Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Canecas com ilustração em BD de João Amaral, baseadas na obra "A Viagem do Elefante"


Se estiver interessado em algum artigo contacte geral@artedeautor.pt





20 anos do “Ensaio sobre a Cegueira” - A arquitetura de um romance (FJS e Porto Editora - 2015)

Montagem cénica 
"Ensaio sobre a Cegueira" (1995) e "A arquitectura de um romance" (2015)

Sinopse 
«Quando se assinala o 20.º aniversário da publicação de «Ensaio sobre a Cegueira», a Porto Editora e a Fundação José ‪‎Saramago‬ publicam «A arquitetura de um romance», a construção de «Ensaio sobre a Cegueira» contada dia a dia pelo autor nos seus diários e intervenções públicas.

Em Portugal, este livro será oferecido na compra de um exemplar deste romance de José Saramago e estará nas livrarias nos próximos dias.

A edição digital do livro pode ser descarregada aqui

sábado, 21 de novembro de 2015

Daniel Mordzinski "Los escritores en su intimidad bajo el lente de Daniel Mordzinski" - Revista Arcadia (México)

Via Revista Arcadia, pode ser consultado aqui, 
«Conocido como "el fotógrafo de los escritores", Daniel Mordzinski trabaja desde hace 38 años en un ambicioso ''atlas humano'' de la literatura iberoamericana.
El fotógrafo argentino, radicado entre París y Madrid, ha retratado a los protagonistas más destacados de las letras hispanoamericanas.
En el marco del festival digital organizado por BBCMundo le pidió que contara la historia íntima detrás de sus ya míticas capturas.
El Hay Festival México es un encuentro entre distintos pensadores y personalidades para debatir sobre el mundo de hoy e imaginar el de mañana.
Tiene lugar en Ciudad de México entre el 23 y el 25 de octubre.»

Aqui o link para o festival,


"José Saramago andaba tratando de huir de los ajetreos producidos por el anuncio del pemio Nobel, en 1998. Logré, sin embargo, convencerlo que me recibiera en su paso por el hotel Raphael de París, a pasos del Arco del Triunfo. Intenté hacer las cosas bien y todas me salieron mal: fui lento, saqué demasiadas fotos y me ocupé más de la técnica que del retratado, Esa misma tarde, al revelar las fotos, quedé descontento del resultado y decidí volver a la carga. 'Retratar es volver a tratar', le dije por teléfono. Y con su generosidad y humanidad habitual aceptó esa misma noche un nuevo encuentro".

terça-feira, 17 de novembro de 2015

"De Gabo para Saramago" - Jornalista Cláudia Silva (em Austin) - Público 16/11/2015

A noticia pode ser consultada, aqui na página do Público, 

Jornalista Cláudia Silva (em Austin) 16/11/2015

(O documento que está no arquivo do Harry Ransom Center)



"De Gabo para Saramago

No dia em que José Saramago faria anos, lembramos um documento, que está nos arquivos pessoais de Gabriel García Márquez, em que o colombiano defende a literatura ibero-americana como una.

O escritor, nascido na aldeia de Azinhaga, soube que lhe fora atribuído o Prémio Nobel, o único dado à língua portuguesa, a 8 de Outubro de 1998. Nesse dia, o autor de Ensaio sobre a Cegueira recebeu muitas congratulações. Uma delas foi de outro Prémio Nobel, o escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), conhecido por Gabo entre os amigos.

A mensagem de felicitações em espanhol e assinada por García Márquez à mão, foi arquivada pelo próprio autor. Não se sabe se foi lida pelo escritor ou pronunciada nalguma cerimónia oficial. A declaração, no entanto, encontra-se numa pasta chamada “Declarações e Respostas”, preservada dentro de uma caixa cinzenta de revestimento rijo, catalogada com o número 75.5, que pode ser encontrada nas quase cem caixas do arquivo de Gabriel García Márquez no Harry Ransom Center, da Universidade do Texas, que foi aberto no dia 21 de Outubro para consulta académica. O arquivo contém centenas de documentos datados de 1930 a 2014.

Nesta declaração, García Márquez não só felicita Saramago ao dizer que ele é um dos grandes escritores do século XX como também enaltece  a literatura ibero-americana, como um todo. “O seu Prémio Nobel é um dos mais justos. A alegria que isto causou nos países de língua espanhola, como se fora um triunfo nosso, confirma o que alguns de nós, escritores, temos vindo a dizer desde há muito tempo: a literatura ibero-americana é só uma. Por isso, propusemos tantas vezes que se tenha em conta tanto portugueses como brasileiros para o Prémio Cervantes”, escreve o Prémio Nobel da Literatura 1982.

“A proposta de García Márquez é certamente generosa”, diz ao PÚBLICO por email Carlos Reis, autor do livro Diálogos com José Saramago e professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Coimbra, depois de analisar o documento. No entanto, continua o académico, a declaração de Gabriel García Márquez envolve duas problemáticas. A primeira refere-se à distinção entre a língua portuguesa e espanhola, afinal o “Prémio Cervantes, tal como o Prémio Camões, é um prémio literário que celebra também uma língua” e “por muito próxima que esteja (e está) da nossa, é ainda outra”.  

A segunda refere-se ao termo “literatura ibero-americana”, que ,de acordo com Carlos Reis, “é precário e relativo”. Apesar de haver semelhanças entre escritores portugueses, colombianos, espanhóis e brasileiros, e muitos outros do tal espaço ibero-americano, “essa aproximação não cancela singularidades de várias ordens.” Este questionamento torna-se mais intenso, para Carlos Reis, à medida que alguns escritores africanos questionam esta unificação. “Seriam esses escritores africanos participantes de tal unidade (relativa) ibero-americana?”, indaga.

Escritor-irmão
Na sexta-feira, o espanhol Fernando Gómez Aguilera, biógrafo do escritor português de quem foi amigo e comissário de uma das exposições mais importantes sobre a obra e vida de Saramago, chegou a Lisboa, onde lhe foi mostrada a mensagem de Gabo para o Nobel português. “García Márquez e Saramago reconheciam-se, mutuamente, como membros de uma mesma família literária ibero-americana, cujo emblema representa o imaginário de Cervantes”, afirma ao PÚBLICO Fernando Gómez Aguilera, depois de ler a declaração. “Na sua nota, García Márquez celebra o Nobel Saramago como um escritor-irmão de sangue e vai mais além da língua, fala mesmo numa literatura ibérica. Não pode haver elogio maior.” 

A equatoriana Gabriela Polit, professora de Literatura Latino-Americana no departamento de Português e Espanhol da Universidade do Texas em Austin, e uma das primeiras pessoas a estudar os arquivos de Gabo, acredita que García Márquez estava sintonizado com os acontecimentos históricos e políticos daquela década. “A Guerra Fria tinha acabado e olhava-se para outras partes do mundo, como a América Latina. Espanha tentava expandir-se para outros mercados. O mundo ganhava uma nova configuração. Não estou a dizer que García Márquez estivesse a pensar nestas coisas, mas isto estava no ar. Além disso, Saramago não era só mais um autor ‘europeu’. Era alguém próximo que até viveu em Espanha”, explica a académica.

 O brasileiro Odil José de Oliveira Filho, especialista na obra de Saramago e autor do livro Carnaval no Convento: intertextualidade e paródia em José Saramago, lembra ao PÚBLICO, numa conversa telefónica, que havia uma “sintonia artística” entre Gabriel García Márquez e Saramago, que se desenvolveu a vários níveis. 

É certo que havia várias semelhanças entre os dois escritores. Ambos tinham sido jornalistas, ambos deixaram a terra natal para irem viver num outro país, por questões políticas. E tanto Saramago quanto García Márquez atingiram o cume das suas carreiras literárias ao receberem o Nobel da Literatura. No entanto, foi a tal “sintonia artística”, na opinião deste autor brasileiro, que poderá ter levado García Márquez a escrever de uma forma tão afável sobre essa idealização da unidade da literatura ibero-americana.

Saramago “soube colher lições do romance latino-americano”, ao misturar política com estética literária, e ao aplicar noções do realismo mágico de García Márquez no contexto literário português. Outra razão para se falar de união ibero-americana terá sido o contexto político dos anos 1960 e 70. Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Chile e outros países enfrentavam ditaduras, o que facilitou a identificação cultural entre os escritores daquele período. “A primeira reacção aos regimes ditatoriais tinha sido recorrer a uma expressão literária extremamente engajada, até que os escritores latino-americanos percebessem a necessidade de revolucionar também a forma artística das suas obras”, explica o brasileiro.

Apesar de reconhecer que o tema da literatura ibero-americana é pouco discutido, este especialista em Saramago diz que esse “iberismo” está claro no livro A Jangada de Pedra, publicado em 1986, ano da entrada de Portugal na então denominada Comunidade Económica Europeia (CEE). 

Nesse livro, “Saramago cria uma alegoria em que imagina a separação geográfica da Península Ibérica do restante continente europeu. Portugal e Espanha transformam-se numa jangada de pedra que vai descendo, no Oceano Atlântico, em direcção ao Sul, até um lugar que está entre a África e a América. Aí está expressa a consciência de Saramago sobre o iberismo. Em A Jangada de Pedra, Saramago expressa claramente sua posição política contra a adesão de Portugal à União Europeia. A alegoria faz jus a uma Península Ibérica à deriva da Europa que tem laços africanos e latino-americanos muito mais profundos.” 

García Márquez termina a sua declaração associando Saramago ao filósofo Galileu Galilei (1564-1642), que foi julgado pela Inquisição. No último parágrafo escreve: “A nota pitoresca é que Saramago foi condenado pelo mesmo Papa que reivindicou Galileu após quatro séculos. Quem sabe se daqui a quatro séculos um Papa nascido na Lua ou em Saturno reivindicará também Saramago. Se Deus quiser!”

O autor de Carnaval no Convento acredita que o gracejo de Gabo diz respeito ao espírito retrógrado e lento das religiões para incorporarem as inovações conseguidas pelo pensamento humano, algo que Saramago sempre criticou. Assim, García Márquez, de uma forma analógica e bem-humorada, compara os livros de Saramago às descobertas de Galileu.

Para Carlos Reis, esta anedota de García Márquez refere-se à “noção de que os escritores são as vozes de uma lucidez às vezes provocatória, mas que com frequência antecipa a história”. Neste sentido, o professor português diz que Saramago começa já a ter razão. Basta lembrarmos, diz Carlos Reis, o que disse Saramago em alguns dos seus “discursos premonitórios”, por exemplo quando, há algumas décadas, exprimiu reservas acerca da integração de Portugal na comunidade europeia e das euforias que ela suscitou.»




(José Saramago e Gabriel García Márquez
 fotografados em 1999, em Santiago de Cuba, 
na comemoração do 40.º aniversário da Revolução Cubana. 
Adalberto Roque/AFP)


Apresentação da proposta de Declaração Universal dos Deveres Humanos - FJS - 16/11/2015

Pode ser visualizado, aqui via YouTube


Via página da Fundação José Saramago,
«Apresentação da proposta de Declaração Universal dos Deveres Humanos

“Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor”, disse José Saramago no seu discurso de receção do Prémio Nobel de Literatura, em 1998.

A partir do apelo lançado por José Saramago, a UNAM (Universidade Autónoma do México) e a Fundação José Saramago (FJS) convocaram pensadores para discutirem, na Cidade do México, uma proposta de Declaração Universal dos Deveres Humanos – a ser futuramente encaminhada às Nações Unidas.

Um primeiro resultado desse encontro, realizado em junho de 2015 – e das posteriores reuniões – será apresentado na próxima segunda-feira, dia 16, data de nascimento do autor de Levantado do Chão (que nesse dia completa 93 anos). O acto, que tem lugar no auditório da Casa dos Bicos, pelas 11h30, integra o programa dos Dias do Desassossego, organização conjunta da FJS e da Casa Fernando Pessoa, que decorre entre os dias 16 e 30 de Novembro. Na sessão estarão presentes os redactores ibéricos do documento desenvolvido no México: Ángel Gabilondo, Francisco Louçã, António Sampaio da Nóvoa, Sami Naïr e José António Pinto Ribeiro.»

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

No dia em que se assinala a data de nascimento de José Saramago (1922)



No dia em que se assinala a data de nascimento de José Saramago, 
recupera-se uma entrada no seu "Diário III - Cadernos de Lanzarote", 
onde é feita a alusão aos afectos dos seus amigos.

Até já!

16 de Novembro de 1995
"Encontro no gravador de chamadas as vozes de Eduardo Lourenço e de Baptista-Bastos, um a falar de Providence, outro de Lisboa, e ambos dizendo coisas bonitas sobre o Ensaio. Não podia desejar melhores presentes de aniversário. E como estes são dos que se devem guardar, aqui ficam, cuidadosamente transcritos. O estilo é de facto o homem: as chamadas são, cada uma delas, o retrato psicológico de quem as fez. Eis o que disse o BB: «É o Baptista-Bastos, para o Zé. Zé Saramago, querido amigo, olha, estou a telefonar-te pelo seguinte: é que escreveste um grande romance. Acabei ontem de ler, com grande cuidado, com grande aprazimento, e escreveste um grandessíssimo romance, e o resto é conversa. É para te dizer isto e dar-te um grande abraço, que as felicitações são para mim porque li um grande romance. Outro grande abraço para ti, Zé, e um beijinho para a Pilar.» Do Eduardo Lourenço: «Bom dia, meu caro José. Devo ser o último a dar-te os parabéns pelo Prémio Camões. Já tentei telefonar, mas nunca te apanho. Um prémio mais do que merecido. Vou escrever-te a propósito do livro, do teu livro, que me deixou perplexo e que gostaria de comentar contigo, por carta ou em público. Para já, repito, é um livro de muito impacto e de muita importância. Merecia ser discutido por aquele país, e não só. Um grande abraço, Eduardo.» Obrigado, amigos, obrigado, em nome desta reconfortada alma." 

in, "Cadernos de Lanzarote - Diário III"
Caminho, páginas 199 e 200

domingo, 15 de novembro de 2015

Cátedra Alfonso Reys - "José Saramago - El nombre y la cosa"

Pode ser visualizado, aqui via YouTube 

"Conferencia impartida por José Saramago en donde hace una revisión del concepto democracia, y cuestiona la fidelidad con la que se aplica el modelo democrático en las instancias (políticas, económicas y culturales) que se denominan a sí mismas democráticas."

"José Saramago: O Amor Possível" de Juan Arias (Edição Manati - 2003)


"O que é a fé? A fé é uma renúncia, renúncia ao saber."


Mas é fato que ainda não encontramos nenhuma civilização capaz de prescindir, livre e completamente, do desejo da existência de Deus. Há quem diga que, se eliminarmos as guerras e as religiões dos livros de história, não sobrará nada, que se poderiam queimar os livros.  
É pior que isso, porque muitas das guerras foram, e continuam a ser, guerras de religião. Se começarmos a pensar nisso, veremos que as religiões dificilmente unem a humanidade, ao contrário, no mais das vezes a dividem. Há coisas imperdoáveis, como as chamadas descobertas de novos povos. Lá iam as caravelas em busca de terras onde havia outros povos, e que é o que faz o padre quando chega ao outro mundo? Diz-lhes: "Vossos deuses são falsos, eu trago comigo o verdadeiro". Isso é um pecado, e recorro agora à teologia, isso é um pecado de soberba, porque é imperdoável que alguém tenha a ousadia, o descaramento de dizer: "Trago comigo o verdadeiro Deus". Isso significa que os deuses que eles tinham deveriam ser eliminados, e a melhor forma de eliminar um deus é eliminar a pessoa que acredita nesse deus. E mais. Vamos imaginar que Deus existe: se existe Deus, não há mais que um deus; se há Deus, só pode existir um deus; então, todas as formas de adorá-lo são válidas, são todas iguais, tanto faz que se diga que é Jesus crucifica-do, o sol, a montanha, um animal ou uma flor. Para Deus, se Deus existe, dá no mesmo que a expressão física, material, se se quiser, dessa essência que seria Deus seja a montanha, o sol ou lá o que for. Por isso volto ao que dizia antes: que, para poder negar Deus, é preciso que eu o tenha aqui, na cabeça, como tenho o diabo, o mal e o bem. 

Mas você não acha que, com os mesmos argumentos com que você o nega, alguém pode dizer o contrário, quer dizer, que sente no seu interior a consciência de que ele pode existir?
A chamada fé é algo que eu não entendo. O que é a fé? A fé é uma renúncia, renúncia ao saber.

in, "José Saramago: O Amor Possível"
de Juan Arias
Manati, edição de 2003
Traduzido por Rubia Prates Goldoni
Páginas 101 e 102

José Saramago e a constatação sobre o mal e as religiões

"Deus é cruel, invejoso e insuportável" - Via YouTube 

(...) Como te atreveste, assassino, a contrariar o meu projecto, é assim que me agradeces ter-te poupado a vida quando mataste Abel, perguntou o senhor, Teria de chegar o dia em que alguém te colocaria perante a tua verdadeira face, Então a nova humanidade que eu tinha anunciado, Houve uma, não haverá outra e ninguém dará pela falta, Caim és, e malvado infame matador do teu próprio irmão, Não tão malvado e infame como tu, lembras-te das crianças de sodoma. Houve um grande silêncio. (...) 
in, "Caim"
Caminho, páginas 180 e 181

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Apresentação da "Declaração Universal dos Deveres Humanos" Dia 16/11 às 11h30m na FJS



Informações sobre o evento e programa em geral, aqui via página da Fundação José Saramago
* O programa completo dos Dias do Desassossego pode ser consultado aqui: http://www.josesaramago.org/programa-dos-dias-do-desassossego-de-16-a-30-de-novembro/

"A partir do apelo lançado por José Saramago, a UNAM (Universidade Autónoma do México) e a Fundação José Saramago (FJS) convocaram pensadores para discutirem, na Cidade do México, uma proposta de Declaração Universal dos Deveres Humanos – a ser futuramente encaminhada às Nações Unidas.

Um primeiro resultado desse encontro, realizado em junho de 2015 – e das posteriores reuniões – será apresentado na próxima segunda-feira, dia 16, data de nascimento do autor de Levantado do Chão (que nesse dia completa 93 anos). 
O acto, que tem lugar no auditório da Casa dos Bicos, pelas 11h30, integra o programa dos Dias do Desassossego, organização conjunta da FJS e da Casa Fernando Pessoa, que decorre entre os dias 16 e 30 de Novembro. Na sessão estarão presentes os redactores ibéricos do documento desenvolvido no México: Ángel Gabilondo, Francisco Louçã, António Sampaio da Nóvoa, Sami Naïr e José António Pinto Ribeiro.

Após a sessão será inaugurada uma exposição de fotografias (de Alexandre Ermel) da rodagem do filme Blindness, de Fernando Meirelles. E no final do dia, o grupo de teatro A Barraca fará um ensaio aberto da peça "Claraboia", adaptação do romance homónimo de José Saramago.
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala."



domingo, 8 de novembro de 2015

Estatueta de José Saramago


A amiga Denise Thiery que está, ali perto
ali, logo a seguir a este oceano Atlântico,
me fez a surpresa de enviar uma pequenina
e simbólica estatueta de José Saramago,
acompanhada na estante de grande parte da sua obra.
Obrigada

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Dias do Desassossego '15 | 16-30 Novembro


Dias do Desassossego – de 16 a 30 de Novembro

Via página da Fundação José Saramago, aqui

"A Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa escolheram duas semanas para celebrar a voz dos livros em diversos lugares da cidade e em boa companhia. De 16 a 30 de Novembro, são os livros que estão no centro das atenções: lançam perguntas, rebatem ideias, provocam, inquietam. As duas casas de autor, de Lisboa, apresentam para a 3.ª edição dos Dias do Desassossego um programa que cruza música, cinema, mesas-redondas, acções de animação e promoção da leitura, poesia dita, passeios na cidade –guiado sempre pela literatura.

As duas casas têm vindo a trabalhar conjuntamente, desde há um ano, na promoção da obra de Fernando Pessoa e de José Saramago, e no sentido de estimularem o gosto pelos livros e pela leitura."


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Recordamos a edição #18 de Novembro 2013... enquanto aguardamos a próxima

(Capa da ediçã #18 - Novembro de 2013)


Sinopse da edição, via Fundação José Saramago, para descarregar e ler, aqui
em http://blimunda.josesaramago.org/2013/11/20/blimunda-18-novembro-de-2013/

"No mês dos 91 anos de José Saramago, a Blimunda traz com ela duas entrevistas de Sara Figueiredo Costa a dois dos jovens autores mais promissores em língua portuguesa: Afonso Cruz e Ondjaki. O primeiro acaba de lançar o seu novo romance Para onde vão os guarda-chuvas (ed. Alfaguara), o segundo, Ondjaki, que acaba de ser distinguido com o Prémio Literário José Saramago, atribuído pela Fundação Círculo de Leitores, pelo romance Os Transparentes (Ed. Caminho).

Em estreia nas páginas da Blimunda, Jeronimo Pizarro traz-nos um texto sobre literatura de viagens, com passagens por Pessoa, Camilo Pessanha ou Dinis Machado.

No infantil e juvenil, destaque para os 130 anos que a Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, está a comemorar, partindo do texto absolutamente atual de Feio Terenas, o primeiro bibliotecário da rede de Bibliotecas de Lisboa. Presente também nas páginas desta secção a recente edição portuguesa de Como Apanhar uma Estrela, de Oliver Jeffers, pela Orfeu Negro.

Quase a terminar, o centenário de Camus não é esquecido, através de um texto de Juan José Tamayo, que integra a sua obra Cincuenta intectuales para una conciencia crítica, publicada em Barcelona pela Fragmenta. E como dos 91 anos de José Saramago se trata, a Blimunda entrou nos arquivos da Biblioteca que leva o nome do autor e descobriu as dedicatórias que outros escritores deixaram gravadas em livros que ocupam as prateleiras daquele magnífico espaço. Um trabalho de arqueologia literária que terá continuidade no próximo número da Blimunda.

A terminar uma nota para a capa desta edição, que apresenta algunas mudanças gráficas permitindo um contacto mais rápido com os temas que preenchem as suas páginas. Para janeiro, outras mudanças se anunciam.

A todos, boas leituras!"

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Relato da subida da Montaña Blanca em Lanzarote (9/5/1993) - Cadernos de Lanzarote Diário I


9 de Maio (1993)
"Subi ontem a Montaña Blanca. O alpinista do conto tinha razão: não há nenhum motivo sério para subir às montanhas, salvo o facto de elas estarem ali." 


"Desde que nos instalámos em Lanzarote que eu andava a dizer a Pilar que havia de subir todos estes montes que temos por trás da casa, e ontem, para começar, fui-me atrever com o mais alto deles. É certo que são apenas seiscentos metros acima do nível do mar, e, na vertical, a partir do sopé, serão aí uns quatrocentos, ou nem isso, mas este Hillary já não é criança nenhuma, embora ainda muito capaz de suprir pela vontade o que lhe for faltando de forças, pois em verdade não creio que sejam tantos os que, com esta idade, se arriscassem, sozinhos, a uma ascensão que requer, pelo menos, umas pernas firmes e um coração que não desista." 


"A descida, feita pela parte da montanha que dá para San Bartolomé, foi trabalhosa, bem mais perigosa do que a subida, pois o risco de resvalar era constante. Quando, enfim, cheguei ao vale e à estrada que vai para Tías, as tais firmes pernas minhas, com os músculos endurecidos por um esforço para que não tinham sido preparados, mais pareciam trambolhos que pernas. Ainda tive de caminhar uns quatro quilómetros para chegar a casa." 


"Entre ir e volver, tinham-se passado três horas. Lembro-me de haver pensado, enquanto subia: «Se caio e aqui me mato, acabou-se, não farei mais livros.» Não liguei ao aviso. A única coisa realmente importante que tinha para fazer naquele momento, era chegar lá acima."
in "Cadernos de Lanzarote - Diário I"
Caminho, página 33 e 34

domingo, 1 de novembro de 2015

"Soy un comunista libertario" Entrevista de María Luisa Blanco a José Saramago Jornal "El País" (24 de Abril de 2004)

Entrevista de María Luisa Blanco a José Saramago
Jornal "El País" - 24 de Abril de 2004

"Soy un comunista libertario"

"El Nobel portugués presenta la próxima semana, en Madrid, su última novela: Ensayo sobre la lucidez. Se trata de una fábula en la que critica a los gobiernos, a la izquierda y a la democracia; a la vez que denuncia la globalización política. Desde su casa de Lanzarote, el escritor reflexiona sobre lo que considera su testamento político."

Pode ser consultado e lido, aqui
em http://elpais.com/diario/2004/04/24/babelia/1082763550_850215.html




A los pocos días de terminar su Ensayo sobre la lucidez, José Saramago comentó en su círculo íntimo: "Después de este libro, yo ya me puedo morir". Y algo de testamento político tiene esta novela que el escritor portugués considera "un libro muy, muy necesario" y en el que administra su crítica más dura a la izquierda occidental. Bajo la inocente apariencia de una fábula, Saramago imagina una interesante trama sustentada en el voto en blanco del 83% de la ciudadanía. Con el eco de Ensayo sobre la ceguera como telón de fondo, la moraleja en esta ocasión apunta a un colectivo que ya no está ciego, pero sigue sin querer ver y, por otro lado, alienta a una especie de revolución blanca al subrayar el inmenso poder de la opinión pública, la única, a juicio del premio Nobel, capaz de cambiar el mundo.

"Los gobiernos no mandan. Los gobiernos son los comisarios políticos de los bancos"

PREGUNTA. "¿Quién ha firmado este pacto por mí?", se pregunta el personaje central de su novela. ¿Esta frase que implica la toma de conciencia del protagonista es clave en el camino hacia la lucidez?
RESPUESTA. Sí, claro. Esa frase es la clave de la novela. La frase aparece cuando la novela ya está muy avanzada y no es que yo la tuviera en la cabeza al empezar a escribir. Estaba latente dentro de mí y actuaba como un motor que hacía avanzar la novela internamente. De repente, todo afloró a la superficie.

P. Durante la lectura de Ensayo sobre la lucidez subyace su célebre Ensayo sobre la ceguera, no sólo por el tono y la forma de la narración sino porque resucita algún personaje .¿Podríamos decir que la diferencia entre ambos libros radica en la deliberada intención política de este último?
R. En un principio no me planteé una relación directa entre los dos ensayos. Tenga en cuenta que después del Ensayo sobre la ceguera he escrito tres libros más: Todos los nombres, La caverna y El hombre duplicado. Aunque entre ellos hay una corriente subterránea, está claro que éste no es la continuación de aquello. Y sí, esta novela es nítida, clara, rotunda y deliberadamente política. El ensayo sobre la ceguera también lo era, pero de una manera muy solapada, siempre daba al lector las llaves para que él pudiera sacar conclusiones políticas de lo que estaba leyendo.

P. Entonces era la sociedad la que estaba ciega y aquí la crítica apunta implacable a las instituciones, a los partidos, al poder político en general y a los gobiernos en particular. Si no se conociera su filiación comunista hay momentos en que la novela se diría que está escrita por un anarquista.
R. A veces he reflexionado sobre el hecho de que yo siga siendo comunista. Por supuesto lo soy y no me imagino a mí mismo siendo algo distinto. Pero me he dado cuenta de que tenía que añadir algo a ese decir "yo soy comunista", y lo que estoy añadiendo es que soy un comunista libertario.

P. Habrá que definir entonces lo que es eso.
R. Creo que sí, habría que pensarlo. Y es evidente que una concepción ortodoxa de lo que pudiera ser el comunismo, llevado a su último extremo como en el caso del anarquismo, llevaría a la disolución del Estado.

P. En su novela plantea el problema de la libertad subrayada como rasgo individual frente a las consignas de la comunidad. ¿Cómo es esa libertad que reclama usted, que siempre ha estado preocupado por la justicia y el bienestar del colectivo?
R. Lo que aquí se plantea es una cuestión sobre los fines económicos. Efectivamente hay globalización económica, pero parece que no nos damos cuenta de que a la vez es una globalización política y esto se ha hecho evidente a partir del 11 de septiembre. Cada vez nos damos cuenta con más exactitud de que incluso en un sistema como éste, que parece que te promete todo, empezando por los derechos humanos, la libertad puede ser sencillamente un espejismo. La novela es una crítica frontal al sistema, a los gobiernos. En ella se denuncia incluso el terrorismo de Estado, con la manipulación y todo lo que conlleva, que además es el escenario con el que hemos de convivir cotidianamente. Pero todo esto que en la novela se desarrolla es cierto, no es sólo ficción, y es lo que yo pienso. Quizá sea un poco escandaloso desde el punto de vista de la izquierda el que la manifestación más clara de asunción de la libertad, el descubrimiento de lo que significa esa frase de la que hablábamos al principio -"¿quién ha firmado este pacto por mí?"-, sea un un policía el que la protagonice, un comisario de policía que está ahí recuperado.

P. Que además es el héroe de la novela.
R. Que es el héroe de la novela y un hombre de derechas. La izquierda me preguntará dónde están nuestros héroes positivos y yo no tengo ninguna respuesta para dar. No estoy escribiendo la novela para demostrar esto o aquello, sino para decir lo que me interesa y me preocupa y no para pensar que a la izquierda le convendría mucho o le gustaría que el personaje más positivo fuera de izquierdas.

P. ¿Está pensando en algún país al plantear ese 83% de votos en blanco como resultado electoral o es una crítica al sistema global de gobierno occidental?
R. Yo se lo desearía a todos los países, a todos, por una razón muy sencilla y es que parece que no va a pasar nunca por la cabeza de ningún político el pensar que el sistema democrático tiene dentro una bomba, que es el voto en blanco. Y la intención no es destruirlo sino reformarlo, renovarlo y reinventarlo. El día en que una mayoría de electores, en cualquier país del mundo, votara en blanco, la pregunta sería: ¿qué hacen ahora los políticos?, ¿qué hacen ahora los partidos? Hasta ahora todo esto ha funcionado de una manera consensuada, es decir, la abstención existe; el voto nulo existe y el voto en blanco existe, pero si la abstención es alta, entonces se dirá que estaba lloviendo, o que el tiempo era estupendo para ir al campo o a la playa. ¿Los votos nulos? Ahí siempre lo ocultan, pero ¿y el voto en blanco? Siempre se sabe que habrá unos cuantos votos en blanco, pero que no son ni testimoniales, porque como son blancos parece que no están testimoniando nada. Como ahora es muy complicado hacer una revolución, porque no se sabe muy bien cómo hacerla, ni con qué medios, y las manifestaciones se pueden montar, hay cantidad de ellas todos los días, motivadas por las causas más honestas, pero revoluciones nada. Ahora imaginemos un resultado electoral de un 83% de votos en blanco, si esto ocurriera yo creo que sería una revolución porque plantearía, sin dispararse un solo tiro en la calle, el ¿qué es lo que hacemos ahora?

P. Pero en su novela esa pregunta se plantea y la respuesta es una tragedia.
R. Acaba mal, claro. Es cierto, con nuestro carácter demencial siempre acabaría mal si esto ocurriera en la realidad. Yo no quiero decir que todos los gobiernos se comportarán como el Gobierno de ese país en mi novela, que acaba en una tragedia, pero algo cambiaría. Aunque no soy tan ingenuo para pensar que esto pueda ocurrir un día, aunque sospecho que después de la publicación de la novela el voto en blanco subirá, por lo menos en mi país.

P. En Ensayo sobre la ceguera hacía una seria advertencia respecto a los peligros que entraña la pérdida de valores y esa advertencia genera aquí una trama política macabra. ¿Hay algo de implicación directa, de testamento político personal o debemos limitarnos al terreno de la ficción?
R. Hay una implicación personal directa. Soy un ciudadano, una persona que anda por ahí, que se da cuenta de lo que pasa y que a la vez escribe historias. Me parecería muy difícil que lo que pasa en la novela no pasara de una forma u otra en la realidad, teniendo en cuenta la persona que yo soy. No estoy diciendo que sea estupendo, pero soy y pienso de una determinada manera y eso se transparenta en mi obra. En el Ensayo sobre la ceguera y quizá con Todos los nombres no se nota tanto, pero ahí tiene La caverna, El hombre duplicado, ahora el Ensayo sobre la lucidez. No quiero llamarlo mi testamento político porque todavía me gustaría escribir algún libro más. Pero si yo no pudiera hablar en adelante, si no pudiera por una razón u otra seguir escribiendo, me diría: bueno, no pasa nada, lo que quedó ahí, lo que he escrito en esta novela, sirve para que la gente, los lectores de mis libros, estén avisados sobre el mundo en que vivimos.

P. Usted, que no teme las declaraciones polémicas, ¿por qué se sitúa en el terreno de lo simbólico para hacer su denuncia política en esta novela? ¿Cree que es más eficaz?
R. Sí, pienso que el recurso a la alegoría es más eficaz. Si yo contara esta historia de otra forma, como una especie de novela realista, o como si fuera un reportaje, no sé si tendría alguna eficacia. Por otra parte, desde el Ensayo sobre la ceguera he utilizado la alegoría y la fábula como acercamiento a los temas y creo que ha funcionado. El Ensayo sobre la ceguera es una novela muy leída sobre todo por los jóvenes. Es increíble la cantidad de chicos y chicas que se acercan a mí para decirme que ese libro ha cambiado sus vidas y, si ellos lo dicen, por algo será. A veces pienso que esta novela además de una fábula es también una sátira.

P. Es un ataque frontal a los sistemas democráticos y, hablando de declaraciones polémicas, ha llegado a declarar que "la democracia es una tomadura de pelo". ¿Cómo se atreve a hacer una declaración tan contundente?
R. ¿Cómo voy a calificar un sistema que me permite únicamente quitar un gobierno y poner otro pero no me permite absolutamente nada más? Digo, y lo repito, hoy los gobiernos no mandan. Los gobiernos son los comisarios políticos de los bancos. No soy el único que critico esto, hay mucha gente que lo está diciendo, lo que pasa es que quizá mi forma de decirlo sea más explícita.

P. Le hago esta pregunta porque creo que lo que usted dice alcanza una gran resonancia...
R. ¿Que yo me arriesgo? Es que no tengo una conciencia de arriesgar mucho. Inventé para mí una especie de autodefinición que explica mi postura un poco provocativa, lo reconozco, deliberadamente provocativa, claro que sí. Yo me digo: cuanto más viejo, más libre; y cuanto más libre, más radical.

P. Siguiendo con la democracia, ¿cómo resolver problemas como el de la justicia social o el de la distribución de los bienes sin unas pautas democráticas?
R. Usted sabe que eso no se consigue con la democracia. ¿Cree que son los gobiernos los que han inventado la precariedad del empleo? ¿A algún gobierno democrático se le pasaría por la cabeza decir ahora, vamos a elaborar aquí unas leyes para que esto funcione de una forma distinta? ¿Cree que han sido los gobiernos? Claro que no, claro que no. Cuando yo digo que es una tomadura de pelo lo digo en el sentido de que parece que el esquema democrático lo promete todo y creo que lo que te da con la mano derecha te lo quita con la mano izquierda. Yo no quiero repetir cosas que son obvias, cosas que son terribles, el hecho de que cada cuatro segundos se muere una persona de hambre en el mundo y cosas así, yo las digo e inmediatamente me llaman demagogo. Los derechos humanos. ¿Qué pasa con los derechos humanos? Que no nos prometan nada, que no nos hagan propuestas electorales, ni propuestas de gobierno, saquen del cajón la creación del Estado de Derechos Humanos que ahí está todo lo que un ser humano necesita para tener una vida digna, y que lo apliquen.

P. Citaba hace poco una serie de libros suyos y me doy cuenta de que la reflexión sobre la identidad es un tema nuclear en su obra.
R. Sí lo es pero de una manera no muy comprometida. Mire el problema de la identidad, es decir, ¿cuándo somos quienes somos? ¿En qué momento de nuestra vida nos hemos reconocido como lo que éramos? Se habla del pueblo español pero hay muchos, por ejemplo en Galicia, Euskadi, Cataluña, que dicen que no son españoles. Yo de eso no quiero hablar. Pero puedo hablar del pueblo portugués y desde hace casi mil años se está hablando del pueblo. Bueno, pues yo no creo, y en el libro está escrito de una forma rotunda, yo no creo en el pueblo. Me doy cuenta que lo que tiene importancia en la vida de un pueblo son las generaciones. Y le doy un ejemplo: durante cincuenta años se ha luchado en España, y nosotros en Portugal, contra una dictadura. Hace treinta años se ha hecho una revolución que derrumbó el sistema autoritario, dictatorial, y nos encontramos en lo que se llamó "la democracia". No sabíamos, y me parece que incluso ahora la gente no se da cuenta, que la democracia no es un punto de llegada, la democracia es un punto de partida. Y después de una revolución como la nuestra, la del 25 de abril de 1974, donde se acabó con el sistema y la maquinaria represiva, sólo estábamos en el primer paso para llegar a algo que podría empezar a llamarse democracia. ¿Qué pasa ahora después de esa generación activa, con ideas, con equivocaciones, errores y todo eso? Pues la apatía y la indiferencia. Hablemos de generaciones y no del pueblo porque algunas merecen todo el respeto. Yo estoy harto de que me hablen del pueblo.

P. Sin embargo usted parece un hombre feliz. ¿Dónde encuentra las razones para esa felicidad?
R. Cuando tenía 18 años recuerdo haber dicho algo absolutamente impensable en un chico con esa edad, y fue: "Lo que tenga que servir, a mis manos llegará". Y creo que ésa ha sido de una manera inconsciente la regla de oro de mi vida. No he sido nunca una persona ambiciosa que se pusiera metas, he vivido mi vida haciendo simplemente lo que quería. Soy una persona feliz, que no ha buscado la felicidad, pero que a lo mejor mi sabiduría o mi ciencia infusa ha hecho que estuviera en el momento y en el lugar donde algo podría ocurrir. Cuando Pilar decidió en 1986 ir de Sevilla a Lisboa porque quería conocer al autor del libro A, pues allí sin que yo me diera cuenta en ese momento algo estaba pasando que sería un empujoncito más hacia la felicidad. Así que aquel chico de 18 años creo que tenía razón.

sábado, 31 de outubro de 2015

Exposição "90 Anos de Saramago" na BOO Biblioteca Operária Oeirense


A BOO está localizada na Rua Cândido dos Reis, 119 - Oeiras
Telefone 21.442.6691
(ponto de referência a Câmara Municipal de Oeiras)




"Ensaio sobre a Cegueira" o momento primeiro - "Cadernos de Lanzarote Diário I" (20/04/1993)

(Frame do filme, adaptado por Fernando Meirelles 
e baseado na obra de José Saramago)

"Esta manhã, quando acordei, veio-me à ideia o Ensaio sobre a Cegueira, e durante uns minutos tudo me pareceu claro — excepto que do tema possa vir a sair alguma vez um romance, no sentido mais ou menos consensual da palavra e do objecto. Por exemplo: como meter no relato personagens que durem o dilatadíssimo lapso de tempo narrativo de que vou necessitar? Quantos anos serão precisos para que se encontrem substituídas, por outras, todas as pessoas vivas num momento dado? Um século, digamos que um pouco mais, creio que será bastante. Mas, neste meu Ensaio, todos os videntes terão de ser substituídos por cegos, e estes, todos, outra vez, por videntes... As pessoas, todas elas, vão começar por nascer cegas, viverão e morrerão cegas, a seguir virão outras que serão sãs da vista e assim vão permanecer até à morte. Quanto tempo requer isto? Penso que poderia utilizar, adaptando-o a esta época, o modelo «clássico» do «conto filosófico», inserindo nele, para servir as diferentes situações, personagens temporárias, rapidamente substituíveis pro outras no caso de não apresentarem consistência suficiente para uma duração maior na história que estiver a ser contada."
Cadernos de Lanzarote Diário I - 20 de Abril de 1993

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Roteiro de Leitura - "As Intermitências da Morte" - 72 apontamentos para memória futura

Os "Roteiros de Leitura" são apontamentos, linhas de passagem pelo decorrer da obra.
São pontos para memória futura, apontamentos.

Boa Viagem

Roteiro de Leitura

1. No dia seguinte ninguém morreu

2. O primeiro dia. O exemplo dos estropiados que não morrem

3. A rainha-mãe que tinha reunida a família real esperando a sua morte, fica em suspenso

4. Os primeiros rumores, as reacções do governo

5. A preocupação da igreja. A desculpa da "morte adiada" para que continue a existir uma razão para a continuidade da igreja

6. As notícias nos jornais e as manifestações de orgulho nacional através das bandeiras à janela

7. O declínio e preocupação da indústria funerária. O seu pedido ao governo para obrigar a equiparação dos funerais dos animais aos das pessoas e empréstimos a fundo perdido

8. Os hospitais em ruptura. Os que não tendo morrido ficam nos hospitais e em que condições normais teriam mordido

9. Os lares de 3a idade e o dilema de poder não esvaziar os utentes actuais e não poder admitir novos.

10. As companhias de seguros e a legitimidade da manutenção das apólices dos seguros de vida

11. Os filósofos da comissão interdisciplinar reúnem-se para debater as consequências da ausência da morte e posições das diversas igrejas

12. O caso da morte adiada ou da vida suspensa de 2 familiares na mesma família o avô e o recém-nascido neto. O avô que não suportando a vida pede que o levem e ao neto a enterrar para lá da fronteira

13. A curiosidade do vizinho. A denúncia prevista junto da guarda.

14. Acabaram por não ser condenados pela justiça mas não evitaram o julgamento popular. O certo é que fazendo 3 meses que ninguém morre, a travessia de pessoas com morte suspensa começou a ser prática.

15. Intervenção do governo com o patrulhamento das fronteiras

16. O surgimento do ultimato efectuado pela máphia e as negociações secretas com o ministro. Os vigilantes do governo que patrulham as fronteiras são desactivados mas mantidos nos locais como disfarce. A máphia assim fará o seu trabalho passando os corpos para além fronteiras.

17. As tropas que se perturbam com a aparente falta de respeito por parte das hierarquias. Foram mandadas regressar em parte aos quartéis para que a máphia fizesse o seu trabalho ilegal sob os olhos fechados do governo. Os 3 países que fazem fronteira também colocaram as suas tropas a tentar impedir a passagem e enterro dos quase mortos.

18. As negociatas entre a máphia e os do outro lado da fronteira para que este trabalho pudesse continuar

19. As máphias dos 4 países que se alinharam no princípio de proporcionar ganhos mútuos

20. A nova esperança para a indústria das funerárias... os moribundos são levados a passar a fronteira para morrer e regressam para serem enterrados

21. O caso das famílias que por vergonha preferem manter os familiares em suspenso, o decrescente número de funerais

22. A reacção da indústria funerária e da máphia. As certidões de óbito mencionando o suicídio dos que preferem morrer e libertar o peso da consciência das famílias

23. Aprendiz de filósofo e o espírito que paira sobre a água do aquário. Discussão sobre a morte, a particular e subalterna e a geral que decide sobre as espécies. Depois a última morte, a suprema que haverá de destruir o universo

24. A fábula

25. As movimentações dos republicanos e a preocupação do rei quanto a um eventual golpe de estado e da viabilidade da segurança social

26. O envelope violeta na secretária do director-geral da televisão

27. O pânico e a alteração de espírito do director-geral. O telefonema para o gabinete do primeiro-ministro. O secretismo dessa reunião. O comunicado do governo e a leitura da carta em directo na televisão.

28. A leitura da carta

29. Agitação social. Da vida que passou de eterna a anunciada com 1 semana de antecedência. Os que estavam com a morte suspensa morreram nessa noite.

30. A reacção da associação das agências funerárias, dos coveiros e das carpintarias. É necessário enterrar toda a gente depressa

31. A suspensão da morte fez 72580 moribundos que com a passagem da meia-noite finaram-se de vez

32. Colocação de bandeiras à janela para indicar a existência de um morto à espera que um médico o vá atestar com a certidão de óbito

33. As reacções na comunicação social e a morte que obriga um jornal a corrigir o teor da carta publicada.

34. O estudo da carta sob o prisma da grafologia

35. A análise à reacção das instituições... lares, hospitais,  companhias de seguros. A máphia altera a actividade e impõe-se como defensor das agências funerárias, que não sendo aceite o serviço ameaça com retaliações.

36. A reacção da Igreja Católica

37. A morte que se anuncia em envelopes violetas e personalizados. O mecanismo do processo. As reacções.

38. A quase investigação criminal da morte. Quem é, onde está, como se move

39. Poderá ter a aparência de uma mulher de 36 anos.

40. Adensam os temores sobre a morte. A população e o medo de receber a carta violeta no dia seguinte.

41. A posição da Igreja perante a inevitabilidade do regresso da morte

42. A absurda excepção. Um envelope violeta veio de volta.

43. A morte reenvia-a de novo. Tem consigo a gadanha. As cartas são enviadas com um simples aceno da mão direita.

44. A devolução da mesma carta pela segunda vez, passados 30 minutos

45. O terceiro envio e a terceira devolução. O Violoncelista que deveria ter morrido com 49 anos e neste dia de devolução dos envelopes violetas faz 50 anos. A morte incrédula e furiosa

46. A morte que cede à tentação de particularizar o caso e ir procurar o destinatário das cartas devolvidas.

47. A casa do Violoncelista. Homem só com seu cão. 50 anos feitos.

48. A sala de música. O atril e a pauta com as peças de Schumann. O quarto onde dorme o Violoncelista e seu cão.

49. A morte que os observa

50. As reflexões, a organização dos arquivos, a lei geral que a rege e a suposta hierarquia

51. A legitimidade adquirida e o estatuto firmado

52. Mais 248 envelopes de cor violeta escritos e assinados ao que juntou pela 4.a vez o do Violoncelista. 10 segundos depois estava de volta.

53. A alteração do verbete na data de nascimento e na idade do Violoncelista. A gadanha fala pela primeira vez.

54. No teatro o Violoncelista ensaia com a Orquestra e a morte enche toda a sala sentada discretamente na sua cadeira a assistir ao ensaio

55. Nos próximos 3 dias a morte faz-se de sombra do sei alvo.

56. O retrato e a vida solitária do Violoncelista. A música de Chopin com que se auto define. A companhia do cão

57. A morte que o segue para o entender

58. O Violoncelista foi com o cão a um jardim e leva um livro de entomologia. A descrição da borboleta de capa Acherontia Atropos.

59. A morte absorvida por este quadro pensa inclusive que deveria ter enviado borboletas em vez de envelopes violeta.

60.  A morte que pede ajuda à silenciosa gadanha. Ausenta-se durante uma semana e deixa organizada toda a correspondência a enviar diariamente pela gadanha.

61. A morte que se veste de mulher de 36 anos, bonita segundo a gadanha

62. A alusão à mulher gorda vestida de preto e a Marcel Proust

63. A mulher/morte apanha um táxi e segue até ao teatro. Comprou o seu camarote para as duas sessões onde o Violoncelista irá actuar.

64. Hospedada num hotel aguardará a chegada da hora do 1.o concerto

65. Assistiu ao concerto e a sua presença de mulher fez-se notar. No final procurou o Violoncelista junto dos camarins.

66. O diálogo. A mulher/morte enigmática e o Violoncelista incrédulo. O trajecto de táxi até casa do músico e a morte que segue para o hotel. Até ao próximo concerto.

67. O telefonema tardio da mulher/morte pedindo desculpa pelo desenrolar da conversa. O mesmo rumo da conversa a desconversar. O Violoncelista sabe de uma suposta carta que a mulher lhe pretende entregar. A conversa acaba de forma abrupta.

68. O suposto ou eventual diálogo que poderia ter tido de seguida com o cão. As horas seguintes de incerteza e inquietação.

69. A mulher/morte não apareceu no segundo concerto. Nem na porta dos artistas ou à porta de casa. Frustração. Amargura. Resignação

70. Domingo e o passeio no parque com o cão. A mulher/morte que o aguarda no banco de jardim para se despedir e o envelope violeta que ficou no hotel. Diálogo e mais uma despedida repentina. O Violoncelista regressa a casa com o sentimento de amor não correspondido.

71. Fim da noite e a mulher/morte bate à porta. A surpresa. A carta prometida para ser entregue mais tarde. E o pedido de tocar o violoncelo. Bach Opus 1012.

72. Depois beijaram-se. Na cama. O Violoncelista que adormeceu. A morte que pega no envelope e o queima. A mulher que regressa à cama e sem entender o que se passa adormeceu pela primeira vez

Comunidade de Leitores Ler Saramago - “As Intermitências da Morte” (1.ª parte / 2.ª Sessão – Outubro 2015-10-29)

Comunidade de Leitores Ler Saramago
“As Intermitências da Morte”
1.ª parte / 2.ª Sessão – Outubro 2015-10-29

(Montagem cénica da obra - Rui Santos)

A violência, física e psíquica, latente na nossa sociedade e que perpassa em várias páginas do livro.

“As intermitências da Morte”, decorre num pais não identificado com 10 milhões de habitantes, que faz fronteira com 3 países e sem acesso ao mar. Pela proximidade da quantificação do número de habitantes podemos criar algum imaginário com Portugal, mas o facto de não haver fronteira marítima, já nos remete para outras paragens, quiçá no centro da Europa.

O elemento central, sempre presente mesmo aquando da sua ausência è a morte. O acto de uma pessoa morrer como um fim natural e sendo regra sem excepção, num jogo de vida e seu términus, assume o absurdo e o impensável que passa a ocorrer, por alguma alteração inexplicável, não morrer. Continuar não vivendo ou ter a vida em suspenso mesmo no momento em que ela, por acidente ou doença, deveria ter cumprido com a sua última acção.

José Saramago constrói uma narrativa sempre em suspenso. As pessoas deixaram de morrer, explicada nas primeiras horas ou dias por algum acaso circunstancial, e depois regista-se a tomada de consciência colectiva desta acção. As instituições assumem de forma imediata a imperiosa necessidade de sobrevivência corporativa, através da alteração das suas doutrinas mais básicas. Assim se passa com a Igreja Católica e a salvação, com as companhias de seguros através dos seguros de vida, da indústria funerária com os enterros dos animais domésticos, com a monarquia que pretende o garante do seu amorfo régio poder, com a máphia que se alia às suas congéneres dos países fronteiriços.   

Não sendo conhecido nenhum fenómeno científico ou outro, que pudesse avalizar a inesperada eternidade, o autor cria um propositado vazio psicológico latente em todo o decorrer das páginas. 
Poderíamos estar perante um país em jubilo, euforia desenfreada ou num estado de embriaguez da consciência colectiva, onde a nação que por este acaso, assumir-se-ia com um sentido de invencibilidade perante os países vizinhos. Mas não. Convenço-me de alguma violência psicológica no quadro criado pela ausência de uma manifestação de euforia ou festa generalizada. Este país impressivamente adoptado para a acção não é Portugal. Decididamente o não é, caso contrário, Saramago teria de cumprir com a característica que sempre nos simboliza, ou seja, da euforia à depressão ou o seu contrário.

“As Intermitências da Morte” são um ataque à moral do mundo de hoje, ao mundo de 2005, quando foi escrito, e também ao mundo do pós II.ª Grande Guerra, algo condutor e criador do ambiente que se vive na Europa contemporânea. É um ataque à civilização e à arquitectura que a sustêm e se reproduz automaticamente dentro dos seus próprios vícios. Vivemos tempos de acertar no erro e trabalhar o erro da humanidade repetidamente. 

Poderá ser considerado totalmente descabido ou desajustado da realidade transmitida pela essência da obra, mas a morte, seja ela por ausência nos primeiros 6 capítulos, ou por manifestação física no restante, sendo a personagem principal não a entendo como o objecto crítico e fulcral desta teia de situações. 
O que estará em causa será a oportunidade concedida a uma nação, para repensar os pilares sobre os quais está fundada e como evolui enquanto povo. 

À revista Época (31/10/2005) Saramago disse numa entrevista:
“Na falsa democracia mundial, o cidadão está à deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Actualmente, somos seres impotentes diante de instituições democráticas das quais não conseguimos nem chegar perto.”

Lançado em 2005, 10 anos depois do “Ensaio sobre a Cegueira” e no ano seguinte ao do “Ensaio sobre a Lucidez” (2004), nas “Intermitências” é abordada a marca da violência, tanto na componente da agressão física, como na vertente da força imposta sob algumas formas de coação psicológica, atacando ora o individuo ou a comunidade.

(Montagem cénica da obra - Rui Santos)

Quatro breves exemplos

Violência física 
Pag. 27 “e um pobre homem houve que teve de pagar o antipatriótico desabafo com uma tareia que, se não lhe acabou ali mesmo com a triste vida, foi só porque a morte havia deixado de operar”
Em Portugal, os dados estatísticos de 2014 referentes à violência doméstica, reportam mais de 21.000 casos de agressões e perto de 10.000 vítimas directas, que recorreram aos centros da APAV solicitando auxilio. Continuamos a permitir a agressão.   

Violência geracional
Pág. 33 e 34 “cemitérios de vivos onde a fatal e irrenunciável velhice seria cuidada como deus quisesse, até não se saber quando”


Continua-se a assistir ao abandono dos idosos em lares, que não são de feliz ocaso, ou nos hospitais. Abandonam-se pessoas.

Violência psíquica  
Pág. 43 “e logo a mãe da criança subiu, tomou-a ao colo, disse Adeus meu filho que não te torno a ver”
Por estes dias, no mar Mediterrâneo, uma balsa em fuga transporta pessoas desesperadas que fogem das guerras e máfias locais. Morrer no mar é um risco a correr para estas pessoas. Um pai deixa cair o seu filho ao mar. Que outra dor poderá ser maior que esta. 

Violência institucional
Pág. 73 “O país encontra-se agitado como nunca, o poder confuso, a autoridade diluída, os valores em acelerado processo de inversão, a perda do sentido de respeito cívico alastra a todos os sectores da sociedade, provavelmente nem Deus saberá aonde nos leva.”
As sociedades ocidentais persistem na inversão da pirâmide funcional da governação de cada país. A população serve o poder e alimenta os mercados financeiros de origem canibal e especulativa, ao invés, do primado que deveria existir, talvez utopicamente, as cúpulas gestoras ao serviço das pessoas.