Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Castelo de São Jorge (Lisboa) - Programa de "Leituras de Inverno"


"História do Cerco de Lisboa" de José Saramago
4/11/2018 - 2/12/2018 - 6/01/2019 - 3/02/2019 (16 horas)
Castelo de São Jorge - Lisboa 
Informações e contactos em http://castelodesaojorge.pt/pt/






terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Apresentação pública da "Rota do Memorial do Convento" (FJS - 11/12/2017)




Assinalamos a apresentação do projecto "Rota do Memorial do Convento" iniciativa cultural que pretende através da identificação de lugares e imagens recriadas por José Saramago na obra que dá suporte à iniciativa, promover não só a dinâmica e vida literária do Memorial - já com 35 anos da data da sua publicação -, como identificar o património histórico e arquitectónico que se estende aos três municípios aderentes à iniciativa - Lisboa, Loures e Mafra. 



Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago na apresentação deste programa a desenvolver em 2018, recordava aquilo que considera o momento que permitiu a José Saramago abraçar este caminho de produção literária, a realização do livro "Viagem a Portugal" (1981). 
Aqui terá sido o momento impulsionador! 


Com a apresentação de mais dados e novidades sobre este circuito literário, iremos aqui dando mais informações e dicas de passagens referentes aos lugares identificados.




sábado, 9 de dezembro de 2017

Apresentação Pública da "Rota do Memorial do Convento" apresentação pública na Fundação José Saramago (11/12)


Informação via Fundação José Saramago aqui
em https://www.josesaramago.org/11-12-apresentacao-publica-da-rota-do-memorial-do-convento/

"Na segunda-feira (11), às 11h30, na sede da Fundação José Saramago, será apresentada a Rota do Memorial do Convento, iniciativa conjunta das Câmaras Municipais de Lisboa, Loures e Mafra. A criação desta rota tem como objetivo “valorizar a notoriedade e a atratividade dos recursos patrimoniais e culturais dos concelhos e dos sítios onde os monumentos históricos e arquitetónicos classificados se localizam” e “criar uma oferta de novos nichos de turismo de cultura, com enfoque na componente literária”.

A apresentação da Rota está inserida na comemoração dos 19 anos da entrega do Prémio Nobel de Literatura a José Saramago."
Via "Observador", aqui
"O romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, publicado em 1982, inspira uma rota cultural a estabelecer por Lisboa, Loures e Mafra, “resgatando importantes elementos do património religioso, estético e turístico”, anunciou a organização.

“Pela primeira vez em Portugal, um livro dá origem a uma rota cultural, abarcando três municípios”, afirma a organização, em comunicado enviado à agência Lusa, referindo que este itinerário literário envolve as personagens do romance, nomeadamente os protagonistas, Blimunda e Baltasar, “o sonho utópico de voar de Bartolomeu de Gusmão e a devoção à música de Domenico Scarlatti, fazendo o passado histórico ganhar vida no presente”.

A Rota Memorial do Convento segue a narrativa de Saramago, que se torna um “ponto literário aglutinador de momentos e monumentos históricos e paisagísticos do século XVIII, entre Lisboa e Mafra, passando por Loures”, unindo “pontos de interesse patrimonial situados em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Unhos, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Malveira, Mafra e Cheleiros”.

O percurso, assinala a organização, cruza a rota da pedra e a dos materiais estéticos e religiosos de Lisboa para o Convento de Mafra, assinalando outros pontos históricos dos três concelhos, como o miradouro sobre o rio Trancão, o Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, a igreja de Alcainça e o seu portal gótico, ou o passado histórico de Cheleiros, cuja produção vinícola foi famosa até ao século XIX.

A criação da rota celebra os 35 anos da publicação do “Memorial do Convento”, um “romance que revolucionou a literatura portuguesa” na época (1982), e homenageia José Saramago, único escritor de Língua Portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1998).

A Rota do Memorial do Convento é apresentada como “um projeto intermunicipal”, envolvendo Lisboa, Loures e Mafra, em que um dos parceiros estratégicos é a Fundação José Saramago. O projeto enquadra-se no Programa Operacional Regional de Lisboa 2014/2020, tendo um financiamento total de 392.397,20 euros, parcelado pelos três municípios: Lisboa, com a contribuição mais baixa, 41.272,94 euros, Loures, com 179.592,69 euros, e Mafra, com 171.531,57 euros.

A Rota segue através de bens imóveis classificados, da Praça do Comércio à Casa dos Bicos/Fundação José Saramago, em Lisboa, passa pelo Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures, e pelo Palácio e Convento de Mafra.

O percurso previsto é o seguinte: em Lisboa, praça da Figueira e praça do Comércio, Casa dos Bicos, na rua dos Bacalhoeiros.

Em Loures, passa pela Biblioteca Municipal Ary dos Santos, onde está instalado um ponto de informação sobre a rota, pelo Miradouro sobre o Rio Trancão, em Sacavém, a Igreja de Unhos, o Centro de Acolhimento da Rota Memorial do Convento, no Museu Municipal de Loures, a Quinta do Conventinho, em Santo António dos Cavaleiros, o Centro de Acolhimento Turístico e Interpretativo da Rota Memorial do Convento, na Biblioteca Municipal José Saramago, na cidade de Loures, a praça Monumental, em Santo Antão do Tojal, e os largos do Coreto, em Fanhões, da Feira, na Malveira, e a Igreja de São Miguel, em Alcainça.

Em Mafra, a rota abarca a capela do Espírito Santo, Palácio Nacional, Miradouro de Vila da Velha, antigas Casas da Câmara e Pelourinho de Mafra e, finalmente, em Cheleiros, o largo da Igreja Matriz.

O estabelecimento da Rota prevê, com a coordenação do escritor Miguel Real, a produção de conteúdos de interpretação em suporte digital, multimédia (‘website’ e aplicativo móvel, ‘APP’) e, em papel, ações de ‘marketing’ turístico-cultural, realização de eventos de caráter internacional e diversas iniciativas de divulgação e promoção de índole técnico-científica.

Está previsto a colocação de sinalética explicativa nos pontos de interesse nos três concelhos, bem como o desenvolvimento de “cinco ações, dirigidas a diferentes tipos de público”, para a divulgação da Rota, designadamente no Congresso Internacional sobre a Obra de Saramago e no Festival Internacional de Música Barroca.

O itinerário pode começar ou terminar na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, em frente à qual foi plantada a oliveira trazida de Azinhaga do Ribatejo, terra natal do escritor, cujas raízes acolhem as suas cinzas.

A rota terá uma apresentação pública, na segunda-feira, na Fundação José Saramago, em Lisboa."

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Querida, maltratada Lisboa" Crónica de José Saramago sobre o incêndio no Chiado, publicada no El País (27/08/1988)

(Recortes de imprensa)

A presente crónica foi publicada em 28/08/1988 e pode ser consultada aqui, via jonal El Páis
em http://elpais.com/diario/1988/08/27/opinion/588636007_850215.html

Pode ser consultada e lida, na obra "Folhas Políticas - 1976/1998", que reúne crónicas publicadas em diversos orgãos de comunicação social.
A presente crónica, páginas 175 a 178, aborda a destruição do Chiado (Lisboa), seu planeamento e reconstrução.

"En Lisboa, hasta un, ciego sabía que el día en que hubiese un incendio en la Rua do Carmo el resultado sería una catástrofe. Hubo un incendio y tuvimos la catástrofe. La incompetencia y la irresponsabilidad, de las que hablaremos más adelante, tuvieron su premio. Y de los muchos que protestaron en vano contra las modificaciones estructurales operadas hace años en el local, hoy podemos decir que fueron buenos profetas en su tierra: desgraciadamente, todos acertaron.No es hora de hacer ejercicios literarios. Sería incluso del peor mal gusto, además de inútil, traer a esta página los tópicos habituales, los lugares comunes con los que generalmente estamos tentados de adornar los cataclismos: basta, pues, de espectáculo dantesco, basta de llamas amenazantes, basta de enormes cráteres, basta de Vesubios. Destrucción y muerte son compañeras habituales de la especie humana, y hoy las imágenes de horror pueden llegar a través de la Prensa y de la televisión, hasta los más pacíficos e idílicos lugares del mundo. Incluso sin haber sufrido ninguna experiencia directa, sabemos lo que es una ciudad bombardeada, un deslizamiento de tierra, un desastre nuclear, una inundación de grandes superficies. El lector no precisa imaginar mucho: el área destruida por el incendio (probablemente cerca de 15.000 metros cuadrados) es la imagen de un bombardeo. Los dos brazos laterales de la T formada por las calles Do Carmo, Nova do Almada y Garrett desaparecerán casi totalmente. La propia Rua Garrett quedó con las dos primeras manzanas (de uno y otro lado) destruidas. Hay en Lisboa, por cierto, lugares más bellos, pero era en éste donde Lisboa se encontraba a sí misma, era éste, por excelencia, el sitio buscado por los visitantes, extranjeros o nativos: el Chiado. Y el Chiado está muerto.

¿Resurgirá? Claro que sí, y rápidamente. No sólo por razones políticas, estéticas y culturales, sino también por obvias razones materiales, si pensamos en el valor que habrá adquirido cada uno de esos metros cuadrados. Tal vez las generaciones futuras lleguen a querer tanto lo que vaya a ser construido allí como nosotros quisimos aquellos viejos edificios, pero lo que definitivamente ardió con las llamas fue lo que no es material: una atmósfera, un estilo de vida, un modo de estar en la ciudad. Que no se entienda de estas palabras, por favor, que me estoy compla ciendo en añoranzas estériles Si la Lisboa que el terremoto destruyó en 1755 hubiese llegado hasta hoy, la amaríamos como amamos ésta en que nos tocó vivir. Y porque el hábito puede mucho, la Lisboa de mañana no será menos amada que ésta.

Pero ahora la herida está abierta, las ruinas aún humean, hay millares de personas sin casa y sin trabajo. ¿Quién es culpable de todo esto? No faltarán explicaciones: junto al siempre culpable cortocircuito, a la siempre criminal colilla, ya se habla también de un más justificadamente culpable y criminal fuego intencionado. No hay pruebas, es solamente la voz popular que lo proclama, considerando antecedentes cercanos que implican a uno de los propietarios de los almacenes Grandella, precisamente donde comenzó el fuego. A su debido tiempo, y puesta en marcha la justicia, lo sabremos.

Sin embargo, los culpables no son sólo aquellos que arriman el fuego a la mecha. Culpables serán también, aunque solamente en el plano moral aquellos que por imprevisión por orgullo, por terquedad, por la vanidad de hacer prevalecer su capricho sobre la voluntad general, crearon objetivamente las condiciones para que el incendio, al declararse, se extendiese como se extendió más allá de su foco inicial. En otras palabras más claras: si la Rua do Carmo no estuviese, en toda su extensión, obstruida por las construcciones que el Ayuntamiento de Lisboa mandó hacer allí (muros para crear niveles de compensación del declive de la calle, instalación de bancos y explanadas), el acceso de los bomberos habría sido incomparablemente más fácil y tal vez no estuviésemos hoy tan dramáticamente llorando esta pobre y maltratada Lisboa.

Cuando, en 1755, el terremoto arrasó toda la parte baja de la ciudad, a la pregunta sobre lo que debería hacerse ante la catástrofe, alguien respondió "Sepultar los muertos y cuidar de los vivos". La frase fue atribuida al marqués de Pombal, ministro entonces todopoderoso, lo que no deberá sorprendemos, pues siempre el poder encontró la manera de proferir algunas frases destinadas a la posteridad, y, si no sabe crear por propia inteligencia, recurre a la ajena, como fue el caso. Esta vez la frase célebre salió de la propia boca del presidente del Ayuntamiento de Lisboa: "Vamos a reconstruir, pero no habrá, reconstrucción sin la definición de un proyecto global, y para este proyecto escucharé a todos los interesados y a toda la gente que pueda aportar contribuciones válidas, incluyendo la Asociación de Arquitectos". (No garantizo la total fidelidad, pero las diferencias serán apenas formales, irrelevantes en cuanto al fondo de la cuestión, del cual respondo.)

Salomón, que era sabio, nunca habló tan bien. Pero el presidente del Ayuntamiento de Lisboa, ahora tan ansioso por recabar opiniones, las ignoró y despreció cuando personas y entidades colectivas competentes, incluyendo la propia Asociación de Arquitectos, tan rastreramente requerida, levantaron la voz para denunciar, además del atropello urbanístico, además del atentado contra el patrimonio de la ciudad, los riesgos que para la seguridad de toda aquella área sobrevendrían de las modificaciones de que fue entonces objeto la Rua do Carmo y ahora, radicalmente, víctima. El presidente del Ayuntamiento de Lisboa no es, evidentemente, el marqués de Pombal -que, si bien robó una frase, promovió una reconstrucción ejemplar-; sin embargo, puede entrar por la puerita grande de la historia como ejemplo perfecto y acabado dé hipocresía, realice o no su proyecto global.

La mañana del incendio, cuando trataba de aproximarme para ver con mis propios ojos la tragedia, encontré a un amigo poeta que me dijo: "Después de esto, espero que Krus Abecasis dimita". Y yo le resporidí melancólicamente: "Desengáñese, mí estimado, éste es el país donde unos no dimiten y otros; no son dimitidos".

domingo, 29 de novembro de 2015

Roteiro Literário - O Percurso Pedestre baseado na obra de José Saramago "O Ano da Morte de Ricardo Reis" - Dias do Desassossego 2015





Roteiro Literário - O Percurso Pedestre baseado na obra de José Saramago 
"O Ano da Morte de Ricardo Reis"

«"O Ano da Morte de Ricardo Reis" é um dos mais interessantes romances do Prémio Nobel, onde se cruzam personagens como Ricardo Reis, Lídia e até Fernando Pessoa. Neste passeio percorremos os locais referidos na obra e, em cada um desses locais, para alé da explicação da obra, é lido, como de costume, um excerto do romance.»

Mais informação, 
ou na página do Facebook, em https://www.facebook.com/MissLisb/?fref=ts

Contactos Directos 
Mail - geral@misslisbon.com
Morada - Praça Infante D. Duarte, n.º8, 3ºD - Infantado - 2670 - 386 Loures
Telefone - 965 458 919 / 964 601 916

Início da visita - Fundação José Saramago

 A sede da FJS - Casa dos Bicos - As janelas com a arte de José Santa-Bárbara


O Cais das Colunas
"Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheias nas lezírias. Um barco escuro sobe o fluxo soturno, é o Higland Brigade que vem atracar ao cais de Alcântara"


Praça Duque da Terceira  - Cais do Sodré - Rua Nova do Carvalho (Hotel Bragança)













"tornou o hóspede a entrar na recepção, um pouco ofegante do esforço, pega na caneta, e escreve no livro das entradas, a respeito de si mesmo, o que é necessário para que fique a saber-se quem diz ser (...) Ricardo Reis, idade quarenta e oito anos, natural do Porto, estado civil solteiro, profissão médico, ultima residência Rio de Janeiro, Brasil, donde precede, viajou pelo Highland Brigade"







Rua do Comércio
"Ricardo Reis saiu cedo do hotel, foi ao Banco Comercial cambiam algum do seu dinheiro inglês pelo escudos da pátria, pagaram-lhe por cada libra cento e dez mil réis"


Rua do Crucifixo
"Afasta-se Ricardo Reis em direcção à Rua do Crucifixo, atura a insistência de um cauteleiro que lhe quer vender um décimo para a próxima extracção da lotaria, É o mil trezentos e quarenta e nove, amanhã é que anda à roda"

Rossio (Restaurante Irmão Unidos)
"Fez um gesto na direcção da praça de táxis, tinha fome e pressa, se ainda encontraria a esta hora restaurante ou casa de pasto que lhe desse de almoço, Leve-me ao Rossio, se faz favor"

Nota Informativa (Miss Lisbon): "Os Irmãos Unidos, no Rossio, era um restaurante que pertencia ao pai de Alfredo Guisado (detalhe da placa). Aqui se reunia a geração do Orpheu, e encomendado para ele, Almada Negreiros pintou o retrato de Fernando Pessoa, em 1954, que presentemente se encontra na Casa Fernando Pessoa. Dez anos mais tarde, pintou uma réplica para a Fundação Gulbenkian. O restaurante encerrou em 1970, tendo a sua área sido ocupada pela Camisaria Moderna."

 Rua dos Sapateiros / Rua de Santa Justa
"Vai Ricardo Reis a descer a Rua dos Sapateiros quando vê Fernando Pessoa. Está parado à esquina da Rua de Santa Justa, a olhá-lo como quem espera, mas não impaciente."

A estátua de Fernando Pessoa


Praça Luís de Camões 
"Tivesse Ricardo Reis saído nessa noite e encontraria Fernando Pessoa na Praça Luís de Camões, sentado num daqueles bancos como quem vem apanhar a brisa"


Alto de Santa Catarina
 
"Ainda não são três da tarde quando chega ao Alto de Santa Catarina. As palmeiras parecem transidas pela aragem que vem do largo, mas as rígidas lanças das palmas mal se mexem. Não consegue Ricardo Reis lembrar-se se já aqui estavam estas árvores há dezasseis anos, quando partiu para o Brasil."

Estátua do Adamastor
"Foi dar a volta à estátua, ver quem era o autor, quando foi feita, a data lá está, mil novecentos e vinte e sete, Ricardo Reis tem um espírito que sempre procura encontrar simetrias irregulares do mundo, oito anos depois da minha partida para o exílio foi aqui posto o Adamastor, oito anos depois de aqui estar Adamastor regresso eu à pátria, ó pátria, chamou-me a voz dos teus egrégios avó"












sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Dias do Desassossego '15 - Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa (16 a 30 de Novembro de 2015)

(Cartaz promocional do evento - 2015)

Pode ser consultado via página oficial da Fundação José Saramago, aqui

Consulte a programação completa dos Dias do Desassossego:

16 DE NOVEMBRO
93º ANIVERSÁRIO DE JOSÉ SARAMAGO
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
SEGUNDA ÀS 11H30 E ÀS 18H30
ENTRADA LIVRE

A celebrar o aniversário de José Saramago, apresentam-se as bases da Declaração dos Deveres Humanos, a partir de proposta do autor aquando da atribuição do Prémio Nobel, em 1998, e que, desde Junho último, é objecto de debate e de construção no México por académicos e pensadores de várias partes do mundo. Nesta sessão estarão presentes os redactores ibéricos da Declaração.

A seguir, será inaugurada a exposição de fotografias de Alexandre Ermel, da rodagem do filme Blindness, de Fernando Meirelles, adaptação do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, nos 20 anos da sua publicação.

Mais tarde, às 18h30, no auditório da FJS, o grupo de teatro A Barraca apresenta um ensaio aberto de Clarabóia, o segundo romance de José Saramago. Clarabóia foi escrito em 1953 e publicado apenas após a morte do seu autor. No dia em que se cumpre mais um aniversário do nascimento de José Saramago, desvenda-se um pouco desta produção e primeira adaptação do romance.

Ao longo de todo o dia, as portas estão abertas e a entrada é livre na Fundação José Saramago.

DECLARAÇÃO DOS DEVERES HUMANOS
ÀS 11H30

EXPOSIÇÃO: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
DE ALEXANDRE ERMEL
ÀS 11H30

CLARABOIA – GRUPO DE TEATRO A BARRACA (ENSAIO ABERTO)
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
ÀS 18H30

30 DE NOVEMBRO
80 ANOS DA MORTE DE FERNANDO PESSOA
TEATRO SÃO LUIZ E TEATRO DO BAIRRO ALTO (CORNUCÓPIA)
SEGUNDA ÀS 19H00 E ÀS 21H30
PREÇÁRIO €5 (CADA)

A 30 de Novembro de 1935 Pessoa morre em Lisboa, no Hospital de São Luís dos Franceses, com uma crise de pancreatite aguda. No dia anterior escrevera, mistério ou acaso, aquelas que foram as suas últimas palavras: “I know not what tomorrow will bring”. Passam 80 anos dessa data e, para recapitular e ouvir estas oito décadas, a Casa Fernando Pessoa apresenta um programa de memória e escrita, recriação e leitura. João Grosso retoma a sua elogiada interpretação de Ode Marítima de Álvaro de Campos, peça-chave na engrenagem da centenária Orpheu 2 – Teatro São Luiz, às 19 horas. De seguida, às 21h30, na Cornucópia, Luís Miguel Cintra chama três actores para com ele apresentarem A nossa natural angústia de pensar: Fernando Pessoa e as marcas que deixou na poesia portuguesa, um recital encenado por Luis Miguel Cintra com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz

Ao longo de todo o dia, a Casa Fernando Pessoa tem as portas abertas para entrada livre. Às 15 horas oferece uma visita guiada aos que vierem partilhar connosco esta data.

ODE MARÍTIMA
JOÃO GROSSO
SLTM
ÀS 19H00

Encenação e interpretação de João Grosso

A NOSSA NATURAL ANGÚSTIA DE PENSAR:
FERNANDO PESSOA E AS MARCAS QUE DEIXOU NA POESIA PORTUGUESA
TEATRO DO BAIRRO ALTO/TEATRO DA CORNUCÓPIA
ÀS 21H30

Encenação de Luis Miguel Cintra com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz

18 DE NOVEMBRO – CONCERTO
MÁRIO LAGINHA TRIO
A BIBLIOTECA DOS MÚSICOS
CENTRO CULTURAL DE BELÉM – PEQUENO AUDITÓRIO
QUARTA ÀS 21H00
PREÇÁRIO €7,5

Em A Biblioteca dos Músicos o Mário Laginha Trio revisita leituras para fazer um concerto de temas dedicados a grandes romances e autores, personagens que não se esquecem, poemas que se sabem de cor.
Nesta passagem das páginas à música, vamos conhecer as bibliotecas e as referências pessoais de Mário Laginha (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria).

Em estreia, duas peças inéditas dedicadas a José Saramago e a Fernando Pessoa.

19, 20 E 21 DE NOVEMBRO – FILMES
INADAPTAÇÕES: FILMES COM LIVROS
CINEMA MONUMENTAL, SALAS 3 E 4
PREÇÁRIO €5

Filmes com livros dentro, filmes sobre livros, filmes desassossegados pela literatura: um ciclo sobre os modos de inscrição da escrita e da leitura no cinema, e sobre os diálogos possíveis (além da adaptação) entre ideias de cinema e ideias de literatura, em colaboração com o projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema*, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.
Escolhas e apresentações de Pedro Mexia, Tiago Baptista, Osvaldo Silvestre e Mário Jorge Torres.

Por Pedro Mexia
A SERIOUS MAN / UM HOMEM SÉRIO
DE ETHAN COEN E JOEL COEN
QUINTA ÀS 21H30

Por Tiago Baptista
JUVENTUDE EM MARCHA
DE PEDRO COSTA
SEXTA ÀS 21H30

Por Osvaldo Silvestre
IN THE MOUTH OF MADNESS / A BÍBLIA DE SATANÁS
DE J. CARPENTER
SÁBADO ÀS 19H00

Por Mário Jorge Torres
ALL THAT HEAVEN ALLOWS / O QUE O CÉU PERMITE
DE DOUGLAS SIRK
SÁBADO ÀS 21H30

*O projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema (PTDC/CLE-LLI/120211/2010) é um projecto do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.

20 E 27 DE NOVEMBRO – MESAS – REDONDAS
SE A LITERATURA SALVA?
PEDRO SANTOS GUERREIRO E LUÍS CAETANO

“Se a literatura salva? Não, não salva. Mas se ela se extinguir, extingue-se tudo.” Hélia Correia

Luís Caetano (Antena 2) e Pedro Santos Guerreiro (Expresso) convidam para uma conversa sobre literatura e experiências de leitura pessoas para quem os livros – seus autores, imaginários, poéticas, personagens – são parte importante, vasta e fundamental do seu trabalho ou pensamento. Que livros fizeram estes leitores?

TIAGO RODRIGUES E ANTÓNIO MEGA FERREIRA
COM PEDRO SANTOS GUERREIRO
DIA 20, SEXTA, NA FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
ÀS 18H30

LABORINHO LÚCIO E GABRIELA CANAVILHAS
COM LUÍS CAETANO
DIA 27, SEXTA, NA CASA FERNANDO PESSOA
ÀS 18H30

21 E 28 DE NOVEMBRO – NA CIDADE
PASSEIOS LITERÁRIOS
PERCURSOS ENTRE A FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO E A CASA FERNANDO PESSOA
DURAÇÃO 180’ APROX.
PREÇÁRIO 10€
MARCAÇÕES: geral@misslisbon.com (LOTAÇÃO LIMITADA)

Para os dois sábados propomos passeios por Lisboa à procura de sinais e vestígios deixados pelos escritores nos seus celebrados textos. Pessoa e Saramago motivam estes percursos que servem de ponte entre as duas casas de autor da cidade.

A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
SÁBADO, DIA 21 ÀS 10H00
PONTO DE ENCONTRO: LARGO DO SÃO CARLOS

Neste percurso, convidamo-lo a conhecer a Lisboa de Fernando Pessoa, passando pelos locais da cidade que marcaram a sua vida e obra. Percorremos as ruas, os cafés, as paisagens e alguns locais onde habitou, ao som da sua poesia.

O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS
SÁBADO, DIA 28 ÀS 14H00
PONTO DE ENCONTRO: FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO

Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, cruzam-se Ricardo Reis, Lídia e Fernando Pessoa. Neste passeio revisitamos os locais referidos na obra, pontuando-os com a leitura de excertos do romance.

27 DE NOVEMBRO – MÚSICA E POESIA
A VOZ DOS LIVROS
MUSICBOX
SEXTA
PREÇÁRIO €7,5

BRUTA / DOUTOR TRISTEZA
MIA SOAVE
ÀS 23H00

Lançamento do CD e livro Bruta/ Doutor Tristeza. Bruta/ Doutor Tristeza junta a antologia Doutor Tristeza (organizada e prefaciada por Henrique Manuel Bento Fialho) “do decadente poeta brasileiro Augusto dos Anjos (1884 – 1914), primo em doidice dos poetas interpretados por Ana Deus e Nicolas Tricot com Bruta (CD), canções feitas a partir de textos de poetas internados em hospitais psiquiátricos, e outros mais ou menos delirantes, como Ângelo de Lima, Stela do Patrocínio, António Gancho, Mário de Sá Carneiro, Sylvia Plath, António Joaquim Lança e António Maria Lisboa.”
Com Ana Deus voz e Nicolas Tricot voz, guitarra, baixo, banjo, flauta e manipulação de objectos

POLITICAMENTE SUSPEITO
RUI HERMENEGILDO E RICARDO HENRIQUES
ÀS 00H30

É do livro de Thomas Mann, A Montanha Mágica, que nasce o projecto de curadoria musical de Rui Hermenegildo (DJ) e de Ricardo Henriques (autor) cujo ponto de partida é o confronto aí expresso: a música como alienação, a palavra como veículo para a sublimação.

Ao longo dos tempos, a música foi sendo incorporada em diferentes manifestações artísticas, algumas das quais também se apropriavam da literatura, de que a ópera e o cinema constituem, porventura, os exemplos mais significativos. Politicamente suspeito experimenta uma outra união entre a música e a literatura: o resultado será uma obra improvisada em que uma história é contada com recurso a uma selecção de músicas que convocam o sentido de um texto escrito em tempo real.

Se devemos suspeitar da música, chamemos também as palavras para nos libertarmos.

29 DE NOVEMBRO – LEITURAS
A ALMA INQUIETA
LARGO DE SÃO CARLOS
DOMINGO ÀS 17H00
DURAÇÃO 80’ APROX.

Uma viagem literária pelo desassossego, partindo d’O sentimento dum ocidental de Cesário Verde e convocando autores como Almeida Garrett, Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Antonio Tabucchi, Fernando Pessoa, José Saramago.

Leituras de Carla Bolito, Maria João Vicente, Marcello Urgeghe, Miguel Loureiro e Paulo Pinto, concepção de Carla Bolito, Marcello Urgeghe e António Mega Ferreira

O DESASSOSSEGO EM COLECTIVO: A LITERATURA NO ESPAÇO PÚBLICO

Dentro das duas semanas abrangidas pelos Dias do Desassossego, há três programas que irão desenvolver-se com uma dinâmica particular em termos de tempo e público. Têm outra temporalidade, são trabalhos em curso e em crescendo, e prevêem uma relação de maior proximidade com os grupos com os quais vão ser postos em prática: uma experiência de colectivo. Chegando ao final todos reivindicam o mesmo: que a literatura saia à rua.

OFICINA DO DESASSOSSEGO

Os Serviços Educativos da Casa Fernando Pessoa e da Fundação Saramago conceberam em conjunto uma nova oficina para alunos do 10º, 11º e 12º anos, que funcionará na Escola Secundária Pedro Nunes, na Escola Básica e Secundária Gil Vicente e na Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico Rainha Dona Amélia.

Na Oficina do Desassossego são trabalhados em aula textos de Pessoa e Saramago, através de excertos escolhidos a partir de temas como a identidade, a morte, o amor, a política e a contestação.

Saindo da escola, os alunos irão ler e dizer esses textos a quem passa, a quem se interroga e a quem se deixa desassossegar. Estrela, Santa Apolónia e Alto de Santo Amaro serão as zonas em desassossego.

DESASSOSSEGO SUSSURADO
MIGUEL HORTA COM HOSPITAL JÚLIO DE MATOS

Concretizando uma ideia de inclusão, o mediador de leitura Miguel Horta trabalhará durante três dias com um grupo de utentes do Hospital Júlio de Matos, numa oficina de construção poética. A Máquina da Poesia, metodologia de escrita imaginativa, vai culminar num momento de partilha com a cidade recorrendo a sofisticados sussurradores, para dizer baixinho e a quem passa os poemas que criaram.

No Sábado, dia 28, uma outra oficina será aberta a todos os que queiram viver os dois momentos, o da criação de textos (manhã) e o da saída para rua (tarde), momento de partilha entre os dois grupos e a cidade.

DESASSOSSEGO SUSSURADO
OFICINA ABERTA
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
DIA 28, SÁBADO, DAS 10H00 ÀS 12H30
ENTRADA LIVRE MEDIANTE MARCAÇÃO (secretaria@josesaramago.org)

PESSOA E SARAMAGO NAS RUAS DE LISBOA
GAU – GALERIA DE ARTE URBANA

Fernando Pessoa e José Saramago fizeram de Lisboa cenário dos seus livros, pelas suas ruas passearam personagens, alimentando inquietações e construindo histórias. Para homenagear os dois escritores, e em parceria com a Galeria de Arte Urbana da CML, convidámos artistas para realizarem num local da cidade um trabalho que tem como ponto de partida os livros, Pessoa e Saramago. O processo de produção poderá ser acompanhado ao longo dos Dias do Desassossego, desvendando no final uma nova peça de arte urbana que, como todas, durará o tempo da efemeridade.

PARCEIROS DE PROGRAMAÇÃO:

A BARRACA
SLTM
TEATRO DO BAIRRO ALTO/CORNUCÓPIA
FALSO MOVIMENTO: ESTUDOS SOBRE ESCRITA E CINEMA
MEDEIA MONUMENTAL
MISS LISBON
MUSICBOX/CTLISBON
MIA SOAVE
TNSC
ABBC
GAU – GALERIA DE ARTE URBANA
CCB
HOSPITAL JÚLIO DE MATOS
PORTO EDITORA

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Levantado do Chão" Palavras de José Saramago quando recebeu o Prémio Cidade de Lisboa (1982)



Via página da Fundação José Saramago, no seu espaço "Memória", a propósito dos 35 anos do lançamento da obra "Levantado do Chão", aqui em

"Palavras de José Saramago ao receber o Prémio Cidade de Lisboa

Em Junho de 1982, José Saramago recebeu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa o “Prémio Cidade de Lisboa”, galardão que lhe foi atribuído pela obra “Levantado do Chão”. A seguir o discurso proferido pelo escritor na altura."


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Saramago olhando Lisboa - Fotografia de Kim Manresa

(Saramago olhando Lisboa - Fotografia de Kim Manresa) 

"Otros autores que Manresa recuerda con aprecio, son José Saramago y Doris Lessing. “Saramago nos dijo que aceptaba las fotografías siempre y cuando él hiciera su vida normal y nosotros como si no existiéramos y  lo acompañamos a un reunión del Partido Comunista y a una reunión familiar”, expresó"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Exposição “Lanzarote, a janela de Saramago” em Sevilha



Informação e detalhes, via página da Fundação José Saramago, 
em http://www.josesaramago.org/exposicao-lanzarote-janela-de-saramago-em-sevilha/

"Após ser exibida em Lanzarote, Lisboa e Barcelona, a exposição “Lanzarote, a janela de Saramago”, do fotógrafo português João Francisco Vilhena, chega a Sevilha. As imagens de José Saramago e da ilha onde viveu por quase 20 anos, acompanhadas de textos do Prémio Nobel português, poderão ser vistas na Casa de la Província a partir da sexta-feira, 16. A exposição estará patente em Sevilha até ao dia 1 de março.

A inauguração da exposição acontece na sexta-feira, dia 16, pelas 13h30, e contará com as presenças de Susana Díaz Pacheco, presidenta da Junta de Andaluzia, de Fernando Rodríguez Villalobos, presidente de la Diputación de Sevilha, de Jorge Monteiro, cônsul geral de Portugal em Sevilha, e de Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago."



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Foto de 1983, Marcha pela Paz - Contra a instalação das armas nucleares - Pelo desarmamento


"José Saramago na Marcha pela Paz, em outubro de 1983. 
A manifestação foi convocada contra a instalação de novas armas nucleares na Europa e para assinalar a Semana do Desarmamento, promovida pela ONU. 
Foto feita por Rui Pacheco na Av. da Liberdade, em Lisboa. 
Da esquerda para a direita: José Saramago, Piteira Santos, Maria Rosa Colaço, Lopes Graça, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues."

Via, página da Fundação José Saramago