José Saramago. Uma visão apaixonada, sobre o homem que da Estátua descobriu a Pedra.
Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"
Rui Santos
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
"Tratos Y Retratos" de Silvia Lemus entrevista José Saramago (Canal 22 México) - Maio de 2003
"Tratos Y Retratos é um programa organizado pela jornalista Silvia Lemus, reúne um grupo excepcional de artistas, escritores, pensadores, cineastas de renome universal, como Umberto Eco, Sebastião Salgado e José Saramago. O programa é uma produção do Canal 22, do México.
José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura 1998, é um dos escritores mais conhecidos e apreciado no mundo inteiro. Na Espanha, após a primeira publicação de O Ano da Morte de Ricardo Reis, em 1985, sua obra literária merece a melhor recepção dos leitores e críticos. Além deste volume, outros grandes títulos são Manual de Pintura e Caligrafia, quase um objeto, História do cerco de Lisboa, A Jangada de Pedra, Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus, todos os nomes, levantou, Ensaio sobre Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna, o homem duplicado, Ensaio sobre a clareza, a morte intermitentemente, Poesia Completa e Cadernos de Lanzarote I e II. Alfaguara publicou também Viagem livro em Portugal e no conto O Conto da Ilha Desconhecida.
Entrevista realizada em maio de 2003, Saramago critica a atual democracia, em que há o aumento das diferenças sociais e desrespeito aos direitos humanos. Faz uma interessante observação da invasão do Iraque, em que os interesses não se limitam apenas ao petróleo."
https://www.youtube.com/watch?v=unVHpMe97R0&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=tY5EWrw6z-s
https://www.youtube.com/watch?v=KvZZnUzDK_4
https://www.youtube.com/watch?v=oemfRV9ig9w
sábado, 7 de janeiro de 2017
"No nos abandones" - Revisitar "Outros Cadernos de Saramago" (7/1/2009)
Revisitar "Outros Cadernos de Saramago"
http://caderno.josesaramago.org/20058.html
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
http://caderno.josesaramago.org/20058.html
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
"No nos abandones"
"Vai o título em castelhano porque assim foi a frase dita. Este escrito também poderia chamar-se “Os silêncios de Marcos”, o que esclarece tudo. A prosa de hoje refere-se ao mítico, ainda que muito real, subcomandante. A poucas pessoas admirei tanto em minha vida, de pouquíssimas esperei tanto. Nunca lho disse pela simples razão de que estas coisas não se dizem, sentem-se e por aí se ficam. Questão de pudor, parece. Quando os zapatistas saíram da Selva Lacandona para chegarem ao Zócalo depois de terem atravessado meio México, eu estava ali, um entre um milhão. Conheci a exaltação, o pulsar da esperança em todo o corpo, a vontade de mudar para converter-me em algo melhor, menos egoísta, mais capaz de entrega. Marcos falou, nomeou todas as etnias de Chiapas, e a cada uma foi como se as cinzas de milhões de índios se tivessem desprendido dos túmulos e outra vez reencarnado. Não estou a fazer literatura fácil, tento, canhestramente, pôr em palavras o que nenhuma palavra pode expressar: o instante em que o humano se torna sobrehumano e, do mesmo passo, regressa à sua mais estreme humanidade.
No dia seguinte, no campus modesto de uma faculdade universitaria, houve um comício que reuniu alguns milhares de pessoas e aí se falou do presente e do futuro de Chiapas, da luta exemplar das comunidades índias que eu sonhava ver um dia estendida a toda a América (tranquilizem-se os tímidos, não aconteceu). Na tribuna estavam, entre outros, Carlos Monsivais, Elena Poniatowska, Manuel Vázquez Montalbán, eu próprio. Todos falámos, mas o que a gente queria era ouvir Marcos. O seu discurso foi breve, mas intenso, quase insuportável para o sistema emotivo de cada um. Quando tudo terminou fui abraçar Marcos e foi então que ele me disse ao ouvido, numa voz apenas sussurrada: “Não nos abandones”. Respondi-lhe no mesmo tom: “Teria que abandonar-me a mim mesmo para que isso sucedesse”. Nunca mais o vi até hoje.
Pensei, e disse-o, que Marcos deveria ter falado no Congresso. Por decisão da “comandancia” interveio a comandante Esther, e fê-lo admiravelmente. Comoveu o México inteiro, mas, repito, em meu entender, era Marcos quem deveria ter falado. O significado político da uma intervenção sua culminaria de maneira mais eficaz a marcha zapatista. Assim pensava e assim continuo a pensar. O tempo passou, o processo revolucionário variou os rumos, Marcos saiu da Selva Lacandona. Durante o último ano Marcos guardou um silêncio total, deixou-nos órfãos daquelas palavras que só ele saberia dizer ou escrever. Sentimos-lhe a falta. No dia 1 houve em Oventic um encontro para celebrar e recordar o início da revolução, a tomada de San Cristóbal de las Casas, os altos e baixos de um caminho difícil. Marcos não foi a Oventic, não mandou sequer uma mensagem, uma palavra. Não compreendi, e continuo a não compreender. Marcos, há poucos dias, anunciou para o ano que entrou uma nova estratégia política. Oxalá, se a antiga perdeu as virtudes. Oxalá, sobretudo, que não volte a calar-se. Com que direito o digo? Com o simples direito de quem não abandonou. Sim, de quem não abandonou."
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segunda-feira, 19 de setembro de 2016
José Saramago - "Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada pela Cátedra Alfonso Reyes (01/12/1999)
Cátedra Alfonso Reyes
"Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada a 1 de Dezembro de 1999
Monterrey - México
Pode ser recuperada e visualizada, via YouTube, aqui
"Diálogo con estudiantes en el que José Saramago reflexiona sobre su obra
literaria y su concepción de la literatura."
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Recuperação da entrevista ao "SinEmbargo" do México "Pilar del Río habla de Saramago y del “horror” por los desaparecidos" - (07/12/2014)
Recuperação da entrevista ao "SinEmbargo" do México "Pilar del Río habla de Saramago y del “horror” por los desaparecidos" - (07/12/2014)
Trabalho de Mónica Maristain, pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.sinembargo.mx/07-12-2014/1184977
–En este contexto presentas la última novela de José. ¿Cuándo la leíste?
–La iba leyendo mientras la iba escribiendo. Luego de que él murió tardé mucho tiempo en retomarla, me daba prurito, era casi como una intromisión.
–¿Estaba acordado con él que iba a salir Alabardas?
–No. Él murió en junio y en agosto tuvimos una reunión en Lanzarote con todos sus editores y ahí acordamos sacarla, sin prisa. La verdad es que no teníamos prisa. La hemos sacado ahora porque estamos en el centenario de la Segunda Guerra Mundial y esta es una novela cuya acción transcurre en una empresa de armas que existen en México, que existen en otros países y con las que convivimos a diario como si fabricaran golosinas o jabones. Como si fueran una pastelería cuando en realidad son empresas que fabrican máquinas para matar.
–¿Qué aporta la novela de Saramago a este contexto de mundo donde la gente está más preocupada en armarse que en vivir?
–Saramago decía que no había que volver al individualismo, pero sí que había que volver al individuo, destacar la importancia del ser humano. Nosotros sabemos que hay fábricas que hacen armas, que se fabrican armas bajo una cortina legal, que hay trabajadores abocados a la tarea de que esa arma que va a matar al prójimo quede perfecta, sea eficaz. Convivimos a diario con las armas y sólo cuando nos afecta a nosotros nos extrañamos de esa situación. Los mayores conflictos no están representados por las luchas armadas en distintas partes del mundo sino por la muerte individual. ¿Qué podemos hacer ante eso? Creo que necesitamos un stop ya. Frenar. Habrá que buscar otra forma de gobierno y de defensa, pero hay que parar con el armamentismo ya. No podemos volver a la ley de la selva porque nos falta un paso para llegar a la horda.
–La novela llega entonces en el momento adecuado
–Sí. José Saramago tenía esa misión. En el mundo desarrollado, cuando todos parecían felices, él publica Ensayo sobre la ceguera. Publicó Ensayo sobre la lucidez cuando hacía falta reforzar el poder ciudadano.
Trabalho de Mónica Maristain, pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.sinembargo.mx/07-12-2014/1184977
(La periodista española, esposa de José Saramago,
visita todos los años la FIL Guadalajara. Foto: FIL)
"Guadalajara, Jalisco (SinEmbargo).– No hacía falta ningún pretexto para que la periodista española Pilar del Río expresara abiertamente su solidaridad con los estudiantes desaparecidos de la escuela Normal Rural de Ayotzinapa, pero la presentación del libro póstumo de su marido José Saramago (1922-2010) fue un ámbito ideal para ello.
Acompañada por la periodista y activista mexicana Lydia Cacho y por la escritora argentina Claudia Piñero, Del Río se refirió a Alabardas, el último regalo del Nobel portugués, inspirado en una anécdota de la Guerra Civil española, cuando una bomba que cayó en Extremadura, en lugar de explotar dejó ver una leyenda que decía “esta bomba no matará a nadie”.
El explosivo había sido “intervenido” por la Resistencia y su historia dio origen al último libro de Saramago, un tratado antiarmas que resulta muy oportuno para el difícil momento político y social que atraviesa nuestro país y que fue presentado este miércoles en la 28 Feria Internacional del Libro en Guadalajara que transcurre aquí hasta el próximo 7 de diciembre.
Alabardas es un libro inconcluso. Está integrado por 20 cuartillas ordenadas por el propio escritor y se completa con textos de Roberto Saviano y Fernando Gómez Aguilera e ilustraciones de Günter Grass. En él, el autor portugués de Memorial del convento y Ensayo sobre la ceguera, entre otros, expresa “su coherencia literaria e ideológica. Está su prosa exquisita, su ideología y en el apartado de notas puedes ver cómo fue construyendo el libro. Es toda una clase de escritura”, según Piñeiro.
“Queda la sensación de que este libro llega inacabado para que nosotros lo terminemos. Vivimos en un momento en el que el gobierno parece empeñado en instalar el miedo. Tendremos que escribir la segunda parte y entregársela a Pilar”, dijo a su tiempo Lydia Cacho.
“ Nos dicen que las armas vienen de Estados Unidos, pero los que estamos investigando por todo el país sabemos que hay armas hechas en Brasil. Es necesario que discutamos lo que estamos haciendo en Latinoamérica con este tema”, agregó la autora de Los demonios del edén.
En la novela, Arthur Paz Semedo descubre una caja de la que es imposible saber qué contiene porque Saramago murió. A partir de este hecho, Claudia Piñeiro leyó un texto en el que creó un paralelismo entre el personaje y los normalistas desaparecidos en Iguala, Guerrero.
“Así como no podemos saber qué contenía la caja porque la muerte sorprendió a Saramago, tampoco podemos saber qué tipo de maestros hubieran sido esos normalistas porque los desaparecieron. No digo la muerte porque vivos se los llevaron y vivos los queremos”, afirmó la autora de Betibú.
La escritora anunció además que la delegación de escritores argentinos había firmado un comunicado en solidaridad con las familias de Ayotzinapa “porque nos parece imposible estar acá y no opinar. Sabemos que hay una ley mexicana que prohíbe que los extranjeros opinen sobre los temas nacionales, pero no nos van a poder llevar a la cárcel porque tantos argentinos juntos en un mismo lugar nadie los soporta”, bromeó, para luego agregar más seria que “la literatura nos hermana, sobre todo en este tema que nos es tan cercano”.
Ya en entrevista con SinEmbargo, Pilar del Río mostró su “nostalgia y satisfacción” porque pese “a que ya no están las figuras tutelares”, ha disfrutado mucho esta edición donde presentó el libro póstumo de José Saramago.
“He visto mucha complicidad entre los autores. No conozco cómo va la parte de los negocios, pero vi a mucha gente en los salones y sobre todo he visto una gran necesidad de la gente para festejarse entre sí. Supongo que tiene que ver con la situación que estamos viviendo en el mundo. Si encontramos una ocasión de ser felices, ¿por qué la vamos a desaprovechar?”, se Del Río en forma retórica.
–José Saramago hubiera sido el primero en manifestarse en solidaridad con los 43 estudiantes desaparecidos, ¿verdad?
–Pues, es muy difícil decir lo que hubiera hecho una persona que ya no está, pero sí podemos ver lo que ha hecho. Él vino a Acteal desde Lanzarote, España, para estar con los sobrevivientes de aquella masacre. Fue a Palestina cuando Ramala estaba rodeado. Fue a Timor cuando Indonesia había rodeado a los habitantes descendientes de portugueses, aunque no sólo a ellos; estuvo con los saharauis… Creo que Saramago estaba con las personas que buscaban la autonomía, la independencia, con los que no querían ser tutelados y, por supuesto, condenaba la violencia.
–¿Qué le daba a él este instinto para estar siempre del lado correcto, por decirlo así?
–Me parece que siempre supo distinguir muy bien quién era su gente y quién no. Solía decir que no conocía los entresijos del poder ni el poder en sí. Sin embargo, en los ’80 escribió un libro como Levantado del suelo (Relata la historia del pueblo de Lavre en el Alentejo portugués desde 1910 hasta 1979, incluyendo la Revolución de los Claveles el 25 de abril de 1974). Y siempre escribió sobre hombres y mujeres que buscaron ser ellos mismos en su memoria, en su identidad, desde la libertad usando la razón y la conciencia.
–Eso te unió mucho a él, ¿verdad? Tú eres alguien muy interesado también en luchas sociales…
–Bueno, nos conocimos porque a mí sus libros me resultaron como un mazazo en la conciencia. Independientemente de hacerme más lectora, no podía entender que se escribiera de esa manera, tan absolutamente deslumbrante, y luego con tanta compasión, tanta belleza y una visión de la historia que compartía. Eso es lo que me llevó a él.
–¿Qué te despierta la situación que se vive en México?
–Primero el horror por los 43 estudiantes desaparecidos, pero después el horror por la cantidad de fosas comunes llenas de cadáveres de personas cuyas desapariciones no fueron denunciadas. No son 43, ni mil, son 100 mil, 150 mil, y eso me aterra. Me resuena el grito de Elena Poniatowska en el sentido de qué se puede esperar de un país que siempre cadáveres por todo su territorio. Si siembras cadáveres recogerás muerte. José Saramago, en una situación similar en Colombia, dijo que Colombia tenía que vomitar a sus , porque si ellos no sabían por qué habían muerto nosotros teníamos que saber por qué habían vivido y por qué habían sido asesinados. Cuáles eran sus nombres, sus señas de identidad. ¿Cómo es posible que un país tan culto como México permita esto?–En este contexto presentas la última novela de José. ¿Cuándo la leíste?
–La iba leyendo mientras la iba escribiendo. Luego de que él murió tardé mucho tiempo en retomarla, me daba prurito, era casi como una intromisión.
–¿Estaba acordado con él que iba a salir Alabardas?
–No. Él murió en junio y en agosto tuvimos una reunión en Lanzarote con todos sus editores y ahí acordamos sacarla, sin prisa. La verdad es que no teníamos prisa. La hemos sacado ahora porque estamos en el centenario de la Segunda Guerra Mundial y esta es una novela cuya acción transcurre en una empresa de armas que existen en México, que existen en otros países y con las que convivimos a diario como si fabricaran golosinas o jabones. Como si fueran una pastelería cuando en realidad son empresas que fabrican máquinas para matar.
–¿Qué aporta la novela de Saramago a este contexto de mundo donde la gente está más preocupada en armarse que en vivir?
–Saramago decía que no había que volver al individualismo, pero sí que había que volver al individuo, destacar la importancia del ser humano. Nosotros sabemos que hay fábricas que hacen armas, que se fabrican armas bajo una cortina legal, que hay trabajadores abocados a la tarea de que esa arma que va a matar al prójimo quede perfecta, sea eficaz. Convivimos a diario con las armas y sólo cuando nos afecta a nosotros nos extrañamos de esa situación. Los mayores conflictos no están representados por las luchas armadas en distintas partes del mundo sino por la muerte individual. ¿Qué podemos hacer ante eso? Creo que necesitamos un stop ya. Frenar. Habrá que buscar otra forma de gobierno y de defensa, pero hay que parar con el armamentismo ya. No podemos volver a la ley de la selva porque nos falta un paso para llegar a la horda.
–La novela llega entonces en el momento adecuado
–Sí. José Saramago tenía esa misión. En el mundo desarrollado, cuando todos parecían felices, él publica Ensayo sobre la ceguera. Publicó Ensayo sobre la lucidez cuando hacía falta reforzar el poder ciudadano.
sábado, 21 de novembro de 2015
Daniel Mordzinski "Los escritores en su intimidad bajo el lente de Daniel Mordzinski" - Revista Arcadia (México)
Via Revista Arcadia, pode ser consultado aqui,
em http://www.revistaarcadia.com/libros/articulo/daniel-mordzinski-fotografo-escritores-famosos/44802
«Conocido como "el fotógrafo de los escritores", Daniel Mordzinski trabaja desde hace 38 años en un ambicioso ''atlas humano'' de la literatura iberoamericana.
El fotógrafo argentino, radicado entre París y Madrid, ha retratado a los protagonistas más destacados de las letras hispanoamericanas.
En el marco del festival digital organizado por BBCMundo le pidió que contara la historia íntima detrás de sus ya míticas capturas.
El Hay Festival México es un encuentro entre distintos pensadores y personalidades para debatir sobre el mundo de hoy e imaginar el de mañana.
Tiene lugar en Ciudad de México entre el 23 y el 25 de octubre.»
Aqui o link para o festival,
"José Saramago andaba tratando de huir de los ajetreos producidos por el anuncio del pemio Nobel, en 1998. Logré, sin embargo, convencerlo que me recibiera en su paso por el hotel Raphael de París, a pasos del Arco del Triunfo. Intenté hacer las cosas bien y todas me salieron mal: fui lento, saqué demasiadas fotos y me ocupé más de la técnica que del retratado, Esa misma tarde, al revelar las fotos, quedé descontento del resultado y decidí volver a la carga. 'Retratar es volver a tratar', le dije por teléfono. Y con su generosidad y humanidad habitual aceptó esa misma noche un nuevo encuentro".
sábado, 17 de outubro de 2015
A "Carta dos Deveres e Obrigações do Homem" - continua a sua discussão - México
(Sami Nair, Pilar del Río e Angel Gabilondo,
durante a apresentação / G. Riquelme)
A notícia pode ser consulta e lida, aqui via
"México alumbra la Carta de Deberes y Obligaciones del Hombre
Un grupo de académicos auspician el primer borrador de una declaración que actualice el significado de conceptos como dignidad, justicia o igualdad en un mundo globalizado
La Universidad Autónoma de México (UNAM) alumbró este jueves el primer boceto de la Carta de los Deberes y Obligaciones del Ser Humano. Retomando la llamada de José Saramago a la acción y la defensa de los derechos humanos por parte de la ciudadanía, un grupo de académicos e intelectuales redactó lo que pretende ser una nueva declaración programática que reactualice el significado de conceptos como dignidad, justicia o igualdad en un mundo globalizado.
“Nos fue propuesta una Declaración Universal de Derechos Humanos y con eso creímos que lo teníamos todo, sin darnos cuenta de que ningún derecho podrá subsistir sin la simetría de los deberes que le corresponden. Con la misma vehemencia y la misma fuerza con que reivindicamos nuestros derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo comience a ser un poco mejor”. Estas palabras pronunciadas por José Saramago durante la recepción del premio Nobel de literatura 1998 son el germen y la inspiración de una nuevo texto que complemente el marco de derechos fundamentales firmados en 1948, en aquella recién inaugurada Organización de Naciones Unidas al albur del cierre de la Segunda Guerra Mundial.
El guante lanzado por el Nobel portugués ha sido recogido por grupo de académicos e intelectuales, bajo el auspicio y el apoyo de la propia Fundación Saramago, el centro de estudios World Future Society y la UNAM. El primer borrador de la llamada la Carta de los Deberes y Obligaciones del Ser Humano nace con la voluntad de ir afinando el articulado del texto y el ambicioso deseo de ampliar las adhesiones al proyecto para, finalmente, presentarlo ante las Naciones Unidas. “Ha pasado algo en estos 17 años desde la llamada de Saramago. Todo el proceso de globalización se ha profundizado y es un factor determinante que modifica el contenido de los deberes y los derechos. Hay una necesidad de una reconsideración a fondo de los que significan los derechos humanos hoy”, señaló Ángel Gabilondo, catedrático de filosofía y portavoz del grupo socialista en la Asamblea de Madrid, durante el acto de presentación celebrado en la Ciudad de México.
Los conceptos tradicionales de asilo y refugiado se han transformado. Hay un desafío mundial
Sami Naïr
El cuerpo de este primer borrador está compuesto ejes de derechos como: Justicia y estado de derecho; Educación, cultura y medios sociales de comunicación; Desarrollo sustentable y generación de energía o Fronteras, migraciones y grupos vulnerables. “El primer deber de los deberes de esa carta es precisamente luchar para realizar los derechos. Es una llamada a los sujetos de los derechos, a la movilización ciudadana, que tiene el deber de seguir luchando por materializar esos derechos y transformarlos de abstractos en concretos”, apuntó el politólogo Sami Naïr.
Como ejemplo de la transformación que han sufrido los contenidos y la defensa de los derechos al pasar de un mundo ordenado por Estados a otro fragmentado en flujos de capital, ideas y personas, los ponentes citaron el fenómeno de la migración. “En América Latina la migración es transnacional y transfronteriza. Mientras que Europa, no tiene una política de inmigración seria, sólo un dispositivo de gestión desde las necesidades del mercado de trabajo. A su vez los conceptos tradicionales de asilo y refugiado se han transformado, como demuestra el caso de los refugiados sirios. Hay un desafío mundial”, indicó Naïr en relación a la oleada de refugiados que está recibiendo Europa desde Oriente Medio.
Aunque el primer paso comience en la retórica, el sentido último de la carta, como reconocieron los ponentes, es influir en la elaboración de la legislación internacional y nacional. “Es una declaración. Pero si además de hablar, nos comprometemos, se convierte en una llamada a la acción imbuida por la fuerza de la palabra”, explicó Gabilondo. “Se trata de romper la tendencia de desafección política, social y cultural”, dijo Pilar del Río, presidenta de la fundación Saramago y viuda del Nobel."
domingo, 26 de julho de 2015
"Silvia Lemus entrevista José Saramago" para o programa "Tratos y Retratos" do Canal 22 (México - Maio de 2003)
"Tratos Y Retratos é um programa organizado pela jornalista Silvia Lemus, reúne um grupo excepcional de artistas, escritores, pensadores, cineastas de renome universal, como Umberto Eco, Sebastião Salgado e José Saramago. O programa é uma produção do Canal 22, do México.
José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura 1998, é um dos escritores mais conhecidos e apreciado no mundo inteiro. Na Espanha, após a primeira publicação de O Ano da Morte de Ricardo Reis, em 1985, sua obra literária merece a melhor recepção dos leitores e críticos. Além deste volume, outros grandes títulos são Manual de Pintura e Caligrafia, quase um objeto, História do cerco de Lisboa, A Jangada de Pedra, Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus, todos os nomes, levantou, Ensaio sobre Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna, o homem duplicado, Ensaio sobre a clareza, a morte intermitentemente, Poesia Completa e Cadernos de Lanzarote I e II. Alfaguara publicou também Viagem livro em Portugal e no conto O Conto da Ilha Desconhecida.
Entrevista realizada em maio de 2003, Saramago critica a atual democracia, em que há o aumento das diferenças sociais e desrespeito aos direitos humanos. Faz uma interessante observação da invasão do Iraque, em que os interesses não se limitam apenas ao petróleo."
domingo, 5 de julho de 2015
"Lo llamamos destino - Una entrevista a José Saramago" de Silvia Lemus - Revista Nexos - México (01/10/2003)
"Lo llamamos destino - Una entrevista a José Saramago" de Silvia Lemus
Revista Nexos - México (01/10/2003)
Pode ser consultada e lida, aqui
em http://www.nexos.com.mx/?p=10900
Revista Nexos - México (01/10/2003)
Pode ser consultada e lida, aqui
em http://www.nexos.com.mx/?p=10900
“En estos momentos me interesa mucho más el individuo, el individuo que está ahí, que es un igual a mí en el sentido de que ambos somos seres humanos, y que está ahí en la calle, y que pasa, y tengo necesidad de saber quién es él, y volvemos a lo mismo: ¿quién es el otro?”.
Su última novela, El hombre duplicado, nos hace pensar en nuestra dualidad como seres humanos. Todos tenemos un yo interno idéntico a nosotros mismos y, al mismo tiempo, distinto de nosotros.
Antes que nada, soy José Saramago, soy escritor y soy portugués. Ahora bien, respondiendo a tu pregunta, yo no lo llamaría, en todo caso, una dualidad, más bien una multiplicidad. Creo que nos hemos puesto de acuerdo en los últimos tiempos en que el yo no existe, no hay nada de constante, de permanente. La vida de cada uno de nosotros es lo que se puede llamar yo si eso no existiera en cada circunstancia y en cada momento de la vida en la juventud, en la edad madura, en la vejez, siempre habría algo intacto, inmutado, que sería el yo. Creo que está claro incluso en la obra de unos cuantos autores, y ahora estoy pensando particularmente en Fernando Pessoa, con la creación de una pluralidad de poetas que transportaba dentro y que se expresan de modo distinto para decir cosas distintas, hasta el punto de que a veces uno no sabe muy bien qué es lo que pensaba Fernando Pessoa; sabemos muy claramente qué es lo que pensaban y cómo expresaban lo que pensaban Ricardo Reis, Alvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares y Fernando Pessoa. El, Fernando Pessoa, la persona en sí, se queda retrasada; lo que aparece en primer lugar son los otros, para decirlo así, el yo. Ocurre esto: aunque no tengamos la conciencia muy clara de qué es ser así, lo que hacemos a lo largo de toda la vida es buscar una identidad para uso exterior, es decir, entre todo lo que podríamos ser definimos un personaje de nosotros mismos, que es lo que paseamos, lo que llevamos a la calle, es lo que está ahí para tener una relación con los demás; y hacemos un esfuerzo tremendo para que no parezca que podríamos ser otras cosas. Y a veces esto, cuando llega a transformarse en un conflicto, se resuelve por la locura, la gente que no es capaz de dar de sí misma una sola imagen, y se dispersa. Fernando Pessoa lo ha resuelto en esa constelación de otros que en el fondo son manifestaciones de una persona que no tiene efectivamente un yo. Porque, si fuera cierto, cuando yo tenía cinco años tenía un yo que sería el mismo yo de cuando tenía 24 ó 53 ó 79 u 80, que es la edad que tengo ahora, y lo que pasa no es eso. Vamos cambiando. El yo cambia, y con el cambio ya no es yo.
Su novela está llena de humor, pero deja un sabor amargo, ¿porqué?
Sí, lo deja. En el fondo, ahí se presentan dos cuestiones. Una es muy corriente y consiste en preguntarnos quién es el otro. Cada uno es el otro, y ¿qué es lo otro? Yo soy el otro del otro, pero como cada uno de nosotros es el fondo y es el centro del universo porque tenemos una conciencia, y la conciencia hace que nos pertenezca a nosotros y por eso es conciencia, interpretamos, para decirlo así, el mundo. Entonces no nos preguntamos tanto quién soy yo sino preguntamos siempre quién es el otro, como si el yo estuviera resuelto, y ya vimos que no está.
En la novela se da la existencia de otras personas exactamente iguales, pero iguales en todo, es decir, incluso si uno tiene un accidente y queda con una cicatriz, el otro tendrá una cicatriz en el mismo miembro y en el mismo lugar; si uno se deja crecer el bigote, el otro, sin saberlo, hará lo mismo. Son doubles authentics, no sencillamente personas que se parecen una a la otra. La pregunta es ésta: ¿cómo puedo soportar la existencia de alguien exactamente igual a mí? El hecho de que uno igual exista, de alguna forma usurpa mi propio lugar en el mundo, me quita espacio. La novela también es un divertimento, el humor está ahí, en las situaciones que se presentan; pero todo eso poco a poco va en dirección de algo que a lo mejor ni el propio autor esperaba al principio, y que el lector no espera: va en dirección a una tragedia, la insoportabilidad de soportar al otro como si fuera el yo. Entonces, la pregunta de quién es el otro no tiene respuesta, y tampoco tiene respuesta la pregunta de quién soy yo. Vamos a vivir, y vamos a vivir lo que tengamos que vivir, y vendrán otros que siempre tendrán motivos para hacer la misma pregunta, y no hay respuesta.
Yo no sé quién soy. Hablando con franqueza total, no sé quién soy. Por qué me dices “¿usted quién es?”. Yo empecé por decir que soy José Saramago, soy escritor y soy portugués, pero ¿qué significa eso? Esas no son respuestas a la pregunta ¿quién soy yo?
¿Cuáles son los límites, entonces, de nuestra duplicidad, de nuestra dualidad?
En una novela mía que llamé Ensayo sobre la ceguera hay un personaje, una chica que en un momento determinado pronuncia estas palabras: “Hay entre nosotros una cosa que no tiene nombre, y esa cosa es lo que somos”. La frase parece un poco extraña. En primer lugar, si no tiene nombre no podemos, obviamente, nombrarla, y el primer problema se encuentra ahí: cómo digo algo de mí mismo si no tengo un nombre para ponerle; nombres para comunicarnos y, además, nombres que sean consensuados, que cuando yo diga algo sea entendido por mi interlocutor. Pero si esa cosa que somos, si el personaje tiene razón y creo que la tiene, si esa cosa que somos no tiene nombre, ¿cómo vamos a nombrarla? Es un problema que en el fondo pertenece mucho más a la filosofía que a la literatura, lo que no significa que un escritor, un novelista, no pueda interesarse por el tema y por el problema, y en la medida de sus capacidades expresarlo en un libro que en el fondo es una ficción.
En esta novela se nota que usted se ha despojado de muchos elementos que quizás ha usado en otras anteriores. Digamos, está más desvestida, más desnuda, más directa, ¿lo encuentra así?
Sí, y no sólo en ésta. Yo diría que es una especie de desnudamiento, una especie de aridez, aridez que no es hostil, que no se ha secado. No hay una disciplina, hay una contención. Empezó con Ensayo sobre la ceguera, continuó en Todos los nombres-, en La caverna no sucede tanto. Pero en El hombre duplicado volvió esa especie de sequedad en que las palabras son las que tienen que ser usadas y no otras, es decir, el estilo no tiene adornos, es un estilo mucho más directo. Pero creo que eso tiene que ver con un cambio de estilo a partir de Ensayo sobre la ceguera. A veces digo que hasta El Evangelio según Jesucristo he estado describiendo una estatua, la estatua es la superficie de la piedra, y a partir de El Evangelio según Jesucristo me fui adentrando en la piedra, a ese lugar donde la piedra no sabe que es estatua.
En estos momentos me interesa mucho más el individuo, el individuo que está ahí, que es un igual a mí en el sentido de que ambos somos seres humanos, y que está ahí en la calle, y que pasa, y tengo necesidad de saber quién es él, y volvemos a lo mismo: ¿quién es el otro? Porque quizá para que yo pueda contestar, suponiendo que tiene respuesta la pregunta, quizá necesite empezar por entender quién es el otro, y esto es lo que tiene que ver con la forma narrativa, con el estilo; esto llevó a la preocupación de que la palabra sea exacta, precisa, que no se pierda en ornatos y en fantasías.
No da muchas descripciones en esta novela.
No, nunca, es decir, nunca digo si un personaje es alto o bajo o gordo o flaco, o si es guapo; no me interesa, incluso no me interesan los nombres de los personajes.
Pero pareciera que le interesaran porque Tertuliano Máximo Afonso es un gran nombre.
Sí, lo es, pero insta a acentuar un poco el ridículo de la situación. Es decir, un hombre que tiene un nombre raro, que se llama Tertuliano Máximo Afonso, parece que tiene una interioridad fuerte y se da cuenta de que existe, de que tiene un duplicado. Toda la pompa de ese nombre se convierte en nada, en todo, porque se enfrenta a esa realidad brutal de que no le sirve de nada tener un nombre que no se parece a nadie más si existe alguien que es exactamente igual. El nombre Tertuliano Máximo Afonso me salió así, espontáneamente. Al decir Tertuliano Máximo Afonso parece que estoy diciendo todo lo que hay que decir de ese señor, y al final lo que estoy diciendo es nada, porque tendría que decir algo semejante de alguna otra persona que todavía no está presente y que es duplicado cuando aparece.
Esta novela nos da la impresión de que no termina nunca, que no puede cerrarse, que el protagonista que sobrevive está condenado a encontrar al siguiente doble, ¿es así?
No sabemos qué pasará. Antes hay algo que quizás incluso sea más importante y es el hecho de encontrar un doble. Para todos los efectos, Tertuliano Máximo Afonso está muerto, y porque no tiene otro remedio es una identidad del que ha muerto. En este caso hay alguien que finalmente no puede decir quién es en ninguna circunstancia. Desde el punto de vista civil, burocráticamente hablando, está muerto, pero no puede ser al mismo tiempo el otro aunque tenga que asumir la identidad del otro. Es decir, Tertuliano Máximo Afonso no puede llamarse nunca más Tertuliano Máximo Afonso, el nombre que tiene que usar no es suyo, entonces vive en una especie de limbo: no es lo que antes había sido, ni tampoco puede ser lo que finalmente tiene que ser. Esto parece un poco complicado pero en la lectura se observa con mucha claridad.
¿Tertuliano Máximo Afonso es el espejo de Antonio Claro, o es al revés?
No, cada uno de ellos es espejo del otro. Recordemos que al principio de la novela Tertuliano Máximo Afonso todavía no ha encontrado su doble, se enfrenta con el espejo y de alguna forma se dibuja en el espejo. El primer doble en el fondo es él mismo. Pero hay que romper el espejo, ese es el problema: el espejo nos da una imagen que no es real, pero en este caso el espejo, que es la existencia del otro, es real, concreto. De alguna forma me encuentro conmigo mismo en el espejo a partir del momento en que no me miro; no vivo, el espejo no existe,
es decir, cuando esa imagen se acaba. Se puede decir: “sí, pero usted puede hacer pedazos el espejo”, sí, pero se necesita que no esté ahí. En el caso del doble auténtico, aunque yo no esté con él, sé que existe, ese espejo muestra en cada momento mi propia imagen. La tensión que se crea en este conflicto es tal que la única forma de salir de ahí es romper el espejo, llevar al otro a la muerte aunque esa muerte ocurra por un accidente; de todos modos el conflicto estaba abierto y uno de ellos tendría que desaparecer. En el fondo, todo esto acaba en una tragedia, pero que el lector no se asuste porque de todos modos se va a divertir.
¿Son las mujeres las grandes víctimas, las grandes engañadas en este juego de identidades?
En este caso sí, y la razón es muy sencilla: es porque al hombre, y en este caso concreto Tertuliano Máximo Afonso, le falta la valentía moral para enfrentarse a esa realidad, y hace lo peor que puede hacer, que es usar, manipular a la mujer de quien es novio, llevándola a hacer lo que a él le conviene. Esto no estaría mal si ambos se hubieran puesto de acuerdo, pero él la usa y ella, porque lo quiere, lo hace pero sin conocimiento de causa, y esa es la deslealtad máxima, es decir, él la usa sin decir para qué la usa y sin confiar en ella, y sobre todo sin confiar en sí mismo porque en el fondo, al no confiar en ella, lo que ocurre es que no tiene confianza en sí mismo. No significa que los personajes masculinos sean más fuertes que los femeninos porque ni Antonio Claro ni Tertuliano Máximo Afonso son, efectivamente, personajes fuertes. En el fondo, el personaje fuerte que tiene un papel, por decirlo así, pequeño, es la madre de Tertuliano, Casandra. Lo que teme que ocurra, ocurrirá, de alguna forma ella lo anuncia, pero la máquina está en movimiento; hay una suerte de destino implacable que lleva todo aquello en la misma dirección, incluso cuando parece que se está haciendo algo para que no ocurra, va a ocurrir.
Los personajes no tienen mucha importancia. Mejor dicho: no tienen la importancia que tienen en otras novelas, porque aquí se trata de decir otra cosa para la que los personajes no son muy valiosos. Lo importante es el conflicto.
Es una novela escrita por un hombre muy joven.
¿Por un hombre muy joven? No se puede decir eso, es faltar a la verdad.
Esa es la sensación.
El autor tiene una edad, una edad correcta, pero el autor tiene la suerte y la fortuna de conservar la cabeza bastante sobria.
¿Cuáles son los límites entre la comedia y el drama? Si en una obra literaria o en una obra teatral, por ejemplo, ocurre algo fuera del guión, por llamarlo así, estamos asistiendo a una comedia. Si de repente ocurre algo en el escenario que está fuera del guión pero que pertenece a la realidad, por ejemplo la caída de un actor que puede llevarlo a la muerte, estamos ante un drama; es decir, la intervención súbita de algo que no pertenece a la comedia. Esto puede darse a la inversa: el drama está ahí y de repente se introduce, quién sabe cómo, un elemento cómico. En el fondo, así es la vida misma. Cuántas veces nos hemos encontrado en situaciones difíciles y nos damos cuenta de que algo, un elemento cómico, que puede que no invierta lo que está pasando, de todos modos está ahí. Diría que la comedia y el drama van juntos. Lo que pasa a veces es que uno va más adelantado que otro; en otras el que está retrasado aparece en primer lugar y se invierte algo que pareciera ser orientado en una dirección determinada, y cambia a una distinta. Eso ocurre constantemente en la obra de Shakespeare, en Hamlet, por ejemplo, en los diálogos se da consentimiento a los elementos cómicos pero todos sabemos que lo que está ahí es una tragedia que acabará en un desastre total. Lo cómico está siempre, aparece y desaparece, y nosotros sonreímos a pesar de que presenciamos una tragedia tremenda: al final todo el mundo muere, por el veneno o por la espada.
¿Podríamos hablar aquí de la tragedia de Tertuliano Máximo Afonso?
No es tanto la tragedia de él porque al final sobrevive. La novia se muere, él ocupa el lugar de Antonio Claro. No sabemos cuál será el futuro de esa pareja que se forma en circunstancias realmente extrañas pero que queda ahí formada; no sabemos qué pasará: ¿se van a soportar el uno al otro, incluso llegarán a quererse, llegarán a amarse? Puede ocurrir todo, eso queda en suspenso. Tragedia para los que no han sobrevivido. Es cierto que hay ese momento final, ese encuentro que Tertuliano tendrá con ese otro doble que aparece. No sabemos quién mata a quién, suponiendo que habrá un asesinato. Tertuliano mata al otro para que no tenga más dobles, suponiendo que no hay un tercero, un cuarto, un quinto doble. Cuando nos ponemos entre dos espejos para vernos, la imagen se multiplica hasta el infinito o hasta donde podamos verla. Puede que así ocurra.
Lo importante en la novela, hay otras cosas, o por lo menos espero, es la presencia del destino. No creo en el destino pero a veces estoy con Sancho Panza: no creo en brujas pero de que las hay, las hay. No creo en el destino pero a veces las cosas ocurren como si efectivamente existiera un destino.
Lo llamamos destino…
Lo llamamos destino porque tenemos que nombrar las cosas, si no, no las entendemos. En honor a la chica de las gafas oscuras de El Evangelio según Jesucristo, quizá si pudiéramos darle un nombre empezaríamos a saber quiénes somos finalmente.
Usted siempre ha sido un hombre de ideas políticas claras. ¿Cómo ve el mundo dominado por una sola gran potencia por encima de toda ley?
Tenemos un problema muy serio que, al contrario de lo que ocurre más o menos con todos los problemas que envuelven la vida social, no se discute. Vivimos en un tiempo en que tranquilamente se puede discutir todo en congresos, simposios, coloquios, artículos de periódicos, de revistas, ensayos. Curiosamente hay algo que tiene nombre, eso sí tiene nombre, pero no se discute, y lo único que no se discute es la democracia.
Partimos de un principio o parece que partimos de un principio: la democracia es eso que está ahí y por lo tanto no vale la pena discutirlo, porque está ahí, está ahí desde ayer y desde anteayer, y está ahí como una especie de dato adquirido definitivamente. El problema del poder, al que siempre tenemos que volver, es que hay que saber quién lo tiene, hay que saber cómo, por qué lo tiene, cómo ha llegado a tenerlo, para qué lo quiere y para qué le sirve. Se puede decir que los ciudadanos votan, pero los ciudadanos no hacen nada más que eso, y voto en qué: voto en partidos, formo gobiernos, formo parlamentos, y ahí se acabó. Sabemos que el poder real, el poder efectivo, no es ése; no está en el parlamento, no está en el gobierno: está en el poder económico, que no tiene final, es pluricontinental. El determina todo, impone las reglas. Si no puedo cambiar el poder que está más arriba, por encima del poder político, entonces vivo en el engaño, porque me dicen: “usted vive en democracia”. ¿Qué es eso? Usted puede quitar un gobierno y poner otro, y muchas gracias. No puedo hacer nada más, no puedo cambiar el rumbo del mundo porque el rumbo del mundo está en manos de los gobiernos. El reciente caso de la guerra de Irak está clarísimo, es decir, está en las manos de un gobierno en la medida en que ese gobierno está ahí para servir a los intereses del otro poder: se busca el petróleo, se busca el dominio de todo el Oriente Medio. Irak es el puente a Asia, y Estados Unidos sabe muy bien que su rival se llama China; por tal motivo está uniendo sus bases y sus fronteras lo más lejos que se puede de Washington.
La reconstrucción de Irak es un negocio fabuloso, ¿Quiénes la hacen? Los mismos de siempre. No estamos hablando de democracia, sino de una plutocracia, de un gobierno de los ricos. No es que no haya pobres, cada vez hay más, Casi la mitad de la población mundial vive con menos de dos dólares al día; cada cuatro segundos se muere una persona de hambre, y nada se hace para evitarlo. Entonces, si hay algo que necesitamos es un debate serio, mundial, sobre la democracia. Ya no nos fiemos de los partidos, ni de los gobiernos, La ciudadanía no debe creer ciegamente que vive en democracia. Hay que mirar las cosas más de cerca; cuando lo hacemos nos damos cuenta que la realidad es otra.
Se inició mal el siglo XXI, ¿tiene esperanza?
No vale la pena ni tener esperanza ni tener desesperanza. Los hechos están ahí y hay que luchar contra los hechos. Puedo, incluso, no tener ninguna esperanza y aun así seguir luchando contra lo que pasa, Sería un esfuerzo infinito para mí y para los otros si nuestras esperanzas se cumplieran en nuestra vida, pero ninguna esperanza, sobre todo esperanza de este tipo, de esta dimensión, se cumple en nuestra vida. Vamos de guerra en guerra, de crisis en crisis, de hambruna en hambruna, de enfermedad en enfermedad, de desastre ecológico en desastre ecológico… El mundo es realmente un lugar de horror, no hay otro lugar de horror. El infierno no son los otros, como decía Sartre. El infierno somos nosotros mismos."
Silvia Lemus
Revista Nexus
México, 01/10/2003
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"Impulsará Pilar del Río Carta de deberes humanos de Saramago" de Fabiola Palapa Quijas no "Periódico La Jornada" (28 de junio de 2015)
Pode ser consultado e lido, aqui
"Con un conversatorio recuerdan al Nobel a cinco años de su muerte
Impulsará Pilar del Río Carta de deberes humanos de Saramago
Puede parecer ridículo, pero lo es más que millones de personas en el mundo estén condenadas a una vida miserable, señaló la periodista"
Fabiola Palapa Quijas
Periódico La Jornada (28 de junio de 2015)
(La periodista española y compañera del escritor
José Saramago en la Biblioteca Vasconcelos
Foto María Luisa Severiano)
"A cinco años del fallecimiento del escritor lusitano José Saramago (1922-2010), su idea de reivindicar los deberes de la humanidad que planteó en su discurso al recibir el Premio Nobel de Literatura en 1998 fue el tema del conversatorio que se realizó el pasado viernes en la Biblioteca Vasconcelos, el cual contó con la participación de la periodista española Pilar del Río.
La traductora y compañera del autor de Ensayo sobre la ceguera explicó que la idea de Saramago de elaborar una Carta de deberes humanos semejante a la Declaración universal de los derechos humanos, surgió en México a partir de la exposición La consistencia de los sueños, que se exhibió en 2011 en el Antiguo Colegio de San Ildefonso, de la Universidad Nacional Autónoma de México.
Frente a los lectores del Nobel portugués, reunidos en la megabiblioteca, Del Río expresó que lanzar dicha iniciativa, que llegara a la conciencia de las personas y a la Organización de la Naciones Unidas, puede parecer utópico o ridículo, pero lo que es ridículo, patético y absurdo es la situación que vivimos millones de personas en el mundo, condenadas a una vida miserable para llegar a una muerte miserable, y citó al homenajeado: Siempre acabamos llegando adonde nos esperan.
La presidenta de la Fundación Saramago argumentó que exigir una vida mejor no es absurdo ni ridículo en estos momentos en que el poder económico está acabando con la humanidad. Como ciudadanos, tendríamos que exigir que se cumplan derechos como la sanidad, la vivienda, el trabajo, la ética, la participación política, la libertad de expresión y el acceso a medios que no sean exclusivamente privados.
Poder frente al miedo
Afirmó que en estos días, ecologistas, científicos e intelectuales analizan la necesidad de formular una carta de deberes del ser humano, como la que el Nobel propuso cuando recibió el galardón, y que coincidió con el 50 aniversario de la Declaración universal de los derechos humanos. Todo lo dicho se va a articular, va a pasar por distintos foros; se pretende que en un futuro muy próximo esté en marcha, se lance y se lleve a las tribunas convenientes, precisó Del Río.
La Carta de deberes humanos, consideró Del Río, permitirá el “empoderamiento de los ciudadanos”, sobre todo ahora que prevalece el miedo de perder lo poco que se tiene. La resignación es la gran doctrina, y me parece que eso está redefiniendo a nuestra sociedad. Ya no tenemos esperanza en el futuro, tenemos miedo de cómo va ser esto o cómo vamos a salir. Empezamos a tener miedo y ante eso nos vamos echando para atrás y nos vamos haciendo conservadores, de la nada.
Pilar del Río volvió citar a Saramago: En el interior de cada país está su destino.
En el conversatorio, al que también asistió Jorge F. Hernández, el director de la Biblioteca Vasconcelos, Daniel Goldin, sostuvo que el tema de los deberes del hombre y de las mujeres es pionero, sobre el que pocos se atreven a reflexionar.
Fabiola Palapa Quijas
Periódico La Jornada (28 de junio de 2015)"
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Entrevista de Pilar del Río à "TV Creadores Universitarios", a propósito da "Prospectiva del mundo México 2015"
Colaboran la UNAM y fundación Saramago
Pilar del Río, viuda del escritor José Saramago, hablan de prospectiva al hablar del futuro para no olvidar el pasado
Aqui o link da entrevista de Pilar del Río à TV Creadores Universitarios
http://noticieros.televisa.com/foro-tv-creadores-universitarios/1506/colaboran-unam-fundacion-saramago/
Pilar del Río, viuda del escritor José Saramago, hablan de prospectiva al hablar del futuro para no olvidar el pasado
Aqui o link da entrevista de Pilar del Río à TV Creadores Universitarios
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Entrevista ao "Primero Noticias" Pilar del Río e Amy Zalman CEO 'The World Future Societyb', falam da conferência 'Perspectivas del Mundo'
"En entrevista en Primero Noticias, Pilar del Río, presidenta de la Fundación José Saramago y Amy Zalman de CEO 'The World Future Societyb', hablan del Foro 'Perspectivas del Mundo'"
Aqui o link da entrevista
http://noticieros.televisa.com/programas-primero-noticias/1506/foro-perspectivas-mundo-arrancara-mexico/
"Debaten expertos sobre ciudadanía y democracia a partir de las ideas de Saramago" via "Notícias MVS" México
Mais notícias da conferência mundial "Prospectiva del Mundo" México 2015
Pode ser consultado e lido, aqui
em http://www.noticiasmvs.com/#!/noticias/debaten-expertos-sobre-ciudadania-y-democracia-a-partir-de-las-ideas-de-saramago-260.html
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"Debaten expertos sobre ciudadanía y democracia a partir de las ideas de José Saramago"
"En un debate abierto por la Universidad Nacional Autónoma de México y la World Future Society, el rector de la UNAM, José Narro Robles apuntó que "las asimetrías de nuestro mundo no tienen parangón. Las diferencias son tan grandes que resulta poco probable su existencia... La desigualdad que ahora vive el mundo resulta del rezago de lo social en la acción de los gobiernos y de la concentración de la riqueza en muy pocos individuos."
En un mensaje leído por Enrique Balp, Secretario de servicios a la comunidad UNAM, el Dr. Narro subrayó que los actuales modelos de desarrollo "han provocado una gran desigualdad económica y social que prevalece en todo el mundo, que ha mantenido en la miseria a cientos y cientos de millones de personas, algunos que llegan incluso al grado de carecer de los nutrientes indispensables para subsistir."
Ante científicos, intelectuales, académicos, artistas, periodistas y jóvenes estudiantes reunidos en el encuentro "Prospectiva del Mundo México 2015. El encuentro de pensadores para crear la carta de las obligaciones del ser humano", el Dr. Narro alertó que "lo que aquí se argumentará tiene que ver con el porvenir de la humanidad."
"Necesitamos cambiar de enfoques para imaginarnos un mundo distinto donde el hambre, la ignorancia y las muertes prevenibles no tengan cabida; donde no exista marginación por motivos raciales, religiosos, de género o económicos; donde el planeta Tierra y sus recursos se utilicen de manera racional y se respete; donde nadie quede excluido de los beneficios que generan los grandes adelantos científicos y tecnológicos de nuestra era," señaló.
Frente a Julio A. Millán, creador del encuentro y Pilar del Río, viuda del escritor José Saramago, se recordó la voz del maestro lusitano quien el 10 de diciembre de 1998, en coincidencia con el cincuentenario de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, durante la celebración que se organizó en su honor por el Premio Nobel de Literatura que recibiría al día siguiente, apuntó que “con la misma vehemencia con que reivindicamos los derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo pueda ser un poco mejor".
"Hoy día el llamado de Saramago sigue vigente --recordó el rector Narro en su mensaje-- el concepto de ciudadanía debe ser discutido y reelaborado para avanzar hacia lo que la UNESCO ha denominado la Ciudadanía Mundial. Un mundo global requiere de un ciudadano global."
"Ser ciudadano significa que se tiene un conjunto de derechos, pero también de obligaciones como miembro de una colectividad. Falta ahora, como proponía Saramago, avanzar en una declaración de las obligaciones del ser humano."
Cuando un porcentaje significativo de individuos en el mundo padecen los efectos de la ignorancia, el rezago y la exclusión, apuntó el rector de la UNAM en su mensaje, No hay respuestas simples. Lo cierto es que no podemos seguir sin hacer nada en un mundo donde, como decía Saramago: “Las injusticias se multiplican, las desigualdades se agravan, la ignorancia crece, la miseria se expande”.
Julio A. Millán subrayó que México "si quiere democracia; así lo demostramos en las pasadas elecciones, si fuimos a votar; derrotamos el terrorismo político pero lo que no hemos podido cambiar son las estructuras de las designaciones de quienes nos van a gobernar. Los independientes son simbologías aún muy pequeñas y la partidocracia sigue siendo quien controla el sistema democrático."
Pero, advirtió el experto, "México no debe caer en el cinismo de que aceptamos que la democracia propicie la criminalidad y la falta de un estado de derecho; la democracia tiene que propiciar precisamente el estado de derecho."
Posteriormente, Pliar del Río dio lectura a las ideas de José Saramago sobre "las obligaciones" del ser humano."
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
Saramago no Festival de Cinema Europeu de Guanajuato (GUCE) - México (Evento ocorrido no início de Junho)
Informação sobre o detalhe do evento aqui
em http://www.guce.ugto.mx/index.php/proyecciones/17-saramago-y-el-cine
Via Instituto Camões (http://www.instituto-camoes.pt/agenda/event?id=4682)
"O cineasta Manoel de Oliveira será homenageado postumamente na 5ª edição do Festival de Cinema Europeu de Guanajuato, que decorrerá entre 1 e 7 de junho de 2015.
José Saramago e o cinema será o tema para outra sessão do certame que tem Portugal como país convidado.
O Camões, I.P. apoia este evento.
Sofia Marques é a cineasta e realizadora portuguesa convidada deste festival onde irá apresentar uma conferência sobre o Cinema Português do Século XXI. Será ainda projetado o seu filme Ilusão.
Consulte aqui o programa: http://www.guce.ugto.mx/"
em http://www.guce.ugto.mx/index.php/proyecciones/17-saramago-y-el-cine
Via Instituto Camões (http://www.instituto-camoes.pt/agenda/event?id=4682)
"O cineasta Manoel de Oliveira será homenageado postumamente na 5ª edição do Festival de Cinema Europeu de Guanajuato, que decorrerá entre 1 e 7 de junho de 2015.
José Saramago e o cinema será o tema para outra sessão do certame que tem Portugal como país convidado.
O Camões, I.P. apoia este evento.
Sofia Marques é a cineasta e realizadora portuguesa convidada deste festival onde irá apresentar uma conferência sobre o Cinema Português do Século XXI. Será ainda projetado o seu filme Ilusão.
Consulte aqui o programa: http://www.guce.ugto.mx/"
"Saramago en el cine. Enfoque semiótico
Luis Palacios Hernández / México
2 de junio de 2015, 18:00 hrs.
Galería Hermenegildo Bustos"
"GUANAJUATO CINE EUROPEO"
El Festival de Cine Europeo en Guanajuato (GUCE) es un festival universitario anual realizado en Guanajuato capital, que posibilita el disfrute del cine europeo de calidad y la sinergia entre las industrias cinematográficas de Europa y México. Ofrece realizaciones de cine europeo que han constituido grandes éxitos de crítica y público, han sido premiadas por las academias de cine de sus respectivos países y que representan ejemplos relevantes de la realidad cinematográfica de las naciones europeas.
Además, brinda espacios para el análisis de la realidad cinematográfica europea y mexicana, y posibilita el disfrute de otras manifestaciones culturales a través de su relación con el cine, que proponen vivir intensamente el cine en general y el cine europeo en particular, orientados a reafirmar que el cine, a más de un siglo de existencia, es un fenómeno social y cultural de primer orden.
GUCE celebrará su quinta edición en Guanajuato capital y Campus universitarios del 1 al 7 de junio de 2015, tomando como sedes la escalinata de la Universidad de Guanajuato, el Teatro Principal, el auditorio Euquerio Guerrero, el Mesón de San Antonio, el Museo Iconográfico del Quijote, la sala de cine municipal en la Plaza Juárez, así como diversos espacios universitarios en Campus."
domingo, 21 de junho de 2015
Pilar del Río - "Prospectiva del Mundo - México 2015" e a conferência "Carta das Obrigações do Ser Humano"
Todas as informações podem ser consultadas aqui,
"Pensemos que ninguno de los derechos humanos podría subsistir sin la simetría de los deberes que les corresponden... Tomemos entonces, nosotros, ciudadanos comunes, la palabra, con la misma vehemencia con que reivindicamos los derechos, reivindiquemos también el deber de nuestros deberes. Tal vez así el mundo pueda ser un poco mejor."
José Saramago
Premio Nobel de literatura
Octubre, 1998
Realizada pela
Universidad Nacional Autónoma de México
World Future Society Capítulo Mexicano A.C.
Associados
Fundação José Saramago
Consejo Coordinador Empresarial
"BIENVENIDA POR PARTE DE LA UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO
MENSAJE DE LA WORLD FUTURE SOCIETY CAPÍTULO MEXICANO A.C."
"En los últimos años hubo un reconocimiento de los derechos de diferentes grupos o minorías, que hicieron a las sociedades más plurales y tolerantes. Ahora es momento de establecer los deberes, obligaciones, y responsabilidades, que los seres humanos tenemos para que las sociedades puedan prosperar justa e igualitariamente, que nos permitan preservar el medio ambiente, respetar al resto de los seres vivos que nos acompañan en el planeta. En fin, creemos que ha llegado el momento de establecer los deberes que son la contraparte de los derechos por lo que tantos han luchado.
Es por ello que la Universidad Nacional Autónoma de México y la World Future Society Capítulo Mexicano A.C. han convocado a académicos, intelectuales, y pensadores de varias partes del mundo, a un encuentro que pretende establecer ideas concretas, que den forma a una Carta de las obligaciones del ser humano, carta que posteriormente presentaremos ante la Organización de las Naciones Unidas.
Acompaña esta iniciativa, como institución asociada, La Fundación José Saramago, pues fue el ilustre escritor portugués, quien, en su discurso de recepción del Premio Nobel de Literatura en 1998, expresó por primera vez la necesidad de establecer esas obligaciones a la que hombres y mujeres de todos los países deben atenerse.
De igual manera, El Consejo Coordinador Empresarial de México, ha sumado sus esfuerzos, y es consciente de que es responsabilidad de la iniciativa privada colaborar para lograr un mundo mejor.
Derivado de la entusiasta respuesta que hemos recibido de quienes asistirán al encuentro, estamos seguros de que tendremos un coloquio relevante, del que saldrá un documento definitivo."
"CARTA DE LAS OBLIGACIONES DEL SER HUMANO (Por Pilar del Río)"
Dia 24/06 - 9h40m/10h30m (Hora Local)
"Antes de morir, José Saramago concibió la idea de conjuntar a un grupo de sabios –intelectuales, científico, humanistas, académicos— que pudieran sentar las bases para una carta que plasmara la responsabilidad que tiene cada ser humano en el desarrollo de su entorno. Hasta el día de hoy, todo mundo habla de los derechos de los seres los humanos independientemente de su condición, y así, se han publicado diversos documentos que proponen derechos para niños, mujeres o grupos homosexuales. Sin embargo, poco se habla de las obligaciones y los deberes que tienen los seres humanos con la sociedad, con el planeta, con los animales, etc. Este encuentro retoma la idea original de José Saramago, y Pilar del Río, quien fue su esposa, nos explica su propósito."
Pilar del Río, no passado dia 18 de Junho, data que assinalou os cinco anos da morte de José Saramago, elaborou o artigo de opinião que o jornal "Folha de São Paulo" - Brasil
Pode ser consultado e lido aqui,
em http://app.folha.uol.com.br/site/noticia/564253
"Reivindicar os nossos deveres"
"Foi-nos proposta uma Declaração Universal de Direitos Humanos, e com isso julgámos ter tudo, sem repararmos que nenhuns direitos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem, o primeiro dos quais será exigir que esses direitos sejam não só reconhecidos, mas também respeitados e satisfeitos", disse José Saramago no banquete de recepção do Prêmio Nobel de Literatura, em 10 de dezembro de 1998, em Estocolmo.
Era para ser apenas um brinde, mas o escritor português preferiu usar a palavra para lançar um desafio no dia em que se completavam os 50 anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos: e se começássemos a exigir que se respeitem, também, os deveres humanos?
José Saramago morreu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, combativo e lúcido como poucos. Até os últimos dias de vida escreveu. Esteve às voltas com a história de um empregado de uma fábrica de armas, um sujeito pacato e apagado, que nunca disparou uma arma, que vive entre papéis e carimbos, e que de repente vê-se diante da possibilidade (ou seria do dever?) de insurgir-se, de levantar-se, de dizer não.
Em "Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas", livro publicado postumamente, o autor que já havia feito com que, a partir de uma cegueira branca, enxergássemos e reparássemos no próximo, desta vez assalta a consciência dos leitores com a possibilidade de construção de um futuro distinto edificado sobre um não.
"Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não", declarou em entrevista a esta Folha em 1991.
Na Suécia, na mesma ocasião em que recebeu o Prêmio Nobel, Saramago pediu aos cidadãos comuns, grupo no qual se incluiu, que tomassem a palavra e a iniciativa. "Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor."
Mais de 15 anos depois desse chamamento, a Fundação José Saramago, em parceria com a UNAM (Universidade Autónoma do México) e com a World Future Society, entidade que reúne especialistas em prospectar as tendências da economia e da sociedade para o futuro, convoca um encontro na capital mexicana com o intuito de dar corpo à ideia lançada pelo autor de "Ensaio sobre a Cegueira".
Entre 24 e 25 de junho meia centena de académicos, intelectuais e pensadores de várias nacionalidades estarão reunidos na Cidade do México com o objetivo de criar uma proposta de Carta dos Deveres Humanos a ser encaminhada à ONU (Organização das Nações Unidas).
Ratificada há quase 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos está longe de ser uma realidade para muitos habitantes deste nosso planeta, infelizmente. Dizia José Saramago que quem efetivamente governa o mundo são as empresas "multinacionais e pluricontinentais", e o fazem a partir de um poder tirânico que reduziu "a uma casca sem conteúdo" o que ainda havia do ideal de democracia.
Mas se é certo que os governos e as grandes corporações não respeitam os direitos básicos dos cidadãos, nós também não estamos a cumprir com o dever de cidadão que somos, acrescentou.
Com esperança de que a elaboração de um documento que estabeleça obrigações significará, ao mesmo tempo, o fortalecimento da proteção dos direitos humanos é que estaremos reunidos com a sociedade civil na Cidade do México nos próximos dias.
Dizer não, mais do que um direito, é nos dias de hoje também um dever. Sobre isso escreveu José Saramago. Sobre isso falaremos na capital mexicana, deixando neste espaço também um apelo ao debate e à discussão de propostas.
PILAR DEL RÍO, 50, tradutora e jornalista, é presidente da Fundação José Saramago"
Pilar del Río, no passado dia 18 de Junho, data que assinalou os cinco anos da morte de José Saramago, elaborou o artigo de opinião que o jornal "Folha de São Paulo" - Brasil
Pode ser consultado e lido aqui,
em http://app.folha.uol.com.br/site/noticia/564253
"Reivindicar os nossos deveres"
"Foi-nos proposta uma Declaração Universal de Direitos Humanos, e com isso julgámos ter tudo, sem repararmos que nenhuns direitos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem, o primeiro dos quais será exigir que esses direitos sejam não só reconhecidos, mas também respeitados e satisfeitos", disse José Saramago no banquete de recepção do Prêmio Nobel de Literatura, em 10 de dezembro de 1998, em Estocolmo.
Era para ser apenas um brinde, mas o escritor português preferiu usar a palavra para lançar um desafio no dia em que se completavam os 50 anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos: e se começássemos a exigir que se respeitem, também, os deveres humanos?
José Saramago morreu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, combativo e lúcido como poucos. Até os últimos dias de vida escreveu. Esteve às voltas com a história de um empregado de uma fábrica de armas, um sujeito pacato e apagado, que nunca disparou uma arma, que vive entre papéis e carimbos, e que de repente vê-se diante da possibilidade (ou seria do dever?) de insurgir-se, de levantar-se, de dizer não.
Em "Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas", livro publicado postumamente, o autor que já havia feito com que, a partir de uma cegueira branca, enxergássemos e reparássemos no próximo, desta vez assalta a consciência dos leitores com a possibilidade de construção de um futuro distinto edificado sobre um não.
"Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não", declarou em entrevista a esta Folha em 1991.
Na Suécia, na mesma ocasião em que recebeu o Prêmio Nobel, Saramago pediu aos cidadãos comuns, grupo no qual se incluiu, que tomassem a palavra e a iniciativa. "Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor."
Mais de 15 anos depois desse chamamento, a Fundação José Saramago, em parceria com a UNAM (Universidade Autónoma do México) e com a World Future Society, entidade que reúne especialistas em prospectar as tendências da economia e da sociedade para o futuro, convoca um encontro na capital mexicana com o intuito de dar corpo à ideia lançada pelo autor de "Ensaio sobre a Cegueira".
Entre 24 e 25 de junho meia centena de académicos, intelectuais e pensadores de várias nacionalidades estarão reunidos na Cidade do México com o objetivo de criar uma proposta de Carta dos Deveres Humanos a ser encaminhada à ONU (Organização das Nações Unidas).
Ratificada há quase 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos está longe de ser uma realidade para muitos habitantes deste nosso planeta, infelizmente. Dizia José Saramago que quem efetivamente governa o mundo são as empresas "multinacionais e pluricontinentais", e o fazem a partir de um poder tirânico que reduziu "a uma casca sem conteúdo" o que ainda havia do ideal de democracia.
Mas se é certo que os governos e as grandes corporações não respeitam os direitos básicos dos cidadãos, nós também não estamos a cumprir com o dever de cidadão que somos, acrescentou.
Com esperança de que a elaboração de um documento que estabeleça obrigações significará, ao mesmo tempo, o fortalecimento da proteção dos direitos humanos é que estaremos reunidos com a sociedade civil na Cidade do México nos próximos dias.
Dizer não, mais do que um direito, é nos dias de hoje também um dever. Sobre isso escreveu José Saramago. Sobre isso falaremos na capital mexicana, deixando neste espaço também um apelo ao debate e à discussão de propostas.
PILAR DEL RÍO, 50, tradutora e jornalista, é presidente da Fundação José Saramago"
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
35 anos da publicação de "Levantado do Chão" - Caricatura de Efrén via Revista Proceso 1998 / México
A Fundação José Saramago, através da sua página, na secção "Memória", apresenta a caricatura "metafórica" de Saramago como que levitando.
Nos 35 anos da publicação de "Levantado do Chão", aqui continuamos a dar destaque a estes pequenos grandes detalhes que também fazem parte da vida da obra.
"Uma caricatura de José Saramago ‘levantado do chão’
Em 1998, a revista mexicana Proceso preparou um dossier especial sobre José Saramago logo após o anúncio da atribuição do Prémio Nobel. Além de textos sobre o escritor e uma entrevista com Pilar del Río, o jornal publicou uma caricatura assinada pelo desenhista Efrén, que viu José Saramago “alzado del suelo”, título dado a Levantado do Chão na primeira tradução para o espanhol (posteriormente o título foi alterado para Levantado del suelo). A secção Memória recupera a simpática caricatura feita pelo artista mexicano."
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Festival Xalapa - México - Kim Manresa expõe obra (fotografias de prémios Nobel da Literatura) - 4/10/2014
"Ojo por ojo: Genio humano"
Aqui notícia,
"El Hay Festival Xalapa presenta la obra de Kim Manresa, quien por años ha fotografiado a ganadores del Nobel de Literatura"
Ciudad de México, 4 de octubre 2014
Mostrar la parte más humana de un escritor que ha ganado el Premio Nobel de Literatura no es sencillo. Y si además hay que hacerlo con ingenio y astucia, parece imposible. Sin embargo, el fotógrafo español Kim Manresa consiguió lo que muy pocos: eternizar las huellas de la batalla que han librado frente a la página en blanco. Para lograrlo, Manresa ha visitado a 21 escritores que han obtenido el máximo galardón literario, y ha logrado captar los rasgos inéditos del olimpo literario. Éstas son algunas de las instantáneas que conforman las más de 400 imágenes, donde es posible observar desde la sonrisa tímida de Doris Lessing y la risa franca de Mario Vargas Llosa, los pasos de José Saramago sobre la piel de Lisboa, el encanto de Wislawa Szymborska o la inocencia de Wole Soyinka al sentarse sobre un pupitre en su vieja escuela de Abeokuta.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Conferência na Cátedra Alfonso Reyes - "José Saramago - Una perspectiva en final del milenio"
José Saramago - "Una perspectiva en final del milenio"
Link do vídeo, via Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=FCxNjBjGV7s
"Cátedra Alfonso Reyes" - Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey - México
"Un espacio de encuentro y reflexión con las voces más influyentes del pensamiento humanista contemporáneo.
Acerca de la Cátedra Alfonso Reyes del Tecnológico de Monterrey.
El Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey crea la Cátedra Alfonso Reyes como una respuesta a la necesidad de fortalecer las humanidades en la formación de sus profesores, estudiantes y la comunidad en general.
La misión del Tecnológico de Monterrey es formar personas íntegras, éticas, con una visión humanista y competitivas internacionalmente en su campo profesional, que al mismo tiempo sean ciudadanos comprometidos con el desarrollo económico, político, social y cultural de su comunidad y con el uso sostenible de los recursos naturales. Esto implica promover en sus alumnos valores y actividades como la responsabilidad, el liderazgo y la conciencia clara de las necesidades de su país. Lo anterior requiere de un proceso donde se refuerce una visión integral del mundo; es decir, formar a la personas tanto en el plano humano como en el profesional, sin limitarnos a transmitir una serie de conocimientos, sino instar a que, desde una perspectiva humanista, cada uno aporte lo mejor de sí mismo a su profesión.
Con este programa se rinde tributo al escritor regiomontano Alfonso Reyes, siguiendo el espíritu humanista de una de las figuras capitales del pensamiento del siglo XX.
A través de la Universidad TecVirtual, la Cátedra está presente en todos los campus y sedes del Sistema en México y América Latina, generando así un pensamiento sin fronteras."
sábado, 20 de dezembro de 2014
José Saramago "A guerra do desprezo" - Publicado na "Crítica Marxista" (São Paulo, 1999)
A revista digital, "Blimunda", pode ser descarregada, gratuitamente, através do site da Fundação José Saramago. É lançado o número 31, que como refere «encerra o ano de 2014 da melhor maneira».
Aqui, pode ser lida a sinopse de apresentação,
"A Blimunda #31 encerra o ano de 2014 da melhor maneira."
"Em destaque, o dossier dedicado a Agustina e a Sophia, duas das grandes autoras portuguesas que este ano receberam justas homenagens da sociedade portuguesa. No caso de Sophia, com a sua entrada no Panteão Nacional, numa cerimónia de enorme beleza, fazendo jus à poesia que nos deixou. Desse momento, a Blimunda publica o texto de José Manuel dos Santos, que em representação da Cultura portuguesa leu o belo texto que agora fica perpetuado nestas páginas. No caso de Agustina, com um grande Congresso organizado pelo Círculo Literário Agustina Bessa-Luís e acolhido pela Fundação Calouste Gulbenkian, do qual publicamos os textos de Artur Santos Silva e de Mónica Baldaque.
Destaque também nesta Blimunda para a conversa de Andreia Brites com um dos grandes autores de álbuns ilustrados do século XX, o norte-americano Eric Carle, no ano em que se assinalam 45 anos da publicação de um dos seus mais aclamados livros, A lagartinha muito comilona.
A 28 de outubro deste ano, o Vaticano recebeu pela primeira vez o Encontro Mundial de Movimentos Populares, promovido pelo Papa Francisco, que contou com a participação do presidente boliviano, Evo Morales. Desse momento histórico chega-nos o relato pela voz de Ignacio Ramonet.
Espaço ainda na Blimunda para a conversa de Sara Figueiredo Costa com os responsáveis por um novo projecto editorial português, a Guilhotina, e a fechar, na Saramaguiana, o texto de Claudia Piñeiro lido na apresentação de Alabardas, que teve lugar na Feira Internacional do Livro de Gudalajara.
No fim de mais um ano, a Blimunda deseja a todos os seus leitores um 2015 de boas leituras!"
Na segunda página, da revista agora lançada, pode ser lido um excerto de um texto, publicado em 1999, a propósito de mais uma chacina prepertrada contra o povo de Chiapas.
Aqui, link original, para leitura completa,
em, http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/sumario.php?id_revista=8&numero_revista=8
"A guerra do desprezo"
O braço direito do índio Jerónimo não se pode levantar porque tem completamente destroçada a articulação do ombro. A mão direita do índio Jerónimo é um coto sem dedos. Não se sabe o que está sob a ligadura que lhe envolve o antebraço. O lado direito do tronco do índio Jerónimo mostra, de cima a baixo, uma cicatriz larga e funda que parece partir-lhe o corpo em dois. Os olhos do índio Jerónimo perguntam-me que faço ali. O índio Jerónimo tem quatro anos e é um dos sobreviventes da matança de Acteal. Não suporto ver aquele braço, aquela mão, aquela cicatriz, aquele olhar, e viro as costas para que não se perceba que vou chorar. Diante de mim, velada pelas lágrimas que me queimam os olhos, está a fossa comum onde se encontram, em duas filas paralelas, os quarenta e cinco mortos de Acteal. Não há tabuletas com nomes. Tiveram um nome enquanto viveram, agora são simplesmente mortos. O filho não saberia dizer onde estão os pais, os pais não saberiam dizer onde está o filho, o marido não sabe onde está a mulher, a mulher não sabe onde está o marido. Estes mortos são mortos da comunidade, não das famílias que a constituem. Sobre eles está a construir-se uma casa. Amanhã, um dia, nas paredes que a pouco e pouco vão sendo erguidas, veremos as imagens possíveis da carnificina, o enterramento dos cadáveres, leremos enfim os nomes dos assassinados, algum retrato, se o tinham. Debaixo dos nossos pés estarão os mortos. Trabalhosamente, descemos ao barranco onde as vítimas se esconderam, fugidas à agressão dos paramilitares que desciam a encosta disparando. A igreja, simples barracão de tábuas em bruto, sem adornos, sequer uma cruz tosca na frontaria, onde os índios, desde há três dias, estavam jejuando e rezando pela paz, mostra os sinais das balas. Dali se escaparam os espavoridos tzotziles de Acteal julgando poder encontrar refúgio mais para baixo, numa reentrância do terreno escarpado. Não sabiam que tinham entrado numa ratoeira. A horda dos paramilitares não tardou a descobrir aquele informe amontoado de mulheres, homens e crianças, dezenas de corpos trémulos, de rostos angustiados, de mãos levantadas a implorar misericórdia. (Ai de nós, o acto de apertar o gatilho de uma arma tornou-se tão habitual na nossa espécie que até o cinema e a televisão já nos dão lições gratuitas dessa arte a qualquer hora do dia e da noite.) Sobre o mísero nó humano que se contorcia e gritava, os paramilitares despejaram, a gosto, rajadas e rajadas, até que o silêncio da morte respondeu aos últimos disparos. Algumas crianças (talvez o índio Jerónimo?) escaparam à chacina por terem ficado debaixo dos corpos crivados de balas. Apenas a 200 metros dali, quarenta agentes da Segurança Pública, chefiados por um general reformado, ouviram o tiroteio e não deram um passo, não fizeram um gesto, apesar de saberem o que estava a acontecer. Foi tal a indiferença das autoridades que nem ao menos cortaram o trânsito na estrada que passa por Acteal, a pouca distância do local do múltiplo crime. A cumplicidade das diversas forças armadas mexicanas com os paramilitares ligados ao partido do Governo, por de mais evidente, não precisa de melhor demonstração.
No município índio de Chenalhó (leia-se Chenal-hó), onde se encontra o povoado de Acteal, misturam-se as histórias pessoais e familiares, políticas e sociais. "Zapatistas" e "priístas" têm parentes e amigos no outro bando, e não é raro que as vexações recíprocas destruam os afectos. Os
deslocados, varridos brutalmente de um lado para outro, provém da destruição das pequenas aldeias em que viviam, da falta de respeito pelos campos comunais, da impossibilidade de se reunirem em assembleias e de trabalharem sem medo, das humilhações inflingidas pelas autoridades, da mudança forçada de dirigentes por outros sem mandato nem eleição, da destruição dos símbolos comunitários, da proibição de reuniões, ou toleradas sob a vigilância de paramilitares protegidos pela polícia. Na
guerra do desprezo que se está travando em Chiapas, os índios são tratados como animais incómodos. E a multinacional Nestlé espera com impaciência que o assunto se resolva: o café está à sua espera...
Perto de Acteal, em Polhó (leia-se Pol-hó), num cartaz à entrada do acampamento de deslocados zapatistas, lêem-se estas palavras: "Que será de nós quando o último de vós se for embora?. E eu pergunto: "Que será de nós quando se perder a última dignidade do mundo?".
"SARAMAGO, José. A guerra do desprezo. Crítica Marxista, São Paulo, Xamã, v.1, n.8,
1999, p.9-10."
Aqui, mais informação, via Wikipédia,
"O massacre de Acteal, ocorrido em 22 de Dezembro de 1997, consistiu na chacina de 45 indígenas tzotziles que se encontravam rezando numa igreja na localidade de Acteal, no estado mexicano de Chiapas. A opinião dominante é que este massacre terá sido executado por forças paramilitares eventualmente opostas ao Exército de Libertação Nacional Zapatista (EZLN) mas nunca realmente identificadas. Entre as vítimas contavam-se dezasseis crianças e adolescentes bem como vinte mulheres (algumas delas supostamente grávidas) e nove homens adultos.
Segundo os relatos de testemunhas as vítimas, pertencentes a um grupo comunitário denominado Las abejas (as abelhas) simpatizante do EZLN, terão sido mortas por cerca de 90 paramilitares, supostamente membros dum grupo denominado Máscara Roja (máscara vermelha), durante uma operação que se terá prolongado por cerca de 7 horas, a curta distância de um posto militar. Os militares ali estacionados não intervieram de forma a evitar o massacre, existindo relatos de que na manhã seguinte alguns deles se encontravam na igreja, lavando o sangue das paredes.
Na sequência do massacre cerca de 100 pessoas, na sua maioria indígenas, acabariam por ser detidas numa prisão de Tuxtla Gutiérrez, a capital de Chiapas.
O então bispo de San Cristóbal de las Casas, Samuel Ruiz, afirmou ser necessário que a Procuradoria Geral da República investigasse sobre quem seriam os instigadores deste massacre.
Entre os presumíveis participantes encontravam-se oito ex-oficiais das forças de segurança pública, condenados a penas de pouco mais de três anos de prisão e libertados logo de seguida.
Segundo dados não oficiais, crê-se que nessa altura em Chiapas operavam vários grupos paramilitares que combatiam o EZLN. Há quem sugira[quem?] que estariam ligados ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), então no poder havia 68 anos."
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