Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos
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sexta-feira, 23 de março de 2018

Recordação da passagem de José Saramago por Torres Novas ("Viagem a Portugal") e a menção ao melhor cabrito assado - via "mediotejo" (Cláudia Gameiro, 22/03/2018)

A reportagem de Cláudia Gameiro (22/03/2018), pode ser consultada aqui 
em http://www.mediotejo.net/torres-novas-ir-ao-cabrito-a-torres-novas-e-lembrar-uma-viagem-de-saramago-c-video/



"Torres Novas Ir ao cabrito a Torres Novas e lembrar uma viagem de Saramago"

"De 23 de março a 1 de abril decorre em Torres Novas, juntando 29 restaurantes, o Festival Gastronómico do Cabrito. Depois de 28 edições, este festival quer continuar a afirmar o que de melhor e mais típico é feito por terras torrejanas, potenciando-se um turismo que se quer cada vez mais integrado. Recordando a história deste projeto, tudo começou há mais de 30 anos, com alguma inspiração no livro “Viagem a Portugal” de José Saramago.

“O Viajante… pode aqui declarar que em Torres Novas conheceu, e disso se aproveitou, o mais maravilhoso cabrito assado de toda a sua vida. Como se chega a tal obra-prima de culinária não sabe o viajante, que nisso não é entendido. Porém, confia no seu paladar, que tem discernimentos de sábio infalível, se os há.”

José Saramago, in Viagem a Portugal (1981)

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país a convite do Círculo de Leitores, que comemorava na época o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Terá dito o autor, segundo a sinopse que apresenta a edição da Porto Editora, “após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»”.

Nesta sua “deambulação”, Saramago percorreu em boa verdade grande parte do território do Médio Tejo, tendo parado em Torres Novas e apreciado o que designou de “o mais maravilhoso cabrito assado de toda a sua vida”. A pequena passagem na obra terá servido, em parte, de inspiração para o projeto da Associação dos Amigos de Torres Novas de desenvolver uma Festival Gastronómico do Cabrito no concelho, que teve, entre outros promotores, Joaquim Rodrigues Bicho ou Luís de Sttau Monteiro.

Assim o narra João da Guia, antigo jornalista da Antena 1 e grande mentor do projeto, que conseguiu reunir na primeira edição do Festival um grande número de órgãos de comunicação social nacionais para a sua divulgação. A ideia subjacente a todo a iniciativa era levar o “cabrito a todos”, ricos e pobres, recordando-se o facto de que apesar de haver centenas de pastores no concelho em meados dos anos 80, poucos comiam efetivamente a carne dos cabritos, ficando apenas com as tripas e pequenas partes do animal.

João da Guia estava na Casa do Ribatejo em Lisboa quando o município de Torres Novas fez uma apresentação pública do Movimento de Intercoletividades de Torres Novas, uma iniciativa que uniu os vários quadrantes políticos locais para analisar os “problemas mais gritantes” do concelho e procurar soluções. “Que medidas a tomar?”, era a questão, em relação ao hospital, à poluição, ao rio almonda, à decadência do figo e à promoção turística.

Na sequência deste projeto, que coincidiu com a época da entrada de Portugal na União Europeia, narrou João da Guia ao mediotejo.net, constituiu-se a Associação dos Amigos de Torres Novas, pertencendo este ainda aos órgãos sociais. Foi esta associação que, em conjugação com a Câmara e a ACIS – Associação Empresarial de Torres Novas, Entroncamento, Alcanena e Golegã, criou o Festival Gastronómico do Cabrito, mas também a Feira dos Frutos Secos, que se realiza até hoje.

“Defender a gastronomia e a cabra torrrejana” foi um dos principais objetivos da associação com o festival gastronómico, salientando-se as características específicas deste animal criado na Serra d’Aire, cujo consumo de ervas aromáticas da serra, argumenta João da Guia, lhe dá um sabor muito particular. Acresce, adiantou o jornalista, que o cabrito integrava o primeiro símbolo da heráldica de Torres Novas, tendo-se encontrado também ossadas de cabrito no Castelo de Torres Novas. “A história do cabrito é já dos tempos muito antigos”, constatou, e quis-se preservar essa herança.

Defender a cabra serrana, as queijarias, incentivar a economia local ante a abertura de Portugal para a Europa foi na altura o motor do evento, mas também na perspetiva de levar o cabrito a toda a gente, deixando-se de o relacionar com um produto só para a elite. Procurou-se assim as antigas receitas, concluindo-se que o método de confeção mais tradicional era o cabrito assado no forno, com grelos e arroz de miúdos.

Outra das ideias que estive na base da inspiração do evento foi a passagem de José Saramago por Torres Novas no livro “Viagem a Portugal” e a referência de que comera o melhor cabrito da sua vida. João da Guia não se cansa de enumerar as várias figuras que se envolveram então com o projeto, numa época em que não havia assim tantos festivais gastronómicos e quando se procurava sobretudo potenciar a economia local.

Atualmente já poucos rebanhos há na serra, elogiando João da Guia o projeto do rebanho da Serra d’Aire que se encontra a ser desenvolvido pela junta do Pedrógão. Para Joaquim Cabral, vereador do turismo na Câmara de Torres Novas, o festival é para continuar, equacionando-se no futuro alargar inclusive o período temporal do evento.

Este ano os restaurantes aderentes – atingiu-se o número recorde de 29 – terão uma mesa com produtos locais e pequenos concertos musicais a acompanhar quem queira saborear o cabrito torrejano. Foi ainda lançado um Guia turístico de Torres Novas em inglês.

“Estamos a procurar articular estas coisas cada vez mais”, defendeu o vereador. Potenciar o turismo através de uma integração de tudo o que Torres Novas tem para oferecer, do Boquilobo à Gruta das Lapas, passando pela Serra d’Aire e as suas Pegadas dos Dinossáurios. “Interessa-nos harmonizar tudo de modo global para aumentar o turismo”, defendeu.

Segundo o autarca, Torres Novas registou em 2017 um total de 25 mil dormidas. Para o futuro prevê-se aumentar a oferta de rotas turísticas.

“Este evento representa uma homenagem ao cabrito de Torres Novas e ao próprio José Saramago”, comentou o presidente da Assembleia Municipal, José Trincão Marques, na apresentação do Festival, na sexta-feira, 16 de março. O autarca salientou a importância do turismo para o desenvolvimento local, destacando o papel da agricultura e da pecuária.

Torres Novas | Ir ao cabrito a Torres Novas e lembrar uma viagem de Saramago (c/vídeo)  
A Associação dos Amigos de Torres Novas esteve por trás da fundação do Festival do Cabrito, que pretendia potenciar a economia local e levar o cabrito a todos Foto: mediotejo.net
José Trincão Marques terminaria a sua intervenção a defender o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, como o responsável que mais se preocupou com as questões ambientais, lançando o desafio do município se tornar a capital da preservação da natureza.

Já Pedro Ferreira, no mesmo evento, salientou a localização estratégia de Torres Novas e o seu “potencial riquíssimo”, referindo que o festival do cabrito é uma homenagem aos antepassados. Agradeceria assim a João da Guia o trabalho desenvolvido em prol de Torres Novas, mas também ao presidente da junta de freguesia do Pedrógão pelo exemplo dado com o rebanho de cabras da Serra d’Aire."

domingo, 13 de novembro de 2016

Porto Editora lança nova edição da obra "Viagem a Portugal" e recuperação do prefácio de Claudio Magris

Link directo para a edição da Porto Editora e restantes obras já reeditadas, aqui
em https://www.portoeditora.pt/noticias/viagem-a-portugal-de-jose-saramago/116222

"Publicado pela primeira vez há 35 anos, Porto Editora lança nova edição do emblemático livro de viagens de Saramago.
“É preciso recomeçar a viagem. Sempre.» escreve José Saramago em Viagem a Portugal, que regressa amanhã às livrarias. 35 anos depois da primeira edição, este é um livro que reúne as crónicas de viagem do Nobel português pelo nosso país, oferecendo-nos um retrato de cada região, das suas pessoas e paisagens.

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite... É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»."

Já publicados na Porto Editora e as personalidades que colaboraram nas capas: 

Ensaio sobre a Cegueira- Caligrafia da capa por Chico Buarque
O Homem Duplicado - Caligrafia da capa por Lídia Jorge
A Viagem do Elefante -Caligrafia da capa por Mário de Carvalho
Os apontamentos - Caligrafia da capa por Maria do Céu Guerra
Provavelmente alegria - Caligrafia da capa por Nuno Júdice
As Pequenas Memórias - Caligrafia da capa por Gonçalo M. Tavares
As Intermitências da Morte - Caligrafia da capa por Valter Hugo Mãe
Memorial do Convento - Caligrafia da capa por José Mattoso
História do Cerco de Lisboa- Caligrafia da capa por Álvaro Siza Vieira
Os poemas possíveis- Caligrafia da capa por Almeida Faria
A Noite - Caligrafia da capa por Armando Baptista-Bastos
Manual de Pintura e Caligrafia - Caligrafia da capa por Júlio Pomar
Que farei com este livro?- Caligrafia da capa por Carlos do Carmo
Folhas políticas - Caligrafia da capa por Teresa Villaverde
A Caverna - Caligrafia da capa por Eduardo Lourenço
Ensaio sobre a Lucidez - Caligrafia da capa por Dulce Maria Cardoso
Levantado do Chão - Caligrafia da capa por Mia Couto
Objeto Quase – Caligrafia de capa por João Tordo
Terra do Pecado – Caligrafia de capa por José Luís Peixoto
A Jangada de Pedra – Caligrafia de capa por Mário Cláudio
Todos os Nomes – Caligrafia de capa por Miguel Gonçalves Mendes
O Evangelho segundo Jesus Cristo – Caligrafia de capa por Sebastião Salgado
O ano da morte de Ricardo Reis – Caligrafia de capa por Carlos Reis

Capa da edição



"É proibido quebrar ninhos e escrever prefácios
Homenagem a José Saramago"

Claudio Magris
Texto publicado na edição espanhola da Viagem a Portugal de José Saramago, editada pelo jornal El Mundo.
Tradução de José Colaço Barreiros.

"José Saramago não gosta de prefácios. Foi uma das primeiras coisas que o ouvi dizer, quando nos encontrámos pela primeira vez em Lisboa, há muitos anos, e  ele nos ofereceu, a  mim e  a Marisa, precisamente a  Viagem a  Portugal. As linhas iniciais desta viagem põem-nos em guarda contra os prefácios, inúteis se a obra não os requerer ou indícios da sua debilidade se deles precisar.
Eu de facto nunca escreveria — nem ninguém mo pediria — uma introdução ao Ano da Morte de Ricardo Reis, talvez o livro de Saramago que mais amo, ou a outros romances seus amados. Mas a viagem — no mundo e no papel — é em si uma espécie de contínuo prefácio, um prólogo a qualquer coisa que deve sempre estar ainda por vir e está sempre ainda a um canto; partir, deter-se, voltar para trás, fazer e desfazer as malas, anotar no seu caderninho a paisagem fugidia, que se esboroa, que se recompõe, enquanto se atravessa, como uma sequência cinematográfica com os seus
fundidos e encadeados, ou como um rosto muda com o tempo. E depois retocar, apagar e reescrever esses apontamentos, nessa contínua deslocação da realidade para o papel e vice-versa que é a escrita, neste sentido muito semelhante à viagem. Esta última, escreve Saramago no epílogo, recomeça sempre, tem sempre de recomeçar, como a  vida, e  toda a  sua anotação é  um prólogo. 
A Viagem a Portugal desmente as idiossincrasias do seu autor; com efeito tem uma apresentação e uma apostilha. Todo o texto autenticamente poético — e a Viagem é-o intensamente — é mais sabido do que quem o escreveu; esta é aliás uma prova da sua grandeza. Saramago viaja em Portugal, ou seja, dentro de si mesmo e não só, como ele diz, porque Portugal é a sua cultura. É-o no mundo, no espelho das coisas e dos outros homens, que se encontram a si mesmos, como aquele pintor de que fala uma parábola de Borges, que pinta paisagens, montes, árvores e rios, e por fim repara que deste modo retratou o seu próprio rosto. Toda a verdadeira viagem é uma odisseia, uma aventura cuja grande questão é se nos perdemos ou se nela nos encontramos a atravessar o mundo e a vida, se captamos o sentido ou se descobrimos a insensatez da existência. Desde as origens e desde o que é talvez o maior de todos os livros, a Odisseia, literatura e viagem surgem estreitamente ligadas, uma análoga exploração, desconstrução e recomposição do mundo e do eu. Um reconhecimento do real que, na sua fidelidade, se torna invenção e inventa mesmo o eu viajante, uma personagem literária.
A Viagem a  Portugal é  disto um fascinante exemplo. O  viajante avança, tal como na vida, numa mistura de programa e casualidade de metas marcadas e  imprevistas digressões que levam a outro sítio; engana-se no caminho, volta atrás, salta rios e ribeiros; está incerto quanto ao que visitar e ao que descurar, porque também viajar, como escrever e como viver, é acima de tudo abandonar. Detemo-nos em momentos gloriosos, grandes personagens e obras-primas artísticas — a admirável descrição de quadros e  sobretudo de igrejas, cinzeladas ou descascadas pelo vento e pelos séculos — mas também nas figuras das pessoas encontradas e entrevistas só por um instante, em que se lê uma história individual e ao mesmo tempo coletiva, como as mulheres de Miranda do Douro, que não se lembram de terem sido jovens, ou os rostos do Alentejo, ensombrados por antigos jugos sociais. 
O viajante recolhe histórias, célebres e obscuras, detém-se ao perfume de uma mimosa que resgata a mísera ruela de uma vilazinha. Presta atenção às cores, às estações, aos odores, às plantas, aos animais, ultrapassando muitas vezes as delimitações entre a natureza e a história — passar confins é o ofício do viajante — e descobrindo que esta mesma, como todas as fronteiras, é precária. «Onde é a fronteira?», pergunta-se ele e esta questão, que eu também me tenho posto tantas vezes, ao vagabundear ao longo do Danúbio ou nos meus microcosmos, não diz apenas respeito à fronteira entre Portugal e Espanha.
Quando passa por esta, o  viajante dirige-se aos peixes que numa margem nadam no Douro e na outra no Duero, pedindo conselho, talvez lembrando-se de que Santo Iago tinha pregado aos salmões, embora para os converter e induzir a aceitar o seu destino de serem pescados e comidos. Protagonistas desta viagem são, em páginas belíssimas, também o esplendor das águas do rio que encontram as do mar, a luz da praia, o brilho da cascata, a solidão da lagoa, o fragor do oceano nos rochedos, música que evoca um imenso silêncio, o dourado brunido do entardecer que se apaga nas planícies nas vizinhanças de Serpa, as pedras românicas de que até das mais humildes nascia uma grande arte, porque «os construtores estavam conscientes de erigirem a casa de Deus».
Neste livro, que sinto extraordinariamente próximo do meu contínuo vagabundear no mundo e na cabeça, a viagem também penetra não só no espaço mas sobretudo no tempo; é experiência da sua plenitude e da sua fugacidade e ao mesmo tempo guerrilha contra esta última, desejo de reter a tarde que foge e amanhã já não será a mesma, de fazer parar o tempo ou de o manter bem seguro errando no espaço. A viagem, como diz o título de um livro de Gadda, tem a ver com a morte e é por isso que capta momentos tão intensos de vida e se encanta, numa esplêndida passagem do livro, perante uma proibição, sob pena de uma forte multa, de destruir ninhos; proibição que penso que José Saramago aprovará ainda mais do que a de escrever prefácios. 
Para compreender a  sério, o  viajante paradoxalmente teria de parar, ser sedentário, participar a fundo na vida que se atravessa e  se deixa para trás; eu viajo continuamente e  sempre pensei que o viajante é alguém que desejaria ser residente, radicado mas em muitos lugares. A viagem nunca acaba, mas os viajantes, ou seja, nós, sim. Este viajante português diz, a certa altura, que esteve no bairro de Alfama, mas que não sabe o que é Alfama. Também nós estamos na vida, sem saber o que ela é."
Claudio Magris

Podem ser recuperadas e consultadas outras crónicas de Claulio Magris no jornal El Mundo, aqui
em http://ariadna.elmundo.es/buscador/archivo.html?q=claudio+magris&b_avanzada=

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Revista Blimunda #50 Julho de 2016 - para descarregar grátis e ler em qualquer plataforma digital

Capa da edição #50 - Julho 2016

Pode ser descarregada e consultada, via página da Fundação José Saramago. aqui

«O viajante viajou no seu país. Isto significa que viajou por dentro de si mesmo, pela cultura que o formou e está formando», aponta José Saramago em Viagem a Portugal. Nesse livro publicado em 1981, o escritor se coloca na pele de um viajante que percorreu o seu país a fim de descobri-lo e descobrir-se. Para isso, permite perder-se, demorar-se, conhecer pessoas e histórias, e andar por lugares cujos guias turísticos não conhecem.

A revista deste mês, através das palavras de Pilar del Río, revisita esse título de José Saramago. «O olhar delata o viajante nas suas opções, nas suas emoções e nos seus desgostos. O viajante não necessita de se explicar para estar explicado, e é por isso que este livro, que é uma viagem a Portugal, é também uma viagem a Saramago. Ainda que o autor não fale de si, ainda que não apareça nenhum dado pessoal, Viagem a Portugal é o retrato possível do homem que escreve e do país escrito», escreve a presidenta da Fundação José Saramago.

Neste número a Blimunda fez um passeio pelo universo das feiras de edição independentes e alternativas, como tradicional Feira Morta de Lisboa, e também percorreu o mundo dos livros Pop-Ups a partir de uma exposição patente na Biblioteca Nacional de Portugal. A revista foi até Proença–a-Nova para conhecer a biblioteca itinerante, um projeto que completa dez anos de existência. E visitou o traço de Eduardo Fonseca, jovem pintor brasileiro que neste mês de julho expõe o seu trabalho no Centro Cultural de Belém.

Ainda há espaço para conhecer os livros de António Mega Ferreira e para o texto ficcional da escritora Andréa Zamorano. «A felicidade, fique o leitor sabendo, tem muitos rostos. Viajar é, provavelmente, um deles», escreve José Saramago no final da Viagem a Portugal. Viajemos, pois, por esta Blimunda. Boas férias e bom verão, até Agosto!"

sábado, 6 de fevereiro de 2016

"O Leitor volta sempre" - Texto dedicado ao grupo da “Comunidade de Leitores Ler Saramago”

"O Viajante volta já.
Não é verdade. A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: «Não há mais que ver», sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já." 
(Caminho, 11.ª edição, página 387)

Texto dedicado ao grupo da “Comunidade de Leitores Ler Saramago”
O “Leitor” volta sempre.

O “Leitor” tem de voltar sempre. A leitura nunca pode acabar. Os leitores sim, esses acabam, e mesmo assim serão recordados por outros aquém dedicaram as suas leituras.

Quando o “Leitor” se sentou na sua poltrona, e disse em murmúrio de lábios semicerrados: «Que deverei ler mais se já li tudo!?», bem sabia que não era assim. O fim de uma leitura é somente o início de outra.

Poderemos já ter lido uma montanha de livros, mas será sempre uma ínfima parte de um todo incalculável. É preciso ler o que já foi lido, ler uma e outra vez. Ler agora o que se leu ontem, ler de dia o que se leu de noite, ler em casa e depois na rua, na praia ou no campo, debaixo de uma árvore ou num banco de jardim. Ler num lado e mudar para outro.

É preciso ler e voltar aos parágrafos lidos à pressa e que mal entendemos, ver as anotações e procurar as palavras estranhas, ou digamos, mais complicadas.

 É preciso voltar aos livros já lidos há muito tempo, repeti-los e cumprimentar de novo as suas personagens. Sim, cumprimentar, eles são gente dentro de livros como dizia José Saramago.

É preciso recomeçar a leitura. Sempre. O “Leitor” volta sempre.

Lido por Ódin Santos

Este texto é baseado no último parágrafo do livro “Viagem a Portugal” (página 387), onde José Saramago escreveu “O Viajante volta já” (06/02/2016)

sábado, 24 de outubro de 2015

Análise à obra "O Conto da Ilha Desconhecida" através do site "Atualidades do Direito - 2009, Brasil"

No dia em que o blog comemora o seu primeiro ano de actividade
foram produzidos aproximadamente 600 post's
20.000 visualizações
962 seguidores no Facebook

... milhares de horas de leitura, pesquisas e conversas com outros Saramaguianos(as)

... a todos os que visitam, aos que visitando voltam e aos que ajudam neste trabalho, deixo as palavras com que o "viajante" termina a "Viagem a Portugal"

(...) "O fim de uma viagem e apenas o começo doutra. 
(...) É preciso voltar aos passos que foram dados, 
para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. 
É preciso recomeçar a viagem. 
Sempre. 
O viajante volta já."
in, "A Viagem a Portugal"



Pode ser visualizado e consultado aqui,

Sinopse e detalhe do programa
Programa originalmente transmitido pela UNISINOS
Obra: O conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago
Exibição: 2009
Apresentação: Prof. Dr. Lenio Luiz Streck (IHJ)
Convidados:
Dr.ª Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (Prof. PPG-Letras/UFRGS)
Dr.ª Melina Girardi Fachin (Prof. Direito/Dom Bosco/PR)

(Capa da edição com ilustrações de Bartolomeu dos Santos)

domingo, 30 de agosto de 2015

"Viagem a Portugal" Novo projecto de Miguel Gonçalves Mendes para 2015?

Aqui informação via http://mgm.org.pt/mgm_projetos_viagem.shtml

"Em 2015 a produtora JumpCut e a Fundação José Saramago se unem para homenagear os 30 anos de lançamento do livro “Viagem a Portugal” de José Saramago. O projecto pretende elaborar uma releitura da obra para os tempos atuais, de um Portugal contemporâneo, pós crise económica e pós Troika, através do olhar do diretor Miguel Gonçalves Mendes."


sexta-feira, 6 de março de 2015

(2.ª Parte) 340 apontamentos do roteiro da "Viagem a Portugal" Lugares Paisagens Cores Sensações e Cheiros...


Estudo da obra de José Saramago, "Viagem a Portugal" editada em 1981.
(Capa da edição da Editora Caminho)

Continuação do post, publicado a 02 de Março (2.ª Parte do Roteiro)

171. Lamego hospedado. Sobe a Almacave. Dia seguinte. A Sé e o Santuário da Nossa Senhora dos Remédios. Museu fechado para obras e "A Criação dos Animais" de Vasco Fernandes que deixa a mágoa de não ter visto.
(Vista do Santuário Nossa Senhora dos Remédios)

172. Ferreirim na bacia do Rio Varosa, passando Ucanha, Salzedas Tarouca e São João de Tarouca e os oito painéis de Cristóvão de Figueiredo e o ataque que o viajante fez aos padres

173. Por sugestão vai a Ucanha na margem direita do Rio Varosa e a afamada torre

174. Salzedas, Tarouca e o deja-vu em São João de Tarouca

175. Moimenta da Beira onde almoça tardiamente, Paço, Rio Távora,  Granjinha e São Pedro das Águias que não sendo num alto e lá no fundo.

176. Serra da Estrela onde vai. Segue por Vale de Estrela até Valhelhas. Manteigas. E as nuvens não deixam perceber a paisagem

177. Segue pelo Rio Zêzere até ao Poço do Inferno
(Zona do apelidado "Poço do Inferno")

178. Covilhã o tempo não permite subidas altas. 
Visita Igreja de São Francisco,  Capela de São Martinho.

179. Capinha chamada de Talabara nos tempos dos romanos. 
Ribeira de Meimoa e caminho para Penamacor.

180. Penamacor e a manuelina Igreja da Misericórdia e os Paços do Concelho
(Igreja da Misericórdia de Penamacor - Séc. XVI)

181. Ruma a Monsanto. Passa Aranhas, Salvador e Penha Garcia, de longe Monfortinho.

182. Monsanto... menos igrejas e mais pedra, dirá o viajante que viajar é ficar. As pocilgas quais castelos para os porcos. A Capela de São Miguel e o templo arruinado. 
Daqui observa o vale do Rio Pônsul e a encosta de Monfortinho. 
As muralhas do castelo onde Gualdim Pais andou.
(Monsanto - Capela de São Miguel e torre sineira)

183. Passa Medelim o viajante sente que traz consigo uma enorme pedra desde o Monsanto

184. Idanha-a-Velha, Egitânia dos visigodos ou Igaeditania latina. O relógio de sol de 16 a.c. oferecido por Júlio Augurino.
(Idanha-a-Velha, Basílica Sueva-Visigótica da Egitania)

185. Desce por Alcafozes em direcção a Idanha-a-Nova. Fundada em 1187 por Gualdim Pais.

186. Proença-a-Velha, o adro, o vale do Rio Torto

187. Fundão. Vale de Prazeres e Cova da Beira.

188. Terra do jornal para onde o viajante muito dissertou. Fala do fantasma de José Júnior. A igreja matriz e outras pinturas consideradas menores.

189. Paul, segue para Ourondo... eventual terra de ouro. Observa a Ribeira de Porsim. A Ribeira de Pornão que não se encontra.

190. As montanhas de ferrugem e detritos das minas da Panasqueira

191. A aldeia de São Jorge da Beira onde viveu o homem José Júnior tornado fantasma na mente do viajante.

192. Retorno ao Fundão,  Chafariz das Oito Bicas e o lugar de Donas. A manuelina Capela do Pancas e a Casa do Paço

193. Em Alcaide a Igreja de São Pedro deixou boa impressão
(Igreja Matriz de Alcaide)

194. Contorna subindo a Serra da Gardunha e entra em Alpedrinha. Chafariz de Dom João V

195. Castelo Novo e a Ribeira de Alpreade, construída a meia altura da Serra da Gardunha. A luz que aqui ficará na memória do viajante. O românico, o barroco e o manuelino juntos e acrescentados em harmonia,  a Casa da Câmara,  o Chafariz a lagariça onde se pisou a uva

196. Castelo Branco. Castelo, Igreja de Santa Maria, a estátua do poeta João Ruiz de Castelo Branco que o viajante vem posteriormente a descobrir que é do médico Amato Lusitano, a Sé, o Cruzeiro de São João, o museu e o jardim do Paço Episcopal e suas estátuas.
(Cruzeiro de São João)

197. Moradal, a Serra Vermelha, Foz do Giraldo, chuva e mais chuva

198. Oleiros a sua igreja matriz.
(Igreja Matriz de Oleiros)

199. Para chegar a Álvaro, tem as serras de Alvelos e Vermelha com a Ribeira da Sertã mas o estado da estrada não o permitirá.

200. Sertã, Sardoal por perto e chega a Abrantes.

201. Terras do Sul com miragem do Tejo. Os painéis de Gregório Lopes na Igreja da Misericórdia a Igreja de Santa Maria do Castelo que recebe o Museu de Dom Lopo de Almeida e a tábua com a inscrição "Hic est chorus" aqui é o coro.

202. Depois de Montalvo está Constância. Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Milagres com pintura de José Malhoa. À beira rio e a casa/ruína de Camões. Castelo de Almourol. Igreja de Tancos datada de 1685.
(Castelo de Almourol)

203. Atalaia e sua fascinante igreja. Os seus azulejos e o viajante que custa a deixá-los para trás. A ponte sobre o Rio Zêzere, a massa gigantesca de água na barragem de Castelo de Bode

204. Beberriqueira, Ilha do Lombo que atravessa de barco para lá chegar.
(Detalhe da envolvência da Ilha do Lombo em pleno Rio Zêzere)

205. Tomar. Igreja de São João Baptista e sinagoga. A roda da rega chamada Roda dos Mouros. Convento de Tomar é o pórtico de João de Castilho
(Pórtico da autoria de João Castilho no Convento de Tomar)

206. Ourém... povoação em decadência

207. Fátima. O viajante é crítico da estética de duvidoso gosto do santuário, 
e da praga do comércio massivo

208. Gândara dos Olivais,  passa o Rio Lis, Amor

209. Vieira de Leiria e sua Santa Rita de Cássia que merece a visita, 
a praia da Vieira e a foz do Rio Liz

210. Pinhal de Leiria de Dom Dinis

211. São Pedro de Muel a sua magnífica mata e o mar

212. Marinha Grande terra das artes do vidro e de fábricas que teve curiosidade em visitar

213. Leiria. Sé e o Castelo. As ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Pena, por onde terá andado Dom Afonso Henriques.
(Vista do Castelo de Leiria)

214. Percorre pelo Rio Lis e visita o Mosteiro de Santa Maria da Vitória

215. São Jorge e a Ermida mandada erigir por Nuno Álvares Pereira

216. Feriado 25 de Abril. Povoação de Cós, visita o Convento de Santa Maria
(Convento de Santa Maria em Cós)

217. Maiorga terra de músicas. 

218. Nazaré. O Sítio, o mar

219. Alcobaça, os rios Alcoa e Baça. A origem do nome que nasce de Helcobatie. Mosteiro que conjuga vários estilos arquitectónicos. Interior imponente. Túmulos de Pedro e Inês, imortais amantes nas palavras do viajante e os de Dom João e Dona Filipa que de tão altos mal se vislubra a sua magnitude
(Túmulo de Dona Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça)

220. Porto de Mós, palácio do conde de Ourém

221. Serra da Mendiga e Casais do Livramento depois de muita serra de curvas, 
o vale da Serra de Aire

222. Torres Novas. Museu de Carlos Reis e segue viagem

223. Riachos, Brogueira, Alcorochel e Golegã. Aqui há memórias do viajante

224. Manuelina Igreja da Golegã. Os largos campos, o Rio Almonda 
e a memória do Paul do Boquilobo
(Igreja Matriz da Golegã, estilo Manuelino do século XVI)

225. Azinhaga local de nascimento. Ermida de São José

226. O sítio Rabo dos Cágados

227. Santarém... as Portas do Sol, Igreja da Graça, Igreja de Marvila, Igreja da Misericórdia, Igreja do Seminário Patriarcal de estilo jesuíta, as ruínas do Convento de São Francisco
(Detalhe do interior do Convento de São Francisco)

228. Estância real dos séculos XV e XVI Almeirim... nada prenderá o viajante

229. O Tejo, a vala de Alpiarça, Ribeira de Muge, o Rio Sorraia mais a sul

230. Salvaterra de Magos visita a Capela do Paço Real com a 
pietà quinhentista e cristo deitado.
(Fotografia antiga do interior da Capela do Paço Real, Salvaterra de Magos)

231. As pontes e pontões de Vila Franca de Xira... Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, São Quintino, Dois Portos e Torres Vedras... terras de agricultores

232. Arruda dos Vinhos a igreja manuelina e as quintas que se parecem com marcos geodésicos

233. São Quintino a bela igreja. Portal de 1530 e mistura de estilos renascença e manuelino
234. Dois Portos a igreja fechada
(Igreja de São Quintino, de Dom Manuel I)

235. Viagem ladeando o Rio Sizandro e a linha do comboio. Torres Vedras e a Fonte dos Canos, a Igreja de São Pedro e o castelo... e o susto com um São José em pasta de papelão moldado. Dia seguinte. Convento da Graça e Museu Municipal

236. Turcifal... a igreja fechada e as voltas que o viajante deu para conseguir visitar

237. São Pedro da Cadeira mais uma porta fechada

238. Ponte do Rol e enfim chegado a Varatojo. Convento local e o contentamento do viajante

239. Merceana, Aldeia Galega e Meca

240. Aldeia Gavinha. Mais uma procura da chave da igreja. Esta fará o viajante feliz. Nossa Senhora da Madalena e a memória da terra da actriz Palmira Bastos
(Igreja de Aldeia Gavinha)

241. São Sebastião de Espiçandeira na margem direita do Rio de Alenquer

242. Alenquer a terra do presépio. O primeiro convento franciscano de 1222, o de São Francisco.  O relógio de sol oferecido por Damião de Góis
(Convento de São Francisco)

243. Ota, Cercal e Sancheira Grande a caminho das Caldas da Rainha. Passeio pelo jardim. O museu de pintura abundante e a terra de louças. Igreja Nossa Senhora do Pópulo.

244. Óbidos demasiado florida para o gosto do viajante, as muralhas, 
a igreja e o túmulo do alcaide-mor

245. Serra d'El-Rei e Atouguia da Baleia, depois Ferrel terra que foi prevista a instalação de uma central nuclear e que se fica a saber que o viajante usa 
mapas militares para auxílio da sua viagem

246. Cabo Carvoeiro. Peniche, não consegue ir às Ilhas Berlengas. Forte de Peniche, as igrejas e a visita à Lagoa de Óbidos
(Forte de Peniche)

247. Museu de Óbidos poucas peças mas bem organizado, Igreja da Misericórdia

248. Carvalhal de Óbidos e a família de antigos comerciantes

249. Lourinhã a visita ao quadro de São João em Patmos

250. Praia de Santa Rita, a Ribeira de Alcabrichel

251. Ericeira e a igreja matriz

252. Mafra. O Convento de Mafra. O viajante hipnotizado pela grandeza.
(Convento de Mafra)

253. Ribeira de Cheleiros. Janas e a sua Ermida de São Mamede

254. A caminho de Sintra. Azanhas do Mar e Praia das Maçãs,  Monserrate e o Palácio em restauro, Seteais, Palácio da Pena e a sua multiplicidade de estilos. O Castelo dos Mouros. Capuchos e o Escorial. O Viajante que por reflexão chegará à conclusão que os seus pensamentos dificilmente lhe abrirão as portas do paraíso.
(Castelo dos Mouros)

255. Cascais. Museu de Castro Guimarães e a guardada Crónica de 
Dom Afonso Henriques de Duarte Galvão

256. O Estoril que o não prende e Carcavelos que a Igreja Matriz merece toda a atenção

257. Palácio de Queluz, as diatribes de Dona Carlota Joaquina 
e Dom João VI, ou Dom Pedro IV
(Palácio Nacional de Queluz)

258. Lisboa. Museu de Arqueologia e Etnologia que apresenta a coleira do escravo dos Lafetás que o Viajante visitou e conheceu a história das famílias abastadas de Carvalhal de Óbidos. Promessa cumprida. Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Museu da Marinha e o dos Coches, Museu de Arte Popular e o da Arte Antiga à Rocha do Conde de Óbidos. O Terreiro do Paço e a Sé. Castelo de São Jorge, o Mosteiro de São Vicente de Fora. Alfama, Madre de Deus. A Casa dos Bicos que o Viajante ainda não sabia, mas que a apelidou de prima afastafa da Casa dos Diamantes de Ferrara. Das utilidades do Terreiro do Paço. Igreja de São Roque, Bairro Alto e o Carmo, Marquês de Pombal. Museu Calouste Gulbenkian

259. Pragal e o Cristo Rei. Caminho para visitar Palmela e o seu castelo e a igreja matriz.

260. Vila Fresca de Azeitão, passeio pela bucólica Quinta das Torres e da Bacalhôa

261. Cabo Espichel, Santuário da Senhora do Cabo. Santana até Sesimbra. Almoço, a famosa caldeirada. Serra da Arrábida
(Santuário de Nossa Senhora do Cabo, no Cabo Espichel)

262. Portinho da Arrábida de visita ao Convento Novo

263. Setúbal terra enorme onde nasceu Bocage. A Igreja de Jesus o Museu de Setúbal.

264. Seguindo por Águas de Moura até Alcácer do Sal. Rio Sado, este que subirá até Setúbal.
Igreja do Senhor dos Mártires do século XIII e a Igreja de Santa Maria no interior do castelo. A paisagem dos arrozais

265. Atravessa a Ribeira dos Sítimos para visitar a igreja matriz do Torrão, Alcáçovas que tem a sua igreja guardada pelo posto da GNR

266. Santiago do Escoural e as grutas com mais de dezassete mil anos.
(Interior das Grutas do Escoural)

267. Montemor-o-Novo. Castelo, Igreja de Santa Maria do Bispo e a 
de São João muito mal preservadas.

268. Arraiolos. O Solar da Sempre Noiva, depois o Convento dos Lóios em Vale de Flores.
(Convento dos Lóios)

269. Pavia perto da Ribeira de Tera. A ermida dedicada a São Dinis e a igreja matriz.

270. Não visita Mora e segue para a Aldeia de Brotas e a Torre das Águias onde o Viajante achará da urgência de aqui voltar
(A Torre das Águias na Aldeia de Brotas)

271. Atravessa Ciborro e a Guarita do Godeal.

272. Lavre. Terra de tantos amigos e histórias ouvidas.

273. Retorna por Mora, percorre a barragem de Montargil até Ponte de Sor.

274. Ponte de Sor, a Ribeira de Longomel, Longos Vales e Longador.

275. Alter do Chão ou a antiga Abelterium, o castelo de Dom Pedro I em 1359 que este não chegou a visitar.

276. Ribeira de Seda antes de chegar ao Crato. 
O infernal calor alentejano. Visita a igreja matriz.
(Igreja Matriz do Crato)

277. Flor da Rosa com seu castelo que também é convento e paço

278. Outra ribeira, a da Várzea,  antes de chegar a Alpalhão e depois Castelo de Vide. Aqui visita 2 igrejas e o monumental chafariz Fonte da Vila.
(Chafariz Fonte da Vila em Castelo de Vide)

279. Marvão cá do cimo. Da torre de menagem exclama-se que grande é o mundo
(Castelo do Marvão)

280. Portalegre que Afonso III em 1259 mandou construir a povoação de Portus Alacer. Aqui o Viajante reencontra obras de Nicolau Chanterenne. Visita também a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Museu Municipal e a Casa de José Régio

281. Monforte. Herdade da Torre de Palma e as ruínas romanas

282. Ribeira de Arronches e o Rio Caia. Em Arronches está a Igreja de Nossa Senhora da Luz.
(Igreja Nossa Senhora da Luz em Arronches)

283. Passa pela Aldeia da Nossa Senhora dos Degolados e chega a Campo Maior onde visita a Igreja de São João Baptista

284. Elvas. Muralhas, fortaleza e fortificações, Igreja de Nossa Senhora da Assunção, o museu local e o registo final para o Aqueduto da Amoreira que demorou mais de cem anos a construir até à data de 1622
(Aqueduto de Elvas)

285. Estremoz a Torre das Três Coroas,  o Paço de Dom Dinis e o Museu Municipal e os famosos bonecos que o Viajante ditou "A Estremoz irás, seus bonecos verás, tua alma salvarás"

286. Rossio e a Igreja de São Francisco onde morreu Dom Pedro I

287. São Francisco e a arrepiante capela dos Terceiros

288. Évora Monte, onde Dom Miguel se rendeu a Dom Pedro. O Paço de Homenagem onde se deu a rendição. Igrejas fechadas e uma nogueira carregada de cigarras
(Castelo de Évoramonte)

289. Borba. Igreja de São Bartolomeu. A terra onde é 
proibido destruir os ninhos e a Fonte das Bicas

290. Vila Viçosa e a Serra da Ossa ou Ursa. 
Paço Ducal, o castelo e a Igreja Nossa Senhora da Conceição
(Paço Ducal em Vila Viçosa)

291. Passa Ciladas de São Romão e Juromenha. Os mapas militares reconhecem Olivença como lusitana, passa por aqui a Ribeira de Táliga e de Olivença e o Rio Guadiana.

292. Em Juromenha visita as ruínas do castelo e da fortaleza... 
e o Guadiana tão perto como desprezado
(Ruínas do Castelo de Juromenha)

293. De Alandroal seguirá a Terena onde existe a 
igreja-fortaleza que tem mais fortaleza que igreja

294. Redondo e pouco viu dado o adiantado da hora

295. Évora, a Praça do Giraldo, local de conquistas aos mouros em 1165. Visita a cidade que respira história. A Sé, Templo de Diana, Museu de Évora,  Igreja dos Lóios e a da Misericórdia, a universidade e o Largo das Portas de Moura, Igreja de Nossa Senhora da Graça e a de São Francisco... o calor infernal, e a recusa em entrar na Capela dos Ossos, estes que se deviam revoltar com a afronta do amontoado em que estão.
(Praça do Giraldo em Évora)

296. Perto do Rio Degebe está a povoação de Caridade que só pelo nome dá vontade de parar.

297. Ribeira de Pêga, o som das cigarras sob o calor tórrido, chega a Reguengos de Monsaraz. As muralhas e a Igreja Matriz
(Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz)

298. Mourão o castelo e a igreja que integra

299. As paisagens amarelas das terras e planícies alentejana. Moura e outro castelo

300. Pias e sua Igreja Matriz que tem a famosa tábua onde Martim Moniz está entalado na porta do Castelo de São Jorge. A igreja estava fechada.

301. Dormida em São Gens e o nascer do sol

302. Serpa. O viajante do melhor que observa são as casas comuns, baixas e brancas.

303. Até ao Pulo do Lobo a estrada é um cabo das tormentas de tal forma que o Viajante se pudesse voltava para trás. Ribeira do Limas. Chegou. 
A terra esventrada e calcinada... será isto outro mundo
(Paisagem do Pulo do Lobo)

304. Serpa e a abandonada Ermida de São Sebastião.
(Ermida de São Sebastião na cidade de Serpa)

305. O Guadiana que se lhe aparece outra vez. Passará a Baleizão sem parar. Ai Baleizão Baleizão, respira fundo o Viajante

306. Pax Julia actual Beja que Baju para os Mouros. Igreja de Santa Maria, o Castelo, Igreja da Misericórdia e a de Santo Amaro que está fechada. O Museu de Beja e a Casa do Capítulo... aqui estará um São Vicente do Mestre de Sardoal que faria 
inveja em qualquer museu mundial, mas por cá...
(Castelo de Beja)

307. Sobe à Vidigueira terra de Vasco da Gama almirante das Índias.

308. Portel e o seu castelo do tempo de Dom Manuel I
(Castelo de Portel)

309. Oriola fica para trás. Viana de Fochem agora do Alentejo.  
Castelo das ameias muçulmanas a igreja matriz

310. Visita a Quinta de Água de Peixes, solar do século XIV antes de chegar ao Alvito. A igreja matriz, o Paço acastelado e a terra que faz homenagem às manhãs do mundo e à noite que a que caia seja a natural e não outras "noites" que afrontem os homens. 
A alma do Viajante enche-se de luz.

311. Vila Ruiva, Vila Alva e Vila de Frades onde é terra de Fialho de Almeida. 
Aqui está a vila romana de Cucufate

312. Pisões, Albernoa, o barranco de Marzelona, a Ribeira de Terges

313. Castro Verde. Igreja das Chagas do Salvador fechada e um suposto diálogo que deveria acontecer com o "anjo" encarregue de manter a porta aberta na ausência do padre. 
O Cante Alentejano
(Cante Alentejano trajes)

314. São Marcos da Ataboeira e a serra da Alcaria Ruiva e a planície dá lugar a montes e vales

315. Mértola e o Rio Guadiana que acompanha o Viajante. Igreja Matriz com o Senhor dos Passos trajado de roxo e que as estatuetas foram esculpidas há muitos anos por um preso na cadeia da cidade. A família italiana e o caminho em direcção ao Algarve.  Rio Vascão
(Igreja Matriz de Mértola, reaproveitamento da Mesquita original do Século XII/XIII)

316. Alcoutim paredes meias com Sanlucar em Espanha. Igreja e o padre irlandês.

317. Serra do Caldeirão ou também chamado de Mu.

318. Castro Marim visita ao castelo e à igreja matriz
(Castro Marim a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Mártires e o Castelo)

319. Vila Real de Santo António. A calmaria do trânsito que o Viajante tem assistido acabou aqui. Antiga aldeia destruída de Santo António da Avenilha que Marquês de Pombal quis reconstruir na forma da baixa pombalina

320. Tavira onde as portas dos pontos de destino do Viajante apresentam-se fechadas. 
Visita o cais.

321. Segue para a Luz. A Igreja da Luz de Tavira
(Igreja da Luz de Tavira)

322. Olhão. A igreja que decepcionante foi vencida pelas uvas comidas no cais dos pescadores. A história do rei mouro apaixonado por uma princesa nórdica, esta de saudades das suas terras navegadas, o rei mandou plantar milhões de amendoeiras que quando abriram em flor, parecendo um manto de neve deu à princesa a ilusão da sua terra natal, curando-a do mal das saudades. Esta é a lenda. O Viajante não convencido com a história acabará por explicar que por ordens do rei as casas eram pintadas de branco dando na mesma a ilusão da neve.

323. Estói. Palácio dos Condes de Carvalhal e as ruínas de Milreu
(Ruínas romanas de Milreu)

324. Faro. Menção honrosa para a cidade que aqui imprimiu o segundo Incunábulo nacional ou livro impresso pelas artes de Gutenberg, datado de 1487. Igreja de São Pedro e a Sé dentro das muralhas, antiga Vila-a-Dentro posterior à Ossónoba e à Hárune dos Mouros. A visita ao Museu de Faro com o director do museu sentado na secretária do e a fazer de contínuo.

325. A banhos em Monte Gordo, Armação de Pêra, Senhora da Rocha, Olhos de Água e na Ponta João de Arães. Entradas por saídas defende-se o Viajante.

326. São Lourenço de Almansil e a igreja com os azulejos de Policarpo de Oliveira Bernardes
(Igreja de São Lourenço de Almansil)

327. Menos sorte teve o Viajante em Loulé, as três igrejas previstas no roteiro estão fechadas.

328. Ribeira de Algibre ao lado da Aldeia de Tôr, passa Salir onde existirá a bula do papa Paulo III de 1550 na Igreja matriz

329. Alte. Igreja cheia de musicalidade setecentista
(Igreja de Alte)

330. São Bartolomeu de Messines igreja em grés vermelho. A caminho de Silves
(Interior da Igreja de São Bartolomeu de Messines)

331. A língua e linguagem tão diferente nestas paragens por causa do turismo estrangeiro que relega o português para outras necessidades menos importantes.

332. Castelo de Silves dos Mouros, a gótica Sé de Silves e o cruzeiro Cruz de Portugal
(A Cruz de Portugal com o Castelo de Silves em segundo plano)

333. Passa Lagoa a fugir e visita a igreja matriz com o obra atribuída a Machado de Castro.

334. Algarve e a sua estranha toponímia. Budens, Odiáxere, Bensafrim, a Ribeira de Odelouca e outros lugares que o mapa do Viajante marcará mas não visita.

335. Igreja de Estômbar uma catedral em miniatura
(Igreja de Estômbar)

336. Ribeira do Arade e Portimão e a igreja fechada dará para conhecer o essencial

337. Lagos que a história a liga ao comandante Sertório, sucessor do lusitano Viriato,  original Lacóbria leva o Viajante a um maravilhosa reflexão sobre as origens do território. Dom Sebastião Rei de Portugal e dos Algarves e também recordado, porque daqui terá assistido à missa que o levou a Alcácer Quibir, cuja estátua de João Cutileiro em sua memória se encontra edificada. Igreja de São Sebastião, o antigo mercado de escravos e a barroca Igreja de Santo António de Lagos, o museu local que expõe a arqueologia do Paleolítico até à Época Romana
(Antigo Mercado dos Escravos)

338. A caminho da Finisterra do Sul, passando Espiche, Almadena, Budens, Raposeira e Vila do Bispo. Ponta de Sagres e o Cabo de São Vicente
(Fortaleza de Sagres... aqui termina tudo... aqui recomeça tudo)

339. Não pode avançar mais. Sobe ao longo da costa. Aljezur, Odemira, Vila Nova de Milfontes, a foz do Rio Mira, Sines e Santiago do Cacém,  as ruínas de Miróbriga... Fim de viagem


340. O Viajante remata com um "O Viajante volta já".
"Não é verdade. A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: «Não há mais que ver», sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É pre-ciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já." 
(Caminho, 11.ª edição, página 387)

Nota do blog
Esta foi uma maravilhosa viagem que tomei em pulso e estudo das imagens e sensações vividas por José Saramago. 
Espero aqui, ter sido fiel nas minhas palavras, e que me salve de ter, por alguma forma manchado com erro ou imprecisão o espírito e forma original do "Viajante".
Deixei uma pergunta:

"Isto é o Portugal de 1981! Como será o Portugal de 2015?"

Que Portugal sobra?
Depois do total desinvestimento das tutelas nas "artes e culturas" lusitanas, que conduziram um trilho chegado ao ponto em que este fustigado país, afortunadamente povoado por diferentes povos desde os primeiros raios de luz das civilizações, somos chegados à triste realidade de não ter um agregador Ministério da Cultura, mas tão somente uma pequena e infeliz secretaria de estado da cultura.
Dizem-me, não quero acreditar, mas pasmado ouso perpétuamente ficar se for verdade, que há redes criminosas que roubam as artes sacras e as mais hereges; que os rios, ribeiros e afluentes estão mais secos ou poluídos; que as paisagens idílicas estão criminosamente queimadas; chegam mesmo ao ponto de me, indignadamente, dizerem que o interior morreu, emigrou ou desapareceu sem que alguém dissesse adeus...
Que Portugal sobra?