Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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terça-feira, 6 de março de 2018

HOJE!!!! INAUGURAÇÃO DA Exposição "Saramago os pontos e a vista" no "Farol Santander" São Paulo / Brasil


Mais informações aqui,

"OS PONTOS E A VISTA
Por José Saramago
De 06.03 a 03.06 de 2018 
Terça a Sábado das 9h00 às 19h00

Domingo das 9h00 às 17h00

19º e 20º andar
A proposta para a exposição SARAMAGO - Os Pontos e a Vista, se baseia no uso inédito de um rico acervo de materiais audiovisuais, criando uma vivência singular do ponto de vista de José Saramago em primeira pessoa.

A exposição pretende olhar para as diferentes dimensões de José, ampliando a compreensão que o público brasileiro tem sobre o autor português, um dos maiores legados da literatura contemporânea.

Saramago é popularmente conhecido pelas opiniões polêmicas, mas ao nos aproximarmos de seu universo podemos entender que suas opiniões vêm de uma reflexão profunda sobre as condições humanas e as relações de poder. É a força que carrega como cidadão, que permeia sua criação literária com um interesse genuíno pelo mundo e pelo ser humano.

Antes de se tornar escritor, José exerceu diversas atividades que o permitiram experimentar a vida a partir de diferentes pontos de vista. Esse acúmulo de perspectivas ajudou a formar seu modo único de enxergar o mundo.

A exposição é composta e estruturada por 15 vídeos, e sua expografia se desenvolve de forma modular, com uma pequena ambiência para cada vídeo.

Cada módulo é composto de um objeto cênico, uma vídeo-projeção e um pequeno texto explicativo, que vão costurando um panorama das diferentes dimensões do autor."

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"São Paulo recebe exposição sobre a vida e a obra de José Saramago" Via Fundação José Saramago

Apresentação e anúncio da exposição, através da Fundação José Saramago, aqui

"A vida, a produção literária e o pensamento de José Saramago orientam a exposição “Saramago – os pontos e a vista” que abre ao público no dia 6 de março na cidade de São Paulo. A mostra, que conta com o apoio da Fundação José Saramago, estará patente no espaço Farol Santander, no centro da cidade, até ao próximo dia 3 de junho.

A curadoria da exposição é de Marcello Dantas e a produção dos vídeos que a integram é de responsabilidade de Miguel Gonçalves Mendes. Além de um vasto material audiovisual, o visitante poderá ver alguns objetos pessoais do escritor, como o computador com o qual escreveu Ensaio sobre a Cegueira e a cama dos seus avós, que viajou da sua terra natal, Azinhaga. Sobre ela, José Saramago afirmou no seu discurso ao receber o Prémio Nobel de Literatura em 1998: “No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama”.

A exposição poderá ser visitada de terça a domingo, das 9h às 19h. A entrada é livre."

(Cartaz da exposição)

"SARAMAGO – OS PONTOS E A VISTA"

“É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós…” (O Conto da Ilha Desconhecida)

A proposta para a exposição Saramago, os pontos e a vista, se baseia no uso inédito de um rico acervo de materiais audiovisuais, criando uma vivência singular do ponto de vista de José Saramago em primeira pessoa.

A exposição pretende olhar para as diferentes dimensões de José, ampliando a compreensão que o público brasileiro tem sobre o autor português, um dos maiores legados da literatura contemporânea.

Saramago é popularmente conhecido pelas opiniões polêmicas, mas ao nos aproximarmos de seu universo podemos entender que suas opiniões vêm de uma reflexão profunda sobre as condições humanas e as relações de poder. É a força que carrega como cidadão, que permeia sua criação literária com um interesse genuíno pelo mundo e pelo ser humano.

Antes de se tornar escritor, José exerceu diversas atividades que o permitiram experimentar a vida a partir de diferentes pontos de vista. Esse acúmulo de perspectivas ajudou a formar seu modo único de enxergar o mundo.

Marcello Dantas
Curador



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"Literary Rebellion Images of Nobel Prize Laureates in Literature. An exhibition by Kim Manresa and Xavi Ayén."

"José Saramago Photo: Kim Manresa"

Nobel Museum, Stortorget 2, Gamla stan
23 September 2017 – September 2018

"What is a literary rebellion? Can literature change the world? To read and write is a slow pursuit, and often a solitary one. Still reading and writing are often seen as something threatening. Texts have been censored and banned, authors have been threatened, persecuted and even imprisoned for what they write.

In the photo exhibition Literary Rebellion, twelve Nobel Laureates in Literature are depcited in the Spanish photographer Kim Manresa’s gripping and beautiful images. The authors have in different ways used their writing as a way to question, create change and make resistance. Through their literature, they have in different ways worked to create and maintain spaces for the free word.

In the exhibit we ask ourselves how the power of literature to change the world can be expressed in individual authorships, and show examples of authors that have been noted for their ability to jolt their readers. Their ways of writing and acting as authors have had different consequences depending on their societies; some have been forced to write from exile.

Some examples are seemingly more obvious, like Svetlana Alexievich or Herta Müller, but others are more harmless at a first glance. The everyday and sometimes humourous poetry of Wisława Szymborskas can appear far from resistance and rebellion, but expresses an ideal of freedom that fends away totalitarian ideologies.

The photographer Kim Manresa is based in Barcelona and works in a documentary style with a strong social commitment. In his reports he often follows people that fight for themselves or for others. For more than a decade, Manresa has together with the journalist Xavi Ayén interviewed Nobel Laureates in Literature about their social egagement, which resulted in the book Rebeldía de Nobel. These stories make the basis for this exhibition.

The exhibition is produced in cooperation with curator Miguel Angel Invarato. All images are © Kim Manresa.

The Nobel Laureates in Literature whose authorships are highlighted in the exhibition are (in parenthesis the year in which they were awarded): Svetlana Alexievich (2015) Dario Fo (1997) Nadine Gordimer (1991) Imre Kertész (2002) Doris Lessing (2007) Toni Morrison (1993) Herta Müller (2009) Orhan Pamuk (2006) Kenzaburo Oe (1994) José Saramago (1998) Wole Soyinka (1986) Wisława Szymborska (1996)."

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Exposição de João Vilhena "La Ventana de Saramago" no Teatro Español (Espacio Andrea d'Odorico) - 18/11 a 23/12


Exposición "La ventana de Saramago"
Teatro Español - Espacio Andrea d'Odorico

Mais informações aqui

"El próximo 18 de noviembre comienza la exposición "Lanzarote, la ventana de Saramago" del fotógrafo portugués João Francisco Vilhena, sobre la relación entre el Nobel de Literatura fallecido en 2010 y la isla que eligió para vivir.
La exposición constará de dos niveles de intervención. En el primero estarán imágenes coloridas representando la apertura del escritor para el mundo, una interpretación de Lanzarote como un nuevo instante emocional en la vida de Saramago. El segundo espacio estará compuesto por fotos en sepia, y blanco y negro del escritor.

El espacio estará dividido en dos ambientes (tierra y cielo) y en él se abrirá un camino a los visitantes representando una ruta de los lugares preferidos de Saramago en Lanzarote.

La exposición se completa asimismo con pequeños fragmentos de textos escritos por el autor portugués sobre el lugar. El objetivo consiste en  invitar a los espectadores a descubrir la isla del escritor a partir de la mirada sensorial de un fotógrafo enamorado por las palabras del literato.

'Cultura Portugal– 14ª Muestra de cultura portuguesa en España' es una iniciativa que tiene como objetivo acercar a los españoles la producción cultural lusa más actual con propuestas de distintas disciplinas como música, fotografía, cine, teatro, literatura, arquitectura o artes plásticas.

En esta 14ª edición, destacan como principales exponentes de la cultura de Portugal músicos como José Cid o Rodrigo Leão, reconocido músico del país; la obra de teatro Oda Marítima con el actor Diogo Infante; la intervención del artista visual Vhils; o la conferencia del arquitecto y recién premio FAD, João Mendes Ribeiro, entre muchos otros."

"Fecha
Del 18 de noviembre al 23 de diciembre de 2016Horario
De martes a sábado de 11:30 a 13:30h y de 17:30 a 19:00. Domingos de 11:30 a 13:30h.
Sala - Teatro Español - Espacio Andrea D'Odorico
Dirección - Plaza Santa Ana. Calle Príncipe 25 
Precio - Entrada gratuita"


Imagens da I Cátedra Internacional José Saramago - Vigo

"Algumas impressões das diferentes exposições nas I Jornadas José Saramago em Vigo"

Publicado na página do Facebook, aqui







sábado, 12 de novembro de 2016

"José Saramago em destaque no Cinema História de novembro" - Biblioteca Municipal de Ponte de Lima

Cartaz alusivo ao evento

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"José Saramago - o primeiro escritor de Língua Portuguesa a arrecadar o Nobel da Literatura - é a personalidade que se segue no Cinema História - rubrica de pendor lúdico-didático dinamizada pela Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL).

No mês de nascimento do autor de "Memorial do convento" - ocasião que coincide com a abertura da exposição biobibliográfica "A universalidade da escrita no Nobel da Literatura", que naturalmente destaca a figura de Saramago - a BMPL disponibiliza o documentário "José e Pilar", da autoria de Miguel Gonçalves Mendes que, filmado entre 2006 e 2009, mostra o quotidiano de um dos mais importantes escritores contemporâneos na sua relação com Pilar del Río, o público, a escrita e a vida.

Como tem sido habitual, a BMPL vai colocar à disposição dos utilizadores um livreto com a biografia da figura visada na edição de novembro do Cinema História, funcionando como complemento informativo do documentário que aborda um período específico da história de José Saramago.

Celebre a cultura portuguesa. Visite-nos!"


Exposição "José Saramago, 90 anos" - Biblioteca Municipal das Figueira da Foz (de 5/11 a 4/12)

Cartaz alusivo à iniciativa

Informação pode ser recuperada e consultada aqui

"05 novembro a 04 dezembro 

Local: Hall Biblioteca e Museu Municipais 
Entrada:Livre

Público-alvo: Escolas Secundárias e Público em geral 

A exposição é composta por 20 roll-ups onde constam nove retratos de José Saramago, seis  de ilustradores portugueses e três de espanhóis (André Carrilho, Alex Gozblau, Cristina Sampaio, Gonçalo Viana, Javier Olivares, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Grañera López, Tiago Albuquerque) que, a convite da Fundação e da Silva Designers, aceitaram o repto de retratar Saramago.

A exposição não ficaria no entanto completa sem uma marca mais pessoal da vida de José através de referências a alguns dos seus dados biográficos, acompanhados de textos do Escritor, retirados do livro José Saramago nas Suas Palavras, um dicionário sobre o pensamento do autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo organizado por Fernando Gómez Aguilera."

sábado, 30 de abril de 2016

Exposição "Pinceladas de Saramago" - Dos artistas Roberto Batista, Gloria Díaz, Pedro Raidel e Silvia Ramos, os protagonistas de "Artemages, palabras que a veces son colores" - "Centro de Arte La Recova" em Santa Cruz de Tenerife

"Pinceladas de Saramago" 
Los artistas Roberto Batista, Gloria Díaz, Pedro Raidel y Silvia Ramos son los protagonistas de "Artemages, palabras que a veces son colores", una explosión pictórica que anoche se inauguró en el Centro de Arte La Recova de esta capital



Publicado online "El Día.es" por Jorge Dávila, aqui
em http://eldia.es/cultura/2016-04-30/2-Pinceladas-Saramago.htm

"Saramago a través de la pintura. Esa es la clave para entender "Artemages, palabras que a veces son colores", la exposición que se inauguró anoche en el Centro de Arte La Recova, en la que se pueden ver casi doscientas obras de arte creadas por Roberto Batista, Gloria Díaz, Pedro Raidel y Silvia Ramos. José Carlos Acha, quinto teniente de alcalde y concejal del área de Cultura del Ayuntamiento de Santa Cruz, estuvo presente en la puesta de largo de un proyecto que tiene como piedra angular la obra del escritor y ensayista luso y que se puede visitar hasta el próximo 20 de mayo.
La idea de "Artemages" empezó a tomar forma hace tres años. "Pedro se apoyó en El viaje del elefante para realizar sus propuestas, Gloria buscó la inspiración en varios de sus cuentos, Silvia en sus ideas sobre la pintura y, por último, yo opté por rebuscar en su pensamiento, su escepticismo, su pesimismo...", cuenta Roberto Batista sobre los puntos de partida elegidos por los cuatro artistas.
El colectivo artístico que ha hecho posible esta actividad, creada en el año 2004, desarrolló con anterioridad los proyectos "Salinas" -expuesto en la Casa Massieu de Tazacorte y el exconvento de Santo Domingo- e "Interiores" -se pudo ver en la sala pequeña de La Recova-, dos visiones en las que se posicionaron en el extremo opuesto de "Artemages". Acrílicos, óleos y acuarelas sobre madera, papel o tela y otras técnicas mixtas conforman la base de una aventura de colores y formas a partir de la cual los creadores desligan los pensamientos de Saramago para generar una curiosa narrativa pictórica."


Publicado online no La Opinión de Tenerife, aqui 

"La exposición ´Artemages´ convierte las palabras de Saramago en pinturas
El colectivo Apresto cuelga sus visiones sobre la obra del premio Nobel en La Recova"

"El Centro de Arte La Recova acogerá, a las 20:30 horas de hoy, la inauguración de la exposición Artemages, palabras que a veces son colores, en la que los creadores han aceptado el reto de convertir frases de José Saramago en obras de arte. El quinto teniente de alcalde y concejal de Cultura del Ayuntamiento de Santa Cruz de Tenerife, José Carlos Acha, indicó sobre esta propuesta creativa que la muestra "reúne más de 150 pinturas realizadas por el colectivo Apresto que integran los artistas Roberto Batista, Gloria Díaz, Pedro Raidel y Silvia Ramos".

La muestra podrá visitarse hasta el 20 de mayo en la conocida sala capitalina. Utilizando óleos, acrílicos, acuarelas y técnicas mixtas sobre lienzos, maderas y papel se presentan obras en diversos formatos que nos hablan desde la figuración a una aparente abstracción. Especialmente para este proyecto se presentan unas cajas que contienen cuatro carpetas con obras originales de los cuatro pintores. Artemages es el tercer proyecto del colectivo de arte Apresto. Cada uno de sus miembros se enfrenta a la lectura de la obra de José Saramago."

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Exposição permanente na Fundação José Saramago - "José Saramago. A semente e os frutos"

Flyer de apresentação da Fundação José Saramago

Toda a informação disponível através da página da Fundação José Saramago, aqui 

"Na obra literária de José Saramago (Azinhaga, 1922) conjuga-se a literatura mais exigente e pessoal com as interrogações mais fecundas. Autor tardio, mas de formação caldeada no calor de letras escritas e de leituras, soube construir, a partir da década de oitenta, uma literatura renovadora e original, que lhe conferiu, em 1998, o primeiro Prémio Nobel concedido a um escritor de língua portuguesa. Denso e irónico, inteligente e cético, terno e sarcástico, demolidor e pertinaz nas suas críticas, praticou, ao longo da sua produção narrativa, tanto a desmitificação da História convencional como a censura ativa dos desvios contemporâneos, tomando sempre como referência a essência humana da vida, a solidariedade, a compaixão, o respeito pelo outro e a relatividade do ponto de vista. Armado por um autor-narrador forte, que invade o espetro da sua narrativa, defendia que a obra é o romancista, ao mesmo tempo que marcou uma literatura construída a partir de ideias fortes, de audazes metáforas visionárias e ilustradas, de uma deslumbrante fabulação e de uma consciência incómoda que quis e soube ligar o seu destino ao pulsar turbulento do coração do mundo contemporâneo, permanentemente posto a nu e questionado. 

Saramago — que nunca ocultou a sua militância comunista — projetou mundialmente o seu trabalho e a sua figura pública, acentuando o seu perfil de intervenção cívica em defesa da liberdade, dos direitos humanos e da inclusão social, imbuído de valores e ideais suscetíveis de construir outra realidade mais justa, mais humana. Esta atitude engagée serviu-lhe para recuperar, com energia e credibilidade, o papel do intelectual inconformista, envolvido nas questões palpitantes e nos debates do seu tempo, trazendo ângulos de visão heterodoxos, refutando a ordem aceite maioritariamente e reclamando uma ética individual e coletiva que contemplasse como prioridade o ser humano, a sua dignidade, acima de qualquer outra hierarquia discriminatória ou qualquer outro interesse de poder ou económico. José Saramago desenvolveu, pois, com intensidade as suas responsabilidades cívicas, com o desejo de colocar o cidadão ao mesmo nível do escritor, tal e como ele mesmo expressaria: «Tenho muito cuidado em não transformar os meus romances em panfletos, apesar de ser marxista e comunista com cartão. Tenho umas ideias e não separo o escritor do cidadão das minhas preocupações. Acho que nós, os escritores, devemos voltar à rua, e ocupar de novo o espaço que antes tínhamos e agora é ocupado pela rádio, pela imprensa ou pela televisão. É preciso, além disso, fomentar o humanismo, o conhecimento de que milhares e milhares de pessoas não podem aproximar-se do desenvolvimento.» (1994) 

Polémico, pessimista confesso, brilhante, ativista e incómodo, a perspetiva da sua vida caldeada oferece o balanço de um trabalho literário amplo e pertinaz, em que o cultivo do romance conviveu com o teatro, a poesia, as crónicas jornalísticas e as memórias. A exposição José Saramago. A semente e os frutos dá conta, em síntese, dessa dedicação, mostrando como o príncipe da literatura que foi José Saramago funde as suas raízes no operário das letras que, com o seu minucioso e metódico trabalho, em momentos difíceis da sua vida - os árduos e obscuros anos quarenta, cinquenta e sessenta em Portugal - sedimentou as bases do brilho futuro. A mostra, que aglutina numerosos manuscritos, documentos, primeiras edições e centenas de traduções em mais de quarenta línguas, propõe um percurso tanto pela produção literária de José Saramago como pelos seus contextos ideológicos e sociais. 

A conceção expositiva de José Saramago. A semente e os frutos incorpora recursos audiovisuais postos ao serviço de conteúdos específicos que abrem as portas ao denso e rico mundo saramaguiano. O discurso expositivo oferece a possibilidade de aproximação à génese do escritor através de inúmeras portas de entrada, propocionando a cada visitante a oportunidade de construir o seu próprio percurso, em função dos seus interesses no momento de penetrar num universo literário e intelectual tão amplo e sugestivo como polifacetado." 
Fernando Gómez Aguilera 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Exposição “Lanzarote: A Janela de Saramago” de João Francisco Vilhena de 25/04 a 09/07

(Fotografia de João Francisco Vilhena)

Contactos e Localização
Rua Lançarote de Freitas, n.º 7 - 8600-605 Lagos
T. + 351 282 770 450
centro.cultural@cm-lagos.pt - exposicoes.ccl@cm-lagos.pt

Mais informação através do site do Centro Cultural de Lagos, aqui 

Sinopse da exposição
“Lanzarote: a janela de Saramago” é uma exposição fotográfica de João Francisco Vilhena sobre a relação entre o Nobel da Literatura falecido em 2010 e a ilha que escolheu para viver. “Lanzarote, a janela de Saramago” é um diário/caderno de notas sobre o olhar sensorial e apaixonado do escritor, visto e filtrado pelo olhar de um fotógrafo que em 1998 esteve em Lanzarote para o retratar, e que 15 anos depois regressa para capturar novas imagens e tentar captar o que aquela terra, no meio do oceano, representou para o único prémio Nobel de Literatura da língua portuguesa.
A tranquilidade, refletida nas palavras, a influência da paisagem, a luz e as nuvens, o mar e o silêncio, a temperatura das cores, tudo isso influenciou a escrita e a vida de Saramago em Lanzarote, como ele mesmo reconheceu. Através das suas fotos João Vilhena procura retratar Lanzarote como uma janela aberta por Saramago, e que ao mesmo tempo abriu-se ao escritor. O lugar e sua paisagem como símbolo de uma nova fase; uma nova literatura, uma nova vida, um momento diferente de criação e do homem.

João Francisco Vilhena nasceu em Lisboa em 1965. Trabalhou como fotojornalista e colaborou com diversos jornais e revistas, em Portugal e no estrangeiro, tais como a Revista Ler, Elle, Máxima, Marie Claire, Oceanos, Visão, Grande Reportagem,Colóquio-Letras, Der Spiegel, Le Monde e o suplemento cultural DNA. Foi editor fotográfico do semanário O Independente e do semanário Sol, e diretor de arte da Tabacaria, a revista literária da Casa Fernando Pessoa. Tem realizado diversas exposições em Portugal e no estrangeiro. Assinou vários livros em coautoria e tem participado nos júris de diversos prémios de fotografia."


terça-feira, 15 de março de 2016

Exposição da artista plástica Lena Gal "Mulheres de Saramago" de 5/4 a 19/4 no "Espaço Arte" em Lisboa

"Espaço Arte" Publicações Europa-América
Avenida Marquês de Tomar, 1B - 1050-152 LISBOA
Telefone: 213 563 791

Exposição patente de dia 5 de Abril até dia 19 de Abril


Sinopse de Apresentação da Exposição
"Ao ler o livro “Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago,” de  Pedro Fernandes de Oliveira Neto e  estar em contato com parte significativa da obra do escritor português, entrei  na essência e senti um elo forte  entre as personagens saramaguianas e a minha linguagem plástica, entre a minha pintura feminina e as mulheres reais da minha própria história de vida. Identifiquei a mesma força, os silêncios os sentidos do olhar, a intuição, o amor, a sensualidade, a denúncia de casos de violência e do assédio sexual, a cumplicidade feminina  do despertar para a consciência do ser mulher, e deixei-me guiar  pelo meu interior, pelo sentir este foco feminino, pelo envolvimento emocional e pelos momentos de ansiedade  para, num trabalho criativo, pela forma, pela cor e pelo simbolismo dar rosto  a mulheres como Blimunda, a mulher do médico entre outras mulheres/personagens tão fortes tão sábias como tantas mulheres da vida real que encarnam o arquétipo da Grande Mãe que pinto; mulheres que temos na nossa vida, desde a mãe, a amiga, a irmã. Pintar estas mulheres foi contatar momentos que senti mágicos e de muitas emoções."

“Na pintura de Lena Gal encontro, a procura da plenitude do feminino, …” 
de Raquel Pinto, in “Estudo (análise semiótica “Simbologia na pintura de Lena Gal - Ao encontro do mito Universal da Terra Mãe


"Estou inventando mulheres ou talvez, 
outra forma de ser mulher"
José Saramago

De Pedro Fernandes sobre a obra da artista plástica Lena Gal, torna-se indispensável ler e estudar o texto "A pintura de Lena em diálogo com o feminino na literatura de José Saramago" aqui  

"Uma rápida visita ao currículo de Lena Gal nos colocará diante de algumas exposições cuja matéria está pautada no feminino e suas representações, tais como Mulheres, terramãe e O feminino insular. É do catálogo que compõe a primeira exposição que li a tela “As xamãs” num diálogo tão próximo e tão forte com uma cena de Memorial do convento, de José Saramago. Foi esse contato que me pôs em contato com sua arte; Lena sempre muito solícita não hesitou, na ocasião, em ceder esse trabalho para compor a capa de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago, um extenso ensaio publicado em 2012 cujo interesse é de lançar alguma luz, por parca que seja, sobre o tema da representação do feminino na obra saramaguiana.
O contato com o ensaio e, logo depois com a literatura do Prêmio Nobel produziu na artista o desejo de estreitar esse diálogo a princípio individual de alguns temas de sua pintura. Esses dois encontros fez nascer na artista a necessidade de ir ao que ela chama de essência da representação a título de enformar e avivar o traço entre as representações produzidas pela literatura e as lidas pelo ensaio. Nessa zona de interstícios, a linguagem plástica ainda se alimenta do próprio movimento subjetivo da artista e se confunde com sua história da arte e a vida. Lena Gal, como tenho designado, tentou debruçar-se no interstício a fim de produzir o que ela própria designou pelo título de O feminino na escrita de José Saramago."

Lena Gal - "Mulheres Marias" 116x89

"Há no título desse conjunto de pinturas ao menos duas questões que quero apresentá-las nestas notas: uma delas diz respeito a humildade da própria artista em designar seu exercício imagético e imaginativo como representação da escrita. De certa maneira, a pintura e a literatura são duas formas bastante aproximadas de representação; apenas que uma pinta com palavras o que a outra pinta com tintas. Essa é uma observação viva na própria literatura de José Saramago, mais especificamente, nas reflexões costuradas pelo pintor de retratos H. em Manual de pintura e caligrafia. Tomado pela repetição da técnica da arte de eternizar rostos, H. tentará se desenvencilhar da mesmice, ensaiando-se através da escrita. O exercício de Lena Gal, embora não seja ela uma pintora de retratos, é o contrário. Sair do emaranhado de palavras para dizê-las com tinta e pincel. 

Outra é não deixar-se ficar acima da representação maior que lhe move à pintura: a obra de José Saramago. Tenta com o escritor, numa tomada de posição que não é nem de esconder-se à sua sombra nem a de elevá-lo a um pedestal de glória que, creio, ele próprio não gostaria porque sempre me pareceu alguém dado à simplicidade e não chegado à vaidade que corrói muita das existências de alguns grandes nomes, vai tentar dar luz a esse inventário de outras formas de ser mulher. É quando vem em boa hora, uma frase do próprio Saramago recolhida em As palavras de Saramago por Fernando Gómez Aguilera – “Estou inventando mulheres, ou talvez, outra forma de ser mulher”.

Para Lena Gal, este trabalho é exercício de inspiração. E é exercício de outra forma de ser mulher. Os silêncios, os sentidos do olhar, o amor, a intuição, a sensualidade, a violência sobre o corpo da mulher, o assédio sexual, a cumplicidade feminina, o despertar para a consciência do ser mulher são tornadas tonalidades para as formas extraídas do negro das palavras para o colorido das telas. O feminino na escrita de José Saramago é um caudal de sensações. A artista plástica busca pelo seu interior trazer à superfície emoções, alegrias, tristezas, materializando-se em texturas e cores diversas os sentimentos ora nascidos em ora provocados por personagens como Blimunda, de Memorial do convento ou a mulher do médico, de Ensaio sobre a cegueira – dois dos romances mais significativos da bibliografia saramaguiana e pontos centrais na leitura proposta em Retratos."

Lena Gal - "Humilhação dolorosa" 130x97

"Como exercício de recriação artística, coloca na mesma cena personagens que, no plano dos romances nunca tiveram a oportunidade de se conhecer, mas permanecem irmanadas no sentimento sobre o mundo; penso para o caso em telas em que se apresentam Blimunda, a mãe e a rainha D. Maria Ana Josefa. Ou se aproxima de cenas há muito já representadas por outros artistas e introduz
nelas novas forças de sentido: é assim com a cena da crucificação de Jesus Cristo inspirada d’O evangelho segundo Jesus Cristo ou com outra figura para Lilith. Ou reconstrói personas e cenas da narrativa saramaguiana. Além de cenas d’O evangelho, ficamos diante de cenas de Memorial do convento como a incansável busca da mãe de Blimunda pela filha e o diálogo costurado pelas formas do olhar; o encontro de Blimunda com Baltazar sendo queimado num auto-de-fé e a recuperação de sua vontade. Ou de Ensaio sobre a cegueira: a cena de assassinato do cego mal da camarata; do cão que lambe as lágrimas da mulher do médico; o estupro de uma das mulheres na camarata dos cegos maus; o banho das mulheres. 

O feminino na escrita de José Saramago, portanto, refaz por outra via que não a da palavra, as imagens sobre o feminino sugeridas pela escrita do romancista, escrita que, para além do Manual de pintura e caligrafia conversou igualmente com as artes plásticas – penso na abertura d’O evangelho segundo Jesus Cristo, por exemplo, quando o narrador reconstrói a cena pintada por Albrecht Dürer
ou mesmo a plasticidade oferecida pela própria narrativa. À sua maneira, a obra se reinventa, vai logrando outras possibilidades de ser vista e de ser lida.

Como redigi para o catálogo que acompanha a exposição e para outro texto a ser publicado em breve também acompanhado por telas da artista plástica, Lena desvela um duplo manto de sentidos. Não é apenas sobre o meu discurso produzido pela leitura da obra saramaguiana; é a aproximação simultânea de três formas de interpretação, a dela própria, a do escritor e a do ensaísta. Cada tela desnuda num inventário muito próprio das imagens, um imaginário que se inscreve numa zona brumosa não captável pelo verniz da palavra; isso num mesmo instante em que se alimenta dessa seiva que contorna os sentidos e é matéria nutritiva para as imagens desenhadas pelo escritor português capaz de produzir retratos únicos para a mulher. Um apelo, portanto, aos sentidos da visão, esta que tanto foi exercitada pelo próprio Saramago para rever o que nos cerca."

De Pedro Fernandes, académico e estudioso da temática saramaguiana, aqui 

O link geral do projecto em http://letrasinversoreverso.blogspot.pt/

Consultar também o projecto da revista de "Estudos Saramaguianos", aqui em http://www.estudossaramaguianos.com/


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Texto para uma exposição de pinturas em Lanzarote - 10/12/95 ("Cadernos de Lanzarote - Diário III)

10 de Dezembro (de 1995)
"Palavras de apresentação para uma exposição de pinturas cuja venda se fará em benefício de obras sociais de Lanzarote: 
A mão esquerda não nasceu com sorte. Por causa desse nome (esquerda, sinistra), é como se fosse ela a culpada de todas as maldades deste mundo, e tão pouco digna de confiança costumam considerá-la que, segundo um dito corrente, no caso de a mão direita dar alguma coisa, convém que a esquerda não o saiba. Em princípio, a intenção do dito é bastante louvável, uma vez que com ele se pretende impedir que as pessoas andem por aí a gabar-se das bondades que pratiquem, mas o certo é que a ninguém ocorreu dizer até hoje que a mão direita não deverá saber o que a esquerda dá... Nenhuma palavra é inocente. 
Felizmente que há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esqueceram de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos, para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que envergonhar-se de ser bondade, assim a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a. justiça e a bondade, o primeiro lugar dá-lo-ia à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa justiça e caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça. 
Pintar é dar a ver. Portanto, dar o que se pintou é dar duas vezes. E se é verdade que em geral se pinta com a mão direita, não é menos verdade que a mão esquerda esteve lá presente, no acto de criação. Quando Miguel Ângelo, no tecto da Capela Sistina, fez estender a mão direita de Deus para que o homem nascesse, a mão que ele tocou, já humana, foi a esquerda. Chamemos, então, se quisermos, caridade à mão direita, por ser a mais fácil e a mais comum, à mão esquerda chamemos-lhe bondade, por ser tão rara, mas a justiça que a ambas deverá gerir, é na razão que se há-de encontrar. A relação humana terá de ser obra da razão para que possa ser, conjuntamente, caritativa, bondosa e justa." 
in, "Cadernos de Lanzarote Diário III"
Caminho, páginas 215 e 216 (10/12/95)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

"A Viagem do Elefante" em BD de João Amaral - Exposição em Viseu - Momentos














«Como referi anteriormente, estive no passado dia 14 em Viseu, na inauguração de uma exposição sobre A Viagem do Elefante, a adaptação que fiz para banda desenhada do romance de José Saramago. Foi um dia inesquecível com conversa, convívio e trabalho à mistura, sinais de momentos bem passados. A todos os que por lá passaram, pude falar um pouco sobre o making-of deste trabalho que, para mim também implicou uma grande viagem, quer a nível físico, quer psicológico. A própria exposição, constituída por vários núcleos, revela algumas pranchas do livro executadas em diferentes técnicas, mas também uma pequena mostra sobre como é que elas foram elaboradas, bem como esboços, desenhos e fotografias de alguns locais por onde passei, para me documentar.
Depois deste dia que foi de muitas e intensas emoções, fica mais uma vez expresso o meu agradecimento ao GICAV que montou a mostra, bem como à autarquia de Viseu, representada nas figuras do seu presidente da câmara e da vereadora da cultura por terem apoiado a iniciativa.
A todos os que se possam deslocar ainda à biblioteca D. Miguel da Silva, na rua Aquilino Ribeiro, em Viseu fica a nota de que esta exposição estará patente até ao próximo dia 30 de Novembro. Para já, deixo aqui algumas fotos, que falarão melhor do que eu. E quem quiser ver  ainda mais pormenores sobre este acontecimento, pode sempre consultar a minha página de facebook, o by João Amaral, cujo acesso se pode fazer directamente através do selo que poderão visualizar do lado direito deste blogue.»

O trabalho de João Amaral, pode ser acompanhado em diversas plataformas.



(Fotos: Cristina Costa Amaral)






sábado, 19 de setembro de 2015

Fundação José Saramago – Exposição permanente "José Saramago A Semente e os Frutos"

Fundação José Saramago – Exposição permanente "José Saramago A Semente e os Frutos"


A presente informação pode ser consultada, através do site da FJS, aqui
em, http://www.josesaramago.org/folha-de-sala-da-exposicao-a-semente-e-os-frutos/

"Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegamos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o
espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante.Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.
Canarias7, Las Palmas, 20 de fevereiro de 1994
[Entrevista de Esperanza Pamplona]

Fachada da sede da FJS - Casa dos Bicos

Na obra literária de José Saramago (Azinhaga, 1922) conjuga-se a literatura mais exigente e pessoal com as interrogações mais fecundas.Autor tardio, mas de formação caldeada no calor de letras escritas e de leituras, soube construir, a partir da década de oitenta, uma literatura renovadora e original, que lhe conferiu, em 1998, o primeiro Prémio Nobel concedido a um escritor de língua portuguesa. Denso e irónico, inteligente e cético, terno e sarcástico, demolidor e pertinaz nas suas críticas, praticou, ao longo da sua produção narrativa, tanto a desmitificação da História convencional como a censura ativa dos desvios contemporâneos, tomando sempre como referência a essência humana da vida, a solidariedade, a compaixão, o respeito pelo outro e a relatividade do ponto de vista.Armado por um autor-narrador forte, que invade o espectro da sua narrativa, defendia que a obra é o romancista, ao mesmo tempo que marcou uma literatura construída a partir de ideias fortes, de audazes metáforas visionárias e ilustradas, de uma deslumbrante fabulação e de uma consciência incómoda que quis e soube ligar o seu destino ao pulsar turbulento do coração do mundo contemporâneo, permanentemente posto a nu e questionado.


Saramago – que nunca ocultou a sua militância comunista – projetou mundialmente o seu trabalho e a sua figura pública, acentuando o seu perfil de intervenção cívica em defesa da liberdade, dos direitos humanos e da inclusão social, imbuído de valores e ideais suscetíveis de construir outra realidade mais justa, mais humana. Esta atitude engagée serviu-lhe para recuperar, com energia e credibilidade, o papel do intelectual inconformista, envolvido nas questões palpitantes e nos debates do seu tempo, trazendo ângulos de visão heterodoxos, refutando a ordem aceite maioritariamente e reclamando uma ética individual e coletiva que contemplasse como prioridade o ser humano, a sua dignidade, acima de qualquer outra hierarquia discriminatória ou qualquer outro interesse de poder ou económico. José Saramago desenvolveu, pois, com intensidade as suas responsabilidades cívicas, com o desejo de colocar o cidadão ao mesmo nível do escritor, tal e como ele mesmo expressaria: «Tenho muito cuidado em não transformar os meus romances em panfletos, apesar de ser marxista e comunista com cartão.Tenho umas ideias e não separo o escritor do cidadão das minhas preocupações. Acho que nós, os escritores, devemos voltar à rua, e ocupar de novo o espaço que antes tínhamos e agora é ocupado pela rádio, pela imprensa ou pela televisão. É preciso, além disso, fomentar o humanismo, o conhecimento de que milhares e milhares de pessoas não podem aproximar-se do desenvolvimento.»
La Provincia, Las Palmas, 3 de março de 1994
[Entrevista de Javier Duran]

Polémico, pessimista confesso, brilhante, ativista e incómodo, a perspetiva da sua vida caldeada oferece o balanço de um trabalho literário amplo e pertinaz, em que o cultivo do romance conviveu com o teatro, a poesia, as crónicas jornalísticas e as memórias. A exposição José Saramago. A semente e os frutos dá conta, em síntese, dessa dedicação, mostrando como o príncipe da literatura que foi José Saramago funde as suas raízes no operário das letras que, com o seu minucioso e metódico trabalho, em momentos difíceis da sua vida – os árduos e obscuros anos quarenta, cinquenta e sessenta em Portugal – sedimentou as bases do brilho futuro. A mostra, que aglutina numerosos manuscritos, documentos, primeiras edições e centenas de traduções em mais de quarenta línguas, propõe um percurso tanto pela produção literária de José Saramago como pelos seus contextos ideológicos e sociais.

A conceção expositiva de José Saramago. A semente e os frutos incorpora recursos audiovisuais postos ao serviço de conteúdos específicos que abrem as portas ao denso e rico mundo saramaguiano. O discurso expositivo oferece a possibilidade de aproximação à génese do escritor através de inúmeras portas de entrada, propocionando a cada visitante a oportunidade de construir o seu próprio percurso, em função dos seus interesses no momento de penetrar num universo literário e intelectual tão amplo e sugestivo como polifacetado.

A nossa grande tarefa está em conseguirmo-nos tornar mais humanos. Marx e Engels, num livro intitulado A Sagrada Família, têm uma frase que é essencial pôr em prática: «Se o homem é formado pelas circunstâncias, então é preciso formar as circunstâncias humanamente.»
José Saramago, 1999

Fernando Gómez Aguilera
 Fundação José Saramago – Exposição permanente
josesaramago.org"

domingo, 30 de agosto de 2015

Exposição "Lanzarote a janela de Saramago" de João Vilhena em Oeiras de 19/9 a 18/10



A Câmara Municipal de Oeiras apresenta a exposição “Lanzarote a janela de Saramago” 
de 19 de setembro a 18 de outubro de 2015, 
no Centro Cultural Palácio do Egipto. 

“Lanzarote a janela de Saramago” é uma exposição composta por fotografias, 
da autoria de João Vilhena, a preto e branco, sépia e cor, 
da ilha de Lanzarote e do escritor.

A exposição incorpora também uma instalação feita com palavras de José Saramago 
que interagem com as fotografias 
e uma partitura sonora criada para o efeito pelos músicos Cindy Kat. 


Horário: 
Terça- feira a Domingo, das 12h00 às 18h00.
Encerrado aos feriados.

Centro Cultural Palácio do Egipto (CCPE)
Rua Álvaro António dos Santos
2780-182 Oeiras
Telf: 21 440 83 91 (CCPE); Telf: 21 440 87 81 (Posto de Turismo de Oeiras)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Destaque do "Herald Tribune Latin American" na notícia "João Vilhena Brings Photo Chronicle of Saramago to Chile"

(Imagem de João Vilhena em destaque na notícia) 

A notícia pode ser consultada e lida, aqui
em http://www.laht.com/article.asp?ArticleId=2391039&CategoryId=13003

"SANTIAGO – Fifteen years after traveling to the island of Lanzarote to photograph writer Jose Saramago (1922-2010), artist and photographer João Vilhena returned to retrace the steps he and the Nobel laureate took during their earlier strolls around the isle off the African coast.

“To Jose, Lanzarote was the place that allowed him to think about his work and his way of looking at life, and made it possible for him to reconnect with himself,” Vilhena said in an interview with EFE.

The Portuguese artist’s exhibit, “Lanzarote: Jose Saramago’s Window,” recently opened at the Spain Cultural Center in Santiago.

The show includes 29 photographs from both of Vilhena’s visits to the Spanish island, arranged to provide a visual counterpart to the words of Saramago’s diary of his life there, “Cadernos de Lanzarote.”

Portugal’s most prominent man of letters settled on Lanzarote in 1993 with his second wife, Spanish journalist Pilar del Rio.

Vilhena, whose first visit to Lanzarote in 1998 coincided with the announcement of Saramago’s Nobel Prize in Literature, went back to the volcanic island three years after the writer’s death to capture the echoes of the author’s voice in the untamed landscape that inspired him so much.

“This magic island was an adopted homeland that completely transformed Saramago, not only in the way he lived and communicated, but also in the style of his writing,” Vilhena said.

The intense hues of clouds, the whistling of the wind and the sound of steps on volcanic ground led Saramago into a new, more philosophical phase that produced novels such as “Todos os Nomes” (All the Names), “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness) and “O Homen Duplicado” (The Double).

Far from being solemn and distant, on the island of volcanoes Vilhena found a Saramago who was approachable and of “incommensurable sweetness.”

Lanzarote became a second homeland for Saramago, a silent refuge where he could isolate himself from a world he had often denounced as cynical and cowardly."

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Exposição Lanzarote "A Janela de Saramago" em Santo Tirso na Fábrica Santo Thyrso (8/5 a 16/6)


(Capa da obra de João Francisco Vilhena)


Para ser consultado aqui,
em http://www.jornaldoave.pt/index.php/santo-tirso/241-inauguracao-da-exposicao-lanzarote-a-janela-de-saramago

"Fábrica de Santo Thyrso acolhe exposição de fotografia até 16 de junho
A Câmara Municipal de Santo Tirso, inaugura na sexta-feira, dia 8 de maio, pelas 18h30, a exposição Lanzarote a Janela de Saramago, do fotógrafo João Francisco Vilhena. Patente na Fábrica de Santo Thyrso até dia 16 de junho, “Lanzarote a Janela de Saramago” é um diário/caderno de notas sobre o olhar sensorial e apaixonado do escritor, visto e filtrado pelo olhar de um fotógrafo que em 1998 esteve em Lanzarote para o retratar, e que 15 anos depois regressa para capturar novas imagens e sentir o que aquela terra, no meio do oceano, representou para o único prémio Nobel de Literatura da língua portuguesa.
Nos seus diários sobre Lanzarote, em entrevistas e conferências, Saramago declarou o seu amor pela ilha e confessou um imaginário regresso aos lugares da infância perdida. Em Lanzarote um novo homem revela-se e é revelado. “Quantas maneiras haverá de ser feliz? Começo a crer que as conheço a todas.” É essa atmosfera que João Francisco Vilhena retrata e apresenta no seu trabalho. A tranquilidade, refletida nas palavras, a influência da paisagem, a luz e as nuvens, o mar e o silêncio, a temperatura das cores, tudo isso influenciou a escrita e a vida de Saramago. Através das suas imagens João Vilhena procura retratar Lanzarote como uma janela aberta por Saramago. O lugar e sua paisagem como símbolo de uma nova fase; uma nova literatura, uma nova vida, um momento diferente de criação e do homem.
Esta é ainda uma exposição/instalação visual e sonora, composta por fotografias a preto e branco e sépia interagindo com frases de José Saramago. A exposição conta ainda com uma instalação sonora em que ouvimos a voz de José Saramago, integrada numa partitura musical criada para a exposição pelos Cindy Kat. 
A exposição tem entrada gratuita e pode ser vista de segunda a sexta-feira entre as 9h00 e as 18h00, e ao fim de semana entre as 14h00 e as 18h00.
JOÃO FRANCISCO VILHENA nasceu em Lisboa, em 1965.
Trabalhou como fotojornalista e colaborou com diversos jornais e revistas, em Portugal e no estrangeiro, tais como Ler, Elle, Máxima, Marie Claire, Oceanos, Visão, Grande Reportagem, Colóquio-Letras, Der Spiegel, o suplemento cultural DNA e Le Monde. Foi editor fotográfico do semanário O Independente e do semanário Sol, bem como diretor de arte da Tabacaria – revista literária da Casa Fernando Pessoa. Tem realizado diversas exposições em Portugal e no estrangeiro. Assinou vários livros em coautoria. Tem participado como júri em prémios de fotografia."