Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Apresentação da conferência "Saramago entre a negatividade e a utopia" do Prof. Horácio Ruivo (Universidade de Turim - Itália)



A propósito da conferência do Professor Horácio Ruivo, recupero a menção da Fundação José Saramago aquando da apresentação do livro “A representação do espaço em Saramago — da negatividade à utopia” (3/8/2017) e que pode ser recuperado e consultada aqui 

"Em março deste ano foi apresentado na Fundação José Saramago, em Lisboa, o livro “A representação do espaço em Saramago — da negatividade à utopia” de Horácio Ruivo, com a chancela da Edições Esgotadas. Após o seu doutoramento em Literatura Portuguesas, Horácio Ruivo decide publicar este estudo alargado e aprofundado sobre a representação do espaço em duas vertentes o “espaço da memória” e o “espaço da violência” em José Saramago. Os romances que foram objecto de investigação pelo autor foram: Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira, Levantado do Chão, A Caverna e As Pequenas Memórias."

Capa da obra

"Este estudo, assim é apresentado pela editora, incide sobre o espaço na obra literária de José Saramago. Considerada uma categoria intencionalmente privilegiada pelo escritor em muitos dos seus romances, não apenas na dimensão física, mas numa multiplicidade de sentidos emergente a partir dos diferentes topoi apresentados, reconhece-se a existência de uma linha ascensional que reflecte a forma evolutiva como vão sendo apresentados os espaços, reais ou sugeridos, em interacção com as personages, implicando nestas um forte crescimento interior.
Vão ser exploradas as dimensões humana e simbólica do espaço. A cada uma destas dimensões é associada, respetivamente, a memória e a violência."

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Samarago." Conferência gravada em Belo Horizonte em Maio de 1999

No dia em que se assinalam os 94 anos do nascimento de José Saramago,
nada como recuperar as suas palavras.

Pode ser visualizado e recuperado aqui,

"Programa especial em homenagem aos 90 anos de José Saramago. 
Palestra gravada em Belo Horizonte, em maio de 1999, no Grande Teatro do Palácio das Artes"

sábado, 22 de outubro de 2016

Conferência “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago” - 23/02/1999 em Cáceres

A conferência pode ser recuperada aqui 

"El 23 de Febrero de 1999, en la ciudad de Cáceres, se produjo la conferencia 
llamada “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago”, en primer lugar 
habló Manuel Cañadas, quien dio paso a Julio Anguita y finalizando el acto, 
el premio Nobel José Saramago. (...)"


Alternativas al Neoliberalismo
" La Izquierda con Saramago".
Cáceres 23 de febrero de 1999
José Saramago, Julio Anguita y Manolo Cañada.
Presentan: Manuel Cruz y Teresa Rejas.
Organizado por Izquierda Unida de Extremadura
En un auditorio abarrotado, Saramago- Julio Anguita me decía en Lisboa: "hay personas que no pueden ser vendidas porque no pueden ser compradas".
"El Derecho ha muerto si el Derecho no defiende a quien tiene que defender porque es víctima del Poder", "Si se cumpliera el 50% del la Declaración de Derechos Humanos, la situación del mundo y de la Gente sería infinitamente mejor"...




sexta-feira, 14 de outubro de 2016

José Saramago escolhido "Autor do Mês" na Livraria Tigre de Papel

"Outubro marca o início da programação regular no auditório da Tigre de Papel. Teremos sempre um ‘Autor do Mês’, em torno do qual organizaremos alguns eventos. O primeiro Autor do Mês é o José Saramago e teremos, nesse âmbito, quatro eventos:


http://www.tigrepapel.pt/
geral@tigrepapel.pt
21.354.0470
Rua de Arroios, 25 - Lisboa (Zona da Almirante Reis)
https://www.facebook.com/tigrepapel.pt/


- 13 de Outubro, quinta-feira, 18h | Conversa com Pilar del Rio sobre o papel das figuras femininas na obra de José Saramago;

- 20 de Outubro, quinta-feira, 18h | O OUTRO SARAMAGO | Conversa com António José Borges em torno do seu livro José Saramago – Da Cegueira à Lucidez;

- 22 de Outubro, sábado, 16h | Leitura para crianças: Joana Patricio lê O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago

- 27 de Outubro, quinta-feira, 18h30 | Showcase dos Come-se a pele?, com adaptação musicada da crónica «O meu avô, também», do livro Deste Mundo e do Outro, de José Saramago

No dia 19, quarta-feira, pelas 18h30, teremos ainda a Apresentação livro Cidade Participada: arquitectura e democracia, um volume coordenado por Ricardo Fernandes Santos e recém-editado pelas Edições tinta-da-china."



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

José Saramago - "Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada pela Cátedra Alfonso Reyes (01/12/1999)

Cátedra Alfonso Reyes
"Una perspectiva en final del milenio" - Conferência realizada a 1 de Dezembro de 1999
Monterrey - México

Pode ser recuperada e visualizada, via YouTube, aqui


"Diálogo con estudiantes en el que José Saramago reflexiona sobre su obra 
literaria y su concepción de la literatura."

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"A Noite", de José Saramago, na Feira do Livro de Lisboa - IELT-FSCH com Pilar del Río (26/05/2013)



"29ª sessão da comunidade de leitores das paisagens literárias de Lisboa
Fabula Urbis, Carmo Gergorio
IELT - FCSH, Ana Isabel Queiroz
Fundação José Saramago, Pilar del Rio
Grupo de teatro Vigilambulo Caolho, Júlio Mesquita 

26 de Maio 2013 na Feira do Livro, Lisboa.
filmado e editado por Miguel Queiroz Martinho"

"A Noite", de José Saramago, na Feira do Livro de Lisboa, onde aqui se pode ver o registo vídeo da 29ª sessão da Comunidade de Leitores de Paisagens Literárias de Lisboa realizada no 26 de Maio (2013), na Feira do Livro de Lisboa, com a participação da Fundação José Saramago e do Grupo de teatro Vigilâmbulo Caolho. Filmado e editado por Miguel Queiroz Martinho."

Informação via página da IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional) da FCSH (Facultada de Ciências Socias e Humanas) de Universidade Nova de Lisboa, aqui 

Fotografia de José Saramago caminhando pelos passeios da
Feira do Livro de Lisboa 
(não foi possível identificar a data e o autor da fotografia)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

“La Ilusion Democratica” (13 de marzo de 1998)

“La Ilusion Democratica" - 13 de marzo de 1998.


"Pues no traigo más que un discurso y debería traer dos discursos, en el discurso que me falta en este momento es el discurso de la emoción de estar en este lugar delante de todos vosotros, de estar bajo la memoria de Cortázar y de estar entre amigos, la verdad es que no creo que alguna vez haya estado en algún lugar donde de una hora a la otra todos eran amigos, todos querían ser amigos, todos hemos daban su amistad y nosotros a todos ellos correspondidos. 

Las palabras de Carlos Fuentes, el escritor mexicano que yo me acostumbre a admirar desde cuando ni siquiera yo pensaba escribir una sola palabra o quizás sí algunas había escrito, pero eran palabras que yo no consideraba que tuvieran una vez, el poder de llevarme más tarde al lado de él, de las palabras de Carlos, no se que decir, en primer lugar no me han dicho “Mire esto es lo que voy a decir ahí, porque si lo hubieran hecho yo estaría preparado para la emoción, pero la verdad es que mejor así y entre todo lo que ha dicho, bueno no voy ahora a decir que tiene razón en todo o en alguna parte, yo recojo como algo que tiene mucho que ver con lo que he vivido y es como habló de mí y al mismo tiempo habló de mi mujer.

Esto cuenta mucho, porque la verdad uno no va nunca por la vida solo, a veces si nos encontramos solos en la soledad más desgraciada que se puede uno imaginar, pero siempre está eso que llamamos esperanza y que incluso cuando uno ya no tiene nada se da cuenta que si todavía le queda la esperanza como si le queda todo y hablar de mi vida (que he vivido mucho) como se nota por la edad
y vivir poco en la realidad, a lo largo de todo este tiempo yo diría, y lo digo así sin ningún pudor, y es como si toda mi vida fuera una larga preparación para llegar a los años que estoy viviendo hoy.

Podría agradecer a todos los que están ahí sentados, pero la verdad es que agradezco a todos, así uno por uno y todos en un abrazo, y a vosotros ya habremos afinado en que estamos ganando una conferencia si lo que tengo para decirles agradeciendo vuestra atención, vuestra comprensión.

Se llama esto la ilusión democrática, entonces, si yo no hubiera dicho todo lo que he dicho antes estaría ahora empezando diciendo: Señores y señoras”, pero ¿cómo esto se puede decir ahora, después de haber dicho lo que he dicho antes?.

Entonces, amigos, señores, jóvenes, estudiantes y todos los asistentes soy alguien que ha vivido, ha pensado, ha reflexionado y que no le gustaría irse de este mundo callado, me gustaría que la última señal de mi vida no fuera un suspiro, que fuera un grito en protesta, porque nos han condenado a vivir como no lo merecíamos.

Entonces empiezo así, ahora si pierdo el tono emotivo si pierdo esta comunicación de afectividad, pero vamos a algo que tiene que ver más con lo que llamamos el encuentro.

Estas páginas podrían llevar el título de democracia con la apariencia y realidad, quizás más de dos pero a pesar de los obvios inconvenientes derivados de una ambigüedad conceptuada, su sentido de inducir a los lectores interpretaciones tendenciosas, he preferido rotularlo “La Ilusión Democrática”.

Quiero decir y con esto trato de prevenir los más inmediatos desencuentros entre el que habla y sus oyentes, que frente al objeto del tema he tomado la palabra ilusión en su doble significado, en primer lugar engaño a los sentidos por la mente, la apariencia falsa, en segundo lugar sueño, devaneo, uno y otro estarán aquí igualmente presentes como las dos caras de la misma y eterna medalla, de la realidad y de las utopías, mascaras para ocultar mejor el rostro que siempre acaba por imitar a la máscara.

Hablemos entonces de ilusiones de las malas y de las buenas.

Para comenzar, una pregunta simple, ¿hasta que punto son competencia para asegurarnos una vivencia democrática?, aquí las instancias del poder político, y no es el momento de identificarlas, que valiéndose de la legitimidad institucional obtenida por una elección popular tratan de disfrazar por todos los medios y formas la evidencia de que en el acto mismo de la votación se encuentran presentes conflictivamente la expresión material y documental de una opción política y la manifestación implícita de una abdicación cívica, sin conciencia de si misma; en otras palabras, no será una verdad incontrovertida que en el preciso instante en que el voto es introducido a la urna esos sí en verdad el elector le transfiere a otras manos sin reales objetivos contra partidas la parcela de poder y de intervención política que hasta ese momento le pertenecía como miembro de su comunidad, cualquier manual de derecho político elemental nos definirá la democracia como una organización interna del estado en la que cada pueblo, el origen y el ejercicio del poder político en la que el pueblo gobernado es quien gobierna a través de sus legítimos representantes asegurándose así, añade el manual la simbiosis y la intercomunicación entre los gobernantes y los gobernados en el marco de estado de derecho. 

Definiciones como esta, de una pertinencia y una precisión formal, me parecen rozar la frontera de las ciencias exactas y que valdría en el cuadro de nuestra vida ideológica pretender ignorar, por ejemplo, la infinita graduación de estados patológicos o degenerativos de más o menos brevedad que en cada momento pueden ser identificados en nuestro propio pueblo.

Expresándolo de otro modo el hecho de que la democracia sea indiscutiblemente en su definición clásica lo que las fórmulas ya antes citadas, no significa necesariamente que sea real y efectiva democracia, sólo porque en el conjunto de sus estructuras y órdenes institucionales es posible, cuando se es el caso, encontrar aún en sus trazos algún vestigio de la promesa admirada y contenida en
la definición que nos ha dado la enciclopedia.

Un brevísimo viaje por la historia de las ideas políticas van a servir para evocar dos cuestiones muy simples que siendo del conocimiento de todo el mundo, sin embargo y bajo pretexto de que los tiempos han cambiado invariablemente influenciados, a la hora de reflexionar no tanto sobre definiciones de democracia más o menos halagadoras sino sobre su existencia concreta.

La primera cuestión consistirá en recordar que la democracia nació allá por el siglo V a.c. en la Grecia clásica y esa democracia naciente presuponía en la gente presuponía la participación de todos los hombres libres en el gobierno de la ciudad y esa democracia era directa, sin directivos, todos los cargos públicos o atribuidos según método mixto de sorteo y de elección y finalmente en esa democracia los ciudadanos libres tenían derecho a votar y a presentar propuestas en las asambleas populares, esto era la democracia griega, pero que no podía incluir a esclavos porque no eran ciudadanos libres. Por lo tanto la democracia solo tenía como beneficiarios a los ciudadanos libres pero nosotros vivimos en un tiempo en que no hay esclavos, por lo tanto todos somos ciudadanos libres.

Así fue la Grecia de aquellos tiempos, pero en Roma, primera y más directa heredera de las innovaciones de los griegos antiguos del sistema democrático a pesar de las pruebas dadas en el país de origen no llego a implantarse. También sabemos por que. A la par de otros factores auxiliares, aún con menor significado político y social el principal y definitivo obstáculo para el establecimiento de la democracia en Roma procedió del poder de una aristocracia agraria que muy justificadamente, desde su punto de vista, tendría que considerar el sistema democrático como un radical enemigo de sus empresas. Ahora bien, aun tenían encuentros políticos debido a las extrapolaciones del tiempo y lugar , siempre creo no así a la tentación de preguntar a los gigantescos imperios financieros e industriales sobre los que el común de las personas disponen de poca o de ninguna información no obstante ellos, esos mastodontes de imperios, cumpliendo y haciendo cumplir la lógica exclusiva de sus intereses y tal como lo hicieron los terratenientes aristocráticos de Roma contribuyendo de un modo frío y calculado el reducir hasta casi la insignificancia una posibilidad de vida democrática que cada vez más apartada en los tiempos de su expresión original se encuentra hoy en un, rápido comportamiento, es decir aparentemente elaborado desarrollado y conservado en sus teorías e informes pero si no me equivoco cada vez más pervertida en su esencia, cada vez más desviada de su
humano concepto.

Temerario les habrás parecido seguramente que haya venido aquí a representar el papel de abogado del diablo comenzando por preguntar en un tono claro y provocador sobre la pertinencia y propiedad de los distintos procesos políticos de representación y el ejercicio de la autoridad democrática y no poner en particular evidencia el residuo instrumental que, según todos los testimonios, separan a los
ciudadanos electores de los ciudadanos elegidos en los sistemas democráticos actuales.

Pues bien, precisamente porque pienso que es necesario traspasar de forma radical los límites más o menos concensuados en que nos hemos resignado a discutir los méritos relativos y las obvias debilidades de nuestras democracias domésticas, es por lo que me parece necesario que nos detengamos a reflexionar en lo que la democracia es y para qué sirve, antes de aspirar gracias a una operación alquímica obligatoria y universal, como si hubiera finalmente convertido el polvo en oro.

La Democracia misionalmente se quiere extender al resto del mundo como si se tratara de una nueva religión no es ni mucho menos la democracia all around de los sabios primerizos y en última instancia de los ingenuos griegos sino aquella otra, los ahora experimentados y pragmáticos romanos sin ninguna duda esta el camino agotado sin el que no hubiesen encontrado alguna utilidad práctica. Es decir una democracia como la del final del siglo esta falsa democracia que nos rige y que pregonamos hipotecada por mil y un condicionante financiero de fenómenos estructurales y sociales, y no nos hagamos ilusiones, haría mudar prontamente de leyes a los latifundistas, turnándose en activos y eficaces demócratas, entre comillas, precursores de espíritu neoliberal de nuestros administrativos; incluso porque no decirlo, de nuestros cuando no traficantes de las mayores aversiones. Esta claro del todo que las democracias nominales-occidentales no son censatarios ni racistas y el voto del ciudadano más rico o de piel más clara cuenta tanto en las urnas como el voto del ciudadano más pobre o de piel más oscura por lo que calibrando las cosas según sus apariencias la mirada puntual de una practica democrática que inicialmente fuera una mayor extensión geográfica para convencer de una vez a ustedes. Sin embargo si se me permite echar un chorro de agua fría en estor enormes y unánimes hervores, diré que para desgracia de los que sufren la realidad del mundo es muy diferente y de una manera u otra siempre acabamos por encontrar un cuerpo autoritario y particular, debajo de los ropajes democráticos elegantes. A los que más fueron casi mis primeros pasos que el acto de votar siendo expresión de una voluntad es también implícitamente y al mismo tiempo una tradición de renuncia al ejercicio de esa misma voluntad en la medida en que representa, sino formalmente si para efectos prácticos da la dirección de un poder propio al afirmarlo repito, cobró conscientemente pienso en el umbral de la cuestión pues no considere entonces los prolongamientos que construyese el acto electoral tanto desde un punto de vista institucional como desde un punto de vista de los diferentes individuos políticos y sociales en los que transcurre la vida política de una comunidad que a base de decir, de acuerdo con una expresión consagrada de sus representantes.

Mirando ahora las cosas más en serio pienso que no constituirá un producto concluido que siendo el acto de votar para la mayoría de la población equivalente a un acto de renuncia el voto podrá ser sin embargo, no viéndolo para una minoría el primer paso del proceso y aun con el aumento justificado con todos los formalismos democráticos mirar, y eventualmente pretender fin entre democráticos y que fueron duros en su concretización llegar hasta ofender frontalmente.

En principio ninguna sociedad mentalmente sana por ejemplo eligiria a productores y traficantes de drogas como sus representantes políticos pero la mala experiencia nos muestra que el ejercicio efectivo de amplias áreas de poder tanto en el ámbito nacional como en la esfera internacional esta en manos de estos y otros temerarios o de sus mandatarios directos o indirectos. Añadiré algo mas, ninguna clasificación de los depositarios de urnas seria incapaz de identificar en las opciones ciudadanas frescas los grupos y fenómenos financieros internacionales cuyas actividades, para dar un solo ejemplo, están arrastrando a la catástrofe económica al planeta en que vivimos causa común de la humanidad pero no su propiedad exclusiva.

Aprendemos de los libros, pero sobre todo de las acciones de la vida que de poco debería servirnos una democracia política por mas equilibrada que pareciera estar en sus estructuras internas y en su funcionamiento sino se hubiese constituido como la raíz y la razón de una democracia económica y cultural. Decir esto en los días que corren hasta ser mas que una fatalidad, un cansado lugar común de
ciertas limitaciones ideológicas de un pasado, pero supongo que seria difícil cerrar los ojos a la vivencia, no reconocer que aquella trinidad de democracia, la política, la económica y la cultural, cada una de ellas complementarias de las otras representó en la época de su prosperidad una de las mas fascinantes banderas del espíritu que a través de la historia fueron capaces de conmover corazones, avalar conciencias y movilizar voluntades. Hoy, en contrapartida, despreciadas y arrojadas al cubo de la basura como si se tratara de zapatos viejos la idea de una democracia ignómita dio lugar a un mercado obscenamente triunfal y la democracia cultural a la masificación industrial de las culturas y que no progresamos, retrocedemos y cada vez ira siendo más absurdo hablar de democracia si persistimos en el equivoco de identificarla solamente con sus expresiones inmediatas, esto es, objetivas y cuantitativas que se llaman partidos, parlamentos y gobiernos, sin mirar a su real contenido y a la utilización del voto como se justifica y los coloca en el lugar que ocupan. No se concluya con lo que estoy diciendo que estoy contra la existencia de partidos, soy miembro de uno de
ellos. No se piense que abomino en el parlamento ininputados los querría a todos, a unos mejor que a otros y tampoco se piense soy el inventor de una receta mágica que permitiría a los pueblos de ahora en adelante vivir sin gobiernos o deseara ser gobernada de acuerdo a los modelos pregonadamente democráticos, pero a mi ver incompletos e incoherentes que pretendemos hacer universales en una especie de sustancial fuga como si quisiéramos exhorcizar nuestros propios fantasmas en vez de simplemente reconocerlos, pelear contra ellos y vencerlos.

Dije incompletos, dije incoherentes porque no veo otra manera de designarlos. Una democracia bien entendida, entera redonda y radiante como un sol que a todos ilumina debería, en nombre de la democracia y solo entonces encontraría su más completa justificación comenzar con nuestro propio país, con nuestra propia comunidad con nuestra propia casa si esta premisa no es asumida y respetada y la experiencia cotidiana nos dice que no lo es, todos los razonamientos consecuentes todas las practicas en este caso la fundamentación del régimen y el funcionamiento del sistema quedarán irreversiblemente viciados y pervertidos.

Vimos ya como se considera obsoleto, pasado de moda, por no decir sencillamente ridículo, invocar y seguir una democracia económica y una democracia cultural, sin las cuales el aparato institucional al que llamamos democracia política se reducirá a su frágil castra. Acaso atractiva pero vacía en su auténtico contenido nutritivo y estructurante. Pero en las circunstancias de la vida actual, no obstante que incluso y quebradiza de las apariencias democráticas preservadas por el pretendido conservadurismo del espíritu mágico aprobado muchas veces por las formas superiores para continuar creyendo en la especie de una materialidad que obtiene de una trascendencia que le dio su nombre, que las circunstancias de la vida que los expendios y los colores que han adornado en todo esto a nuestros resignados ojos y nuestras apáticas mentes las formas de la democracia política se estén volviendo rápidamente opacos, sombríos, asustadores, de una manera todavía imprecisa, tal vez pero no por eso menos angustiante. Diré porque es así a mi modo de entender. Como siempre ocurrió y probablemente siempre acontecerá la cuestión más importante de la razón de este libro y en la que todos acabamos concluyendo es la cuestión del poder y el problema práctico y teórico con el que invariablemente nos enfrentamos es identificar quien lo posee averiguar como llego a el, verificar el rubro que de él parte, los medios y los fines a que acude. Si la democracia pues de hecho con falsa ingenuidad diciendo que gobierno y el pueblo por el pueblo y para el pueblo cualquier palabra sobre la cuestión del poder deberíamos se reduce el poder del pueblo, sería un pueblo quien querría su administración y siendo el pueblo quien administraría el poder está claro solo podría ser para su propio bien y para su propia felicidad pues eso estaría obligando, al final, sin ninguna pretensión de ningún científico a nivel conceptual en uno de los aspectos, la ley de la conservación. Ahora bien somos fin perverso tan grosero hasta el cinismo, pues sería proclamar hoy y eso es común que por el contrario, nadie puede pretender imponer un solo aspecto nada mas por ser supuestamente el mejor de los dos posibles. Para no ir mas lejos es la propia y concreta situación de uno de los más democráticos, los que nos dice si es verdad que los pueblos son gobernados verdad es también que no lo son por ellos mismos ni para ellos mismos, los gobiernos y sus representantes democráticamente elegidos, ahí es donde se encuentra el poder democrático. Respondo yo no estamos en una clase de derecho político, no estamos en un laboratorio en donde mezclando los cuerpos, sustancias químicamente puras tendremos de antemano la seguridad de llegar a un producto también químicamente puro. El poder democrático es producto del ejercicio del sufragio en el mejor de los casos libre y pensado – por definición provisional y coyuntural. Dependerá de nuestra unidad de valor la aceptación relativamente sensible de la voluntad política de una determinada sociedad Pero ayer como hoy, con una amplitud cada vez mayor abundan los ejemplos de que a cambios políticos de carácter aparentemente progresivo no responden los cambios económicos, culturales y sociales de una propaganda electoralista y que el resultado del sufragio aparentemente propicio.

Decir hoy socialista, social-demócrata, conservador o liberador y llamar a eso poder significa estar nombrando algo que no se encuentra donde imaginamos, está en otro inalcanzable lugar, el lugar del poder real, actuante y determinante cuyos contornos a veces creemos poder distinguir por detrás de las mallas institucionales, pero que se nos escapa cuando intentamos observarlo más de cerca e inevitablemente contraataca si tenemos la realidad de reducir su dominio subordinándolo a los intereses que le damos.

Con otras y más palabras digo que no fueron los pueblos quienes eligieron gobiernos para que éstos los llevasen al mercado, digo que es el mercado el que está condicionando a los gobiernos para que lleve a los pueblos, y si hablo de mercado es porque hoy más que nunca es el instrumento de dominio por su herencia del verdadero y único poder real, el poder económico y financiero mundial, no es democrático porque no lo ha elegido el pueblo, no es democrático porque no es regido por el pueblo y que finalmente no es democrático porque entre sus postulados no figura la felicidad del pueblo.

Sin embargo, es cierto que sobre esos y otros momentos evidentes la estrategia política de todos los rostros han impuesto un silencio para que nadie se atreva a insinuar que conociendo la verdad vengamos practicando la mentira o aceptando ser cómplices.

He hablado hasta ahora de lo que cuando libradas provocaciones la ilusión democrática es más de lo que deberíamos consentir y creo haberlo dejado con claridad suficiente: engaño de los sentidos y de la mente, apariencia falsa, sin embargo, no debo ni quiero olvidar los otros significados de ilusión, (falta)** por eso concédanme antes del remate de estas palabras un breve entrevago de la literatura y ficción, cuento fantástico, una parábola.

La noche pasada hice un viaje a Marte, pasé ahí 10 años y tomé muchas notas acerca de la vida que ahí se vive, me comprometí a no divulgar los secretos de los marcianos, pero voy a faltar a mi palabra, soy humano y deseo contribuir en la medida de mis esfuerzos al progreso de la humanidad a quien me enorgullezco de pertenecer; es muy importante esto y espero que algún día se tomen en cuenta mis actos, esto es del perjurio cometido con los no se cuántos miles de millones de mujeres y hombres que hay en la tierra tomen todos mi experiencia.

En Marte cada marciano es responsable de todos los marcianos, no tengo la certeza de haber comprendido bien, pero el tiempo que ahí estuve nunca vi a un marciano encogerse de hombros, debo aclarar que los marcianos no tienen hombres, pero espero que se comprenda la idea, otra cosa que me agradó en Marte es que no hay guerras, nunca las hubo, no se como se las arreglan ni ellos supieron explicármelo, tal vez porque yo no fue capaz de decirles qué es una guerra según mis patrones terrestres, incluso cuando les mostré dos animales salvajes seguían sin entender, a todo eso respondían que los animales son animales y los marcianos son marcianos.

Aún así, lo que más me desorientó de Marte fue no saber dónde estaban los campos y dónde la ciudad, tal vez ya no nos causa extrañeza ver un gran hospital, un gran museo o una gran universidad; los marcianos tienen todo esto como nosotros. Al principio cuando pedía razones la respuesta era siempre la misma: el hospital, el museo y la Universidad estaban ahí porque ahí eran necesarios, tantas veces me dieron esa respuesta que encontré mejor aceptar con naturalidad que la existencia de la escuela con 10 profesores marcianos en un sitio donde sólo había una criatura también marciana, ahí me respondieron que cada profesor enseñaba una materia diferente y por lo tanto todos eran necesarios. En Marte apreciaron mucho que en la tierra existen siete colores elementales y que de ahí se pueden obtener millones de tonalidades, ahí solo hay dos, el blanco y el verde. Aun cuando me hicieron jurar que no hablaría de lo que ahí vi, supongo que estarían dispuestos a cambiar todos los secretos de Marte por el modo de obtener un azul.

Cuando salí de Marte nadie vino a acompañarme a la puerta, pienso que en el fondo no nos prestan atención, ven de lejos nuestro planeta pero están muy ocupados con sus propias cosas.

Por mi parte, a estas alturas estoy dudando, puedo llevarles un poco de azul del cielo, o del mar, pero y después, ellos querrán venir a conocer la tierra y tengo la impresión que no les va a gustar.

Colorín Colorado, este cuento se ha acabado.

Una parábola no es creíble, y menos aun si es marciana. Al contrario de los discursos corrientes que siempre se pueden ir prolongando hasta las fronteras la resistencia de quien habla y la paciencia de quien los escucha. Una parábola es en cierta manera una proposición científica, tiene su principio y su fin propio, lógico y matemático. Si es bien cierto que cada uno tiene el derecho de hacer lo que quiere con las razas, con las extrapolaciones y los análisis no encuentren mucho que valga la pena. Quien tenga oídos para oír que oiga dijo alguien cuya vida fue también de algún modo una parábola.

Por eso me limitaría a proponer que nos interroguemos sobre los nexos y sustentos entre las maravillas de descubrir en mi parábola marciana y las consideraciones que sufre la democracia o la ilusión democrática. En lo que a mi respecta declaro que he tomado del sueño de la quimera marciana para mis propias interrogaciones es que cada marciano es responsable de todos los marcianos no para proclamar, a tanto no llega, cada ser humano es responsable de todos los seres humanos pero no igual. Dos. Si la determinación de los límites con el paso del tiempo acaba consagrando y resulta un caso de renuncia voluntaria por el ejercicio de los derechos y deberes propios. Tres. Si podemos seguir hablando de democracia sin que haya una presencia, una participación y una intervención constante de los ciudadanos en la vida colectiva, sin las fuentes de poder, sin el cumplimiento riguroso del parecer fundamental, del derecho según el cual todos los ciudadanos son iguales ante la ley, sin el reconocimiento no sólo formado, sino de lo que hable en los hechos de que los beneficios sociales sean de naturaleza estructurada económica y cultural deben ser sin condiciones reductoras aplicadas a toda la comunidad, etcétera, etcétera, etcétera.

Voy a terminar admito sin dificultad el supuesto previo de que estamos avanzando en una dirección a la sociedad democrática mundial, no me parece con todo que se quede en su pesimismo a aquellos que como yo, piensan que habría sido si acontece sólo el primer y cortisimo paso en un camino que nosotros mismos hemos empezado a recorrer, porque la democracia o es total o no es democracia.

Esto me induce a decir que europeo como soy, miembro de una sociedad que así misma tantas veces se ha llamado faro del mundo antes de soportar al resto del mundo, lo que con alguna frivolidad seguimos llamando democracia, deberíamos buscar las maneras de producirla mejor y distribuirla mejor en nuestras propias casas.

Estoy seguro de que el mundo necesita mucho más que la ilusión democrática que andamos fabricando y a la que se reduce al final, desgraciadamente, en demasiados casos, nuestras democracias.

Gracias por vuestra atención."

quinta-feira, 14 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Conferência "La littérature de Saramago vue par le cinéma" - Fundação Calouste Gulbenkian (Delegação francesa)

"La littérature de Saramago vue par le cinéma"

"6 avril 2016 de 18h30 à 20h - Festafilm 

Organisé par AGRAFR - Association des diplômés portugais en France
Par Sílvia Amorim (maître de conférence, université de Bordeaux) 
et Raquel Schefer (réalisatrice et chercheuse) 
Modération : Dominique Stoenesco"

Mais informação, aqui

Agradecimento especial a Isabel de Barros e à Delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian aqui em http://www.gulbenkian-paris.org/accueil e https://twitter.com/GulbenkianParis



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Conferência com eurodeputados - "Cadernos de Lanzarote Diário IV" (20/04/1996)

20 de Abril (de 1996)
"Estiveram, além do Sérgio Ribeiro, os também «eurodeputados» (meto aspas na palavra porque sempre me pareceu assaz esquipática) Alonso Puerta, que é o presidente do grupo no Parlamento Europeu, Laura González, Angela Sierra, e dois professores de Tenerife: Ana Hardisson e Juan Pedro Castafleda. Quanto a mim, cumpri a obrigação dizendo o que segue: 

«Repito as palavras que aqui nos reúnem - literatura, compromisso, transformação social -, pronuncio-lhes devagar as sílabas como se, em cada uma delas, se escondesse ainda um significado secreto à espera de ser revelado ou simplesmente reconhecido, procuro reencaminhá-las para a integridade de um sentido primeiro, restaurá-las do uso, purificá-las das vulgaridades da rotina - e encontro-me, sem surpresa, perante dois caminhos de reflexão (quem sabe se os únicos possíveis), já percorridos mil vezes, mas a que parece ser nosso inelutável destino voltar, sempre que a crise contínua em que vivem os seres humanos (seres de crise por excelência, e humanos talvez por isso mesmo) deixa de ser crónica, habitual, para tornar-se aguda e, ao cabo de um tempo, insustentável. Como creio ser a situação da humanidade que hoje representamos e deste tempo que vivemos. 

«O primeiro caminho de reflexão seria o daquela tendência muito corrente que quer incluir a literatura entre os agentes de transformação social, entendendo-se a denominação, neste caso, não tanto como referida às consequências sociais decorrentes dos factores estéticos, mas sim a supostas influências na ordem ética e na ordem axiológica, independentemente do carácter positivo ou negativo das suas expressões. De acordo com tal maneira de pensar, e extrapolando, em benefício do raciocínio, conteúdos e formas historicamente diferencia-dos (para poder, assim, abranger numa única visão o ensino, a literatura e a cultura em geral), teríamos de coincidir, hoje, apesar dos trágicos desmentidos da realidade, com a panglossiana convicção dos nossos oitocentistas e optimistas avós, para quem abrir uma escola equivalia a fechar uma prisão. Que nos digam as estatísticas escolares e judiciais se a massificação do ensino se tem configurado, de facto, como prevenção bastante ou antídoto eficaz contra a massificação da delinquência, que é, precisamente, já não temos dúvidas, uma das características principais deste final de século. 

«Deixemos, porém, as escolas, deixemos a cultura em geral, deixemos a arte, a filosofia e a ciência, para cuja adequada ponderação me faltam o saber e a autoridade, e regressemos à literatura e à sua relação com a sociedade. Mantenhamo-nos discretamente nos domínios do axiológico e do ético (sem os quais, há que reconhecê-lo, qualquer exame de uma transformação social determinada, fosse qual fosse a sua época, teria de satisfazer-se com pouco mais que uma tabela de pesos e medidas), e reconheçamos, por muito que tal verificação possa castigar a nossa confiança, que as obras dos grandes criadores do passado, de Homero a Cervantes, de Dante a Shakespeare, de Camões a Dostoievski, apesar da excelência do pensamento e fortuna de beleza que diversamente nos propuseram, não pare-cem ter originado, em sentido pleno, nenhuma efectiva transformação social, mesmo quando tiveram uma forte e às vezes dramática influência em comportamentos individuais e de geração. No plano da ética, dos valores humanos e do respeito humano, apetece dizer, sem cinismo, que a humanidade (estou a referir-me, em particular, ao que costumamos designar por mundo ocidental) seria exactamente o que é hoje se Goethe não tivesse vindo ao mundo. E que, em reforço desta ideia, não me consta que a leitura dos Fioretti de S. Francisco de Assis tivesse salvado a vida a uma só das vítimas da Inquisição... 

«É lícito, portanto, afirmar que a literatura, mesmo quando, por motivos religiosos ou políticos, se dedicou a uma pregação de bons conselhos ou a uma engenharia de novas almas, não só não contribuiu, como tal, para uma modificação positiva e duradoura das sociedades, como provocou, algumas vezes, insanáveis sentimentos de frustração individual e colectiva, resultantes de um balanço negativo entre as teorias e as práticas, entre o dito e o feito, entre uma letra que proclamava um espírito e um espírito que deixou de reconhecer-se na letra. Bem mais fácil seria, para quem fizesse questão de em todas as coisas descobrir mútuas relações de causa e efeito, juntar provas de uma influência maléfica da literatura (de uma parte dela) nos costumes e na moral, e portanto na sociedade, tarefa, aliás, bastante favorecida pela presença obsessiva de algumas dessas obras e alguns desses autores, por exemplo, no imaginário sexual de milhões de pessoas, alimentando fantasmas e fantasias que nos são «culturalmente naturais», mas a que, de outro modo, teriam ficado a faltar referências, abonações e modelos. Por outras palavras, uma filosofia completa de vida... Entendidas assim tais relações, e adoptando a atitude, mais comum do que se imagina, daqueles que crêem que uma coisa só passa a ter verdadeira existência a partir do momento em que exista a palavra que a nomeie, o Sadismo ter-se-ia revelado ao mundo quando o marquês de Sade, ainda criança, pela primeira vez arrancou as asas a uma mosca, e o Masoquismo, também ele, teve de aguardar o dia em que a pequena alma de Sacher-Masoch, talvez por aquela mesma idade, e imitando, sem o saber, os místicos de todas as religiões, percebeu que era, primeiro possível, depois desejável, passar do sofrimento no prazer ao prazer no sofrimento. Ao cabo de milénios, depois de uma espera longuíssima, depois de tanto tempo em vão, o sádico e o masoquista puderam finalmente encontrar-se, reconhecer-se como complementares e, desta maneira, inaugurar a era da felicidade... A deles. 

«Este percurso breve pelo primeiro dos caminhos de reflexão que se nos apresentaram, aquele que assentava no pressuposto de que a literatura, independentemente do significado moral ou imoral das suas manifestações, teria exercido ou ainda exerceria influência nas sociedades ao ponto de constituir-se como um dos seus agentes transformadores, acabou de conduzir-nos a uma conclusão pessimista e aparentemente intransponível: a de uma essencial irresponsabilidade da literatura. Ir-responsabilidade, digo eu, no sentido restrito de que não seria legítimo atribuir ao ciclo da Guerra das Duas Rosas de Shakespeare, tomemos o mais ilustre dos exemplos, a culpa de um eventual aumento, em número e em gravidade, dos crimes públicos ou privados em geral, como igualmente não teremos o direito de acusar o autor de Ricardo III de não haver podido conseguir, graças ao que se supõe ser a lição admoestadora e edificante de toda a tragédia, que os reis e os presidentes passassem a matar-nos menos... 

«Se a literatura é de facto irresponsável, na dupla acepção de não poderem ser-lhe imputados, mesmo que só parcialmente, nem o bem nem o mal da humanidade, e não estar portanto obrigada, quer para penitenciar-se quer para felicitar-se, a prestar contas em nenhum tribunal de opinião; se, pelo contrário, actua, no seu fazer-se, como um reflexo mais ou menos imediato e directo da situação material e psicológica das sociedades nas suas sucessivas transformações - então, o segundo caminho de reflexão proposto, que, talvez com excessivo radicalismo, acabaria por mostrar a literatura como simples e obediente sujeito, esse caminho interrompe-se quando ainda mal tínhamos dado o primeiro passo, reconduzindo-nos ironicamente ao ponto de partida, à interrogação sobre o que deveria ser e para que deveria servir a literatura, quando na vida cultural dos povos se instale o sentimento inquietante de que, não tendo ela, aparentemente, deixado de ser, manifestamente deixou de servir. 

«Mesmo que o determinismo da conclusão possa humilhar certas vaidades literárias (mais inclinadas do que aconselharia a modéstia a engrandecer o seu papel, não só na república das letras como na sociedade em geral), teremos de reconhecer que a literatura não transformou nem transforma socialmente o mundo e que o mundo é que transformou e vai transformando a literatura. Posta a questão nestes termos, objectar-se-á que, depois de haver tapado os caminhos, venho agora fechar as portas, e que, encerrado neste círculo, sobre todos vicioso e perverso, nada mais restaria ao escritor, enquanto tal, que trabalhar sem esperança de vir realmente a influir na sua época, limitado a produzir os livros que a necessidade de divertimento da sociedade, sem o parecer, lhe for encomendando, e com os quais se satisfarão ela e ele, ou, no caso de ter sido contemplado com uma porção suficiente de génio, quando da sua distribuição pelo Cosmo, escrever obras que o seu tempo compreenderá mal ou a que será hostil, deixando ao futuro a responsabilidade de um julgamento definitivo, que, acaso seguro e justo nesse específico caso, incorrerá, infalivelmente, em erros de apreciação quando, tornado presente, tiver de pronunciar-se sobre obras suas contemporâneas... (Em verdade, o escritor, quando escreve, não está apenas só, está também cercado de escuridão, e creio que não abusarei da minha limitada faculdade de imaginar se disser que a própria luz da obra - pouca ou muita, todas a têm - o cega. Dessa cegueira particular não o poderão curar nenhuma crítica, nenhum juízo, nenhuma opinião, por mais fundamentados e úteis que possam ser, porquanto são, todos eles, emitidos de um outro lugar.) 

«Em que ficamos, então? Se as sociedades não se deixam transformar pela literatura, ainda que ela, numa ou noutra ocasiões, possa ter tido nas sociedades alguma influência superficial, se, pelo contrário, é a literatura que se encontra hoje assediada por sociedades que não lhe pedem mais que as fáceis variantes de uma mesma anestesia de espírito que se chamam frivolidade e brutalidade - como poderemos nós, sem esquecer as lições do passado e as insuficiências de uma reflexão dicotómica que se limitaria a fazermos viajar entre a hipótese de uma literatura agente de transformações sociais e a evidência de uma literatura que parece não ser capaz de fazer mais que recolher os destroços e enterrar as vítimas das batalhas sociais - como poderemos nós, insisto, embora provocando a troça das futilidades mundanas e o escárnio dos senhores do mundo, restabelecer o debate sobre literatura e compromisso sem parecer que estamos a falar de restos fósseis? 

«Espero que num futuro próximo não venham a faltar respostas a esta pergunta e que todas juntas possam fazer-nos sair da resignada e dolorosa paralisia de pensamento e acção em que nos encontramos. Por minha parte, limitar-me-ia a propor, sem mais considerações, que regressemos rapidamente ao Autor, à concreta figura de homem ou de mulher que está por trás dos livros, não para que ela ou ele nos digam como foi que escreveram as suas grandes ou pequenas obras (o mais certo é não o saberem eles próprios), não para que nos eduquem e instruam com as suas lições (que muitas vezes são os primeiros a não seguir), mas, simplesmente, para que nos digam quem são, na sociedade que somos, eles e nós, para que se mostrem como cidadãos deste presente, ainda que, como escritores, creiam estar trabalhando para o futuro. 

«O problema não está em, supostamente, se terem extinguido as razões e causas de ordem social, ideológica ou política que, com resultados estéticos que nem sempre serviram as intenções, levaram ao que se chamou, no sentido moderno da expressão, literatura de compromisso; o problema está, mais cruamente, em que o escritor, regra geral, deixou de comprometer-se como cidadão, e que muitas das teorizações em que se foi deixando envolver acabaram por constituir-se como escapatórias intelectuais, modos de disfarçar, aos seus próprios olhos, a má consciência e o mal-estar desse grupo de pessoas - os escritores -, que, depois de se terem considerado a si mesmas como farol e guia do mundo, acrescentam agora à escuridão intrínseca de todo o acto criador as trevas da renúncia e da abdicação cívicas. 

«Depois de deixar este mundo, o escritor será julgado segundo aquilo que fez. Enquanto ele estiver vivo, reclamemos o direito a julgá-lo também por aquilo que é.» 

O verdadeiro debate veio a acontecer depois, durante o almoço que nos reuniu a todos. Como era de esperar, fui acusado (amigavelmente acusado) de ser mais pessimista que a conta (ganhei esta fama, tenho de continuar a merecê-la...), mas, ou muito me engano, ou o pessoal de Estrasburgo foi de cá um bocadinho abala-do... Enfim, tanto não direi, mas a veemência sempre perturba, e eu estou convencido de ter sido algo mais que veemente." 

in, "Cadernos de Lanzarote Diário IV"
Caminho, páginas 112 a 118 (20 de Abril de 1996)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

«Somos cuentos, de cuentos, contando cuentos: Nada» - Conferência em Oviedo (13/06/1995)


Conferencia de José Saramago (Escritor).
«Somos cuentos, de cuentos, contando cuentos: Nada». 
Presentado por Melchor Fernández, Gustavo Bueno, Miguel Munárriz y José María Laso.

"Oviedo. Casa cheia: duzentas pessoas sentadas, outras tantas de pé. Ambiente invulgarmente afectuoso. Oviedo tem dois braços abertos e um coração de amigo. Um dos dias mais perfeitos que me lembro de ter vivido como escritor «falante»..."
in, "Cadernos de Lanzarote Diário III" 
Caminho, página 129 (13/06/1995)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conferência em Paris - "Academia Universal das Culturas" (Cadernos de Lanzarote Diário II - 20/12/1994)

in, "Cadernos de Lanzarote - Diário II"
Caminho, páginas 254 a 259 (20/12/1994)

"Não sei se diga. Não sei se diga que vim a Paris, não sei se diga que participei pela primeira vez na assembleia da Academia Universal das Culturas e que nela botei fala crítica, tão protestativa quanto dorida-mente patriótica. Se digo, que dirão? Que não devia dizer, que deveria ter dito outra coisa, tudo menos que fui a Paris e que me receberam na Academia, aquela. Portanto não digo que infelizmente Jorge Amado não estava, mas que estavam, entre outros de que não tinha notícia anterior, Elie Wiesel, Umberto Eco, Wole Soyinka, Paul Ricoeur, Jacques Le Goff, Ismail Kadaré, Jorge Semprun. Também não digo que conheci com gosto e proveito o libanês Amin Maalouf, o tunisino Mohamed Talbi, o israelita Joseph Ciechanover, uns tantos outros de aqui e de além, de que não farei men-ção para não alongar mais o que não digo. Limitar-me-ei a dizer umas quantas palavras daquelas que não disse: 

«Quando se pede a um português uma definição breve do seu País, as explicações previsíveis, pondo de parte alguma diferença de pormenor, são, invariavelmente, duas: a primeira, ingénua, optimista, proclamará que jamais existiu, debaixo do Sol, outra terra tão notável e tão admirável gente; a segunda, pelo contrário, corrosiva e pessimista, nega essas sublimadas excelências e afirma que, últimos entre os últimos no continente europeu desde há quatro séculos, nessa situação ainda hoje nos comprazemos, mesmo quando protestamos dela querer sair. 
«Procuram os optimistas encontrar em tudo razões para que os Portugueses possam vangloriar-se duma identidade, duma cultura, duma história alegadamente superiores, como se História, Cultura e Identidade, qualquer que seja o grau de comparabilidade recíproca admissível, não fossem radicalmente inseparáveis, em causa e efeito, da própria relação social, conflitiva ou harmoniosa, dos seres humanos no tempo. 
«Já os pessimistas, propensos, em geral, a uma percepção relativizadora dos factos, afirmam que a História e a Cultura portuguesas, projectadas na época dos Descobrimentos em todas as direcções do globo, não foram, depois deles, e hoje, no limiar de integrações de todo o tipo que se anunciam arrasadoras, igualmente não parecem, essa História e essa Cultura, bastante sólidas para defender, preservar e intensificar a identidade de um povo que, com demasiada frequência, cai na simpleza de gabar-se de viver dentro das mais antigas fronteiras da Europa, como se o facto, inegável, se devesse exclusivamente a méritos próprios, e não, como a História ensina, aos acasos da geografia e à evidente insignificância estratégica da região.» 
Também não disse: 
«Ao longo de quatro séculos vivemos o que poderia denominar-se a expressão endémica duma subalternidade estrutural, atravessada por surtos agudos de intervenção estrangeira directa, como foi o caso do pró-consulado de William Beresford, o general inglês que foi para Portugal em 1809, com a missão de reorganizar o exército desmantelado em consequência da primeira invasão napoleónica, e que no país se manteve até 1820, exercendo um poder que foi, primeiro, rigoroso, depois abusivo, e finalmente ditatorial. Do mesmo nosso aliado britânico viria mais tarde, em 1890, a brutalidade e a humilhação do Ultimatum, sem dúvida um episódio menor no quadro mundial das disputas coloniais da época, mas que se configurou como ocasião para uma daquelas erupções de passionalidade patriótica com que, de longe em longe, procura equilibrar-se vitalmente a habitual passividade portuguesa. Chegou-se ao ponto de promover uma subscrição nacional para a compra de navios de guerra, a qual, sendo tão escassos os recursos do País, não deu para mais que a aquisição de um cruzador, construído em Itália, que entrou em Lisboa sete anos depois. Tinha razão Antero de Quental quando escreveu, no meio do mais indignado ardor das manifestações públicas, estas lúcidas e implacáveis palavras que deveriam ter-nos servido de lição para o futuro: "O nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos...".» 
Igualmente não disse: 
«Acabados de sair duma longa e traumatizante guerra colonial, teria sido desejável que os Portugueses tivessem podido pensar sobre si mesmos, examinando o seu passado e o seu presente, para depois, pelos caminhos de uma consciência criticamente nova, acertarem o passo com a Modernidade, sendo, porém, primeira condição desse ajuste novo o apuramento e desenvolvimento de mais amplas capacidades de auto-regeneração, e não a simples adopção, voluntária ou forçada, de modelos alheios que, no final das contas, já demasiado o sabemos, muito melhor servem a alheios interesses. 
«Porém, a História tinha pressa, a História não podia esperar que os Portugueses parassem para pensar em si mesmos, fazendo algo parecido com um exame do seu sentido histórico, num trabalho sério de reflexão colectiva que lhes permitisse identificar claramente as causas estruturais, mas também ideológicas e psicológicas, da sua tendência a aceitarem ser, como por uma espécie de determinismo congénito, um parceiro menor, e de certa maneira nisso se satisfazerem, talvez porque essa subordinação lhes permite, por um lado, exercitar a paixão da lamentação e do protesto contra as constantes incompreensões e injustiças dos poderosos, paixão essa acrescida de um fechar-se em si mesmos a que chamam orgulho nacional, e, por outro lado, persistir em interpretações messiânicas do destino português, actualizando-as e adaptando-as, melhor ou pior, às novas realidades exteriores. «Bastará recordar a Mensagem de Fernando Pessoa, agora retomada por novos visionários de todas as idades, porventura de uma maneira menos primariamente "patriótica", dificilmente adoptável por aqueles outros, os pragmáticos, que se preocupam, sobretudo, com decorar e repetir, como se seu fosse, o discurso europeu oficial, abandonando, por antiquados, os sonhos pessoanos de um império espiritual português, excepto nos casos em que tal discurso se mostre ainda ideologicamonte vantajoso para uso interno, ainda assim muito mais com o objectivo de ornamentar com citações literárias a banalidade da nova retórica política do que por convicta adesão a esses retardados messianismos.» 
O que vem a seguir também não foi dito: 
«Interessante, porém, será observar como uns e outros, os visionários e os pragmáticos, coincidem numa visão finalmente providencialista: enquanto os primeiros teimam em colocar num tempo sucessivamente adiado a Hora em que Portugal se achará a si mesmo, os outros, prosseguindo um percurso mental semelhante, colocam as suas esperanças nas benesses materiais da União Europeia, graças ao que, com mínimo esforço próprio e como por um efeito mecânico de «arrastamento», consequência do processo integrador geral, todos os problemas portugueses se acharão resolvidos, com as evidentes vantagens do dinheiro fácil, do curto prazo, das datas à vista, em lugar da infinita espera de um infinito futuro. 
«Tudo considerado, creio poder dizer-se, quanto aos primeiros, que lhes é bastante indiferente o que Portugal venha a ser, desde que seja (mesmo apresentando-se tão pouco nítido o ser que é possível deduzir das suas nebulosas especulações); quanto aos segundos, tão-pouco essa questão lhes parece importante, porque, não tendo uma ideia precisa do que Portugal poderia ser, estão decididos a transformá-lo noutra coisa o mais depressa possível, e, sendo tão faltos de imaginação criadora, não serão capazes de fazer melhor que pagar, por qualquer preço, o modelo europeu prêt-à-porter, onde o corpo português terá de entrar, com jeito ou à força, consoante as exigências de cada momento, reduzindo-o no que sobrar ou esticando-o até à completa ruptura social e cultural.» 
E finalmente não disse: 
«Portugal não foi capaz, até hoje, nem parece preparado para o fazer, de definir e executar um projecto nacional próprio, obviamente enquadrável, sendo as coisas o que são, na União Europeia, mas não exclusivamente tributário dela, porquanto uma definitiva dependência económica (ressalvando o que na palavra definitivo há de demasiado categórico) não deixará de acarretar uma dependência política e cultural não menos definitiva. O que, no decorrer dos tempos, foi começado por incipientes interesses dinásticos, depois continuado por razões imperiosas de estratégia militar, será inevitavelmente consolidado pela lógica de ferro dos condicionamentos políticos e culturais que resultarão duma organização planificada, não só da produção e da distribuição, mas também do consumo... 
«Não parecem estas evidências perturbar excessivamente os governantes europeus. Menos ainda, talvez, os governantes portugueses, se tenho em conta a resposta dada por um deles - hoje festejado comissário da União Europeia - ao serem-lhe apontados os perigos duma diminuição da soberania nacional por efeito da aplicação do Tratado de Maastricht: "Ainda no século passado, um governo português não chegou a tomar posse por a isso se ter oposto o almirante duma esquadra inglesa fundeada no Tejo..." E sorriu ao dizê-lo, provavelmente porque, a partir de agora, as ordens, ferindo ou não a legitimidade dos governos e a dignidade dos povos, vão passar a ser dadas por um civil - e de Bruxelas.» 
Realmente, não sei se diga. É que teria de dizer que vim a Paris, que vim à assembleia da Academia Universal das Culturas, e isso já se sabe que não pode ser dito. Não faltaria mais." 

in, "Cadernos de Lanzarote - Diário II"
Caminho, páginas 254 a 259 (20/12/1994)

Integrou desde 1994 a Academia Universal das Culturas, com sede em Paris. França.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A "Jangada de Pedra" numa conferência em Las Palmas (Centro Insular de Cultura) - Cadernos de Lanzarote Diário II (30/09/1994)



30 de Novembro (de 1994)
"Palavras iniciais da conferência que fui dar em Las Palmas, no Centro Insular de Cultura: «Vivemos, nós os que habitamos nas Canárias, em sete jangadas de pedra erguidas pelo fogo e agora ancoradas no mar, se não contarmos uns quantos ilhéus que são como barcas orgulhosas que não tivessem querido recolher-se ao porto. Embora não creia no destino, pergunto-me se ao escrever a minha Jangada de Pedra, a outra, não estaria já buscando, sem o saber, a rota que sete anos depois me havia de levar a Lanzarote. 
«Porém, a "jangada de pedra" não é só o original e particular meio de transporte de que me sirvo para as grandes ocasiões: ela é também essa parte do mundo que nos leva e traz desde antes que pudéssemos chamar-nos a nós próprios portugueses e espanhóis, a velha península carregada de história e de cultura que cometeu o prodígio de fazer-se inteira ao mar para levar a Europa aonde ela não parecia capaz de ir pelas suas próprias artes e indústria. E se, cinco séculos depois, um discreto escritor português se atreveu a romper as amarras que nos prendem ao cais europeu, foi ainda para tentar persuadir a Europa, e em primeiro lugar a portugueses e espanhóis, de que já é tempo de olhar para o Sul, de respeitar o Sul, de pensar no Sul, de trabalhar com o Sul, e de que a possibilidade de um efectivo papel histórico dos povos da Península Ibérica no futuro depende da sua compreensão de que são, de um lado e do outro da fronteira, continentais, sim, mas também atlânticos e ultramarinos.» E acrescentei, rematando assim a introdução: «Talvez possam entendê-lo melhor que ninguém estes sete "adiantados" da Ibéria que são as ilhas Canárias, estas sete jangadas caldeadas por dois fogos, o do céu e o da terra. Não falo aqui dos Açores portugueses, que quase só olham para os Estados Unidos, nem da Madeira, que não consegue saber para onde há-de olhar...»" 

in, "Cadernos de Lanzarote Diário II"
Caminho, páginas 240 e 241



domingo, 15 de novembro de 2015

Cátedra Alfonso Reys - "José Saramago - El nombre y la cosa"

Pode ser visualizado, aqui via YouTube 

"Conferencia impartida por José Saramago en donde hace una revisión del concepto democracia, y cuestiona la fidelidad con la que se aplica el modelo democrático en las instancias (políticas, económicas y culturales) que se denominan a sí mismas democráticas."

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"Viagem Literária" 7.ª Sessão - Évora - Pilar del Río e José Luís Peixoto


Pode ser visualizado aqui, via YouTube, 
em https://www.youtube.com/watch?v=iuZ56Qxd9g4&sns=em

"No dia 18 de Outubro, o Palácio de D. Manuel, em Évora, acolheu a sétima etapa da Viagem Literária. Viajámos à boleia de José Luís Peixoto e Pilar del Río, numa conversa inesquecível."

quinta-feira, 23 de julho de 2015

"Aproximações técnicas e diálogos críticos" de José Saramago, com Miguel Koleff e Socorro Veloso (25/08) UNC Córdoba Argentina

E por todo o mundo, o legado de ‪#‎saramago‬ está vivo e activo.
Pelo punho de Miguel Koleff e convite endereçado à minha mui amiga Prof.ª Socorro Veloso, a Facultad de Lenguas UNC de Córdoba Argentina, e inserida na "Cátefra Libre José Saramago" lança a conferência que se anuncia.
Desejo a todos muitos e bons momentos saramaguianos.
Por todo o mundo... e por Portugal???




Charla: "Aproximações técnicas e diálogos críticos" de José Saramago. 
Martes 25 de agosto, de 18 a 20 hs.
Entrada Libre y Gratuita - Idioma Portugués

Morada
Av. Valparaíso s/n - Ciudad Universitaria, 5000

Breve descrição
Sitio oficial de la Facultad de Lenguas - Universidad Nacional de Córdoba - Argentina

http://www.fl.unc.edu.ar
Valparaíso s/n, 
Ciudad Universitaria, Córdoba, Argentina 
Tel.: +54 (0351) 434-3214 /15 /16 /17 /18



domingo, 5 de julho de 2015

"Impulsará Pilar del Río Carta de deberes humanos de Saramago" de Fabiola Palapa Quijas no "Periódico La Jornada" (28 de junio de 2015)

Pode ser consultado e lido, aqui

"Con un conversatorio recuerdan al Nobel a cinco años de su muerte

Impulsará Pilar del Río Carta de deberes humanos de Saramago

Puede parecer ridículo, pero lo es más que millones de personas en el mundo estén condenadas a una vida miserable, señaló la periodista"
Fabiola Palapa Quijas
Periódico La Jornada (28 de junio de 2015)


(La periodista española y compañera del escritor 
José Saramago en la Biblioteca Vasconcelos
Foto María Luisa Severiano)

"A cinco años del fallecimiento del escritor lusitano José Saramago (1922-2010), su idea de reivindicar los deberes de la humanidad que planteó en su discurso al recibir el Premio Nobel de Literatura en 1998 fue el tema del conversatorio que se realizó el pasado viernes en la Biblioteca Vasconcelos, el cual contó con la participación de la periodista española Pilar del Río.

La traductora y compañera del autor de Ensayo sobre la ceguera explicó que la idea de Saramago de elaborar una Carta de deberes humanos semejante a la Declaración universal de los derechos humanos, surgió en México a partir de la exposición La consistencia de los sueños, que se exhibió en 2011 en el Antiguo Colegio de San Ildefonso, de la Universidad Nacional Autónoma de México.

Frente a los lectores del Nobel portugués, reunidos en la megabiblioteca, Del Río expresó que lanzar dicha iniciativa, que llegara a la conciencia de las personas y a la Organización de la Naciones Unidas, puede parecer utópico o ridículo, pero lo que es ridículo, patético y absurdo es la situación que vivimos millones de personas en el mundo, condenadas a una vida miserable para llegar a una muerte miserable, y citó al homenajeado: Siempre acabamos llegando adonde nos esperan.

La presidenta de la Fundación Saramago argumentó que exigir una vida mejor no es absurdo ni ridículo en estos momentos en que el poder económico está acabando con la humanidad. Como ciudadanos, tendríamos que exigir que se cumplan derechos como la sanidad, la vivienda, el trabajo, la ética, la participación política, la libertad de expresión y el acceso a medios que no sean exclusivamente privados.

Poder frente al miedo

Afirmó que en estos días, ecologistas, científicos e intelectuales analizan la necesidad de formular una carta de deberes del ser humano, como la que el Nobel propuso cuando recibió el galardón, y que coincidió con el 50 aniversario de la Declaración universal de los derechos humanos. Todo lo dicho se va a articular, va a pasar por distintos foros; se pretende que en un futuro muy próximo esté en marcha, se lance y se lleve a las tribunas convenientes, precisó Del Río.

La Carta de deberes humanos, consideró Del Río, permitirá el “empoderamiento de los ciudadanos”, sobre todo ahora que prevalece el miedo de perder lo poco que se tiene. La resignación es la gran doctrina, y me parece que eso está redefiniendo a nuestra sociedad. Ya no tenemos esperanza en el futuro, tenemos miedo de cómo va ser esto o cómo vamos a salir. Empezamos a tener miedo y ante eso nos vamos echando para atrás y nos vamos haciendo conservadores, de la nada.

Pilar del Río volvió citar a Saramago: En el interior de cada país está su destino.

En el conversatorio, al que también asistió Jorge F. Hernández, el director de la Biblioteca Vasconcelos, Daniel Goldin, sostuvo que el tema de los deberes del hombre y de las mujeres es pionero, sobre el que pocos se atreven a reflexionar.

Fabiola Palapa Quijas
Periódico La Jornada (28 de junio de 2015)"