Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

«Quando Saramago dizia: "Portugal acabará por integrar-se na Espanha"» de João Céu e Silva - DN (01/12/2019)

"Há 12 anos, o escritor José Saramago recusou ser profeta mas anunciou a "Ibéria" no prazo máximo de meio século. O conflito na Catalunha pode afastar esta hipótese digna de uma sequela do romance A Jangada de Pedra."

"José Saramago na sua casa em Lanzarote, Canárias, Espanha. © Arquivo DN"

"A palavra Espanha, ou o que significa o pedaço de terra que faz fronteira com Portugal, está presente na história das mentalidades do país desde sempre. O desejo de independência também, mesmo que entre os escritores que pensaram esta relação ao longo dos séculos o desejo fosse de haver uma coexistência maior ao nível cultural, opinião que irmanava o escritor espanhol Miguel de Unamuno e o português Miguel Torga, expressa em vários parágrafos dos seus livros, poemas ou mesmo no ensaio do primeiro, intitulado Por Terras de Portugal e Espanha.

Unamuno era um investigador do lado de lá do seu país e estranhava o desejo suicidário de personagens seus colegas, como Camilo Castelo Branco, e de muitos outros portugueses desistentes de viver. Ao contrário, Cervantes viveu em Lisboa um par de anos no século XVI e achava que era na capital portuguesa que as pessoas gozavam bem a vida. E chegamos a José Saramago...

O único Prémio Nobel da Literatura da língua portuguesa olharia até mais de metade da sua vida para Espanha como a maioria dos seus compatriotas e, decerto, aceitava bem o velho ditado "de Espanha nem bom vento nem bom casamento". Mas não morreu com esse pensamento, pois até expressou o desejo de ser enterrado debaixo da oliveira que fora da terra natal, a Azinhaga do Ribatejo, para o jardim da sua biblioteca em Lanzarote. Tal não aconteceu, mesmo que da Azinhaga tenha ido uma oliveira substituta para a praça em frente à Casa dos Bicos, onde foi sepultado, e que esteve para morrer devido ao stress citadino que Lisboa lhe provocou.

Stress foi também o que José Saramago provocou à pátria quando declarou numa entrevista ao Diário de Notícias, a 15 de julho de 2007, o seguinte pensamento: "Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha." Era uma declaração tão inesperada para uns como aguardada por outros. Entre os "outros" estavam todos os que detestavam o escritor pelas suas posições políticas - e outros "defeitos" - e que não aceitavam que um português da sua geração fizesse tal afirmação. Entre os "uns" encontravam-se os que se embriagaram com a União Europeia e viam como aceitável que a Península Ibérica se unisse mais ainda e Portugal se tornasse uma província do país vizinho."

"Capa da edição do Diário de Notícias de 15 de julho de 2007, 
que incluia uma entrevista com a José Saramago. O Nobel criou polémica 
com a sua de ideia de uma ibéria unida com um só país."

"A declaração de Saramago devia-se ao ambiente vivido nesses dias, em que as sedes das multinacionais passaram a estar em Madrid e Espanha apresentava uma normalidade social e um crescimento económico atrativos. Tal como Saramago dizia ao DN, "a vida política nacional não produz melhor gente" e "é uma situação natural" que Espanha vá tomando conta da economia portuguesa; também a sondagem então feita por um jornal mostrava que mais de 40% dos portugueses lhe davam razão e não se incomodavam com uma União Ibérica.

Para Saramago, a União Ibérica, que aconteceria num prazo de 50 anos, não era a de Unamuno ou de Torga: "Culturalmente, não." Antecipava uma "integração territorial, administrativa e estrutural", em que "não deixaríamos de falar português e de escrever na nossa língua". Acrescenta: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castela-La Mancha, e teríamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria." Doze anos depois, no entanto, a realidade desmente Saramago e a integração de Portugal numa Ibéria contrasta com a violência dos desejos separatistas da Catalunha. Em 2007, o escritor antevia apenas um problema na unidade espanhola: "A única independência real que se pede é a do País Basco e, mesmo assim, ninguém acredita."

A Ibéria de Saramago foi uma proposta tão surpreendente que no dia seguinte vários jornais estrangeiros deram notícia do que dissera ao DN e na semana que se seguiu o planeta inteiro ouviu ecos: foram reproduzidos nos países nórdicos, na Índia, na América do Sul e até no órgão oficial do Partido Comunista da China. Como as fake news ainda não eram moda - esta pareceria hoje enquadrar-se bem nesse estatuto -, os jornais mais rápidos na resposta à ideia de Saramago foram os espanhóis, os ingleses e os italianos, e todos fizeram uma ou mais páginas a desenvolver o que seria essa "Ibéria" saramaguiana, mais próxima de um argumento para um romance do que de palavras de uma entrevista. A conclusão mais divertida era a de que com os jogadores ibéricos a península seria a maior potência do futebol.

Nem todos apreciaram a proposta de Saramago, a começar pelo governo que pôs o ministro dos Negócios Estrageiros Luís Amado a refutar esse futuro, bem como dezenas de comentadores e até o rei D. Duarte. Saramago não se incomodou, respondendo em nova entrevista ao DN que "quanto mais velho mais livre e quanto mais livre mais radical". Deu um ponto final com a seguinte resposta: "Não tenho mais nada a comentar. Está tudo na entrevista." E, para surpresa geral, um dia depois casa-se oficialmente com Pilar del Río em Castril (Espanha). Numa outra resposta na segunda entrevista, o escritor não refere o exílio em Espanha como razão para a polémica que deu a volta ao mundo: "Não [sou um exilado político], sou uma pessoa que mudou de bairro, alguém a quem o vizinho do andar de cima incomodava e decidiu ir para outra casa." Nem considera que mudar de país tenha sido uma decisão elaborada: "Houve uma altura em que andámos a tentar encontrar outra casa. Estivemos em Mafra e procurámos pela região e é quando sucede que nasce a ideia de fazer uma casa na ilha de Lanzarote para passar as férias."

O que levou José Saramago a fazer estas declarações sobre Portugal e Espanha? A convivência direta com o país vizinho após ter decidido mudar para Lanzarote de armas e bagagens e fixar-se numa ilha espanhola para sempre. Um país cuja importância e interesse dos seus jornais lhe deram uma exposição mundial - e latino-americana - que em Portugal as eternas intrigas nas redações proibiam; a vida com uma mulher espanhola que o seduziu com o anúncio de um amor tão real como literário e que foi em muito responsável para que a obra do autor chegasse aos corredores da Academia Sueca, e um conflito que começa com a censura de um secretário de Estado da Cultura ao romance Evangelho segundo Jesus Cristo."

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Apresentação do livro "Diálogos con José Saramago" do Professor Carlos Reis na Feira do Livro de Madrid (via Real Academia Española, 05/06/2018)


A presente informação pode ser consultada e recuperada aqui



"Diálogos con José Saramago en la Feria del Libro de Madrid
Participó el director de la RAE, Darío Villanueva
Ayer se presentó en la Biblioteca Eugenio Trías el libro Diálogos con José Saramago, del ensayista y catedrático de Literatura de la Universidad de Coimbra (Portugal) Carlos Reis.

En el acto, enmarcado en las celebraciones por la Feria del Libro de Madrid, participaron, además del autor de la obra, Darío Villanueva, director de la RAE; Tomás Albaladejo, catedrático de Teoría de la Literatura y Literatura Comparada de la Universidad Autónoma de Madrid; Filipa Soares, del Instituto Camões, y la periodista y viuda del nobel de literatura portugués, Pilar del Río. 

Tal y como señaló la propia Pilar del Río, «esta obra sirvió para que Saramago recuperara de la memoria sus primeros escritos». Una obra que la editorial La Umbría y la Solana acaba de publicar en español, con traducción de Susana Gil. 


NARRADOR DE IDEAS

Darío Villanueva quiso resaltar de José Saramago que «era un gran creador», ya que tenía una conciencia de la literatura «como un sistema de relaciones insertadas en la sociedad en la que intervienen diferentes agentes. Toda esta suma es la que forma ese sistema de la literatura del que formaba parte Saramago». 

Este sistema literario, continuó Villanueva, parte de un juego entre escritor y lector. Entre uno y otro intervienen otros factores, como el editor, la censura en algunos casos, el agente literario. «Pero la obra existe en cuanto que es leída. Esta idea —añadió el director de la RAE— está muy presente en Saramago, quien reconoció que nunca se sintió escritor hasta que no tuvo muchos lectores». Un libro, añadió Villanueva, que, siendo de conversaciones, «incluye un tratado sobre literatura y nos deja una huella imborrable de quién fue José Saramago». 

Darío Villanueva también quiso referirse al nobel portugués como «un gran narrador de ideas [...]. La función extraordinaria del escritor que plantea en su obra preguntas es una cualidad de Saramago, algo que Carlos Reis ha sabido plasmar muy bien en este libro». 


DIÁLOGOS CON SARAMAGO

Si bien han pasado casi veinte años desde que «iniciamos estas conversaciones», tal y como apuntó Carlos Reis, «Saramago seguirá estando presente con nosotros siempre porque es un gran escritor».

Diálogos con José Saramago nació en Lanzarote, donde residía el nobel portugués y a donde se trasladó Reis. Se recogen en él más de siete horas de conversaciones sobre el oficio de escribir, la trayectoria personal y profesional de Saramago y su opinión sobre otros escritores que le precedieron, sobre su obra y su influencia. Tres días de trabajo en los que ambos, Saramago y Reis, hablaron sobre el lenguaje de la narración, de la inspiración y del trabajo diario, pero también sobre la vida y la condición del escritor, de sus primeras novelas y lecturas, de cómo se eligen los títulos o estos eligen al autor.


LECTURA FASCINANTE

El profesor Tomás Albaladejo recordó que la lectura de este libro tiene, como muchas obras de Saramago, «el sabor de la oralidad». Albaladejo añadió que en la obra de Saramago se hallan todas las preguntas y respuestas, así como los asuntos y problemas más importantes de la literatura. 

Diálogos con José Saramago es, como concluyó Filipa Soares, «un libro fascinante que ofrece la oportunidad a los lectores de reconocer el interior de Saramago»."




quinta-feira, 19 de abril de 2018

"20/04: Lola Dueñas e Pilar del Río apresentam «O Lagarto», em Madrid" Via Fundação José Saramago

Informação aqui 
em https://www.josesaramago.org/20-04-lola-duenas-e-pilar-del-rio-apresentam-o-lagarto-em-madrid/

"Na sexta-feira (20), às 18h, na Livraria Alberti, em Madrid, será apresentada a edição espanhola do livro «O Lagarto», que une as palavras de José Saramago e as ilustrações do artista brasileiro J.Borges.

Publicado em Espanha pela Editorial Lumen, «El Lagarto» será apresentado por Pilar del Río, autora da tradução do conto para o espanhol, e pela atriz espanhola Lola Dueñas."


sábado, 23 de dezembro de 2017

"Las bombas pacíficas de José Saramago" crónica sobre a obra inacabada "Alabardas" publicada no "La Verdad" (Murcia Espanha - 30/09/2014)

"Las bombas pacíficas de José Saramago
La novela inconclusa del Nobel luso aborda la industria y el tráfico de armas"

A presente crónica publicada no "La Verdad" (Murcia Espanha - 30/09/2014) pode ser consultada e recuperada aqui 
em http://www.laverdad.es/alicante/culturas/libros/201409/30/bombas-pacificas-jose-saramago-20140930015820-v.html



«Esta bomba no explotará». Este sucinto mensaje en portugués apareció escrito en un papel en el interior de una bomba lanzada contra tropas del Frente Popular en Extremadura, durante la 'incivil' guerra española. Desde que el escritor José Saramago tuvo noticia de esta leyenda de un fabricante de bombas tan bondadoso como para sabotear sus mortíferas manufacturas, comenzó a latir en su mente una historia que maduró durante años y que solo la muerte le impediría concluir. Se titula 'Alabardas', llega inconclusa al lector mañana miércoles y es una reflexión sobre la industria y el tráfico de armas que Alfaguara publica cuatro años después de la muerte del Premio Nobel de Literatura portugués.

«Con 'Alabardas' acaba la obra del hombre que no quiso morir sin haberlo dicho todo», apunta Pilar del Río, viuda del escritor, su albacea literaria y responsable de la Fundación Saramago en Lisboa. Asegura la periodista española que no es «una novela sobre la guerra» y sí «un canto al activismo de quienes quieren cambiar lo establecido, lo que se asume como inevitable».

Ilustrada con estremecedores grabados alusivos a los horrores bélicos de otro premio Nobel, el alemán Günter Grass, el relato inacabado de Saramago se completa con textos del italiano Roberto Saviano, autor de 'Gomorra', y del poeta y ensayista Fernando Gómez Aguilera.

'Alabardas' narra la historia de Artur Paz Semedo, un gris trabajador de una fábrica de armamento ligero y municiones fascinado por las piezas de artillería. Felicia, la mujer que fue su esposa y lo abandonó, de fuerte carácter, inteligente y pacifista militante, le incitará a emprender una investigación en su propia empresa.


Tres capítulos

José Saramago, que se preguntó siempre por qué jamás hay huelgas en la industria armamentística, dejó escritos apenas tres capítulos de lo que se ha convertido en su novela póstuma. Esbozó el nudo argumental, perfiló a los dos protagonistas y planteó nuevas preguntas en su permanente y comprometida vocación de agitar conciencias. Era muy consciente de que sería su última ficción, de que la enfermedad que le alejó del ordenador durante ocho meses tras iniciarla le impediría culminar este desafío narrativo. «A este paso tal vez haya libro en 2020», ironizó en su cuaderno en diciembre de 2009, sabedor de que la implacable cuenta atrás estaba en marcha. «Corregí los tres primeros capítulos (es increíble cómo lo que parecía bien lo ha dejado de ser) y aquí hago promesa de trabajar en el nuevo libro con mayor asiduidad. Saldrá al público el próximo año si la vida no me falta», había escrito en el mismo cuaderno en octubre. Llego a anticipar la frase final, «un sonoro 'Vete a a la mierda'» proferido por la mujer de Artur Paz y que para Saramago era «un remate ejemplar».

La evolución del pensamiento del protagonista sirve para reflexionar sobre el lado más sucio de la política internacional, un mundo de intereses ocultos que subyace en la mayor parte de los conflictos bélicos del siglo XX. Abunda en el debate sobre la carrera armamentística y sus fatales consecuencias en un mundo incendiado de nuevo por confrontaciones bélicas un siglo después de la Primera Guerra Mundial.

También sirve de inspiración para que Fernando Gómez Aguilera y Roberto Saviano den continuidad a estas páginas y ofrezcan su particular visión sobre las cuestiones que se plantean en la fábula que el laureado escritor portugués quiso titular 'Alabardadas, alabardas. Espingardas, espingardas', frase de una tragicomedia de Gil Vicente, 'Exortaçao de guerra', escrita hace cinco siglos.

Para Roberto Saviano, estas páginas póstumas de Saramago son «una orquesta de revelaciones» y «un manual de traducción de sonidos, percepciones e indignaciones». De «un Saramago en estado puro hasta la última de sus letras» habla Fernando López Aguilera. Elogia unas palabras «que no pudieron ser escritas en el lugar al que la voluntad las había destinado, pero que aún hoy resuenan desde la libertad de su poderosa conciencia incómoda, irremplazable».

José Saramago (Azinhaga 1922- Lanzarote 2010) fue uno de los escritores portugueses más conocidos y universalmente apreciados en la segunda mitad del siglo XX. La academia sueca le concedió el Nobel de Literatura en 1998 por un carrera que comenzó muy tarde y en la que figuran títulos tan esenciales como 'El año de la muerte de Ricardo Reis', 'El evangelio según Jesucristo', 'Memorial del convento', 'La balsa de piedra', 'Ensayo sobre la ceguera', 'Claraboya' o 'Caín', la última novela que Saramago vería publicada en vida y que establece un fuerte nexo con 'Alabardas'.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

II Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo (Casa das Campás - Pontevedra, 4 e 5 de dezembro de 2017)

Cartaz alusivo ao evento
"Saramago nos 300 anos do Convento: Comunicação, Arte e Política"

Aqui mais informações via,

"A segunda edição das Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo, organizadas anualmente pela I Cátedra Internacional José Saramago, realiza-se na Casa das Campás, em Pontevedra, nos dias 4 e 5 de dezembro de 2017. 

As atividades destinam-se a especialistas de várias áreas do conhecimento, aos alunos da Universidade de Vigo e ao público em geral. Os estudantes das áreas de Filologia Galega e Portuguesa, Belas-Artes, Ciências Sociais e Comunicação da Universidade de Vigo estão diretamente envolvidos nestas Jornadas: colaboram na organização, apresentam comunicações e participam nos debates. 

Há, portanto, nestas Jornadas, uma aspiração simultaneamente académica, interdisciplinar, didática e de divulgação do pensamento ético e da ação político-cultural de José Saramago. As II Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo dedicam uma atenção especial quer ao tricentenário do Convento de Mafra, quer aos trinta e cinco anos da primeira edição do romance de Saramago Memorial do Convento (1982), mas também aos 30 anos da edição de O Ano de 1993, ilustrada por Graça Morais. Abordam-se também temas relacionados com os videojogos, poesia política, feminismo, arte e cinema, com o propósito de demonstrar o alcance e a pluralidade da obra saramaguiana. 

Estas Jornadas cumprem com o principal objetivo da I Cátedra Internacional José Saramago (CJS) da Universidade de Vigo, que é o estudo e a difusão da obra e do pensamento do autor de Memorial do Convento, Prémio Nobel da Literatura em 1998. Ao mesmo tempo, estas Jornadas centram-se nos três principais eixos da ação universitária que guiam a I Cátedra Internacional José Saramago: ensino, investigação e atividades de extensão. 

As seguintes palavras de José Saramago, ditas em 1987, resumem bem o espírito e o intuito destas II Jornadas José Saramago da Universidade de Vigo, que visam contribuir para a divulgação da obra de Saramago junto do público galego (e não só): 

O ser humano não deve contentar-se com o papel do observador. 
Tem responsabilidade perante o mundo, tem de actuar, intervir

Burghard Baltrusch e Carlos Nogueira 
(Comité executivo da CJS-UVigo)"

Casa das Campás  
Salão em Pontevedra, Espanha
Endereço: Rúa Don Filiberto, 9, 36002 Pontevedra, Espanha
Telefone: +34 986 80 20 80
Província: Pontevedra


sábado, 22 de outubro de 2016

Conferência “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago” - 23/02/1999 em Cáceres

A conferência pode ser recuperada aqui 

"El 23 de Febrero de 1999, en la ciudad de Cáceres, se produjo la conferencia 
llamada “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago”, en primer lugar 
habló Manuel Cañadas, quien dio paso a Julio Anguita y finalizando el acto, 
el premio Nobel José Saramago. (...)"


Alternativas al Neoliberalismo
" La Izquierda con Saramago".
Cáceres 23 de febrero de 1999
José Saramago, Julio Anguita y Manolo Cañada.
Presentan: Manuel Cruz y Teresa Rejas.
Organizado por Izquierda Unida de Extremadura
En un auditorio abarrotado, Saramago- Julio Anguita me decía en Lisboa: "hay personas que no pueden ser vendidas porque no pueden ser compradas".
"El Derecho ha muerto si el Derecho no defiende a quien tiene que defender porque es víctima del Poder", "Si se cumpliera el 50% del la Declaración de Derechos Humanos, la situación del mundo y de la Gente sería infinitamente mejor"...




sexta-feira, 11 de março de 2016

"Recordando a José. Voces de mujer en la obra de Saramago" - Homenagem realizada pela "Alfaguara" e "Casa de América" (14/06/2011)

Pode ser visualizado via YouTube, aqui 
em https://www.youtube.com/watch?v=vwaxXsGszkQ

"Cuando se cumple un año de la pérdida de José Saramago, la editorial Alfaguara y Casa de América hemos querido rendir tributo a este icono de literatura mundial con un homenaje que lleva por título "Recordando a José. Voces de mujer en la obra de Saramago".

El acto, celebrado el pasado 14 de junio de 2011, consistió en una lectura dramatizada de una selección de textos del propio autor realizada por su esposa y traductora, Pilar del Río, y por el director teatral Antonio Castro.

Las actrices Aitana Sánchez-Gijón, Pilar Bardem y Pastora Vega, junto a la bailaora María Pagés, acompañaron a Pilar del Río en la lectura de fragmentos de Ensayo sobre la ceguera, Memorial del convento o Las intermitencias de la muerte, entre otras obras del escritor portugués. El acto fue coordinado por la directora teatral mexicana Gema Aparicio."

Atentados de 11 de Março de 2004 - “O rosto de um povo ferido” - Palavras de José Saramago (Madrid)


“O rosto de um povo ferido” (José Saramago)

"Em Espanha, solidarizar-se é um verbo que todos os dias se conjuga nos seus três tempos: presente, passado e futuro. A lembrança da solidariedade passada reforça a solidariedade de que o presente necessita, e ambas, juntas, preparam o caminho para que a solidariedade, no futuro, volte a manifestar-se em toda sua grandeza. O dia 11 de março não foi só um dia de dor e de lágrimas, foi também um dia em que o espírito solidário do povo espanhol ascendeu ao sublime com uma dignidade que me tocou profundamente e que ainda hoje me emociona quando o recordo. O belo não é só uma categoria do estético, podemos encontrá-lo também na ação moral. Por isso digo que poucas vezes, em qualquer lugar do mundo, o rosto de um povo ferido pela tragédia terá alcançado tanta beleza."

Atentados de 11 de Março de 2004 nos comboios suburbanos 
da linha de Alcalá de Henares, em Madrid,

domingo, 2 de agosto de 2015

domingo, 26 de julho de 2015

"Los hombres han inventado un Dios que nos da unos ratos malísimos" Entrevista de Francesc Valls para o "El País" (24/10/1994)

"Los hombres han inventado un Dios que nos da unos ratos malísimos"
"El País" por Frances Valls, Barcelona - 24/10/1994

A entrevista pode ser consultada e lida, aqui
em http://elpais.com/diario/1994/10/24/cultura/782953204_850215.html

(Fotografia via "El País")

Comunista preocupado por Dios y las guerras santas; revolucionario para quien la revolución siempre es asesinada; demócrata que ve la democracia muerta cuando el voto entra en la urna. Este nadador contra corriente es el escritor José Saramago (Azinhaga, Portugal, 1922), quien esta semana ha presentado su libro Casi un objeto (Alfaguara).

La carcoma era vengadora. El justiciero y antifascista anóbido, con sus galerías, hizo caer a Oliveira Salazar, el dictador portugués, de su silla. Quien relata esa historia es un amigo de carcomas y topos. José Saramago abre túneles bajo superficies aparentemente sólidas y duras con su palabra. El libro de relatos Casi un objeto, que acaba de publicar Alfaguara, es un ejemplo. (El libro fue presentado ayer en Crisol por el crítico Miguel García Posada. Hoy, en la Casa de América, Ángeles Caso entrevistará en público a Saramago y Charo López leerá alguno de sus relatos).

Pregunta. ¿Se cayó Salazar de su silla?

Respuesta. Es un hecho histórico que se sentó en una silla, se rompió la pata y dio consigo en el suelo. El relato La silla es la descripción de una lucha contra el dictador, contra el fascismo. Salazar se cae porque la carcoma, a lo largo de los años, se ha comido la madera.

P. Pero ahora que la carcoma ha triunfado, ¿se siente defraudado por la forma en que ha evolucionado la revolución de los claveles en Portugal?

R. Todas las revoluciones, más tarde o más temprano, acaban en su contrario. Ocurrió con la francesa, que dio paso al emperador. Luego con la Revolución de Octubre de 1917. El destino de las revoluciones es convertirse en su opuesto.

P. Acaba de publicarse su libro In nomine Dei, libreto de la ópera Divara, agua y sangre. Es la historia de dos anabaptistas que dirigieron una experiencia colectivista en Münster. Acabó en dictadura. ¿Ha sucedido lo mismo en los países del llamado socialismo real?

R. Las revoluciones acaban siempre traicionadas por una razón sencilla: por la renuncia de los ciudadanos a participar. En el caso de Münster se entró en una situación en que la propiedad no existía; era un caso de una pureza total que muy pronto se acabó. Eso también ocurre en el funcionamiento normal de las democracias. La enfermedad mortal de las democracias es la renuncia del ciudadano a participar. Los primeros responsables somos nosotros al delegar el poder en otra persona que, a partir de ese momento, pasa a controlarlo y a usarlo.

P. ¿Qué alternativa hay?

R. La alternativa no es más que la participación del ciudadano todos los días.

P. Eso tiene difícil articulación en un sistema político.

R. En un sistema como el actual, sí. Cuando el ciudadano vota expresa de forma suprema su conciencia. Pero ese momento coincide con su renuncia a intervenir. La paradoja es que justo cuando el voto entra en la urna él renuncia a participar. Hay que buscar sistemas distintos para el ejercicio de la ciudadanía. No podemos decir que los políticos tienen la culpa. Nosotros somos los principales responsables.

P. La mayoría, no obstante, opina que la democracia parlamentaria es el menos, malo de los sistemas conocidos.

R. Sí, pero ésa es una manera muy hábil de impedir que se busque algo mejor. Eso lleva a la gente a hacer la operación mental que consiste en transformar lo menos malo en mejor. Al decir el menos malo estamos diciendo el mejor. Y uno se lo cree y no busca más. Hay que buscar una democracia que lo sea. El mundo además está regido por un poder no democrático, el financiero. Elegimos al alcalde, al presidente. Pero el otro poder es el que auténticamente gobierna el mundo. Aníbal Cavaco Silva [primer ministro portugués] o Felipe González se encuentran por ahí, salen en la prensa o en la televisión. Pero hay un poder del que no se habla nunca en los medios y es el poder financiero, y ésos son los que gobiernan. Felipe González y Cavaco Silva no gobiernan. Bueno, sí... Yo en mi casa también lo hago. El poder real está en otro sitio.

P. Usted sigue siendo militante del Partido Comunista de Portugal.

R. Sí.

P. Y uno de los militantes comunistas mis preocupados por Dios o, mejor, por las repercursiones de la existencia de Dios en la tierra.

R. Los problemas de Dios no me preocupan. Me preocupan los problemas de los hombres que se inventaron un Dios que no hace más que darnos ratos malísimos. Quizás Dios exista (yo no lo creo), pero no tiene sentido que nos matemos en nombre de Dios.

P. Los problemas religiosos le persiguen. El Evangelio según Jesucristo le comportó problemas en Portugal (el Gobierno vetó que concurriera a un premio europeo porque podía herir la sensibilidad religiosa del pueblo portugués).

R. Me fui a vivir a Lanzarote. Y estoy contento; de una cosa mala a veces surge una cosa buena. Pero eso no significa que haya roto con Portugal. Ahora me voy a Lisboa, lo que pasa es que no quiero nada con el Gobierno.

P. Las maletas del viajero relata una tragedia a causa de una frontera.¿Son o no un problema las fronteras?

R. No tengo ninguna prevención contra el nacionalismo. Es necesario revisar el concepto de nacionalismo. Hace 50 años, con los nacionalismos de tipo fascista, un pueblo pretendía dominar a otro. Ahora la cosa es distinta y tiene más que ver con el instinto de supervivencia en tiempos de globalización, económica, cultural, lingüística. Hay que revisar la idea de los nacionalismos para rescatarlos de la derecha.

24 de octubre de 1994

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Saramago no seu blog/livro "Caderno" dedica um texto a Federico Mayor Zaragoza

Pode ser consultado e lido em
http://caderno.josesaramago.org/6504.html

"Federico Mayor Zaragoza"
"Começa a Feira do Livro de Frankfurt: reunidas ali, as grandes indústrias do mundo do livro anunciam maus tempos para este objecto, de que tanto vivemos no passado e a que tanto ainda continuaremos a dever. Dizia que estão ali os grandes editores, mas há um número sem fim de pequenas editoras que não podem viajar, que não dispõem dos escaparates das outras e que, sem embargo, estão dificultando que se cumpra o prazo fatal de dez anos para que se acabe o livro em papel e se imponha o digital. Como será o futuro? Não sei. Enquanto não chega esse dia, que para os habitantes da Galáxia Gutemberg será duro, deixo aqui uma breve homenagem às pequenas editoras, a Ânfora, de Espanha, por exemplo, que publica por estes dias um livro do meu amigo Federico Mayor Zaragoza, esse homem que quis que a UNESCO fosse algo mais que uma sigla ou um lugar de prestígio, isto é, um foro de solução de problemas, usando a cultura e a educação como ingredientes fundamentais, senão únicos. Prologuei o livro de Mayor Zaragoza chamado “En pie de paz”, um voto mais que um título, e hoje trago-o aqui a este blog como modesta parcela a juntar a essa cifra de quantos se esforçam por melhorar a vida das pessoas. Das anónimas pessoas que são a carne do planeta."

Na Universidade de Granada, quando José Saramago e Federico Mayor Zaragoza receberam o grau de Doutor Honoris Causa

"En pie de paz"
"Federico Mayor Zaragoza traduz em poemas as dores da sua consciência. Não é, obviamente, o único poeta a proceder assim, mas a diferença, a meu ver fundamental, está no facto de eles, esses poemas, praticamente sem excepção, constituírem um apelo à consciência do mundo, por uma vez sem as ilusões de um certo optimismo quase sistemático que parecia ser o seu. Falar de consciência do mundo poderia ser facilmente entendido como mais uma vaguidade a juntar àquelas que nos últimos tempos têm vindo a infectar o discurso ideológico de alguns sectores do chamado pensamento de esquerda. Não é esse o caso. Federico Mayor Zaragoza conhece a humanidade e o mundo como poucos, não é um volúvel turista das ideias, desses que dedicam o melhor da sua atenção a saber de que lado sopra o vento e, logo, a acertar os rumos sempre que o considerem conveniente. Quando afirmo que Federico Mayor apela nos seus poemas à consciência do mundo, isso quer dizer que é às pessoas, a todas e a cada uma, que se dirige, à gente que anda por aí, perplexa, desorientada, aturdida, no meio de mensagens intencionalmente contraditórias, procurando não respirar uma atmosfera em que a mentira organizada passou a competir com o simples oxigénio e o simples azoto.Alguns dirão que a poesia de Federico Mayor Zaragoza se vem alimentando do inesgotável baú das boas intenções. Pessoalmente, não estou de acordo. Federico Mayor alimenta-se, sim, poética e vitalmente, de outro baú, esse que guarda o tesouro da sua inesgotável e extraordinária bondade. Os seus poemas, mais elaborados do que aparentam na sua simplicidade formal, são a expressão de uma personalidade exemplar que não se desligou da massa vivente, que a ela pertence pelo sentimento e pela razão, esses dois atributos humanos que em Federico atingem um nível superior. Devemos a este homem, a este poeta, a este cidadão, muito mais do que imaginamos."

em "O Caderno"
Caminho, 2.ª edição, 15 de Outubro de 2008


No site da Fundación Cultura de Paz, é possível conhecer alguns dados biográficos que aqui se encaminha,

"Federico Mayor Zaragoza nació en Barcelona, en 1934. Doctor en Farmacia por la Universidad Complutense de Madrid (1958), en 1963 fue Catedrático de Bioquímica de la Facultad de Farmacia de la Universidad de Granada y en 1968 llegó a ser Rector de esta institución, cargo que desempeñó hasta 1972. Al año siguiente fue nombrado catedrático de su especialidad en la Universidad Autónoma de Madrid.  En estos años puso en marcha el Plan Nacional de Prevención de la Subnormalidad, para evitar, mediante diagnóstico precoz, enfermedades que cursan con grave deterioro mental.
Cofundador en 1974 del Centro de Biología Molecular Severo Ochoa, de la Universidad Autónoma de Madrid y del Consejo Superior de Investigaciones Científicas. Entre otras responsabilidades políticas, el Profesor Mayor ha desempeñado los cargos de Subsecretario de Educación y Ciencia del Gobierno español (1974-75), Diputado al Parlamento Español (1977-78), Consejero del Presidente del Gobierno (1977-78), Ministro de Educación y Ciencia (1981-82) y Diputado al Parlamento Europeo (1987). En 1978 pasó a ocupar el cargo de Director General Adjunto de la UNESCO y, en 1987, fue elegido Director General de dicha Organización, siendo reelegido en 1993 para un segundo mandato. En 1999, decide no presentarse a un tercer mandato y, a su regreso a España, crea la Fundación para una Cultura de Paz, de la que es Presidente.
A lo largo de los doce años que estuvo al frente de la UNESCO (1987-1999) el Profesor Mayor Zaragoza dio un nuevo impulso a la misión de la Organización -"construir los baluartes de la paz en la mente de los hombres"-, al convertirla en una institución al servicio de la paz, la tolerancia, los derechos humanos y la convivencia pacífica, mediante actividades en sus ámbitos de competencia y siempre fiel a su cometido original. Siguiendo las orientaciones del Profesor Mayor, la UNESCO creó el Programa Cultura de Paz, cuyo trabajo se organizó en cuatro vertientes principales: la educación para la paz, los derechos humanos y la democracia; la lucha contra la exclusión y la pobreza;  la defensa del pluralismo cultural y diálogo intercultural;  y la prevención de conflictos y consolidación de la paz."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A Fundação José Saramago na recuperação do vidro de Castril (Centro Andaluz del Vidrio em Castril de la Peña, Granada, Espanha)

Via Youtube, video da promoção da iniciativa,

O antigo site da Fundação José Saramago, deu na altura destaque (23 de Julho de 2008), ao projecto de recuperação desta arte. 
Aqui recupera-se os dados da iniciativa, 
em http://fundjosesaramago.blogspot.pt/2008/07/centro-andaluz-del-vidrio-em-castril-de.html


"A Fundação José Saramago e o Centro Andaluz del Vidrio em Castril de la Peña, Granada, Espanha"


"Com o objectivo de recuperar a perdida indústria do vidro, pôs-se em marcha uma iniciativa que dará trabalho e visibilidade a uma zona economicamente deprimida.
Graças à iniciativa da Fundação José Saramago, do município de Castril e dos fundos obtidos através de instituições andaluzas, pôs-se em marcha um projecto que pretende recuperar e manter viva a tradição do trabalho em torno do vidro, arte que deu a conhecer Castril de la Peña à Europa e ao mundo, já que peças saídas das mãos dos criadores de Castril podem ser vistas nos museus mais importantes. Actualmente, no Centro é dada formação a cerca de 20 pessoas, que se iniciam nas artes do vidro soprado e noutras técnicas, e que serão os obreiros da indústria do vidro, tão reclamada durante anos.

O Centro e o trabalho que ali se realiza merecem uma visita, mas para quem não possas deslocar-se até Castril, pode ver este vídeo de apresentação que mostra as primeiras peças saídas do Centro Andaluz del Vidrio, já nesta data uma prometedora realidade."



domingo, 18 de janeiro de 2015

Uma visão da obra "Alabardas Alabardas Espingardas Espingardas" por Emma Rodríguez - "El legado de José Saramago" (Nueva Tribuna)

"El legado de José Saramago" por Emma Rodríguez 

"El año que acaba de finalizar nos ha dejado literariamente un pequeño regalo que tal vez pasó desapercibido bajo el bosque de las novedades."

Via Nueva Tribuna, para ser consultado e visitado aqui 



"El año que acaba de finalizar nos ha dejado literariamente, entre otras muchas cosas, un pequeño regalo que tal vez pasó desapercibido bajo el bosque de las novedades y que vale la pena valorar. Se trata de Alabardas, la novela que no llegó a acabar Saramago y que llega hasta nosotros, lectores y lectoras, en forma de legado. Se trata de una entrega publicada por Alfaguasra y bellamente ilustrada con grabados de Günter Grass, en la que los tres capítulos que el autor logró culminar y que le mantuvieron ocupado hasta el final de sus días, se acompañan de sus anotaciones sobre el rumbo que habría de tomar ese trayecto literario y de dos textos muy esclarecedores: uno del escritor y periodista italiano Roberto Saviano y otro del poeta y ensayista español Fernando Gómez Aguilera, quien se interroga sobre la última puerta que deseaba abrir Saramago, sobre con qué última historia, reveladora de comportamientos y de encrucijadas, quería sacudir nuestras conciencias y obligarnos a abrir los ojos y a pensar.

El escritor, que supo vaticinar la deriva de las sociedades capitalistas y que siempre creyó, pese a su talante pesimista, que otro tipo de comunidades, más despiertas, solidarias, críticas y éticas, eran posibles, quería contarnos la historia de Artur Paz Semedo, un hombre que trabaja en una fábrica de armas y un día descubre que durante la Guerra Civil hubo empleados que llegaron a sabotear bombas para apoyar a los combatientes de la República, corriendo el riesgo de poner sus vidas y sus destinos en peligro. Este hecho le conmociona, le lleva preguntarse por qué no se conocen huelgas laborales en el ámbito de la industria armamentística, a reflexionar sobre el trasfondo de intereses que está detrás de las guerras y a iniciar una investigación, espoleado por su ex-mujer, Felícia, una pacifista convencida, sobre las ganancias de su empresa durante los convulsos años treinta del siglo XX.

Hasta ahí el relato, un relato contado con un  estilo depurado, con un cierto tono de ironía, que nos deja con la imagen del protagonista buscando documentos reveladores en los viejos cajones de un archivo donde el pasado permanece dormido, pero los márgenes de la ficción se amplían a través de los dos textos citados, textos que sitúan la novela inacabada del Nobel portugués en el contexto de su totalidad y le otorgan a la entrega un interesante tono ensayístico.

La obra de Saramago “se levanta como un monumental hito narrativo empeñado en meditar sobre el mal y el error contemporáneos, atento a las desviaciones del ser humano, concernido, en definitiva, por las múltiples variantes de inhumanidad que nos azotan…”, nos dice Fernando Gómez Aguilera, quien tuvo la oportunidad de escuchar al escritor hablar de las búsquedas que le animaban al final, de los planes para la que iba a ser, si le llegaba la vida, su última aportación a la literatura.

Quería Saramago que Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, que iba a ser el título de la historia, fuese, en palabras del ensayista, “una novela de ideas con un fuerte componente de reivindicación y provocación, un revulsivo de filosofía moral para la conciencia de sus lectores, tomando como referencia el inhóspito y lacerante mundo de la producción y el uso de armas”. Quería “diseccionar la paradoja moral del empleado ejemplar, capaz de abstraerse en su rutina de las consecuencias derivadas de su disciplinada eficiencia profesional”. Y, junto a él, como antagonista, dejó trazado el perfil de una mujer “que reúne incomodidad y verdad” y que participa del “brío y del empuje característico de las protagonistas femeninas reconocibles en su obra, portadoras de una llama de esperanza y grandeza”.

Seguimos leyendo a Gómez Aguilera, para quien, en última instancia, lo que pretendía el escritor era “construir su visión sobre la banalidad del mal, el controvertido asunto que Hannah Arendt pusiera encima del tapete intelectual”. “Por desgracia, el mal también es una costumbre superficial, fútil, además de una amenaza permanente para el orden social”, argumenta. “Una estructura comunitaria, si persigue alcanzar éxito, al menos relativo, requiere de seres responsables, coherentes, concernidos por la búsqueda del bien, dueños de una voluntad crítica, dispuestos, en fin, a reconocer y reconocerse en el nuevo derecho humano de objeción y desobediencia que propuso Einstein (…) el derecho o el deber que posee el ciudadano de no cooperar en actividades que considere erróneas o dañinas”.

Todos esos asuntos, a los que tantas vueltas daba Saramago, laten en el fondo de las páginas que ahora llegan hasta nosotros. No sabemos qué destino hubiera sido el de esos personajes ni qué derroteros habría seguido la acción, pero bastan los tres capítulos que dejó escritos para, como hace Roberto Saviano, imaginar posibilidades y continuaciones. El escritor italiano, perseguido por la Camorra por investigar y contar en sus reportajes y libros las tramas del crimen organizado, recuerda una frase de Ensayo sobre la ceguera en la que se dice que en la vida “siempre llega un momento en que no hay más remedio que arriesgarse” y, a partir de ahí, rinde homenaje a quienes no han dudado en hacerlo, aún jugándose la vida..."


sábado, 3 de janeiro de 2015

Discurso de José Saramago contra a "Guerra do Iraque" (Porta do Sol, Madrid, a 16 de Março de 2003)

Dulce Chacón e Saramago, discursam contra a "Guerra do Iraque", Dezembro de 2003


"Dez anos e 122 mil mortos depois da invasão norte-americana que marcou o início da guerra do Iraque, recordamos o manifesto que José Saramago escreveu e que leu pessoalmente perante centenas de milhares de manifestantes, na Porta do Sol, em Madrid, a 16 de Março de 2003"


Para ler, na revista digital "Blimunda", n.º 28 (Setembro de 2014)

"Eles pensavam que nos havíamos cansado de protestar, que os tínhamos deixado à solta para prosseguirem na sua alucinada corrida para a guerra. Equivocaram-se. Nós, estes que hoje nos estamos manifestando, aqui e em todo o mundo, somos como aquela pequena mosca que volta obstinadamente uma vez e outra a cravar o aguilhão nas partes sensíveis da besta. Somos, em palavras populares, claras e precisas para que melhor se entendam, a “mosca cojonera” do poder.

Eles querem a guerra, mas nós não os vamos deixar em paz. Ao nosso compromisso, ponderado nas consciências e proclamado nas ruas, não lhe farão perder vigência e autoridade (também nós temos autoridade...) nem a primeira bomba nem a última que venham a cair sobre Iraque.

Que não continuem os senhores e as senhoras do poder a dizer que nos manifestamos para salvar a vida e o regime de Sadam Hussein. Mentem com todos os dentes que têm na boca. Manifestamo-nos, isso sim, pelo direito e pela justiça. Manifestamo-nos contra a lei da selva que os Estados Unidos e os seus acólitos antigos e modernos pretendem impor ao mundo. Manifestamo-nos pela vontade de paz da gente honesta e contra os caprichos belicistas de políticos a quem sobeja a ambição e a quem vai faltando a inteligência e a sensibilidade. Manifestamo-nos contra o concubinato dos Estados com os super-poderes económicos de todo o tipo que governam o mundo. A terra pertence aos povos que a habitam, não àqueles que, servindo-se de uma representação democrática descaradamente pervertida, os exploram, manipulam e enganam. Manifestamo-nos para salvar a democracia em perigo.

Até agora a humanidade foi sempre educada para a guerra, nunca para a paz. Constantemente nos aturdem os ouvidos com a afirmação de que se queremos a paz amanhã não teremos mais remédio que fazer a guerra hoje.. Não somos ingénuos ao ponto de acreditarmos numa paz eterna e universal, mas se os seres humanos foram capazes de criar, ao longo da História, belezas e maravilhas que a todos nos dignificam e engrandecem, então é tempo de deitar mãos à mais maravilhosa e formosa de todas as tarefas: a incessante construção da paz. Que essa paz, porém, seja a paz da dignidade e do respeito humano, não a paz de uma submissão e de uma humilhação quantas vezes disfarçadas sob a máscara de uma falsa amizade protectora.

Já é hora de que as razões da força deixem de prevalecer sobre a força da razão. Já é hora de que o espírito positivo da humanidade se dedique, de uma vez, a sanar as inúmeras misérias do mundo. Esssa é a sua vocação e a sua promessa, não a de pactuar com supostos ou autênticos “eixos do mal”...

(Amenamente estavam Bush, Blair e Aznar conversando sobre o divino e o desumano, seguros e tranquilos no seu papel de poderosos feiticeiros, peritos em truques de batota e conhecedores eméritos de todos os enredos da propaganda mentirosa e da falsidade sistemática, quando no gabinete oval onde se encontravam reunidos irrompeu a terrível notícia de que os Estados Unidos de América do Norte tinham deixado de ser a única grande potência mundial. Antes de que Bush pudesse desferir o primeiro soco na mesa, o vosso presidente José María Aznar apressou-se a declarar que essa nova grande potência não era Espanha. “Juro que não é, George”, disse. “O meu Reino Unido também não”, acrescentou Blair rapidamente para cortar a nascente desconfiança de Bush. “Se não és tu e tu não és, quem é então?”, perguntou Bush. Foi Colin Powell, mal acreditando no que a sua própria boca pronunciava, quem disse: “A opinião pública, senhor presidente”.)

Todos tereis percebido que esta historieta é uma simples invenção minha. Peço-vos, portanto, que não lhe deis demasiada importância. Tem-na, porém, e muita, o que já se tornou numa evidência para todos, a mais exaltante e feliz evidência destes conturbados tempos: os feiticeiros Bush, Blair e Aznar, sem o quererem, sem que o tivessem proposto, nada mais que pelas suas malas artes e ainda piores intenções, fizeram surgir, espontâneo e irresistível, um gigantesco, um imenso movimento de opinião pública. Um novo grito de “Não passarão”, com as palavras “Não à guerra”, percorre o mundo.

Não há exagero em dizer que a opinião pública mundial contra a guerra se converteu numa potência com a qual o poder vai ter de contar. Enfrentamo-nos deliberadamente aos que querem a guerra, dizemos-lhes “NÃO”, e se, ainda assim, persistirem no sua demencial acção e  desencadearem uma vez mais os cavalos do apocalipse, então desde aqui os avisamos de que esta manifestação não será a última, de que estes protestos continuarão durante todo o tempo que a guerra durar, e mesmo mais além, porque a partir de hoje não se tratará simplesmente de dizer “Não à guerra”, mas sim de lutar todos os dias e em todas as instâncias para que a paz seja uma realidade, para que a paz deixe de ser manipulada como um elemento de chantagem emocional e sentimental com que se pretende justificar guerras.

Sem paz, sem uma paz autêntica, justa e respeitosa, não haverá direitos humanos. E sem direitos humanos – todos eles, um por um – a democracia nunca será mais que um sarcasmo, uma ofensa à razão, uma despudorada mentira. Nós, que aqui estamos, somos uma parte da nova potência mundial. Assumimos as nossas responsabilidades. Vamos lutar com o cérebro e o coração, com a vontade e o sonho. Sabemos que os seres humanos são capazes do melhor e do pior. Eles (não é necessário dizer agora os seus nomes) escolheram o pior. Nós escolhemos o melhor."

(Imagem da célebre conferência, realizada nos Açores, 
sob o patrocínio dos EUA, Reino Unido, Espanha e Portugal) 


Mais um texto de José Saramago sobre a Guerra do Iraque:

"Sabemos como se mobiliza para a guerra. Criado o foco de conflito, inicia-se o processo mobilizador com apelos patrióticos, manifestações, hinos, discursos, sons atroadores, imagens multiplicadas. Ainda o primeiro tiro não foi disparado e a  guerra já é santa, já é justa, já é necessária. Ultimamente, a arte de mobilizar para a guerra aperfeiçoou os métodos, potenciando a autoridade compulsiva dos governos e a influência dos condicionantes pessoais e colectivos. A persuasão tem na mobilização bélica uma expressão perfeita. O homem é mais facilmente mobilizável para a guerra que para a paz.

A humanidade tem sido levada a aceitar a guerra como único meio eficaz de resolução de conflitos, e os governos sempre se serviram dos períodos de paz para prepararem a guerra seguinte. Mas foi sempre em nome de uma paz futura que as guerras foram declaradas, é sempre para que amanhã os filhos vivam pacificamente que hoje se sacrificam os pais. Quem isto hipocritamente proclama sabe que o ser humano, apesar de historicamente educado para a guerra, transporta no seu espírito um perene anseio de paz. O homem compreende que o que lhe conferirá humanidade plena não é um desenvolvimento científico e tecnológico orientado para a agressão, mas a paz. Daí que esta seja usada como meio de chantagem moral por quem tem interesse na guerra: ninguém ousaria confessar que faz a guerra pela guerra, afirma-se, sim, que se faz a guerra pela paz.

O que ontem foi verdade continua a sê-lo hoje. Contra o que pretende a máquina propagandística norte-americana, Sadam Husein, sendo sem discussão um criminoso, não representa um perigo para a paz mundial. Iraque, simplesmente, é, neste momento, o alvo petrolífero mais fácil. Esse é um dos motivos da obsessão bélica dos Estados Unidos. O outro talvez possa ser encontrado no projecto imperial e neo-colonial de Washington, que, para poder penetrar na Ásia, necessita controlar o Médio Oriente..."

José Saramago

Dulce Chacón e Saramago, discursam contra a "Guerra do Iraque", Dezembro de 2003


"Um homem nunca sabe quando a guerra acaba. Diz, Olha, acabou, e de repente não se acabou, recomeça, e vem diferente, a puta, ainda ontem eram floreios de espada e hoje são arrombações de pelouro, ainda ontem se derrubavam muralhas e hoje se desmoronam cidades, ainda ontem se exterminavam países e hoje se rebentam mundos."
José Saramago, em "Memorial do Convento"

Retirado da revista digital "Blimunda", n.º 26 (Julho de 2014),