Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

"José e Pilar" - Trailer Oficial produzido pela Jumpcut Portugal

Pode ser recuperado via YouTube aqui


Sinopse

A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo -- ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, "tudo pode ser contado de outra maneira".

quinta-feira, 1 de março de 2018

"5 coisas que você pode aprender com o amor de José Saramago e Pilar del Rio" por Milena Buarque para o "Huffpost Brasil" (09/06/2017)

A presente crónica pode ser recuperada e consultada aqui
em http://www.huffpostbrasil.com/milena-buarque/5-coisas-que-voce-pode-aprender-com-o-amor-de-jose-saramago-e-pi_a_22100750/

de Milena Buarque Jornalista, escritora, blogueira e pedestrianista (09/06/2017)

"5 coisas que você pode aprender com o amor de José Saramago e Pilar del Rio
São elas: estar no mundo, momento-chave, família, respeito e raízes."


"Cena do documentário 'José e Pilar' (2010), de Miguel Gonçalves Mendes"


José de Sousa, em seu bilhete de identidade informal, conta que talvez tenha sido um dos primeiros casos em que o filho dá nome ao pai: Saramago não é de família, era apenas alcunha e acabou adotado pelo pai depois de ser colocado em José por um ousado funcionário da Conservatória do Registro Civil da Golegã, em Portugal.

E é como um 'bilhete de identidade informal', não só seu, mas também de Pilar del Río, sua companheira, que o livro "José e Pilar" pode ser lido.

Reunindo as entrevistas que deram origem ao documentário de Miguel Gonçalves Mendes (2010), a grande novidade do livro é trazer algumas conversas inéditas, que não foram parar no produto final. Prefaciado por Valter Hugo Mãe, a obra foi publicada em 2012, dois anos após o filme.

Estava em minha estante há um bom tempo, esperando para ser lido justamente pela razão de que teria sido lido de imediato. Explico: cartas e conversas são, para mim, uma enorme tentação. Pode ser que um pouco de minha curiosidade jornalística se converta em bisbilhotices, mas a verdade é que só é possível conhecer de fato um autor quando você se vale de outros meios que não as suas obras. Facetas, pois – diria José Saramago.

Dada a colocar atenção em sincronias – coisa que fariam José e Pilar rirem de mim –, o dia em que termino o livro marca justamente um mês para os sete anos de morte de Saramago (18 de junho de 2010) e, curiosamente, é o mesmo em que vi o documentário anos atrás (a ferramenta de lembranças do Facebook tem a sua utilidade).

A divisão adotada no livro é outro adicional. Com 'capítulos' intercalados dedicados a cada um, é possível visualizar claramente em quais pontos os dois se aproximam e se distanciam. Apesar de Pilar colocar-se como a jornalista e tradutora que ajudou a 'organizar' a vida de Saramago – e sua carreira tardia –, é interessante como o livro nos permite ver um pouco mais dela.

"Participamos da mesma forma de estar no mundo" é o que ela diz a respeito das semelhanças e diferenças dos dois. Acredito que esta frase sintetize, concordando com Pilar, a relação dos dois.

Sem pretensões, as conversas com o diretor Miguel Gonçalves Mendes evidenciam uma confluência de opiniões acerca de variados assuntos: José sereno e Pilar veemente veem da mesma forma a nocividade das relações familiares, o amor, o mundo, a religião, os papéis cívicos e políticos dos jornalistas e dos escritores, a cultura e a morte.

Eles de fato partilham, participam e estão* no mundo juntos. Este seria um dos maiores ideais no amor – até para os dois, tão críticos e avessos à eternidade ou ao destino. É de se entender, claro: encontraram-se quando muito já haviam caminhado pela vida. Ainda assim, para eles, não haveria amor ou vida maior se separados.



Este mesmo estar no mundo é a primeira lição que tiro de José e de Pilar. Compartilho abaixo outros cinco aprendizados desta conversa que travamos os quatro:

2. Momento-chave, por José: Se há um momento na minha vida que é um momento-chave é esse, o momento da decisão: é agora ou nunca que eu vou saber finalmente se sou escritor ou se não sou escritor. E tinha sessenta anos, meu caro.

José Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura aos 76 anos. Longe do círculo de intelectuais portugueses, até aquele momento sempre fora tratado com desconfiança e ceticismo – assunto longamente abordado pelos dois em muitas entrevistas.

Quando resolveu escrever, Saramago encontrava-se desempregado. Foi para o Alentejo, para uma unidade coletiva de produção e saiu com um romance. É um dos maiores escritores portugueses.

3. Família, por Pilar: A família é um grupo social. (...) É o grupo social mais perverso que pode haver para o indivíduo. É constituído e passa a existir e nós o mantemos. E eu citava o exemplo de [Bernardo] Bertolucci, que dizia que a primeira mentira que os seres humanos dizem é justamente por culpa da família, o primeiro fingimento, a primeira hipocrisia... Aprendemos a ter uma vida dupla e a sermos diferentes do que queremos ser (...).

4. Respeito e amor, por José: Somos muito respeitadores de cada um de nós em relação ao outro. Isso não quer dizer que não se aprenda com o outro, que não se transmita ao outro algo daquilo que é nosso, e não quer dizer que isso que se transmite não seja incorporado no outro. Pois se eu leio hoje um livro e se esse livro influi em mim, como é que não há de influir a pessoa com quem eu vivo um ano, dois, três, quatro, cinco, dez anos? Mas nem eu me converto no livro nem me converto na outra pessoa. (...) Interpenetramos a toda a hora.

5. Raízes e o mundo, por Pilar: Às vezes se criam raízes, mas onde eu estiver levarei sempre umas tesouras para cortar as raízes. As raízes... cada um vive no lugar onde está neste momento, e as raízes deste dia são cada dia, não estar apegado aos lugares. O mundo é muito grande para apegar-se só e exclusivamente a um lugar.

* Ignorei a morte de Saramago ao escrever este texto, pois ela foi completamente esquecida no decorrer da leitura. Bem, é como se ele seguisse vivo, não? (Mais um comentário para o qual ele balançaria a cabecinha.)

*Texto publicado originalmente no Coletivo We Love.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

sábado, 3 de setembro de 2016

José Saramago e a sua presença na "Festa do Avante"

Trabalhos de montagem e apoio à realização da Festa do Avante em 1978

Via página da Fundação José Saramago, aqui 
No dia da abertura da 40.ª edição da Festa do Avante!, uma fotografia de José #Saramago no trabalho de montagem da Festa de 1978. Ao longo das várias edições da Festa, o Nobel português marcaria presença em debates e sessões de autógrafos. 
A Notícias Magazine publica hoje uma galeria de fotografias, assinalando os 40 anos de festa: http://www.noticiasmagazine.pt/2016/avante-40-anos-de-festa/



Fotografias do espaço literário com destaque para a vida e obra de José Saramago






Fotografias e texto via blog "Sem Embargo"
"José e Pilar" na Festa do Avante
 Pilar del Rio e o realizador Miguel Gonçalves Mendes estiveram na Festa do Avante, para a apresentação do documentário "José e Pilar".
3 de Setembro de 2011





segunda-feira, 20 de junho de 2016

"José e Pilar" Fragmentos I - Exibido na Fundação José Saramago "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"

Pode ser visualizado através do YouTUbe, aqui

"Seis anos depois da morte de José Saramago, apresentamos o primeiro volume de Fragmentos de «José e Pilar», um conjunto de inéditos das 240 horas de filmagem captadas pela equipa do realizador Miguel Gonçalves Mendes."

domingo, 19 de junho de 2016

Momentos da homenagem "18 de junho, 6 anos vivendo José Saramago"


Aline Frazão interpreta música do seu álbum "Insular"
"O homem que queria um barco", baseado na obra de José Saramago "Conto da Ilha Desconhecida"

Pode ser visualizado, via YouTube, aqui

Presidenta Pilar del Río, apresentou em castelhano extracto de um 
capítulo inédito da obra "Jangada de Pedra", que faz parte da edição espanhola

Pedro Lamares, deu voz à "Jangada de Pedra"

Apresentação de imagens inéditas do filme documentário "José e Pilar"

A Oliveira que nos acolhe à chegada da Fundação José Saramago
"Casa dos Bicos" em Lisboa

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"18 de junho, seis anos depois, vivendo José Saramago" - "José e Pilar" Entrevista com o diretor Miguel Gonçalves Mendes

O vídeo pode ser visualizado, via YouTube, aqui

"O diretor português Miguel Gonçalves Mendes fala sobre o documentário "José e Pilar", feito a partir de registros dos últimos quatro anos de vida do escritor José Saramago ao lado de sua esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río."


"Nesta entrevista o realizador Miguel Gonçalves Mendes fala sobre "José e Pilar" e conta da dificuldade que foi transformar 230 horas de filmagens em um filme de duas horas. No sábado veremos cerca de 15 minutos de cenas inéditas do documentário."

Via página do Facebook da Fundação José Saramago


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"Noiserv" - "Palco do Tempo" (Oficial VideoClip) OST do fime documentário "José e Pilar"

Pode ser visualizado, aqui via Youtube

OST "José & Pilar"
Noiserv - Palco do Tempo

Script Miguel Gonçalves Mendes | http://www.jumpcut.pt
Editing Pedro Sousa | http://www.ositedopedro.com

"Deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade. 
E um pouco de tudo das tantas coisas que fizeram José Saramago e Pilar del Río 
é o que vemos em José e Pilar, o filme de Miguel Gonçalves Mendes."


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Banda sonora do filme documentário "José e Pilar" Noiserv

Informação postada pela banda, aqui
em https://www.facebook.com/noiserv/posts/10153817733316678?fref=nf

"Olá Olá!
Há uns meses, tinha ficado esgotada a versão em CD da banda sonora do filme José and Pilar, da qual faz parte a música Palco do Tempo e uma série de outras músicas minhas.
Finalmente, para quem tenha interesse, já se encontra de novo disponível através do site em baixo !
Beijinhos e Abraços a todos!"


domingo, 20 de dezembro de 2015

"José e Pilar Um filme cheio de vida" (Público 14/10/2010)

"José e Pilar Um filme cheio de vida", por Isabel Coutinho, aqui
em http://www.publico.pt/temas/jornal/jose-e-pilar-um-filme-cheio-de-vida-20399926


"Com o documentário Autografia/Um Retrato de Mário Cesariny, Miguel Gonçalves Mendes recebeu o Prémio de Melhor Documentário Português no DocLisboa 2004. Regressa hoje ao festival com José e Pilar, o filme da sessão de abertura, já esgotadíssima, na Culturgest

Há uma certa escuridão naquele corredor do Museu Nacional de Arte Antiga, mas a câmara de Miguel Gonçalves Mendes aproxima-se e o espectador do documentário José e Pilar percebe que o homem que está a olhar para a vitrina da exposição Encompassing the Globe é o Prémio Nobel da Literatura português.

José Saramago, absorto nos seus pensamentos, contempla o banco que pertenceu ao arquiduque da Áustria, Maximiliano II, e foi feito com os ossos do elefante que lhe foi oferecido pelo seu tio, João III de Portugal. A peça, agora de museu, está ligada ao romance A Viagem do Elefante que Saramago escreveu durante os anos em que a câmara do realizador português entrou dentro da intimidade do Nobel e da sua mulher, Pilar del Río.

Pode ser visualizado aqui, via YouTube


Quando fez José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes tinha um objectivo: não dar aos espectadores a sensação que estavam a ver um documentário. "Não quis que fosse um documentário tradicional, com um lado pedagógico, a falar do homem e da obra", explica o realizador. Isso já estava feito em outros suportes (livros, reportagens de televisão, etc.). O que lhe interessava era contar esta história como se fosse uma narrativa clássica em termos de estrutura: "Um homem que quer escrever um livro, que adoece, que tem medo de não conseguir acabar o livro, mas consegue recuperar e não só acaba esse romance, como ainda tem uma ideia para outro."

Se no documentário Autografia/Um Retrato de Mário Cesariny, pelo qual Miguel Gonçalves Mendes recebeu o Prémio de Melhor Documentário Português no DocLisboa 2004, se sentia haver alguém a despedir-se, no sentido quase testamentário, em José e Pilar há sofreguidão de vida e de desejo de viver. "De José e de Pilar, aquilo que mais me fica é que a vida é só esta, ponto final. E, no caso de José, como ele diz, tudo lhe aconteceu demasiado tarde, há um caso de urgência." O escritor morreu no dia 18 de Junho de 2010 e o filme foi montado antes de ele morrer. "No dia em que morreu, jurámos a nós próprios não tocar em nada da montagem", conta Mendes. "Seria um processo suicida, íamos destruir o filme todo." Na altura, um amigo lembrou ao realizador: "Miguel, o filme é dos vivos para os vivos."

Um filme sem falsidades

"Eu tenho ideias para romances. Ela [Pilar] tem ideias para a vida. E eu não sei o que é mais importante", diz a determinada altura, brincalhão, José Saramago. Mas é claro que sabia. Miguel Gonçalves Mendes acompanhou o casal por vários locais do mundo durante mais de três anos, tem filmadas cerca de 240 horas de material e passou um ano e meio na mesa de montagem. Fez uma primeira versão de José e Pilar com seis horas, outra de três e a versão final que abre hoje, às 21h00, a VII edição do DocLisboa, na Culturgest, em Lisboa, tem duas horas.

José Saramago viu a versão de três horas. Muitas vezes, durante a rodagem, o escritor teve dúvidas sobre a pertinência de se filmarem determinadas coisas, explica Miguel Mendes, mas quando viu o resultado disse-lhe que, mais do que um filme sobre ele e Pilar, era um filme sobre a vida. "Pareceu-lhe mais interessante do que estava à espera", conta Pilar del Río, num e-mail enviado ao P2 a partir de Milão. "Riu-se com algumas cenas, achámos que estávamos feios noutras, inteligentes por vezes, fortes nas discussões... Ficámos surpreendidos ao ver como representávamos pouco, com o estarmos sem maquilhagem, de estar o José, de roupão, como se não existissem câmaras...", diz. Sentiram que parte da vida deles voltava, que tinham o privilégio de a ver como numa máquina do tempo, com naturalidade, porque "é um filme sem falsidades, cheio de verdade, de pequenas coisas, de vida, simplesmente", continua Pilar. O retrato que Miguel fez do vosso quotidiano é real? Revê-se nele? "Absolutamente. Miguel foi um retratista fiel, embora com personalidade própria. Fez o retrato que qualquer pintor quereria assinar. Sabe manejar os pincéis e a câmara. E os tempos. Tem carácter como realizador, chegará longe."

Em José e Pilar assistimos à rotina do dia-a-dia, à inauguração da biblioteca, aos cães a rondar a casa, ao casamento, a funerais, ao regresso à Azinhaga e a Castril, à criação da fundação, aos momentos da doença. Numa das cenas mais impressionantes vemos José Saramago na cama do hospital a olhar para um computador onde, em directo, está a ser transmitida a imagem dos amigos e família a desejarem-lhe "Ano Feliz 2008".

Sabe que eu te amo, né?

Momentos interessantes são também aqueles que se passam no México na Feira de Guadalajara e no Brasil, quando o autor de Memorial do Convento foi lá lançar A Viagem do Elefante. Há a conferência de imprensa em que José se queixa que os jornalistas lhe fazem sempre as mesmas perguntas onde quer que vá. Uma jovem aproxima-se do escritor e repete várias vezes algo que o escritor não percebe ("Saramago, eu te amo"), acabando por lhe segredar ao ouvido: "Você sabe que eu te amo, né?" O escritor português desmancha-se a rir. O editor brasileiro Luiz Schwarcz e a sua mulher, Lilia, antropóloga, em casa de quem Saramago ficava no Brasil, emocionaram-se muito. "O humor do filme nos agradou imenso, como vocês diriam. Não temos muito a dizer. Sentimos muito do que privamos ao ter José e Pilar sempre em casa", responderam por e-mail. Este filme tem a capacidade de emocionar e de fazer rir quem o vê. Os protagonistas, José e Pilar, não se emocionaram, simplesmente reviveram. E riram-se de algumas coisas que se passaram e que a câmara viu.

Para Pilar del Río, não há nenhuma lição a tirar deste filme, "só a experiência de compartilhar com alguém muito amado, com José Saramago, parte da sua vida, entrar na sua intimidade, porque Saramago abriu as suas portas e expôs-se". "Parece-me isso tão admirável que eu, sim, estou emocionada ante o exemplo magnífico, da generosidade assombrosa de José Saramago neste filme, na sua vida. Como o filme revela."

José e Pilar chega aos cinemas portugueses a 18 de Novembro e terá antestreia a 16 de Novembro, data do aniversário de Saramago."




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"Los compromisos, todos" Entrevista de Débora Quiring (la diaria do Uruguai) a Pilar del Río e Miguel Gonçalves Mendes (23/08/2013)

A entrevista do "la diaria - Montevidéu - Uruguai, pode ser consultada e lida, aqui

Por Débora Quiring, em 23 de Agosto de 2013


Pilar del Rio y Miguel Gonçalves Mendes. / foto: Javier Calvelo

"Los compromisos, todos"

"Con Pilar del Río, viuda de José Saramago, y el cineasta Miguel Gonçalves Mendes.
Hace un par de años pudimos ver en la pantalla al mítico Premio Nobel de literatura José Saramago junto con su gran compañera y traductora, Pilar del Río, en una película documental llamada José y Pilar, del portugués Miguel Gonçalves Mendes (que se presentará mañana, a las 17.30, luego de una mesa redonda, en Cinemateca Pocitos). Actual presidenta de la Fundación José Saramago, Pilar del Río realizó junto con el cineasta una gira por Brasil, Argentina y Uruguay. Hoy será declarada Visitante Ilustre de la ciudad de Rocha. Además, se reunió con el presidente, José Mujica, y dio una charla abierta en la sede del Frente Amplio sobre los cruces entre cultura y política."


-Saramago dijo que se podría haber enamorado de la mujer del médico de Ensayo para la ceguera. Aunque, en otro tono, viendo el documental, Pilar podría tener algo de ella entre la agenda, los viajes, las traducciones.

Pilar del Río: -Saramago jamás en su vida se inspiró en situaciones personales para ir a su novela. Él hablaba de los conflictos del mundo que le parecían interesantes, de sus preocupaciones y obsesiones, y luego incluía personajes que le fueran útiles para ese fin. Pero nunca se basó en personajes concretos. 

Miguel Gonçalves Mendes: -Hay una escena en La balsa de piedra de la que José decía que era semejante a cuando vio a Pilar por primera vez: la sensación que tuvo cuando la vio y no sabía quién era. 

PDR: -Pero no está basado en eso. Él vivió una situación personal, y como en esa época estaba escribiendo La balsa de piedra, él reproduce el momento en que nos encontramos con otros personajes, otros momentos y otras situaciones, pero sin las sensaciones. 

MGM: -¿Y no cree que la fuerza de la mujer del médico puede estar un poco inspirada en usted? 

PDR: -Es que Saramago decía que sus personajes no eran reales, pero que quería que las mujeres nos pareciéramos a sus personajes. Él valoraba mucho el papel de la mujer, que ha sido doblemente ignorada a lo largo de la historia: por la historia en general y por los hombres en particular. De hecho, en sus libros las mujeres son los personajes fuertes, mientras que los hombres son melancólicos, solitarios, tienen dificultades de comunicación; las mujeres son mucho más lanzadas, más abiertas, hacen cosas por los demás, y son capaces de vivir la belleza, la armonía, aunque sea una empleada de hotel, como es el caso de Lidia [personaje de Claraboya].

-Se podría decir que tanto el compromiso social como la exigencia estética son constantes en su obra. Era el tipo de hombre íntegro que uno no imagina como un personaje. ¿Crees que ahora el mito empieza a primar sobre él?

PDR: -No. El Saramago que vivía era exactamente igual al hombre que escribía, como se puede ver en la película de Miguel. Y ahora se ha convertido en el escritor que ya no está, porque ha muerto, pero sus libros sí están y con ellos los lectores siguen teniendo una relación. Pero no es un hombre mito, es un hombre muy de carne. Y si alguna vez alguien tiene la tentación de convertirlo en un mito, que vea la película de Miguel Gonçalves Mendes. Es un hombre cercano, es como uno de nosotros, pero escribía maravillosamente bien. Su objetivo era hacer de la literatura vida, y lo consiguió. Su vida no es literatura, sino una vida muy cercana a la nuestra, y por lo tanto la podemos incorporar a nuestra propia vida. Por eso es maravilloso leerlo después de haber visto la película de Miguel.

-Cambia la percepción.

PDR: -¿Te gustó?

-Sí, me gustó mucho. Más allá de la fotografía y los cuadros, es una buena oportunidad de conocer la intimidad de un escritor. Sería distinto si tuviéramos más documentales así...

PDR: -Aquí los personajes se destruyen, y me parece estupendo. Imagínate si tuviéramos esto de Tolstoi, de Proust, de Kafka, de Joyce, de Onetti o de Borges. Habrá algunos escritores que digan que esto no es necesario, que lo importante es la obra. Pero si nosotros no queremos reducir la obra al nombre del escritor, tenemos que conocerlo de cuerpo entero. Hay muchos escritores que son muy citados y muy poco leídos. Entonces, hay que leer la obra. Pero una forma de vincularte a ella es conociendo al escritor; no mediante la interpretación de un actor maravilloso -como en el caso de Tolstoi en La última estación-, pues entrando en su vida de esa manera es muy difícil ver a ese escritor como un hombre. Va a ser un hombre completo que escribe libros, y que se leerá de otra manera.

-Y sobre todo sorprende el compromiso de Saramago...

MGM: -Sobre todo, el compromiso con el mundo, con nosotros, además de su grado de generosidad. Incluso en la película le preguntan cuál es la tarea de un escritor, y él dice que es escribir, como es obvio, pero agrega la de intervenir en la sociedad como ciudadano. Tanto José como Pilar intentaron transformar este mundo, que es una mierda, en algo un poco mejor. Hay mucha gente que dice -y yo concuerdo absolutamente- que, a través de sus libros y de su compromiso público con el mundo, José terminó siendo la voz de los que no la tienen.

-Saramago no sólo escribió sobre la muerte de Benedetti, sino que además mandó una carta a Julio María Sanguinetti en 1999 en la que le pedía que colaborara con Juan Gelman. Tuvo un fuerte compromiso con la realidad latinoamericana desde siempre...

PDR: -Saramago era muy de su tierra, de su pueblo; era de Portugal y escribía en portugués, pero era universal. Y uno de los lugares en los que mejor expresaba esta universalidad era en este continente, donde él se sentía como en casa. Él decía que llegó a México llamándose Saramago y que allí ganó un nombre, porque salió siendo José. Estaba muy vinculado a los escritores de nuestra América, a las universidades, a los lectores y a las situaciones políticas, que siempre denunció o aplaudió, dependiendo del caso. Por ejemplo, se tomó un avión para venir a la toma de posesión de [Ricardo] Lagos, cuando, después de mucho tiempo, un socialista ocupa el lugar de [Salvador] Allende. Había ido antes a Chile para denunciar los abusos contra los mapuches y los aymaras, a quienes estaban desalojando de sus tierras. También denunció el tráfico de drogas durante la creación de nuevas autopistas y la pena de muerte en Cuba. Y aplaudió las buenas iniciativas del continente.

-Dijiste que querías hacer un “retrato humano”, que pasó de ser un pequeño proyecto a un trabajo de cuatro años.

MGM: -Bueno, ya tenía en la cabeza que duraría un año, pero para que aceptaran... 

PDR: -Para engañarnos. Todo empezó como una mentira. 

MGM: -Más o menos. Les dije la verdad: quería hacer una película intimista y un retrato sobre la relación de la pareja. A todo esto José me contestó que no sería posible, que su intimidad era su intimidad, pero que si quería trabajar sobre su trabajo, estaba bien. A partir de ese momento acepté esta propuesta, y así fue como comenzó todo. Al final, no tardó ni una semana ni un año, sino cuatro años.

-¿Cómo se fue dando la convivencia?

PDR: -Fue muy buena. Al principio venían muy poco, después fueron aumentando la frecuencia, e incluso terminaron quedándose en casa. Por lo que cada vez tenían más confianza y comenzaban a dejar más ceniceros sucios y más cables por el suelo... Ahí, yo montaba en cólera, y por eso en algunas entrevistas se me ve tensa -además de estar sin maquillaje y fea porque no estaba cuidando el plano de la cámara-: yo estaba respondiendo y veía que José iba a pasar por el medio de todos los cables, que no los iba a ver, y que se podía caer. Eso fue dramático, pero nunca me hicieron caso. Lo cierto es que estuvieron muy bien y los fuimos integrando a la familia. 

MGM: -Yo siempre sostengo, en el trabajo en general, y sobre todo en el mío, que si tú quieres llegar al alma de la verdad es necesario el tiempo. Yo no puedo preguntarte ahora, en cinco minutos, cómo es tu relación con tu padre. Me darías una respuesta simpática y educada, pero que probablemente no sería cierta. Por eso yo creía que lo más bonito, lo que nos distingue de los demás, son las pequeñas cosas: nuestros gestos, nuestras pequeñas esquizofrenias. Para esto es necesario tiempo, y por eso mismo yo había pensado que la grabación de la película se extendería cerca de un año. Este tipo de retrato es como si se convirtiera en una relación de seducción: tú vas seduciendo a la otra persona -no en el sentido amoroso, sino en el relacional-. Por eso al inicio sólo grabábamos eventos públicos: para no resultar tan agobiantes. Y después ellos me vieron llorar en los aviones, porque le tengo pánico a volar, y cenábamos y viajábamos juntos por seis o siete meses. Al volver a Lanzarote, algo que ellos dos siempre habían dicho que no iba a ocurrir, grabar dentro de la casa, ocurrió. Por lo tanto, me quedé muy contento. Y de hecho, si esta relación no se hubiera creado entre nosotros... 

PDR: -No estaríamos aquí. 

MGM: -No estaríamos aquí. Y la película no sería la misma, ya que la película está hecha sobre un documental de la relación que se establece, que necesita ser grabado y alguien que lo haga. Hacia el final, incluso, José siempre decía: “Bueno, ahora que termina la película, no se qué vamos a hacer. Pilar te va a extrañar, porque tú eres nuestra sombra. Toda la familia te conoce y estás en todas las comidas y en todas las fiestas”. Aunque aún lo sigo estando, ¿no? 

PDR: -Sí, pero poco.

-¿Por qué decidiste acercarte a José y a Pilar? En 2004 habías filmado Autografía, sobre el pintor y poeta Mário Cesariny.

MGM: -Y muchos años antes había hecho un documental sobre las relaciones entre Portugal y Galicia, y la palabra ciudad y todo eso. En esa oportunidad, le pregunté a Saramago si podía grabar un pequeño off para el documental, en un pequeño convento rodeado por desierto. Cuando aceptó, me puse súper nervioso; no sabía si el micrófono funcionaba o no, y, bueno, cuando a los años decidí hacer el documental, me contacté con ellos. Entre el primer no y el sí final, pasaron alrededor de cuatro o cinco meses. Esa película a la que te referiste, Autografía, es un retrato intimista y humano de Mário Cesariny. Desde niño soy seguidor de José: leía sus libros en orden cronológico e, incluso, el otro día me acordaba de que de hecho mi formación humanista, y de alguna manera política, ha sido construida con base en José Saramago. Y creo que esto es muy importante, porque de alguna forma me cambió. Por esto mismo, yo tenía una gran curiosidad respecto del personaje, y en ese entonces surgieron variados reportajes y ensayos sobre su pensamiento literario y político, pero no desde una perspectiva personal, como puede ser su día a día o cómo veía el mundo. Ahí radicaba una cosa de la que muy poca gente hablaba, excepto él, que era la importancia de Pilar en su propia vida. Y esto es algo muy claro, no sólo en las dedicatorias de sus libros, sino también en la afirmación constante de su amor por ella. Hay una inclusión muy buena en el libro, en el que se dice que hay una especie de gratitud hacia Pilar, y Pilar responde: “Puedes poner todo: gratitud y amor”. Porque es verdad que hay un José antes y un José después de ella. De hecho, José decía que Pilar le había traído juventud y que lo había convertido en una persona más abierta. Y si bien no lo conocí antes de la relación con Pilar, realmente creo que era así. De ahí surge la necesidad de retratarlos a los dos. Y también porque en Portugal hay un refrán que dice que de España no viene ni buen viento ni buen casamiento, como si todo lo que viniera de ahí fuera malo; y esta pareja era la prueba contraria de ello.

-Siguiendo un poco con todo esto, ahora en San Sebastián se presenta una película sobre El hombre duplicado. Meirelles editó Blindness, y está en proceso El evangelio según Jesucristo. Saramago no quería que sus libros fueran al cine. ¿Cómo crees que viviría estos procesos?

PDR: -Saramago dijo eso hace 20 años...

-Y se terminó emocionando hasta las lágrimas con la película de Meirelles...

PDR: -Claro. Él respetaba mucho el cine y decía que había que escribir para el cine, que no se podía adaptar lo demás. Y cuando se llevaba era malo; por eso se negaba. Hasta que un día le dijeron que se podían extraer situaciones de un libro y con varias de ellas hacer una ópera; eso fue lo primero. Y cuando se realizó la ópera, le encantó. Luego, la Scala de Milán y varios alemanes realizaron cinco óperas más. Él pensaba que llevar situaciones de los libros a la ópera era lo bueno, no la reproducción de los libros mismos, ya que no se puede incluir la voz narradora y la imagen narra de otro modo. Después, indudablemente le gustó mucho la película de Meirelles, rodada aquí, en Montevideo, y también le gustaron otras, aun cuando le parecieron excesivamente fieles al libro. Él pedía que no fueran fieles al libro, sino que el libro fuera leído para intergrarlo y olvidarlo, y luego hacer la película basándose en lo que les quedara. A mí esto me parece muy generoso por parte de Saramago: nunca quiso participar de un proceso de adaptación porque creía que era entrometerse con la mirada de otro autor. Miguel va a hacer El evangelio según Jesucristo. 

MGM: -Decía que le costaba ver la cara de sus personajes. Y, de hecho, eso pasa... 

PDR: -Pero cuando a Blimunda [personaje de Memorial del convento] la interpretó en la Scala de Milán una sueca de dos metros -cuando todos nos imaginábamos a Blimunda buena y bajita-, esa cantante sueca, rubia y alta como una orquídea, representó a Blimunda en nuestros sueños para siempre. Ya no puedo ver a Blimunda de otra manera. Y para mí, la mujer del médico [en 
Blindness] es Julianne Moore, buscando por todos lados con su pelo rubio recogido. O sea que no importa verles las caras a los personajes, si los personajes son buenos.

-“Él escribe, yo traduzco. Él corrige, yo corrijo”. Pasaste de ser su traductora y compañera a presidenta de la Fundación. ¿Cómo viviste el cambio de roles, si es que ese cambio existió?

PDR: -Es que no cambié: sigo traduciendo y organizando agenda, ya no la de José Saramago, pero sí la mía y la de la Fundación. Se puede llevar todo para adelante. Sabes, además, que es un trabajo privilegiado. Aunque ocupe muchos días y genere mucha angustia -además de pensar que no se llega y de tener muchas incertidumbres, pues no sabes si lo harás bien o no-, nunca se debe bajar la mira. Y ése sí que es un trabajo duro.

-¿Cuáles han sido los cambios más significativos después de la muerte de José (no Saramago)?

PDR: -No ha habido cambios. Una persona acaba de publicar en Twitter que visitó la casa de Lanzarote esta mañana. La gente espera que aparezca Saramago en cualquier esquina. La Fundación está llena de la fuerza y el dinamismo de José Saramago. No está el hombre que nos ayudaba, que escribía libros, que tenía la última palabra sensata, pero la fuerza y las ideas que él defendía, la manera de estar en la vida que él tenía, es lo que mantenemos con un espíritu que no se rinde. Estamos levantados del suelo permanentemente.

-Miguel te dice que no sabe cómo logras trabajar tan duro... ¿Has bajado el ritmo?

MGM: -Yo siempre digo en broma que Pilar bebió la poción de Astérix, aquella que tenía una cuestión para la hiperactividad. Pilar no sólo la tomó cuando niña sino que además se cayó adentro. Por mi parte, lo que puedo decir es que la energía de Pilar es altamente contaminante. Creo que de alguna manera los dos han logrado eso en relación con el mundo que los rodeó. Decían que era muy estúpido, muy burgués y muy inmoral quedarnos llorando y pensando que nuestro país o que la vida es una mierda. Pues si es así, hay que comenzar a pensar cosas para cambiarlo. Después de la película, ésta ha sido una de las cosas que más me cambiaron. Yo tenía un problema, que probablemente es transnacional: tenía pena por mí mismo. Hay mucha gente peor que uno, por lo que si hay que hacer algo, hay que hacerlo ya. Pilar transfiere esa energía y uno se transforma. Si por mí fuera, Pilar sería presidenta.

-Esta gira que vienen haciendo se parece mucho a la agitada agenda que llevaban con Saramago, ¿cuál es el propósito?

MGM: -Pasarlo por la reserva, es un poco de rigor decirlo. Pero de alguna manera es eso. Yo no gano nada con la proyección de mi película acá, pero creo que es muy importante que en Uruguay se vea este trabajo, que tengan una hipótesis de lo que José y Pilar eran. Pasé cuatro años trabajando en algo que quiero que se vea. El otro día, en una entrevista, Pilar decía que se había muerto José, pero que Saramago seguía vivo. Y ahí está, en la película, en sus libros. Y lo que nosotros hacemos es continuar su memoria. 

PDR: -También se está presentando el libro José y Pilar, y vinimos a hablar de él, de la obra de Saramago y de nuestras experiencias. Hacemos esto porque vivimos en una sociedad de imágenes. A mí me parece bien que exista el Día del Libro, el día de Cervantes, el día de Camões. Saramago es un autor muy reciente y muy contemporáneo, muy necesario por todas las movilizaciones y cambios que se están dando en el mundo. En fin, nosotros venimos a presentar el libro de Miguel a la proyección de la película, a hablar sobre Saramago y a recordar que Ensayo sobre la ceguera está ahí. Y que Ensayo sobre la lucidez, que es el libro del empoderamiento de los ciudadanos, es una gran novela. Si en Memorial del convento las voluntades juntas hacían volar una máquina, en Ensayo sobre la lucidez las voluntades activas y juntas son capaces de vencer al enemigo, que condena a millones de seres humanos en el mundo a ser sujetos descartables. Pues eso lo podemos cambiar si queremos.

-Es interesante que en el documental digas que las personas que no se vinculan con alguna tarea práctica se van alejando de la vida...

PDR: -Bueno, alguien que no realiza tareas prácticas, que no sabe organizar una casa, que no escucha el llanto, el clamor de la sociedad, vive en una burbuja. Si cuando sales de tu casa para ir al trabajo pasas por un pasillo de seguridad, si te llevan en un helicóptero a un avión, y de ese avión a un helicóptero... Estoy hablando del poder, del presidente de Estados Unidos, por ejemplo. Qué saben los poderosos del sufrimiento, de la angustia del padre y la madre que tienen cuatro hijos y que han agotado a vecinos, amigos y familiares, y que por lo tanto no tienen nada para que les fíen. Qué saben de esa angustia de salir a ver si hay un cartón mientras los niños lloran. ¿Lo saben realmente? Pues yo te digo que un tío que no baja a la casa, que no les da de comer a esos niños, que no se encuentra con que no hay agua cuando los va a bañar, que no se encuentra con que hay agua fría o con que directamente no sale o con que le cortaron la luz, no sabrá gobernar. Mientras tanto, no sabrá gobernar, sea Clinton, Obama o el papa.

-¿Y José Mujica...?

PDR: -El presidente de Uruguay es un caso distinto. Afortunadamente no ha pasado todavía en el mundo que digan que es pura demagogia, quizá porque Uruguay está aquí y tiene pocos habitantes, y porque realmente el hombre se ha impuesto con seriedad y rigor. Pero vamos, que no rompa las barreras del sonido, porque si lo hace el sistema le caerá encima. Y es lo que a los buenos, a los nobles, a los trabajadores y a los santos -laicos- les dicen siempre.

-Con respecto a tu actitud de no rendirte y a tu profesión de periodista, ¿cómo ves el periodismo actual?

PDR: -Muy mal. Como la sociedad. Lo veo desmantelado, huído. Las empresas mandan demasiado, y muy pocas empresas controlan muchos medios, tienen mucho poder. Los periodistas tenemos una cosa que se llama conciencia y a la que nunca hemos renunciado, incluso en las dictaduras. O sea que también es verdad que los periodistas podíamos ser un poquito más militantes, no te digo políticos, pero sí del periodismo. Y escribir no con el criterio del patrón, sino con el criterio de uno mismo y de lo que tiene que defender, porque esa reputación es lo que le va a dar de comer o a quitar la comida. Yo creo que nos adaptamos y un poco nos volvemos serviles todos, ya sea en la sociedad o en el periodismo, como sociedades colectivas o como grupos pequeños, se trata de sobrevivir. En líneas generales, el periodismo le está haciendo daño a la sociedad, porque plantea asuntos distintos y porque justifica asuntos injustificables. Si esta profesión sirve para justificar y para decir que el neoliberalismo es la única salida y que el mercado regula la democracia y que fuera del mercado no hay nada, el periodismo no sólo está traicionando a la verdad sino que además le está haciendo un flaco servicio. No está informando, está adoctrinando.

Débora Quiring


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

FOLIO 1ª edição do Festival Literário de Óbidos - Destaque para José Saramago nas suas várias vertentes

Através da página da Fundação José Saramago e do Folio Festival Literário, foi apresentada a programação do evento. A 1.ª edição do festival, dá amplo destaque à obra de José Saramago.
Aqui, os principais eventos relacionados, 



"Entre os dias 15 e 25 de outubro a vila de Óbidos será o ponto de encontro de manifestações artísticas em língua portuguesa e castelhana. Na primeira edição do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, mais de 200 autores e artistas darão voz, ritmo e corpo a dezenas de atividades em redor da palavra.

Além de tertúlias, mesas redondas, aulas e conversas, quem visitar a “vila literária” poderá assistir a espetáculos musicais e teatrais, performances, filmes e exposições.

José Saramago, o único prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa, será recordado com uma série de iniciativa ao longo dos 11 dias de festival, são elas:

No dia 15 de outubro, às 18h, na galeria Museu Abílio, o fotógrafo João Francisco Vilhena inaugura a exposição de fotografia e instalações intitulada 20 anos Ensaio Sobre a Cegueira.

No mesmo dia 15, também às 18h, na Casa Porto da Vila, André Letria inaugura uma exposição com as suas ilustrações feitas para o livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago.

No dia 17, às 22h, o grupo teatral Acert/Trigo Limpo apresenta, na Igreja de Santiago, o livro/cd “A viagem do Elefante”, a partir do livro homónimo de José Saramago.

No dia 22, o escritor Gonçalo M. Tavares, Prémio José Saramago, dará uma aula que terá como ponto de partida o romance Ensaio sobre a Cegueira. O escritor abordará vários tipos de cegueira na literatura e nas artes.

No dia 24, às 20h, o cantautor Luis Pastor apresentará o seu disco Nesta esquina do tempo, a partir de poemas de José Saramago.

No dia 25, último dia do festival, às 15h, será exibido o filme José e Pilar, do realizador Miguel Gonçalves Mendes. Sérgio Machado Letria, diretor da Fundação José Saramago, estará presente para apresentar a obra.

Durante os dias do festival a companhia Acert/Trigo Limpo estará na vila de Óbidos com o seu elefante Salomão, personagem da adaptação A Viagem do Elefante. Atores da Acert farão diariamente performances em torno da obra."

Mais informação e consulta detalhada de todo o programa, pode ser acedido aqui via página oficial do Folio Festival Internacional de Óbidos, em http://foliofestival.com/



"Manifesto
Todos os livros se escolhem pelo primeiro parágrafo. 
O Folio é o nosso.
Folio é o primeiro capítulo de um projeto ambicioso. É nele que se está a escrever a história de uma Vila Literária que se transforma num dos lugares obrigatórios para a literatura mundial. O Folio é onde se apresenta Óbidos Vila Literária. É a sua capa e o maior cartaz.

Mas Óbidos já era a Vila Literária mesmo quando ainda lá não havia livros. Há três anos eles chegaram. O projeto Folio é a expressão maior de quem fez da literatura e dos livros, durante décadas, a sua profissão.

O Folio é o projeto – e a marca – mais importante para uma terra que escolhe a Literatura e os livros como bandeira. Uma terra que pelas suas características e história únicas é, ela própria, também um best seller.

Nesta primeira edição (Out 15 – 25) o Folio prepara-se para receber 200 autores em 11 dias, portugueses e estrangeiros. Alguns nomes maiores da literatura mundial. São 11 dias em que o verbo “literar” enche páginas de livros e as ruas de Óbidos com música, teatro, performance, cinema, tertúlias, mesas redondas e exposições.

Depois do Folio acabar, para voltar no ano seguinte, a Vila Literária continua. Essa nunca pára.

Todos os livros se escolhem pelo primeiro parágrafo. O Folio é o nosso."



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Miguel Gonçalves Mendes aborda em entrevista José Saramago e Pilar del Río (para o documentário José e Pilar)

O video pode ser visualizado, aqui

O entrelinhas é um programa da Tv Cultura. 

Sinopse que acompanha esta entrevista
"O Entrelinhas entrevistou o diretor português Miguel Gonçalves Mendes, autor de um documentário - ainda inédito - sobre a vida de José Saramago. Após receber o prêmio Nobel, a vida do escritor mudou completamente: Saramago passou a conciliar seu pacato cotidiano em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, com conferências, entrevistas e viagens internacionais - sempre ao lado da mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río. O cotidiano atribulado do grande escritor foi acompanhado pelo diretor Miguel Gonçalves Mendes - e o resultado foi o documentário José e Pilar."


domingo, 9 de agosto de 2015

"Era uma vez José e Pilar: o mural foi destruído para dar lugar a um parque de estacionamento" - Público (9/8/2015)

"Era uma vez José e Pilar: o mural foi destruído para dar lugar a um parque de estacionamento"


Pode ser consultado e lido, aqui
via site Jornal Público em http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/era-uma-vez-jose-e-pilar-o-mural-foi-destruido-para-dar-lugar-a-um-parque-de-estacionamento-1704537

Cláudia Lima Carvalho (09/08/2015)

"Mural feito em 2010 por quatro writers de Lisboa já não existe. Edifício, perto da Fundação Saramago, foi demolido na semana passada."


"José Saramago gritava Pilar. “Pilar, Pilar, Pilar”, vimo-lo repetir vezes sem conta no retrato íntimo que o realizador Miguel Gonçalves Mendes fez do casal no documentário de 2010, José e Pilar. Foi exactamente o filme que inspirou o mural que até há uma semana podia ser visto num edifício abandonado no Campo das Cebolas, em Lisboa. Naquele abraço, víamos e líamos o amor do Prémio Nobel da Literatura e da sua mulher, Pilar del Río. O edifício foi agora demolido para dar lugar a um parque de estacionamento.


“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.” Estas palavras foram ditas pelo escritor português, que morreu em 2010, e apareciam por baixo do desenho de Nark, que há cinco anos, com os writers Ayer, Nomen e Pariz, transformou a fachada cor-de-rosa dos números 2 a 8 da rua do Instituto Virgílio Machado, junto à Casa dos Bicos, onde funciona a Fundação José Saramago.
 

O trabalho de Nark era o que mais se destacava na fachada: Saramago de olhos fechados e enternecido abraça Pilar que se esconde entre o rosto do escritor. Na longa parede havia ainda um outro retrato do casal, bem como várias citações retiradas do documentário de Miguel Gonçalves Mendes.

Na altura, a intervenção, cuja ideia partiu da produtora de José e Pilar, a JumpCut, contou com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, através da sua Galeria de Arte Urbana (GAU). Pouco antes da inauguração no final de 2010, Miguel Gonçalves Mendes dizia ao PÚBLICO que o mural obrigaria “as pessoas que passam por ali a pensar”, sendo aquela “uma forma de homenagear Saramago”.


Por estes dias, o realizador partilhou na sua página pessoal do Facebook o retrato de Nark e o espaço que agora existe: um grande vazio com destroços do edifício demolido. Sobre o sucedido, três palavras apenas: “Porque tudo é efémero”.

E é exactamente essa a palavra também usada pela Câmara de Lisboa. O PÚBLICO questionou a técnica da Galeria de Arte Urbana Inês Machado sobre o tema, e obteve uma resposta por email, não assinado, do departamento de comunicação da autarquia em que se lê que o graffiti “tratava-se de um projecto efémero”. A demolição do edifício estava prevista há muito tempo “no âmbito do Plano de Valorização e Requalificação do Campo das Cebolas”, “que inclui a construção de um parque de estacionamento por parte da EMEL [Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa]”, informa ainda a autarquia.
No mesmo email, lê-se que a homenagem ao escritor português e promoção do filme “inseriu-se na estratégia para a arte urbana em Lisboa, desenvolvida pelo Departamento de Património Cultural”. Estratégia essa que, frisam, “encara este tipo de manifestações artísticas com a efemeridade que as caracteriza”. “A arte urbana é por natureza efémera, e tanto a comunidade artística que a produz, como todos os agentes culturais, parceiros, proprietários dos suportes, interlocutores e produtores com que a GAU desenvolve trabalho e projectos nesta área sabem e aceitam essa condição.”


O desaparecimento deste trabalho, que foi resistindo ao tempo apesar de algumas vezes ter sido pintado com tags e outros graffiti por cima da arte já existente, “deve ser encarado com normalidade”, diz a autarquia, defendendo que tal “contribui para a rotatividade das obras expostas na cidade e para a renovação da paisagem urbana”.
Para memória futura fica apenas o registo na base de dados da Galeria de Arte Urbana, que se dedica à inventariação destas intervenções, "através da realização sistematizada de registos fotográficos (e videográficos) das obras executadas em Lisboa, desde o 25 de Abril de 1974 até à actualidade". 




domingo, 2 de agosto de 2015

Pedro Grandato em "Blecaute" - OST de "José & Pilar"

Pode ser visualizado aqui, via YouTube,

Música "Blecaute" interpretada por Pedro Granato da banda sonora do 
documentário José & Pilar. 

"Deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade. 
E um pouco de tudo das tantas coisas que fizeram José Saramago e Pilar del Río 
é o que vemos em José e Pilar, o filme de Miguel Gonçalves Mendes."

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Quando duas pessoas se casam sob o espírito Saramaguiano... "Aqui, agora, construímos uma “Esquina do Tempo”


(Ódin observando o mural de fotografias na 
Fundação José Saramago - Casa dos Bicos - Lisboa)

"Aqui, agora, construímos uma “Esquina do Tempo”

Nesta esquina do tempo, onde o tempo é um "espaço físico", se une o passado como um acto que foi, e um futuro que será. O presente, esse não existe, é uma passagem, porque não podemos parar os momentos.

«Entendo o tempo como uma grande tela, uma tela imensa, onde os acontecimentos se projectam todos, desde os primeiros até aos de agora mesmo. Nessa tela, tudo está ao lado de tudo, numa espécie de caos, como se o tempo comprimido e além de comprimido espalmado, sobre essa superfície; é como se os acontecimentos, os factos, as pessoas, tudo isso aparecesse ali não diacronicamente arrumado, nas numa outra «arrumação caótica», na qual depois seria preciso encontrar um sentido.
Isto tem muito que ver com uma ideia que é a da não existência do presente. A única coisa que efectivamente há é passado e o presente não existe; é qualquer coisa que se joga continuamente, que não pode ser captada, apreendida, que não pode ser detida no seu curso; e portanto, uma vez que não pode ser detida, em momento nenhum eu posso intersecta-la.»
em Diálogos com José Saramago de Carlos Reis (Pág. 84)

Aqui projectamos uma imensa tela. Uma tela que paira sobre as nossas cabeças como se estivéssemos a observar uma carta celeste.
Nesta esquina do tempo, neste momento, damos lógica á teoria de que «o caos é uma ordem por decifrar».

Quem nos poderia ajudar a decifrar o caos?

Quem poderia dar justificação a este acto?

Eis então que fizemos uma lista de convidados.

Aqui está o elefante Salomão e seu cornaca Subhru, que partindo de Lisboa seguiram a passo pela Europa fora, até às longínquas terras da Áustria. (A Viagem do Elefante)

Da Olaria Algor, vieram o oleiro Cipriano Algor, sua filha Marta e o genro Marçal Gacho, sobreviventes do demoníaco Centro Comercial. (A Caverna)

Enviámos o mesmo convite para dois iguais. Não são gémeos mas são duplicado um do outro sem se perceber qual o original. Tertuliano Máximo Afonso, o professor de História e o actor Daniel Santa-Clara. (O Homem Duplicado)

Da União Ibérica viram sentir o pulsar da terra de Lisboa. Pedro Orce e o cão Ardant, Joaquim Sassa e José Anaiço. Joana Carda e Maria Guavaira. A península Ibérica separou-se pelos Pirinéus e viajámos pelo Atlântico. (A Jangada de Pedra)

Mandámos convidar Luis de Camões, que tendo escrito “Os Lusíadas” muito penou nas cortes de Lisboa para ter a possibilidade de imprimir e publicar o seu livro. Sem dinheiro para tal ofereceu o manuscrito à tipografia de António Gonçalves. (Que Farei com Este Livro?)

Da noite de 24 de Abril de 1974, estão presentes o redactor Torres e a estagiária Cláudia. Eles que garantiram uma revolução dentro da redação de um jornal alinhado com os poderes podres. (A Noite)
Do nosso Alentejo, vem a carne da luta e a terra de quem a trabalha. Chegaram Manuel Espada e Gracinda. (Levantado do Chão)

Foi preciso convidar alguém que nos levasse pelos céus e tivesse o dom de querer voar. Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, acompanham o padre Bartolomeu Lourenço, na sua “passarola” fugido das inquisições. (Memorial do Convento)          

Raimundo Silva, ilustre revisor de textos, que com a palavra «Não», deu uma nova interpretação ao sentido da história, está presente com Maria Sara, mulher que o fez renascer, e que, com quem numa janela virada para as muralhas do Castelo de São Jorge, descobriram o amor entre Mogueime e Ouruana. (História do Cerco de Lisboa)

Mesmo a tempo, atracou em Lisboa, perto da Casa dos Bicos, o navio Highland Brigade, vem de Buenos Aires com destino a Londres. A escala em Lisboa, serve para nos fazer chegar Ricardo Reis e seu mui nobre amigo Fernando Pessoa. (O Ano da Morte de Ricardo Reis)

Abel e Caim, entretanto de pazes feitas, irmãos de sangue que a história não devia tê-los feito desavindos (Caim), acompanham Maria de Magdala. Mulher que ensinou as artes da vida terrena a Jesus (O Evangelho Segundo Jesus Cristo)

Todos são bem-vindos. Mas a presença da Mulher do Médico e do Cão das Lágrimas, são motivo de enorme orgulho. Ela porque não estando cega fez-se passar por tal, para acompanhar o seu marido, e viveu das piores experiências que alguém pode presenciar. O Cão das Lágrimas, porque num momento de desespero desta sua companheira, teve o poder de a reconfortar ao lamber-lhe as lágrimas que caiam pela face. (Ensaio sobre a Cegueira)

Um olá especial, a Artur Paz Semedo, que mesmo não lhe conhecendo o fim da sua história, sabemos o início através de uma pergunta. Porque é que as fábricas de armamento nunca fazem greves? (Alabardas Alabardas Espingardas Espingardas)

Convidámos também uma senhora que tempos idos, andou a distribuir uns envelopes de cor violeta. Essa senhora chama-se morte. Apaixonou-se pelo violoncelista que a acompanha, e tornou-se numa linda mulher que descobriu o amor. (As Intermitências da Morte)

Enigmático este casal, ele chama-se H e ela M. Um retratista que abandona as telas e se torna escritor. Uma mulher revolucionária que vê nascer a esperança na madrugada de 25 de Abril de 1974. (Manual de Pintura e Caligrafia)

E um agradecimento especial, ao solitário funcionário da Conservatória Geral do Registo Civil, o senhor José, que através de um simples verbete, de uma mulher desconhecida, faz a absurda busca para descobrir o seu paradeiro. (Todos os Nomes)

E por fim. O viajante. Aqui está o viajante. O homem que percorreu Portugal e o Mundo. Disse muitas coisas. Escreveu outras tantas coisas. E tal como o tempo é composto de passado que foi e futuro que virá a ser, a história deste viajante foi a celebração da vida.

«O Viajante volta já. (…) A viagem não acaba nunca. (…) O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» 
em “Viagem a Portugal” página 387.

Mas não subiu aos céus, se à terra pertencia.   

Texto realizado para assinalar o acto de Casamento Civil 
Rui Santos e Helena Mesquita
15/06/2015




Leitura final de encerramento, por Ódin Santos

Amar
Ter amor, afeição, devoção
Viver
Querer Bem
Ter vida
Estimar
Durar com vida
Morrer, deixar de viver, gostar, desejar muito, não chegar a concluir-se

“As festas em geral põe-me melancólico mas no regresso dei por mim a dizer a Pilar 
– «Se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, 
morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora».

Encontramo-nos noutro sítio.
(Excerto retirado do documentário José & Pilar)

sábado, 6 de junho de 2015

"José & Pilar" O filme documentário



Sinopse
"A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo – ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, “tudo pode ser contado doutra maneira”.

Mais informação aqui

FICHA TÉCNICA E EQUIPA

TÍTULO: “José e Pilar”

GÉNERO: Longa-metragem documental

DURAÇÃO: 125’

SUPORTE: HDV 16x9

IDIOMA ORIGINAL: Português / Castelhano

PRODUÇÃO: JumpCut (Portugal)

CO-PRODUÇÃO: EL DESEO (Espanha) e O2 Filmes (Brasil)

PRODUTOR ASSOCIADO: Abel Ribeiro Chaves / OPTEC, Lda

TELEVISÕES ASSOCIADAS: SIC (Portugal), YLE (Finlândia), SVT (Suécia)

EQUIPA


REALIZAÇÃO: Miguel Gonçalves Mendes (Portugal)

PRODUTORES: Agustín Almodóvar / Bel Berlinck / Esther García / Fernando Meirelles / Miguel Gonçalves Mendes 

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Daniel Neves (Portugal)

MONTAGEM: Cláudia Rita Oliveira (Portugal)

SOM:  Olivier Blanc, Adriana Bolito, Bárbara Álvarez Plá, Hugo Alves

MISTURA: Alessandro Laroca e Armando Torres Jr. (Brasil)

FOTOGRAFIA DE CENA: Susana Paiva (Portugal)

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Ana Jordão/ Daniela Siragusa (Portugal)