Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

"A Jangada da Europa à Deriva – Apontamentos sobre a Actualidade d’A Jangada de Pedra de José Saramago" via I Cátedra Internacional José Saramago da Universidade de Vigo

"A Jangada da Europa à Deriva – Apontamentos sobre a Actualidade d’A Jangada de Pedra de José Saramago" pode ser recuperado aqui 
em http://catedrasaramago.webs.uvigo.es/pt/publicacions-da-catedra/a-jangada-da-europa-a-deriva-apontamentos-sobre-a-actualidade-d-a-jangada-de-pedra-de-jose-saramago-49/#_edn2

Toda a informação aqui em http://catedrasaramago.webs.uvigo.es/

"A Jangada de Pedra" da edição Caminho (1986)


“Fruto imediato do ressentimento colectivo português pelos desdéns históricos de Europa (mais exacto seria dizer fruto de um meu ressentimento pessoal...), o romance que então escrevi - A Jangada de Pedra - separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices em direcção ao Sul do mundo, «massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais», a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens... Uma visão duas vezes utópica entenderia esta ficção política como uma metáfora muito mais generosa e humana: que a Europa, toda ela, deverá deslocar-se para o Sul, a fim de, em desconto dos seus abusos colonialistas antigos e modernos, ajudar a equilibrar o mundo. Isto é, Europa finalmente como ética. As personagens da Jangada de Pedra - duas mulheres, três homens e um cão - viajam incansavelmente através da península enquanto ela vai sulcando o oceano. O mundo está a mudar e eles sabem que devem procurar em si mesmos as pessoas novas em que irão tornar-se (sem esquecer o cão, que não é um cão como os outros...). Isso lhes basta.”  
(José Saramago, Discursos de Estocolmo) 

Em 2016, os 30 anos da edição d’A Jangada de Pedra de José Saramago coincidiram com o trigésimo aniversário da adesão de Portugal e Espanha à CEE, a futura União Europeia. A relevância da perspectiva saramaguiana sobre a relação das culturas ibéricas com o resto da Europa, sobre o processo de construção da UE continua a ser evidente. 

No seu momento, o romance e as opiniões do autor representavam uma visão radicalmente diferente daquela que vigorava na opinião pública de então. Desde a direita até ao centro-esquerda, depreciava-se qualquer debate sobre os perigos de antecipar uma união económica a uma convergência político-cultural. Uma ampla maioria nos principais países europeus acreditava que o período de paz após a II Guerra Mundial só se devia ao processo de integração económica europeia. 

Mas o romance sugeriu, de uma forma muito plástica, como o conflito pós-colonial de sistemas também se podia transformar em conflito cultural na própria metrópole Europa. Depois de 500 anos de presença em três continentes e após a perda das últimas colónias, a entrada de Portugal e Espanha na CEE tinha sido menos um regresso do que uma chegada. Até à morte de Franco ou ao 25 de Abril, respectivamente, a Europa tinha sido para Espanha e Portugal sobretudo um destino de emigração e de exílio. 

A adesão económica, porém, aconteceu num momento no qual esta Europa já se encontrava desprovida de um imaginário comum. Nos casos espanhol e português, talvez tenha vigorado naquele momento uma utopia de modernização das suas sociedades. Mas o que realmente produziu uma política de factos consumados era a economia comunitária com os seus caudais de fundos de desenvolvimento. 

Porém, não havia naquele momento um projecto político-cultural de uma Europa com valores comuns que pudesse ter servido de alicerce para uma integração. Precisamente por isso, A Jangada de Pedra insistiu na necessidade de acção de um sujeito que não pode ser desvinculado do seu contexto histórico-social e político. Como em toda a obra saramaguiana, também este romance participa de uma certa utopia do destino individual e do futuro melhor. Mas esta só se justifica pela acção histórica do sujeito e por este adquirir uma memória crítica do passado. 

Assim, a vara de negrilho e o risco de Joana Carda, que maravilhosamente desencadeiam a rotura da Península Ibérica nos Pirenéus, deslegitimam todas as vinculações impostas, sociais ou políticas. É sugerida a instituição de uma nova realidade, de uma necessária heterogeneidade cultural e de uma reescrita pós-colonial da História. A leitura crítica da História que propõe o romance lembra-nos que a Europa precisa de uma narrativa actualizada e da sua conseguinte posta em prática. Entre outros aspectos, sugere que é indispensável assumirmos a culpabilidade europeia em relação às culturas e aos espaços colonizados. 

Saramago concretizou esta reivindicação em 1998, no seu discurso na cerimónia de entrega do prémio Nobel. Aí reclamou uma “nova utopia” para a Europa, uma reorientação “para o Sul, a fim de, em desconto dos seus abusos colonialistas antigos e modernos, ajudar a equilibrar o mundo” e que esta Europa se assuma, de uma vez por todas “finalmente como ética”.[1] Não era a única ocasião em que se desvinculara da corrente europeizante do pensamento nacional em Portugal.[2] 

Mas era no discurso de Estocolmo onde chegou a caracterizar A Jangada de Pedra como o “fruto do ressentimento colectivo português” e até, “pessoal”, “pelos desdéns históricos de Europa”.[3] E em 1986, numa entrevista para a revista francesa Libération, tinha deixado claro que no cerne da questão estava a necessidade de acrescentarmos à memória colectiva europeia uma argumentação ética: 

“Esse romance […] é o efeito, talvez último, de um ressentimento histórico. Provavelmente, só um português poderia ter escrito tal livro. Mas o seu autor, este autor, declara que estaria pronto a fazer regressar do mar a errante jangada, depois de alguma coisa ter aprendido de vitalmente necessário durante a sua navegação, se a Europa, reconhecendo-se, de facto, incompleta sem a Península Ibérica, viesse a fazer pública confissão dos erros cometidos, das injustiças e dos desprezos com que durante tantos anos tratou dois povos a quem deve muito mais do que aquilo que tem querido reconhecer.”[4] 

Mas a utopia de uma “Europa finalmente como ética”, livre de complexos de superioridade, não implica o desaparecimento dos ‘factos diferenciais’ que distinguem as culturas ibéricas entre si, mas também, pelo menos na sua grande maioria, das outras culturas europeias. Continua a haver lugar para o sonho de um destino atlântico das culturas peninsulares. 

Naturalmente, isto inclui também a defesa de um pluralismo e de uma identidade cultural fluída, acorde com um mundo globalizado, sem nunca abdicar da premissa de uma ética concreta e palpável: 

“De um ponto de vista ético abstracto, a Europa não tem mais culpas no cartório da história que outra qualquer parte do mundo onde, hoje e ontem, por todos os meios, se tenham disputado o poder e a hegemonia. Mas a ética, exercendo-se, como no-lo está dizendo o senso comum, sobre o concreto social, é porventura a menos abstracta de todas as coisas.”[5] 

Esta filosofia do sentido comum é a base do “privilegiamento das permutas culturais” com a América Latina e a África,[6] com o qual o eurocentrismo deve ser contrariado, uma ideia que Saramago circunscreveu com o conceito da “trans-ibericidade”.[7] Quer dizer, o desafio de a Europa enfrentar a sua imagem no espelho das culturas pós-coloniais às quais deu origem. 

Hoje, quando se deplora o euro-cepticismo seria conveniente lembrar que Saramago já nos avisou em 1986 que existe “além dessa espécie de deformação congénita denominada eurocentrismo, aquele outro comportamento aberrante que consiste em ser a Europa, por assim dizer, eurocêntrica em relação a si mesma”.[8] Saramago sempre insistiu na correlação entre uma ética comum e a necessária aceitação dos factos diferenciais das diferentes culturas europeias: 

“[…] não haverá no futuro próximo uma nova Europa se esta não instituir frontalmente como entidade moral, e também não a haverá se não for abolido, mais do que os egoísmos nacionais, que quantas vezes não passam de meros reflexos defensivos, o preconceito da prevalência ou da subordinação das culturas.”[9] 

Nos trinta anos que Portugal e Espanha estão agora na CEE e na UE, nivelaram-se muitas diferenças económicas e administrativas, mas também culturais. A visibilidade e o conhecimento das culturas ibéricas nas grandes potências europeias, e na UE em geral, têm certamente aumentado. Mas também presenciamos uma crescente desconfiança dos países do Centro-Norte em relação aos países do Sul, frequentemente acusados de serem demasiado corruptos, dispendiosos e preguiçosos. Uma recente tentativa do Ministro de Finanças alemão de interferir na política interna portuguesa tem sido disso só um exemplo paradigmático, entre muitos outros. Em 2016, numa cimeira em Budapeste, Wolfgang Schäuble apresentou o Portugal da Troika como um exemplo do que devem ser as políticas económicas a seguir pelos países da zona euro, ao dizer que “Portugal estava a ser muito bem sucedido até entrar um novo governo, depois das eleições”, que a sua falha tinha sido “declarar que não iria respeitar os compromissos assumidos pelo anterior Governo” e “se seguirem esse caminho, vão assumir um grande risco”, afirmou.[10] Já antes, o mais poderoso dos ministros de finanças da UE tinha advertido do perigo de Portugal ter de pedir um novo resgate, se não acatasse as regras ditadas pela Comissão Europeia. 

Estas imposições de cortes financeiros chocam com o facto de terem sido os 10% mais pobres que perderam 24% do rendimento, entre 2009 e 2013 em Portugal, enquanto o rendimento dos 10% mais ricos só desceu 8%. Também segundo o Eurostat, mais de um quarto da população portuguesa (25,3%, na Espanha são 28,2%) está em risco de pobreza e exclusão social, um risco que está a aumentar em todos os países da União Europeia, ininterruptamente desde 2008, sobretudo nos países sujeitos a ‘troikas’ ou a medidas radicais de austeridade, eufemisticamente ditas “ajustamentos estruturais”. 

Em 1986, Saramago já intuiu que uma integração económica europeia sem enquadramento cultural, político e ético iria causar muitos desequilíbrios e que “o seu pecado ou vício maior, […] é a existência de duas Europas, a central e a periférica, mais o consequente lastro histórico de injustiças, discriminações e ressentimentos”.[11] O facto de Portugal, especialmente durante os anos da recente crise económica e financeira mundial, ter sido relegado para o papel de fornecedor de mão-de-obra barata ou de destino turístico de baixo custo e massificado, com Lisboa e Porto em clara deriva para a gentrificação e a descaracterização, ilustra esses desequilíbrios. A desconfiança e altivez com que os governos dos países do Centro-Norte costumam dirigir-se ao Sul da Europa, não é um fenómeno recente e já estava presente quando Saramago escreveu A Jangada de Pedra: 

“é desta maneira idealizada que os europeus costumam ver-se no espelho de si mesmos, e essa é a servil resposta que a si mesmos invariavelmente vêm dand «Sou eu o que de mais belo, de mais inteligente e de mais culto a Terra produziu até hoje.»”.[12] 

Um dos principais reflexos actuais desta atitude doutoral desprovida de uma ética do “concreto social” talvez seja a imposição de uma austeridade e de um dogmatismo financeiros que produziram novas vagas de emigração, agravado ainda pela falta de uma política de compromisso inequívoco em relação à crise humanitária dos refugiados. Estas e muitas outras dissonâncias no seio da EU compõem um desolador panorama de desintegração e falta de solidariedade, tal como o descreveu Saramago já em 1986:

“Para os estados europeus ricos e, segundo a opinião narcísica em que se comprazem, culturalmente superiores, o resto da Europa é algo vago e difuso, um pouco exótico, um pouco pitoresco, merecedor, quando muito, da atenção da antropologia e da arqueologia.”[13] 

Não é só Portugal que se debate hoje com transformações estereotipadas e superficialmente estetizadas da sua identidade. Há uma pressão para que os economicamente mais fracos correspondam, entre outras imposições de um mercado comunitário e simultaneamente globalizado, ao ideal de destino de negócio aliciante ou de turismo low cost. Enquanto a Europa se encontrar numa deriva desintegradora, austerocrática, paternalista, heteropatriarcal e sem consenso sobre valores comuns, um livro como A Jangada de Pedra continuará a ser uma mensagem política relevante para os indispensáveis debates sobre o futuro da UE. 

Como instituição, cuja credibilidade depende de como consegue responder às expectativas da cidadania, a UE vive, hoje em dia, submersa numa grave crise de valores. Para que possa formular alternativas reais ao euro-cepticismo crescente, não só precisa de uma reflexão colectiva e inter-cultural em torno dos problemas actuais como bem-estar, coesão, equidade ou segurança. Mas também sobre a promessa incumprida de uma Europa das Regiões, sobre a necessária redefinição de uma identidade cultural europeia a partir de valores como solidariedade e Direitos Humanos, entre muitos outros. 

Apesar de ter sido um declarado crítico do conceito de utopia, Saramago sempre se esforçou por deixar uma porta aberta para uma reinvenção em positivo da narrativa “Europa”. Porém, este renovado relato ético teria de partir da cidadania e do sujeito, da ideia de um demos (δήμος) europeu, ou seja, de um conceito de povo que não se fundamenta exclusivamente no étnico. Só a expressão deliberativa, cooperativa e colectiva da vontade dos sujeitos pode legitimar uma acção política e social oposta à tecnocracia descaracterizadora. Mas antes de lá chegar, esta cidadania precisa de assumir que 

“as culturas, é tempo de começar a entendê-lo Europa, e entendida tente ficar de uma vez para sempre, não são melhores nem piores umas que as outras, não são mais ricas nem mais pobres. Pelo destino, valem-se e equivalem-se, e pela diferença, assumida e aprofundada, é que se justificam.”[14]

(Burghard Baltrusch)

Como citar este artigo:

Baltrusch, Burghard (2016). "A Jangada da Europa à Deriva –  Apontamentos sobre a Actualidade d’A Jangada de Pedra de José Saramago", in Publicações no site da I Cátedra Internacional José Saramago, (acesso ../../....).


Este texto é uma versão abreviada e ligeiramente modificada do artigo "NOS 30 ANOS D’A JANGADA DE PEDRA: JOSÉ SARAMAGO E A ATUALIDADE DO DISCURSO DA “TRANS-IBERICIDADE”, publicado em Fênix - Revista de História e Estudos Culturais (n.º 2, 2016).

[1]Saramago (1999). Discursos de Estocolmo. Lisboa: Caminho. 
[2]Saramago (1988). “O (meu) Iberismo”, Jornal de Letras, Artes e Ideias 330, 31.10., p. 32. 
[3]Saramago (1999), Discursos de Estocolmo. Lisboa: Caminho. 
[4]Saramago [1986] (2016). “Meditação sobre uma Jangada”, Blimunda 55, p. 105, reed. em port. de uma entrevista dada à Libération em 1986. 
[5]Ibid., p. 100. 
[6]Saramago (1986). “A Península Ibérica nunca esteve ligada à Europa” [entrevista a Inês Pedrosa], Jornal de Letras, Artes e Ideias, 10.11., p. 24. 
[7]Saramago (1989). “Acerca do (meu) Iberismo”, Encontros: Revista Hispano Portuguesa de Investigadores en Ciencias Humanas y Sociales 1, p. 31. 
[8]Saramago [1986] (2016). “Meditação sobre uma Jangada”, Blimunda 55, p. 101. 
[9]Ibid., p. 102-103. 
[10]Público do 26.10.2016, <https://www.publico.pt/2016/10/26/economia/noticia/schauble-diz-que-portugal-estava-a-ser-bem-sucedido-ate-entrar-um-novo-governo-1748949>, acess 20/01/2017. 
[11]Saramago [1986] (2016). “Meditação sobre uma Jangada”, Blimunda 55, p. 101. 
[12]Ibid., p. 99. 
[13]Ibid., p. 102. 
[14]Ibid., p. 103. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

"Contra a cegueira social, a I Cátedra Internacional José Saramago" - Via Universidade de Vigo

"Contra a cegueira social, a I Cátedra Internacional José Saramago"


Artigo publicado por Rosa Tedín, através do site da Universidade de Vigo, em https://uvigo.gal/ e que aqui recuperamos a presente informação da implementação da Cátedra
Aqui em http://duvi.uvigo.es/index.php?option=com_content&task=view&id=11690&Itemid=39

"Este martes presentouse a iniciativa que pretende difundir a obra e pensamento do escritor luso.
Entre as primeiras actividades estarán a posta en marcha en novembro dunhas xornadas anuais."


“A I Cátedra Internacional José Saramago pretende crear pensamento e levar á sociedade en xeral, portuguesa, galega e internacional, a discusión en temas esenciais e de afondamento no debate en torno aos grandes problemas nacionais e universais. Pretende contribuír ao desenvolvemento, para o fornecemento da cohesión social e para a xustiza, e para iso, fundaméntase na obra, na vida e no pensamento de José Saramago”. Con estes obxectivos, recollidos nos seus estatutos, presentouse este martes na Universidade de Vigo a I Cátedra Internacional José Saramago. En tempos de recortes en humanidades, Pilar del Río, presidenta da Fundación José Saramago e viúva do escritor, salientou como é o momento de “loitar contra a indiferenza, o medo e a resignación”, tres vectores que Saramago identificou como característicos do noso tempo, “desde a cultura e desde a universidade”.

Pór en valor o pensamento de Saramago, pór en valor o humanismo
A cátedra foi presentada por representantes das institucións que son membros fundadores, a Universidade de Vigo e a Fundación José Saramago, e membros honoríficos, o Camões (Instituto da Cooperação e da Língua) e a Fundação Eng.º António de Almeida. A iniciativa, explicaron os seus promotores, bota a andar despois de que en 2014 xurdise a idea no seo do Grupo de Análise e Estudos da Literatura e da Tradutoloxía da Universidade de Vigo e trala sinatura o pasado ano dun convenio entre as entidades fundadoras. “A creación desta cátedra non puido acaer nun momento histórico máis oportuno”, recalcou o docente da Universidade de Vigo Burghard Baltrusch, presidente da cátedra, salientando como se vén de celebrar o Día de Galicia e como este ano se conmemora o centenario das Irmandades da Fala. Lembrando a relación de Saramago con Galicia, a través da súa obra e en visitas ao longo da súa vida, Baltrusch subliñou como “todos e todas gañamos con esta cátedra”, tanto Saramago como Galicia, España e o mundo lusófono. 

A cátedra, recalcou Salustiano Mato, reitor da Universidade de Vigo, permitirá “pór en valor a obra e o pensamento deste autor” co obxectivo de “intentar recuperar o humanismo nas persoas” e ante a convicción de que “só ese humanismo nos permitirá ter futuro”. A cátedra nace na Universidade de Vigo, apuntou o reitor, aproveitando o papel de Vigo como punto de encontro e “lugar de maridaxe do mundo lusófono”. Neste senso, Pilar del Río sinalou como se aledaba de que fose “unha universidade nova”, como a Universidade de Vigo, a que puxese en marcha esta cátedra, “xa que son os novos os que son donos do presente e do futuro”.


A iniciativa, destacou pola súa banda Fernando Aguiar-Branco, presidente da Fundação Eng.º António de Almeida, permitirá “perdurar e divulgar a valía cultural e humanística de Saramago”. A cátedra, recalcou Filipa Soares, coordinadora para España do Ensino de Portugués do Instituto Camões, non só dará a coñecer a obra de José Saramago senón que levará a cabo un “traballo extenso” de divulgación e difusión da cultura portuguesa e do pensamento do escritor luso. Lembrando como o pensamento dos escritores é inmortal a través das súas publicacións, Soares subliñou como a obra de Saramago obriga aos lectores a saír da súa comodidade e a pensar permanentemente na súa identidade. 

Primeiras accións
A presentación da cátedra realizouse despois dunha asemblea dos membros da cátedra na que se presentou a composición do seu primeiro comité executivo e o seu plan de acción para o segundo semestre do ano. Deste xeito, o comité executivo estará presidido por Burghard Baltrusch. Camiño Noia será a vicepresidenta e completarán o equipo Carlos Nogueira e Regina Carreira. Segundo explicou o presidente deste órgano, entre as primeiras accións da cátedra estarán a posta en marcha dunha base de datos de literatura crítica sobre a obra de Saramago, que completará e ampliará á realizada pola fundación dedicada ao Premio Nobel. 

Outras das actividades prevista é a realización a principios de outubro dunha presentación da cátedra na Casa da Música, en Porto, coincidindo coa organización dun coloquio sobre Valter Hugo Mãe, gañador do Premio Saramago 2007. “As actuacións non se limitarán á obra do homenaxeado senón tamén á literatura actual”, recalcou Baltrusch. Por último, tendo en conta a data de nacemento de Saramago, o presidente da cátedra subliñou como en novembro se porán en marcha na Facultade de Filoloxía e Tradución da Universidade de Vigo unhas xornadas sobre o escritor luso que terán un carácter anual e nas que se buscará a implicación na organización e nos contidos non só dos docentes do centro senón tamén do alumnado. Como mostra desde desexo de implicar aos universitarios, o acto de presentación da I Cátedra Internacional José Saramago rematou coa lectura a cargo de dúas estudantes do centro de varios textos do escritor homenaxeado. 

Estas serán as primeiras accións dunha cátedra que se constitúe como un espazo para a reflexión, o diálogo e a toma conxunta de acordos, co obxectivo de promover a cooperación científica, lingüística, educativa e cultural ao redor desta figura das letras universais e a través da investigación, da docencia e da divulgación social da súa obra e produción humanística. Entre os obxectivos desta iniciativa estarán o desenvolvemento de proxectos de divulgación social e de transferencia do coñecemento; a organización e a realización de todo tipo de actividades de divulgación e/ou difusión e promoción da figura e da obra de José Saramago, tales como cursos, conferencias, simposios ou seminarios; o apoio a docentes, investigadores e estudantes; o intercambio de publicacións, traballos de investigación e de calquera tipo de materiais académicos que resulten de interese en todo tipo de proxectos culturais e literarios; e a mobilidade de estudantes e de persoal docente e investigador."

A Universidade de Vigo crea a I Cátedra Internacional José Saramago - Notícia via "Sermos Galiza"

Pilar del Río e restante equipa na apresentação da I Cátedra - Foto: DUVI

Notícia via "Sermos Galiza", e pode ser recuperada e consultada aqui
em, http://www.sermosgaliza.gal/articulo/cultura/universidade-vigo-crea-i-catedra-internacional-jose-saramago/20160726201322049845.html

"A institución académica vén de crear esta cátedra que pretende difundir a obra e pensamento do escritor luso. En novembro poñerán en marcha unhas xornadas anuais.

“A I Cátedra Internacional José Saramago pretende crear pensamento e levar á sociedade en xeral, portuguesa, galega e internacional, a discusión en temas esenciais e de afondamento no debate en torno aos grandes problemas nacionais e universais. Pretende contribuír ao desenvolvemento, para o fornecemento da cohesión social e para a xustiza, e para iso, fundaméntase na obra, na vida e no pensamento de José Saramago”. Con estes obxectivos, recollidos nos seus estatutos, presentouse este martes na Universidade de Vigo a I Cátedra Internacional José Saramago. 

A cátedra foi presentada por representantes das institucións que son membros fundadores, a Universidade de Vigo e a Fundación José Saramago, e membros honoríficos, o Camões (Instituto da Cooperação e da Língua) e a Fundação Eng.º António de Almeida. A iniciativa, explicaron os seus promotores, bota a andar despois de que en 2014 xurdise a idea no seo do Grupo de Análise e Estudos da Literatura e da Tradutoloxía da Universidade de Vigo e trala sinatura o pasado ano dun convenio entre as entidades fundadoras. “A creación desta cátedra non puido acaer nun momento histórico máis oportuno”, recalcou o docente da Universidade de Vigo Burghard Baltrusch, presidente da cátedra, salientando como se vén de celebrar o Día Nacional e como este ano se conmemora o centenario das Irmandades da Fala. Lembrando a relación de Saramago con Galiza, a través da súa obra e en visitas ao longo da súa vida, Baltrusch subliñou como “todos e todas gañamos con esta cátedra”, tanto Saramago como Galiza e o mundo lusófono. 

A cátedra, recalcou o reitor, Salustiano Mato, permitirá “pór en valor a obra e o pensamento deste autor” co obxectivo de “intentar recuperar o humanismo nas persoas” e ante a convicción de que “só ese humanismo nos permitirá ter futuro”. A cátedra nace na Universidade de Vigo aproveitando o papel de Vigo como punto de encontro e “lugar de maridaxe do mundo lusófono”. 

Neste senso, Pilar del Río, presidenta da Fundación Saramago e viúva do escritor sinalou como se aledaba de que fose “unha universidade nova”, como a Universidade de Vigo, a que puxese en marcha esta cátedra, “xa que son os novos os que son donos do presente e do futuro”. En tempos de recortes en humanidades, Pilar del Río salientou como é o momento de “loitar contra a indiferenza, o medo e a resignación”, tres vectores que Saramago identificou como característicos do noso tempo, “desde a cultura e desde a universidade”.

Primeiras accións

Entre as primeiras accións da cátedra estará a posta en marcha dunha base de datos de literatura crítica sobre a obra de Saramago, que completará e ampliará á realizada pola fundación dedicada ao Premio Nobel. E en novembro poranse en marcha na Facultade de Filoloxía e Tradución da Universidade de Vigo unhas xornadas sobre o escritor luso que terán un carácter anual e nas que se buscará a implicación na organización e nos contidos non só dos docentes do centro senón tamén do alumnado."