Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
Mostrar mensagens com a etiqueta pedro fernandes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pedro fernandes. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de março de 2020

Edição n.º 11 da Revista de Estudos Saramaguianos

Aqui link para consulta e download da edição


SUMÁRIO

13 - Apresentação
20 - As portas de abertura do evangelho segundo Saramago (Conceição Flores)
33 - O espaço da memória em José Saramago (Denise Norona Lima)
48 - As marcas ancestrais na ficção de José Saramago (Jurema José de Oliveira)
55 - A singularidade amorosa em Saramago: da ilha desconhecida 
à ilha do amor (Maria Aparecida da Costa)
67 - INÉDITO: JOSÉ SARAMAGO, O CRÍTICO LITERÁRIO E O POETA
José Saramago, breve comentário sobre o crítico 
literário leitor de Jorge de Sena (Pedro Fernandes de Oliveira Neto)
91 - A cegueira saramaguiana como construtora da consciência coletiva (José Gonçalves)
102 - In nomine Dei – o ocaso de deus e a agentividade do homem 
numa tragédia moderna (Marco Aurélio Abrão Conte)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Revista de Estudos Saramaguianos - Edição #8 (Português e Espanhol) Agosto de 2018

REVISTA DE ESTUDIOS SARAMAGUIANOS
(revista semestral  ISSN 2359 – 3679)


A edição n.8 da Revista de Estudos Saramaguianos está online


Este número da RES reúne trabalhos de leitores da obra de José Saramago de Brasil, Espanha e Argentina. O leitor encontrará textos acerca de "O homem duplicado" (Adrián Huici), "Ensaio sobre a cegueira" (Rodolfo Pereira Passos), "O evangelho segundo Jesus Cristo" (José Luiz Foureaux de Souza Junior), "Levantado do chão" (Luís Alfredo Galeni), sobre o tema da migração na obra de Saramago (Maria Irene Fonseca e Sá), a personagem pelo prisma da dialética e do humanismo (Rosani Ketzer Umbach / Deivis Jhones Garlet), sobre a crônica saramaguiana (Ana Carolina Cangemi), o teatro do escritor português e sua relação com a história de Portugal (José Eduardo de Magalhães Mendonça) e uma leitura comparativa com a obra de Antonio Muñoz Molina observando o tema da alteridade (Graciela Beatriz Perrén). São dois volumes – um em língua portuguesa, outro em língua espanhola – disponíveis gratuitamente na web através do site 
http://www.estudossaramaguianos.com

Editores
Pedro Fernandes de Oliveira Neto (contacto)
Miguel Alberto Koleff (contacto)

"SOBRE
A REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS é produto do encontro de pesquisadores da obra de José Saramago em Brasil, Argentina e Portugal. Seu viés é o de uma revista acadêmica, bilíngue (Português / Espanhol), com tiragem semestral, gratuita e eletrônica cuja proposta é a publicação de ensaios, documentos e recensões críticas que tenham como escopo a obra do escritor português. Seu objetivo é o de fortalecer os estudos, intercambiar pesquisas e dar a conhecer as diversas possibilidades de leituras em torno da obra saramaguiana."

Também através do Facebook em 



"SUMÁRIO
9 - Apresentação
13 - Infidelidade dos espelhos: O homem duplicado, entre o outro e ele mesmo, ADRIÁN HUICI
30 - A interpelação do outro: Antonio Muñoz Molina, José Saramago, GRACIELA BEATRIZ PERRÉN
39 - Uma análise da sociedade portuguesa, após a Revolução dos Cravos, em duas peças de José Saramago, JORGE EDUARDO MAGALHÃES DE MENDONÇA
53 - Considerações retóricas sobre as crônicas saramaguianas, ANA CAROLINA CANGEMI
72 - A “cegueira branca” e as fendas da razão: a propósito da obra Ensaio sobre a cegueira, RODOLFO PEREIRA PASSOS
84 - A personagem em José Saramago: dialética e humanismo, ROSANI KETZER UMBACH e DEIVIS JHONES GARLET
99 - A migração na visão de José Saramago: a questão do multiculturalismo, MARIA IRENE DA FONSECA E SÁ
121 - O evangelho segundo Jesus Cristo: notas acerca de um (certo) parricídio, JOSE LUIZ FOUREAUX DE SOUZA JUNIOR
135 - Mythos e mímesis em Levantado do chão, LUÍS ALFREDO GALENI"



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"Revista de Estudos Saramaguianos" Edição #7 - Janeiro de 2017


Link do site https://estudossaramaguianos.com/
Link da presente edição https://estudossaramaguianos.com/n-7-vol-1-jan-2018/
Link para recuperar as anteriores edições https://estudossaramaguianos.com/archivo/

"Apresentação"
"Na recente aparição pública das correspondências entre José Saramago e Jorge Amado, encontramos o escritor brasileiro entregue, quase em definitivo, à sedução do reconhecimento glorioso que eventualmente o Prêmio Nobel de Literatura pode trazer ao escritor. Até a uma das últimas cartas a Jorge Amado, datada de 9 de outubro de 1997, o assunto é colocado em pauta por Saramago, que, ao contrário, não demonstra grande ambição e se mostra sempre apaziguador sobre a ansiedade do amigo: “Querido Jorge, não há nada a fazer, eles não gostam de nós, não gostam da língua portuguesa (que deve parecer-lhes sueca…) não gostam das literaturas que em português se pensam, sentem e escrevem. Não têm metro que chegue para medir a estatura de um escritor chamado Jorge Amado, para não falar de outros bastante mais pequenos, no número dos quais a voz pública insiste em pôr-me. Temos de aprender a nada esperar de Estocolmo por muito que nos venham cantar loas ao ouvido. A experiência de injustiça a que tens estado sujeito durante anos e anos deve levar-te, imagino, a encolher os ombros diante destas contínuas provocações suecas. Mas aqueles que, como eu, veem, em ti nada mais nada menos que o Brasil feito de literatura, esses indignam-se com a já irremediável falta de sensibilidade e de respeito dos nórdicos”.

Saramago também sempre se mostrou, publicamente e nas missivas reunidas em Com o mar por meio. Uma amizade em cartas, um favorável ao nome de Jorge Amado para o primeiro Prêmio Nobel a um escritor de língua portuguesa. O desejo, sabemos agora, cinquenta anos depois, esteve próximo de se cumprir: o nome do autor de Capitães da areia aparece entre os nomeados numa lista do galardão de 1968. Mas, o feito nunca se cumpriu. Jorge Amado morreu com a angústia de um injustiçado.

Pelo lado oposto, isto é, a expectativa do amigo brasileiro, nem sempre total, de que o autor de Memorial do convento ganhasse a honraria, se cumpriu em 1998. E comemorou como se fosse ele próprio o escolhido. “Acabo de saber que o prêmio Nobel foi concedido ao escritor português José Saramago. A notícia me causa grande satisfação. Se alguém merece o Nobel, este alguém é José Saramago” – dizia a nota que Jorge Amado, já muito abatido pelas intempéries do tempo, ditou à filha Paloma Jorge Amado e à companheira Zélia Gattai e que foi enviada em missiva a Saramago com data de 8 de outubro de 1998. Paloma junto com Bete Capinan e Ricardo Viel é também a organizadora da edição com as cartas editadas em 2017 pela Companhia das Letras.

Em 2018, 20 anos depois da conquista, ainda a celebramos, por Jorge Amado e pela literatura de língua portuguesa e, porque – o leitor perdoe nossa modéstia – numa lista muito irregular como a da Academia Sueca, o reconhecimento a José Saramago foi um dos mais honestos. Este é não apenas um escritor de relevo no que se refere ao alargamento das fronteiras do universo da criação literária como uma figura de presença política marcante entre os pensadores da contemporaneidade, capaz de não restringir sua intelectualidade aos círculos íntimos ou em favor de um ego narcisista, mas usá-la em favor de, publicamente, incitar os debates mais caros, urgentes e necessários para uma revisão dos rumos tomados pela civilização ocidental. Se olharmos para os galardoados com o Nobel encontraremos poucos em que na sua presença se harmonizam essas duas dimensões fundamentais para a comunidade humana: o compromisso com a palavra e o compromisso com o homem e seu tempo.

Antes e depois do Prêmio Nobel, José Saramago recebeu honrarias e homenagens diversas em toda parte do mundo. No Brasil, por exemplo, onde há muito assume unanimidade entre os leitores, um gesto só alcançado neste país por nomes como Eça de Queirós e Fernando Pessoa, várias universidades o distinguiram Doutor Honoris Causa: o primeiro título veio um ano antes do maior dos reconhecimentos pela Universidade de Brasília e grande parte dos demais um ano depois de Estocolmo num movimento conjunto de diversos departamentos de Letras e de Literatura.

E, para sublinhar que sua vigorosa atitude ética não é uma interpretação impressionista, basta lembrarmos que o escritor não deixou de fazer das honrarias recebidas naquele 1999 em ocasiões de reflexão crítica – seja literária, seja política. Ou mesmo, a transformação do acontecimento em gesto questionador. É sabido da sua recusa à distinção oferecida pela Universidade Federal do Pará, depois de saber que o estado era governado por aquele que se mostrou conivente com o massacre de Eldorado dos Carajás. A ida do escritor ao estado poderia servir de estratégia para o silenciamento midiático sobre o acontecido. A data de entrega, ao que parece, fora propositalmente mudada, num claro gesto de manobra que visava coincidir a chegada do escritor ao estado com o primeiro dia do julgamento sobre a morte dos 29 trabalhadores rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra assassinados.

No banquete de recepção do Prêmio Nobel, noutro gesto ético perfeitamente alinhado com o da recusa do Doutor Honoris Causa no Pará, Saramago sublinha o valor esquecido da Declaração Universal dos Direitos Humanos que então celebrava meio século de promulgação: “Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente a morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante”.

Este discurso do escritor agudiza um alerta que tem sido notoriamente ignorado. Os governos que poderiam ser instrumentos para o povo estão cada vez mais alinhados com os modelos escusos baseados nos interesses de dominação e ignoram, sempre, a justiça e o zelo com o bem-estar coletivo. Neste curso, os tímidos avanços que alguns gestos representaram tornam-se obsoletos sob a instituição legislativa da barbárie. Na mesma ordem, os cidadãos que poderiam irromper numa revolução capaz de cobrar do Estado o que este se exime de cumprir, estão entretidos com a parafernália vendida pelo capital. Dessa madorra só levantaremos quando já for tarde para acordar. Porque as luzes que há no horizonte são quase nenhuma ou pequenas o suficiente para perecer ao acobertamento da vilania instituída. Por isso, recordar o trabalho de homens como José Saramago se insere no território das urgências; rareiam estes interessados em promover uma guinada em prol da humanidade. O legado maior do escritor foi o de nos motivar para ação por acreditar que sem este exercício raro todo o projeto civilizacional estará fadado ao fracasso. Os sinais na contemporaneidade já o demonstram, por isso, resistir se faz uma palavra de ordem e de atitude.

Equipe editorial"


SUMÁRIO

Ensaio sobre a cegueira. Silêncios
LUZIA APARECIDA BERLOFFA TOFALINI

Porque eu sou do tamanho do que vejo.Análise comparativa das três obras ilustradas d’A maior flor do mundo, de José Saramago
SANDRA ISABEL DOS SANTOS CARDOSO

Saramago e a astrologia: estudo do poema “Signode escorpião”
RODRIGO CONÇOLE LAGE

Alegorias saramaguianas em O homem duplicado
NEFATALIN GONÇALVES NETO

O silêncio cúmplice e adversário de Geneviève Leibrich, tradutora francesa de José Saramago
CÉLIA CARAVELA

Formas de dessubjetivação nos romances de José Saramago e Teolinda Gersão 
MIGUEL ALBERTO KOLEFF

O niilismo político: caminho para uma renovação da democracia em José Saramago
JAIME SÁNCHEZ NARANJO


Link para download da presente edição, aqui
em https://drive.google.com/file/d/1H79dvF2JNVTERoiiBgqJF39eBAmDzuC4/view

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"A obra de José Saramago no cinema" análise de Pedro Fernandes no "Letras in.verso e re.verso" (02/08/2010)

O estudioso e académico brasileiro Pedro Fernandes, publicou uma interessante critica sobre as incursões cinematográficas a algumas obras de José Saramago. O documento embora datado do mês de Agosto de 2010 mantém a sua validade e actualidade.
Vale a pena recuperar e ler, como introdução ao visionamento dos filmes.   

O artigo pode ser recuperado e consultado aqui
em, http://letrasinversoreverso.blogspot.pt/2010/08/a-obra-de-jose-saramago-no-cinema.html?m=1#.V6ktdz-1FR8.flipboard

"A obra de José Saramago no cinema", de Pedro Fernandes (02/08/2010)

"Cena de Ensaio sobre a cegueira, a melhor adaptação 
de uma obra de José Saramago para o cinema."

"Perfazendo um caminho pelas sendas do plano virtual motivado por quatro textos de José Saramago que ganharam adaptação para as telas do cinema (A jangada de pedra, Ensaio sobre a cegueira, A maior flor do mundo e o recente O embargo), descubro o quanto o escritor português mantém uma relação sólida com outros meios artísticos. Sim, porque além das produções cinematográficas perdemos as contas sobre as adaptações de sua obra para o teatro, a dança, as artes plásticas e outras manifestações artísticas. No final desta post, deixo um link para deixá-lo a parte dessas adaptações ou maneiras outras de se aproximar de uma literatura rica e indispensável no currículo de qualquer leitor. E, agora apresento, um a um os filmes já produzidos a partir da literatura de Saramago. Convém dizer que esta lista é aberta e, enquanto este blog viver, e tão logo surjam outras adaptações, volto aqui para atualizá-la.

A jangada de pedra, de George Sluizer (2002): O título de destaque na carreira do cineasta foi O homem que queria saber, a adaptação do romance policial de Tim Krabbé sobre um homem que perde sua noiva numa viagem e, três anos depois, recebe o contato do raptor. Se deu certo com essa adaptação o mesmo não se pode dizer com a releitura do livro de Saramago; o diretor prende-se em transformar a obra num filme discreto e tentando seguir à risca o desenhado pelo romance. O resultado é, apesar de certo zelo com o texto original, um texto moroso que não consegue passar a tela a dimensão mágica da obra saramaguiana. De todo modo, foi a primeira adaptação de um texto de Saramago para o cinema; e, possivelmente, pelo fruto do resultado com Sluizer, o escritor sentiu-se impelido a que não o adaptasse mais para as telas, resistência que só será rompida quase dez mais tarde com a autorização para que Fernando Meirelles adaptasse Ensaio sobre a cegueira.

"Todas as características peculiares do conto infantil de 
José Saramago são perfeitamente desenhadas 
nesse primoroso curta-metragem de Juan Pablo Echeverry."

"A maior flor do mundo, de Juan Pablo Etcheverry (2007): Bem ao contrário, do filme de Sluizer, o cineasta soube desenhar e captar a dimensão desse conto escrito para crianças - o único do gênero na carreira literária de Saramago. No enredo, o próprio escritor transforma-se em personagem, como o escritor que conta a ideia que teve de um dia escrever uma história para crianças. A maior flor do mundo é como uma narrativa que foi inventada mas permanece irrealizada porque, no final, a personagem-escritor vê-se incapaz da escrita para os mais pequenos. Mas, é justamente sobre a impossibilidade de narrar completada pela possibilidade da figura desse menino de fazer algo que signifique para sua infância (este é já o plano do que seria inventado pelo narrador) que torna o texto numa obra singela pela sinceridade e marcada por um apelo moral dos mais necessários às crianças de um tempo já distanciadas do universo fabular dos contos clássicos. O curta-metragem feito com massa de modelar é o próprio texto de Saramago em movimento. E um detalhe especial da adaptação do espanhol foi preservar a figura do escritor que empresta a voz como um narrador em off. Um encanto! A peça já foi premiada em vários festivais ao redor do mundo.

Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles (2008): O filme nasceu de uma obsessão. O cineasta brasileiro, já premiado ao redor do mundo pela adaptação do romance Cidade de Deus, de Paulo Lins e do romance O jardineiro fiel, de John Le Carré, depois de ler o livro de José Saramago decidiu prontamente que gostaria de vê-lo na grande tela. O projeto levado ao escritor teve o rumo contrário de outras tentativas já ensaiadas por diretores sobre outras obras suas; Saramago autorizou a adaptação e, como figura honesta sobre as limitações com o gênero, deixou Meirelles livre na leitura. O filme abriu o Festival de Cannes no ano de lançamento e arrancou elogios e lágrimas do português. Também pudera! A leitura é, de todas as já feitas para o cinema até então, a mais original. O diretor não apenas imergiu na obra, como, assim fez Juan Pablo Etcheverry, conseguiu expor toda força da narrativa em forma de imagem. Produção fotográfica e de som são duas características à parte e, por vezes, até a voz do narrador tão característica de Saramago, não deixa de dar forma à obra.

O embargo, de António Ferreira (2010): O conto que deu morte para o diretor português foi publicado em 1973 pela Estúdios Cor com o mesmo título do filme. Depois, Saramago incluiu o texto na única coletânea de contos até então editada, Objecto quase. Pautado no inusitado (um dia um homem sai para o trabalho e descobre-se que ficou grudado no banco do carro e não consegue mais sair da posição de motorista, quando, na cidade vive-se um embargo para a venda de combustível), a elaboração do roteiro para um longa, tal como se propôs o António Ferreira, exigiu do roteirista a inserção de uma série de outras situações que não estão no texto original. Ainda que o cuidado em deixar passar para o telespectador aquilo que está expresso no conto seja muito visível, a sensação que fica é a de uma história que não consegue manter o ritmo e se sustentar até o fim com o mesmo fôlego com que começa. Tal como A jangada de pedra o título deixa a desejar pela morosidade onde não devia existir morosidade. Ainda assim, é um texto que tomou para si um desafio: alongar-se para dizer o que Saramago disse (muito melhor) em poucas páginas e conseguiu conclui-lo."

"Para transpor uma obra como a de José Saramago há que se ter, 
de tudo, sensibilidade. O filme de Denis Villeneuve despreza isso 
e se torna ao lado de outras produções somente uma leitura que não deu certo."

"O homem duplicado, de Denis Villeneuve (2014): Apesar de ser o autor de filmes sempre elogiados pela crítica (Os suspeitos ou Incêndios), o diretor canadense erra na mão ao transpor para a tela o romance de Saramago. Claro, constrói um enredo muito elaborado, não se descuida de preservar o centro da obra, mas não convence o telespectador de que tenha, tal como conseguiu Juan Pablo Etcheverry e Fernando Meirelles, captado a essência do texto do escritor português. Um exemplo? A inserção do tema da teia, materializado na forma da aranha que se transmuta na perfil da mulher fatal. Essa constatação, aliás, abre-se como uma discrepância gigantesca entre a representação criada por Villeneuve e a criada por José Saramago sobre o feminino. O próprio escritor reiteradas vezes disse repudiar qualquer artifício utilizado para designar a mulher seja como condição superior ou inferior ao homem, seja como fenômeno. Numa escala entre os títulos já transpostos para o cinema, a produção do canadense ficaria logo depois da de Sluizer. Não alcança sequer o António Ferreira, porque o texto de Villeneuve precisou de acréscimos para um texto que já tem a medida a certa, aliás, é um romance, não um conto. E a impressão que fica é que apenas a dorsal da obra foi aproveitada num texto que se intitulou ingenuamente do mesmo título de José Saramago."

Ligações a esta post:
Leia mais sobre o filme de George Sluize

Leia sobre o romance A jangada de pedra

Leia mais sobre o livro A maior flor do mundo e assista ao curta de Juan Pablo

Leia mais sobre o filme de Fernando Meirelles

Leia sobre o romance Ensaio sobre a cegueira

Leia mais sobre o filme de António Ferreira

Leia mais sobre o filme de Denis Villeneuve

Leia sobre o romance O homem duplicado

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Curso “Projeções acerca do feminino na literatura de José Saramago” - Prof. Dr. Pedro Fernandes de Oliveira Neto - UERN Faculdade de Serviço Social (FASSO) - Brasil / Mossoró (Campus Central)



Informação e detalhes a consultar aqui,

"A Faculdade de Letras e Artes (FALA) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, por meio do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, promovem o minicurso “Projeções acerca do feminino na literatura de José Saramago”, a ser ministrado pelo professor Dr. Pedro Fernandes de Oliveira Neto, nos dias 16 e 17 de maio de 2016, das 18h50 às 22h15, no Auditório da Faculdade de Serviço Social (FASSO), no Campus Central, Mossoró (RN). 

As inscrições podem ser feitas no Departamento de Letras Vernáculas (manhã e noite).

José Saramago é um dos escritores mais importantes de Língua Portuguesa da atualidade, sendo também, até o presente, o primeiro e único escritor de origem lusitana a ser laureado com o Prêmio Nobel (1998).

(Capa da edição "Retratos para a Construção 
do Feminino na Prosa de José Saramago")


A crítica e o próprio José Saramago expuseram por via diversa as formas como o tema do feminino constitui-se numa expressão recorrente na construção das representações ensejadas por uma obra interessada em revalidar um lugar caro à expressão literária – o de ser uma aguda crítica aos discursos deterministas e aos modelos culturais, sociais e históricos impostos pelo pensamento ocidental dominante. O objetivo do curso ora apresentado é o de compreender, pela reflexão da crítica literária, como o escritor projetou e construiu um imaginário diverso e singular sobre a figura feminina; imaginário que é num só tempo representação e reinvenção dos modos de ser e estar no mundo. A partir da visita a alguns lugares sobre o conjunto da obra (poesia e teatro), propomos algumas linhas sobre a gênese dessa obsessão e sua constituição no âmbito da prosa romanesca. No fim, o que oferecemos é uma via de contato para uma das produções literárias de língua portuguesa desde então fundamentais para a reflexão sobre uma contemporaneidade espectral e diversa.

(Sessão de autógrafos, no lançamento da obra (05/10/2012)
Livraria Cooperativa Cultural Natal/RN)
 
Pedro Fernandes é professor na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA); Doutor em Estudos da Linguagem com área de concentração em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGeL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Mestre em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN); e Graduado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras e Artes (FALA) por essa mesma instituição. Membro do Grupo de Estudos Críticos da Literatura (GECLIT). É coeditor da Revista de Estudos Saramaguianos e do caderno-revista 7faces. É autor de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (ensaio acadêmico, Editora Appris, 2012) Sertanices (poesia, inédito) e do e-book Palavras de pedra e cal (poesia, edição independente)."

terça-feira, 15 de março de 2016

Exposição da artista plástica Lena Gal "Mulheres de Saramago" de 5/4 a 19/4 no "Espaço Arte" em Lisboa

"Espaço Arte" Publicações Europa-América
Avenida Marquês de Tomar, 1B - 1050-152 LISBOA
Telefone: 213 563 791

Exposição patente de dia 5 de Abril até dia 19 de Abril


Sinopse de Apresentação da Exposição
"Ao ler o livro “Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago,” de  Pedro Fernandes de Oliveira Neto e  estar em contato com parte significativa da obra do escritor português, entrei  na essência e senti um elo forte  entre as personagens saramaguianas e a minha linguagem plástica, entre a minha pintura feminina e as mulheres reais da minha própria história de vida. Identifiquei a mesma força, os silêncios os sentidos do olhar, a intuição, o amor, a sensualidade, a denúncia de casos de violência e do assédio sexual, a cumplicidade feminina  do despertar para a consciência do ser mulher, e deixei-me guiar  pelo meu interior, pelo sentir este foco feminino, pelo envolvimento emocional e pelos momentos de ansiedade  para, num trabalho criativo, pela forma, pela cor e pelo simbolismo dar rosto  a mulheres como Blimunda, a mulher do médico entre outras mulheres/personagens tão fortes tão sábias como tantas mulheres da vida real que encarnam o arquétipo da Grande Mãe que pinto; mulheres que temos na nossa vida, desde a mãe, a amiga, a irmã. Pintar estas mulheres foi contatar momentos que senti mágicos e de muitas emoções."

“Na pintura de Lena Gal encontro, a procura da plenitude do feminino, …” 
de Raquel Pinto, in “Estudo (análise semiótica “Simbologia na pintura de Lena Gal - Ao encontro do mito Universal da Terra Mãe


"Estou inventando mulheres ou talvez, 
outra forma de ser mulher"
José Saramago

De Pedro Fernandes sobre a obra da artista plástica Lena Gal, torna-se indispensável ler e estudar o texto "A pintura de Lena em diálogo com o feminino na literatura de José Saramago" aqui  

"Uma rápida visita ao currículo de Lena Gal nos colocará diante de algumas exposições cuja matéria está pautada no feminino e suas representações, tais como Mulheres, terramãe e O feminino insular. É do catálogo que compõe a primeira exposição que li a tela “As xamãs” num diálogo tão próximo e tão forte com uma cena de Memorial do convento, de José Saramago. Foi esse contato que me pôs em contato com sua arte; Lena sempre muito solícita não hesitou, na ocasião, em ceder esse trabalho para compor a capa de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago, um extenso ensaio publicado em 2012 cujo interesse é de lançar alguma luz, por parca que seja, sobre o tema da representação do feminino na obra saramaguiana.
O contato com o ensaio e, logo depois com a literatura do Prêmio Nobel produziu na artista o desejo de estreitar esse diálogo a princípio individual de alguns temas de sua pintura. Esses dois encontros fez nascer na artista a necessidade de ir ao que ela chama de essência da representação a título de enformar e avivar o traço entre as representações produzidas pela literatura e as lidas pelo ensaio. Nessa zona de interstícios, a linguagem plástica ainda se alimenta do próprio movimento subjetivo da artista e se confunde com sua história da arte e a vida. Lena Gal, como tenho designado, tentou debruçar-se no interstício a fim de produzir o que ela própria designou pelo título de O feminino na escrita de José Saramago."

Lena Gal - "Mulheres Marias" 116x89

"Há no título desse conjunto de pinturas ao menos duas questões que quero apresentá-las nestas notas: uma delas diz respeito a humildade da própria artista em designar seu exercício imagético e imaginativo como representação da escrita. De certa maneira, a pintura e a literatura são duas formas bastante aproximadas de representação; apenas que uma pinta com palavras o que a outra pinta com tintas. Essa é uma observação viva na própria literatura de José Saramago, mais especificamente, nas reflexões costuradas pelo pintor de retratos H. em Manual de pintura e caligrafia. Tomado pela repetição da técnica da arte de eternizar rostos, H. tentará se desenvencilhar da mesmice, ensaiando-se através da escrita. O exercício de Lena Gal, embora não seja ela uma pintora de retratos, é o contrário. Sair do emaranhado de palavras para dizê-las com tinta e pincel. 

Outra é não deixar-se ficar acima da representação maior que lhe move à pintura: a obra de José Saramago. Tenta com o escritor, numa tomada de posição que não é nem de esconder-se à sua sombra nem a de elevá-lo a um pedestal de glória que, creio, ele próprio não gostaria porque sempre me pareceu alguém dado à simplicidade e não chegado à vaidade que corrói muita das existências de alguns grandes nomes, vai tentar dar luz a esse inventário de outras formas de ser mulher. É quando vem em boa hora, uma frase do próprio Saramago recolhida em As palavras de Saramago por Fernando Gómez Aguilera – “Estou inventando mulheres, ou talvez, outra forma de ser mulher”.

Para Lena Gal, este trabalho é exercício de inspiração. E é exercício de outra forma de ser mulher. Os silêncios, os sentidos do olhar, o amor, a intuição, a sensualidade, a violência sobre o corpo da mulher, o assédio sexual, a cumplicidade feminina, o despertar para a consciência do ser mulher são tornadas tonalidades para as formas extraídas do negro das palavras para o colorido das telas. O feminino na escrita de José Saramago é um caudal de sensações. A artista plástica busca pelo seu interior trazer à superfície emoções, alegrias, tristezas, materializando-se em texturas e cores diversas os sentimentos ora nascidos em ora provocados por personagens como Blimunda, de Memorial do convento ou a mulher do médico, de Ensaio sobre a cegueira – dois dos romances mais significativos da bibliografia saramaguiana e pontos centrais na leitura proposta em Retratos."

Lena Gal - "Humilhação dolorosa" 130x97

"Como exercício de recriação artística, coloca na mesma cena personagens que, no plano dos romances nunca tiveram a oportunidade de se conhecer, mas permanecem irmanadas no sentimento sobre o mundo; penso para o caso em telas em que se apresentam Blimunda, a mãe e a rainha D. Maria Ana Josefa. Ou se aproxima de cenas há muito já representadas por outros artistas e introduz
nelas novas forças de sentido: é assim com a cena da crucificação de Jesus Cristo inspirada d’O evangelho segundo Jesus Cristo ou com outra figura para Lilith. Ou reconstrói personas e cenas da narrativa saramaguiana. Além de cenas d’O evangelho, ficamos diante de cenas de Memorial do convento como a incansável busca da mãe de Blimunda pela filha e o diálogo costurado pelas formas do olhar; o encontro de Blimunda com Baltazar sendo queimado num auto-de-fé e a recuperação de sua vontade. Ou de Ensaio sobre a cegueira: a cena de assassinato do cego mal da camarata; do cão que lambe as lágrimas da mulher do médico; o estupro de uma das mulheres na camarata dos cegos maus; o banho das mulheres. 

O feminino na escrita de José Saramago, portanto, refaz por outra via que não a da palavra, as imagens sobre o feminino sugeridas pela escrita do romancista, escrita que, para além do Manual de pintura e caligrafia conversou igualmente com as artes plásticas – penso na abertura d’O evangelho segundo Jesus Cristo, por exemplo, quando o narrador reconstrói a cena pintada por Albrecht Dürer
ou mesmo a plasticidade oferecida pela própria narrativa. À sua maneira, a obra se reinventa, vai logrando outras possibilidades de ser vista e de ser lida.

Como redigi para o catálogo que acompanha a exposição e para outro texto a ser publicado em breve também acompanhado por telas da artista plástica, Lena desvela um duplo manto de sentidos. Não é apenas sobre o meu discurso produzido pela leitura da obra saramaguiana; é a aproximação simultânea de três formas de interpretação, a dela própria, a do escritor e a do ensaísta. Cada tela desnuda num inventário muito próprio das imagens, um imaginário que se inscreve numa zona brumosa não captável pelo verniz da palavra; isso num mesmo instante em que se alimenta dessa seiva que contorna os sentidos e é matéria nutritiva para as imagens desenhadas pelo escritor português capaz de produzir retratos únicos para a mulher. Um apelo, portanto, aos sentidos da visão, esta que tanto foi exercitada pelo próprio Saramago para rever o que nos cerca."

De Pedro Fernandes, académico e estudioso da temática saramaguiana, aqui 

O link geral do projecto em http://letrasinversoreverso.blogspot.pt/

Consultar também o projecto da revista de "Estudos Saramaguianos", aqui em http://www.estudossaramaguianos.com/


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

"Espuma das Palavras" de Rui Santos - Uma revisitação sobre alguns traços da obra de Saramago

(Capa da edição "Espuma das Palavras")

Género - Poesia

Capa e ilustrações de Diane Sbardelotto

Pode ser consultado e descarregado gratuitamente, aqui



Sobre o opúsculo
“Espuma das palavras traz a relevo o exercício da força imaginativa do escritor como produto da relação com os acontecimentos de sua própria vida, das leituras e da aproximação que mantém com os principais temas de seu tempo” (Pedro Fernandes)

A edição n.3 da Revista de Estudos Saramaguianos está online.

(Capa da edição n.º 3)

A presente edição, tal como as anteriores, pode ser descarregada gratuitamente, aqui

Sinopse de apresentação
"Em 2015, a comunidade acadêmica perdeu o professor Cláudio Capuano; do leitor da obra de José Saramago, sobre a qual escreveu “Tudo que trago são papéis: história, escrita e ironia no teatro de José Saramago”, reproduzimos (em memória) um estudo seu sobre o papel feminino na obra dramatúrgica do escritor português. Na passagem dos 400 anos sem Miguel de Cervantes, esta edição também reproduz um estudo comparado entre sua obra clássica “Dom Quixote” e “A jangada de pedra”, da professora Joanna Courteau, da Iowa State University. O texto é seguido de um caderno de notas manuscritas de Saramago sobre a criação do romance ora lido. Completam a edição os textos do chileno José Enrique Finol, dos argentinos Jimena Bracamonte e Ariel Gómez Ponce, do espanhol José Joaquín Parra Bañón, do português António José Borges e dos brasileiros Ciro Leandro Costa da Fonsêca, José Rosamilton de Lima, Hugo Leonardo Prata e Edmundo de Drummond Alves Junior. São dois volumes - um em língua portuguesa, outro em língua espanhola - disponíveis gratuitamente na web através do site http://www.estudossaramaguianos.com/"

"ÍNDICE
9 - Apresentação

11 - As semióticas do nome: identidade e anonimato na obra de José Saramago
de José Enrique Finol

33 - Os penitentes de Saramago
de Ciro da Fonsêca e José de Lima

45 - Vozes femininas no teatro de José Saramago
de Cláudio Sá Capuano

59 - Um elefante que cala, um humano que se interroga: 
José Saramago en(tre) a fronteira da comunicação animal e a linguagem humana
Jimena Bracamonte e Ariel Ponce

79 - Dom Quixote e A jangada de pedra: o mundo transformado
de Joanna Couteau

87 - Cadernos de notas manuscritas de José Saramago para 
composição do romance "A Jangada de Pedra"

125 - Arquitetura de Todos os nomes. Geometria e atmosfera do conservadorismo geral
de José Joaquín Bañón

149 - Saramago por Saramago
de António José Borges

165 As intermitências da morte em José Saramago: análise do discurso e os conceitos sobre velho, velhice e envelhecimento
de Hugo Prata e Edmundo Alves Junior"



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Texto de Pedro Fernandes - "Temas, formas e obsessões em Claraboia, de José Saramago" Revista de Estudos Saramaguianos

Recuperação do texto de Pedro Fernandes, na data em que a obra é encenada pela companhia de teatro A Barraca.
Mais info, ver posts anteriores

Link geral das edições http://www.estudossaramaguianos.com/


Informação consultada, via Facebook na página "Revista Estudos Saramaguianos", aqui

O estudo pode ser descarregado em português, aqui 


«“Claraboia”, apesar de publicado em 2011, é o segundo romance de José #Saramago. A obra ainda não traz o peculiar jeito saramaguiano de escrita – que só se apresentará a partir de “Levantado do chão”. Mas, o leitor atento não deixará de perceber aí a presença quase integral dos principais temas que deram forma a toda sua obra literária; este é um motivo definidor do texto de Pedro Fernandes que recupera a necessidade da suficiência para considerarmos este um livro essencial e uma das peças fundamentais para a compreensão mais ampla sobre a escrita saramaguiana.» 
Texto de Pedro Fernandes O. Neto



sexta-feira, 6 de março de 2015

Homenagem na morte de Cláudio Capuano via "Letras in.verso e re.verso" - Texto sobre a obra "Caim"

Através do "Letras in.verso e re.verso" tive conhecimento da morte de Cláudio Capuano, que realizou estudo sobre a obra de José Saramago.
Agradecimento ao estudioso e "Saramaguino" Pedro Fernandes.

Aqui para consulta em
https://www.facebook.com/Letrasinverso
http://letrasinversoreverso.blogspot.com.br/2015/03/revisitando-historias-biblicas-caim-de.html

"O texto publicado hoje no Letras é um gesto de homenagem: Cláudio Capuano, seu autor, morreu no último domingo (03 de março). Formado em Geologia e Letras, Cláudio lecionava Literatura Portuguesa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro desde 2010 e dedicou parte de seu trabalho à leitura da obra de José Saramago."

(Capa da edição brasileira da Companhia das Letras)

Aqui, prestando homenagem, republicando o texto, 

"REVISITANDO HISTÓRIAS BÍBLICAS: CAIM, DE JOSÉ SARAMAGO"

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."
(Saramago, 2009, p. 88)

Caim é o que odeia deus (p. 142).

"Após dezessete anos da publicação de O Evangelho segundo Jesus Cristo, o  escritor português José Saramago retomou um tema criado a partir do evangelho: Caim. Publicado no segundo semestre de 2009, o livro é um romance, no qual, por meio da figura do primeiro filho do primeiro casal humano, somos confrontados não só com o tema, mas também com os posicionamentos em relação aos preceitos religiosos de base judaica do nosso prêmio Nobel de 1998.
A leitura de Caim é fluida, agradável, instigante. Nela nos deparamos com uma história, cujo princípio coincide com início da Bíblia. Nos dois primeiros capítulos, ali estão Adão e Eva às voltas com a incipiência do existir. Ganham a fala, comem do fruto proibido, perdem o direito de estar no paraíso. Uma vez expulsos, são informados por um querubim, de que não são os únicos humanos sobre a Terra.
É só no terceiro capítulo que aparecem Caim e Abel. De breves referências à infância comum dos dois, chega-se à situação do assassinato. Tendo suas oferendas a Deus sistematicamente rejeitadas, Caim, tomado pela ira e pela inveja, arma uma cilada e mata o irmão. Dá-se o primeiro dos inúmeros encontros entre o personagem e Deus. Em todos, configuram-se desentendimentos gerados por absoluta diferença de pontos de vista. Se Deus se indigna com o ato do personagem contra o irmão, ele se defende dividindo com o próprio Deus a sua responsabilidade. Tivesse ele aceitado os seus sacrifícios, os únicos que ele poderia oferecer, e não teria ocorrido o fratricídio.
Não há no livro um único posicionamento crítico em relação às incoerências do texto bíblico, assim nos apresentado pela voz de um narrador em terceira pessoa, que seja novidade para quem acompanhe minimamente a trajetória literária de José Saramago. No romance, Caim tem um constante confronto ideológico com Deus. Enquanto este é o tirano-vingador, capaz de trucidar populações inteiras, sem poupar nem crianças, aquele é o leitor cético dos tempos bíblicos, cujos pensamentos, quando não são por ele mesmo verbalizados, o são constantemente pelas palavras do narrador, eco anacrônico da voz do presente no pensamento do personagem.
Como o Caim bíblico, o do romance é marcado por Deus e condenado a errar indefinidamente. Pode-se extrair, contudo, justamente do tipo de errância empreendida pelo personagem o que há de realmente notável no romance. Se o Caim bíblico será condenado a errar pelo mundo, o de Saramago erra pelos tempos... bíblicos. Por um mecanismo de natureza fantástica, o personagem se vê diante de fronteiras temporais. Ao cruzá-las, transforma-se em testemunha ocular de episódios do Antigo Testamento.
O primeiro lugar a que chega é a terra de Noh. Ali reina Lilith, figura ausente no Evangelho. Poderosa e sedutora, Lilith leva para a sua cama os homens que deseja, para usá-los e destruí-los. Alertado dos perigos que lhe podem advir de um encontro com a mulher, o jovem Caim obviamente não consegue lhe passar despercebido. Lilith percebe o jovem trabalhador, sujo pelo ofício de pisar o barro, e o convoca ao palácio. A cena que antecede o primeiro encontro íntimo dos dois é emblemática e guarda um aspecto de que podemos nos utilizar para ler Caim: a constante passividade subitamente interrompida por atos bruscos.
Imundo, o personagem é levado até a senhora da cidade. Antes é preparado para o encontro. Amas o lavam por completo. Caim, como em diversos outros momentos da narrativa, deixa-se ficar, passivo, expectador dos acontecimentos. Igualmente passivo ele se manterá, mesmo quando elas, ao se deterem no seu sexo, provocam-lhe ereção e ejaculação. É quando subitamente se dá conta do que foi fazer ali.
Somente na presença de Lilith é que ele sairá do estado de passividade. O jovem que desperta o desejo da senhora de Nod, o assassino do irmão, é também o homem casto, pela primeira vez unido sexualmente a uma mulher. Caim revela-se tão vigoroso no ato sexual que se diferencia dos outros homens com quem Lilith esteve. Contrariando o usual, o personagem permanece na cidade como seu preferido.
Caim naturalmente desperta ciúmes em Noah, marido de Lilith, que trama a sua morte. O personagem, porém, leva na testa a proteção de Deus, sob a forma de um sinal negro. Lilith vinga-se dos escravos envolvidos na emboscada, mas poupa o marido. Caim, por sua vez, revela-lhe toda a sua história. Mesmo sabendo que a mulher engravidara, o primogênito de Adão parte de Nod.
A partir desse momento, inicia-se o trânsito do personagem pelos tempos bíblicos. Não há, contudo, um respeito cronológico aos acontecimentos. O primeiro encontro de Caim é com Abraão, que está prestes a sacrificar a Deus o filho Isaac. O personagem se antecipa ao anjo, impede o ato e reprova tanto a atitude de Abraão quanto a de Deus, que exigira tal sacrifício. Em um segundo encontro com Abraão, Caim o encontrará mais novo, antes do nascimento do filho, e se envolverá no episódio da destruição de Sodoma. Há nesse momento uma primeira referência à morte indiscriminada de pecadores e inocentes na cidade, sobretudo de crianças.
Na sua errância – quer seja no encontro com Moisés ou Josué, quer seja por assistir aos sofrimentos de Job – Caim passa a confrontar o seu único crime, o fratricídio, aos inúmeros desmandos cometidos por Deus, em nome de por à prova o seu próprio poder, com toda a falta de propósito que isso possa encerrar.
Antes do último encontro, com Noé, Caim retorna a Nod e se reencontra pela última vez com Lilith. Lá sabe do nascimento do filho e da morte de Noah. Antes de morrer, o marido de Lilith dera à cidade o nome de seu filho: Enoch.
O último episódio do livro envolve Noé, Caim e Deus. O personagem vê a construção da arca e nela toma lugar quando acontece o dilúvio. A embarcação será o surpreendente palco da batalha final entre Caim e o criador.
Mesmo se lermos o romance como romance, a ficção como ficção, o que por si só esvaziaria qualquer discussão de ordem religiosa, não é possível deixar de perceber um interessante ponto de vista exposto no romance. Há a defesa de uma ética, de uma retidão de conduta, reveladas pela coerência de atitudes tanto do protagonista, quanto de Lilith, apesar de ambos terem uma trajetória marcada por atitudes reprováveis do ponto de vista religioso.
Muito pouco nos informa a Bíblia a respeito de Caim. Após matar o irmão, segue para o desterro. Dele só se sabe que deixou descendência a partir do filho Enoch, unido a uma mulher não nomeada.
Símbolo da mulher que age, Lilith assume no livro o lugar da esposa de Caim, mãe de Enoch. A união de ambos revela ao leitor ser possível, partindo de histórias moralmente condenáveis, manter uma dignidade que sobrepõe tais tipos de valores. A Lilith do livro de José Saramago é o que é. É digna justamente por não se envergonhar de sua natureza. Revela-se inclusive capaz de amar um homem, independentemente de seus erros.
Caim é o fratricida, autor do primeiro e terrível crime da humanidade. Por isso cumpre a pena de jamais ter pouso, de jamais poder estar em paz. Assim lemos no livro, no qual os nomes próprios são sempre grafados em minúsculas: “para caim nunca haverá alegria, caim é o que matou o irmão, caim é o que nasceu para ver o inenarrável”(p. 142).
O personagem, no entanto, guarda em si uma pureza, uma ingenuidade que lhe faz grande e forte diante de Deus:

Apesar de assassino, caim é um homem intrinsecamente honesto, os dissolutos dias vividos em contubérnio com lilith, ainda que censuráveis do ponto de vista dos preconceitos burgueses, não foram bastantes para perverter o seu inato sentido moral da existência, haja vista o corajoso enfrentamento que tem mantido com deus, embora, forçoso é dizê-lo, o senhor nem de tal se tenha apercebido até hoje, salvo se se recorda a discussão que ambos travaram diante do cadáver ainda quente de abel (p. 143).


Em seu romance de 2009, José Saramago se utiliza de recursos discursivos frequentes em seus textos. A ficção preenche lacunas de significação encontradas, nesse caso específico, pelo texto bíblico consagrado como versão oficial. Trata-se de um claro diálogo estabelecido com a Bíblia. No entanto, ao trazer Lilith para a narrativa, a discussão se amplia, pois coloca em pauta a validade de outras versões de histórias que sempre circularam no seio da cultura ocidental.
A representação imaginativa do cotidiano dos primeiros tempos bíblicos é outro procedimento que assemelha a presente obra a tantas outras, também de sua autoria. Da mesma forma, as personagens Lilith e Eva se apresentam como forças femininas, comparáveis a tantas outras criadas pelo romancista português em sua extensa bibliografia.
Por fim, merece destaque a presença de um narrador cuja voz nitidamente ecoa do presente, fazendo o leitor não se esquecer de que o texto lido tem autoria definida e não representa uma verdade dos fatos. É o que ocorre no trecho:

Que eles não disseram aquelas palavras, é mais do que óbvio, mas as dúvidas, as suspeitas, as perplexidades, os avanços e recuos da argumentação, estiveram lá. O que fizemos foi simplesmente passar ao português corrente o duplo e para nós irresolúvel mistério da linguagem e do pensamento daquele tempo. Se o resultado é coerente agora, também o seria na altura porque, ao final, almocreves somos e pela estrada andamos. Todos, tanto os sábios como os ignorantes (p. 47).


Em suma, vemos em Caim o autor de sempre: inteligente, cáustico, irredutível em suas convicções éticas. O que de passional pode haver nas discussões a respeito do romance são fruto certamente da escrita apaixonada e apaixonante de José Saramago.


Referências:

Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Paulus, 2002.

SARAMAGO, José. Caim. São Paulo, Cia das Letras, 2009.

Postado por Cláudio Capuano às terça-feira, março 22, 2011"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

"Um ensaio itinerante para ler José Saramago - paisagens", de Pedro Fernandes (Revista 7faces)

Um ensaio itinerante para ler José Saramago - paisagens, de Pedro Fernandes de Oliveira Neto (encarte para a edição especial Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago)

Aqui, o link para consulta, em http://www.revistasetefaces.com/2012/07/blog-post_22.html



Género
Ensaio

Capa
Pedro Fernandes de Oliveira Neto

Páginas
102

Outras informações
O catálogo inclui entrevista exclusiva com o professor Horácio Costa e inéditos de José Saramago

Descrição
Não foi de heterônimos como Pessoa, que foi único em cada um dos vários, mas disse ser a soma de todas as suas personagens. Não alçou a qualidade de Super-Camões, como Pessoa ao encontrar Portugal para encontrar a língua, Mensagem, mas sucede e ladeia Camões, e sucede e ladeia Pessoa, como escritor, que se sentiu responsável pela sua língua, por pensar o destino do povo Português, lançando jangada de pedra ao mar, assumindo o posto de Ricardo Reis, a vagar por Portugal, a procurar quê de povo, a encontrar quê de gente, ao enxergar todos cegos, e entregar a uma mulher, a mulher do médico, olhos para vê o que não se via e coragem, coragem de um povo que levantado do chão, cumpre o seu destino de ser filho, e filho, pai, de pai, avô, numa ciranda de povo, que se é continuidade e se é continuísmo, como foi continuidade e continuísmo de um avô analfabeto e criador de porcos, fiel ao seu ofício a cumprir destino, como certo oleiro que ver recusado pelo centro a matéria de trabalho de suas mãos, mãos que também, ao correr teclas, postaram um não reescrevendo a história da presença moura em Lisboa, postando imagens, certo de que, se pintura, há o momento em que não comporta mais pinceladas, mas se palavras, podem prolongar-se ao infinito, lição de manual, de pintura, de caligrafia, de viagem que pela geografia dos mitos, das crenças, da geografia, viagem do viajante que passeia aqui e acolá, a ermo, armado de humor, armado de ironia, por temas, e por espaços quando viajante às margens do Douro vê que a mistura das águas e o ir e vir dos peixes não responde a fronteiras, fronteiras que pode haver entre si e si mesmo, quando duplicado, cópia de si mesmo, no tempo que viu todas as reproduções desfazer o insubstituível, e que não calou caderno porque nele expôs pensamentos acerca das pessoas e das coisas pelos anos, observador de Lanzarote, que antes de lá está e por razão de lá ir, contou de Cristo e o Evangelho, e na barca presenciou entre o Deus pai e o Cristo filho a conversa de todos os tempos enquanto Caim viajava tempos por sina e imposição deste mesmo Deus, pois este nome, José, de este também outro nome, Saramago, que fez da escrita, da devoção à língua, do senso de ser português, e de ser português, ser Camões, ser Pessoa, ser Portugal, que cumpriu seu destino de achar o mundo em caravelas, procurou levar Portugal a cumprir seu destino pela língua em palavras, fiou ser estes todos os nomes.

Gustavo Leite Sobral

"Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago" de Pedro Fernandes (Revista 7faces)

7faces - Caderno-revista de poesia . Edição especial. Julho de 2011. "Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago".

Aqui, o link, em http://www.revistasetefaces.com/2012/07/7faces-caderno-revista-de-poesia_22.html

Organização
Pedro Fernandes de Oliveira Neto

Projeto gráfico, editoração eletrônica e diagramação
Pedro Fernandes de Oliveira Neto

Conselho editorial para esta edição
Profa. Dra. Aurora Gedra R. Alvarez (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Prof. Dr. Carlos Reis (Universidade Aberta de Lisboa), Profa. Dra. Conceição Flores (UnP), Prof. Dr. José Rodrigues de Paiva (UFPE), Prof. Dr. Gerson Luiz Roani (UFU), Profa. Dra. Maria Edileuza da Costa (UERN), Prof. Dr. Márcio de Lima Dantas (UFRN), Prof. Dr. Márcio Muniz (UFFS), Prof. Dr. Miguel Alberto Koleff (Universidad Católica de Córdoba)

Páginas
232

Formato
edição eletrônica

Autores desta edição
Carlos Reis, Fernando J. B. Martinho, José Rodrigues de Paiva, Sandra Ferreira, Jorge Valentim, Lucas Antunes Oliveira, Rosidelma Pereira Fraga, Maria Elena Legaz, Hilda Orquídea Hartmann Lontra, Elielson Antônio Sgarbi, Luciana Stegagno Picchio, Soares Feitosa, José Saramago, Horácio Costa


Encarte
Encartado a esta edição foi publicado o ensaio "Um ensaio itinerante para ler José Saramago - paisagens", de Pedro Fernandes de Oliveira Neto.



Descrição
Depois de publicado Terra do pecado, em 1947, seu primeiro romance, José Saramago passaria um intervalo de quase vinte anos sem publicar nenhum outro livro. O que não quer dizer que o escritor durante todo esse tempo não tenha escrito. Do contrário. Inéditos expostos em A consistência dos sonhos, exposição organizada pelo curador espanhol Fernando Gómez Aguilera, deu contas de que nesse período Saramago foi tão polígrafo quanto no período no qual se consagra escritor. Esboço de poemas, contos, romances inacabados, resenhas, crônicas, peças de teatro, enfim, uma leva de materiais escritos que dão contas de um Saramago que buscava, em todos os territórios da escrita, um lugar próprio. E o encontrou. Tardiamente, como romancista. Mais precisamente em 1980, com o romance Levantado do chão. Antes, porém, depois do longo verão das publicações, a 'reestreia' se dá em 1966, e vem através de um gênero no qual o autor nunca será reconhecido pelo tal: a poesia.Entretanto, da extensa obra deixada por José Saramago que temos conhecimento, convém sublinhar que, também a poesia, se constitui num naco significativo no âmbito do conjunto completo da sua produção literária. Para efeito, citem-se: Os poemas possíveis - o referido livro de 'reestreia' literária do escritor, publicado naquela que, à época, foi a mais importante coleção de poesia portuguesa, a coleção Poetas de Hoje;Provavelmente alegria, em 1970; e O ano de 1993, publicado em 1975, que é o que podemos chamar de sua assinatura oficial ao fim da produção no gênero. Fruto de uma “fabricação poética” (para usar os termos do próprio escritor em entrevista a Carlos Reis, 1998), todo esse material seria revisto mais tarde por Saramago e republicado não só com um certo número de rasuras, mas também com um certo número de emendas. Entendendo que, antes de ser espaço-prólogo de escrita, isto é, de ensaio para composição da obra que se estende pós-poesia, a obra poética de José Saramago tem, coerentemente, um significado para o quadro da poesia portuguesa contemporânea e, consequentemente, na produção literária do escritor. Trata-se, no entanto, de uma das zonas de criação do escritor menos explorada ou pelo menos ainda não estudada com profundidade, seja pela crítica brasileira, seja pela crítica estrangeira. A concepção e a elaboração desse número especial do Caderno-revista 7faces pretende chamar atenção para esta parte da obra de José Saramago e pretende ser um espaço para um diálogo acerca desse material poético do escritor português e recebe textos que, no seu âmbito, se propõem a discutir a poesia e aspectos concernentes à poesia do escritor. A ideia dessa edição nasce ainda em junho de 2010. Ao longo desse período uma série de ações foi realizada, dentre as quais, cito a inauguração do espaço Um caderno para Saramago, a realização do concurso Uma página para Saramago, a realização dos cursos Um universo de José Saramago - paisagens e Diagnósticos do presente em José Saramago, Chico Buarque e Jorge Reis-Sá. Esta edição que o leitor tem agora em mãos é, pois, fruto de um esforço de longa data e coletivo e, antes de ser um trabalho de leitura para uma face menos escura da literatura saramaguiana, uma homenagem que tem por interesse perpetuar uma obra que foi e é um acontecimento relevante para o universo das literaturas em expressão portuguesa.

Pedro Fernandes
caderno-revista 7faces

Aqui, o link, em http://www.revistasetefaces.com/2012/07/7faces-caderno-revista-de-poesia_22.html


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Site LiteraturaBR dá destaque à "Revista de Estudos Saramaguianos"

O site "Literatura BR", dá um amplo destaque à "Revista de Estudos Saramaguianos", apresentada no passado dia 15 de Novembro de 2014, na sede da Fundação José Saramago, num evento com palestra de Pedro Fernandes e Carlos Reis

Aqui o link, do destaque dado pela Fundação José Saramago, em http://www.josesaramago.org/nasce-revista-academica-de-estudos-saramaguianos/


"O que é a REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS

É notável que desde o final dos anos 1980 a produção acadêmica em torno da obra de José Saramago, até então quase inexistente, tem se avolumado numa proporção sem limite calculável. Entretanto, uma rápida busca nos arquivos de universidades, em revistas acadêmicas, em eventos organizados, nos coloca sempre diante de uma quantidade surpreende de estudos e abordagens diversos.

A REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS quer, assim ser um espaço em torno desse interesse em manter vivo o legado construído pela literatura saramaguiana; trata-se de uma revista acadêmica, com tiragem semestral, gratuita e eletrônica cuja proposta é a publicação de ensaios, documentos e recensões críticas que tenham como escopo a obra de José Saramago. Seu objetivo é o de fortalecer os estudos, intercambiar pesquisas e dar a conhecer as diversas possibilidades de leituras em torno da obra do escritor português.

A primeira edição teve uma tiragem impressa pela Editora Patuá apresentada em dois volumes distintos: um em língua portuguesa e outro em língua espanhola, as duas línguas em que circularão os textos publicados na revista.

A parceria editorial é dada entre investigadores da obra de José Saramago de Brasil, representado pelo professor Pedro Fernandes (mentor da ideia), Argentina, pelo professor Miguel Koleff e Portugal, pela Fundação José Saramago.


De onde vem a ideia de sua criação

A ideia não nasceu ao acaso e nem se construiu sozinha. Ela é esforço de uma coletividade. A proposta que começou a ser costurada pelo professor Pedro Fernandes na noite de vigília quando lhe veio, de fato, a consciência da partida Saramago naquele 18 de junho de 2010 e lembra ser este também um produto do “que assumiu de si para com os livros do escritor português que estavam à sua frente naquela ocasião”; “a profissão de fé”, segundo ele próprio chama foi “baseada tarefa de todo crítico, que é a de dar a conhecer, pela via mais simples, o esforço de outros homens cujo desejo é sempre o de dizer sobre eles e o mundo onde estão”.

Ele e Miguel Koleff, editores da ideia, compreendem e desenvolvem no texto de apresentação da primeira edição para a REVISTA DE ESTUDOS SARAMAGUIANOS que “a tarefa de todo estudioso da literatura é irmanar-se com a obra não para catar louros de glória, mas para continuar a exercer as revisões sempre necessárias, hoje mais que sempre, de um extenso, ardoroso e mais complexo itinerário, o de humanização – esse que vimos construindo entre erros e acertos desde quando assumimos a consciência sobre o mundo e demos por inaugurado o império da razão”.

Pedro Fernandes é pesquisador da obra de José Saramago desde o curso de Licenciatura em Letras, quando conheceu o trabalho do escritor português através da leitura de O evangelho segundo Jesus Cristo. Tem quase oito anos que se dedica a investigação da literatura saramaguiana. Autor da ideia confessou-a ao professor Miguel Koleff, também há muito um leitor e dedicado estudioso da obra de Saramago, com organização de trabalhos de ampla significação para a fortuna crítica do escritor como o Diccionario de Personajes Saramguianos e a coleção Apuntes Saramaguianos a partir de um grupo de pesquisa dedicado à obra do Prêmio Nobel. Juntos, a ideia foi levada ao encontro de Pilar del Río, quem, desde que tomou contato mais concreto com a proposta, em novembro de 2013, se manteve atenta ao andamento da edição ora publicada e abriu, como presidenta da Fundação José Saramago,  todo apoio com tudo que estivesse ao seu alcance.

Dados sobre a primeira edição

A REVISTA teve uma primeira apresentação no âmbito de abertura pelas celebrações do Dia do Desassossego, data pensada pela Fundação José Saramago, que este ano integra a lembrança pelo 92º aniversário do escritor. A edição reúne ensaios de pesquisadores de Brasil, Portugal e Argentina. Cada autor, à sua maneira, abre-se para algum elemento da obra literária saramaguiana, de modo a elucidar o itinerário multifacetado como é o da literatura de Saramago. Aí estão textos de Ana Paula Arnaut, Carlos Reis, Teresa Cristina Cerdeira, Conceição Flores,
Fabiana Takahashi, Salma Ferraz, Miguel Koleff, Maria Victoria Ferrara,
Pedro Fernandes e Lílian Lopondo.

Boa parte dos nomes que escrevem para esta primeira edição integra como corpo científico para a REVISTA composto ainda por professores e pesquisadores de várias instituições brasileiras, portuguesas e estrangeiras (conforme se pode ler no próximo item). Esta edição, portanto, apresenta-se com nomes de convidados, a demarcarem um ponto de partida. A edição por vir deverá manter essa estrutura até que o periódico ganhe a projeção para a recepção voluntária de ensaios e recensões críticas.

Os dois volumes reúnem ainda imagens de José Saramago do período de escrita de Claraboia, fac-similar de páginas de Claraboia e de materiais para a escrita de O ano da morte de Ricardo Reis. O volume em língua portuguesa, além desses arquivos, recebe um conjunto inédito de telas da exposição “O feminino na escrita de José Saramago”, produzida pela artista plástica Lena Gal a partir da obra de Saramago e do livro de Pedro Fernandes, Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago.

Informações

Site: http://www.estudossaramaguianos.com/
Facebook: https://www.facebook.com/saramaguianos/
Twitter: @saramaguianos

http://www.literaturabr.com/2014/12/revista-de-estudos-saramaguianos.html