Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia" de Horácio Ruivo



A presente análise está publicada no "Blog Um Caderno para Saramago" aqui

"O livro de Horacio Ruivo incide sobre o espaço na obra literária de José Saramago. Considerada uma categoria intencionalmente privilegiada pelo escritor em muitos dos seus romances, não apenas na dimensão física, mas numa multiplicidade de sentidos emergentes a partir dos diferentes topoi apresentados, reconhece-se a existência de uma linha ascensional que reflete a forma evolutiva como vão sendo apresentados os espaços, reais ou sugeridos, em interação com as personagens, implicando nestas um forte crescimento interior. 

O texto editado pelas Edições Esgotadas explora as dimensões humana e simbólica do espaço. A cada uma destas dimensões é associada, respectivamente, a memória e a violência, ambas importantes linhas de forças na obra saramaguiana. A memória revela-se como um espaço determinante na formação da consciência individual e coletiva: a memória individual visa recuperar do passado a essência daquilo em que o ser humano se vem a tornar; a memória coletiva surge pela necessidade de resgatar momentos do passado histórico que foram intencionalmente eliminados do discurso canônico. Por seu turno, a violência surge associada a espaços – menos físicos do que simbólicos – e constitui-se como metáfora da sociedade, espaço onde o ser humano é frequentemente desrespeitado ou induzido a um estado de apatia que o impede de se afirmar e realizar.

A partir de cinco romances analisados, A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia procura sustentar a tese segundo a qual o espaço, em Saramago, evolui da negatividade para uma dimensão de utopia, surgindo a negatividade refletida na forma como o autor nos apresenta o espaço inicial, no qual a movimentação das personagens parece contagiada por uma carga negativa que as condiciona; desse espaço emanam, contudo, forças que fazem germinar nas personagens a consciencialização do caos em que se encontram e as impelem à busca de um outro espaço, de utopia, onde seja possível (re)viver."

O "Blog Um Caderno para Saramago" pode ser visitado e consultado aqui 
em http://hotblogumcadernoparasaramago.blogspot.pt/

terça-feira, 25 de outubro de 2016

"Está lá tudo - A crônica e o cosmos de José Saramago" de Saulo Gomes Thimoteo (Appris Editora BR) via "Um caderno para Saramago"

O "Blog Um caderno para Saramago" apresentou a obra de Saulo Gomes Thimóteo - "Está lá tudo - A crônica e o cosmos de José Saramago". 
Refere na sinopse de apresentação que (...) "o cronista Saramago, que, ao longo de oito anos (1969-1976), escreveu aproximadamente 300 crônicas, antecede o romancista Saramago". (...)

Pode ser consultado aqui 


Imagem da capa da obra, retirada da página da Appris Edifora

"Este livro é sobre José Saramago esquecido, ou, pelo menos, ocultado. O cronista Saramago, que, ao longo de oito anos (1969-1976), escreveu aproximadamente 300 crônicas, antecede o romancista Saramago, consagrado por Levantado do chão (1980) ou Memorial do convento (1982), mas, como ele mesmo continuamente apontaria sobre sua participação jornalística: “Está lá tudo”. Mas o que vem a ser esse tudo que as crônicas contêm? Não os roteiros dos romances, por certo, mas sim os primeiros ensaios em prosa das preocupações contínuas do cidadão-escritor Saramago. Já se pode notar o questionamento reiterado da História, do Indivíduo, da Sociedade, ou seja, de todas as verdades inamovíveis que refletem uma imposição do poder. A crônica, enquanto híbrido da Literatura e do Jornalismo, permite à palavra que atue como mecanismo de desvendamento, podendo abordar todos os assuntos com o mesmo tom de conversa e aparente despretensão. Cabe, então, a José Saramago cronista constituir-se como viajante em busca de compreender a paisagem do mundo e as suas transposições possíveis em linguagem. Assim se apresenta o livro "Está lá tudo": a crônica e o cosmos de José Saramago, de Saulo Gomes Thimóteo. A edição é da Appris Editora."

Aconselhamos a visita ao blog e aos links associados para acompanhar as novidades e notícias que envolvem não só a obra de José Saramago mas como os eventos que se realizam à volta do nome desta figura mundial. Podem seguir aqui