Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

"O Conto da Ilha Desconhecida" no Teatro Municipal Baltazar Dias (Funchal - Madeira)

A notícia pode ser recuperada e consultada aqui
em https://www.dnoticias.pt/impressa/hemeroteca/diario-de-noticias/conto-de-saramago-musicado-estreia-a-22-de-maio-no-tmbd-CA5640756


"‘O Conto da Ilha Desconhecida’ é um conto musical composto por Sérgio Azevedo a partir da obra homónima de José Saramago, uma encomenda do Teatro Municipal Baltazar Dias (TMBD) a estrear no dia 22 de Maio pela Orquestra Académica do Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira."
"Francisco Loreto mostrou a partitura que já tem em mãos, nas redes sociais."
Fotografia dnoticias.pt

"Sérgio Azevedo (na foto) é o autor da música do conto criado por José Saramago." 
Fotografia de David Rodrigues dnoticias.pt

sexta-feira, 6 de abril de 2018

"O Ano da Morte de Ricardo Reis" apresentado pelo Teatro Municipal Baltazar Dias (Madeira - Março 2018) nas comemorações dos 130 anos

Crónica "O Ano da Morte de Ricardo Reis: mais um projecto inovador" de Carlos Gonçalves - Investigador Integrado no INET-md (FSCH/UNL) - publicada a 29/03/2018 no "JM Madeira" e que pode ser consultada e recuperada aqui

"Nos passados dias 9, 10 e 11 de março, os madeirenses tiveram a feliz oportunidade de assistir a um espectáculo de elevada qualidade artística - criativa e interpretativa -, ao qual foi dado o título de “o ano da morte de Ricardo Reis”, numa adaptação do original de José Saramago.
Este espectáculo que juntou cerca de 60 jovens artistas em palco, integrou-se nas comemorações dos 130 anos do Teatro Municipal Baltazar Dias. Tratou-se de uma organização da Secretaria Regional de Educação, através da Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM), com produção da Câmara Municipal do Funchal.
A mim, pessoalmente, não me surpreendeu a qualidade deste espectáculo performativo de música, dança e teatro, pois assisti a todas as grandes produções da DSEAM, ao longo dos últimos treze anos. Mas acredito que para alguns dos madeirenses que lotaram os três espetáculos, possa ter sido uma surpresa inusitada. Pegar num original do consagrado escritor madeirense José Saramago é, por si só, um grande risco, pois trata-se de retratar Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Ricardo Reis. O espetáculo está dividido em dez cenas, todas elas passadas após a morte de Fernando Pessoa, numa adaptação de Carolina Caldeira, com direcção artística de Juliana Andrade, composição e direcção musical de Márcio Faria. A estes jovens docentes juntam-se Diana Pita, Roberto Moritz e Maurício Freitas. Sem dúvida uma equipa de “ouro” que a DSEAM conta para criar e dirigir espectáculos de qualidade. Uma verdadeira “Equipa de Criativos” que se mantêm na Madeira e não emigrou, como tantas outras.
Não posso deixar de destacar as competências da equipa de produção, coordenada por Ricardo Araújo, sob a direcção-geral de Virgílio Caldeira, bem como a equipa do Teatro Municipal, liderada por Sandra Nóbrega.
Sobre esta produção começo, naturalmente, pelo início de qualquer projecto criativo e inovador: Escolher a ideia! Depois a construção/adaptação de um texto/libreto; a criação da música original e respectiva orquestração; a criação das coreografias e finalmente a encenação com todas as suas facetas, incluindo a cenografia, desenho de luz, sonoplastia, etc… etc… Só quem nunca criou e montou um espectáculo desta natureza poderá ficar indiferente. Este foi mais um trabalho dedicado de vários meses de professores, alunos e técnicos que encarnam um papel de “profissionais”, no verdadeiro sentido da palavra. A mensagem ficou e a elevada qualidade artística e interpretativa também. Resta-nos questionar a oportunidade destas produções regionais poderem sair da Ilha e estar no todo nacional, representando o que de BOM aqui se produz e realiza. Para quando os apoios devidos a esta mobilidade, imprescindível para o reconhecimento dos artistas madeirenses? Será que as verbas da Santa Casa não poderiam servir, igualmente, para esta missão artístico-cultural?
Termino com um dos pensamentos de Fernando Pessoa “Só a Arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes – tudo isso passa. Só a Arte fica, por isso só a Arte se vê, porque dura”.

Mais informação pode ser consultada e recuperada aqui

Cartaz alusivo ao evento


"Com o espetáculo "O ano da morte de Ricardo Reis" terminamos de uma forma incrível as comemorações dos 130 anos. Durante 11 dias o Teatro realizou 11 eventos numa programação cultural de excelente qualidade em parceria com 9 entidades e que envolveu mais de 200 artistas e cerca de 3 mil espetadores. Muito obrigada a todos os que quiseram associar-se às estas comemorações."





"Registo fotográfico da estreia no palco do 
Baltazar dias do espectáculo "O Ano da Morte de Ricardo Reis"

quarta-feira, 28 de março de 2018

Datas de apresentação da peça de teatro baseada na obra de José Saramago "Memorial do Convento" pela "ÉTER - Produção Cultural"

Link da "ÉTER - Produção Cultural" https://www.facebook.com/EterProducaoCultural/


Informação publicada no evento via Facebook
"A ÉTER - Produção Cultural tem o prazer de apresentar para o público em geral, "Memorial do Convento" de José Saramago, com adaptação dramatúrgica de Filomena Oliveira e Miguel Real, em cena desde 2007 no Palácio Nacional de Mafra, com apresentações na Fundação José Saramago, desde 2013 no Centro Cultural Olga Cadaval, Theatro Circo de Braga, Universidade de Évora e no programa Escritarias em Penafiel, dedicado a José Saramago.

Memorial do Convento – Palácio Nacional de Mafra
Terreiro D. João V - 2640 Mafra

2ª TEMPORADA 18h 
07 de Abril
05 de Maio
02 de Junho
07 de Julho
04 de Agosto

Legendado em Inglês
Duração do espetáculo: 90m (aprox)
M/12 anos
Entrada normal: 12,50€
Entrada com desconto: 10€ ( < 18 anos | > 65 anos | Famílias de 4 elementos | Grupo de 10 ou + pessoas | * Entrada Familiar restrito a parentesco directo e sob apresentação de identificação)

As reservas deverão ser levantadas e realizado o seu pagamento na bilheteira e apenas no próprio dia até 30 minutos antes do início do espetáculo.

Horário da Bilheteira do Teatro: 
17h às 18h
O espetáculo começa exactamente à hora marcada e as portas do Palácio Nacional de Mafra encerram às 18h10.

Nota: Não dispomos de pagamento MB
O Auditório situa-se num piso superior, tendo apenas acesso pela escadaria (88 degraus) e o WC encontra-se disponível apenas junto aos Claustros no piso térreo.

Parceiros online: 
Ticketline | Blueticket | Odisseias | Cherryblue

Informações: 929 130 721 
Reservas: book@virtualeter.com

Unidos por um amor maravilhoso, Blimunda e Baltasar reúnem-se a Padre Bartolomeu de Gusmão e ao seu sonho de voar. A Passarola, máquina voadora, misto de barco e de pássaro, nasce do saber científico de Padre Bartolomeu, da força de trabalho de Baltasar e dos poderes de Blimunda recolhendo as vontades humanas (“as nuvens fechadas”) que alimentarão a máquina e a farão voar. A história encantada que revolucionou a literatura portuguesa do nascimento de um convento no século XVIII.

Nesta adaptação dramatúrgica, a relação dinâmica entre os cinco actores, a música original, a luz e os espaços cénicos dão vida a dezassete personagens e a momentos essenciais do Memorial do Convento.

O público pode ainda desfrutar de uma exposição fotográfica relacionada com a ONGD ÚNICA Mixing Cultures, experenciar a instalação multimédia Cabaça 2 - uma experiência baseada na atmosfera característica da Guiné-Bissau e da sua diversidade cultural em forma de som, vídeo, luz, cenografia e fotografia, que podem ser manipulados pelos visitantes através de sensores - e ainda visitar a loja solidária Única Mixing Colors."

terça-feira, 20 de março de 2018

"The Tale of the Unknown Island" foi apresentado no "Gate Theatre" (Londres) ("The Guardian" 19/09/2017) - "O Conto da Ilha Desconhecida"

Adaptação de "O Conto da Ilha Desconhecida" baseada na obra original de José Saramago.

A informação relativa ao espectáculo apresentado, pode ser recuperada e consultada aqui
em https://www.theguardian.com/stage/2017/sep/19/the-unknown-island-gate-theatre-london-review-jose-saramago

"The Unknown Island review – Saramago odyssey asks the audience to dream"

Adapted from José Saramago’s short story, Ellen McDougall’s grownup fairytale draws spectators into a circle of bread, wine and storytelling

"Questioning the old certainties … The Unknown Island. Photograph: Cameron Slater"

"The Gate’s new artistic director, Ellen McDougall, begins her tenure by offering us the essentials of life, sharing bread, wine and storytelling with her audience in this version of Nobel prize-winning writer José Saramago’s short story.

Adapted by McDougall and Clare Slater, it becomes something like a grownup version of Jackanory as we are told of a man who asks the king for a boat so he can find an unknown island. Rosie Elnile’s design wraps the entire Gate space in blue fabric, suggesting both the sea and a dreamworld. As we enter, the only other flash of colour is from a red sailing boat.

McDougall’s previous big hit at this address was Roland Schimmelpfennig’s rewriting of Greek myth, Idomeneus, a play that questioned all the old certainties of an ancient story. She does the same here and with similar playfulness – including plenty of her trademark balloons, used to clever comic effect."

"Unique viewpoint … Zubin Varla. Photograph: Cameron Slate"

"The show challenges us to imagine a new way of living – and to be brave enough to try to seize it. When the king confidently tells the man that all the islands “are on the maps”, the man defies that thinking by pointing out that “only the known islands are on the maps”. He is joined on his quest by the palace’s cleaning woman, who is similarly intent on taking control of her own story.

On the surface, the show looks like the simplest kind of storytelling, but it is smartly conceived, down to the way the audience are seated around the edge of the playing space so they form a community, constantly catching each other’s reactions. The production shares the storytelling between performers Jon Foster, Hannah Ringham, Thalissa Teixeira and Zubin Varla, who may swap characters but always seem to offer their own view of the tale, their voices lapping over each other like the waves of the sea.

And McDougall gives us the chance to own the story, too, inviting the audience to dream their own dreams."


Link de apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

"What is this unknown island you want to go in search of?
If I could tell you that, it wouldn’t be unknown. 

You want to go in search of an unknown island.  
Because somewhere out there, there must be something else. 
Because you want to find out who you are when you are there. 

You ask the king for a boat. 
You don’t know where you are going, or even how to sail.
You won’t take no for an answer. 

The Unknown Island is a beautiful, inventive and rebellious adventure story about dreaming of the impossible and trying to cross the vast distances between ourselves and each other.

Based on Nobel prize-winning novelist Jose Saramago’s short story, The Tale of the Unknown Island, adapted for the stage by Ellen McDougall and Clare Slater."

"Gate Theatre"

Gate Theatre
11 Pembridge Road
Notting Hill Gate - London W11 3HQ
Box office: 020 7229 0706

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"Teatro completo de José Saramago" no "La República" do Perú (10/03/2017)

A crónica pode ser recuperada e consultada aqui,


Cronológicamente, la primera novela de José Saramago (1922-2010) se publicó en 1947. Tierra de pecado no tuvo éxito y fue olvidada. La segunda, Manual de pintura y caligrafía, en 1977, más que novela es un conjunto de apreciaciones de corte filosófico. La tercera, Levantado del suelo, en 1980, es para muchos realmente la primera.

Antes, en 1978, una amiga suya, la directora de teatro portuguesa Luzia María Martins, le pidió que creara una obra teatral sobre la noche del 24 al 25 de abril de 1974, clave en la Revolución de los Claveles. El futuro Premio Nobel aceptó y escribió La noche, localizada en la redacción de un periódico convertido en el reflejo de los andamios políticos y sociales de tan importante fecha.

La obra apareció en 1979 y su éxito fue notable. Al año siguiente, y también por encargo, escribió ¿Qué haré con este libro? para resaltar el gran drama que atravesó Luis de Camoes, el mayor poeta de Portugal, para publicar Los Lusiadas.

En 1986, paseando por Italia, visitó la ciudad de Asís y hurgó por los lugares franciscanos. Visitó las ermitas de la iglesia del santo y bajó a los sótanos, en donde se encontró con el “más escandaloso y ruin” mercadillo de objetos alusivos al personaje, que alarmó su condición de ateo, pero crítico con la manipulación de los hombres, y escribió su tercera obra de teatro: La segunda vida de Francisco de Asís, y puso en brete las maniobras económicas que se hacían en nombre de San Francisco, al que él admiraba como a un ser “maravillosamente humano”.

Münster, de Alemania, fue la ciudad elucidaria de las tenebrosas y muchas veces disparatadas rivalidades de católicos y luteranos para demostrar cuál de las dos era la verdadera ante los ojos de Dios. Se encarcelaba, torturaba y mataba en nombre de la religión en una sanguinolenta pirámide a la intolerancia, el sectarismo y la permisión de reyes y papas. Este fue el quid de In Nomine Dei, subida a las tablas y publicada en 1993.

El personaje pasional y escandalizador de Don Juan ha sido llevado a las bambalinas por muchos autores, desde Tirso de Molina hasta Mérimée, y en forma de ópera también a la música. Para Saramago, el Don Giovanni de Mozart era sublime, pero su final, como en todos los casos, resultaba punible al célebre violador de alcobas. Después de verla en Praga, en el mismo teatro donde la estrenó Mozart, decidió escribir Don Giovanni o El disoluto absuelto en 2005, donde el canalla resulta perdonado “porque no era tan malo” (p. 560).

José Saramago siempre se consideró un autor “de encargo” para sus obras de teatro, que ahora se publican por primera vez en español como Qué haréis con este libro. Teatro completo (Madrid, Alfaguara, 2016, 624 pp.)

Por su afinidad con el mundo editorial, en este conjunto destaca Qué haré con este libro. Discurre en Lisboa, azotada por la peste, desde abril de 1570 a marzo de 1572, entre la llegada de Luis de Camoes a la capital de Portugal, proveniente de la India, hasta la salida de la primera edición de Los Lusiadas. El gran poeta regresó sin un ojo, enfermo, envejecido y muy pobre, tanto que fueron sus amigos quienes sufragaron su viaje de retorno. Lo único que trae con él son los manuscritos de su gran canto épico que glorifica las hazañas de los reyes en las conquistas de las tierras de ultramar. Desnuda a la inquisición que censura a los autores, al inexperto rey de 16 años, a los festinadores y funcionarios corrompidos. Después de 18 meses, se aprueba la publicación y el autor quiere que sea la corona quien lo subvencione, pero esta no le hace caso. Al final, vende sus derechos para la explotación absoluta del libro al impresor y cuando le llega, por fin, el primer ejemplar, se pregunta: “¿Qué haré con este libro?”.

A página da Fundação José Saramago dispõe de toda a informação sobre a obra publicada.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Teatro Molière (Salvador da Bahia - Brasil) apresentou "Em Busca da Ilha Desconhecida" inspirado em José Saramago (Outubro 2017)

Chegaram relatos da apresentação da peça de teatro "Em Busca da Ilha Desconhecida" baseada no conto de José Saramago.

Foi apresentada a peça no passado mês de Outubro e pode ser recuperada informação através do portal "bahia.ba", (05/10/2017) aqui
em http://bahia.ba/entretenimento/moliere-recebe-peca-em-busca-da-ilha-desconhecida-para-dia-das-criancas/

"Molière recebe ‘Em Busca da Ilha Desconhecida’ para dia das crianças
Inspirado em José Saramago, musical traz o laço cultural entre Nordeste e a Europa Ibérica"



"Hoje tem Teatro para crianças inspirado em conto de Saramago! 
Programa para toda a familia!!! #embuscadailhadesconhecida
#teatromolieresalvador #teatroparacriancas #culturadainfacia "

Foto: Ives Padilha

"O feriado do dia das crianças se aproxima e os pais em busca de um programa alternativo podem encontrar no Teatro Molière, da Aliança Francesa, um refúgio. O palco dará espaço à peça “Em Busca da Ilha Desconhecida”, texto de José Saramago (“Ensaio Sobre A Cegueira”) para o público infantil.

O espetáculo leva o público para embarcar em busca da “ilha desconhecida”, pedaço de terra além do alcance dos geógrafos de um reino remoto. Com o uso de canções originais, a encenação é um olhar para a cultura iberonordestina. O texto já foi montado no Teatro Vila Velha e no Sesc Senac Pelourinho."

domingo, 16 de julho de 2017

"A importância de dizer não, segundo José Saramago" de Maria João Caetano (DN 05/07/2017)

Recuperação da notícia da estreia da peça de teatro baseada na obra de José Saramago, via DN por Maria João Caetano (05/07/2017) aqui
em http://www.dn.pt/artes/interior/a-importancia-de-dizer-nao-segundo-jose-saramago-8612698.html

"Quatro companhias portuguesas juntaram-se para adaptar "História do Cerco de Lisboa", do Nobel. Espetáculo estreia hoje no Teatro Municipal Joaquim Benite, no Festival de Almada.

Raimundo Silva, revisor numa editora, solteiro, de 50 anos, é um homem apagado, daqueles funcionários que cumpre as suas tarefas sem dar muito nas vistas. Porém, ao ler uma obra intitulada História do Cerco de Lisboa, ele tem vontade de fazer uma alteração: introduzir um "não". Essa simples palavra iria implicar uma enorme mudança na história pois significaria que os Cruzados não teriam ajudado Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros, em 1147. Descoberto, Silva mete-se em apuros na editora. No processo, o revisor apaixona-se pela sua supervisora, Maria Sara, ao mesmo tempo que pensa como há de recontar a história do cerco num novo livro. A conquista amorosa desenrola-se a par da conquista dos portugueses aos mouros."

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

"Esta é, em traços largos, a História do Cerco de Lisboa, contada por José Saramago no livro de 1989, e que a dupla espanhola José Gabriel Antuñano (dramaturgia) e Ignacio García (encenação) transformou em espetáculo numa megaprodução de quatro companhias de teatro: ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, Companhia de Teatro de Almada, Companhia de Teatro de Braga e Teatro dos Aloés.

No palco, além das personagens da história, está também o próprio José Saramago, o narrador que no romance se revela em alguns momentos mas que aqui tem protagonismo: não só lhe ouvimos a voz inconfundível (são excertos de entrevistas) como ganha um corpo e uma presença constante com o ator Jorge Silva. "Interessou-me muito a sobreposição de planos - e esta é uma característica de muitos dos romances de Saramago", explica Ignacio García. "É como um conjuntos de matrioskas, as bonecas russas: Saramago escreve um romance sobre duas personagens, das quais uma é um romancista que está a escrever um livro e que tem as suas próprias personagens, Há um jogo de reflexos, histórias que se desenrolam em paralelo, em diferentes níveis, e que tanto no livro como no espetáculo vão lutando para captar a atenção do leitor/ espectador."

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

 Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

Nuno Pinto Fernandes / GLOBAL IMAGEBS

"José Saramago é uma personagem que fala com todas as personagens, de todos os planos, e também fala com o público", explica José Gabriel Antuñano, responsável pela adaptação da obra do escritor português. E vai mais longe na interpretação: "As personagens não pertencem a um único mundo, pois estão todas na cabeça dos escritores (Saramago e Silva). Por um lado, são criadas pelo escritor, por outro, também influenciam o autor, esse jogo acontece aqui permanentemente."

Quem está na plateia tem oportunidade ver todos os planos. No cenário povoado por livros, imaginado por José Pedro Castanheira, o palco fica aberto, mostrando a teia de iluminação e os chariots, nas laterais, onde estão pendurados os figurinos, vemos os atores entrar e sair de cena, trocar de roupa, fazer a maquilhagem, beber água quando precisam de beber água e até comentarem as cenas. "Todas as decisões do espetáculo tentam ser fiéis a Saramago", justifica o encenador. "Ele incluiu-se a si mesmo no romance e nós incluímo-lo no espetáculo. Saramago brinca com o que significa escrever um romance e nós, aqui, fazemos piadas sobre o teatro e a representação. O público vê os atores a fazerem personagens, vê o truque, a mentira." E explica: "Há uma frase de Saramago de que gosto muito: 'o passado é o reino dos fragmentos'. Isto inspirou-me muito. Numa mentira muito grande vemos fragmentos de verdade, é o que se passa neste espetáculo."

Que todo este jogo meta literário não nos desvie daquilo que Saramago queria dizer com o seu livro, sublinha o encenador: "Há que ler de uma maneira crítica e dialética, não se pode acreditar em tudo o que se lê. Num momento como este em que vivemos em que estamos todos acostumados a acreditar em tudo o que vemos - na televisão, no twitter... - Saramago propõe uma atitude crítica, ler sim mas ter uma opinião e ser capaz de dizer que não àquilo que não está certo ou que não é aceitável." A importância de dizer não - às injustiças, às ditaduras, às mentiras - é reforçada à medida que nos aproximamos do final do espetáculo. José Gabriel Antuñano sublinha essa ideia "de que um simples não pode mudar tudo".

E faz mais uma interpretação: "Este é também um livro sobre a condição do ser humano; como uma pessoa triste, como é o revisor (e como era Saramago) quando decide ter um ato de rebeldia transforma-se numa pessoa criativa e feliz, que sai de si mesmo e que encontra o amor, essa é a história de Silva mas também é a história de saramago com Pilar." José Saramago e Pilar casaram-se em 1988, na altura em que ele estaria a escrever História do Cerco de Lisboa.

O espetáculo estreia no Festival de Almada mas regressará, em setembro, com uma carreira longa que irá passar pelos vários teatros envolvidos, num esforço que Rodrigo Francisco, diretor do festival, vê como "um verdadeiro serviço público". No palco, juntam-se Elsa Valentim, Jorge Silva e José Peixoto (Aloés), Rui Madeira (Braga), Luís Vicente e Tânia Silva (ACTA), João Farraia, Pedro Walter (Almada) e ainda Ana Bustorff."

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Adaptação teatral da "Viagem do Elefante" - "Mammoth journey, fragmented dramatics" publicado no "The Hindu" (Vikram Phukan, 13/07/2017)

Adaptação teatral de "A Viagem do Elefante" 
"Mammoth journey, fragmented dramatics" publicado no "The Hindu" por Vikram Phukan, 13/07/2017

A notícia foi publicada aqui
em http://www.thehindu.com/entertainment/theatre/mohit-takalkars-gajab-kahani-is-an-adaptation-of-jos-saramagos-book-the-elephants-journey/article19271024.ece

Fotografia via link indicado e identificado

Localização do teatro
Prithvi Theatre
20 Janki Kutir Juhu Church Road
Mumbai 400 049 
Box Office : +91 (22) 26149546
Email: mail@prithvitheatre.org


"Gajab Kahani is an ambitious retelling of a tale about the transformative power of a road trip"

"The Pune-based director Mohit Takalkar takes another stab at a stage adaptation of José Saramago’s The Elephant’s Journey with his new play. ‘Gajab Kahani’ is an Aadyam production in association with Takalkar’s Aasakta group, which had mounted a Marathi version earlier. Saramago’s novel is based on a real-life pan-European journey undertaken by an Indian elephant, Solomon, bestowed on Archduke Maximilian of Habsburg by King Joao III of Portugal circa 1551. It is a shimmering human document with an epic sweep, full of stirring elemental rhythms, so it isn’t difficult to understand why Takalkar has returned to it.

Takalkar has roped in Amitosh Nagpal, a writer with a flair for verse and dry wit, as evinced in ‘Piya Behrupiya,’ his Twelfth Night adaptation. Perhaps due to the impact of that play, ‘Gajab Kahani’s’ prologue, where actors initially took the stage as themselves, felt instantly derivative. The theatrical meta elements were laid out with a coerced interactive quality that could appeal only to the most suggestible of theatre-goers. It would take several scenes for the after-taste to subside. As in ‘Piya Behrupiya,’ Nagpal foregrounds the writer as prime mover, but he is never ever called Shakespeare or Saramago.

Nagpal has certainly grasped the book’s tongue-in-cheek character as well as its profundities, and actors like Ajeet Singh Palawat (as Subhro the mahout) and Geetanjali Kulkarni (as Solomon) are able to own the language. Chaste Hindi is alternated with more hybridised Hinglish, and this is complemented by a chorus ensemble who speak in unscripted ‘gibberish,’ consisting of words in Spanish, Italian and Portuguese. In this multitude of languages jostling for space, it is significant that the elephant is powerfully allowed a voice with vital cadences of its own, a suspension of disbelief the book did not offer.

In Saramago’s book, everyone spoke one language, the clash was of conditioned cultural sensibilities — that of the Indian Subhro and by extension, his elephant, vis-a-vis the Portuguese emissaries who accompany them.

The play embraces a dissonance of tongues to underline cultural differences. This is most unsatisfactorily foisted upon actor Nakul Bhalla (as the Commander of the entourage), who is given to speaking Hindi with a foreign accent, a lazy stereotype of the ‘other’ that garners easy laughs but little else. During a pivotal monologue, he appears to miraculously lose the stiltedness, as he repeats every second line as if processing some new insight.

Much of the heavy lifting is left to Palawat, whose Subhro bears a veneer of obsequiousness that cannot obscure the man of enterprise he really is. Yet, his wisdom takes on a strangely nationalistic allure. There is a false nostalgia for Indian values, a premium attached to ‘desi’ ways. This is counter-productive to the play’s no-no to ‘them and us’ partisanship. Subhro faces cultural high-handedness at every step, but he is also cast in the mould of someone equally intransigent. Palawat, of course, cuts through this, and brings us closer to the refreshingly unaffected Subhro of the book.

On her part, Kulkarni brings a characteristic gravitas to Solomon. Yet she’s never as omniscient as one might imagine. Her grander moments, punctuated with music, are eclipsed by quick fade-outs, never really registering. It’s almost with good reason that Takalkar doesn’t linger on; it keeps Solomon in the realm of the mythical. The performance took place all around an enclosed audience who sat on swivel seats that could swing along with the action, but it also allowed us to train our line of sight resolutely on Solomon, possibly the only benefit to be had from such a staging gimmick.

Anticlimactic ways


‘Gajab Kahani’ is a fragmented experience that reaches its coda early when the Commander takes his leave. The remainder of the journey feels like a dramatic afterthought, but this alludes to how momentous journeys almost end in anticlimactic ways. At the Italian city of Padua, a huge crowd gathers to witness Solomon. Later, there is an arduous trudge along a mountain pass in the Alps. The ensemble is always at hand, sometimes inspired (Shalva Kinjavadekar stands out), sometimes jaded, the banality of life writ large on their faces. The indelicacy of delivery can be corrected, but what of the deeper ideas that seem frittered away to a strange bombast? The benefit of hindsight restores the primacy of the story, but this is something Takalkar may have hoped to achieve during the play’s running time because ‘Gajab Kahani’ is certainly a tale that deserves to be imprinted in our minds quite inviolably.

‘Gajab Kahani’ will be staged at Prithvi Theatre, on July 14 (6 p.m.), July 15 (6 p.m. and 9 p.m.) and July 16 (5 p.m. and 8 p.m.) at Prithvi Theatre, Juhu; more details at bookmyshow.com"

terça-feira, 11 de julho de 2017

Saramago reescribe en el Festival de Teatro de Almada su «Historia del cerco de Lisboa» (via ABC, 09/07/2017)

Se estrena con éxito la adaptación de José Gabriel Antuñano dirigida por Ignacio García

Notícia via ABC, publicada em 09/07/2017, aqui em
http://www.abc.es/cultura/teatros/abci-saramago-reescribe-festival-teatro-almada-historia-cerco-lisboa-201707090150_noticia_amp.html

"ABC |Adaptación teatral de «Historia del cerco de Lisboa» de Saramago"

"Era un reto arriesgado y difícil: trasladar al teatro el texto de una colosal novela sin diálogos, la «Historia del cerco de Lisboa» de José Saramago. El ensayista, pedagogo y adaptador español José Gabriel Antuñano lo ha llevado a cabo con éxito a juzgar por la salva de aplausos con que se cerró el pasado miércoles el estreno del montaje dirigido por otro español, Ignacio García, en el Teatro Municipal Joaquim Benite de Almada, dentro de la programación del 34º Festival de Teatro de esa localidad portuguesa que contempla el bello perfil de Lisboa desde la orilla sur del estuario del Tajo.
Fue Pilar del Río, la esposa granadina del Nobel portugués, quien hace un par de años sugirió a Antuñano y García que trabajaran sobre ese texto de su marido. Tras bastantes meses de tarea, el texto resultante ha cuajado en las tablas como un espectáculo redondo, reflexivo y divertido en el que se exploran las relaciones entre realidad y ficción, se cuestionan las verdades históricas y se desarrolla una atractiva historia de amor.

RELACIONADA

El Festival de Almada dramatiza el cerco de Lisboa
Quienes leyeron en su día la estupenda novela de 1989, recordarán que el protagonista es el corrector editorial Raimundo Silva, que, aburrido de su trabajo mientras repasa las pruebas de una convencional historia sobre la reconquista de Lisboa por parte de los cristianos portugueses en 1147, decide añadir un no en el texto, eliminando con esta corrección la decisiva ayuda prestada por caballeros templarios de la Segunda Cruzada en la victoria sobre los ocupantes musulmanes de la hoy capital portuguesa, según la versión histórica comúnmente aceptada. Como alternativa al despido decidido por el director de la editorial, María Sara, la directora literaria amada secretamente por Silva, propone que el imaginativo corrector escriba una novela sobre su personal versión del cerco de Lisboa y demuestre su tesis de que «la Historia no es una ciencia: es una ficción… Y una tentativa de reconstruir la realidad mediante una selección de materiales», como dice el personaje en la función.

Una escena de la adaptación teatral de «Historia del cerco de Lisboa»- ABC

"El proceso creativo de la novela es la columna vertebral del espectáculo, en el que aparece José Saramago como un personaje más que asesora a Silva en su tarea y va opinando sobre lo que sucede. De esta forma, hay varios niveles argumentales que confluyen de manera simultánea: las tribulaciones del corrector, los debates entre los guerreros situados en la circunstancia histórica de 1147 y el cerco amoroso que enlaza a Silva con María Sara. El rey Alfonso Henriques, el caballero Enrique de Borgoña y su barragana Ouroana, el soldado portugués Mogueime y los moros sitiados se codean sobre el escenario con María Sara, Silva, la empleada doméstica Marta, Jorge Costa, director de la editorial, y el mismísimo Saramago en una entretenida y muy bien equilibrada propuesta metaficcional que logra concentrar el espíritu de la novela sin traicionarlo a la vez que se consolida como magnífico artefacto dramático.
La dirección de Ignacio García, también responsable de la música de la función, da alas escénicas a la notable adaptación de Antuñano y tiene momentos formidables y muchos hallazgos, como la escena en que los musulmanes cercados comparecen como personajes de guiñol. La limpia e imaginativa escenografía de José Manuel Castanheira, que hace años firmó la imponente del «San Juan» de Max Aub dirigido por Juan Carlos Pérez de la Fuente en el Teatro María Guerrero, y la meticulosa iluminación de Guilherme Frazão se unen al buen trabajo de los nueve actores que interpretan el montaje, procedentes de las cuatro compañías que lo coproducen: Teatro de Almada, Teatro de Braga, Teatro del Algarve y Teatro dos Aloés. Luis Vicente encarna al sensible y desencantado Silva, Elsa Valentim compone una encantadora María Sara, Jorge Silva es Saramago redivivo y Ana Bustorff recauda las risas del respetable como Marta, todos bien secundados por el resto del reparto."

"História do Cerco de Lisboa" A partir de José Saramago - Dramaturgia de José Gabriel Antuñano Encenação de Ignacio García (34.º Festival Almada)

A notícia pode ser consultada aqui via página do Teatro Municipal Joaquim Benite - Festival de Almada, aqui em 

(Fotografias na página de apresentação no link indicado)

"Quatro companhias do teatro independente reúnem-se para uma realização rara de serviço público cultural: criar um espectáculo a partir de um romance do Prémio Nobel da Literatura português – História do Cerco de Lisboa – que será apresentado, após a estreia em Almada, em Braga, na Amadora e em Faro, num total de 37 representações. Para Ignacio García, o romance de Saramago consiste sobretudo na história de um “não”, e numa reflexão sobre os mecanismos da criação literária. Para além das personagens principais do romance, para a dramaturgia de José Gabriel Antuñano é também convocado o próprio José Saramago, que estabelece um diálogo com o revisor Raimundo, o protagonista desta história – que também é de amor."



"Formado pela Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid, Ignacio García foi adjunto do director artístico do Teatro Español. É director artístico do Festival Dramafest, no México, e tem desenvolvido uma carreira como encenador de teatro e ópera na Europa, na Ásia e na América Latina."



"José Gabriel Antuñano é professor de Dramaturgia e Ciências Teatrais na Escola Superior de Artes Dramáticas de Castelae Leão. É membro da Associação Internacional de Críticos de Teatro e do Instituto de Teatro de Madrid. É ainda o director do Mestrado de Estudos Avançados de Teatro da Universidade Internacional de Rioja."



FICHA TÉCNICA
Intérpretes
Ana Bustorff, Elsa Valentim, João Farraia, Jorge Silva, José Peixoto, Luís Vicente, Pedro Walter, Rui Madeira, Tânia Silva
Cenografia
José Manuel Castanheira
Figurinos
Ana Paula Rocha
Luz
Guilherme Frazão
Som
Miguel Laureano
Assist. de Encenação
Marco Trindade

Duração
1h30
Classificação
M/12

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

"O génio de Saramago INquieta a Chamusca" sobre a representação de "Ensaio sobre a Cegueira" (via Rede Regional - 24/01/2017)

Imagem de ensaio via site "Rede Regional" (24/01/2017)

A reportagem pode ser consultada e recuperada aqui 

"Uma adaptação do “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, é a próxima peça que a Companhia de Teatro do Ribatejo (CTR) vai apresentar no antigo centro regional de artesanato da Chamusca, no âmbito do ciclo cultural “INquieto”.

Depois do sucesso do espetáculo de estreia, “Minha querida Anne Frank”, que esgotou por completo o espaço, a obra do Prémio Nobel da Literatura português vai subir ao palco esta sexta-feira, 27 de janeiro, a partir das 21h30.

“E se fossemos todos cegos?” é a pergunta de partida de Saramago para construir um dos seus mais fascinantes romances, em que a cegueira é representada através de inúmeras metáforas.

O génio do autor, nascido no concelho da Golegã, cria um impressionante quadro de figuras humanas, onde se perde, na ausência da visão, todos os sentimentos de solidariedade e respeito, numa guerra cega de valores, que nos faz a todos repensar sobre o sentir humano."

CTR Companhia Teatro do Ribatejo apresenta a peça baseada na obra de José Saramago "Ensaio sobre a Cegueira" inserida no "Ciclo Cultural INquieto" (Chamusca, 27/01 - 21h30m)


27 Janeiro | 21h30 | Ciclo Cultural INquieto | Ensaio sobre a Cegueira 

O site do Município da Chamusca apresenta o evento e pode ser consultado aqui 

"O Município da Chamusca no âmbito da agenda cultural de janeiro e fevereiro, com periodicidade quinzenal, realiza o ciclo cultural INquieto, que estreou no dia 13 Janeiro com Minha querida Anne Frank, que esgotou por completo o Antigo Centro Regional de Artesanato, numa noite em que o público fez silêncio, num momento de grande emoção, onde se viveram os horrores do Holocausto, com produção da Companhia de Teatro do Ribatejo – CTR.

INquieto volta a cena no próximo dia 27 janeiro, pelas 21h30, no Antigo Centro Regional de Artesanato, com Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago.

E se fossemos todos cegos? Foi com esta pergunta simples que o Nobel da Literatura partiu para um dos seus mais fascinantes romances, em que a cegueira descrita é representada através de inúmeras metáforas. Já no início da narrativa as personagens são acometidas pelo chamado "mal branco", impossível de ser diagnosticado como um dos tipos já conhecidos de cegueira. Considerando a cegueira como metáfora, ao longo deste romance Saramago tenta explicar como as pessoas vão se tornando cegas no mundo contemporâneo, como inexplicavelmente ocorreu com o primeiro cego, primeira personagem apresentada na narrativa, que cegou quando conduzia o seu automóvel: de repente a realidade tornou-se indiferenciada à sua volta.

O génio de Saramago, cria assim um impressionante quadro de figuras humanas, onde se perde, na ausência da visão, todos, os sentimentos de solidariedade e respeito, numa guerra cega de valores, que nos faz a todos repensar sobre o sentir humano. Do romance saltam figuras inesquecíveis na sua fragilidade e intolerável maldade que pode existir em cada ser humano.

O Município da Chamusca lança o repto para que no próximo dia 27 de janeiro todos se juntem à Inquietude que se espera no Antigo Centro Regional de Artesanato num espetáculo que será uma viagem desconcertante da alma humana através das palavras escritas por um dos grandes autores universais."

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“El hombre duplicado” José Saramago llega al teatro (El Espectador - 21/01/2017)

Recuperação de mais reacções à apresentação da peça de teatro "El Hombre Duplicado", aqui no "El Espectador" de 21 de Janeiro de 2017.
Link da notícia em http://www.elespectador.com/noticias/cultura/jose-saramago-llega-al-teatro-articulo-675916

"¿Qué pasaría si cada ser humano tuviera una o varias copias, clones o réplicas?, esa es la pregunta que intenta responder la puesta en escena basada en el texto del escritor portugués, que acaba de ser estrenada en Lanzarote (España)."
Por: Redacción Cultura

En “El hombre duplicado” José Saramago aborda la búsqueda de la identidad propia 
y ajena con humor negro. /Archivo El Espectador"

"El inquietante juego con el que José Saramago aborda la identidad, “El hombre duplicado”, se ha convertido en la primera de sus novelas que llega al teatro y lo ha hecho con un montaje, estrenado mundialmente en Lanzarote (España), que acentúa su tono de thriller oscuro y desasosegante.

El libro ya era película, “Enemy”, dirigida por Denis Villeneuve y protagonizada por Jake Gyllenhaal, y ahora se trasladará al teatro gracias al reto asumido por José Martret, quien, fascinado por lo auténtico y único de los libros del escritor nacido en Portugal, ha querido conservar la profundidad del texto original.

La adaptación para las tablas de “El hombre duplicado” estuvo a cargo de la firma DD & Company Producciones; mientras que la dirección ejecutiva corrió por cuenta de Dania Dévora. Por su parte, los Centros de Arte, Cultura y Turismo de Lanzarote (CACT) quisieron en homenaje a la isla en la que el Nobel decidió refugiarse en 1991 y en la que falleció en 2010, que el lanzamiento de la puesta en escena se realizara en un recinto muy singular, y por eso se escogió a Jameos del Agua, auditorio diseñado por César Manrique.

La pieza teatral, interpretada por Kira Miró y Raúl Tejón, Raquel Pérez, Sergio Otegui, Maribel Luis y Mon Ceballos, y adaptada por Salvador Toscano y Félix Ortiz, ha sido un éxito rotundo, con más de 400 espectadores en su primera jornada de exhibición.

La esencia de la obra sigue sustentándose en la pregunta principal que plantea Saramago en “El hombre duplicado” y que se puede resumir en: ¿en qué consiste la identidad?

¿Qué pasaría si cada ser humano tuviera una e incluso varias copias, clones o réplicas? y ¿cuáles serían los caminos y los laberintos que cada persona sería capaz de recorrer para descubrir el misterio que hay detrás?, propone con ironía el escritor portugués.

El montaje teatral, como la novela, trata de dar respuesta a cuestiones tan humanistas como la definición de la individualidad, los rasgos que permiten pensar en la singularidad y jugar con la posibilidad de que haya hombres paralelos que viven en universos duplicados o a la inversa.

Saramago habla sobre la búsqueda de la identidad propia y ajena con humor negro y distancia, porque es muy complicado asumir que los rasgos propios estén repetidos exactamente igual en otros sujetos.

José Martret, creador de iniciativas teatrales vanguardistas como “La casa de la portera” o “La pensión de las pulgas” junto a Alberto Puraenvidia, quien en esta iniciativa artística se ha ocupado de la escenografía, han creado un juego de identidades en el que el espectador es interpelado constantemente por el personaje que asume el papel de Sentido Común.

Tertuliano Máximo Afonso, un profesor de historia divorciado, un “hombre sin atributos”, profesional de la desidia e indiferencia por todo lo que le rodea, descubre viendo una película que hay un actor que es su copia exacta y a partir de ese momento, en una mezcla entre lo policial y la indagación profunda sobre la identidad humana, se empeña en encontrar “al otro”.

Las pesquisas le conducen a identificar a Daniel Santa-Clara, nombre artístico de Antonio Claro, con el que entra finalmente en contacto, lo que cambia de manera radical el sentido de sus vidas y la aparente inviabilidad de dos sujetos idénticos en el mismo espacio y tiempo.

“El estreno mundial en Lanzarote de la que es la primera adaptación teatral de una de sus obras obedece también a que la idea se le ocurrió a Saramago en esa isla y a que a su viuda, Pilar del Río, le parecía que en España debía hacerse algo en este sentido” comentó la directora ejecutiva Dania Dévora.

La obra visitará hasta abril otras islas del archipiélago, antes de dar el salto a la península, donde ya está confirmada Málaga como una de las ciudades donde se verá durante 2017."

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

'El hombre duplicado', el thriller sobre "el yo" de Saramago, se hace teatro - via "El Diario" (15/01/2017)

'El hombre duplicado', el thriller sobre "el yo" de Saramago, se hace teatro
Más de 400 espectadores asisten al estreno del espectáculo en los Jameos del Agua
Efe - Arrecife (15/01/2017)
Aqui reportagem em http://www.eldiario.es/canariasahora/cultura/El_hombre_duplicado-Jose_Saramago-teatro_0_601939844.html

"Un momento del ensayo de la representación teatral de la novela 'El hombre duplicado'. 
EFE/Javier Fuentes"

"El inquietante juego con el que José Saramago aborda la identidad, El hombre duplicado, se ha convertido en la primera de sus novelas que llega al teatro y lo ha hecho con un montaje, estrenado mundialmente en Lanzarote, que acentúa su tono de thriller oscuro y desasosegante.

El libro ya era película, Enemy, dirigida por Denis Villeneuve y protagonizada por Jake Gyllenhaal, y ahora es teatro gracias al reto acometido por José Martret, que, fascinado por "lo auténtico y único" de los libros del escritor luso, ha querido conservar la profundidad del texto original.

La adaptación ha sido un empeño de DD & Company Producciones, con dirección ejecutiva de Dania Dévora, y los Centros de Arte, Cultura y Turismo de Lanzarote (CACT), que han querido, en homenaje a la isla en la que el Nobel decidió "exiliarse" en 1991 y en la que falleció en 2010, que fuera un recinto "tan canario y tan especial" como los Jameos del Agua, que diseñó César Manrique, el auditorio del estreno.

El resultado, interpretado por Kira Miró y Raúl Tejón, Raquel Pérez, Sergio Otegui, Maribel Luis y Mon Ceballos, y adaptado por Salvador Toscano y Félix Ortiz, ha sido un éxito, con los más de 400 espectadores que caben en el auditorio, puestos en pie."

"Pilar del Río, viuda de Saramago, junto a la actriz Kira Miró, al término de la función del viernes."

"El "core", el "alma" de la obra sigue sustentándose en la pregunta principal que plantea Saramago: ¿en qué consiste la identidad?.

¿Qué pasaría si cada ser humano tuviera una e incluso varias copias, clones, sosias o réplicas? y ¿cuáles serían los caminos y los laberintos que cada una sería capaz de recorrer para descubrir el misterio que hay detrás?, propone con ironía el Nobel portugués.

El montaje teatral, como la novela, trata de dar respuesta a cuestiones tan humanistas como la definición de la individualidad, los rasgos que permiten pensar en la singularidad y jugar con la posibilidad de que haya hombres paralelos que viven en universos duplicados o a la inversa.

Saramago (1922) habla sobre la búsqueda de la identidad propia y ajena con humor negro y distancia, porque es muy complicado asumir que los rasgos propios estén repetidos exactamente igual en otros sujetos.

Martret, creador de iniciativas teatrales vanguardistas como La Casa de la Portera o La Pensión de las Pulgas junto a Alberto Puraenvidia, que aquí se ha ocupado de una eficaz escenografía, ha querido un juego de identidades en el que el espectador es interpelado constantemente por el personaje que asume el papel de Sentido Común.

Tertuliano Máximo Afonso, un profesor de Historia divorciado, un "hombre sin atributos", profesional de la desidia e indiferencia por todo lo que le rodea, descubre viendo una película que hay un actor que es su copia exacta y a partir de ese momento, en una mezcla entre lo policial y la indagación profunda sobre la identidad humana, se empeña en encontrar "al otro".

Las pesquisas le conducen a identificar a Daniel Santa-Clara, nombre artístico de Antonio Claro, con el que entra finalmente en contacto, lo que cambia radicalmente el sentido de sus vidas y la aparente inviabilidad de dos sujetos idénticos en el mismo espacio y tiempo.

El estreno mundial en Lanzarote de la que es la primera adaptación teatral de una de sus obras obedece también a que la idea se le ocurrió a Saramago en esa isla y a que a su viuda, Pilar del Río, le parecía que en España debía hacerse algo en este sentido, según explicaba Dévora.

La obra visitará hasta abril otras islas del archipiélago, antes de dar el salto a la península, donde ya está confirmada Málaga como una de las ciudades donde se verá este año."


Ecos da estreia da peça de teatro "El Hombre Duplicado" em Los Jameos del Agua - Lanzarote

Fotografia publicada pelo "Comik Teatro" - https://www.facebook.com/TeatroComiK/
"Ayer nos fuimos a ver "El hombre duplicado", adaptación teatral de la novela de José Saramago, que ha sido un éxito en su estreno mundial en Lanzarote y al que deseamos un largo recorrido"

Comentário de Victoria Rosell (via Twitter @VickyRosell )
"Saramago y César Manrique. El hombre duplicado en Los Jameos del Agua. Lanzarote. IMPRESIONANTE."


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

El Auditorio de los Jameos se prepara para recibir la obra teatral 'El hombre duplicado” (via Lancelot Digital, 11/01/2017)

A presente notícia pode ser recuperada e consultada através da página do "Lancelot Digital" aqui em http://www.lancelotdigital.com/cultura/el-auditorio-de-los-jameos-se-prepara-para-recibir-la-obra-teatral-el-hombre-duplicado

Mais informações através da página "CACT Lanzarote - Centros de Arte, Cultura y Turismo" aqui em http://www.cactlanzarote.com/Evento/hombre-duplicado-saramago/

Publicado também na página da Fundação José Saramago em https://www.facebook.com/fjsaramago/

Vídeo de apresentação em https://www.youtube.com/watch?v=Ey6x_TZ36jw


"El consejero de Turismo del Cabildo de Lanzarote, Echedey Eugenio,  la responsable de DD&Company Producciones, Dania Dévora, el consejero delegado de los Centros de Arte, Cultura y Turismo, José Juan Lorenzo, y un elenco artístico de primer nivel encabezado por el prestigioso director José Martret, presentaron este miércoles los aspectos más destacados del estreno mundial de la adaptación teatral de la obra 'El hombre duplicado', de José Saramago, que tendrá lugar este viernes, 13 de enero, a partir de las 20.00 horas, en el Auditorio Jameos del Agua.

Tras dar la bienvenida a todos los asistentes y a los artistas que le acompañaban, Echedey Eugenio explicó algunos aspectos de “esta bonita locura que iniciamos hace unos meses, y que vincula a dos artistas tan ligados a Lanzarote como son José Saramago, autor de El hombre duplicado, y César Manrique, creador del espacio en el que se estrenará mundialmente su adaptación teatral” y animó a la población de la isla a asistir este fin de semana al Auditorio Jameos del Agua “a disfrutar de un espectáculo de primer nivel en cualquiera de las dos funciones que se representarán”."


"Dania Dévora, responsable de DD&Company Producciones y directora ejecutiva del proyecto, detalló el proceso que ha desembocado en la obra que se estrenará mundialmente el próximo viernes. Ilusión, implicación y entusiasmo fueron las palabras más utilizadas por Dévora, que agradeció especialmente la implicación de Pilar del Río, “que pensaba que en España debía haber una representación teatral de una obra de José Saramago”. Asimismo, agradeció la “implicación de los CACT, de la consejería de Turismo y del presidente del Cabildo de Lanzarote, que respaldó esta iniciativa cultural desde el primer minuto” y confirmó que durante la jornada de ayer se sumó “un nuevo productor a este proyecto que iniciamos dos, los Centros de Arte, Cultura y Turismo y DD&Company Producciones”."


"Dévora desveló el entusiasmo que siente ella y “todo el equipo” alrededor de esta obra, y finalizó animando a la ciudadanía a compartir el estreno mundial de El hombre duplicado en Lanzarote e invitando a los medios a asistir al pase gráfico que tendrá lugar mañana jueves, 12 de enero, a las 11.30 horas, en el Auditorio Jameos del Agua."


"El director de la obra, José Martret, por su parte, glosó la figura del autor de El hombre duplicado, José Saramago. Después de reconocer sentirse “muy responsabilizado”, Martret reveló que “no pudo decir no a la invitación que me hicieron para que participase en esta adaptación de la obra del Nobel portugués, que iba a estrenarse en la isla en la que vivió y escribió, y en un escenario como Jameos del Agua”.

Martret habló de los rasgos de los personajes de la obra, y avanzó algunos aspectos trascendentales “de una trama que se convierte en un thriller apasionante”.


"El actor Raúl Tejón, que da vida al personaje protagonista de El hombre duplicado, Tertuliano Máximo Alfonso, destacó la trascendencia que tiene que un espacio como el Auditorio Jameos del Agua "esté al servicio de la cultura", y animó a la población de Lanzarote a asistir y vibrar “con esta película de suspense que hemos hecho encima de un escenario”.

De igual modo, la canaria Kira Miró, que declaró sentirse "encantada" de trabajar en su tierra, Raquel Pérez, Sergio Otegui y Maribel Luis invitaron a la ciudadanía a compartir el estreno mundial de El hombre duplicado en Lanzarote.

El consejero delegado de los CACT, José Juan Lorenzo, finalizó el turno de intervenciones asegurando sentirse “encantado por haber participado en esta co-producción”, e igualmente invitando a los lanzaroteños a “disfrutar de este espectáculo artístico y cultural de primer nivel”.

El sábado 14 de enero tendrá lugar una segunda función, a la misma hora y en idéntico escenario.

Las localidades para asistir a las representación de El hombre duplicado se pueden adquirir en los canales de venta habitual de los Centros, esto es, las taquillas de la Red de Centros, la Casa Amarilla de Arrecife, y en la dirección web http://www.cactlanzarote.com/Evento/hombre-duplicado-saramago/, a la precio de 25 euros."

El hombre duplicado

"¿Qué haríamos cada uno de nosotros si nos encontráramos a un ser humano semejante, absolutamente semejante, a nosotros mismos? ¿Por qué vericuetos extraños nos adentraríamos para tratar de descifrar el misterio de esa situación imposible y, sin embargo, literariamente real? A este escenario que aparece en El hombre duplicado, de José Saramago, trata de dar respuesta la adaptación teatral –la primera de una novela del Premio Nobel de Literatura de 1998- que, acometida por Salvador Toscano y Félix Ortiz, dirige José Martret, uno de los nombres más prometedores de la actual escena española, con un atractivo reparto formado por Raúl Tejón, Kira Miró, Raquel Pérez, Sergio Otegui, Maribel Luis y Mon Ceballos, con la colaboración especial de Nathalie Poza.

El montaje teatral, como la novela, trata de dar respuesta a las incisivas preguntas que el mordaz escritor portugués planteaba: ¿En qué consiste la identidad? ¿Cómo saber quiénes somos? ¿Qué nos define como personas individuales? ¿Qué nos distingue permitiéndonos ser únicos? ¿Y qué ocurriría si no lo fuésemos? José Saramago habla sobre la búsqueda de la identidad propia y ajena. Con humor e ironía  reflexiona acerca de la capacidad humana de aceptar al otro, un tema de candente actualidad, como todas las cuestiones que lleva a su literatura el escritor luso.

En la puesta en escena de El hombre duplicado coinciden el atrevimiento de José Martret y Alberto Puraenvidia, creadores de iniciativas rompedoras como La casa de la portera o La pensión de las pulgas, la valentía de los dramaturgos Salvador Toscano y Félix Ortiz, el entusiasmo de un grupo de actores experimentados y la veteranía de la productora canaria Dania Dévora, con una firme trayectoria en los territorios musical y escénico."