Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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sexta-feira, 6 de março de 2015

Citador #35 ... queres fiado? Paga o que deves... (dos 35 anos do "Levantado do Chão")

Citador #35
... queres fiado? Paga o que deves...
em "Levantado do Chão"
Caminho, 10.ª edição, página 84

(...) ", Se eu fiar a toda a gente e não me pagarem, como é que eu vivo. 
Todos temos razão, quem é o meu inimigo." (...)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Citador #34 ... as guerras que sempre tiram do mesmo lado... (dos 35 anos do "Levantado do Chão")

Citador #34
...as guerras que sempre tiram do mesmo lado...
em "Levantado do Chão"
Caminho, 10.ª edição, página 57

(...) "Os outros, se viam subir os preços ou faltarem até os géneros grosseiros da sua alimentação, se perguntavam porquê, É por causa da guerra, respondiam os entendidos. Muito comia a guerra, muito a guerra enriquecia. É a guerra aquele monstro que primeiro que devore os homens lhes despeja os bolsos, um por um, moeda atrás de moeda, para que nada se perca e tudo se transforme, como é a lei primária da natureza, que só mais tarde se aprende. E quando saciada de manjares, quando já regurgita de farta, continua no jeito repetido de dedos hábeis, tirando sempre do mesmo lado, metendo sempre no mesmo bolso. É um hábito que, enfim, lhe vem da paz." (...)

terça-feira, 3 de março de 2015

Citador #32 ... a paisagem e as sortes das gentes... (Levantado do Chão)

Citador #32
... a paisagem e as sortes das gentes...
in "Levantado do Chão"
Caminho, 10.ª edição, página 12

(...) Tanta paisagem. 
Em homem pode andar por cá uma vida toda e nunca se achar, se nasceu perdido. (...)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ernesto Sampaio entrevista José Saramago a propósito do lançamento de "Levantado do Chão" (Diário de Lisboa / Março de 1980)

35 anos do lançamento da obra "Levantado do Chão"
Via Fundação José Saramago, em,

Entrevista de José Saramago ao Diário de Lisboa, em Março de 1980

“José Saramago, escritor, poeta, jornalista: aí o temos na nossa frente, simples, claro, frontal, para quem escrever é ‘aproximar-se da vida´”, escreve Ernesto Sampaio na introdução da entrevista que fez ao autor de Levantado do Chão, em março de 1980, dias depois do livro ser lançado. Nessa conversa publicada pelo Diário de Lisboa, José Saramago fala sobre o processo de escrita do romance, das dificuldades formais que teve que enfrentar, sobre o Alentejo e sobre as expectativas em relação ao livro que acabava de publicar: “(…) não posso deixar de exprimir um outro voto, mais egoísta: que mesmo nessa altura, graças a algum valor literário que hoje tenha e então conserve, ainda o Levantado do Chão seja lido.” Leia a seguir a entrevista:



35 anos da publicação de "Levantado do Chão" - Caricatura de Efrén via Revista Proceso 1998 / México




A Fundação José Saramago, através da sua página, na secção "Memória", apresenta a caricatura "metafórica" de Saramago como que levitando.
Nos 35 anos da publicação de "Levantado do Chão", aqui continuamos a dar destaque a estes pequenos grandes detalhes que também fazem parte da vida da obra.

"Uma caricatura de José Saramago ‘levantado do chão’

Em 1998, a revista mexicana Proceso preparou um dossier especial sobre José Saramago logo após o anúncio da atribuição do Prémio Nobel. Além de textos sobre o escritor e uma entrevista com Pilar del Río, o jornal publicou uma caricatura assinada pelo desenhista Efrén, que viu José Saramago “alzado del suelo”, título dado a Levantado do Chão na primeira tradução para o espanhol (posteriormente o título foi alterado para Levantado del suelo). A secção Memória recupera a simpática caricatura feita pelo artista mexicano."


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Levantado do Chão" Palavras de José Saramago quando recebeu o Prémio Cidade de Lisboa (1982)



Via página da Fundação José Saramago, no seu espaço "Memória", a propósito dos 35 anos do lançamento da obra "Levantado do Chão", aqui em

"Palavras de José Saramago ao receber o Prémio Cidade de Lisboa

Em Junho de 1982, José Saramago recebeu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa o “Prémio Cidade de Lisboa”, galardão que lhe foi atribuído pela obra “Levantado do Chão”. A seguir o discurso proferido pelo escritor na altura."


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A Fundação José Saramago anuncia o início das comemorações dos 35 anos da obra "Levantado do Chão"

(artigo em "O Diário" (25/02/1980)

Aqui pode ser consultada a iniciativa, via página da Fundação José Saramago,

"No dia 22 de fevereiro de 1980 José Saramago apresentou na Casa do Alentejo o livro Levantado do Chão. Embora já tivesse publicado dois romances, contos, teatro, poesias e crónicas, foi com esse retrato de três gerações de uma família do Alentejo que José Saramago começou a sedimentar a sua carreira literária. Aos 57 anos, o escritor português inaugurava uma maneira própria de narrar que o acompanharia até ao final da vida.

Como diz no posfácio do romance, do chão levantam-se os homens, as esperanças e os livros. E Levantado do Chão também levantou um escritor. Não apenas pela sua qualidade literária, mas também pela sua simbologia, esse é um dos títulos fundamentais na obra de José Saramago. “Penso que as duas obras que marcam a minha narrativa, que eu dividiria em dois períodos distintos, e que mostram os meus sinais de identidade são Levantado do Chão e o Ensaio sobre a Cegueira”, disse o escritor em 2007, numa entrevista a Andrés Sorel.

E é por isso que neste mês de fevereiro, quando se cumprem 35 anos da publicação dos primeiros exemplares desse título, recuperaremos na nossa secção Memória entrevistas, reportagens e outros documentos que nos ajudarão a recordar o nascimento desse livro.

Durante todo o mês a página da Fundação José Saramago será alimentada com materiais sobre esse romance. O primeiro deles é esta notícia do dia 25 de fevereiro de 1980, do jornal O Diário, sobre a apresentação do livro na Casa do Alentejo."