Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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sábado, 11 de janeiro de 2020

10 de Janeiro de 1996 - "Cadernos de Lanzarote IV"

"A RTP (abençoada ela seja por esta vez) trouxe-nos, decentemente concebido e realizado, um documentário sobre Fernando Lopes-Graça. Éramos quatro (Carmélia e a mãe, Pilar e eu) os que, recolhidamente, escutávamos as palavras do amigo desaparecido e assistíamos a uma reconstituição ordenada da sua vida. Enquanto o documentário ia passando, imagens, palavras, palavras e imagens, a informação pareceu-me bastante equilibrada, satisfatória, quem em amplitude quer em rigor, mas, quando ele chegou ao fim, tive a impressão, como já me tem sucedido em casos semelhantes, de que o mais importante tinha ficado por mostrar." (...)

#DiáriosDeSaramago
#ContinuarSaramago

Cartaz alusivo ao evento que marcou os 90 anos da data de nascimento de José Saramago, com apresentação de obras de Fernando Lopes-Graça (12/12/2012)

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

José Carlos Vasconcelos entrevista José Saramago - Programa "Escrever é Lutar" da RTP (17/09/1974)

Programa "Escrever é Lutar"
RTP 17 de Setembro de 1974
José Carlos Vasconcelos entrevista José Saramago naquela que será a primeira aparição na televisão

Seguir o link indicado

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/jose-saramago-4/?fbclid=IwAR3L7AZcbJt453OdGufXGiDC25GE1r2v-uCrdYS6kXMSfoSGsrL5tRpFFa4

"Introdução com alguns dados biográficos, nomeadamente o facto de ter publicado dois livros de poemas até ao momento, dois livros de crónicas e um romance; foram, recentemente publicados pela revista "Seara Nova" os textos editorias que o entrevistado terá escrito no "Diário de Lisboa"; Para breve estará na forja um livro de poemas e um outro romance. 03m19: Início da conversa com a eventual ligação da produção literária do entrevistado com a recente Revolução de 25 de Abril de 1974; alusão ao facto de ser director da Associação Portuguesa de Escritores e a sua opinião sobre o papel dos escritores na sociedade actual após o 25 de Abril de 1974; Comentário à censura do Estado Novo da qual foi alvo várias vezes enquanto jornalista."

"Entrevista do jornalista José Carlos Vasconcelos ao escritor José Saramago, sobre a sua vida pessoal, a obra literária, e o momento que se vive em Portugal no pós 25 de abril de 1974.

Nome do Programa: José Saramago
Nome da série: Escrever é Lutar
Locais: Lisboa
Personalidades: José Saramago, José Carlos Vasconcelos
Temas: Artes e Cultura
Canal: RTP 1

Menções de responsabilidade:
Autoria e apresentação: José Carlos Vasconcelos
Tipo de conteúdo: Programa
Cor: Preto e Branco
Som: Mono
Relação do aspeto: 4:3"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Documentário "Levantado do Chão" - Um testemunho a revisitar...

O documentário pode ser visualizado, via YouTube, aqui

Sinopse do documentário
"Documentário inédito sobre a vida e obra do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago. No dia em que se assinalam os dez anos da atribuição do primeiro Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa, a RTP exibe um documentário que retrata o percurso singular do escritor José Saramago, que se afirma "pessimista pela razão, otimista pela vontade". Durante quase um ano, uma equipe da RTP reconstitui os pontos cardeais em que a vida e obra de Saramago se fundem, num trabalho que aborda a história do escritor português mais lido e conhecido do mundo. Mais do que uma biografia, este documentário pretende dar a conhecer ao grande público os momentos decisivos da vida de um homem que aos cinquenta e três anos não era ainda escritor. Filho e neto de camponeses sem terra, José Saramago imigrou para Lisboa com dois anos.

Tradução de Margaret Jull Costa 
Capa da edição, pela Vintage Books, Harvill - Reino Unido

Grande parte da sua vida decorreu na capital, que serve de cenário a alguns dos seus romances. Mas durante a adolescência, foram muitas e prolongadas as suas estadias na aldeia natal, Azinhaga, Golegã, que o marcou para toda a vida. Ficou célebre, o discurso que Saramago proferiu há dez anos na entrega do prémio Nobel, evocando com emoção os avós Jerónimo e Josefa, que dormiam com porcos na cama, única forma de sobreviverem todos. José Saramago frequentou o liceu e a escola industrial mas, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir os estudos. É um homem "Levantado do Chão", título de uma das suas obras, e título escolhido também, para este documentário. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico e neste trabalho reencontramos a oficina dessa época assim como ex-colegas de ofício."

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"A Ronda da Noite" Com João Francisco Vilhena, José Saramago, Valter Hugo Mãe e Miguel Real. Um programa de Luís Caetano

Aqui o link directo da entrevista

A Ronda da Noite

Um programa de Luís Caetano, com João Francisco Vilhena, José Saramago, Valter Hugo Mãe e Miguel Real.

Emitido em 21 Set, 2015

"A Ronda da Noite recebe e divulga escritores, artistas, gente com conhecimento e imaginação, autores de excepção. Mostra o novo mas também recupera memórias e momentos, e sai do estúdio para palcos de criação e fruição.
Antes do dia acabar, a rádio tem ideias para discutir e histórias para contar. Como num quadro de Rembrandt."


Pode ser visualizado, aqui
em http://www.rtp.pt/play/p1299/e207158/a-ronda-da-noite#sthash.O98mv7Cv.dpuf

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

José Saramago e o seu texto no caderno/blog sobre "Eduardo Lourenço" (e notícia "BN adquire seu espólio")

No dia em que é anunciada a compra do espólio, do ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço, pela Biblioteca Nacional, recupero aqui, um texto de José Saramago, onde de forma graciosa, fala dos afectos que os unia e do apreço e estima, que por ele evidencia.



"Biblioteca Nacional adquire espólio do ensaísta Eduardo Lourenço"

Notícia, via Lusa e RTP sobre a aquisição do espólio, que pode ser consultada, aqui

"O espólio do ensaísta português Eduardo Lourenço, que inclui milhares de documentos, como manuscritos inéditos e correspondência, foi adquirido pela Biblioteca Nacional, revelou hoje a Secretaria de Estado da Cultura (SEC).
"Trata-se de um bem cultural fundamental para a investigação filosófica, literária, histórica e sociológica não só da obra de Eduardo Lourenço, mas do pensamento português dos séculos XX e XXI", afirma a tutela em comunicado, sem revelar o valor da compra.
O espólio inclui "uma grande quantidade de manuscritos do autor, alguns deles inéditos", desde finais dos anos 1940 até à atualidade, e "mais de 11.000 documentos referentes a correspondência" que Eduardo Lourenço manteve com figuras como Jorge de Sena, Vergílio Ferreira e Sophia de Mello Breyner Andresen.
O espólio passa a integrar o Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional e o seu acesso está limitado, por enquanto, aos investigadores que trabalham na publicação da obra completa do ensaísta pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Eduardo Lourenço de Faria, de 91 anos, ensaísta e crítico, estudou na Universidade de Coimbra, onde deu aulas até sair do país, na década de 1950, fixando-se desde então entre França e Portugal.
Prémio Camões (1996) e Prémio Pessoa (2011) - só para citar duas das várias distinções do autor - Eduardo Lourenço escreveu obras como "Heterodoxias", "Tempo e poesia", "O fascismo nunca existiu" e "O labirinto da saudade - Psicanálise mítica do destino português".
A par do plano editorial da Gulbenkian, a Gradiva tem vindo a publicar, desde 1999, a obra de Eduardo Lourenço, planeando para este ano seis títulos do autor, entre os quais "Do Brasil: Fascínio e miragem", com textos escritos entre 1945 e 2012.
Em 2014, o ensaísta foi condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Este mês, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, afirmou no Parlamento que o Estado tem tido capacidade financeira para adquirir espólios literários recorrendo a verbas do Fundo de Fomento Cultural.
No final do ano passado, o Estado adquiriu o espólio o escritor Almeida Garrett, da coleção Futscher Pereira.
Na Biblioteca Nacional estão também depositados, entre outros, os espólios dos escritores António Ramos Rosa, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Gomes Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues e de Fernando Namora, do compositor Joly Braga Santos, da compositora Constança Capdeville e do pensador Delfim Santos."


“O nosso grande problema, enquanto portugueses, neste fim de século, é integrar a realidade, a banal realidade europeia, com os seus imperativos de organização, de competitividade, de invenção. Sem perder um certo arcaísmo, um certo perfume de vida que se lembra ainda do seu passado rural, vida banhada da doce luz da Finisterra.”

em "A Nau de Ícaro, seguido de Imagem e Miragem da Lusofonia", Lisboa, Gradiva, 1999
Eduardo Lourenço

Mais informação sobre o autor em:
http://www.eduardolourenco.com/index.html (site não oficial)
http://www.eduardolourenco.uevora.pt/ (projecto da Universidade de Évora)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Lourenço (via Wikipédia)


O texto de José Saramago, sobre Eduardo Lourenço, pode ser consultado, aqui
em http://caderno.josesaramago.org/5878.html

"Eduardo Lourenço"

"Sou devedor contumaz de Eduardo Lourenço desde 1991, precisamente há dezassete anos. Trata-se de uma dívida um tanto singular porque, sendo natural que ele, como lesado, não a tivesse esquecido, já é menos habitual que eu, o lesante, ao contrário do que com frequência sucede em casos semelhantes, nunca a tenha negado. Porém, se é certo que jamais me fingi distraído da falta, há que dizer que ele também não consentiu que eu me deixasse enganar pelos seus silêncios tácticos, que de vez em quando interrompia para perguntar: “Então essas fotografias?” A minha resposta era sempre a mesma: “Ó diabo, tenho tido muito trabalho, mas o pior de tudo é que ainda não pude mandar fazer as cópias”. E ele, tão invariável como eu: “As fotografias são seis, tu ficas com três e dás-me as restantes”, “Isso nunca, era o que faltava, tens direito a todas”, respondia eu, hipocritamente magnânimo. Ora, é tempo de explicar que fotografias eram estas. Estávamos, ele e eu, em Bruxelas, na Europália, e andávamos por ali como quaisquer outros curiosos, de sala em sala, comentando as belezas e as riquezas expostas, e connosco ia o Augusto Cabrita, de máquina em riste, à procura do instantâneo imortal. Que pensou haver encontrado num momento em que Eduardo Lourenço e eu nos havíamos detido de costas para uma tapeçaria barroca sobre um tema desses históricos ou míticos, não sei bem. “Aí”, ordenou Cabrita com aquele ar feroz que têm os fotógrafos em situações de alto risco, como imagino que eles as consideram. Ainda hoje estou sem saber que diabinho me levou a não tomar a sério a solenidade do momento. Comecei por compor a gravata do Eduardo, depois inventei que os óculos dele não estavam bem ajustados e dediquei-me a pô-los no seu sítio, de onde nunca haviam saído. Começámos a rir-nos como dois garotos, ele e eu, enquanto o Augusto Cabrita aproveitava, com sucessivos disparos, a ocasião que lhe tinha sido oferecida de bandeja. Esta é a história das fotografias. Dias depois o Augusto Cabrita, que morreria passados dois anos, mandou-me as imagens tomadas, crendo, decerto, que elas ficariam em boas mãos. Boas eram, ou não de todo más, mas, como já deixei explicado, pouco diligentes.Tempos depois deu-me para escrever o romance Todos os Nomes, o qual, conforme pensei então e continuo a pensar hoje, não poderia ter melhor apresentador que o Eduardo. Assim lho fiz saber, e ele, bom rapaz, acedeu imediatamente. Chegou o dia, a sala maior do Hotel Altis a rebentar pelas costuras, e do Eduardo Lourenço nem novas nem mandadas. A preocupação respirava-se no ar carregado, algo deveria ter sucedido. Além disso, como toda a gente sabe, o grande ensaísta tem fama de despistado, podia ter-se equivocado de hotel. Tão despistado, tão despistado que, quando finalmente apareceu, anunciou, com a voz mais tranquila do mundo, que tinha perdido o discurso. Ouviu-se um “Ah” geral de consternação, que eu, por obra dos meus maus instintos, não acompanhei. Uma suspeita atroz me havia assaltado o espírito, a de que o Eduardo Lourenço decidira aproveitar a ocasião para se vingar do episódio das fotografias. Enganado estava. Com papéis ou sem eles, o homem foi brilhante como sempre. Pegava nas ideias, sopesava-as com o falso ar de quem estava a pensar noutra coisa, a umas deixava-as de lado para um segundo exame, a outras dispunha-as num tabuleiro invisível esperando que elas próprias encontrassem as conexões que as potenciariam, entre si e com alguma da segunda escolha, mais valiosa afinal do que havia parecido. O resultado final, se a imagem é permitida, foi um bloco de ouro puro.A minha dívida tinha aumentado, ultrapassara em tamanho o buraco de ozono. E os anos foram passando. Até que, há sempre um até que para nos pôr finalmente no bom caminho, como se o tempo, depois de muito esperar, tivesse perdido a paciência. Neste caso foi a leitura recente de um ensaio de Eduardo Lourenço, Do imemorial ou a dança do tempo, na revista “Portuguese Literary & Cultural Studies 7” da Universidade de Massachusetts Dartmouth. Resumir essa extraordinária peça seria ofensivo. Limitar-me-ei a deixar constância de que as famosas cópias já se encontram finalmente em meu poder e de que o Eduardo em poucos dias as receberá. Com a maior amizade e a mais profunda admiração." (13 de Outubro de 2008)

em "O Caderno"
Caminho, 2.ª edição

sábado, 13 de dezembro de 2014

Documentário "Levantado do Chão" - do regresso a Lavre e a gesta dos "Mau-Tempo"

Documentário exibido na RTP, baseado na obra e vida de José Saramago, prémio Nobel da Literatura de 1998, "Levantado do Chão" de seu nome.
O regresso à terra, Lavre, de onde José Saramago revisita a Azinhaga e os seus avós maternos; as palavras dos que com ele, durante um ano, deu vida às gerações "Mau-Tempo", e que estes, por sua sorte, deram corpo a uma das obras centrais que retrata o Alentejo da lutas pelo trabalho, pela miserável jorna, pelo pão...
Fica para a história, como um lúcido e coerente registo bibliográfico de Saramago.  

(Aqui, link via Youtube, em https://www.youtube.com/watch?v=wwzwDzTw0_g)

"Documentário inédito sobre a vida e obra do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago. No dia em que se assinalam os dez anos da atribuição do primeiro Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa, a RTP exibe um documentário que retrata o percurso singular do escritor José Saramago, que se afirma "pessimista pela razão, optimista pela vontade". Durante quase um ano, uma equipe da RTP reconstitui os pontos cardeais em que a vida e obra de Saramago se fundem, num trabalho que aborda a história do escritor português mais lido e conhecido do mundo. Mais do que uma biografia, este documentário pretende dar a conhecer ao grande público os momentos decisivos da vida de um homem que aos cinquenta e três anos não era ainda escritor. Filho e neto de camponeses sem terra, José Saramago imigrou para Lisboa com dois anos.

Grande parte da sua vida decorreu na capital, que serve de cenário a alguns dos seus romances. Mas durante a adolescência, foram muitas e prolongadas as suas estadias na aldeia natal, Azinhaga, Golegã, que o marcou para toda a vida. Ficou célebre, o discurso que Saramago proferiu há dez anos na entrega do prémio Nobel, evocando com emoção os avós Jerómino e Josefa, que dormiam com porcos na cama, única forma de sobreviverem todos. José Saramago frequentou o liceu e a escola industrial mas, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir os estudos. É um homem "Levantado do Chão", título de uma das suas obras, e título escolhido também, para este documentário. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico e neste trabalho reencontramos a oficina dessa época assim como ex-colegas de ofício."


(...) "Sobem os senhores do latifúndio ao outeiro para que o sol só a eles aqueça, tosco sonho sonhou João Mau-Tempo, pois não têm os senhores rosto e o outeiro nome, mas é assim de ciência certa quando João Mau-Tempo acorda, e assim que readormece, vai uma procissão de senhores e ele à frente moendo com o enxadão as raízes do mato, a abrir caminho à bela companhia, arreda os tojos com as mãos, já o sangue lhe corre, e os senhores do latifúndio vêm conversando e rindo, são generosos e pacientes quando ele se atrasa na arroteia, ficam à espera, não maltratam nem chamam a guarda, ficam só à espera e enquanto esperam fazem piqueniques, e ele tira forças do coração e lança a enxada, agora sim, raspa a terra e corta as raízes, já é um homem, e dali de cima, da encosta do outeiro, vê passarem camionetas com um letreiro em que se diz Sobras de Portugal, destinando-se a Espanha, para os vermelhos nem a ponta dum corno, para os outros, os santos, os puros, os que me defendem a mim, João Mau-Tempo de meu nome e proveito, do perigo de cair no inferno, abaixo e morra, e agora vem atrás de mim um senhor a cavalo, e o cavalo, é a única coisa que neste sonho sei, chama-se Bom-Tempo, afinal os cavalos têm uma vida longa, Acorda João, que são horas, isto diz a mulher, e no entanto ainda é noite fechada." (...)

em, "Levantado do Chão"
Caminho, 10.ª edição
Página 96 e 97



domingo, 2 de novembro de 2014

José Saramago - Levantado do Chão - Documentário da RTP

Documentário inédito sobre a vida e obra do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago. No dia em que se assinalam os dez anos da atribuição do primeiro Prêmio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa, a RTP exibe um documentário que retrata o percurso singular do escritor José Saramago, que se afirma "pessimista pela razão, otimista pela vontade". Durante quase um ano, uma equipe da RTP reconstitui os pontos cardeais em que a vida e obra de Saramago se fundem, num trabalho que aborda a história do escritor português mais lido e conhecido do mundo. Mais do que uma biografia, este documentário pretende dar a conhecer ao grande público os momentos decisivos da vida de um homem que aos cinquenta e três anos não era ainda escritor. Filho e neto de camponeses sem terra, José Saramago imigrou para Lisboa com dois anos.

Grande parte da sua vida decorreu na capital, que serve de cenário a alguns dos seus romances. Mas durante a adolescência, foram muitas e prolongadas as suas estadias na aldeia natal, Azinhaga, Golegã, que o marcou para toda a vida. Ficou célebre, o discurso que Saramago proferiu há dez anos na entrega do prémio Nobel, evocando com emoção os avós Jerómino e Josefa, que dormiam com porcos na cama, única forma de sobreviverem todos. José Saramago frequentou o liceu e a escola industrial mas, por dificuldades econômicas, não pôde prosseguir os estudos. É um homem "Levantado do Chão", título de uma das suas obras, e título escolhido também, para este documentário. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico e neste trabalho reeencontramos a oficina dessa época assim como ex-colegas de ofício.

Primeira Parte
Segunda Parte

Terceira Parte