Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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domingo, 11 de dezembro de 2016

Documentário realizado pelo PCP em homenagem a José Saramago (2008)

Pode ser visualizado e recuperado aqui, via YouTube,

"Homenagem do Partido Comunista Português a José Saramago por ocasião do 10.º aniversário da atribuição do Prémio Nobel da Literatura.
Com a presença de José Casanova, Louzã Henriques, Fernanda Lapa, José Santa-Bárbara, Baptista-Bastos, Joaquim Benite, José Sucena, Maria do Céu Guerra, Carmen Santos, Carlos do Carmo e Jerónimo de Sousa."
2.ª Parte
Pode ser visualizado e recuperado aqui, via YouTube,

3.ª Parte
Pode ser visualizado e recuperado aqui, via YouTube,



sábado, 10 de dezembro de 2016

"Homenagem" - Revisitar "Outros Cadernos de Saramago" (10/12/2008)

Revisitar "Outros Cadernos de Saramago"
http://caderno.josesaramago.org/15933.html

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

"Homenagem"
"Hoje, o encontro é na Casa do Alentejo, às 6 da tarde. Como se refere no título, trata-se de uma homenagem. Homenagem a quem? A ninguém em particular, pois que ela contemplará as próprias Letras Portuguesas na sua totalidade, por assim dizer de A a Z, celebradas num acto de canto e de leituras a cargo de vinte escritores, actores e jornalistas que, generosamente, puseram o seu tempo e o seu talento ao serviço de uma ideia nascida na Fundação. O dia escolhido, este 10 de Dezembro de 2008, rememora a entrega do Prémio Nobel a um escritor português que, no seu discurso de agradecimento, entendeu dever partilhar a distinção não só com todos os escritores seus contemporâneos, sem excepção, mas também com os que nos antecederam, aqueles que, no dizer de Camões, da lei da morte se libertaram. Serão lidos ou cantados textos dos seguintes autores: Antero de Quental, Padre António Vieira, Vitorino Nemésio, José Cardoso Pires, Ruy Belo, Sophia de Mello Breyner, Pedro Homem de Mello, Miguel Torga, Eça de Queiroz, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos, Camilo Castelo Branco, Manuel da Fonseca, Almada Negreiros, José Gomes Ferreira, Teixeira de Pascoaes, Raul Brandão, Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Aquilino Ribeiro, Almeida Garrett, Luís de Camões, Carlos de Oliveira e Fernando Namora. Um verdadeiro quadro de honra que a todos deve honrar-nos."

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"Conversaciones que le cambiarán la vida - Homenaje a José Saramago" - Feria do Libro del Bogotá (2013)

"Conversaciones que le cambiarán la vida - Homenaje a José Saramago"

Pode ser recuperado e visualizado, aqui 

"En conversación con Laura Restrepo, Pilar del Río, esposa del nobel portugués nos habla de los últimos momentos del escritor y de su emotiva despedida."

domingo, 19 de junho de 2016

Momentos da homenagem "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"


Aline Frazão interpreta música do seu álbum "Insular"
"O homem que queria um barco", baseado na obra de José Saramago "Conto da Ilha Desconhecida"

Pode ser visualizado, via YouTube, aqui

Presidenta Pilar del Río, apresentou em castelhano extracto de um 
capítulo inédito da obra "Jangada de Pedra", que faz parte da edição espanhola

Pedro Lamares, deu voz à "Jangada de Pedra"

Apresentação de imagens inéditas do filme documentário "José e Pilar"

A Oliveira que nos acolhe à chegada da Fundação José Saramago
"Casa dos Bicos" em Lisboa

"Nos seis anos da partida de José Saramago" do professor Carlos Reis

O presente texto, pode ser recuperado e consultado, através do site "Figuras da Ficção" do professor Carlos Reis, aqui
em https://figurasdaficcao.wordpress.com/2016/06/18/a-personagem-segundo-saramago/
Palavras proferidas no elogio fúnebre (20/06/2010) 

"Nos seis anos da partida de José Saramago" - Professor Carlos Reis

"Das personagens de José Saramago, magistral inventor de ficções que ecoam no quotidiano palpável das nossas vidas, bem podemos dizer que são mestres do escritor e nossos mestres, sempre que nas suas ações, nos seus rostos e nas suas palavras reencontramos a sabedoria de homens e de mulheres legitimados pela  autonomia e pela incondicional possibilidade que a  ficção lhes confere; homens e mulheres chamados Baltasar e Blimunda, Ricardo Reis e Bartolomeu Lourenço, Raimundo Silva e José,  Maria Sara e Oriana, Lídia e Maria de Magdala, Joana Carda e Cipriano Algor,  o elefante Salomão e o seu cornaca, Tertuliano Máximo Afonso e António Claro,  sua cópia exata e duplicada – ou vice-versa.   E mesmo quando o nome não está lá – como em Ensaio sobre a Cegueira e em Ensaio sobre a Lucidez – é a sua omissão, como falso anonimato,  que alegoricamente projeta  os homens e as mulheres da  ficção sobre o mundo real em que revemos dramas e conflitos ficcionais identificados como  nossos e porventura com os nossos nomes.  Citando um título conhecido: identificados com Todos os Nomes que no nosso mundo se encontram; ou ainda, lembrando palavras do escritor, no discurso de Estocolmo: “Não escritos, todos os nossos nomes estão lá.”  
José Santa-Bárbara, "Os fazedores do capricho"

São estas figuras e outras mais (sem esquecer um cão chamado Constante), com nome inscrito ou sem ele, que nos provocam  (provocare: chamar para fora),  ao mesmo tempo que nos  propõem sentidos que os transcendem e que nos transcendem, sob o signo do poder subversivo da linguagem. É esse poder que José Saramago invoca, quando um  minúsculo e redondo vocábulo – um simples não – suscita a  reconstrução histórica  de um universo afinal fragilizado por esse poder subversivo; e é ainda em clave de subversão que o romancista enuncia a alegoria da fratura e da deriva, engenhosa indagação ficcional do destino ibérico; ou a metáfora do regresso e do reencontro com a pátria, sentidos camonianos mas também, à sua maneira,  pessoanos; ou a imagem do coletivo e do seu poder redentor, no termo de  um processo histórico  que conduz à libertação dos levantados do chão; ou a imagem da construção e a sugestão ascensional que a confirma, quando se ergue  o convento que a vontade real idealizara, ao mesmo tempo que a passarola voa; ou a representação da cegueira coletiva em que se surpreende uma condição humana degradada na repulsiva violência do seu egoísmo. Isso tudo e também o árduo trajeto da existência humana, a dissolução da identidade, a contestação da ortodoxia religiosa, a celebração da rebeldia, a revisão da palavra bíblica, a questionação da culpa ou a  denúncia da arbitrariedade divina."
(Extrato do elogio fúnebre; Lisboa, 20 de junho de 2010)

O
Post do Facebook, 18/06/2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Homenaje a Saramago" pelo grupo parlamentar Podemos - A Casa em Tías - Lanzarote

"Este próximo sábado, 18 de junio, parlamentarias y parlamentarios de Podemos, rendiremos homenaje al maestro José Saramago. 
Será en su casa, recorreremos su vivienda, el lugar donde en los últimos 19 años escribió todos sus libros, desde el "Ensayo sobre la ceguera" hasta el último e inacabado "Alabardas", pasearemos por su jardín, tomaremos café en la cocina, para acabar en la Biblioteca, donde leeremos pequeños fragmentos de su obra, aquellos que por alguna razón nos parecen más significativos, o simplemente nos impactaron más. 
Será a partir de las 10.30"


Mais informações via página do Facebook "A Casa José Saramago", aqui


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Moeda em homenagem a José Saramago apresentada na Casa dos Bicos (22/05/2013)

A informação pode ser recuperada, através do portal da INCM, aqui


"No dia 22 de maio, durante uma cerimónia que decorreu na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, foi apresentada oficialmente a moeda de coleção comemorativa que presta homenagem ao autor português e que integra a Série Europa, este ano dedicada aos escritores europeus.

O evento contou com a presença do criador da moeda, o escultor Vítor Santos, responsável, entre outros trabalhos, pela face nacional das moedas de euro, tendo a apresentação ficado a cargo de António Osório, presidente do conselho de administração da INCM, e de Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago.

«Hoje comemora-se o dia do autor português e que melhor forma de homenagear o autor português do que com a cunhagem de uma moeda dedicada à sua obra», sublinhou António Osório, que assim dava início à apresentação da moeda, perante uma plateia repleta de admiradores do escritor.

O presidente do conselho de administração da INCM prosseguiu a sua intervenção dizendo que «este ano, juntamente com outros países europeus, decidiu-se emitir uma moeda comemorativa, cujo tema escolhido são os escritores europeus. Aqui em Portugal foi decidido que seria cunhada uma em homenagem a Saramago. A escolha foi óbvia.» Em seguida, após ter sido exibido um vídeo que dava a conhecer todo o processo de produção da moeda, foi a vez de Pilar del Río proferir algumas palavras, começando por questionar se Saramago, em consonância com os ideais que defendia, estaria de acordo com a emissão de «dinheiro» com a sua face encastrada, no entanto a antiga companheira do escritor acabou por citar São Francisco de Assis: «Não há que ser pobre com os pobres, há que evitar a pobreza.»"


"O evento encerrou com uma recitação de vários textos da autoria de José Saramago pela voz de Filomena Oliveira, do grupo de teatro Éter, escutados com muita atenção por todos os presentes, que assim tiveram oportunidade de confirmar o génio, o talento e a capacidade visionária do autor de obras intemporais como A Jangada de Pedra ou o Memorial do Convento. 

Moedas que celebram grandes nomes da literatura europeia

A moeda criada por Vitor Santos em homenagem ao escritor português exibe no seu anverso uma representação estilizada do rosto de Saramago, com os títulos de alguns dos seus livros a compor os seus cabelos, surgindo no reverso uma alusão ao Prémio Nobel da Literatura, galardão conferido a Saramago pela Academia sueca em 1998. 

Integrada na Série Europa, esta moeda de coleção comemorativa tem o valor facial de € 2,50 e conta com uma emissão limitada a 2500 exemplares em ouro 999/1000 e 2500 exemplares em prata 925/1000, com acabamento proof, e 100 000 exemplares em cuproníquel com acabamento normal.

As moedas que integram a Série Europa são emissões oficiais em euros de vários países europeus, realizadas em conformidade com as normas do Banco Central Europeu e subordinadas a uma temática anual comum, embora cada uma delas seja específica do Estado que a emite e só aí tenha curso legal.

A emissão destas moedas de coleção comemorativas pretende colocar em evidência o património e a diversidade cultural que compõem a identidade europeia, um projeto que conta com a participação da INCM desde o seu lançamento em 2004.

Este ano, além do Nobel português, encontram‑se também representados nas moedas que fazem parte da Série Europa outros grandes nomes da literatura europeia, tais como o francês Gustave Flaubert, o espanhol Miguel de Cervantes, o austríaco Stefan Zweig ou o irlandês James Joyce." 

sexta-feira, 11 de março de 2016

"Recordando a José. Voces de mujer en la obra de Saramago" - Homenagem realizada pela "Alfaguara" e "Casa de América" (14/06/2011)

Pode ser visualizado via YouTube, aqui 
em https://www.youtube.com/watch?v=vwaxXsGszkQ

"Cuando se cumple un año de la pérdida de José Saramago, la editorial Alfaguara y Casa de América hemos querido rendir tributo a este icono de literatura mundial con un homenaje que lleva por título "Recordando a José. Voces de mujer en la obra de Saramago".

El acto, celebrado el pasado 14 de junio de 2011, consistió en una lectura dramatizada de una selección de textos del propio autor realizada por su esposa y traductora, Pilar del Río, y por el director teatral Antonio Castro.

Las actrices Aitana Sánchez-Gijón, Pilar Bardem y Pastora Vega, junto a la bailaora María Pagés, acompañaron a Pilar del Río en la lectura de fragmentos de Ensayo sobre la ceguera, Memorial del convento o Las intermitencias de la muerte, entre otras obras del escritor portugués. El acto fue coordinado por la directora teatral mexicana Gema Aparicio."

domingo, 20 de dezembro de 2015

Homenagem a José Saramago pela "Biblioteca Provincial de Huelva" através da "Aula José Saramago"

"Homenaje a José Saramago en la Biblioteca Provincial de Huelva
Gracias a los amigos y amigas de la Biblioteca Provincial de Huelva por sumarse al homenaje que, cada 16 de noviembre, proponemos desde el Aula José Saramago; gracias por compartir con nosotros este entrañable documento visual…"

Info aqui em 
e

Pode ser visualizado, aqui via YouTube,

"Video del homenaje a José Saramago celebrado en la Biblioteca el pasado 16 de noviembre de 2015
Un nutrido grupo de usuarios de la Biblioteca, miembros de la Asociación literaria Nueva Horizonte, de los clubes de lectura y del Aula José Saramago, se dieron cita el pasado 16 de noviembre, fecha del aniversario del nacimiento del queridísimo escritor José Saramago, para rendirle un sincero y cálido homenaje leyendo pequeños fragmentos de su obra autobiográfica “Las pequeñas memorias”


"Participa en la lectura homenaje a José Saramago el próximo 16 de Noviembre
Diego Mesa, coordinador del Aula José Saramago que estuvo funcionando en nuestra Biblioteca, nos propone llevar a cabo un pequeño homenaje al Nóbel portugués: ¿qué os parece realizar algo en el vestíbulo de entrada de nuestra Biblioteca para el lunes 16 de noviembre a las 18:30 horas y así lograr mayor visibilidad para este evento"

domingo, 26 de julho de 2015

"José Saramago - Homenaje a las Madres de Plaza de Mayo"


"José Saramago - Homenaje a las Madres de Plaza de Mayo"
Madres Coraje, Homenaje a las Madres de Plaza de Mayo 
Realizado por Emilio Cartoy Diaz para Tea Imagen y Radio Tea.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Escultura de César Molina em homenagem a José Saramago - Pontedera, Itália (XIX Festival Sete Sóis Sete Luas)


Escultura do andaluz César Molina, em homenagem a José Saramago
Pontedera, Itália (XIX Festival Sete Sóis Sete Luas)


Reportagem do jornal Público, em

"A inauguração de uma passarola em Pontedera (Itália,) em homenagem a José Saramago, presidente honorário do Festival Sete Sóis Sete Luas, constitui um dos pontos altos da XIX edição do certame, que começa na quarta-feira, em Lisboa.
A iniciativa foi hoje anunciada em Lisboa pelo director do festival, Marco Abbondanza, numa conferência de imprensa para apresentação do certame, cuja abertura decorre na quarta-feira com um concerto da cantora italiana Pietra Montecorvino, a realizar no Instituto Italiano de Cultura.

Em declarações à Lusa, Marco Abbondanza acrescentou que a inauguração do monumento, do escultor andaluz César Molina, - que qualificou como “um símbolo iluminista à semelhança de Saramago que mostrou que podemos construir o nosso próprio destino” - está marcado para 16 de Julho frente ao Centrum Sete Sóis Sete Luas em Pontedera, uma comuna italiana da região da Toscana, na província de Pisa. 
“Ao longo dos mais de 20 anos de relacionamento que manteve connosco, José Saramago deu-nos uma lição de vida e foi a primeira pessoa a aderir a este festival, um certame que pretende dar ênfase às manifestações artísticas e culturais mediterrânicas e dos países lusófonos”, afirmou. 
O monumento fica situado no pátio do Centrum, numa praça que em 2012, por ocasião da 20ª edição do festival, passará a chamar-se “Piazza José Saramago”, acrescentou o director do festival. 

À inauguração do monumento sucede a estreia em Itália do documentário “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes, que será exibido em todas as localidades italianas que aderem à rede do festival Sete Sóis Sete Luas, incluindo na casa do embaixador português em Roma, numa iniciativa que conta com o apoio do Instituto Camões. 
A rede do festival integra 25 cidades de 10 países da bacia do Mediterrâneo e mundo lusófono (Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Brasil). 
Capri (Itália) e Ceuta (Espanha) são duas das novas cidades que este ano aderiram ao Sete Sóis Sete Luas, enquanto Vila Real e Azinhaga do Ribatejo - terra natal de Saramago - não participam nesta edição do festival devido a cortes financeiros, explicou à Lusa Marco Abbondanza. 
Ponte de Sor, Alfândega da Fé, Reguengos de Monsaraz, Castro Verde, Odemira e Oeiras são as localidades portuguesas onde decorrerá o festival, sendo nesta última vila que decorre a maioria dos concertos de música que, este ano, terão entradas pagas pela primeira vez devido às dificuldades financeiras que as autarquias atravessam, acrescentou o director do certame. 
Sebastião Antunes (Itália e Cabo Verde), Ronda dos Quatro Caminhos (França) Galandum Galundaina (Ceuta), José Barros na voz e direcção da 7Sóis, Med.Kriol.Orkestra (que actuará em todas as cidades italianas aderentes) e Pedro Mestre (viola campaniça) que actuará na Croácia, França e em Espanha são os artistas portugueses que participam na edição deste ano do festival. 
Já em Portugal far-se-ão ouvir artistas como os Tenores de Neoneli (Sardenha), os grupos espanhóis Toma Castaña, Orkestra Chekara Flamenca, Zoobazar, Dos Orillas e Sinetiketa, os italianos Tinturia e Flokabbestia, o croata Franko Krajkar e a israleita Esta."

(a incansável disponibilidade de Pilar del Río) 


Link da Antena1 com referência à reportagem do "Festival 7 Sóis, 7 Luas - 2011" http://www.rtp.pt/antena1/?t=Apoio-A1-Festival-7-Sois-7-Luas-2011.rtp&article=3840&visual=10&tm=11&headline=14

"A inauguração de um monumento em Pontedera, Itália, em homenagem ao escritor José Saramago, constitui um dos pontos altos do XIX Festival Sete Sóis Sete Luas, anunciou, ontem, em Lisboa, em conferência de imprensa, o seu director. Marco Abbondanza disse que a inauguração do monumento – “um símbolo iluminista, à semelhança de Saramago, que mostrou que podemos construir o nosso próprio destino” –, do escultor andaluz César Molina, é no dia 16 de Julho. “Ao longo dos mais de 20 anos de relacionamento que manteve connosco, José Saramago deu-nos uma lição de vida e foi a primeira pessoa a aderir a este festival, que pretende dar ênfase às manifestações artísticas e culturais mediterrânicas e dos países lusófonos”, frisou o responsável. O monumento fica no pátio do Centrum, numa praça que, em 2012, por ocasião da 20ª edição do festival, passa a chamar-se “Piazza José Saramago”, referiu. À inauguração do monumento sucede à estreia, em Itália, do documentário “José e Pilar”, da autoria do cineasta Miguel Gonçalves Mendes, que vai ser apresentado em todas as localidades italianas que aderiram à rede do festival Sete Sóis Sete Luas. A rede do festival é constituída por 25 cidades de dez países da bacia do Mediterrâneo e por Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Brasil. Capri, Itália, e Ceuta, Espanha, são duas das novas cidades que aderiram, este ano, ao festival Sete Sóis Sete Luas, enquanto Vila Real e Azinhaga do Ribatejo – terra natal de Saramago – não participam devido a cortes financeiros, disse Marco Abbondanza."
(Notícia do site Jornal de Angola, 28 de Junho de 2011)

Link do site oficial do Festival, em http://www.festival7sois.eu/pt-pt/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

«Não há palavras, Saramago levou-as todas» - Discurso de Gabriela Canavilhas

Aqui o link da TSF
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1598325

O portal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, transcreveu o discurso.
Aqui, em http://www.mst.org.br/node/10128

20 de Junho de 2010

Saramago e a "luta contra as injustiças"

"Leia discurso da ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas, na cerimónia de homenagem a José Saramago, que faz referência à luta do escritor comunista contra as injustiças e em defesa das "causas dos Sem Terra".

Abaixo, leia o discurso.
Sr. Primeiro-Ministro
Senhores membros do Governo
Sr. Presidente da Câmara de Lisboa
Sra. Vice-Presidente do Governo de Espanha
Ilustres individualidades presentes
Caras Pilar Del Río, Violante Saramago, e seus filhos,
Senhoras e Senhores,

Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra, um soldado maneta, uma mulher que tinha poderes, e um padre que queria voar numa Passarola e que morreu doido;
Era uma vez Jesus, que disse a Maria Magdalena - “quero estar onde a minha sombra estiver, se lá é que estiverem os teus olhos”;
Era uma vez um cão que lambeu as lágrimas a uma mulher desesperada num mundo de cegos, desejando também cegar para ser poupada aos horrores que a vista lhe trazia;
Era uma vez a morte, que tinha um plano e que o cumpriu – abraçou-se ao homem sem que ele compreendesse o que lhe estava a suceder, e ela, a morte, que nunca dormia, deixou descair suavemente as pálpebras enquanto adormecia; no dia seguinte, ninguém morreu;
Era uma vez um homem, que quando morreu, partiram 2 pessoas: saiu ele, de mão dada com a criança que foi – tal como o próprio José Saramago previu, nas suas próprias palavras.
Era uma vez e tantas outras vezes, o respeito à terra e aos homens, a luta contra as injustiças, a defesa dos direitos humanos, a denúncia contra a guerra do Iraque ou contra a ocupação palestiniana, as causas dos Sem Terra, do movimento anti-globalizante, da preservação do ambiente, ou do anti-clericalismo desassombrado.
Estas e tantas outras, foram as histórias com que o ateu místico, religioso laico, interrogador de Deus e dos homens, José Saramago, “comunista hormonal” nas suas palavras, questionou Portugal e o mundo incessantemente, directa ou metaforicamente.
A liberdade do pensamento define o criador: Saramago foi voz lúcida, inconformada, firme, insubmissa na luta contra a desigualdade entre os homens – esta sim “a verdadeira miséria”, dizia.
Parte da imensa receptividade que as suas obras têm merecido em todo o mundo, e que a atribuição do Nobel cimentou e glorificou, deve-se a esse carácter humanista, à esperança que a sua obra impõe ao Homem.
Recebeu o Prémio Nobel da Literatura... pela sua capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia, com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia», segundo a Academia Sueca.
Fiel ao seu compromisso com a consciência, usou a escrita para uma reflexão sobre as grandes causas da humanidade, edificando uma obra coerente, ousada, sólida, moldada pela ética, visando, sempre, a dignificação do Homem.
E fê-lo por vezes subvertendo normas - quer de narrativa (o seu estilo é inconfundível, nas suas frases longas e de pontuação singular), quer enfrentando dogmas - não tinha fé em Deus (mas certamente Deus teve fé nele).
Para ele a escrita, enquanto forma de expressão do pensamento e de intervenção intelectual, foi instrumento, foi arma, foi agente provocador e plataforma de interrogação permanente do indivíduo e da sociedade.
Com a sua actividade cívica aliada à criação literária, cumpriu aquilo que é mais caro aos criadores e aos artistas – conseguiu com a sua obra fazer pensar os destinatários, perturbar os conformados, incomodar as consciências e aguçar a lucidez.
Deixa a Fundação José Saramago, à qual se dedicará a companheira e musa da sua vida, Pilar Del Rio, força inabalável que foi determinante na sua alma e na sua obra, a quem também prestamos aqui homenagem. Fundação José Saramago que assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos e o cuidado do meio ambiente.
Enquanto escritor português, José Saramago deu um incontestável contributo para a afirmação e difusão da Língua Portuguesa, para a divulgação da Literatura Portuguesa e para a união do mundo lusófono. Embaixador da cultura portuguesa no mundo, a influência da sua obra estendeu-se a um amplo espectro de outras expressões artísticas - na ópera, no cinema, nas artes visuais, sublinhando a universalidade da sua linguagem.
A Literatura Portuguesa, as Literaturas em Português, com Saramago, adquiriram ressonância internacional e prestígio global, pela universalidade das questões que o Escritor agarra e reflecte com tenacidade e vigor, e pelo génio sísmico com que as dá a ler, a pensar, através da sua escrita.
Portugal homenageia hoje o homem, simples, sensível e corajoso;
Portugal celebra em Saramago, a sua humanidade, grandeza e universalidade;
Portugal orgulha-se do Escritor e engrandece-se com a sua obra, poliédrica, ímpar e seminal.
Portugal agradece, sentida e sinceramente, o encontro mágico de Saramago com a Literatura, e o lugar único e perene que José Saramago ocupará para sempre na Literatura e na Cultura do mundo.
Como escreveu ontem um amigo a Pilar, - Não há palavras. Saramago levou-as todas…
Obrigado José Saramago."