Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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terça-feira, 5 de maio de 2020

Canal ART.TV "Invitation au voyage" - "Lanzarote, le nouvel amour de José Saramago à Lanzarote" (01/05/2020)

Pode ser visualizado e recuperado aqui
em https://www.arte.tv/fr/videos/091152-090-A/invitation-au-voyage/

"Linda Lorin nous emmène à la découverte de notre patrimoine artistique, culturel et naturel. Dans ce numéro : Lanzarote, le nouvel amour de José Saramago - Au Canada, l’épopée de la morue - En Pologne, une idée contagieuse."


"Lanzarote, le nouvel amour de José Saramago 
À la fin de sa vie, l’écrivain portugais nobélisé José Saramago trouve refuge à Lanzarote, au cœur de l’archipel des Canaries, et puise dans le caractère volcanique de l’île un nouveau souffle littéraire. 
Réalisation: Fabrice Michelin"








sexta-feira, 17 de abril de 2020

Crónica de Pedro Ivo Carvalho (Evasões) "Lanzarote: o caminho das pedras e dos catos" (15/09/2019)

A presente crónica pode ser consultada e recuperada aqui
"Lanzarote: o caminho das pedras e dos catos"
Pedro Ivo Carvalho (Evasões)


"Não é necessária uma orquestra de cores para nos deixarmos enredar. Esta ilha vulcânica consegue ser monocórdica, mas não há, nessa leveza de caráter, qualquer assomo de vulgaridade ou enfado."

"Por mais ínfima que seja, há alguma possibilidade de nos deixarmos arrebatar pela aridez em estado puro? E por aridez entendam a mais completa secura de paisagem. Rocha, rocha, rocha. Sim, há. Pedras negras encavalitadas, formando um intrincado puzzle natural, tão desalinhadas na geometria que parecem ter vida própria. De certeza que foram parar lá sozinhas, só podem ter ido parar lá sozinhas, hospedadas que jazem numa cama definitiva e secular.

Os castanhos dão lugar aos cinzentos, há fases em que o dourado desponta, o vento que sopra de todos os quadrantes assobia de fininho ao nosso ouvido. O vento fala. “Não te distraias, não tentes segurar-me com as mãos”. O caminho das pedras é também o caminho dos catos. Pedras e catos. Catos e pedras. Numa sinfonia agreste sem palco. E sem bichos. Esperem. Minto.

Ali há, rezam as vozes autorizadas da ilha, uma réstia de vida. Um mosquito microscópico que só os apaixonados por mosquitos microscópicos distinguem nas gravuras dos livros de lombada generosa. Não há flores, não há lobos, nem gatos. Não há gaivotas. Mas há mar. Eu não vi o mosquito. Eu não consigo acreditar que ele se multiplique ali. Aquele vale bíblico não é cenário para romance.

Sigo. Garganta seca e olhos escancarados, sempre escancarados. Os vulcões forram a linha do horizonte e garantem a pequenez necessária à nossa condição de invasor. Qual é mesmo o nosso lugar? Verde escuro, castanho claro, negro cerrado. De uma ponta à outra do território duro, cavalgando a pacatez do alcatrão imaculado que rasga as bases das montanhas, podemos repousar, serenamente, sem trânsito, sem barulho. Catos e pedras. Se fecharmos os olhos, quase escutamos o bater de asas do mosquito microscópico. Já alguém o viu fora das lâminas do laboratório? Fujam da estrada, vem aí um carro.

Saramago entregou-se àquela ilha por alguma razão. 
Não quero acreditar que tenha sido apenas por uma, não saberia escolher apenas uma.

O norte. Juram-nos que o vinhedo é um espetáculo à parte. Que não nos deixará os olhos humedecidos como a imponência do adormecido Timanfaya, mas que a peculiaridade dos berços ovalizados amparados da ventania por pedras gastas confere à vinha um estatuto cosmético próximo do bonsai. Posso confirmar: filigrana licorosa, meus amigos.

Não é necessária uma orquestra de cores para nos deixarmos enredar. Lanzarote consegue ser monocórdica, mas não há, nessa leveza de caráter, qualquer assomo de vulgaridade ou enfado. As águas são cálidas, mesmo no oceano revolto, a areia brilha, mesmo quando escura. Saltitamos de estádio mental para estádio mental. A paz seria absoluta se não fossem as hordas de camionetas e de turistas italianos com a mesma projeção vocal de um vulcão zangado. Lemos o que havia para ler dele.

Saramago entregou-se àquela ilha por alguma razão. Não quero acreditar que tenha sido apenas por uma, não saberia escolher apenas uma. Lanzarote são pedras e catos, mas é, sobretudo, uma via-sacra que vai dar a um lugar melhor dentro de nós. Fica uma cicatriz enorme no corpo encolhido. Deem-nos luxúria, sinfonias, o Olimpo, até. Mas poucas imagens serão tão plenas na função de nos humanizar como a aspereza deste ancoradouro vulcânico. Catos e pedras. Pedras e catos. Flores."

sábado, 11 de janeiro de 2020

10 de Janeiro de 1994 - "Cadernos de Lanzarote II"

"De Jerusalém telefona-me a minha tradutora, Miriam Tivon, para me dar notícias do Evangelho (excelentes), mas sobretudo para informar-me de que um fotógrafo de Israel (dos melhores, segundo Miriam) quer convidar-me a escrever algo sobre fotografias suas, e de tudo, imagens e palavras, fazer depois um livro. Se lembrar que já tenho um compromisso com Arno Hammacher, o amigo holandês que aqui passará todo o mês de Fevereiro a fazer fotografias para um livro seu e meu sobre Lanzarote, começarei a desconfiar que os fotógrafos deste mundo andam, sinistramente, a passar palavra uns aos outros..."

#DiáriosDeSaramago
#ContinuarSaramago

quinta-feira, 19 de abril de 2018

"Visita à Casa de José Saramago" reportagem publicada pelo blog "O Melhor Blog do Mundo" em 16/11/2017

Recuperamos o post de "O Melhor Blog do Mundo" (16/20/2017) que relata a visita dos bloggers a Lanzarote, mais propriamente "A Casa" em Tías.

Pode ser recuperado aqui 
em https://omelhorblogdomundo.blogs.sapo.pt/visita-a-casa-de-jose-saramago-145146

O blog é de visita obrigatória, não só para quem gosta de viajar e conhecer novas paragens, como para quem ainda não teve a oportunidade de atravessar fronteiras e assim alimentar o sonho.
As reportagens fotográficas são acompanhadas de excelentes dicas e fotografias muito bem escolhidas.
https://omelhorblogdomundo.blogs.sapo.pt/
https://www.facebook.com/omelhorblogdomundo/
http://www.omelhorblogdomundo.pt/
https://www.instagram.com/omelhorblogdomundo/

"Hoje, 16 de Novembro, a data de aniversário do "nosso" Nobel da Literatura José Saramago, recordamos o dia em que visitámos "A Casa", forma como é conhecida a casa que foi o refúgio de Saramago desde 1993 até à sua morte, em Tías na ilha de Lanzarote.

Todas as fotografias estão publicadas no link indicado 
e têm créditos aos respectivos bloggers

"Terá sido em Maio de 1991 que Saramago e Pilar se deslocaram a Tenerife para uma conferência, aproveitando a viagem, foram até Lanzarote para visitar os cunhados de Pilar e terá sido nessa ocasião que Saramago se deslumbrou com a paisagem da ilha. Nesse momento, Saramago e Pilar decidiram fixar a residência naquele local construindo a Casa e mais tarde a biblioteca.

"A Casa" de Saramago abriu ao público 9 meses após a sua morte, obedecendo à lógica poética do romance da sua autoria "O Ano da Morte de Ricardo Reis", onde a personagem Ricardo Reis tem uma conversa com Fernando Pessoa, que está morto, e lhe explica que são precisos nove meses para que os vivos se esqueçam dos mortos.

A visita é feita com o auxílio do áudio-guia que, pelos textos criados por Pilar, nos relata pormenores da vida profissional e pessoal de Saramago, à medida que vamos avançando pelas divisões da casa.

A Sala
Antes de entrarmos na sala, passamos pelo hall de entrada onde, entre muitos objectos e pinturas, é possível ver um relógio que está parado nas 16h, hora em que Saramago conheceu Pilar.

A sala era lugar de descanso, com uma janela com vista para o mar que rodeia a ilha, que para Saramago e recordando palavras de César Manrique, era "a melhor obra". As paredes são revestidas com quadros relacionados com as suas obras.

O Escritório
Foi sobre a mesa de pinho que ainda hoje lá está que escreveu as obras "Ensaio sobre a cegueira" e "Os Cadernos de Lanzarote". Em frente à secretária num móvel de madeira mexicana, estão retratos dos seus avós, pais, da sua filha, dos netos e da esposa. Na parede está uma cópia do Prémio Nobel.

O Quarto
Foi aqui que no dia 18 de Junho de 2010, após tomar o pequenos almoço e ter voltado para a cama para descansar mais um pouco, acabou por descansar para sempre, com a mesma simplicidade que pautou a sua vida.

A Cozinha
Para Saramago, a cozinha era um local de convívio, por vezes trabalho, tertúlias prolongadas, um local onde gostava de receber os seus amigos. Nesta cozinha passaram algumas figuras muito conhecidas como Mário Soares, José Luis Rodríguez Zapatero, Bernardo Bertolucci, Susan Sontag, Juan Goytisolo, Carlos Fuentes, Álvaro Siza Vieira, Ángeles Mastretta, Pedro Almodóvar, entre outros.

Podemos admirar peças que Saramago foi adquirindo nas suas viagens pelo mundo e como Saramago faria, somos convidados a beber um saboroso café português, que bem que nos soube!

O Jardim
O jardim pode-se dizer que deu alguma luta, o solo necessitou de algum trabalho e foi preciso transportar terra para aquela zona para que Saramago pudesse dar início ao seu Jardim. Começou pelas palmeiras porque são nativas, pinheiros canários, uma romãzeira de Granada e dois marmeleiros. Depois continuou com um Olmo, uma sobreira cuja semente Saramago levou de Portugal, duas oliveiras portuguesas e duas oliveiras andaluzas. Era aqui que se costumava sentar e "gostava de sentir o vento, saber-se vivo, olhar o mar, pensar que o mundo pode ter remédio, que a humanidade que trazemos em nós deve prevalecer sobre a maldade".

A Sala de Reuniões
Foi pensada inicialmente para as reuniões da direcção da Fundação José Saramago, no entanto, a Fundação tem a sua sede em Portugal. Acabou por servir mais de sala de refeições quando os encontros se prolongavam ou de sala de conferências.

Nas paredes da sala é possível admirar algumas obras de arte como uma gravura do Prémio Nobel de Literatura Gao Xingjian, um desenho de Alberti ou uma paisagem da Islândia de Ildefonso Aguilar, país pelo qual Saramago sentia grande afecto.

A Biblioteca
"Uma casa feita de livros" era a descrição que Saramago fazia da sua casa. Segundo as suas palavras "esta biblioteca não nasceu para guardar livros, mas sim para acolher pessoas" e os livros, há que abri-los com cuidado, porque têm dentro o autor, com toda a sua sensibilidade, com tudo o que o fez ser único e irrepetível.

Aqui, por trás da sua cadeira, está um quadro do pintor checo Jiri Dokoupil, que retrata o casal em desenhos feitos com fumo de vela e tinta amarela. A biblioteca conta um acervo de cerca de 16 mil livros, entre outros objectos e muitas fotografias. 

A Oliveira
Esta oliveira fez a viagem de avião num pote entre as pernas de Saramago. Não se sabia se ia resistir ao solo árido da ilha mas esta oliveira alentejana provou que se aguentaria e apresenta-se frondosa e verde. Hoje, recebe os visitantes desta fantástica casa museu!

A Casa está aberta de segunda-feira a sábado das 10h às 14h e os bilhetes custam 8€.

Fizemos a visita no último dia de férias mesmo antes de ir para o aeroporto e adorámos, os textos do áudio-guia transportam-nos para o dia-a-dia de Saramago, como se estivessemos a passar uma manhã na casa de um amigo.

Se puderem, não percam a oportunidade de visitar.

Bons passeios!"














terça-feira, 6 de março de 2018

"Ocurrió hace 25 años" via "A Casa José Saramago" em Tías Lanzarote (05/03/2018)

Pode ser consultado e recuperado aqui 

"Ocurrió hace 25 años"

Pilar del Río
Hace 25 años, en enero de 1993, José Saramago entró a vivir en su casa de Lanzarote. Todavía quedaban algunos trabajos por acabar, de modo que tenía que amanecer temprano para no entorpecer a carpinteros o pintores y sobre todo para evitar el triste espectáculo de sumar bata y pijama al desconcierto de fin de obras. Con impaciencia de propietario primerizo contaba las horas y las tareas pendientes varias veces al día hasta que a últimos de enero la casa fue oficialmente entregada. En febrero, cuando San Blas, tuvo lugar la primera gran cena: amigos, familia y los trabajadores que habían levantado los muros y puesto el suelo celebraron, en glorioso batiburrillo, el portento de concluir en seis meses una vivienda que fue pensada para ser lugar de retiro y trabajo y acabó siendo, ahora lo sabemos, un centro emisor de ideas y un refugio de personas de todo el mundo. El proyecto Lanzarote era ya, en enero de 1993, una realidad incuestionable, el lugar que José Saramago eligió para volver a nacer, su casa.

El comienzo de la historia
El 24 de abril de 1992 el periodista Torcato Sepulveda telefoneó a José Saramago para pedirle un comentario sobre la presión que el gobierno portugués estaba realizando ante tres instituciones culturales que deberían proponer varios títulos para representar la cultura del país en un premio europeo. José Saramago desconocía el hecho, nunca había oído hablar del premio y atribuyó las supuestas presiones a malentendidos propios de la falta de información, por eso decidió no opinar. Tuvo que hacerlo más tarde, cuando el mismo periodista consiguió reconstruir la historia que acabó siendo un escándalo en Europa. El gobierno de Portugal, así, en bloque , ya que colegiadamente apoyó la decisión del ministerio de cultura, eliminó de la lista de libros presentada por las instituciones culturales una obra de José Saramago porque, alegaban, ofendía a los portugueses y además el autor era comunista. También, en un gesto desesperado de alejarse del papel de inquisidores políticos y de costumbres, intentaron justificar el acto de censura argumentando que el libro estaba mal escrito. El libro en cuestión es “El evangelio según Jesucristo”…

En esta situación a José Saramago no le quedaba más remedio que alejarse de la imagen que el gobierno proyectaba. El lugar no podía ser otro que una isla del sur, balsa de piedra donde llegaran las voces de las personas pero no los ruidos interesados que provoca el poder para aumentar su impunidad. Se alejó del bochorno gubernamental sin presentir el impacto de la decisión.

De la estatua a la piedra
Vivir en Lanzarote, en una casa hecha de libros, según su definición, tuvo importancia en la vida privada de José Saramago, hecho que pertenecería a su estricta intimidad, y fue decisivo para su trabajo como escritor, como reflexionaría más tarde en una conferencia que pronunció en Turín, y que posteriormente fue publicada en portugués y español en el volumen “La estatua y la piedra”. Al ser humano que nada le era ajeno, el paisaje volcánico de Lanzarote no podría pasarle inadvertido, por el contrario, se le introdujo en su sensibilidad y en su forma de escribir provocando una madurez distinta de la que tal vez intuyeran los observadores más sagaces:

Con este libro acabó la estatua. A partir del Evangelio según Jesucristo, y esto lo sé ahora, que el tiempo ha transcurrido, empezó otro periodo de mi vida de escritor, en el que he desarrollado en trabajo y nuevos horizontes literarios, disponiendo por lo tanto de elementos de juicio que me dan pie para afirmar con convicción plena que hubo un cambio importante en mi oficio de escribir. No hablo de calidad, hablo de perspectiva. Es como si desde Manual de pintura y caligrafía hasta El Evangelio según Jesucristo, durante catorce años, hubiese estado dedicado a describir una estatua. Y ¿qué es la estatua? La estatua es la superficie de la piedra, el resultado de retirar piedra de la piedra. Describir la estatua, el rostro, el gesto, los ropajes, la figura, es describir el exterior de la piedra, y esa descripción es, metafóricamente, lo que encontramos en las novelas a las que me vengo refiriendo. Hasta que no terminé El Evangelio no me di cuenta de que había estado describiendo estatuas. Tuve que entender el mundo nuevo que se me presentaba al abandonar la superficie de la piedra y pasar a su interior y eso aconteció con Ensayo sobre la ceguera. Comprendí entonces que algo había concluido en mi vida de escritor y que algo diferente estaba comenzando.

Más adelante haría referencia a la austeridad del paisaje de Lanzarote, esa belleza que le retaba como si la tierra estuviera en su primer día y hubiera que darle sentido deteniéndose en ella, más que nombrándola. José Saramago se asomaba a los cráteres de Lanzarote tratando de ver el interior de la piedra. En el silencio de esos espacios ásperos encontraba la palabra precisa que no necesita imágenes para ser y ser rotundamente. La aridez de Lanzarote modeló a José Saramago de tal forma que pudo formular todas las preguntas y escribir libros universales en un espacio que cabe en todos los imaginarios. El destino que acabó siendo Lanzarote le estaba reservado para el momento en que, tras reflexionar sobre los orígenes fundacionales de la civilización occidental en El evangelio según Jesucristo, entendiera que tenía que empezar otra vez. La isla que nunca intuyó, ni siquiera cuando condujo la península ibérica por los mares del sur en A jangada de pedra, le ofreció a José Saramago el marco adecuado para su crecimiento. Ensayo sobre la ceguera fue la primera estación de un recorrido que suma 21 título, hasta Caín o la inconclusa meditación sobre la ética de la responsabilidad que es Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas.

La casa contada  
En Lanzarote, José Saramago pudo “contar los días con los dedos y encontrar la mano llena”, como escribió para sus diarios, los Cuadernos de Lanzarote. La casa no era la residencia en la tierra de Pablo Neruda, era la tierra misma, en la que plantó árboles (bien verdad que poco adecuados para el clima) y saltó, el 24 de junio, las hogueras de San Juan en las que ardían ideas viejas mezcladas con proyectos futuros, como manda la tradición por una vez cumplida. En esa casa, en la que siempre sonaba música, había olor a pan tostado por las mañanas y a café que llegaba de Portugal a cualquier hora del día. José Saramago dedicaba las mañanas a la lectura, a la correspondencia, a los prólogos para amigos, a los artículos de prensa que la responsabilidad le imponía y por las tardes se empleaba en sus libros con meticulosidad y empeño, sin romanticismo, con la conciencia de estar haciendo un trabajo del que solo él era responsable y sin embargo le exigía no rebajar un idioma y una cultura. Escribía hasta que llegaba la noche: entonces la casa dejaba de ser trabajo y volvía a ser lugar de encuentro y comunicación, conversaciones en la cocina, amigos y voces que nunca fueron moderadas porque en esa casa se desterró la moderación. Tampoco se cerraban la puertas, que eran barreras contra el viento, no obstáculos para impedir el paso de las personas, tantas y de tantos lugares, que allí dejaron conversaciones, miradas, respeto, cariño, inteligencia y sensibilidad: la que ahora sienten quienes viajan a Lanzarote para visitar la casa y reconocer así al autor que ya conocen por su obra.

Todos los libros
Hace veinticinco años que José Saramago se mudó a Lanzarote. Allí plantó su biblioteca y su forma de mirar el mundo y día fue cosechando desde la honestidad literaria y humana que era su norte. Dejó un patrimonio moral distribuido por los cinco continentes y un sin fin de cómplices, los lectores, que comparten su forma de mirar compasiva y sin barreras, herederos de los mejores sueños. En Lanzarote José Saramago escribió La isla desconocida, el personal viaje del ser humano que no se rinde. El paisaje árido y el mar, la casa blanca de carpintería verde y alfombra de piedra, su mesa de pino rústico que enceraba a veces, los perros callejeros de nombres improbables hicieron de José Saramago un hombre feliz." 
(05/03/2018)


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Conoce el olivo mágico de Saramago en Lanzarote" de César-Javier Palacios (Blog "La crónica verde" - 15/01/2017)

"Conoce el olivo mágico de Saramago en Lanzarote" de César-Javier Palacios (15/01/2017)

A presente reportagem pode ser recuperada e consultada aqui 
em http://blogs.20minutos.es/cronicaverde/2017/01/15/conoce-el-olivo-magico-de-saramago-en-lanzarote/


El escritor portugués José Saramago amaba los árboles. Aunque quizás no tanto como su abuelo materno Jerónimo Melrinho, pastor de cerdos en la pequeña villa de Azinhaga. Fue a él a quien dedicó su discurso de aceptación del premio Nobel ante la academia sueca. Un memorable texto que empieza así:

“El hombre más sabio que he conocido en toda mi vida no sabía leer ni escribir”.

De él aprendió de niño mil historias y leyendas, escuchándole en las largas noches de verano que pasaban juntos durmiendo bajo la gran higuera de la huerta, mirando a las estrellas.

Jerónimo, pastor y contador de historias, al presentir que la muerte venía a buscarlo se despidió de los árboles de su huerto uno por uno, abrazándolos y llorando porque sabía que no los volvería a ver.


Saramago, pensador sublime y contador de historias, plantó árboles en su casa de Lanzarote (A Casa / La Casa) para no olvidarse nunca de su abuelo. Ni de su Portugal natal. En una maceta acurrucada entre sus piernas trajo en el avión un joven brinzal de olivo nacido en el Alentejo. Lo plantó en el jardín, en un lugar privilegiado desde donde se disfruta de unas maravillosas vistas hacia el mar tranquilo, la isla de Lobos y la lejana Fuerteventura. No sabía si prosperaría en esa tierra lejana, volcánica, pero contra todo pronóstico el árbol arraigó. En cuanto creció un poco instaló a su lado una silla. Bajo la fresca sombra del olivo se pasaba las horas muertas, meditando, mirando, sintiendo.

A seis años de su muerte, ves ahora la silla vacía, el árbol, el mar naciente y sientes un escalofrío aún mayor que cuando entras en su biblioteca. Seguramente por tratarse de un ser vivo, testigo mudo de las ensoñaciones del literato.

“Para él era un árbol muy especial, pues sus raíces simbolizan a su familia y de dónde viene, pero también su deseo de quedarse en esta tierra”, me comenta el director de la Casa Museo y cuñado del literato, Javier Perez F. -Figares. “Amaba mucho este jardín”. En él plantó luego otros dos olivos, pero uno de ellos, de origen andaluz, salió literalmente volando, arrancado por los vientos huracanados de la tormenta tropical Delta de 2005. La historia parece salida de una de sus novelas, pero es real. También plantó una higuera, como la de su abuelo, que apenas ha crecido en estos años. Y un algarrobo, cuyas vainas son muy nutritivas para las piaras de cerdos, imagen que nos lleva otra vez a su Azinhaga natal.

Recogiendo el testigo de amor por estos árboles que Saramago dejó, explican en la Fundación,

“se ha considerado que un olivo, tal vez éste, sea la imagen del complejo que es la casa y la biblioteca del escritor: el olivo es símbolo de paz y de sabiduría, ramas verdes que son letras sobre el negro de la tierra volcánica. Es Lanzarote, es Azinhaga, es Portugal, es Saramago”.

Pasear por la casa donde Saramago escribió “Ensayo sobre la ceguera” es una sensación única, como lo es ver su despacho y su cama. Pero tocar las ramas del olivo que acariciaron sus ideas resulta algo impagable. Bajito y redondo para poder adaptarse a la fuerza de los vientos alisios, no trates de abrazarlo. Saramago tampoco lo hizo nunca. Como él mismo explicó una vez en una entrevista, despedirse del mundo al estilo de su abuelo no iba a ser posible.

Yo no me veo levantándome de la cama, suponiendo que estoy en las últimas, levantarme para ir y repetir lo que ha hecho mi abuelo, porque repetirlo sería insultar su memoria.

Isla Negra tiene a Neruda y Cadaqués a Dalí. Lanzarote es más afortunada; tiene a César Manique y a José Saramago. Pero lo ignora.

La isla recibió el año pasado cerca de tres millones de turistas. Sin embargo, apenas un puñado de ellos visitaron la maravillosa Casa Museo del escritor luso. ¿La razón? Intenta localizarla. Misión imposible. Ni aún con gps es fácil. Entre otras razones, porque no hay ni una sola señalización en la isla que te informe de su cercanía y te facilite la llegada. A los responsables del Cabildo y del Ayuntamiento ya les vale.

Hay que entrar en la zona de chalés de Tías, buscar el ayuntamiento y seguir hacia abajo entre un dédalo de urbanizaciones para dar finalmente con la rotonda dedicada al escritor de Todos los nombres, en este caso sólo uno, un árbol (el olivo) con forma de J y S: José Saramago. El hombre que amaba los árboles.


Sobre César-Javier Palacios
"Soy geógrafo, naturalista, periodista y responsable de comunicación de FSC España. He trabajado en la Estación Biológica de Doñana, en la Fundación Félix Rodríguez de la Fuente y en SEO/BirdLife. Me entusiasma la interpretación de la naturaleza, la divulgación científica, la educación ambiental y los viajes. Desde 2004 trato de contagiaros esta pasión por la conservación de la biodiversidad a través de mis columnas en 20 Minutos, un observatorio pendiente (y crítico) del discurrir de la vida."

Blog "La crónica verde" no 20minutos.es em http://blogs.20minutos.es/cronicaverde/
Pode ser seguido no Twitter em @lacronicaverde


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ecos da estreia da peça de teatro "El Hombre Duplicado" em Los Jameos del Agua - Lanzarote

Fotografia publicada pelo "Comik Teatro" - https://www.facebook.com/TeatroComiK/
"Ayer nos fuimos a ver "El hombre duplicado", adaptación teatral de la novela de José Saramago, que ha sido un éxito en su estreno mundial en Lanzarote y al que deseamos un largo recorrido"

Comentário de Victoria Rosell (via Twitter @VickyRosell )
"Saramago y César Manrique. El hombre duplicado en Los Jameos del Agua. Lanzarote. IMPRESIONANTE."


sábado, 14 de janeiro de 2017

"Ángel González" - Revisitar "Outros Cadernos de Saramago" (14/1/2009)

Revisitar "Outros Cadernos de Saramago"
http://caderno.josesaramago.org/21658.html

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

"Ángel González"
"Há um ano, precisamente no dia 12 de Janeiro, num hospital de Madrid, morreu Ángel González. Hospitalizado eu próprio em Lanzarote por causa de uma doença similar à que o levou, atendi a chamada telefónica de um jornal que queria publicar umas palavras sobre a infausta notícia. Em termos que o meu interlocutor mal deve ter ouvido, tão intensa era a minha emoção, disse que havia perdido um amigo que era, ao mesmo tempo, um dos maiores poetas de Espanha. Em sua lembrança deixo hoje aqui um dos seus poemas, que traduzo do espanhol. ASSIM PARECE Acusado pelos críticos literários de realista,os meus parentes, em troca, atribuem-me o defeito contrário; afirmam que não tenho sentido algum da realidade. Sou para eles, sem dúvida, um funesto espectáculo: analistas de textos, parentes da província,pelos vistos, a todos defraudei que lhe vamos fazer! Citarei alguns casos: Certas tias devotas não se podem conter, e choram ao olhar-me. Outras muito mais tímidas fazem-me arroz doce, como quando eu era pequeno, e sorriem contritas, e dizem-me: que alto, se o teu pai te visse…,e ficam suspensas, sem saber que mais dizer. No entanto, não ignoro que os seus gestos ambíguos dissimulam uma sincera compaixão irremediável que brillha humidamente nos seus olhares e nos seus piedosos dentes postiços de coelho. E não são só elas. De noite a minha velha tia Clotilde regressa da tumba para agitar diante da minha cara os dedos como sarmentos e repetir em tom admonitório: De beleza não se come! Que julgas que é a vida? Por sua parte, a minha falecida mãe, com voz delgada e triste, augura para a minha existência um lamentável final: manicómios, asilos, calvície, blenorragia. Eu não sei que dizer-lhes, e elas regressam ao seu silêncio. O mesmo, igual que então. Como quando era pequeno. Parece que a morte não chegou a passar por nós."

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Peça de Teatro baseada na obra "O Homem Duplicado" estreia 13/01 em Lanzarote (Jameos del Agua) - "Saramago y la doble identidad regresan mutados a Lanzarote" (El País, Rocío García 21/12/2016)

Publicado no "El País", de Rocío García (21/12/2016), aqui
em http://cultura.elpais.com/cultura/2016/12/21/actualidad/1482337750_137124.html

"Saramago y la doble identidad regresan mutados a Lanzarote.
José Martret estrenará en los Jameos del Agua un montaje sobre ‘El hombre duplicado’, novela que el Nobel concibió en la isla"

"Raúl Tejón y Kira Miró en la adaptación teatral de la obra de Saramago."

"Cuenta Pilar del Río, la viuda de José Saramago, que un mañana el escritor, en su casa de Lanzarote, frente al espejo del baño donde se afeitaba, preguntó en voz alta: “¿Si existiera alguien exactamente igual a mí, sería capaz de soportarlo?”. De esta reflexión matinal surgiría El hombre duplicado, una obra en torno a la identidad y las posibilidades que ofrece la vida que el Premio Nobel de Literatura portugués publicó en 2002, ocho antes de su muerte en la isla canaria. El hombre duplicado llega ahora al teatro de la mano del director José Martret, en un montaje protagonizado por Raúl Tejón y Kira Miró, entre otros, y la colaboración especial de Nathalie Poza, que se estrenará en el auditorio de los Jameos del Agua (Lanzarote) el próximo 13 de enero, antesala de una gira futura. La adaptación, que cuenta con el respaldo de Pilar del Río y la Fundación José Saramago, ha sido realizada por Salvador Toscano y Félix Ortiz. El montaje teatral abordará de lleno “la crisis de identidad” que se aborda en la obra manteniendo, aseguran los autores de esta versión, todo “el magnetismo” de la novela.

Para José Martret, un dramaturgo con una mirada especial reflejada en sus obras anteriores (Ivanov o MBIG, entre otras) así como en la filosofía con la que creó, junto a Alberto Puraenvidia, dos de los espacios teatrales más innovadores de la ciudad de Madrid, La casa de la portera y La pensión de las pulgas, este encuentro en el escenario con Saramago es especialmente emocionante. Él, un mallorquín de 45 años, que desde muy joven se vio atrapado y doblegado por la obra del autor portugués.El hombre duplicado, primera obra de Saramago que en España, salvo un montaje en Galicia, es adaptada al teatro narra la historia de Tertuliano, un profesor de historia que descubre viendo una película en el cine que hay un actor secundario que es exactamente igual que él, con las mismas cicatrices físicas que él. La obsesión de Tertuliano por encontrar a ese actor, de nombre Antonio, le lleva a una búsqueda implacable hasta dar con ese otro yo que descubrió en una pantalla de cine. Las más de 400 páginas del libro tendrán sobre el escenario una duración de aproximadamente hora y media.

“Con Saramago se vive la literatura de otra manera, la experiencia como lector es diferente. Leer a Saramago requiere una atención especial que te lleva a una reflexión profunda y te cautiva. Esta es la premisa con la que abordo este montaje teatral. Quiero una experiencia teatral única para el público. Hay algo muy irónico en la escritura de Saramago y eso lo hemos querido plasmar. La obra es un thriller que se va adentrando por caminos muy inquietantes hacia un final bastante inesperado”, asegura Martret que es consciente de las dificultades teatrales de una obra muy reflexiva en torno a la identidad y el ser humano. “El montaje narra la historia de principio a fin y la va hilando con las reflexiones que despliega Saramago en el libro. La historia no queda vacía de contenido, sino que sigue teniendo la profundidad que le dio el autor portugués”, añade Martret, que se ha rodeado de un equipo técnico de lujo: Jaume Manresa, música y sonido, Alberto Puraenvidia (escenografía), David Picazo (iluminación) y Miguel Ángel Raió en las proyecciones audiovisuales.

El estreno de El hombre duplicado en los Jameos del Agua, ese bello espacio natural intervenido por el artista César Manrique, será, piensa José Martret, el mágico encuentro entre estos dos creadores que nunca llegaron a conocerse."

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"El hombre duplicado", de José Saramago, se adapta por primera vez al teatro - via "eldiario.es" (13/12/20016)

"El hombre duplicado", de José Saramago, se adapta por primera vez al teatro"

A notícia do "eldiario.es", pode ser recuperada e consultada aqui 
em http://www.eldiario.es/cultura/duplicado-Jose-Saramago-primera-teatro_0_590391516.html

"José Saramago imaginó qué pasaría si un hombre descubriera que existe otro exactamente igual a él en "El hombre duplicado", una novela que se adapta por primera vez al teatro y cuyo director, José Martret, ha presentado hoy en la sede de la SGAE en Madrid antes de estrenarse en enero en Lanzarote.

"¿Qué pasa cuando encuentras a alguien que es igual que tú?", se ha planteado Martret en la presentación de esta adaptación teatral, llevada a cabo por Salvador Toscano y Félix Ortiz, una historia sobre la identidad en la que se cruza "la teoría de los universos paralelos", ha asegurado el director.

"El hombre duplicado" tendrá su estreno absoluto el 13 de enero sobre los escenarios del Auditorio Jameos del Agua de Lanzarote, isla en la que a Saramago se le ocurrió esta novela, según ha recordado Martret al citar las palabras de la viuda del literato, Pilar del Río, quien apoya esta iniciativa en homenaje al Nobel de Literatura.

La obra, producida por Dania Dévora, que ha confesado que la primera vez que la leyó se sintió "desconcertada", cuenta con un reparto integrado por Raúl Tejón, Kira Miró, Raquel Pérez, Sergio Otegui (que interpreta al sentido común), Maribel Luis y Mon Ceballos.

El montaje teatral trata de responder a preguntas como ¿qué haríamos si nos encontráramos con un ser humano absolutamente semejante a nosotros mismos?, ¿en qué consiste la identidad? o ¿cómo saber quiénes somos, qué nos define?, en una trama que intenta descifrar este misterio imposible.

La historia sigue a dos hombres a los que se les abre la posibilidad de vivir dos vidas diferentes, un profesor de historia y un actor de cine, a los que además de su parecido físico les une la forma de sentir y de pensar.

Un "inquietante" juego de identidades en el que Saramago aborda "con ironía" los temas importantes de la existencia, ha declarado Martret sobre esta obra que explora la búsqueda de la identidad y la capacidad de aceptar al otro.

El director, que ha afirmado estar "fascinado" por "lo auténtico y único" de los libros del escritor luso, ha prometido que la versión teatral conserva "la profundidad" del texto original y ha destacado que su estreno unirá a Saramago con César Manrique, autor del escenario donde se representará por primera vez esta obra.

En Lanzarote se iniciará la andadura de "El hombre duplicado" los días 13 y 14 de enero, en una iniciativa coproducida por los Centros de Arte, Cultura y Turismo de Lanzarote, representado en el acto por Pedro San Ginés, presidente del Cabildo insular.

Tras esta doble cita, la obra teatral realizará una gira por las Islas Canarias que, según ha indicado la productora, Dania Dévora, se espera que esta temporada, a partir de febrero, continúe su recorrido por América y Portugal."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

“Mantener la casa donde se escribió 'Ensayo sobre la ceguera' es para mí un proyecto moral” - Entrevista de Myriam Ybot ("Diario de Lanzarote" 03/12/2016)

Entrevista de Myriam Ybot, do "Diario de Lanzarote" (03/12/2016), pode ser consultada aqui 
em http://www.diariodelanzarote.com/noticia/"mantener-la-casa-donde-se-escribió-ensayo-sobre-la-ceguera-es-para-mí-un-proyecto-moral"

"Pilar del Río, en imágenes de archivo en A Casa. 
Fotos: Felipe de la Cruz."

Pilar del Río (Granada, 1950) recibió el pasado 16 de noviembre el Premio Luso-Español de las Artes en su sexta edición, un reconocimiento de los gobiernos de España y Portugal a personas o entidades que tienden puentes culturales entre ambos países. La ceremonia de entrega de la distinción se llevará a cabo en Lanzarote, donde la periodista y traductora mantiene abierta a la visita A Casa, sede de la Fundación José Saramago y mascarón de proa de la promoción del conocimiento y la obra del Nobel. Pilar del Río atiende a Diario de Lanzarote desde la Feria Internacional del Libro de Guadalajara (México).

- ¿Qué ha supuesto para usted la concesión del Premio Luso-Español de Arte y Cultura 2016? ¿Es un reconocimiento a su trayectoria personal o al trabajo desplegado por la Fundación José Saramago?
- En su declaración, el jurado del Premio dice que se entrega por haber servido de puente entre las culturas. Y los puentes están hechos de muchos materiales, todos necesarios. En este caso, la voluntad de quienes sabemos que vivir con otros es mejor que vivir separados. Personas, obras e instituciones. Entre ellas está la obra de José Saramago, portuguesa y siempre tan atenta a España, y la Fundación. Es decir, somos muchos juntando voluntades para conocernos mejor.

- El Ministerio de Cultura ha informado de que la ceremonia de entrega del Premio se llevará a cabo en Lanzarote. Nuevamente, el Nobel sitúa a la isla en el mapa cultural internacional. ¿Ha sido y es la sociedad conejera consciente de tal privilegio?
- No soy yo quien debe responder a esa pregunta, son otros. O nadie: Hay mucha gente en la isla y en otros lugares que sin duda responderían que a ellos les da igual que una persona singular haya elegido el sitio donde viven para establecerse y crear. He oído decir: “Qué gano yo con eso”. Y es verdad: ¿qué gana Isla Negra con Neruda o Cadaqués con Dali? José Saramago era hijo adoptivo de Lanzarote y de Tías; le nombraron y él aceptó, como aceptó formar parte del Patronato de Honor de la Fundación César Manrique, dejemos eso claro. Y punto.

- En declaraciones públicas, usted ha anunciado que destinará el montante económico del premio a activar la sede en Lanzarote de la Fundación José Saramago. ¿De qué manera piensa hacerlo?
- Mantener la casa donde se escribió “Ensayo sobre la ceguera” o “Las intermitencias de la muerte” es un proyecto moral mío. Mantener ese espacio como casa museo responde a una necesidad que se puede considerar antigua, pasada de moda, como es compartir con otros el mayor bien al que se ha asistido, el milagro de la creación. Mi casa, -y la de mi familia, dicho sea de paso, que aceptó mi decisión pese a la incomodidad que comporta-, está abierta a la visita pública porque se ha producido el don de la generosidad. Que no es necesario entender, basta constatar que existe, que hay quien comparte lo que tiene. Claro que este premio asegura algo más de vida a un proyecto que exige recursos y protección, así que estamos contentos por ese lado. Y por el reconocimiento de tanta gente de tantos lugares.

“Estoy en la Feria del Libro de México y viendo 
tantas obras siento que no se puede decir que 
el pensamiento y la creación sean algo minoritario”

- ¿Qué es la Declaración Universal de Deberes Humanos? ¿Cómo surge ese concepto y cuáles son sus objetivos?
- José Saramago dijo en su discurso de recepción del Premio Nobel que a la Declaración Universal de Derechos le faltaba la simetría de la Declaración Universal de Deberes. En eso están trabajando especialistas de todo el mundo, juristas, activistas, filósofos, medioambientalistas y gente preocupada por el mundo y sus habitantes. Entre los deberes, el primero, es hacer que se cumplan los Derechos. Luego ya viene el deber de instruirse, de intervenir en la vida pública, de respetar la naturaleza, de procurar el bien común... En fin, es un articulado largo y concreto que nos podría salvar del caos en que vivimos, que más que ciudadanos parecemos consumidores.

"Pilar del Río, en imágenes de archivo en A Casa. 
Fotos: Felipe de la Cruz."


- La presencia de José Saramago en la Historia es incuestionable pero ¿se le recordará por su obra literaria o por su aportación al progreso social por la vía de la reflexión y la palabra?
- Saramago está en la Historia por su obra literaria, que es creación, pensamiento y reflexión. José no se vestía por las mañanas de intelectual y por las tardes de activista, era un ser humano que pensaba, que usaba la razón y la conciencia en todo lo que hacía y era.

“José Saramago dijo en su discurso 
de recepción del Premio Nobel que a la 
Declaración Universal de Derechos le faltaba 
la simetría de la Declaración Universal de Deberes”

- ¿Es suficiente el trabajo en las aulas para el fomento de la lectura? Da la sensación de que la consola gana al libro por goleada…
- Estoy en la Feria del Libro de México y viendo tantas obras siento que no se puede decir que el pensamiento y la creación sean algo minoritario. La consola existe y sirve para jugar, pero algún día, sobre todo cuando se restituya la Educación para la Ciudadanía y se vuelvan a contemplar las Humanidades en los planes de enseñanza, la gente se dará cuenta que solamente con la consola no se crece ni en bondad ni en sabiduría. Y para muchos, estos todavía son valores.

- Con respecto a su trabajo como traductora de la obra de Saramago, ¿no es hora ya de reivindicar el reconocimiento a la aportación de los traductores en la creación literaria?
- Creo que ese papel está ampliamente reivindicado. Podemos leer obras de autores universales gracias a los traductores. José Saramago decía que "las literaturas nacionales las hacen los escritores, la literatura universal la hacen los traductores”. Nada puede ser más hermoso ni más exacto.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"A Casa José Saramago" em Tías - Lanzarote

Publicado na página do Facebook em 

INFORMAÇÃO DA PÁGINA
Morada - Calle Los Topes, 3, 35572 Tías, Canarias, Spain
Horário Seg-Sáb: 10:00 – 14:30

Casa Museo José Saramago en la Isla de Lanzarote 

Telefone +34 928 83 30 53
E-mail acasajosesaramago@gmail.com



21 de septiembre de 1996
"Esta mañana, todavía en la cama, entre las nebulosas del primer despertar, tal y como si ante mí fuesen fluctuando piezas sueltas de un mecanismo que, por sí mismas, buscasen sus lugares y se encajasen unas en otras, comencé a distinguir, de un extremo a otro, el desarrollo del enredo de Todos los nombres, esa novela cuyo título nació, en enero, en un avión que aterrizaba en Brasilia, y que, para mostrarse (¿definitivamente?), necesitó que otro avión me trajera hasta Amherst. Estaba pensando, de un modo vago, soñoliento, en los esfuerzos que vengo realizando para encontrar la pista de mi hermano, y de repente, sin ninguna relación aparente, comenzaron a desfilar en mi cabeza los personajes, las situaciones, los motivos, los lugares de una historia que no llegaría a existir (suponiendo que la escriba) si el óbito de Francisco de Sousa hubiera sido registrado en la Conservaduría de Golegã, como debería...".
José Saramago, Cuadernos de Lanzarote II.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"O Homem Duplicado de José Samarago será peça de teatro em Espanha" via DN (18/08/2016)

Via DN - Fotografia Eduardo Tomé

O artigo publicado no Diário de Notícias, em 18/08/2016, pode ser consultado aqui

"A encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.
O romance O homem Duplicado, do escritor português José Saramago, terá uma adaptação para teatro a estrear-se ainda este ano em Espanha, revelou a Fundação José Saramago.
Ainda sem data oficial de estreia, a peça será levada à cena pela produtora DD & Company no Centro de Arte, Cultura e Turismo de Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias e onde viveu José Saramago.
De acordo com o Diário de Lanzarote, a encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.
Publicado em 2002, o romance O Homem Duplicado é protagonizado por Tertuliano Máximo Afonso, um professor de História em dúvida sobre a própria identidade depois de descobrir numa gravação de vídeo um homem idêntico a ele.
Na altura, a edição teve uma primeira tiragem de 80 mil exemplares, coincidindo com o 80º aniversário do escritor, distinguido com o Nobel da Literatura em 1998.
O Homem Duplicado está publicado em vários países, entre os quais Brasil, Espanha, Colômbia, Albânia e Itália, e já foi adaptado para cinema, em 2014 pelo realizador canadiano Denis Villeneuve e com o ator Jake Gyllenhaal no principal papel.
A obra literária de José Saramago já teve várias adaptações tanto para cinema como para teatro. São os casos, por exemplo, dos filmes "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles, e Jangada de Pedra, de George Sluizer, e das recentes peças de teatro Claraboia e 1936, o ano da morte de Ricardo Reis, pelo teatro A Barraca.
Depois de O homem duplicado, José Saramago publicou ainda quatro romances: Ensaio sobre a lucidez (2004), As intermitências da morte (2005), A viagem do elefante (2008) e Caim (2009).
José Saramago morreu aos 87 anos a 18 de junho de 2010, tendo sido publicados a título póstumo "Claraboia" (2011), um romance que o autor tinha concluído em 1953, e o romance inacabado "Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas" (2014).
Em Lanzarote, a casa e a biblioteca onde José Saramago passou parte da sua vida, foram transformadas numa "casa-museu" que abriu portas ao público em março de 2011."

domingo, 7 de agosto de 2016

"Casa de José Saramago é boa pedida cultural nas Ilhas Canárias" de Luiza Sahd Colaboração para o UOL de Lanzarote (Ilhas Canárias)

Artigo de Luiza Sahd, para o UOL (Brasil) sobre a ligação de José Saramago e seu legado a Lanzarote, aqui 


"São raras as oportunidades de entrar em uma casa onde viveu algum grande artista sem que o ambiente tenha sido transformado para atender as necessidades estruturais de qualquer museu. A casa em que José Saramago viveu por 18 anos, onde escreveu seu "Ensaio sobre a Cegueira" e onde morreu serenamente em 2010 não só é aberta ao público como ainda é, de fato, uma casa.

O cenário escolhido pelo autor para morar é quase onírico: Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), é parte de um arquipélago surpreendente não apenas por suas praias (algumas até de areia negra), como também por seus vulcões, montanhas, estradas cruzando mares de lava e vinícolas plantadas na pedra.

Quem visita a Casa José Saramago precisa consultar as horas em seu próprio relógio, pois todos eles marcam 16h em qualquer momento do ano. A homenagem se deve ao fato deste ter sido o horário em que Saramago conheceu a esposa, Pilar del Río, no dia 14 de junho de 1986.

As visitas são guiadas e feitas em diversos idiomas, incluindo o português. Quem mostra os detalhes do lar é Juan José, filho do primeiro casamento de Pilar. Na entrada, há uma oliveira -- xodó de Saramago --, que foi trazida de sua aldeia natal, Azinhaga (Portugal), em um voo comercial e entre as pernas do escritor.

A casa tem as paredes marcadas pelas paixões de Saramago: quadros pintados por artistas como os canários Joan Miquel Ramírez, Ildefonso Aguilar e César Manrique, retratos de Fernando Pessoa e Camões ainda com dois olhos e um tapete de pedra vulcânica da ilha. Também existem esculturas de diversas partes do mundo coletadas durante suas viagens e muitas fotografias de momentos marcantes, como a ocasião em que foi laureado com um Prêmio Nobel de Literatura, em 1998."

"Cadeira no jardim onde o escritor gostava de sentar para apreciar a ilha"
Fotografia de Luiza Sahd/UOL

"No jardim, a cadeira em que Saramago gostava de sentar para deixar as ideias fluírem permanece no mesmo lugar. Ainda é possível conferir a piscina onde o artista se exercitava nos fins de tarde. Do outro lado da rua, fica a biblioteca com seu acervo pessoal. Entre centenas de livros, muitos trazem dedicatórias comoventes de seus contemporâneos, como uma edição de "Cem Anos de Solidão" dedicada pelo amigo Gabriel García Marquez.

Ao fim da visita, há ainda o convite para beber o café português preferido de Saramago na cozinha onde aconteciam as animadas reuniões com figuras como Eduardo Galeano, Marisa Paredes, Pedro Almodóvar, Bernardo Bertolucci e Sebastião Salgado. Visita imperdível e inesquecível.

Casa de José Saramago
Quando: De segunda a sábado, das 10h às 14h (entrada permitida até às 13h30)
Onde: Calle Los Topes, 3, 35572, Tías
Mais informações: www.acasajosesaramago.com"

quarta-feira, 22 de junho de 2016

"Entra na “casa cheia de livros” de Saramago em Lanzarote" - Artigo via idealista.pt

O artigo "Entra na “casa cheia de livros” de Saramago em Lanzarote", publicado no site "id idealista", pode ser recuperado e consultado aqui, 


Fonte das fotografias publicadas, via www.acasajosesaramago.com

"José Saramago, que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998, faleceu há já seis anos (dia 18 de junho de 2010). Nos últimos anos da sua vida – desde 1993 – viveu numa vivenda na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha), com a mulher, a espanhola Pilar del Río. Saramago definiu o imóvel como “uma casa cheia de livros”.

“Construída de raiz para as necessidades de duas famílias, a Saramago-Del Río por um lado, por outro a Pérez-Fígares-Del Río, cúmplices no projeto arquitetónico e na vida. Assim, cruzado o portão de entrada, um pequeno pátio dá acesso às duas vivendas e às zonas comuns. Defronte está a porta da casa de José Saramago”, lê-se no site A Casa José Saramago.

Esta é a “casa cheia de livros” do escritor português na ilha espanhola."
Publicado a 21/06/2016





 







quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Homenaje a Saramago" pelo grupo parlamentar Podemos - A Casa em Tías - Lanzarote

"Este próximo sábado, 18 de junio, parlamentarias y parlamentarios de Podemos, rendiremos homenaje al maestro José Saramago. 
Será en su casa, recorreremos su vivienda, el lugar donde en los últimos 19 años escribió todos sus libros, desde el "Ensayo sobre la ceguera" hasta el último e inacabado "Alabardas", pasearemos por su jardín, tomaremos café en la cocina, para acabar en la Biblioteca, donde leeremos pequeños fragmentos de su obra, aquellos que por alguna razón nos parecen más significativos, o simplemente nos impactaron más. 
Será a partir de las 10.30"


Mais informações via página do Facebook "A Casa José Saramago", aqui


domingo, 24 de abril de 2016

"Grândola" cantada por Luis Pastor e João Afonso e restantes companheiros presentes na casa de José Saramago e Pilar del Río em Tías Lanzarote

Relembrar e comemorar Abril - 42 anos de Abril - 1974/2016

Pode ser visualizado via YouTube, aqui

"El sábado de la semana pasada tuvimos la fortuna de conocer a Joao Afonso, el sobrino de José Alfonso. Fué en la biblioteca de Saramago en Tías - Lanzarote. Allí coincidió el grupo de artistas que visitaba la isla con motivo del concierto de Luis Pastor y su nuevo disco Duos. Fue una reunión íntima que terminó acariciada por poemas y canciones. Y no pude evitar coger la cámara y ponerme a grabar para socializar el pasaje." de Fernando Berlín da RadioCable.com