Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quinta-feira, 19 de abril de 2018

"Visita à Casa de José Saramago" reportagem publicada pelo blog "O Melhor Blog do Mundo" em 16/11/2017

Recuperamos o post de "O Melhor Blog do Mundo" (16/20/2017) que relata a visita dos bloggers a Lanzarote, mais propriamente "A Casa" em Tías.

Pode ser recuperado aqui 
em https://omelhorblogdomundo.blogs.sapo.pt/visita-a-casa-de-jose-saramago-145146

O blog é de visita obrigatória, não só para quem gosta de viajar e conhecer novas paragens, como para quem ainda não teve a oportunidade de atravessar fronteiras e assim alimentar o sonho.
As reportagens fotográficas são acompanhadas de excelentes dicas e fotografias muito bem escolhidas.
https://omelhorblogdomundo.blogs.sapo.pt/
https://www.facebook.com/omelhorblogdomundo/
http://www.omelhorblogdomundo.pt/
https://www.instagram.com/omelhorblogdomundo/

"Hoje, 16 de Novembro, a data de aniversário do "nosso" Nobel da Literatura José Saramago, recordamos o dia em que visitámos "A Casa", forma como é conhecida a casa que foi o refúgio de Saramago desde 1993 até à sua morte, em Tías na ilha de Lanzarote.

Todas as fotografias estão publicadas no link indicado 
e têm créditos aos respectivos bloggers

"Terá sido em Maio de 1991 que Saramago e Pilar se deslocaram a Tenerife para uma conferência, aproveitando a viagem, foram até Lanzarote para visitar os cunhados de Pilar e terá sido nessa ocasião que Saramago se deslumbrou com a paisagem da ilha. Nesse momento, Saramago e Pilar decidiram fixar a residência naquele local construindo a Casa e mais tarde a biblioteca.

"A Casa" de Saramago abriu ao público 9 meses após a sua morte, obedecendo à lógica poética do romance da sua autoria "O Ano da Morte de Ricardo Reis", onde a personagem Ricardo Reis tem uma conversa com Fernando Pessoa, que está morto, e lhe explica que são precisos nove meses para que os vivos se esqueçam dos mortos.

A visita é feita com o auxílio do áudio-guia que, pelos textos criados por Pilar, nos relata pormenores da vida profissional e pessoal de Saramago, à medida que vamos avançando pelas divisões da casa.

A Sala
Antes de entrarmos na sala, passamos pelo hall de entrada onde, entre muitos objectos e pinturas, é possível ver um relógio que está parado nas 16h, hora em que Saramago conheceu Pilar.

A sala era lugar de descanso, com uma janela com vista para o mar que rodeia a ilha, que para Saramago e recordando palavras de César Manrique, era "a melhor obra". As paredes são revestidas com quadros relacionados com as suas obras.

O Escritório
Foi sobre a mesa de pinho que ainda hoje lá está que escreveu as obras "Ensaio sobre a cegueira" e "Os Cadernos de Lanzarote". Em frente à secretária num móvel de madeira mexicana, estão retratos dos seus avós, pais, da sua filha, dos netos e da esposa. Na parede está uma cópia do Prémio Nobel.

O Quarto
Foi aqui que no dia 18 de Junho de 2010, após tomar o pequenos almoço e ter voltado para a cama para descansar mais um pouco, acabou por descansar para sempre, com a mesma simplicidade que pautou a sua vida.

A Cozinha
Para Saramago, a cozinha era um local de convívio, por vezes trabalho, tertúlias prolongadas, um local onde gostava de receber os seus amigos. Nesta cozinha passaram algumas figuras muito conhecidas como Mário Soares, José Luis Rodríguez Zapatero, Bernardo Bertolucci, Susan Sontag, Juan Goytisolo, Carlos Fuentes, Álvaro Siza Vieira, Ángeles Mastretta, Pedro Almodóvar, entre outros.

Podemos admirar peças que Saramago foi adquirindo nas suas viagens pelo mundo e como Saramago faria, somos convidados a beber um saboroso café português, que bem que nos soube!

O Jardim
O jardim pode-se dizer que deu alguma luta, o solo necessitou de algum trabalho e foi preciso transportar terra para aquela zona para que Saramago pudesse dar início ao seu Jardim. Começou pelas palmeiras porque são nativas, pinheiros canários, uma romãzeira de Granada e dois marmeleiros. Depois continuou com um Olmo, uma sobreira cuja semente Saramago levou de Portugal, duas oliveiras portuguesas e duas oliveiras andaluzas. Era aqui que se costumava sentar e "gostava de sentir o vento, saber-se vivo, olhar o mar, pensar que o mundo pode ter remédio, que a humanidade que trazemos em nós deve prevalecer sobre a maldade".

A Sala de Reuniões
Foi pensada inicialmente para as reuniões da direcção da Fundação José Saramago, no entanto, a Fundação tem a sua sede em Portugal. Acabou por servir mais de sala de refeições quando os encontros se prolongavam ou de sala de conferências.

Nas paredes da sala é possível admirar algumas obras de arte como uma gravura do Prémio Nobel de Literatura Gao Xingjian, um desenho de Alberti ou uma paisagem da Islândia de Ildefonso Aguilar, país pelo qual Saramago sentia grande afecto.

A Biblioteca
"Uma casa feita de livros" era a descrição que Saramago fazia da sua casa. Segundo as suas palavras "esta biblioteca não nasceu para guardar livros, mas sim para acolher pessoas" e os livros, há que abri-los com cuidado, porque têm dentro o autor, com toda a sua sensibilidade, com tudo o que o fez ser único e irrepetível.

Aqui, por trás da sua cadeira, está um quadro do pintor checo Jiri Dokoupil, que retrata o casal em desenhos feitos com fumo de vela e tinta amarela. A biblioteca conta um acervo de cerca de 16 mil livros, entre outros objectos e muitas fotografias. 

A Oliveira
Esta oliveira fez a viagem de avião num pote entre as pernas de Saramago. Não se sabia se ia resistir ao solo árido da ilha mas esta oliveira alentejana provou que se aguentaria e apresenta-se frondosa e verde. Hoje, recebe os visitantes desta fantástica casa museu!

A Casa está aberta de segunda-feira a sábado das 10h às 14h e os bilhetes custam 8€.

Fizemos a visita no último dia de férias mesmo antes de ir para o aeroporto e adorámos, os textos do áudio-guia transportam-nos para o dia-a-dia de Saramago, como se estivessemos a passar uma manhã na casa de um amigo.

Se puderem, não percam a oportunidade de visitar.

Bons passeios!"














terça-feira, 6 de março de 2018

"Ocurrió hace 25 años" via "A Casa José Saramago" em Tías Lanzarote (05/03/2018)

Pode ser consultado e recuperado aqui 

"Ocurrió hace 25 años"

Pilar del Río
Hace 25 años, en enero de 1993, José Saramago entró a vivir en su casa de Lanzarote. Todavía quedaban algunos trabajos por acabar, de modo que tenía que amanecer temprano para no entorpecer a carpinteros o pintores y sobre todo para evitar el triste espectáculo de sumar bata y pijama al desconcierto de fin de obras. Con impaciencia de propietario primerizo contaba las horas y las tareas pendientes varias veces al día hasta que a últimos de enero la casa fue oficialmente entregada. En febrero, cuando San Blas, tuvo lugar la primera gran cena: amigos, familia y los trabajadores que habían levantado los muros y puesto el suelo celebraron, en glorioso batiburrillo, el portento de concluir en seis meses una vivienda que fue pensada para ser lugar de retiro y trabajo y acabó siendo, ahora lo sabemos, un centro emisor de ideas y un refugio de personas de todo el mundo. El proyecto Lanzarote era ya, en enero de 1993, una realidad incuestionable, el lugar que José Saramago eligió para volver a nacer, su casa.

El comienzo de la historia
El 24 de abril de 1992 el periodista Torcato Sepulveda telefoneó a José Saramago para pedirle un comentario sobre la presión que el gobierno portugués estaba realizando ante tres instituciones culturales que deberían proponer varios títulos para representar la cultura del país en un premio europeo. José Saramago desconocía el hecho, nunca había oído hablar del premio y atribuyó las supuestas presiones a malentendidos propios de la falta de información, por eso decidió no opinar. Tuvo que hacerlo más tarde, cuando el mismo periodista consiguió reconstruir la historia que acabó siendo un escándalo en Europa. El gobierno de Portugal, así, en bloque , ya que colegiadamente apoyó la decisión del ministerio de cultura, eliminó de la lista de libros presentada por las instituciones culturales una obra de José Saramago porque, alegaban, ofendía a los portugueses y además el autor era comunista. También, en un gesto desesperado de alejarse del papel de inquisidores políticos y de costumbres, intentaron justificar el acto de censura argumentando que el libro estaba mal escrito. El libro en cuestión es “El evangelio según Jesucristo”…

En esta situación a José Saramago no le quedaba más remedio que alejarse de la imagen que el gobierno proyectaba. El lugar no podía ser otro que una isla del sur, balsa de piedra donde llegaran las voces de las personas pero no los ruidos interesados que provoca el poder para aumentar su impunidad. Se alejó del bochorno gubernamental sin presentir el impacto de la decisión.

De la estatua a la piedra
Vivir en Lanzarote, en una casa hecha de libros, según su definición, tuvo importancia en la vida privada de José Saramago, hecho que pertenecería a su estricta intimidad, y fue decisivo para su trabajo como escritor, como reflexionaría más tarde en una conferencia que pronunció en Turín, y que posteriormente fue publicada en portugués y español en el volumen “La estatua y la piedra”. Al ser humano que nada le era ajeno, el paisaje volcánico de Lanzarote no podría pasarle inadvertido, por el contrario, se le introdujo en su sensibilidad y en su forma de escribir provocando una madurez distinta de la que tal vez intuyeran los observadores más sagaces:

Con este libro acabó la estatua. A partir del Evangelio según Jesucristo, y esto lo sé ahora, que el tiempo ha transcurrido, empezó otro periodo de mi vida de escritor, en el que he desarrollado en trabajo y nuevos horizontes literarios, disponiendo por lo tanto de elementos de juicio que me dan pie para afirmar con convicción plena que hubo un cambio importante en mi oficio de escribir. No hablo de calidad, hablo de perspectiva. Es como si desde Manual de pintura y caligrafía hasta El Evangelio según Jesucristo, durante catorce años, hubiese estado dedicado a describir una estatua. Y ¿qué es la estatua? La estatua es la superficie de la piedra, el resultado de retirar piedra de la piedra. Describir la estatua, el rostro, el gesto, los ropajes, la figura, es describir el exterior de la piedra, y esa descripción es, metafóricamente, lo que encontramos en las novelas a las que me vengo refiriendo. Hasta que no terminé El Evangelio no me di cuenta de que había estado describiendo estatuas. Tuve que entender el mundo nuevo que se me presentaba al abandonar la superficie de la piedra y pasar a su interior y eso aconteció con Ensayo sobre la ceguera. Comprendí entonces que algo había concluido en mi vida de escritor y que algo diferente estaba comenzando.

Más adelante haría referencia a la austeridad del paisaje de Lanzarote, esa belleza que le retaba como si la tierra estuviera en su primer día y hubiera que darle sentido deteniéndose en ella, más que nombrándola. José Saramago se asomaba a los cráteres de Lanzarote tratando de ver el interior de la piedra. En el silencio de esos espacios ásperos encontraba la palabra precisa que no necesita imágenes para ser y ser rotundamente. La aridez de Lanzarote modeló a José Saramago de tal forma que pudo formular todas las preguntas y escribir libros universales en un espacio que cabe en todos los imaginarios. El destino que acabó siendo Lanzarote le estaba reservado para el momento en que, tras reflexionar sobre los orígenes fundacionales de la civilización occidental en El evangelio según Jesucristo, entendiera que tenía que empezar otra vez. La isla que nunca intuyó, ni siquiera cuando condujo la península ibérica por los mares del sur en A jangada de pedra, le ofreció a José Saramago el marco adecuado para su crecimiento. Ensayo sobre la ceguera fue la primera estación de un recorrido que suma 21 título, hasta Caín o la inconclusa meditación sobre la ética de la responsabilidad que es Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas.

La casa contada  
En Lanzarote, José Saramago pudo “contar los días con los dedos y encontrar la mano llena”, como escribió para sus diarios, los Cuadernos de Lanzarote. La casa no era la residencia en la tierra de Pablo Neruda, era la tierra misma, en la que plantó árboles (bien verdad que poco adecuados para el clima) y saltó, el 24 de junio, las hogueras de San Juan en las que ardían ideas viejas mezcladas con proyectos futuros, como manda la tradición por una vez cumplida. En esa casa, en la que siempre sonaba música, había olor a pan tostado por las mañanas y a café que llegaba de Portugal a cualquier hora del día. José Saramago dedicaba las mañanas a la lectura, a la correspondencia, a los prólogos para amigos, a los artículos de prensa que la responsabilidad le imponía y por las tardes se empleaba en sus libros con meticulosidad y empeño, sin romanticismo, con la conciencia de estar haciendo un trabajo del que solo él era responsable y sin embargo le exigía no rebajar un idioma y una cultura. Escribía hasta que llegaba la noche: entonces la casa dejaba de ser trabajo y volvía a ser lugar de encuentro y comunicación, conversaciones en la cocina, amigos y voces que nunca fueron moderadas porque en esa casa se desterró la moderación. Tampoco se cerraban la puertas, que eran barreras contra el viento, no obstáculos para impedir el paso de las personas, tantas y de tantos lugares, que allí dejaron conversaciones, miradas, respeto, cariño, inteligencia y sensibilidad: la que ahora sienten quienes viajan a Lanzarote para visitar la casa y reconocer así al autor que ya conocen por su obra.

Todos los libros
Hace veinticinco años que José Saramago se mudó a Lanzarote. Allí plantó su biblioteca y su forma de mirar el mundo y día fue cosechando desde la honestidad literaria y humana que era su norte. Dejó un patrimonio moral distribuido por los cinco continentes y un sin fin de cómplices, los lectores, que comparten su forma de mirar compasiva y sin barreras, herederos de los mejores sueños. En Lanzarote José Saramago escribió La isla desconocida, el personal viaje del ser humano que no se rinde. El paisaje árido y el mar, la casa blanca de carpintería verde y alfombra de piedra, su mesa de pino rústico que enceraba a veces, los perros callejeros de nombres improbables hicieron de José Saramago un hombre feliz." 
(05/03/2018)


quarta-feira, 22 de junho de 2016

"Entra na “casa cheia de livros” de Saramago em Lanzarote" - Artigo via idealista.pt

O artigo "Entra na “casa cheia de livros” de Saramago em Lanzarote", publicado no site "id idealista", pode ser recuperado e consultado aqui, 


Fonte das fotografias publicadas, via www.acasajosesaramago.com

"José Saramago, que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998, faleceu há já seis anos (dia 18 de junho de 2010). Nos últimos anos da sua vida – desde 1993 – viveu numa vivenda na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha), com a mulher, a espanhola Pilar del Río. Saramago definiu o imóvel como “uma casa cheia de livros”.

“Construída de raiz para as necessidades de duas famílias, a Saramago-Del Río por um lado, por outro a Pérez-Fígares-Del Río, cúmplices no projeto arquitetónico e na vida. Assim, cruzado o portão de entrada, um pequeno pátio dá acesso às duas vivendas e às zonas comuns. Defronte está a porta da casa de José Saramago”, lê-se no site A Casa José Saramago.

Esta é a “casa cheia de livros” do escritor português na ilha espanhola."
Publicado a 21/06/2016





 







sábado, 9 de abril de 2016

"Nos acercamos a la Casa Museo de José Saramago en Tías, Lanzarote" - Cadane Ser / "Hablar por Hablar" de Macarena Berlín

"Nos acercamos a la Casa Museo de José Saramago en Tías, Lanzarote"

"Tomamos un café con Pilar del Río y paseamos por las distintas estancias de la vivienda que habitó el Premio Nobel de Literatura 18 años de su vida. Y donde escribió algunas obras tan conocidas como "Ensayos sobre la Ceguera" o "Cuadernos de Lanzarote"

Aqui a entrevista

Cadena Ser
Programa "Hablar por Hablar" de Macarena Berlín

(Pilar del Río e Macarena Berlín)

"La vivienda donde el Sr. Saramago pasó los últimos 18 años de su vida, está levantada en una suave ladera sobre territorio volcánico. Se despeina por los vientos elisios y se asoma a playas de arena tostada. Fue construida para cubrir las necesidades de dos familias: la Saramago-Del Río y la Pérez-Fígares-Del Río.

Ya en la puerta, me encuentro un poco incómoda llamando al timbre. No he podido avisar de mi visita con la antelación que hubiese deseado y temo estropearle el sábado a Pilar. Una sensación que se me pasa pronto. Ella misma me abre la puerta, me da un gran abrazo, me mira a los ojos y dice: "Esta es la Berlín que me faltaba".

Pilar Del Río, periodista, compañera del escritor y presidenta de la fundación que lleva su nombre, mantiene vivo el legado del maestro. Su voz, más necesaria que nunca, sale de esta casa, hacia todos los oídos del planeta. Estos días se busca nombre para el Teatro Insular de Lanzarote, y José Saramago se perfila entre los favoritos."



terça-feira, 8 de março de 2016

Presentadas las bases del IV Premio de Narración Corta José Saramago organizado por el IES Tías

A notícia, publicada pelo "El Periodico de Lanzarote", pode ser consultada e lida, aqui


"El Ayuntamiento de Tías, el AMPA Los Fragosos y A Casa José Saramago también colaboran en este certamen literario que está dotado con premios de hasta 350 euros. Podrán participar todos los alumnos de Educación Secundaria de Lanzarote y las obras deberán ser entregadas antes del 12 de abril"

"A Casa José Saramago acogió el pasado viernes la presentación de la cuarta edición del Premio de Narración Corta José Saramago que organiza el IES de Tías en colaboración con la concejalía de Educación del Ayuntamiento de Tías, A Casa José Saramago y el AMPA Los Fragosos. En el acto estuvieron presentes la concejal de Educación de Tías, Aroa Pérez, así como representantes de A Casa José Saramago, del AMPA Los Fragosos y del IES Tías, además de la autora del cartel de este premio narrativo, Mª Teresa Parrilla, alumna del IES Tías.

Durante la presentación de este IV Premio de Narración Corta se dieron a conocer las bases publicadas en la web del Instituto de Tías y que establecen que podrán participar todos aquellos alumnos matriculados en los diferentes centros de Enseñanza secundaria de la isla de Lanzarote, cuyo límite de edad será de 22 años.

Las obras, originales e inéditas, deberán presentarse antes del próximo día 12 de abril y tendrán una temática de libre elección. La extensión no superará las cuatro páginas DIN-A4 con un interlineado de 1.5 y a una sola cara. El tipo de fuente será Times New Roman y el tamaño de la letra, 12.

Los interesados en participar en este certamen literario deberán entregar sus obras en el IES TÍAS en un sobre cerrado con seudónimo, título en el exterior del mismo y año de nacimiento antes del próximo día 12 de abril. En ese sobre se incluirá otro sobre cerrado con el seudónimo en el exterior y adjuntando en el interior el nombre completo del autor/autora, la edad, el curso, el centro educativo y la fotocopia del DNI/NIE.

Un primer premio de hasta 350 euros

En las bases también se establecen dos categorías según edades, una para los nacidos antes de 2000, incluido, con dos premios: un primer premio dotado con 350 euros y un lote de libros del Premio Nobel José Saramago, así como un segundo premio dotado con 200 euros y un lote de libros del mismo escritor. En la segunda categoría para los nacidos a partir de 2001, se otorgará un primer premio dotado con 150 euros y un segundo premio de 100 euros.

Asimismo, el jurado estará compuesto por el profesorado del Departamento de Lengua castellana y Literatura del IES Tías. Dicho jurado podrá declarar desierto cualquiera de los premios. El fallo tendrá lugar el viernes 22 de abril de 2016 y será inapelable."




domingo, 28 de fevereiro de 2016

IV Premio de Narraciones Cortas José Saramago (A Casa José Saramago - Tías, Lanzarote)


Informação via "A Casa José Saramago", aqui

"Ya tenemos cartel para el IV Premio de Narraciones Cortas José‪ #‎Saramago‬ de Lanzarote, 
que presentaremos oficialmente en la biblioteca de A CASA, en Tías, 
el próximo viernes 4 de marzo, a las 18:00 horas."

domingo, 7 de fevereiro de 2016

"A Casa" em Tías - Lanzarote... Uma casa feita de livros

(O relógio parado nas 4 horas e a estatueta)

Mais informação, pode ser consultada aqui
em http://acasajosesaramago.com/pt-pt/a-casa/

“Uma casa feita de livros”: assim definiu José Saramago a vivenda em que passou a maior parte dos seus últimos 18 anos. Construída de raiz para as necessidades de duas famílias, a Saramago-Del Río por um lado, por outro a Pérez-Fígares-Del Río, cúmplices no projecto arquitectónico e na vida. Assim, cruzado o portão de entrada, um pequeno pátio dá acesso às duas vivendas e às zonas comuns. Defronte está a porta da casa de José Saramago."

sábado, 25 de abril de 2015

A Casa José Saramago en Tías, Lanzarote - "Día del Libro 2015: III Premio de Narrativa José Saramago"

Excelente iniciativa que A CASA JOSÉ SARAMAGO (Tías, Lanzarote) realizou. 
Jovens, leitores, por certo, entusiastas da obra de Saramago, estiveram em concurso.

Aqui de deixa a informação.
Aqui se deixa o testemunho e o orgulho por esta iniciativa.

Bem hajam os que caminham...


“Con la misma vehemencia con que reivindicamos los derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo pueda ser un poco mejor”. 
José Saramago

"María del Río y Pancho Hernández, alcalde de Tías, junto a las ganadoras del Premio"

Pode ser lido e consultado em
http://acasajosesaramago.com/dia-del-libro-2015-iii-premio-de-narrativa-jose-saramago/

"Qué maravillosa tarde vivimos ayer, Día del Libro, en la entrega de premios del III Concurso de Narrativa José Saramago. La Biblioteca recibió la presencia de profesores y alumnos de 12 de los 14 centros de enseñanza secundaria de la isla, así como de Pancho Hernández, alcalde de Tías, y distintas personalidades políticas y culturales de Lanzarote. Asistimos a dos emocionantes horas de música, poesía y relatos cortos, con especial presencia de las figuras de José Saramago, Gunter Grass y Eduardo Galeano entre los autores homenajeados y el protagonismo de los jóvenes finalistas en las dos categorías del premio, que nos hablaron de sus obras y de sus inquietudes literarias, dejando patente que el futuro de este premio y de la narración corta en la isla está asegurado.

Los finalistas en la categoría de nacidos en 1999 y menores fueron:

Virginia Ardevol. IES Tías
Direy Hernández. IES Teguise
María Teresa Parrila. IES Tías
Olmo Pérez. IES Yaiza
Ania Robayna. EA Pancho Lasso
Los finalistas en la categoría de nacidos a partir del año 2000 fueron:

Zofia Daregowska. Colegio hispánico Británico
Yaiza Llamas. IES San Bartolomé
Jharol Montilla. IES Tías
Idaira Ramírez. IES Tías
Paula Torres. IES Tías

Concurrieron un total de 69 obras a concurso, superando la calidad literaria de las dos ediciones anteriores, según apreció el jurado.

Las galardonadas con el primer premio en sendas categorías fueron Virginia Ardevol, por su relato “El precio de un Ferrari” y Yaiza Llamas, por su relato “El prado de la nostalgia”. ¡Enhorabuena, campeonas!

Nos vemos el año que viene en la cuarta edición del Premio de Narración Corta José Saramago."

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Livro de Visitas de "A Casa" com musica de Luis Pastor... as páginas e os testemunhos


"Llegar cada mañana a La Casa de José Saramago en ‪#‎Tias‬, ‪#‎Lanzarote‬, abrir puertas y ventanas, arreglar las flores y colocar en pequeños jarrones, cortar alguna ramita del olivo del jardín y dejarla sobre la mesa de José en el despacho, poner un disco y dejar que la música nos envuelva, encender la cafetera y que toda la casa huela de nuevo a vida y a café, es uno de los mayores placeres que nos regala el día a quienes amamos a ‪#‎Saramago‬ y trabajamos por mantener siempre viva su obra y su memoria. Ahora bien, igual que los libros no se entienden sin sus lectores, La Casa Museo de José Saramago no tendría sentido sin sus visitantes, las personas que la recorren y habitan cada día, las que leen el fragmento de un libro en su despacho, las que después se sientan en la cocina disfrutando un aromático café portugués, pasean por el jardín, acarician los libros en la Biblioteca, y a veces, además de su respeto, admiración y cariño, nos dejan sus impresiones en el libro de visitas.
Es gracias a estas personas que nos visitan que A Casa de José Saramago sigue estando tan viva, con este pequeño vídeo queremos transmitir nuestro cariño y gratitud a todas las que nos visitaron a lo largo del año 2014, e invitar a las que aún no han podido venir, o se quedaron con ganas de volver, la casa de José Saramago, A Casa, está abierta para ustedes. Les esperamos!"

Para consulta do texto original, em 

Para consulta da página "José Saramago A Casa", e todos os conteúdos, em

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Biblioteca d'A Casa, em Lanzarote, "Um altar à literatura" nas palavras de Stephanie Merritt (30/04/2006)

A biblioteca José Saramago, na sua casa em Lanzarote.
A este propósito, João Céu e Silva, em "Uma longa viagem com José Saramago", página 137, faz uma nota de rodapé à entrevista ao jornal "The Observer", realizada por Stephanie Merritt, em 30 de Abril de 2006.
Refere a jornalista: «A arquitectura da biblioteca de José Saramago, pela forma como se ergue na encosta de uma colina na sua ilha adoptiva de Lanzarote, dá a impressão de ser uma catedral moderna. A luz do sol entra por estreitas janelas altas de vidro opaco que abrangem os dois andares; as nuas paredes brancas e a fresca pedra contribuem para uma sensação de reverência na presença de tantos volumes, antigos e modernos, em tantas línguas diferentes. É um altar à literatura, uma religião alternativa para o Nobel português, o qual deixou a sua pátria há 14 anos em protesto contra a censura governamental do seu romance "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (...)»

(Esta biblioteca não nasceu para guardar livros, mas sim para acolher pessoas. - José Saramago)

Nas palavras de Saramago, a implementação da biblioteca pode ser encontrada na página 203 ("Uma longa viagem com José Saramago", João Céu e Silva - Porto Editora), onde são já visíveis, os esboços e planos para a concretização deste espaço.

"É também a Universidade de Granada que está a organizar a sua biblioteca?
- Sim. A biblioteca é para ficar em Lanzarote até que a Fundação seja extinta. Enquanto a Pilar for viva ela administrará a Fundação - eu já cá não estarei mas a coisa continuará -, não sei quantos anos irá durar a Instituição, mas se um dia acabar, os seus bens pertencerão à Biblioteca Nacional de Lisboa à excepção da biblioteca que será levada para a Universidade de Granada, onde constituirá um núcleo de literatura que tem a ver com a própria cátedra que se vai criar. Aliás, a Universidade já destacou funcionários para trabalhar na catalogação em Lanzarote."


Agora, atravessamos mares, e vamos em direcção à casa propriamente dita. 
Situada em Tías, cidade próxima de Arrecife, capital de Lanzarote, fica localizada a poucos quilómetros do aeroporto.

Todas as informações podem ser encontradas no site da "Casa", 

Transcrição do maravilhoso texto de apresentação da biblioteca, 

"Diz José Saramago que aos livros, há que abri-los com cuidado, porque têm dentro o autor, com toda a sua sensibilidade, com tudo o que o fez ser único e irrepetível. Diz que há que passar a ponta dos dedos pelas lombadas dos livros comum gesto cúmplice, dizer-lhes, aos escritores, que não estão esquecidos e demonstrá-lo voltando a eles, hoje um livro, amanhã outro, para que não desesperem enquanto nos aguardam e nos chamam. Esta biblioteca tem gente nas estantes e Saramago pensava passar com ela muito tempo, vir aqui para ler e conversar com os seus contemporâneos ou com os que os haviam precedido. Mas tal não foi possível. O projecto foi cortado porque a morte não é inteligente nem compassiva.

Saramago vinha à biblioteca todas as manhãs. Sentava- se na mesa da frente depois de ter colocado um disco, talvez Bach, e começava o seu trabalho de escritor lendo as últimas palavras que tinha deixado acabadas e impressas. Corrigia pouco, quase nada, porque quando escrevia tinha já a história e, inclusivamente, as palavras, ordenadas na sua cabeça. “Escrever, dizia, é como fazer uma cadeira, as quatro pernas têm que assentar no chão, deve estabelecer-se uma certa harmonia entre as várias partes, ser bela, se o talento chegar para tanto”..E então começava o ritual: reorganizar os objectos em cima da mesa, ligar o computador, recostar-se no seu cadeirão, unir as mão, olhar em seu redor, começar a escrever. E de fora ouvia-se o som leve do teclado, um ritmo lento, cadenciado, sem grandes pausas, sem ruídos. Não fumava, não precisava de um café, talvez água, quase sempre esquecida a um dos lados da mesa. Escrever, dizia, é como fazer uma cadeira, as quatro pernas têm que assentar no chão, deve estabelecer-se uma certa harmonia entre as várias partes, ser bela, se o talento chegar para tanto. E assim, como um artesão, ia criando páginas que já estão na História da Literatura, enquanto à sua volta todos se envolviam noutras tarefas mais prosaicas, como catalogar livros, abrir correspondência e receber visitas, conscientes, todos, de que assistiam como testemunhas silenciosas ao acto mágico da criação, aquele que aqui, entre estas paredes, se produziu ao longo de quatro anos.-

A biblioteca é dominada por um retrato de José Saramago e da sua esposa, da autoria do pintor checo Jiri Dokoupil, que plasma um momento da apresentação do livro As Pequenas Memórias, que o artista viu num jornal e que, “como tudo pode ser contado de outra maneira”, como dizia Saramago, o pintor aplicou numa tela, realizando com fumo de uma vela e tinta amarela uma obra moderna e bela na qual o escritor se revia com muito gosto. Da série que Santa Bárbara realizou sobre o Memorial do Convento há na biblioteca outros dois quadros, para além das quatro gravuras do artista cubano Kcho, que Saramago trouxe de Cuba tendo muito claro em que lugar da sua casa iriam ficar.os livros escritos por mulheres estão juntos e por ordem alfabética A organização dos livros baseia-se em critérios pessoais. Assim, e embora a Literatura seja universal, os livros estão colocados pelos países de origem dos autores. A filosofia, o ensaio e as memórias arrumam- -se por uma ordem temática, como história ou política. Há, no entanto, uma excepção a todas as normas: os livros escritos por mulheres estão juntos e por ordem alfabética. Saramago nunca concordou com este critério, mas respeitou a decisão da sua esposa, que não quis que autoras que não tivessem sido consideradas pelos seus pares, pelo facto de serem mulheres, estivessem condenadas a partilhar estantes com quem não as respeitou ou valorizou.

A ante-sala da biblioteca é ocupada pelas duas pessoas que trabalhavam mais perto de Saramago. Aqui se encontra parte da literatura da América e vários retratos de escritores amados: Cervantes, Camões, Pessoa, Drummond de Andrade, e até um Dom Quixote vencido, que regressa derrotado de todas as batalhas, e que no entanto é, para sempre e em todo o mundo, o mestre que se invoca quando se dá início a uma empresa ousada. A gravura de Tàpies, as palavras de Saramago em português, euskera e castelhano: Uma inesgotável esperança.Preside a esta sala um trabalho conjunto que realizaram, por iniciativa do grupo basco Elkarri, Tàpies e Saramago, e que tinha como objectivo abrir uma campanha para encontrar uma saída pacífica e digna para o conflito basco. Durante uns meses, Tàpies e Saramago percorreram vários lugares, acumulando vozes e apoios. Como testemunho, a gravura de Tàpies, as palavras de Saramago em português, euskera e castelhano: Uma inesgotável esperança.

Na biblioteca José Saramago recebeu os seus amigos. Quando recuperou da doença que em 2007 esteve a ponto de acabar com a sua vida, o primeiro acto público que organizou foi convidar María Kodama para que falasse de Borges em Lanzarote. A memória de Borges é predominante na biblioteca porque Jorge Luis Borges, com Pessoa e Kafka, eram para Saramago os escritores imprescindíveis do século XX. Mais tarde,por aqui passaram outros companheiros de letras e deixaram as suas palavras. Estão contidas neste espaço, se é verdadeira essa lei que diz que nada se perde."



Aqui, o link com a entrevista completa,
em http://www.theguardian.com/books/2006/apr/30/fiction.features1

José Saramago: "Still a street-fighting man"

"In his first interview with an English newspaper, 83-year-old Portuguese novelist José Saramago reveals that his famed radicalism is undiminished

The architecture of José Saramago's purpose-built library, as it rises from a parched hillside on his adopted island of Lanzarote, creates the impression of a modern cathedral. Sunlight splinters through high, narrow windows of opaque glass that stretch the full two storeys; the clean, white walls and cool flagstones contribute to a sense of hushed reverence in the presence of so many volumes, ancient and modern, in so many languages. Here is a shrine to literature, an alternative religion for a Portuguese Nobel laureate, who left his homeland 14 years ago in protest at the government's censorship of his novel, The Gospel According to Jesus Christ (it vetoed its submission for the European Literature Prize on the grounds that it was offensive to Catholics).



It takes some effort to believe that Saramago is about to turn 84 - not just because of his vivid physical presence, his barely-lined face and the quickness of his eyes and hands when he talks, but also because of his extraordinary productivity.

Although Seeing is published this week in English translation, he has produced another book in the meantime; Las Intermitencias de la Muerte was published last autumn in Portugal, Spain and Latin America (his Spanish wife, Pilar del Rio, translates his books as he goes along so that they can be published simultaneously for his large Spanish readership), and he is now working on an autobiography entitled Peque?Memorias (Little Memories), about his childhood in rural Portugal.

But the image of the venerable novelist shut away in his island retreat, disengaged from the world, could not be further from the truth. Saramago is about to leave Lanzarote for two months of travelling, as he does most years, in part to promote the new novel, but mainly to speak at conferences and presentations on politics and sociology. 'Most of it doesn't have much to do with literature,' he explains, 'but this is a part of my life that I consider very important, not to limit myself to literary work; I try to be involved in the world to the best of my strengths and abilities.' Still a member of the Communist party, Saramago is a vocal opponent of globalisation and many of his best known novels have taken the form of political allegory. Does he believe that the artist is obliged to take on a political role? 'It isn't a role,' he says, almost sharply.

'The painter paints, the musician makes music, the novelist writes novels. But I believe that we all have some influence, not because of the fact that one is an artist, but because we are citizens. As citizens, we all have an obligation to intervene and become involved, it's the citizen who changes things. I can't imagine myself outside any kind of social or political involvement. Yes, I'm a writer, but I live in this world and my writing doesn't exist on a separate level. And if people know who I am and read my books, well, good; that way, if I have something more to say, then everyone benefits.'

Seeing evolved into a kind of sequel to his 1995 novel, Blindness, in which the inhabitants of a republic that may or may not be Portugal are struck by a temporary epidemic of blindness and quickly revert to barbarism. Seeing revisits the same country four years later as it experiences another unprecedented phenomenon: despite the high turnout for the municipal election, when the votes are counted, more than 80 per cent have been returned blank. This wholesale vote of no confidence in any of the political parties makes a farce of the democratic process and the leaders are forced to declare a state of emergency.

'I was giving a talk about my novel, The Double, in Barcelona,' Saramago remembers. 'I have this habit of only talking about my books for a few minutes, then I prefer to spend the time talking about the world in which we find ourselves, a world which is a disaster, and usually I end up talking about the problem of democracy, whether we truly have a democratic system, and I believe that we don't. And in Barcelona, someone asked me, well then, what do you propose? Because I was saying that, in reality, the world is governed by institutions that are not democratic - the World Bank, the IMF, the WTO. People live with the illusion that we have a democratic system, but it's only the outward form of one. In reality we live in a plutocracy, a government of the rich.'

So what was his solution?

'I answered that I didn't have a solution, except that we, as citizens, do have the power of the vote, but we always use it to vote for one or other of the parties on off er. But there is another possibility, which is to cast a blank vote.' He leans forward and points a stern finger. 'And this is not at all the same as abstention. Abstention means you stayed at home or went to the beach. By casting a blank vote, you're saying that you understand your responsibility, you have a political conscience and you came to vote, but you don't agree with any of the existing parties and this is the only way you have of saying so.

'Then I thought about what would happen if the blank votes went up to 50 or more per cent. It would be a way of saying society has to change but the political powers we have at the moment are not enough to effect this change. The whole democratic system would have to be rethought.' He speaks Spanish with a heavy Portuguese inflection, each sentence composed with precision, not at all like the rather breathless, digressive narrative style that has become a hallmark of his novels. Expounding these theories, he comes across as grave and wise, though when he talks about the problems of poverty in Africa or the volatility of most employment, there flares a passionate anger that has fuelled his lifelong commitment to leftist politics.

But there's a twinkle of humour, too, in his mock sternness with his dog as she scuffles around our feet, and a warmth in his exchanges with his wife, who comes in to offer us coffee; as she turns to leave, he impulsively clutches her hand and gives it an affectionate squeeze. I point out that, for all the brave intentions of the blank voters in Seeing, the novel has a bleak end - the authorities simply revert to force, though the protest has been as peaceful as a protest could be; in the end, it seems to have been in vain. I tell him it reminded me of the anti-war demonstrations in London.

'Yes, it all ends badly, because things are not mature,' he says sadly. 'Here in Spain, 90 per cent of the population was against the war and nobody in power was interested. But look what just happened with the employment law in France - the law was withdrawn because the people marched in the streets. I think what we need is a global protest movement of people who won't give up, who won't leave the streets. In Madrid and London, we marched, we did our duty, then we went home and those in power did nothing.

'But we have to keep on demonstrating and demonstrating and demonstrating' - here he breaks into a rich, throaty laugh - 'there's no solution but to say we do not want to live in a world like this, with wars, inequality, injustice, the daily humiliation of millions of people who have no hope that life is worth anything. We have to express it with vehemence and spend days on the street if we have to, until those in power recognise that the people are not happy.'

In a lifetime of political activism, Saramago has witnessed the struggle from various angles. He grew up as the son of landless peasant labourers in a village north east of Lisbon and, although he published his first novel, Land of Sin, at the age of 23, it was another 30 years until he attempted another. In the meantime, he worked successively as a mechanic, civil servant, metalworker, production manager at a publishing house and a newspaper managing editor, until the politico-military coup of 1975 made it impossible for someone of his political colours to find work.

He turned to writing full time, publishing his second novel, Manual of Painting and Calligraphy, in 1976, and producing plays, poetry, essays and newspaper columns until his 1982 historical novel, Baltasar and Blimunda, brought him international recognition. His most successful novels were all written when he was in his sixties and he won the Nobel Prize in 1998, at the age of 76. Why, after so many years and excursions into different genres, did he decide that the novel was the best form for the ideas he wanted to express?

'I think the novel is not so much a literary genre, but a literary space, like a sea that is filled by many rivers. The novel receives streams of science, philosophy, poetry and contains all of these; it's not simply telling a story.' Saramago is often described as a pessimistic writer. I ask if he feels genuinely pessimistic about the future or if he thinks there could be hope for the left?

'We're not short of movements proclaiming that a different world is possible,' he says, heavily, 'but unless we can co-ordinate them into an organic international movement, capitalism just laughs at all these little organisations that do no damage. The problem is that the right doesn't need any ideas to govern, but the left can't govern without ideas. It's very difficult.

'At 83, I don't hope for much, but you are young, you have to keep a perspective. I don't think this novel is going to change the world, but look - those in power are there because we put them there. If they don't get it right, then out! And let others try. There are plenty of reasons not to put up with the world as it is, and if the book has any kind of message, I suppose that's it."