Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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domingo, 13 de novembro de 2016

Porto Editora lança nova edição da obra "Viagem a Portugal" e recuperação do prefácio de Claudio Magris

Link directo para a edição da Porto Editora e restantes obras já reeditadas, aqui
em https://www.portoeditora.pt/noticias/viagem-a-portugal-de-jose-saramago/116222

"Publicado pela primeira vez há 35 anos, Porto Editora lança nova edição do emblemático livro de viagens de Saramago.
“É preciso recomeçar a viagem. Sempre.» escreve José Saramago em Viagem a Portugal, que regressa amanhã às livrarias. 35 anos depois da primeira edição, este é um livro que reúne as crónicas de viagem do Nobel português pelo nosso país, oferecendo-nos um retrato de cada região, das suas pessoas e paisagens.

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite... É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»."

Já publicados na Porto Editora e as personalidades que colaboraram nas capas: 

Ensaio sobre a Cegueira- Caligrafia da capa por Chico Buarque
O Homem Duplicado - Caligrafia da capa por Lídia Jorge
A Viagem do Elefante -Caligrafia da capa por Mário de Carvalho
Os apontamentos - Caligrafia da capa por Maria do Céu Guerra
Provavelmente alegria - Caligrafia da capa por Nuno Júdice
As Pequenas Memórias - Caligrafia da capa por Gonçalo M. Tavares
As Intermitências da Morte - Caligrafia da capa por Valter Hugo Mãe
Memorial do Convento - Caligrafia da capa por José Mattoso
História do Cerco de Lisboa- Caligrafia da capa por Álvaro Siza Vieira
Os poemas possíveis- Caligrafia da capa por Almeida Faria
A Noite - Caligrafia da capa por Armando Baptista-Bastos
Manual de Pintura e Caligrafia - Caligrafia da capa por Júlio Pomar
Que farei com este livro?- Caligrafia da capa por Carlos do Carmo
Folhas políticas - Caligrafia da capa por Teresa Villaverde
A Caverna - Caligrafia da capa por Eduardo Lourenço
Ensaio sobre a Lucidez - Caligrafia da capa por Dulce Maria Cardoso
Levantado do Chão - Caligrafia da capa por Mia Couto
Objeto Quase – Caligrafia de capa por João Tordo
Terra do Pecado – Caligrafia de capa por José Luís Peixoto
A Jangada de Pedra – Caligrafia de capa por Mário Cláudio
Todos os Nomes – Caligrafia de capa por Miguel Gonçalves Mendes
O Evangelho segundo Jesus Cristo – Caligrafia de capa por Sebastião Salgado
O ano da morte de Ricardo Reis – Caligrafia de capa por Carlos Reis

Capa da edição



"É proibido quebrar ninhos e escrever prefácios
Homenagem a José Saramago"

Claudio Magris
Texto publicado na edição espanhola da Viagem a Portugal de José Saramago, editada pelo jornal El Mundo.
Tradução de José Colaço Barreiros.

"José Saramago não gosta de prefácios. Foi uma das primeiras coisas que o ouvi dizer, quando nos encontrámos pela primeira vez em Lisboa, há muitos anos, e  ele nos ofereceu, a  mim e  a Marisa, precisamente a  Viagem a  Portugal. As linhas iniciais desta viagem põem-nos em guarda contra os prefácios, inúteis se a obra não os requerer ou indícios da sua debilidade se deles precisar.
Eu de facto nunca escreveria — nem ninguém mo pediria — uma introdução ao Ano da Morte de Ricardo Reis, talvez o livro de Saramago que mais amo, ou a outros romances seus amados. Mas a viagem — no mundo e no papel — é em si uma espécie de contínuo prefácio, um prólogo a qualquer coisa que deve sempre estar ainda por vir e está sempre ainda a um canto; partir, deter-se, voltar para trás, fazer e desfazer as malas, anotar no seu caderninho a paisagem fugidia, que se esboroa, que se recompõe, enquanto se atravessa, como uma sequência cinematográfica com os seus
fundidos e encadeados, ou como um rosto muda com o tempo. E depois retocar, apagar e reescrever esses apontamentos, nessa contínua deslocação da realidade para o papel e vice-versa que é a escrita, neste sentido muito semelhante à viagem. Esta última, escreve Saramago no epílogo, recomeça sempre, tem sempre de recomeçar, como a  vida, e  toda a  sua anotação é  um prólogo. 
A Viagem a Portugal desmente as idiossincrasias do seu autor; com efeito tem uma apresentação e uma apostilha. Todo o texto autenticamente poético — e a Viagem é-o intensamente — é mais sabido do que quem o escreveu; esta é aliás uma prova da sua grandeza. Saramago viaja em Portugal, ou seja, dentro de si mesmo e não só, como ele diz, porque Portugal é a sua cultura. É-o no mundo, no espelho das coisas e dos outros homens, que se encontram a si mesmos, como aquele pintor de que fala uma parábola de Borges, que pinta paisagens, montes, árvores e rios, e por fim repara que deste modo retratou o seu próprio rosto. Toda a verdadeira viagem é uma odisseia, uma aventura cuja grande questão é se nos perdemos ou se nela nos encontramos a atravessar o mundo e a vida, se captamos o sentido ou se descobrimos a insensatez da existência. Desde as origens e desde o que é talvez o maior de todos os livros, a Odisseia, literatura e viagem surgem estreitamente ligadas, uma análoga exploração, desconstrução e recomposição do mundo e do eu. Um reconhecimento do real que, na sua fidelidade, se torna invenção e inventa mesmo o eu viajante, uma personagem literária.
A Viagem a  Portugal é  disto um fascinante exemplo. O  viajante avança, tal como na vida, numa mistura de programa e casualidade de metas marcadas e  imprevistas digressões que levam a outro sítio; engana-se no caminho, volta atrás, salta rios e ribeiros; está incerto quanto ao que visitar e ao que descurar, porque também viajar, como escrever e como viver, é acima de tudo abandonar. Detemo-nos em momentos gloriosos, grandes personagens e obras-primas artísticas — a admirável descrição de quadros e  sobretudo de igrejas, cinzeladas ou descascadas pelo vento e pelos séculos — mas também nas figuras das pessoas encontradas e entrevistas só por um instante, em que se lê uma história individual e ao mesmo tempo coletiva, como as mulheres de Miranda do Douro, que não se lembram de terem sido jovens, ou os rostos do Alentejo, ensombrados por antigos jugos sociais. 
O viajante recolhe histórias, célebres e obscuras, detém-se ao perfume de uma mimosa que resgata a mísera ruela de uma vilazinha. Presta atenção às cores, às estações, aos odores, às plantas, aos animais, ultrapassando muitas vezes as delimitações entre a natureza e a história — passar confins é o ofício do viajante — e descobrindo que esta mesma, como todas as fronteiras, é precária. «Onde é a fronteira?», pergunta-se ele e esta questão, que eu também me tenho posto tantas vezes, ao vagabundear ao longo do Danúbio ou nos meus microcosmos, não diz apenas respeito à fronteira entre Portugal e Espanha.
Quando passa por esta, o  viajante dirige-se aos peixes que numa margem nadam no Douro e na outra no Duero, pedindo conselho, talvez lembrando-se de que Santo Iago tinha pregado aos salmões, embora para os converter e induzir a aceitar o seu destino de serem pescados e comidos. Protagonistas desta viagem são, em páginas belíssimas, também o esplendor das águas do rio que encontram as do mar, a luz da praia, o brilho da cascata, a solidão da lagoa, o fragor do oceano nos rochedos, música que evoca um imenso silêncio, o dourado brunido do entardecer que se apaga nas planícies nas vizinhanças de Serpa, as pedras românicas de que até das mais humildes nascia uma grande arte, porque «os construtores estavam conscientes de erigirem a casa de Deus».
Neste livro, que sinto extraordinariamente próximo do meu contínuo vagabundear no mundo e na cabeça, a viagem também penetra não só no espaço mas sobretudo no tempo; é experiência da sua plenitude e da sua fugacidade e ao mesmo tempo guerrilha contra esta última, desejo de reter a tarde que foge e amanhã já não será a mesma, de fazer parar o tempo ou de o manter bem seguro errando no espaço. A viagem, como diz o título de um livro de Gadda, tem a ver com a morte e é por isso que capta momentos tão intensos de vida e se encanta, numa esplêndida passagem do livro, perante uma proibição, sob pena de uma forte multa, de destruir ninhos; proibição que penso que José Saramago aprovará ainda mais do que a de escrever prefácios. 
Para compreender a  sério, o  viajante paradoxalmente teria de parar, ser sedentário, participar a fundo na vida que se atravessa e  se deixa para trás; eu viajo continuamente e  sempre pensei que o viajante é alguém que desejaria ser residente, radicado mas em muitos lugares. A viagem nunca acaba, mas os viajantes, ou seja, nós, sim. Este viajante português diz, a certa altura, que esteve no bairro de Alfama, mas que não sabe o que é Alfama. Também nós estamos na vida, sem saber o que ela é."
Claudio Magris

Podem ser recuperadas e consultadas outras crónicas de Claulio Magris no jornal El Mundo, aqui
em http://ariadna.elmundo.es/buscador/archivo.html?q=claudio+magris&b_avanzada=

domingo, 21 de agosto de 2016

"O Evangelho segundo Jesus Cristo" edição Porto Editora com a caligrafia de Sebastião Salgado

Via site da Porto Editora, aqui

"No dia 28 de julho a Porto Editora lança a nova edição de O Evangelho segundo Jesus Cristo, um dos principais e mais conhecidos romances de José Saramago, e certamente um dos mais polémicos. Para esta edição, o fotógrafo Sebastião Salgado foi o convidado a usar a sua caligrafia para ilustrar a capa.
A propósito deste livro, disse Harold Bloom: "estou convencido de que o seu melhor romance continua a ser O Evangelho segundo Jesus Cristo: corajoso, polémico contra o cristianismo em particular mas contra as religiões em geral. Há poucos livros que conseguem tratar Cristo e o catolicismo sem se sujeitar a um respeito obrigatório. Aqui, Saramago conseguiu, assim como D. H. Lawrence e, em menor grau, Norman Mailer. Creio que, de entre os premiados com o Nobel de Literatura nos últimos anos, ele foi quem realmente mereceu." Em A Estátua e a Pedra, José Saramago também se refere a este livro: "é o romance que gerou mais polémica e é a causa de ter mudado a minha residência de Lisboa para Lanzarote, em Espanha. É um livro que não projetei, porque jamais me havia passado pela cabeça escrever uma vida de Jesus, havendo tantas e sendo tão diferentes as interpretações que dessa vida se fizeram, destrutivas por vezes, ou, pelo contrário, obedecendo às imposições restritivas do dogma e da tradição. Enfim, sobre o filho de José e Maria disse-se de tudo, logo não seria necessário um livro mais, e ainda menos o que viria a escrever um ateu como eu. Simplesmente, o homem põe e a circunstância dispõe e aqui está o que me impeliu a uma tarefa cuja complexidade ainda hoje me assusta."

Capa da edição da Porto Editora com caligrafia de Sebastião Salgado

"À semelhança das edições publicadas pela Porto Editora, a capa deste título foi caligrafada por uma personalidade da cultura lusófona, neste caso o fotógrafo Sebastião Salgado. O design das edições ficou a cargo do atelier Silvadesigners. Este é o 22º título publicado nesta coleção."

Para assinalar a presente edição o "Diário Digital", publicou uma pequena nota por Pedro Justino Alves (18/08/2016)http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=838498

"O impiedoso Deus de Saramago"

"Da extensa obra de José Saramago, «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», editado em 1991, talvez seja a mais provocatória, já que coloca em causa alguns dos pilares fundamentais da sociedade ocidental, obrigando o leitor a olhar de um modo diferente a forma que entende o Mundo. A nova edição, da Porto Editora, apresenta a caligrafia do fotógrafo Sebastião Salgado na capa.
O narrador de «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» testemunha a vida de Jesus, principalmente a sua infância e juventude. Ou seja, temos uma oportunidade única para “conhecer” uma parte pouco conhecida do Homem mais importante da História, raramente retratada nos evangelhos. Ao mesmo tempo, Saramago apresenta o omnipotente, omnipresente e inquestionável Deus, que não admite que o jovem questione as suas diretrizes e que coloque em causa o destino que lhe escolheu.
Portanto, temos uma história emblemática e diferente de tudo o que conhecemos de Jesus, com Saramago a dar um novo olhar sobre a sua vida, principalmente a sua relação com os mais próximos. Uma história onde a ironia está sempre presente, com o Nobel da Literatura em 1998 a deixar entrever muito das suas convicções. Talvez o principal mérito de «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» seja precisamente esse, fazer com que o leitor coloque em causa as suas certezas, sejamos crentes ou não. Não é por acaso que o livro causou tanta polémica aquando do seu lançamento, uma polémica que acabou por fazer com que Saramago emigrasse para a Espanha.
Temos assim um texto iconoclasta, irónico, erótico e crítico, um texto corrosivo que faz questão de questionar os cânones impostos pela Igreja Católica, que subverte por completo os episódios mais populares da vida de Jesus segundo os “interesses” do seu autor, que coloca em causa os alicerces da ideia de Deus e de Cristo, alicerces fundamentais para a existência da Igreja Católica.
No fundo, Saramago não “perdoa” Deus, que joga sem piedade o xadrez da vida, sempre tendo as suas crenças impiedosas como objetivo final. Para o ser supremo, o Homem não é mais do que um peão no seu tabuleiro, um peão que deve estar preparado para ser sacrificado de acordo com os seus desejos, mesmo que incompreensíveis. Neste jogo da vida, encontramos sempre à espreita o Diabo, que, muitas vezes, acaba por ser a verdadeira consciência, o lado racional da existência.
Mortes, violência, fúria, guerras, desavenças, etc. O legado de Deus é realmente mais do que questionável, a construção do seu reinado é mais do que devastador. Em resumo, em «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», Saramago coloca isso em xeque. E a verdade é que consegue um brilhante xeque-mate."

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nova edição da obra "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" - Porto Editora

Detalhe da capa da obra, com caligrafia do fotógrafo Sebastião Salgado


Obra lançada em 1991 e que aqui é brevemente retratada através da sinopse constante na página da Fundação José Saramago.

«É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
«Já que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram servidores da palavra, resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expor-tos por escrito e pela sua ordem, ilustre Teófilo, afim de que reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído.» (Lucas, 1, 1-4)

sexta-feira, 18 de março de 2016

José Santa-Bárbara e Graça Morais, dois artistas plásticos assinando novas edições de obras de José Saramago

A Silvadesigners tem a responsabilidade de criar as capas das edições da obra de José Saramago, que estão a ser republicadas pela Porto Editora. 
Depois das famosas capas amarelas da Caminho, as edições da Porto Editora são contempladas com um detalhe que acrescenta valor estético a cada obra. Trata-se da escrita manuscrita pelo punho de diversas personalidades, de elevadíssimo valor enquanto criadores das artes e reflexões filosóficas produzidas sobre a condição do ser humano e a sociedade em que vivemos.

Mais informação, através do site da Silvadesigners, aqui

As obras já apresentadas


A Viagem do Elefante, Mário de Carvalho 
A Caverna, Eduardo Lourenço 
A Noite, Armando Baptista-Bastos 
As Pequenas Memórias, Gonçalo M. Tavares 
Ensaio sobre a Lucidez, Dulce Maria Cardoso
Manual de Pintura e Caligrafia, Júlio Pomar 
O Homem Duplicado, Lídia Jorge
As Intermitências da Morte, Valter Hugo Mãe
História do Cerco de Lisboa, Álvaro Siza Vieira 
Os Apontamentos, Maria do Céu Guerra 
Levantado do Chão, Mia Couto
Poemas Possíveis, Almeida Faria 
Provavelmente Alegria, Nuno Júdice
Que farei com este livro?, Carlos do Carmo
Ensaio sobre a Cegueira, Chico Buarque

A captação do momento que servirá para a concepção das capas

 José Santa-Bárbara


Graça Morais

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pedro Barroso canta José Saramago - "Nasce Afrodite amor, nasce o teu corpo" (Os Poemas Possíveis)

Pode ser visualizado, aqui, via YouTube 

Do DVD de Pedro Barroso 40 anos de música e palavras - Afrodite - 
Poema de José Saramago e Música de Pedro Barroso


Afrodite 
"Ao princípio, é nada. Um sopro apenas, 
Um arrepio de escamas, o perpassar da sombra 
Como nuvem marinha que se esgarça 
Nos radiais tentáculos da medusa. 
Não se dirá que o mar se comoveu 
E que a onda vai formar-se deste frémito. 
No embalo do mar oscilam peixes 
E os braços das algas, serpentinos, 
À corrente se dobram, como ao vento 
As searas da terra, as crinas dos cavalos. 
Entre dois infinitos de azul avança a onda, 
Toda de sol coberta, rebrilhando, 
Líquido corpo, instável, de água cega. 
De longe acorre o vento, transportando 
O pólen das flores e os mais perfumes 
Da terra confrontada, escura e verde. 
Trovejando, a vaga rola, e fecundada 
Se lança para o vento à sua espera 
No leito de rochas negras que se encrespam
De agudas unhas e vidas fervilhantes, 
Ainda alto as águas se suspendem
No instante final da gestação sem par.
E quando, num rapto de vida que começa,
A onda se despedaça e rasga no rochedo,
O envolve, cinge, aperta e por ele escorre
- Da espuma branca, do sol, do vento que soprou,
Dos peixes, das flores e do seu pólen,
Das algas trémulas, do trigo, dos braços da medusa,
Das crinas dos cavalos, do mar, da vida toda
Afrodite  nasceu, nasceu o teu corpo."

in, "Os Poemas Possíveis"
Porto Editora, 2014, páginas 131 e 132
Publicado originalmente em 1966 pela "Portugália Editora"

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

20 anos do “Ensaio sobre a Cegueira” - A arquitetura de um romance (FJS e Porto Editora - 2015)

Montagem cénica 
"Ensaio sobre a Cegueira" (1995) e "A arquitectura de um romance" (2015)

Sinopse 
«Quando se assinala o 20.º aniversário da publicação de «Ensaio sobre a Cegueira», a Porto Editora e a Fundação José ‪‎Saramago‬ publicam «A arquitetura de um romance», a construção de «Ensaio sobre a Cegueira» contada dia a dia pelo autor nos seus diários e intervenções públicas.

Em Portugal, este livro será oferecido na compra de um exemplar deste romance de José Saramago e estará nas livrarias nos próximos dias.

A edição digital do livro pode ser descarregada aqui

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"Viagem Literária" 7.ª Sessão - Évora - Pilar del Río e José Luís Peixoto


Pode ser visualizado aqui, via YouTube, 
em https://www.youtube.com/watch?v=iuZ56Qxd9g4&sns=em

"No dia 18 de Outubro, o Palácio de D. Manuel, em Évora, acolheu a sétima etapa da Viagem Literária. Viajámos à boleia de José Luís Peixoto e Pilar del Río, numa conversa inesquecível."

domingo, 27 de setembro de 2015

"Viagem Literária" - Pilar del Río e José Luís Peixoto em Évora (18/10/2015)


Para anotar na agenda:
No dia 18 de outubro, Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, 
e o escritor José Luís Peixoto participarão de uma conversa em Évora, 
em mais uma sessão das "viagens literárias" promovidas pela Porto Editora.

"É preciso recomeçar a viagem. Sempre.". 
À boleia das palavras de José Saramago, a Viagem Literária não pára e segue para Évora. 
A próxima sessão junta José Luís Peixoto e Pilar del Río, 
no Palácio D.Manuel, no dia 18 de outubro.
Contamos convosco?

Aqui link, via Facebook em


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Entrega dos prémios do concurso "Quem conta um conto... ao modo de Saramago?!" no Palácio Nacional de Mafra

Hoje é anunciado o prémio do concurso, e pode ser consultado aqui, 
nas páginas do Facebook da Fundação José Saramago e da Revista Blimunda, em:

https://www.facebook.com/revistablimunda?fref=nf
https://www.facebook.com/fjsaramago?fref=ts

"Hoje, às 14h30, entregam-se os Prémios do concurso "Quem conta um conto... ao modo de Saramago?!". A sessão terá lugar no Palácio Nacional de Mafra e é de entrada livre. Aos vencedores, os nossos parabéns, a todos os que concorreram, o nosso obrigado!"


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Apresentação da obra do Prof. Carlos Reis "Diálogos com José Saramago"

Início da apresentação. 
A escritora Lídia Jorge, o autor e professor Carlos Reis
Pilar del Río a Presidenta da Fundação José Saramago e anfitriã do evento

Capa da actual edição - Porto Editora

Capa da edição original - Caminho

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Porto Editora lança a 55.ª edição do "Memorial do Convento"

(Caligrafia da capa por José Mattoso)

Aqui, o link da editora, 

«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998).

(Fotografia de José Saramago, nas imediações do Convento de Mafra)


Aqui, link da notícia, em http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=749930

«Memorial do Convento», de José Saramago (Porto Editora)
A Porto Editora continua a lançar as obras de José Saramago, com novas capas e novas revisões. O mais recente livro desta nova etapa é “Memorial do Convento”, um dos livros mais marcantes da carreira do Prémio Nobel da Literatura, em 1998. Desta vez, cabe ao historiador José Mattoso “assinar” a caligrafia da capa (recorde-se que todos os títulos das obras editadas são assinadas por grandes figuras da literatura e da cultura portuguesa, além de amigos de Saramago). Editado em 1982 (já vai na sua 55.º edição, a primeira na Porto Editora), “Memorial do Convento” apresenta como nenhum outro o equilíbrio entre a História, a ficção e o imaginário. É verdade que Blimunda (que tem a aptidão de ver o interior das pessoas aquando em jejum) e Baltazar (ex-militar que perdeu uma mão) assumem os papéis principais do livro, mas não podemos ficar indiferentes, por exemplo, ao Padre Bartolomeu de Gusmão (que abençoa o amor infiel de Baltazar e Blimunda), mas também ao povo, faminto devido aos caprichos de um Rei e de uma Igreja que não olham a meios para alcançarem os seus desejos, muitas vezes irreais. Um livro absolutamente obrigatório!