição da Blimunda.

Na secção Saramaguiana recuperamos uma das primeiras críticas ao romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, livro de José Saramago que este mês de setembro regressa às livrarias portuguesas na nova edição da Porto Editora. Escrito por Leonor Xavier e publicado em novembro de 1984, poucas semanas depois da chegada do romance às livrarias, o texto destaca o caráter inovador do romance ao propor um “jogo entre o real imaginário e o imaginário real”, tendo o leitor como parceiro.

A escritora Andréa Zamorano regressa ao seu espaço mensal com uma crónica que aborda a as vantagens e as dificuldades de viver meio cá, em Portugal, meio lá, no Brasil.

Como habitualmente, com muito para ler, as secções habituais da revista.

Boas leituras!"

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"Cadernos de Lanzarote Diário V" - 10/01/1997 (a propósito do Ensaio sobre a Cegueira)

"10 de Janeiro"
"Barcelona, Palácio Guell. Gravação da entrevista para o programa Negro sobre Blanco, Fernando Sánchez Dragó. O tema foi o Ensaio sobre a Cegueira. Ajudaram generosamente à conversa Raúl Morodo, actual embaixador de Espanha em Lisboa, e Miguel Durán. A propósito, Miguel contou que, no tempo do franquismo, um notável do regime, cujo nome, se chegou a dizê-lo, me escapou, sugeriu ao governo a construção duma cidade destinada exclusivamente a cegos. A ideia não foi por diante, mas é fácil perceber quão fecunda era de possibilidades: depois dessa primeira experiência talvez começasse a haver cidades de surdos, cidades de coxos, cidades de manetas, cidades de gagos, cidades de mudos, cidades de mongolóides, cidades de paraplégicos, cidades de epilépticos, e, com a continuação e o êxito da prática segregativa, acabaríamos fatalmente por construir cidades para velhos, cidades para loucos, cidades para enfermos em fase terminal, enfim, para quantos se configurassem como elementos perturbadores do viver da comunidade dos normais. Naquele momento, enquanto ouvia a tenebrosa história, as antigas cavalariças do Palácio Güell, onde nos encontrávamos, rodeados de focos e de câmaras, sob a inquietante mole neogótica do edifício, envolvidos por uma arquitectura que poderia servir de cenário a um filme de Drácula — tudo aquilo me pareceu (apesar do respeito que devo ao génio de Gaudí) uma antecipação do pesadelo inumano de que nos falava Miguel Durán."

in, "Cadernos de Lanzarote Diário V"
Caminho, páginas 16 e 17 (10/01/1997)

José Saramago - "Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada pela Cátedra Alfonso Reyes (01/12/1999)

Cátedra Alfonso Reyes
"Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada a 1 de Dezembro de 1999
Monterrey - México

Pode ser recuperada e visualizada, via YouTube, aqui


"Diálogo con estudiantes en el que José Saramago reflexiona sobre su obra 
literaria y su concepción de la literatura."

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

"O Lagarto" ... está a chegar!! Apresentação no FOLIO dia 22/09


"Um livro muito especial está prestes a chegar às livrarias! 
"O Lagarto" junta José Saramago e J. Borges, um mestre da arte popular brasileira.
O lançamento desta novidade será no dia 22 de setembro, 
no FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos."

Publicado pela Porto Editora e partilhado pela Fundação José Saramago
Aqui o link da agenda do FOLIO - https://folio2016.sched.org/?s=lagarto


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Serviço Educativo 2016-2017 - Fundação José Saramago

Apresentação de programa de actividades para o ano lectivo que se inicia.
Pode ser consultado e descarregado, aqui
em http://www.josesaramago.org/servico-educativo-2016-2017/

"A Fundação José Saramago apresenta o programa do seu serviço educativo para o ano lectivo 2016-2017, que inclui propostas para a comunidade educativa, para famílias e para o público em geral em áreas que vão da promoção da leitura ao teatro e à performance.

No programa que agora se apresenta, destaque para a oferta que cobre os vários ciclos de ensino com propostas que nascem da obra de José Saramago. Como se lê na nota breve que apresenta estes ateliers: «Acreditamos que dar a ler é nossa missão. Por isso os ateliers alicerçam-se numa mesma estratégia: a da leitura colectiva e do diálogo crítico. Para cada ciclo novo desafio, que se erige sobre a base de leitura anterior.»

Para além da oferta para a comunidade educativa, o serviço educativo da FJS integra duas exposições itinerantes, de cedência gratuita para bibliotecas e escolas, para além de uma formação para professores e de propostas que nascem de grupos de teatro e que permitem um contacto com livros em particular ou com o conjunto da obra saramaguiana.

A todos os que connosco colaboram neste programa do serviço educativo, formadores, actores, professores, alunos, o nosso obrigado!"

No link da página da FJS, pode ser descarregado em pdf o programa e que aqui se reporta o índice do mesmo.

Índice
Ateliers de Promoção da Leitura (APL), formação para professores e comunidade de leitores:
- A Maior Flor do Mundo (1.º Ciclo - 4.º Ano) Pág. 5
- O Silêncio da Água (2.º Ciclo - 5.º e 6.º Anos) Pág. 6
- O Lagarto (3.º Ciclo - 7.º, 8.º e 9.º Anos) Pág. 7
- 1.as Páginas (Secundário - 10.º e 11.º Anos) Pág. 8
- José Saramago: tecer leituras para a sala de aula (Formação para Professores) Pág. 9
- Ler Saramago (Comunidade de Leitores) Pág. 11

Para famílias:
- Peddy-paper Pág. 13
- A maior ideia do mundo, Oficina por André Letria Pág. 14
Visitas guiadas à Fundação José Saramago/Casa dos Bicos: Pág. 15

Exposições itinerantes:
- José Saramago, 90 Anos Pág. 17
- A Maior Flor do Mundo Pág. 19

Peças de teatro / Performances:
- Memorial do Convento Pág. 21
- Quem quer ser Saramago? Pág. 22
- Levantei-me do Chão Pág. 23

"The Double" critica literária - "O Homem Duplicado"

A presente critica literária pode ser recuperada e consultada, aqui
em https://scholarsandrogues.com/2016/09/11/jose-saramago-our-doppelgangers-our-selves/

The Double is, ultimately, a meditation – on who we are and, more importantly, on why we are.

“Chaos is merely order waiting to be deciphered.” ― José Saramago, The Double

"The Double" by Jose Saramago

"The use of doppelgangers in literature is a common enough  device. Edgar Allan Poe’s short story “William Wilson” and Joseph Conrad’s “The Secret Sharer” explore the idea of a double who shares an intimate relationship with the protagonist.  In novel form Dickens treats the idea in A Tale of Two Cities and Dostoevsky explores it in The Double. Of course the device has been given permutations, the most famous of which is likely Robert Louis Stevenson‘s The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde wherein the doppelganger idea is blended with an exploration of chemically induced multiple personality disorder.

The Portuguese Nobelist Jose Saramago (whose Baltasar and Blimunda I wrote about last year) offers a postmodern spin on the doppelganger. Saramago’s The Double is both a story of a man who accidentally encounters his human duplicate while watching a video and a meditation on identity, self-hood, and the power of language.

Tertuliano Maximo Afonso is a history teacher. He is divorced, depressed, and at loose ends in both his professional and personal lives. A well meaning friend, a mathematics teacher, recommends a film to him – as a diversion from his worries. The film, The Race is to the Swift, has a scene with a hotel receptionist that Afonso realizes is his exact twin. Afonso becomes obsessed with finding the actor. He watches a series of movies from the same production company trying to find out the name of his doppelganger. Finally, by chance, he finds the name and contact the actor (who uses the stage name Daniel Santa-Clara but whose real name is Antonio Claro). Through a long, overly discursive, narrative  Saramago finally brings Claro and Afonso together.  Their meeting sets in motion a series of events that ends in what can properly be called absurdist tragedy.

What Saramago is interested in in this novel is not this story. What he is really interested in is the vagaries of the imagination and the  power of words not simply to describe but to define existence:

We have an odd relationship with words. We learn a few when we are small, throughout our lives we collect others through education, conversation, our contact with books, and yet, in comparison, there are only a tiny number about whose meaning, sense, and denotation we would have absolutely no doubts, if one day, we were to ask ourselves seriously what they meant. Thus we affirm and deny, thus we convince and are convinced, thus we argue, deduce, and conclude, wandering fearlessly over the surface of concepts about which we only have the vaguest of ideas, and, despite the false air of confidence that we generally affect as we feel our way along the road in verbal darkness, we manage, more or less, to understand each other and even, sometimes, to find each other.

As for imagination, Saramago tries to explain what happens to our imaginations as we move through life following predetermined paths, adhering to the behaviors that prevent us from experiencing life’s possibilities:

We all know, however, that the enormous weight of tradition, habit, and custom that occupies the greater part of our brain bears down pitilessly on the more brilliant and innovative ideas of which the remaining part is capable, and although it is true that, in some cases, this weight can balance the excesses and extravagances of the imagination that would lead us God knows where were they given free rein, it is equally true that it often has a way of subtly submitting what we believed to be our free will to unconscious tropisms, like a plant that does not know why it will always have to lean toward the side from which the light comes.

The idea that we are not unique – that there is a duplicate of us somewhere – is antithetical to our notions of our – let me use a term that has been thrown around a lot in recent years – exceptionalism. Saramago suggests, however, something else: that no matter how many duplicates of us there are that we are, to those who love us, unique:

It was said that one of them, either the actor or the history teacher, was superfluous in this world, but you weren’t, you weren’t superfluous, there is no duplicate of you to come and replace you at your mother’s side, you were unique, just as every ordinary person is unique, truly unique.

The Double is, ultimately, a meditation – on who we are and, more importantly, on why we are."

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Crónica "O grande teatro do mundo" publicada em "As opiniões que o DL teve" (14/12/1972)

"O grande teatro do mundo"
14 de dezembro de 1972

"A representação teatral de ações simultâneas não foi invenção do nosso tempo, ao contrário do que poderão pensar a pessoas inclinadas a acreditar que o passado terá sido pouco mais do que um espesso casulo ou um ovo de trevas. Um palco que hoje se estrutura em vários níveis e planos, e onde os atores que gesticulem e falem em articulação ou não com outros atores, repete mistérios medievais e representações mais recuadas ainda. 
Tudo isto são banalíssimas verificações, certamente o pretexto adequado a uma reflexão anacronicamente moralista, pois se trata, como anuncia o título, de ver o mundo como um palco imenso de ações simultâneas, muitas delas decorrentes umas das outras, outras ainda marcadas pelo absurdo dos contrastes. Também a reflexão não terá nada de original. Este modo de ser do mundo é o responsável pela multidão de misantropos que arrastarão a vida numa áspera derrota, recusando-se a ser peso na balança e cúmplices no absurdo. Infelizmente para eles o mundo inclui-os na sua grande máquina misturadora: tudo é gente transportada nos remoinhos movediços da História, girando ao parecer no mesmo lugar, e contudo avançando no fluido inapreensível do tempo. Talvez seja a insensível fricção desse fluido que envelhece os homens como a água que corre sobre as pedras, as desgasta, as reduz a lâminas, a areia, e, por fim a átomos invisíveis... 
Revertamos, porém, ao ponto: o mundo é, evidentemente, um palco imenso de ações simultâneas, de que partem três homens para a Lua, fortes de ciência e técnica, e onde centenas de outros homens se esforçam humildes por tomar lugar numa carruagem de metropolitano, num autocarro, num elétrico, num simples táxi, se possível... E isto para só falarmos no angustiante, mas no entender de muita gente pitoresco, problema dos transportes, porque se contemplarmos o plano da moral comezinha veremos cinquenta religiões, entre pequenas e grandes, difundirem por todos os meios palavras de paz, enquanto as guerras metodicamente vão fazendo pela vida... e pela morte. Repare-se também no presidente Thieu do Vietname do Sul, que benevolamente condescende em tréguas de Natal, sob condição (ou pouco menos) de que a guerra prossiga depois desse breve intervalo que provavelmente nem bastará para enterrar decentemente os mortos. Veja-se, para não sair daquelas partes do mundo, como um povo tem vindo a ser literalmente sangrado há dezenas de anos, não obstante o clamor de protesto que a todas as horas se levanta das nações. Atente-se nos altíssimos e luxuosos edifícios de cujos terraços quaisquer honestos olhos distinguirão o vexame dos bairros de lata, agora cosmopolitamente rebatizados como bidonvilles. Tome-se a medida do conforto e veja-se como ela se recusa a assentar no corpo de quem nasceu sobre estrelas malévolas. 
Esta enumeração não acabaria nunca, mesmo que pretendêssemos dedicar-lhe as colunas inteiras do jornal. O teatro do mundo é realmente grande e capaz de conter a multiplicação de todas as disformidades e injustiças, sobre a capa pacificadora de uma resignação infinita que se exprime na desolada verificação de que o mundo já assim era quando nascemos, razão bastante boa para que aos olhos de muita gente assim deva continuar... Entretanto, neste teatro absurdo o pano vai caindo, para cada um de nós, na altura devida. É uma espécie de roleta russa em que todos acabaremos por ser alvejados. Em todo o caso, mesmo sem misantropia excessiva, haveremos de convir que o mundo assim organizado merecia bem que o pano caísse de vez. Universalmente. Tranquilizemo-nos, porém: o homem é o animal mais resistente da Terra, porque se nutre de um a alimento invisível chamado esperança. 

in, "As opiniões que o DL teve", 1.ª edição de 1974
14 de Dezembro de 1972
Edição Porto Editora, edição de 2014) páginas 74 a 76

sábado, 3 de setembro de 2016

"Julieta a Romeu" e "Romeu a Julieta" Poemas de José Saramago - "Os Poemas Possíveis"

"Julieta a Romeu"
"É tarde, amor, o vento se levanta,
A escura madrugada vem nascendo,
Só a noite foi nossa claridade.
Já não serei quem fui, o que seremos
Contra o mundo há-de ser, que nos rejeita,
Culpados de inventar a liberdade."
in, "Os Poemas Possíveis" 
Edição Porto Editora, página 104

"Romeu a Julieta"
"Eu vou amor, mas deixo cá a vida,
No calor desta cama que abandono,
Areia dispersada que foi duna.
Se a noite se fez dia, e com a luz
O negro afastamento se interpõe,
A escuridão da morte nos reúna."
in, "Os Poemas Possíveis" 
Edição Porto Editora, página 105

José Saramago e a sua presença na "Festa do Avante"

Trabalhos de montagem e apoio à realização da Festa do Avante em 1978

Via página da Fundação José Saramago, aqui 
No dia da abertura da 40.ª edição da Festa do Avante!, uma fotografia de José #Saramago no trabalho de montagem da Festa de 1978. Ao longo das várias edições da Festa, o Nobel português marcaria presença em debates e sessões de autógrafos. 
A Notícias Magazine publica hoje uma galeria de fotografias, assinalando os 40 anos de festa: http://www.noticiasmagazine.pt/2016/avante-40-anos-de-festa/



Fotografias do espaço literário com destaque para a vida e obra de José Saramago






Fotografias e texto via blog "Sem Embargo"
"José e Pilar" na Festa do Avante
 Pilar del Rio e o realizador Miguel Gonçalves Mendes estiveram na Festa do Avante, para a apresentação do documentário "José e Pilar".
3 de Setembro de 2011





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"Conversaciones que le cambiarán la vida - Homenaje a José Saramago" - Feria do Libro del Bogotá (2013)

"Conversaciones que le cambiarán la vida - Homenaje a José Saramago"

Pode ser recuperado e visualizado, aqui 

"En conversación con Laura Restrepo, Pilar del Río, esposa del nobel portugués nos habla de los últimos momentos del escritor y de su emotiva despedida."

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"Los CACT coproducen la adaptación teatral de ‘El hombre duplicado’ de Saramago" - notícia do "Diário de Lanzarote" (17/08/2016)

"Pilar del Río y Pedro San Ginés, este miércoles en Jameos del Agua."

Notícia publicada no "Diário de Lanzarote", em 17/08/2016, aqui
em http://www.diariodelanzarote.com/noticia/los-cact-coproducen-la-adaptación-teatral-de-‘el-hombre-duplicado’-de-saramago

"¿Qué sucede cuando Tertuliano Máximo Afonso descubre, a sus treinta y ocho años, que en su ciudad vive un individuo que es su copia exacta y con el que no le une ningún vínculo de sangre? Ese es el interrogante desde el que el escritor portugués José Saramago plantea y desarrolla ‘El hombre duplicado’. ¿Cómo saber quiénes somos? ¿Qué nos define como personas individuales y únicas? ¿Podríamos intercambiarnos con nuestro doble sin que nuestros allegados lo percibiesen? Son algunas de las cuestiones surgen a lo largo de la lectura de la obra del Nobel portugués publicada en el año 2002.

Los Centros de Arte, Cultura y Turismo del Cabildo de Lanzarote y la productora DD & Company llevarán a los escenarios la adaptación teatral de ‘El hombre duplicado’ a partir de la próxima temporada de invierno en lo que constituye una iniciativa más de los CACT asociada a la promoción y difusión de la cultura. El estreno mundial de la obra tendrá lugar en Lanzarote, concretamente en el Auditorio de Jameos del Agua, en fecha aún por determinar.

Estos son algunos de los detalles dados a conocer por el presidente del Cabildo, Pedro San Ginés, en la conferencia informativa que sirvió de presentación del acuerdo alcanzado por los CACT y DD & Company que llevará ‘El hombre duplicado’ a escenarios teatrales nacionales e internacionales, en la que estuvo acompañado por el consejero de Turismo de la Primera Institución insular, Echedey Eugenio; el consejero de Cultura, Óscar Pérez; la presidenta de la Fundación Saramago y viuda del Nobel portugués, Pilar del Río; la responsable de DD & Company, Dania Dévora; los adaptadores del texto, Félix Ortiz y Salvador Toscano, y el director teatral, José Martret.

San Ginés se felicitó de la iniciativa de los CACT, que "se han dedicado a salvaguardar nuestra cultura y, ahora, dan un paso más coproduciendo la representación teatral de una obra de Saramago", y apuntó que "este extraordinario proyecto es una magnífica oportunidad para dar a conocer la isla a través de la producción de cultura de la mano de un hombre que se enamoró de Lanzarote y con el que siempre tendremos una deuda de gratitud".

San Ginés agradeció "el interés y el entusiasmo contagiosos de Dania Dévora y el esfuerzo de todos aquellos que han intervenido para que esta iniciativa sea hoy real", y deseó éxito a una "obra que va a arrancar en uno de los escenarios más espectaculares del planeta".

A continuación, el consejero de Turismo indicó que "hemos querido dar este salto para producir cultura y arte asumiendo nuestra responsabilidad social en pago a la deuda que tienen los CACT con la población de Lanzarote”.

“Venimos de un tiempo en el que tocaba centrar los esfuerzos en reordenar la empresa para generar beneficios” y “ahora toca que esos beneficios reviertan sobre la sociedad, en este caso, en forma de producción de cultura”, señaló. “Hemos querido que este primer paso sea de la mano de profesionales de primer nivel, y con alguien tan vinculado a la isla como es José Saramago”, añadió.

El consejero apuntó que los CACT "asumen el proyecto con muchísima ilusión. Queremos contribuir a llenar el vacío en material cultural que tenemos en Canarias, dificultado, además, por nuestra realidad geográfica insular", y mostró su deseo en que "sea el primero, pero no el último".


"Confianza plena" de Pilar del Río

La presidenta de la Fundación Saramago y viuda del escritor portugués, Pilar del Río, presente en la conferencia informativa, mostró su respaldo y "confianza plena" en las personas que están al frente del proyecto. "Confío en Félix y Salvador, a quienes conocimos hace muchos años, en el director, José Martret, y en una mujer, Dania Dévora, que tiene una producción asombrosa a sus espaldas, una persona que contribuye a hacer más grande este país. Sólo tendremos que sentarnos en primera fila, admirarnos, y aplaudir".

Del Río espera que la representación de ‘El hombre duplicado’ coincidiendo con los actos previstos para celebrar el 50 aniversario de los CACT "retroalimente a los dos eventos".

Estreno en Jameos del Agua

Dania Dévora, responsable de DD & Company, reconocía la complejidad de un proyecto para el que "contarán con un equipo técnico y artístico formado por destacados profesionales canarios del ámbito teatral, que aporten su talento y punto de vista sobre el autor y su obra". Dévora desveló que "nos encontramos en pleno proceso de casting para la selección de los actores que den vida a los personajes de la obra de Saramago" y desveló estar barajando "nombres de indiscutible profesionalidad y talento, reconocibles, además, por el gran público, pero también artistas emergentes".

Dévora, que explicó el origen de la iniciativa, agradeció "el interés del presidente del Cabildo de Lanzarote, así como de los consejeros de Turismo y Cultura, y del consejero delegado de los Centros, porque sin ellos hoy no estaríamos aquí", y anunció que "vamos a poner un foco muy importante para las artes escénicas de este país sobre la isla desde que se estrene ‘El hombre duplicado’ en este espacio de Jameos del Agua".

Por último, agradeció el papel que han jugado los Centros de Arte, Cultura y Turismo del Cabildo de Lanzarote en todo el proyecto y en la elección del Auditorio de Jameos del Agua como espacio para el estreno mundial de la obra. "Lanzarote es la isla donde se escribieron muchas de las páginas de la obra de Saramago. Por eso", apuntó "nos pareció idóneo presentar El hombre duplicado en Jameos del Agua". Sobre el director, José Martret, Dévora explicó que "es la persona indicada".

“Unir los espíritus de Manrique y Saramago”

José Martret, cofundador del espacio teatral La Casa de la Portera y director, entre otros, del cortometraje ‘¡¡¡Todas!!!’ por el que ha recibido 14 premios en distintos festivales, reconoció aceptar "con muchísima ilusión el reto y el honor de dirigir una obra de un artista tan inconmensurable como Saramago", de cuyo trabajo confesó sentirse "enamorado".

 Martret consideró que leer al Nobel portugués "es una experiencia plena y diferente. Mi reto", confesó, "es el de conseguir que el pública viva una experiencia teatral única y distinta de cualquier otra representación teatral". Sobre el escenario del Auditorio de Jameos escogido para el estreno, Martret apuntó que "unir los espíritus de Manrique y Saramago en Jameos es algo excepcional".

Por su parte, Félix Ortiz y Salvador Toscano, adaptadores del texto original y "culpables de todo esto", explicaron que la idea de llevar al escenario la obra de Saramago surgió de manera "absolutamente casual". Además, revelaron que "disfrutaron muchísimo durante dos años preparando un trabajo que esperan que guste, que no desilusione a los lectores de Saramago", para el que han rescatado frases literales que empleó el escritor luso."

"O Homem Duplicado de José Samarago será peça de teatro em Espanha" via DN (18/08/2016)

Via DN - Fotografia Eduardo Tomé

O artigo publicado no Diário de Notícias, em 18/08/2016, pode ser consultado aqui

"A encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.
O romance O homem Duplicado, do escritor português José Saramago, terá uma adaptação para teatro a estrear-se ainda este ano em Espanha, revelou a Fundação José Saramago.
Ainda sem data oficial de estreia, a peça será levada à cena pela produtora DD & Company no Centro de Arte, Cultura e Turismo de Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias e onde viveu José Saramago.
De acordo com o Diário de Lanzarote, a encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.
Publicado em 2002, o romance O Homem Duplicado é protagonizado por Tertuliano Máximo Afonso, um professor de História em dúvida sobre a própria identidade depois de descobrir numa gravação de vídeo um homem idêntico a ele.
Na altura, a edição teve uma primeira tiragem de 80 mil exemplares, coincidindo com o 80º aniversário do escritor, distinguido com o Nobel da Literatura em 1998.
O Homem Duplicado está publicado em vários países, entre os quais Brasil, Espanha, Colômbia, Albânia e Itália, e já foi adaptado para cinema, em 2014 pelo realizador canadiano Denis Villeneuve e com o ator Jake Gyllenhaal no principal papel.
A obra literária de José Saramago já teve várias adaptações tanto para cinema como para teatro. São os casos, por exemplo, dos filmes "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles, e Jangada de Pedra, de George Sluizer, e das recentes peças de teatro Claraboia e 1936, o ano da morte de Ricardo Reis, pelo teatro A Barraca.
Depois de O homem duplicado, José Saramago publicou ainda quatro romances: Ensaio sobre a lucidez (2004), As intermitências da morte (2005), A viagem do elefante (2008) e Caim (2009).
José Saramago morreu aos 87 anos a 18 de junho de 2010, tendo sido publicados a título póstumo "Claraboia" (2011), um romance que o autor tinha concluído em 1953, e o romance inacabado "Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas" (2014).
Em Lanzarote, a casa e a biblioteca onde José Saramago passou parte da sua vida, foram transformadas numa "casa-museu" que abriu portas ao público em março de 2011."

domingo, 21 de agosto de 2016

Edição #51 Agosto 2016 da revista "Blimunda" - Já disponível para consulta e download

"Em setembro os leitores de José Saramago terão nas mãos um novo livro, fruto do trabalho de um atento e interessado editor independente e da genialidade de dois grandes nomes da cultura em língua portuguesa. Alejandro García Schnetzer, argentino radicado em Barcelona, foi o mentor do encontro entre as palavras de José Saramago e o inconfundível traço do artista brasileiro J. Borges. Umas e outro compõem O Lagarto – texto publicado no começo dos anos 70 como crónica num jornal e posteriormente incluído em A Bagagem do Viajante.
Há quatro décadas, quando José Saramago, em Lisboa, escrevia crónicas para jornais, no interior do estado de Pernambuco as xilogravuras de J. Borges começavam a ser conhecidas além do universo da literatura de cordel – género literário que une versos rimados com ilustrações, contando assim uma história. Nos anos 90, quando o português recebeu a consagração definitiva com o Prémio Nobel de Literatura, o brasileiro obteve o merecido reconhecimento internacional com as gravuras que criou para um livro de Eduardo Galeano.
José Saramago admirava o trabalho de J. Borges, tinha em casa algumas gravuras do artista brasileiro,
mas não chegou a conhecê-lo. Agora, seis anos depois da morte do escritor, dá-se, por fim, esse feliz encontro. As xilogravuras feitas especialmente para ilustrar o livro são uma linda homenagem ao Prémio Nobel e um importante contributo para que a história de um lagarto que aparece no Chiado renasça, mais de 40 anos depois de escrita. «Um texto só sobrevive quando muda, e um livro só existe se é lido; senão é um cubo de papel», defende García Schnetzer na entrevista que a Blimunda deste mês publica.
O Lagarto, edição que a Porto Editora em breve apresentará aos leitores, permite que o texto de José
Saramago seja lido e relido de outra maneira. E, assim, volte a existir."
Página 4 

(Capa da edição #51)

A presente edição pode ser descarregada gratuitamente e consultada, aqui
em http://www.josesaramago.org/blimunda-51-agosto-2016/

Sinopse da edição apresentada pela Fundação José Saramago

«Um livro só existe se é lido; senão é um cubo de papel», diz Alejandro García Schnetzer na entrevista publicada na Blimunda deste mês. Ele é quem está por trás de O Lagarto, que une as palavras de José Saramago ao traço do artista popular brasileiro J. Borges. À revista, o editor contou sobre o processo de criação desse livro que agora chega aos leitores portugueses.

Mais do que cubos de papel foi o que a escritora e editora portuguesa Carla Maia de Almeida viu na visita que fez à Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique. Criada em 1949, numa tentativa de se trazer um pouco de cultura a um país arrasado pela guerra, a biblioteca reúne hoje mais de 600 mil livros. «É uma espécie de paraíso», relata Carla Maia no texto que escreve especialmente para a revista.

Livros na estrada, On the Road, é um projeto que leva – sobre rodas – autores em língua portuguesa aos turistas que visitam Lisboa. Sara Figueiredo Costa passou um tarde com os responsáveis pela iniciativa – uma ideia da livraria Fonte de Letras, de Évora – e relata aos leitores da Blimunda o que viu.

Na secção Visita Guiada, Andreia Brites foi até ao Porto para conhecer a editora Tcharan.

Ainda nas páginas da Blimunda, um artigo sobre o encontro realizado na Fundação José Saramago que teve por objetivo pensar em estratégias para que a cultura portuguesa tenha uma participação mais efetiva na Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil.

Boas férias e boas leituras!"

Epigrafe da presente edição

"Revisão de texto: uma penitência" de Eliezer Moreira em "O Mirante" (13/06/2016) em alusão ao papel do revisor na "História do Cerco de Lisboa"

"O revisor é aquele profissional que acerta milhões de vezes, sem merecer um único elogio, mas no dia em que deixa passar um só erro ele é prontamente chamado de incompetente. Deve ser por isso que José Saramago, certamente um bom conhecedor das agruras da profissão, criou a figura impagável daquele revisor chamado Raimundo Silva no romance História do cerco de Lisboa."

Texto de opinião sobre a importância e rudeza do trabalho de um revisor, por Eliezer Moreira, para "O Mirante" - Cartas do Brasil (13/06/2016), aqui
em http://omirante.pt/cartas-do-brasil/2016-06-13-Revisao-de-texto-uma-penitencia

(Capa da edição do Circulo de Leitores - 1990)

"O paulista Monteiro Lobato (1882-1948) não foi apenas um grande escritor, foi também um editor pioneiro no Brasil com a Cia. Editora Nacional, portanto, uma autoridade em matéria de livros, dominando desde a concepção do texto até o produto acabado na prateleira. Invoco sua figura para falar da coisa mais banal e nem por isso menos dramática quando se trata de escrever e publicar: o erro de revisão. Duas semanas atrás quase perdi o sono ao deixar sair aqui uma crônica com quatro sacis gritantes – quatro erros de digitação que o paginador Fábio Oliveira, assim que solicitado, me fez o imenso favor de eliminar. Falando certa vez a respeito dessa tragédia também conhecida como gralha ou pastel e que, no seu tempo, ainda se chamava erro tipográfico, Lobato assim se manifestou: “A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar”.

Se é assim com o livro, produto de elaboração demorada que comumente é lido e relido muitas vezes e por muitos olhos antes de ser impresso, o que dizer do texto jornalístico, que hoje se escreve e se publica quase simultaneamente no meio digital? Embora em geral curto, o texto de jornal nem por isso está menos sujeito ao acúmulo de gralhas. Algum tempo atrás, ao falar da obrigação de rever a própria escrita em sua coluna em O Globo, Elio Gaspari empregou o advérbio perfeito ao dizer que lera e relera aquele trabalho “piedosamente” antes de autorizar sua publicação. O termo supõe a ideia de penitência, daí sua exatidão, porque se o trabalho de escrever pode ser penoso ou gratificante, rever o próprio texto é sempre uma penitência. E uma penitência cada vez mais inevitável, já que a figura do revisor parece fadada a desaparecer das redações, se é que já não desapareceu.

E não é somente grande pena que esse animal indispensável esteja em risco de extinção, o seu fim seria também a consumação de uma eterna injustiça, porque injustiçado ele tem sido desde sempre. Falo com a autoridade de quem já reviu muito texto alheio durante muito tempo. O revisor é aquele profissional que acerta milhões de vezes, sem merecer um único elogio, mas no dia em que deixa passar um só erro ele é prontamente chamado de incompetente.

Deve ser por isso que José Saramago, certamente um bom conhecedor das agruras da profissão, criou a figura impagável daquele revisor chamado Raimundo Silva no romance História do cerco de Lisboa. Tendo passado uma vida inteira num trabalho apagado e obscuro, um belo dia Raimundo Silva resolve acrescentar uma simples palavra – “não” – ao texto que está a revisar, e com isso muda completamente os rumos de toda uma história. Bem feito."