Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Fundação José Saramago - Casa dos Bicos 2012

Inauguração das instalações da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos
em 13/06/2012 

Fotografias de Agosto de 2012





segunda-feira, 23 de abril de 2018

"Encontros com o Património" da TSF (Manuel Vilas-Boas) programa dedicado à Fundação José Saramago e Casa dos Bicos (21/04/2018)

"Encontros com o Património"
TSF - Sábados, às 12h10, com repetição domingo, depois da 01h00
Programa de Manuel Vilas-Boas


Nesta edição vamos conhecer a Fundação José Saramago, instalada na Casa dos Bicos, em Lisboa.


Convidados
João Santa Rita, arquitecto
Sérgio Machado Letria, director da Fundação José Saramago
Ana Matos, curadora



domingo, 19 de junho de 2016

Momentos da homenagem "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"


Aline Frazão interpreta música do seu álbum "Insular"
"O homem que queria um barco", baseado na obra de José Saramago "Conto da Ilha Desconhecida"

Pode ser visualizado, via YouTube, aqui

Presidenta Pilar del Río, apresentou em castelhano extracto de um 
capítulo inédito da obra "Jangada de Pedra", que faz parte da edição espanhola

Pedro Lamares, deu voz à "Jangada de Pedra"

Apresentação de imagens inéditas do filme documentário "José e Pilar"

A Oliveira que nos acolhe à chegada da Fundação José Saramago
"Casa dos Bicos" em Lisboa

terça-feira, 14 de junho de 2016

"Fundação José Saramago abre hoje na Casa dos Bicos para desassossegar" - Foi assim que Isabel Coutinho do jornal "Público" noticiou o evento (13/06/2012)

A Presidenta Pilar del Río e António Costa, na altura Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Fotografia de Enric Vives-Rubio

Foi assim que Isabel Coutinho do jornal "Público" noticiou o evento (13/06/2012)
O artigo pode ser aqui recuperado,
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/fundacao-jose-saramago-abre-hoje-na-casa-dos-bicos-para-desassossegar-1550126

"Fundação José Saramago abre hoje na Casa dos Bicos para desassossegar"  

"Uma exposição dedicada à obra e à vida do Nobel da Literatura português, parte da sua biblioteca pessoal e a do amigo Vasco Gonçalves podem ser visitadas na Casa dos Bicos. Saramago está sempre presente.

As luvas brancas que Pilar del Río traz calçadas enquanto arruma a biblioteca na Casa dos Bicos, em Lisboa, foram usadas por José Saramago numa cerimónia honoris causa. Nestes dias têm ajudado a presidenta da Fundação Saramago a transportar caixas, pendurar quadros e organizar papéis neste edifício quinhentista da Rua dos Bacalhoeiros, que durante os próximos seis anos vai albergar a sede da instituição fundada pelo Nobel da literatura português. 

"Saramago usou-as durante uma cerimónia de um doutoramento honoris causa. Espero que a universidade não se importe... Ele não se importaria, porque estão a ser usadas para a sua obra", diz a viúva do escritor durante uma vista de jornalistas à casa que, em 2008, foi cedida à Fundação Saramago pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) por dez anos. Ali decorrem os últimos preparativos para a abertura ao público, marcada para hoje.

A cerimónia oficial de inauguração realiza-se às 11h30, com a participação do presidente da CML, António Costa. Por constrangimentos de espaço, é destinada apenas a convidados e à comunicação social, mas a Fundação José Saramago abrirá as portas ao público à tarde, entre as 14h e as 16h. 

Na cerimónia será apresentado um vídeo em que o autor de "História do Cerco de Lisboa" fala dos objectivos da fundação. Além dos discursos oficiais, falará o espanhol Fernando Gómez Aguilera, comissário da exposição "José Saramago. A Semente e os Frutos", que ocupa o primeiro andar da nova Casa dos Bicos, cujas obras de readaptação foram feitas pela dupla de arquitectos Manuel Vicente e João Santa-Rita.

A Casa dos Bicos, que tem uma importante jazida arqueológica a nível subterrâneo, abrirá todos os dias úteis das 10h às 18h e, aos sábados, das 10h às 14h. Em Junho, a entrada é grátis, depois passa a ser paga: o bilhete custará três euros para os portugueses e "entre cinco e seis euros" para os estrangeiros. A fundação vai viver dos direitos de autor da obra do escritor, que morreu a 18 de Junho de 2010, e do trabalho que se for fazendo nesta instituição, que assume como norma de conduta, nas suas actividades, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e que tem por missão dar particular atenção aos problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta. 

"Não temos qualquer outro apoio oficial e os tempos estão difíceis para conseguir mecenato. Por isso, o público vai ter de pagar entrada", explica Pilar del Río.

Parte da biblioteca pessoal de Saramago está agora guardada neste edifício, e será possível aceder ao resto dos seus livros (o essencial continua na sua biblioteca em Lanzarote), a partir de equipamento electrónico. A Casa dos Bicos tem ainda disponíveis áreas de trabalho para investigadores que estejam a estudar e a organizar o espólio. No terceiro andar, além da biblioteca e do auditório existe um espaço dedicado ao político e ex-primeiro-ministro português Vasco Gonçalves (1922-2005). 

A presidenta da fundação explica ao PÚBLICO que não irão existir outros espaços "porque José Saramago já não está cá para decidir, e também não caberiam mais". Saramago e Vasco Gonçalves eram amigos e o escritor respeitava muito o político e não queria que a sua biblioteca se dispersasse depois da sua morte. "Colaboraram juntos algum tempo, e José considerava-o um ser humano de uma qualidade extraordinária. Ele não queria que a biblioteca de Vasco Gonçalves - ainda por cima são os seus livros anotados - se dispersasse por respeito a um homem fundamental na revolução democrática e que foi muito mal interpretado por interesses muito concretos", afirma Pilar del Río.

No primeiro andar, Ana Saramago Matos, neta do escritor, está ocupada com os acabamentos da exposição "José Saramago: a Semente e os Frutos", que hoje abre ao público e que nasce da mostra "A Consistência dos Sonhos", que em 2008 esteve no Palácio de Ajuda em Lisboa, e também teve a curadoria de Fernando Gómez Aguilera, presidente da Fundação César Manrique, em Lanzarote. Essa exposição foi agora adaptada e ajustada ao espaço de exposições da Casa dos Bicos. A Semente retrata o início do percurso literário de Saramago, desde as suas origens na aldeia ribatejana da Azinhaga, com a evocação dos avós Josefa e Jerónimo, passando pelos anos de escrita jornalística e de militância cívica e política. 

A máscara de Beethoven

José Saramago costumava dizer que não se pode fazer nada sem se ter lido. Por isso a exposição inicia-se com as traduções que fez ao longo da sua vida, entre as quais a da obra "Ana Karenine". Os "frutos" referidos no título da exposição estão patentes nos manuscritos, nos livros em diferentes línguas e na consagração trazida pelo Nobel de 1998. A máscara branca de Beethoven de que se fala em Claraboia (Caminho) está pendurada na parede. Quando tinha vinte e tal anos, José Saramago passou por uma montra e viu uma máscara de Beethoven e não a comprou porque era cara. "O que é incrível é que aos setenta e tal anos Saramago foi a Bona, à cidade natal de Beethoven, encontrou a tal máscara e comprou-a", conta Pilar aos jornalistas entre as vitrinas com cadernos de notas, agendas em que o escritor organizava o dia-a-dia, cartas e fotografias com amigos de todo o mundo. Pode ver-se ainda a reconstituição do primeiro escritório onde Saramago escreveu, que era também um dos núcleos da exposição na Ajuda, e há equipamento de áudio com entrevistas, discursos e ainda vídeos. Tal como acontece na casa-museu em Lanzarote, a Casa dos Bicos tem uma loja onde os visitantes podem comprar livros de José Saramago em várias línguas e artigos com a marca da instituição.

A Fundação Saramago na Casa dos Bicos quer ser um centro emissor de ideias, debates, polémicas. "José Saramago dizia que escrevia para desassossegar. Nós estamos aqui para desassossegar também. Aquilo que as pessoas têm de encontrar aqui, e que temos de ser capazes de lhes dar, é o espírito de Saramago: nos papéis ou nos objectos que vão ver, mas também na dinâmica de trabalho e na programação que se faz", conclui Pilar del Río.

Notícia corrigida no dia 14/06 às 12h32, A Casa dos Bicos é um edifício quinhentista e não seiscentista

segunda-feira, 13 de junho de 2016

4.º Aniversário da abertura da Casa dos Bicos

A "Declaração de Princípios", pode ser consultada, na página da Fundação José Saramago, aqui

Declaração de Princípios

"Os objectivos da Fundação José Saramago, nesta data criada, estão enunciados com toda a clareza nas disposições estatutárias pelas quais deverá reger-se. Não têm, portanto, que ser repetidos aqui em Declaração de Princípios. Contudo, pareceu-me apropriado, na circunstância, expressar de modo pessoal umas quantas vontades (ou desejos) que em nada contradizem os referidos objectivos, antes os poderão enquadrar num todo harmonioso e familiarmente reconhecível. Não me dou como exemplo a ninguém, porém, revendo a minha vida, distingo, ora firme, ora trémula, uma linha contínua de passos que não projectei, mas que, de maneira consciente ou não tanto, me fizeram perceber que nenhuma outra poderia servir-me, ao mesmo tempo que se me ia tornando cada vez mais claro que uma das minha obrigações vitais seria servi-la eu a ela. Ter conhecido Pilar, viver ao seu lado, só viria confirmar-me que tal direcção era a correcta, tanto para o escritor como para o homem. A direcção dos grandes valores, sim, mas também a direcção das pequenas e comuns acções que deles decorrem no quotidiano e que lhes darão a melhor validez das experiências adquiridas e das aprendizagens que não cessam. O paradoxo da existência humana está em morrer-se em cada dia um pouco mais, mas que esse dia é, também, uma herança de vida legada ao futuro, que o futuro, longo ou breve seja ele, deverá assumir e fazer frutificar. Nem por vocação, nem por opção nasceu a Fundação José Saramago para contemplar o umbigo do autor.

Sendo assim, entre a vontade e o desejo, eis as minhas propostas:

a ) Que a Fundação José Saramago assuma, nas suas actividades, como norma de conduta, tanto na letra como no espírito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Nova Iorque no dia 10 de Dezembro de 1948.

b) Que todas as acções da Fundação José Saramago sejam orientadas à luz deste documento que, embora longe da perfeição, é, ainda assim, para quem se decidir a aplicá-lo nas diversas práticas e necessidades da vida, como uma bússola, a qual, mesmo não sabendo traçar o caminho, sempre aponta o Norte.

c) Que à Fundação José Saramago mereçam atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo.

Bem sei que, por si só, a Fundação José Saramago não poderá resolver nenhum destes problemas, mas deverá trabalhar como se para isso tivesse nascido.

Como se vê, não vos peço muito, peço-vos tudo.

Lisboa, 29 de Junho de 2007

José Saramago"




4.º Aniversário da abertura da Casa dos Bicos - FJS - Retrospectiva dos dias que antecederam a inauguração


Retrospectiva dos dias que antecederam a inauguração da "Casa dos Bicos", 
sede actual da Fundação José Saramago

Faltam 5 dias 

Faltam 4 dias 

Faltam 3 dias

Faltam 2 dias 

Falta 1 dia

Inauguração 

"Foram muitas as personalidades que se juntaram dia 13 de junho para a inauguração do espaço da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos. Um novo "centro cultural", como desejou Saramago, está a partir de agora aberto ao público e à cidade."


terça-feira, 7 de junho de 2016

13 de Junho a Fundação José Saramago celebra o 4.º aniversário da sua abertura

No próximo dia 10 de junho, a Fundação José#Saramago está de portas abertas no seu horário habitual. No dia 13 de junho, dia em que se assinala o 4.º aniversário da abertura da FJS na Casa dos Bicos, o horário será das 14H às 18H30, com o seguinte programa:


Via Fundação José Saramago


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Exposição permanente na Fundação José Saramago - "José Saramago. A semente e os frutos"

Flyer de apresentação da Fundação José Saramago

Toda a informação disponível através da página da Fundação José Saramago, aqui 

"Na obra literária de José Saramago (Azinhaga, 1922) conjuga-se a literatura mais exigente e pessoal com as interrogações mais fecundas. Autor tardio, mas de formação caldeada no calor de letras escritas e de leituras, soube construir, a partir da década de oitenta, uma literatura renovadora e original, que lhe conferiu, em 1998, o primeiro Prémio Nobel concedido a um escritor de língua portuguesa. Denso e irónico, inteligente e cético, terno e sarcástico, demolidor e pertinaz nas suas críticas, praticou, ao longo da sua produção narrativa, tanto a desmitificação da História convencional como a censura ativa dos desvios contemporâneos, tomando sempre como referência a essência humana da vida, a solidariedade, a compaixão, o respeito pelo outro e a relatividade do ponto de vista. Armado por um autor-narrador forte, que invade o espetro da sua narrativa, defendia que a obra é o romancista, ao mesmo tempo que marcou uma literatura construída a partir de ideias fortes, de audazes metáforas visionárias e ilustradas, de uma deslumbrante fabulação e de uma consciência incómoda que quis e soube ligar o seu destino ao pulsar turbulento do coração do mundo contemporâneo, permanentemente posto a nu e questionado. 

Saramago — que nunca ocultou a sua militância comunista — projetou mundialmente o seu trabalho e a sua figura pública, acentuando o seu perfil de intervenção cívica em defesa da liberdade, dos direitos humanos e da inclusão social, imbuído de valores e ideais suscetíveis de construir outra realidade mais justa, mais humana. Esta atitude engagée serviu-lhe para recuperar, com energia e credibilidade, o papel do intelectual inconformista, envolvido nas questões palpitantes e nos debates do seu tempo, trazendo ângulos de visão heterodoxos, refutando a ordem aceite maioritariamente e reclamando uma ética individual e coletiva que contemplasse como prioridade o ser humano, a sua dignidade, acima de qualquer outra hierarquia discriminatória ou qualquer outro interesse de poder ou económico. José Saramago desenvolveu, pois, com intensidade as suas responsabilidades cívicas, com o desejo de colocar o cidadão ao mesmo nível do escritor, tal e como ele mesmo expressaria: «Tenho muito cuidado em não transformar os meus romances em panfletos, apesar de ser marxista e comunista com cartão. Tenho umas ideias e não separo o escritor do cidadão das minhas preocupações. Acho que nós, os escritores, devemos voltar à rua, e ocupar de novo o espaço que antes tínhamos e agora é ocupado pela rádio, pela imprensa ou pela televisão. É preciso, além disso, fomentar o humanismo, o conhecimento de que milhares e milhares de pessoas não podem aproximar-se do desenvolvimento.» (1994) 

Polémico, pessimista confesso, brilhante, ativista e incómodo, a perspetiva da sua vida caldeada oferece o balanço de um trabalho literário amplo e pertinaz, em que o cultivo do romance conviveu com o teatro, a poesia, as crónicas jornalísticas e as memórias. A exposição José Saramago. A semente e os frutos dá conta, em síntese, dessa dedicação, mostrando como o príncipe da literatura que foi José Saramago funde as suas raízes no operário das letras que, com o seu minucioso e metódico trabalho, em momentos difíceis da sua vida - os árduos e obscuros anos quarenta, cinquenta e sessenta em Portugal - sedimentou as bases do brilho futuro. A mostra, que aglutina numerosos manuscritos, documentos, primeiras edições e centenas de traduções em mais de quarenta línguas, propõe um percurso tanto pela produção literária de José Saramago como pelos seus contextos ideológicos e sociais. 

A conceção expositiva de José Saramago. A semente e os frutos incorpora recursos audiovisuais postos ao serviço de conteúdos específicos que abrem as portas ao denso e rico mundo saramaguiano. O discurso expositivo oferece a possibilidade de aproximação à génese do escritor através de inúmeras portas de entrada, propocionando a cada visitante a oportunidade de construir o seu próprio percurso, em função dos seus interesses no momento de penetrar num universo literário e intelectual tão amplo e sugestivo como polifacetado." 
Fernando Gómez Aguilera 

sábado, 30 de janeiro de 2016

"Casa dos Bicos" sede da FJS, alguns elementos da sua história

Pequena abordagem da evolução histórica da "Casa dos Bicos" (baseada na fotografia postada na página do Facebook da Fundação José Saramago), datada de 1951; de onde se recua até ao século XIX, e daí até aos nossos dias.

A página da Direcção-Geral do Património Cultural, classifica o edifício "Casa de Brás de Albuquerque (Casa dos Bicos)", e cuja informação histórica pode ser aqui consultada, 
"A Casa dos Bicos é um dos raros exemplares da arquitectura renascentista que subsistiu da Lisboa manuelina. Foi mandada edificar por Brás de Albuquerque, cortesão de reconhecida e esmerada cultura humanista, devendo-se também ao seu patrocínio a construção da magnífica Quinta da Bacalhôa. 
Em 1521 Brás de Albuquerque integrou a comitiva real que conduziu a Infanta D. Beatriz, filha de D. Manuel, a Itália para seu o casamento com o duque Carlos III de Sabóia; aí, o conselheiro do Venturoso terá contactado com os modelos eruditos da arquitectura renascentista italiana. Ao voltar a Portugal, cerca de 1523, mandou erguer nos terrenos fronteiros à Ribeira Velha e à Alfândega que haviam pertencido ao vice-rei Afonso de Albuquerque, seu pai, um edifício inspirado nos palácios dei diamanti italianos, com loja, sobreloja e dois andares nobres, havendo alguns autores que atribuem a obra ao arquitecto régio Francisco de Arruda. 
A estrutura original ficou bastante danificada devido ao terramoto de 1755 e ao incêndio que se lhe seguiu. A fachada principal, que ficava virada à actual Rua Afonso de Albuquerque, caiu, e os dois andares cimeiros de todo o edifício ruíram. Em 1772 o edifício foi parcialmente reconstruído, mas a estrutura quinhentista ficou irremediavelmente alterada. Ao longo do século XIX a casa sofreu as mais variadas vicissitudes, chegando a ser utilizada como armazém de bacalhau por largas dezenas de anos. 
Cerca de 1960 a Câmara de Lisboa adquiriu a Casa dos Bicos, contratando em 1968 o arquitecto Raul Lino para executar um projecto de adaptação do espaço a museu. No entanto, a obra foi adiada, e somente em 1981 foi desenhado o plano de recuperação da Casa dos Bicos, pela mão do arquitecto Santa Rita. O espaço foi então adaptado às novas funções museológicas, sendo acrescentados ao edifício os dois andares que perdera com o terramoto. A fachada foi reconstruída segundo imagens antigas de Lisboa que mostram a estrutura original da casa de Brás de Albuquerque. 
De planta rectangular, o edifício distingue-se pela sua invulgar fachada, em que o aparelho de pontas de diamante de gosto renascentista - que originou a designação popular de Casa dos Bicos - se conjuga com as janelas contemporâneas inspiradas na linguagem decorativa manuelina, cuja distribuição irregular imprime ritmo à fachada. No piso térreo foram abertas portas de moldura regular com diferentes dimensões. A disposição original do espaço interior foi profundamente alterada para poder albergar os núcleos de museologia. 
Entre 1986 e 2002 o edifício albergou a extinta Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Actualmente, é a sede da Fundação José Saramago. 
Catarina Oliveira - DGPC, Julho de 2012"

A fachada da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago
Nas janelas, obra do artista plástico José Santa-Bárbara, baseada no "Memorial do Convento"
"Edição especial de Memorial do Convento, de José Saramago, comemorativa 
do vigésimo aniversário da sua primeira edição, em Outubro de 1982. 
É ilustrada com pinturas de José Santa-Bárbara que se incluem no ciclo «Vontades. 
Uma leitura de Memorial do Convento»." (Fonte: Bibliografia FJS)


Casa dos Bicos e a Oliveira transplantada da
Azinhaga, terra natal de José Saramago
Ponto de encontro e de acesso aos visitantes da Fundação José Saramago
(Na foto, a criança e a continuidade - Fotografia Helena Mesquita)


"Lisboa 1951 - Casa dos Bicos - Fotografia de Alfred Franz Adolf Ehrhardt"
Fotografia colocada na página do Facebook da Fundação José Saramago, aqui

Do blog "Lisboa de Antigamente" é feita uma abordagem histórica 
à construção e história da conhecida "Casa dos Bicos" Pode ser consultado, aqui 

(Rua dos Bacalhoeiros, 10/10F (Século XIX)
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

(Rua dos Bacalhoeiros, 10/10F (Século XIX)
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Municipal de Lisboa

Mais informação, na página do Facebook, aqui