Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

domingo, 23 de outubro de 2016

"Os 12 Melhores Livros Portugueses dos Últimos 100 anos" - pela Revista Estante (FNAC - Outubro 2016)

"OS 12 MELHORES LIVROS PORTUGUESES DOS ÚLTIMOS 100 ANOS"

"A Estante convidou um júri de cinco elementos, composto pela jornalista Clara Ferreira Alves, o crítico Pedro Mexia, o professor catedrático Carlos Reis, o editor Manuel Alberto Valente e a jornalista Isabel Lucas, para eleger os 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. Este é o resultado.

Por: Catarina Sousa | Ilustração: Gonçalo Viana | Fotografias: Bruno Colaço/4SEE"



AO LONGO DE DEZ EDIÇÕES a revista Estante tem vindo a entrevistar muitos autores portugueses, explorando várias temáticas nas quais a língua portuguesa surge como pano de fundo. Tínhamos desde o início uma vontade que transformámos em desafio e materializámos em iniciativa: eleger os melhores livros portugueses.

Não procurávamos uma lista demasiado extensa. Queríamos que os decisores fossem pessoas dos mais variados quadrantes, mas personalidades respeitadas e conhecedoras do mundo da literatura em Portugal. Cinco pessoas aceitaram o nosso convite: o professor e ensaísta Carlos Reis; a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves; a jornalista Isabel Lucas; o editor da Porto Editora, Manuel Alberto Valente; e o crítico literário e assessor cultural do Presidente da República, Pedro Mexia.

O desafio não se adivinhava fácil: escolher os melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. Contudo, reunidos à volta de uma mesa, a escolha foi até bastante rápida.

O júri selecionou os melhores livros portugueses dos últimos 100 anos, restringindo a escolha a obras de ficção narrativa publicadas entre 1 de janeiro de 1916 e 1 de janeiro de 2016. A eleição recaiu sobre os 12 livros que se apresentam abaixo, sem qualquer ordem a não ser a alfabética.

Curiosamente, entre os autores dos livros selecionados apenas dois estão vivos: António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís. Deixamos mais informação sobre cada um destes livros que ajudam não só a justificar a escolha do júri, mas a enquadrar a importância de cada uma das obras na literatura portuguesa dos últimos 100 anos.

A equipa da Estante estabeleceu alguns critérios que considerou pertinentes para a seleção dos melhores livros portugueses.
1. Os livros devem ter sido originalmente publicados a partir do dia 1 de janeiro de 1916.
2. Os autores devem ser de nacionalidade portuguesa.
3. As obras em causa devem ser de ficção.
4. Podem ser incluídas edições de autor."


"O Ano da Morte de Ricardo Reis" - José Saramago
A obra de José Saramago (1922-2010) é tão singular que lhe valeu o Prémio Nobel de Literatura – o único que Portugal recebeu até hoje nesta área.
O Ano da Morte de Ricardo Reis é não só peculiar como faz por questionar tudo o que nos rodeia. Quem somos? O que nos acontece quando morremos? Somos únicos ou, como Fernando Pessoa, somos vários?

O livro conta a história do regresso a Portugal, vindo do Brasil, de Ricardo Reis, o heterónimo de Pessoa, quando confrontado com a morte do seu criador. É um livro denso mas vai envolvendo o leitor do início ao fim, fazendo também uma viagem pela história de Portugal.

AS PRIMEIRAS FRASES
“Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas do barro, há cheia nas lezírias.”

SOBRE O AUTOR
“Falava e escrevia com o desassombro e com a clareza que a alguns desagradava, mas que para ele eram uma forma inalienável de respiração intelectual.”
Carlos Reis


A compilação das 12 obras escolhidas

"Problema de Homens" publicado no post online do "Outros Cadernos de Saramago" e no livro do blog

Pode ser recuperado através do site da Fundação José Saramago, aqui
em http://www.josesaramago.org/problema-de-homens-texto-publicado-no-blogue-a-27-de-julho-de-2009/ e http://caderno.josesaramago.org/54038.html

"Problema de Homens (publicado originalmente a 27 de julho de 2009)"

"Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos.
Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver.
De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio.
É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua.
Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia."

In O Caderno, José Saramago

De Violante Saramago Matos "A memória do meu pai, o Nobel" via Público (Márcio Berenguer - 16/10/2016)

A reportagem pode ser recuperada e consultada, aqui

Publicada pelo jornalista Márcio Berenguer - 16/10/2016


"Violante Saramago Matos viajou ao passado até 8 de Outubro de 1998, dia em que se soube da distinção máxima da Academia Sueca para o seu pai, o escritor José Saramago. Sobre Bob Dylan diz: “Penso que foi uma forma da Academia reconhecer que a literatura não é feita apenas de romances"

A certa altura deixamos de falar sobre isso. Naquele ano de 1998 o Nobel não era um tema tabu. Simplesmente não era um tema. Não povoava as nossas conversas. Há muito que não. Antes conversávamos muito sobre ele. Ciclicamente, claro. Já era tempo de a Academia Sueca olhar para a língua portuguesa. Seria este ano o ano? Mas o reconhecimento ia sempre para outro lugar, para outro nome, que não este.

Naquele ano de 1998 já não falávamos sobre isso. É verdade.

Antes, tentávamos descodificar os sinais políticos — há sempre uma componente política nestas coisas —, olhar para quem tinha recebido antes e para quem poderia ser galardoado depois. Demorávamo-nos a discorrer sobre a actualidade, numa tentativa de antecipar o que poderia ou não vir. Percorrer os nobelizáveis e os outros, que não sendo, podiam vir a ser. Mas naquele ano não. Falávamos de outras coisas. De livros. De nós.

Era de manhã. A meio da manhã. É aí que me situo na memória daquele dia. Estava numa reunião na Câmara do Funchal. Era vereadora, na altura. Eleita como independente pelo Partido Socialista. Estava no meio de uma discussão com o Ricardo Silva, do PSD, responsável pelo urbanismo da cidade. Foi o [André] Escórcio que bateu à porta — ou melhor, entrou esbaforido pela sala adentro, chamando o meu nome. “Espera, espera”, disse eu com um gesto de enfado. Insistiu o Escórcio. Insistiu muito. Uma, duas, três vezes: “Violante, Violante, Violante.” A minha resposta sempre a mesma. Sempre a gesticular, cada vez mais exaltada. “Agora não. Agora não, já disse!” Insistiu: “O teu pai. É sobre o teu pai.” Parei de imediato. Já tinha toda a minha atenção. Gelei. Olhei-o de frente. “O meu pai? O que aconteceu ao meu pai?” “Estão a dizer que ganhou o Nobel.” A reunião terminou aí.     

Ele estava em Frankfurt, na Feira do Livro, e eu na Madeira. Em 1998, era como se ele estivesse no outro lado do mundo, numa ilha deserta. Não existiam as ligações rápidas, instantâneas, como agora. Era outra velocidade. Parece outro século. Era mesmo. Outro século, outro tempo. Liguei várias vezes. Perdi a conta de quantas. Ele deve ter feito o mesmo. Não sei. Sei que só a meio da tarde é que conseguimos falar. Foi ele que ligou, de um número que não era o dele. Não sei de quem era. Não perguntei. Importa? O que falámos? O que eu disse? Parabéns. Um beijo. Muitos. Mil beijinhos. Eu sei lá o que disse. Um amor que não se descreve, nem escreve. Um desejo imenso de o abraçar. Foi isso.

Tive de esperar. Um dia, dois. Foi uma semana de loucos. Nunca estamos realmente preparados para estas grandes coisas. Para as grandes emoções que nos assaltam assim, sem pedirem licença para entrar. Não conseguia reagir. Só o vi em Lisboa, quando chegou vindo de Lanzarote. Era eu entre muitos que o esperavam. Um Nobel português, num ano de Expo. É um pouco como agora, com a selecção na Europa e Guterres na ONU. Havia muito entusiasmo. Muita portugalidade. Um mar de personalidades no aeroporto. Senti, naquele momento, que todos ali tinham mais que ver com ele do que eu. Foi estranho sentir-me assim. Eu era a filha, a única filha. Só queria dar-lhe um beijinho, mas tive de esperar. Digo isto sem qualquer animosidade. Mas eu era a filha... não é?

Toda a minha vida cresci com este sentimento. Ainda o guardo. O de ser filha de. Durante anos fui filha de. É coisa boa quando a herança do nome dos pais nos enche o coração, mas é coisa difícil quando o tamanho do nome dos pais nos abafa o ser. Então é preciso saber emergir das águas daqueles dois caudais de talento, saber quem somos para além da grandeza deles, saber em que cruzamento — das duas ruas por onde correm dois nomes maiores da nossa cultura — fica a nossa esquina.

E ali estava eu agora. Naquela esquina do aeroporto. Ao olhar aquele homem, no meio da multidão, onde tantos viam frieza, distanciamento e má disposição, eu encontrava os afectos que transbordavam dos seus livros e das relações humanas, familiares. Um homem extremamente tímido, reservado, que vestia uma couraça para se proteger dessa timidez espantosa. E ele ali, no centro daquela celebração, e eu do outro lado do muro de pessoas. Tão próxima. Tão distante. A observar. Com um orgulho imenso no peito que levaria comigo — ainda o trago — para Estocolmo.

Não era só o prémio, o Nobel. Foram os fundamentos — “com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia” — da Academia Sueca para distinguir José Saramago. O ser maior do que um escritor. Um filósofo, como o meu filho, ainda pequeno, um dia disse. Só esses fundamentos bastavam-me. Mas havia mais. Quanto orgulho consegue segurar uma pessoa?

No banquete, na câmara de Estocolmo, onde o meu pai se sentou ao lado da rainha, encontrei mais razões para vibrar por aquele homem que era meu pai. Há uma espécie de hierarquia naquela cerimónia. Uma hierarquia mal disfarçada. Os laureados são dispostos no salão obedecendo a uma qualquer ordem de importância. E eu estava ali, com ele, a Pilar e a minha filha (cada um dos premiados só tem direito a levar três pessoas) na mesa de honra. O Danilo [o marido] e o meu filho ficaram em cima, na plateia.

A gente abala quando vive um momento daqueles. Abana quando ouve aquele discurso. Aquelas palavras imensas. Ainda hoje as guardo. Os Discursos de Estocolmo e o Ensaio sobre a Cegueira continuam à minha cabeceira, vou regressando a eles amiúde.  

É uma maneira de celebrar José Saramago escritor. O país ainda o celebra. Festeja, mesmo. Deixa-me feliz saber isso — que depois de tantos anos ainda o lemos. Penso que ele também ficaria — ter presenciado, ter vivido a reconciliação com um país onde nasceu e cresceu foi importante para ele. Eu vi isso. Conversámos sobre isso —para lá dos Sousas Laras daquele Portugal pequeno, do Cavaco, com quem ele nunca mais falou. O que aconteceu com o Evangelho segundo Jesus Cristo deixou-o sentido. Triste, até. Quem não ficaria? Mas tudo isso foi ultrapassado.

Lê-lo é a maior homenagem. Continuar a mergulhar nos livros é festejar um autor, um homem, um pai que mais do que intransigente, que o era em questões de princípios, era essencialmente muito exigente. Basta ler com atenção a obra que deixou, que transcende a simples literatura. Se é que podemos falar de literatura simples.

Ele também era tudo menos simples. Recusava as respostas prontas. O sim e o não ficavam de fora das nossas questões. Queria que pensássemos. Era assim que ele era como pai, como escritor e como cidadão interventivo. Não existiam vários Saramagos. O que ele foi, o que ele era está ali, na obra que deixou. Estar a ler o meu pai é como estar a ouvi-lo falar, porque ele escrevia como falava. Não era um homem de sim e não, era um homem que respondia, procurando sempre uma explicação.

É assim que recordo o meu pai. É assim que guardo aquele ano de 1998, em que já não falávamos do Nobel e ele apareceu.

Depoimento recolhido pelo jornalista Márcio Berenguer"

"A Maior Flor do Mundo" conto infantil de José Saramago catalogado pela "The White Ravens International Youth Library"

"The White Ravens - International Youth Library
A Selection of International Children's and Youth Literature"



Pode ser consultado aqui 



"A maior flor do mundo"
(The biggest flower in the world)

Saramago, José (text)
Letria, André (illus.)
Porto: Porto Editora, 2015. – [48] p.
ISBN 978-972-0-72821-0
the first edition containing these illustrations (Ed. Caminho, 2013) is no longer available
Love of nature  | Children's literature  | Storytelling  | Simplicity

White Ravens issue: 2016
Reading age: 6+

"Nobel Prize-winner José Saramago (1922-2010) plays a double game in this story: he first laments his inability to write for children, because he can’t write in a simple way. If only he could do so, he would write the most beautiful of all children’s stories – he then proceeds to explain what would happen in that story, were he but able to write it… Finally, Saramago does go on to tell a “real” story, delicate and touching, about a boy who saves a flower from dying of thirst high on a mountain, which then becomes the biggest flower in the world. It is a great story for adults and children alike about the art of storytelling and writing, the art and beauty of simplicity and about a child who surpasses himself. The text, first published in 2001 with illustrations by João Caetano, here is newly interpreted by illustrator André Letria. Part straightforward, part mysterious and poetically powerful, his illustrations truly complement the great author’s literary masterstroke."

"Salman Rushdie ao encontro de Camões, Pessoa e Saramago" - Via Notícias Magazine (16/10/2016)

"Um dia em Lisboa com o escritor britânico." 

A presente reportagem pode ser recuperada e consultada, aqui
em http://www.noticiasmagazine.pt/2016/salman-rushdie-ao-encontro-de-camoes-pessoa-e-saramago/

"Salman Rushdie no Festival FOLIO. 
Fotografia Henriques da Cunha/Global Imagens"

"O escritor esteve em Portugal para participar no festival de Óbidos. Em Lisboa, sem se armar em turista, andou a percorrer as capelinhas literárias: Camões, Pessoa e Saramago.
Pronunciar o nome do escritor Salman Rushdie é recordar a fatwa que o amaldi­çoou de morte por ter publicado o roman­ce Versículos Satânicos. Esteve escondido e rodeado de guarda-costas durante mais de uma década e ainda hoje tem um par de ho­mens de corpo treinado sempre por perto. Não que o queira, mas os serviços secretos portugueses – SIS – acharam melhor preve­nir em vez de remediar. A vigilância não evi­tou que Rushdie peregrinasse durante um dia por Lisboa, após ter estado no Festival Literário de Óbidos, o Folio.
Não o fez como simples turista. Portugal e a sua história está muitas vezes presente nos seus livros, como é o caso do mais recente – Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites –, um título que, somadas as noites, dá as mil e uma de Xerazade, e em que o autor conta a história de Gerónimo Manezes, a personagem de que mais gosta neste romance e que descenderá de algum Menezes português: «Com o passar do tempo, as pessoas começaram a pronunciar mal os nomes. Ele é de Goa, membro dessa minoria cristã que tinha sempre nomes portugueses devido à presença colonial.» Além de Menezes, há muitos outros nomes lusos na sua obra, tal como Camões, personagem de O Último Suspiro do Mouro. Uma inspiração vinda do poeta português, que Salman Rushdie visitou na praça com o seu nome em Lisboa e com a estátua de quem quis tirar uma fotografia.
No próximo romance, que está três quartos escrito, não existem nomes portugueses: «Peço desculpa», diz, sorrindo. Em Salman Rushdie, o sorriso e até a gargalhada estão sempre presentes.
Camões não foi o único escritor português com quem quis tirar uma fotografia e, assim como milhões de estrangeiros que sobem até ao Chiado, também se sentou na cadeira ao lado de Fernando Pessoa, ali tão perto de A Brasileira, e lá se fez fotografar."

«Conheci Pessoa através da leitura de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago. Eu era um grande fã de Saramago e tive a sorte de o conhecer razoavelmente.»

"Não foi por acaso, confirma-se, que nesta peregrinação lisboeta também fez questão de visitar a Casa dos Bicos, onde se deparou com uma boa recordação: «Encontrei lá uma fotografia nossa em Santiago de Compostela, onde nos conhecemos.»
Quanto a Pessoa, Rushdie revela que ficou muito surpreendido com os heterónimos: «É uma obra apaixonante e espantosa como nunca vi entre escritores.»
À provocação de que mais parece um ator do que um escritor tal é o à-vontade no momento em que sobe ao palco, como aconteceu em Óbidos, Rushdie volta a sorrir e garante que ficou surpreendido com o entusiasmo da audiência portuguesa: «Existem muitos escritores que não gostam da coisa pública, mas eu aprecio estar com os meus leitores porque escrever ou ler são situações de recolhimento. Tenho a sorte de os meus editores em Portugal publicarem tudo o que escrevo e manterem os livros disponíveis. Por isso, tenho uma boa presença no país há muito tempo.»

A recordação das suas visitas anteriores a Portugal, a Lisboa e ao Porto várias vezes, leva-o ao Palácio de Queluz, nos anos 1980: «Estive lá, num festival literário fabuloso organizado por Ann Getty, que foi o mais luxuoso evento literário de toda a história da literatura. Fomos instalados no Hotel Ritz, havia limusinas para nos levar até ao palácio, onde se reuniram muitos dos grandes escritores mundiais. Foi um encontro deslumbrante, que ficou marcado por ser a primeira vez que os escritores russos de verdade foram autorizados pelas autoridades a deixar a Rússia em vez de enviarem os escritores do regime. Tatiana Tolstói nunca tinha saído do país durante toda a sua vida, e convidaram os russos emigrados, como o Nobel, Joseph Brodsky. E também lá encontrei Antonio Tabucchi, Ian McEwan, Martin Amis… Estavam todos.»
A presença de Portugal nos seus livros não acontece apenas devido a essas boas memórias, como esclarece: «Na Índia, houve uma presença colonial portuguesa muito forte em Goa e o catolicismo romano espalhou-se no país devido a essa presença. Ainda hoje muitas pessoas dessa parte da Índia têm nomes portugueses, que permanecem em sucessivas gerações de cidadãos indianos cristãos, muitos deles falavam português como segunda ou terceira língua.» Como história puxa história, Rushdie acrescenta: «Há uma parte de Bombaim, Bandra, onde O Último Suspiro do Mouro se passa, que se mantém uma área onde vivem muitos cristãos e onde é quase impossível a alguém não cristão comprar um apartamento. Não vendem porque querem preservar a área como cristã, local onde vivem muitas pessoas que se chamam Pinto ou Fernando. Aliás, tenho amigos escritores indianos que têm esse legado: o Jerry Pinto ou Naresh Fernandes. São nomes muito comuns por causa do colonialismo.»
Quanto a ter posto duas famílias portuguesas nesse livro, Rushdie explica que o primeiro contacto entre a Índia e o Ocidente foi com a chegada de Vasco da Gama: «Esse momento é o início de tudo, e Gama não ia para conquistar mas para fazer comércio, porque aquela costa era famosa pelas especiarias picantes, a pimenta e a canela, ingredientes que deixavam a comida europeia com mais sabor. Daí que haja muita gente na Índia que também tenha como apelido Da Gama, foi um nome que ficou. Em Cochim até há uma igreja onde se pode ver o túmulo do navegador, mesmo que já lá não esteja porque uma dúzia de anos depois foi trasladado para o Mosteiro dos Jerónimos.»
Adianta como a sua ligação literária com Portugal começa: «Como queria escrever um romance sobre minorias na Índia, escolhi essa pequena minoria cristã e acrescentei uma minoria ainda menor de judeus, criando então casamentos entre eles, de que resultaram minorias ainda mais pequenas, para mostrar que houve um tempo na Índia em que as pessoas não queriam que a experiência espiritual fosse uma única. Foi por isso que fiquei muito feliz ao tirar uma fotografia ao lado da estátua de Camões, porque usei o seu nome numa das personagens.»
Com o rio Tejo ao fundo, pergunta-se porque é que decidiu colocá-lo, e ao Douro também, nesse seu livro. Ouve surpreendido a questão e responde de imediato: «Estudei História na universidade e sei a sua importância [do rio Tejo] nas campanhas militares; quanto ao Douro, conheço a presença das companhias de vinho do Porto que, historicamente, são propriedades inglesas. Além de ter estado junto deles várias vezes, li sobre esses rios. Quero sempre conhecer o material com que trabalho, por isso não é difícil recuperar as recordações, mesmo que com o passar do tempo confie cada vez menos na minha memória. Agora confirmo as lembranças cada vez mais porque a memória brinca connosco e tem os seus truques; pensamos que uma determinada igreja está numa rua mas afinal encontra-se duas ruas acima. Esses são erros estúpidos que não quero fazer, portanto verifico tudo o que coloco nas páginas.»
Salman Rushdie muda o rumo da conversa e alerta para o facto de estar perto de cumprir 70 anos de vida e considerar que é tempo de fazer outras coisas.
«Já disse a mim próprio que após acabar o próximo romance irei fazer alguma coisa diferente em vez de começar outro livro.» Quando se lhe pergunta o quê, o escritor volta a sorrir: «Talvez seja a oportunidade de finalmente tentar aos 70 anos fazer tudo o que ainda não consegui.»
E confessa: «Eu queria ser ator quando era jovem, esse era o meu sonho, desfeito porque apenas consegui pequenos papéis. Hoje, lamento não ter lutado um pouco mais, pois agora se me escolherem para um elenco sou demasiado conhecido e será difícil para o público ver-me como uma personagem em vez de Salman Rushdie vestido como personagem. Terei de tornar-me noutra coisa e mudar o meu aspeto completamente, tal como pôr um nariz falso e mais cabelo. É o que faz ter ficado conhecido por uma profissão.»
O desejo de mudar de vida aos 70 anos continua a dominar a conversa: «Quando se é jovem temos a fantasia de que podemos ser muitas coisas e eu sempre pensei que estaria mais envolvido em teatro. No entanto, gosto tanto desta arte e nunca escrevi uma peça, apenas colaborei na adaptação de dois livros para teatro.» Seria capaz de escrever uma peça? «Sinto-me surpreendido por ter chegado a esta idade e nunca o ter feito», diz, «até porque a minha grande paixão é o cinema e não a literatura, e sou um grande “aficionado”. Também nessa área só uma vez na minha vida é que escrevi um guião sobre um livro meu. Surpreende-me não ter feito mais nessa área. Vivemos num tempo em que as séries de televisão são muito interessantes e há muita gente que me pede para desenvolver alguma coisa nessa área. Eu estou interessado, mesmo que não saiba o que fazer. Será o meu próximo desafio, espero.»
Ao falar do seu interesse no cinema, vem à memória uma página da sua autobiografia sobre os tempos escondidos após a ameaça do islão à sua vida, o livro Joseph Anto, em que conta uma zanga com o produtor português Paulo Branco: «Oh meu Deus, lembra-se disso… Esse foi um momento muito estranho, mas não foi bem ele que estava em causa, era mais a dificuldade em chegar a um acordo com o realizador Raoul Ruiz, que queria filmar O Chão Que Ela Pisa, mas a nossa relação nunca funcionou, nem senti que o meu trabalho estivesse em mãos seguras e que entendiam a natureza do meu romance. Portanto, o filme não aconteceu e ainda bem. Paulo Branco é um dos grandes produtores independentes e fez centenas de filmes, o problema foi com o realizador.»

Questiona-se Rushdie sobre a presença frequente de profetas no seus livros, mas essa é uma situação de que não quer falar muito, porque considera ser produto de uma sátira e nunca muito bem retratados nos seus livros: «A ideia de se adivinhar o futuro não me agrada e na minha vida desconheço tudo o que me irá acontecer depois de amanhã. Perguntam-me quem vai ganhar as eleições americanas e eu não sei o que dizer. Posso referir o que penso, o que considero certo ou errado, o que gostaria que acontecesse, nada mais. E esta é uma grande questão, até porque espero que estejam errados os que acham que Donald Trump vai ganhar. Há cinco semanas também o pensava, mas têm sido tempos maus para a sua campanha e espero que haja mais semanas más para ele.»
Desfaz o ar sério dos últimos instantes quando se lhe diz que o leitor ri-se enquanto lê os seus livros. Também se ri enquanto os escreve? «Às vezes. Neste livro queria ser descontraído e divertido e só após ter encontrado a solução para os problemas do registo e aquilo que queria transmitir, o que às vezes demora bastante tempo, é que me diverti a fazê-lo.»
Neste último romance há uma situação estranha, a presença de referências pouco habituais para um homem da sua idade, como as dos fenómenos da juventude: «Eu não sou um escritor igual aos outros, é só o que posso dizer. Escrevo sobre o mundo que observo e é muito importante não ficarmos parados no tempo e ter apenas um grupo de amigos com a mesma idade. Tal como faço no que leio, porque o normal quando se envelhece é parar de ler as novidades dos escritores mais novos do que nós. O que é um erro, pois repara-se, como acontece com o Woody Allen, que não perceciona como os mais novos estão a viver de forma diferente. Num dos seus filmes, põe a Emma Stone a dizer uma deixa que jamais uma pessoa da sua idade diria. Ou seja, como não quero fazer esse tipo de erros estúpidos por se desconhecer o que se retrata, tenho amigos num grande espetro de idades e sinto-me capaz de ter o pulso do que está a acontecer. Uma das coisas que inspiram este livro é essa nova geração de escritores americanos muito mais novos do que eu, que são imigrantes vindos de todo o lado – Junot Diaz, por exemplo – que trazem o mundo atual para a literatura americana.»
Salman Rushdie revê neles a verdadeira literatura americana, por isso refere que «a América tem sido muitas vezes enriquecida pelos imigrantes», que agora não são apenas italianos ou judeus, mas que vêm de todo o lado e a alimentam. Aproveita para avisar: «Também eu sou agora um cidadão americano.» Continua: «Ler os escritores mais novos dá-me ideias, porque a inspiração nem sempre vai dos mais velhos para os mais novos, pode ser ao contrário.»
É altura de fazer a avaliação do estado do grande romance americano, sobre o qual Rushdie tem uma perspetiva muito clara: «Ninguém comprou o Cidade em Chamas, do Garth Risk Hallberg. Ele coloca o romance num período que conheço muito bem, uma Nova Iorque que desconhece por ser demasiado jovem. Portanto, baseia-se mais em investigação do que em experiências vividas. Nesse tempo, era uma cidade muito diferente, pobre e cheia de vendedores de droga, prostitutas, e a Times Square estava cheia de cinemas porno, mas era uma cidade barata, para onde ia toda a gente que criava: pintores, realizadores, atores, escritores, dançarinos, todos. E esse espírito não está no livro.» Prefere falar de Jonathan Franzen: «Gosto dele, tal como de todos os escritores que se chamam Jonathan: Franzen, Littel, Safron Foer. Se se quer ser um escritor americano deve chamar-se Jonathan…» Mas é anti-Karl Ove Knausgard… «Não sou anti, diria que não é o meu género de escrita. Acho bom, mas tanto ele como a Elena Ferrante fazem um tipo de autoficção que, sendo bem feita, não é parecido com nada que eu queira escrever.»
A terminar a conversa, não se deixa cair Nova Iorque e lembra-se a coincidência de o seu romance Fúria ter sido lançado exatamente no dia 11 de setembro de 2001: «Um mau dia para lançar um livro, principalmente quando tinha sido escrito com o objetivo de ser uma sátira contemporânea sobre a cidade e se tornou logo, por causa dos atentados que a alteraram para sempre, um romance histórico a partir desse dia. Foi muito estranho ter escolhido esse dia para lançar um romance!»"

UM DIA COM SALMAN RUSHDIE NA CAPITAL
Por José Manuel Diogo, diretor de comunicação do Folio

"Ele queria ver Lisboa. E nós fomos. Saímos de Óbidos manhã cedinho e viemos, A8 abaixo, a descobrir Quixotes nos moinhos elétricos que bordejam a autoestrada do Oeste até que, dobrada a Calçada de Carriche, nos inundou a luz do Tejo.
Descemos para o rio a contar os reflexos da luz bruta e límpida, com que o Tejo enche Lisboa. Andámos desde o Miradouro de São Pedro de Alcântara até à Casa dos Bicos. Íamos visitar Pilar del Río, que queria muito que Salman Rushdie conhecesse a Fundação Saramago. Estacionámos por baixo do Camões, abandonámos o carro e perdemo-nos nas ruas. Não é todos os dias que se pode passear, de Camões a Saramago, contando as histórias de Lisboa a um dos maiores escritores da atualidade."

"O escritor com Pilar del Río, no Largo Camões, em Lisboa. 
Fotografia José Manuel Diogo"

"Salman Rushdie gostou de ser fotografado ao pé dos imortais escritores portugueses. Sentou-se na esplanada da Brasileira do Chiado e posou sentado, junto ao Pessoa, de Lagoa Henriques. Descemos a Garrett, curvámos à esquerda na Rua do Carmo e por baixo do Elevador de Santa Justa entrámos na Lisboa de Pombal. Luz e mais luz, numa manhã ensolarada. Pausa para café no Martinho da Arcada e mais uma memória inesquecível. Rushdie de pés cruzados, na forma de Almada, na mesa que o imortal café da Praça do Comércio tem reservada para Fernando Pessoa até à eternidade. Houve quem se perguntasse se pelo Cais das Colunas tinha chegado outro heterónimo. Pela Rua da Alfândega chegámos à Casa dos Bicos. Pilar levou-nos por uma viagem onde Rushdie encontrava de novo Saramago. Em frente à medalha Nobel, que o escritor português ganhou em 1998, trocaram votos de futuros. A vontade de um no passado de outro. Saímos apressados pela porta das traseiras. Táxi! A plataforma da Uber estava em baixo e regressámos ao Camões dentro de um carro negro e verde em que o motorista reconheceu o escritor.
– Parece o Salman Rushdie? – disse o taxista. – E a senhora é a viúva do Zé Saramago, retorqui. – Pois, pois – disse o homem troçando –, e eu sou o Fernando Pessoa!
– E se calhar era. Há coisas que nunca se sabem!"

Leia mais: Salman Rushdie ao encontro de Camões, Pessoa e Saramago http://www.noticiasmagazine.pt/2016/salman-rushdie-ao-encontro-de-camoes-pessoa-e-saramago/#ixzz4NtYdQOKO



Epígrafe da edição #53 Revista Blimunda - Outubro de 2016


sábado, 22 de outubro de 2016

Conferência “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago” - 23/02/1999 em Cáceres

A conferência pode ser recuperada aqui 

"El 23 de Febrero de 1999, en la ciudad de Cáceres, se produjo la conferencia 
llamada “Alternativas al neoliberalismo. La izquierda con Saramago”, en primer lugar 
habló Manuel Cañadas, quien dio paso a Julio Anguita y finalizando el acto, 
el premio Nobel José Saramago. (...)"


Alternativas al Neoliberalismo
" La Izquierda con Saramago".
Cáceres 23 de febrero de 1999
José Saramago, Julio Anguita y Manolo Cañada.
Presentan: Manuel Cruz y Teresa Rejas.
Organizado por Izquierda Unida de Extremadura
En un auditorio abarrotado, Saramago- Julio Anguita me decía en Lisboa: "hay personas que no pueden ser vendidas porque no pueden ser compradas".
"El Derecho ha muerto si el Derecho no defiende a quien tiene que defender porque es víctima del Poder", "Si se cumpliera el 50% del la Declaración de Derechos Humanos, la situación del mundo y de la Gente sería infinitamente mejor"...




FOLIO 2016 - “O Lagarto” de José Saramago e com ilustrações de J. Borges na Porto Editora


Via página da Fundação José Saramago, aqui

“O Lagarto” de José Saramago e com ilustrações de J. Borges na Porto Editora

"Este mês de setembro, a Porto Editora dá à estampa O Lagarto de José Saramago, conto inicialmente publicado em A Bagagem do Vaijante (1973).
Com ilustrações, originalmente em xilogravura, de J. Borges, este novo livro será lançado mundialmente a 22 de setembro no contexto do 
FOLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos."







Via página da Fundação José Saramago, aqui

"Na quinta-feira (22), pelas 18h30, no âmbito do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, será apresentado «O Lagarto», livro publicado pela Porto Editora e que une as palavras de José Saramago com o traço do artista popular brasileiro J. Borges.

A sessão, que acontece no Museu Abílio, em Óbidos, contará com a presença de Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, Alejandro García Schnetzer, editor independente que concebeu o projeto, e Manuel Alberto Valente, editor responsável pela obra de José Saramago na Porto Editora. Pelas 17h45, o trio de música nordestina “Só Lapada” recepcionará os convidados à entrada da vila de Óbidos.

Também será inaugurada uma exposição com as xilogravuras feitas especialmente para o livro. A entrada é livre, sujeita à lotação da sala. Para ver o programa completo do FOLIO aceda: www.foliofestival.com/

O Lagarto é um conto breve incluído em A Bagagem do Viajante (1973), volume que reuniu as crónicas escritas por José Saramago para o diário A Capital e para o semanário Jornal do Fundão. A história narra o aparecimento, no Chiado, de um misterioso lagarto, cuja presença surpreende os transeuntes e mobiliza os bombeiros, o exército e a aviação.

Quem é J.Borges:
Nasceu em Bezerros (Pernambuco, Brasil) no ano de 1935. Aos 20 anos começou a vender cordéis nas feiras. Em 1964 assinou o seu primeiro trabalho autoral. Tornou-se gravurista para ilustrar os cordéis que produzia. Durante a vida escreveu algumas centenas de cordéis. Ilustrou o livro As palavras Andantes, de Eduardo Galeano, e expôs o seu trabalho em vários lugares do mundo, entre eles EUA, Suíça, França, Alemanha, Venezuela, Itália e Cuba. Em 2006 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, outorgado pelo Governo do Estado. Atualmente vive na sua cidade natal, num local que foi transformado num espaço artístico, o Memorial J.Borges, onde ensina a arte da xilogravura aos mais novos."





A sala da exposição decorada com o texto do conto e das gravuras

O processo da impressão por Xilogravura



A sala da exposição decorada com o texto do conto e das gravuras

"Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco"



sexta-feira, 21 de outubro de 2016

José Saramago na arte do artista urbano Vhils "Madrid contará con una obra del artista urbano portugués Vhils"

A notícia foi publicada online pelo diário ABC, e pode ser recuperada e consultada, aqui
em http://www.abc.es/cultura/abci-madrid-contara-obra-artista-urbano-urbano-portugues-vhils-201610190240_noticia.html

De Belen Rodrigo (19/10/2016)

"Esculpirá el rostro de Saramago con sus habituales técnicas de espátula, cincel y martillo en la fachada de la Universidad Carlos III de Puerta de Toledo"

"Es uno de los artistas urbanos del momento con su obra repartida por muchos puntos del planeta. El portugués Alexandre Farto, más conocido por Vhils, estará en Madrid los próximos días 8, 9 y 10 de noviembre para realizar una obra con sus habituales técnicas de espátula, cincel y martillo. Esta vez plasmará el rostro del Premio Nobel de Literatura luso, José Saramago, en una de las paredes de la fachada de la Universidad Carlos III (campus Madrid-Puerta de Toledo). «Ha sido muy difícil conseguir traerle a Madrid porque siempre está viajando con muchos proyectos en el extranjero», explica a ABC Pedro da Costa, consejero de Cultura de la Embajada de Portugal en España y director de Cultura Portugal. «Es la primera vez que Vhils realiza un trabajo de estas características en España, que además pasará a formar parte del entorno de la ciudad, será un punto de gran visibilidad», añade.

El artista plástico realizará este trabajo a lo largo de tres días, acompañado de uno o dos colaboradores, y los madrileños podrán observar la evolución de esta obra. Se trata de una de las actividades de la programación de Cultura Portugal, en la que es ya la décimocuarta edición de la muestra de cultura lusa en nuestro país. A pesar de las restricciones económicas (65.000 euros de presupuesto del Estado luso más 15.000 euros de patrocinadores), la organización ha logrado reunir una importante representación de las distintas expresiones artísticas. «Intentamos traer lo mejor de lo que hay, lo máximo teniendo en cuenta los medios que tenemos», reconoce Pedro da Costa. Y sobre todo «dar una imagen amplia de la cultura portuguesa, trayendo áreas emergentes como el diseño, la moda o las artes plásticas», puntualiza.

Tal y como recuerda el Embajador de Portugal en España, Francisco Menezes, «hemos intentado centrarnos en la modernidad portuguesa con un guiño a la tradición». Las actividades son fruto de la colaboración de entidades públicas y privadas, nacionales e internacionales, con el objetivo de dar mayor visibilidad a la cultura portuguesa en España. Gracias a ellos una importante representación de la música, artes plásticas, cine, teatro, arquitectura, fotografía y literatura portuguesa estarán presentes a lo largo del mes de octubre y noviembre en Madrid.

Principales eventos
Música:

- Festival de música Portugal Alive- 4 de noviembre , 20 horas Entrada libre Sala Joy Eslava

- Concierto João Paulo Santos y Bruno Monteiro- Centro Centro Cibeles- 12 de noviembre- 19:30 horas Entrada libre

- Rodrigo Leão y Scott Matthew- Teatro Nuevo Apolo – 16 de noviembre- 20:30 horas

- José Cid- Sala Caracol- 24 de noviembre- 21: 00

Artes Plásticas

- Exposición: De la fotografía al azulejo. Museo Nacional de Antropología (del 28 de septiembre al 27 de noviembre)

- Vhils en el espacio público de Madrid.- Universidad Carlos III- Puerta de Toledo 8,9 y 10 de noviembre

Cine

- Pessoa/Lisboa.-Círcuo de Bellas Artes – De 24 de noviembre a 5 de marzo.

Teatro

- Oda Marítima- Círculo de Bellas Artes- 27 de noviembre- 18:30 horas

Arquitectura

- João Mendes Ribeiro “Construir en lo construido” Colegio Oficial de Arquitectos- 29 de noviembre- 19 horas"

Manifestação "HOMBRES contra las violencias machistas" Sevilha 21/10/2016

CONTRA TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Pilar del Río: “Los hombres deben romper las reglas que les hacen esclavos pese a creerse que son libres”

O manifesto "HOMBRES contra las violencias machistas", pode ser consultado, aqui

A presente reportagem com a Presidenta da Fundação José Saramago e activista de inumeras causas, pode ser recuperada e consultada aqui, 

De Olivia Carballar - ocarballar@lamarea.com

"La presidenta de la Fundación Saramago reflexiona sobre las causas de la violencia machista. Este viernes recoge el premio del Foro de Hombres por la Igualdad concedido al Nobel portugués, que propuso en 2005 una manifestación de hombres contra “esa infamia que es el maltrato a la mujer”.

"Pelo fim dos maus tratos contra as mulheres. 
Eu pronuncio-me!"

Manifesto de José Saramago, proferido em Granada (2005), via YouTube, aqui

“Voy a proponer algo que quizá pueda parecer un poquito raro y que es sencillamente lo siguiente: que en toda España, por no decir en toda la Península Ibérica, en toda Europa o en todo el mundo, se organicen manifestaciones de hombres, sólo de hombres. Las mujeres se quedarán en las calles, en las aceras, aplaudiendo el paso de los hombres. Manifestaciones de hombres, sólo de hombres, protestando contra esa infamia que es el maltrato a la mujer”. Era 2005. Zapatero aún tenía el pelo negro. Chaves era presidente de la Junta de Andalucía y hacía apenas dos años que se habían comenzado a publicar estadísticas oficiales de los asesinatos machistas. Las palabras de José Saramago en un acto en Granada ante los dos dirigentes políticos fueron recibidas con aplausos. “Ojalá, ojalá”, concluyó el Premio Nobel de Literatura."



Un año más tarde, el 21 de octubre de 2006, un grupo de hombres de Sevilla, unidos en el Foro de hombres por la igualdad, convocó lo que parecía una utopía y, desde entonces, las manifestaciones que propuso Saramago se han ido sucediendo hasta este mismo 21 de octubre. Este año, el colectivo entrega su Reconocimiento Hombre por la Igualdad al escritor portugués. La Marea conversa con la presidenta de la Fundación Saramago, Pilar del Río, momentos antes de la recogida del premio y de la manifestación en Sevilla.

¿Por qué los hombres matan a las mujeres?
Matan, y antes maltratan, por mala educación, porque se creen hegemónicos, porque no entienden lo que es respeto ni humanidad. Porque son víctimas de una educación patriarcal, machistas y delincuentes y no lo saben. Ellos deben romper las reglas que les hacen esclavos pese a creerse que son libres. Tienen que comenzar a andar.

¿Por qué siguen sucediendo casos como el de Olivares, en el que una mujer con denuncia ha sido asesinada?
Porque la sociedad todavía no es consciente de la aberración que es la desigualdad. Por eso hay impunidad. ¿Nadie ve nada? ¿Hubo barreras entre la mujer-víctima y la pareja-agresora? Creo que no. Todos tenemos que reflexionar.

Los colectivos que trabajan en violencia de género denuncian que muchos errores se cometen por la nula formación de jueces y policías. ¿Pero están formados los profesores y profesoras que educan en los colegios? ¿Cómo se combate la desigualdad en una familia cuyo padre -y puede que incluso la madre- sea machista?
Están formados para seguir reproduciendo la educación patriarcal y machista. Siglos y siglos de historia, de humillación, de considerar inferiores a las mujeres, indignas, culturas religiosas afectas con las mujeres -qué manía tienen todas con taparnos y hacernos “puras”- es difícil de combatir. Pero ya es hora, así que a la calle. Hay que ocupar espacios cueste lo que cueste.

¿Por qué no se termina de entender que un crimen machista es un crimen machista y no un suceso más? El Ayuntamiento de Frigiliana llegó a homenajear a la vez a la víctima y al asesino. Y el de Olivares calificó a la mujer de “heroína que sufre en silencio”.
Una de las cosas más preocupantes que han pasado en España en los últimos tiempos es que retiraran Educación para la Ciudadanía. Sin personas con conciencia de serlo, es decir, seres humanos libres para intervenir y tomar decisiones, difícilmente dejará de ser una anécdota un crimen machista. Hace falta pensar para situarse en la apabullante dimensión de la realidad. Los crímenes son los dolorosos síntomas de la insoportable enfermedad que padecemos.

¿Por qué no se hace de una vez por todas un pacto de Estado contra la violencia machista?
Porque tendríamos que ser conscientes de la la gravedad del problema y eso el poder no lo permite. Miremos el poder: es masculino. Desde la iglesia, o las iglesias, a la banda, multinacionales y gobiernos. Busquemos las fotos. Las religiones ayudan al poder y conforman la sociedad. Y nos dicen que hay que resignarse: “Es la cruz que Dios te ha dado, hija, llévala con dignidad”…

¿Por qué es posible en pleno siglo XXI que Donald Trump sea candidato a presidir EEUU?
Es posible, es patético. Y no es el único, miremos otros países, Putin, los gemelos [en Polonia], Berlusconi… La política no es lo que pensamos.

Usted considera que no se puede ser no feminista. ¿Por qué el término feminismo sigue tan denostado?
Porque los tipos del poder explican el feminismo como les interesa. O tal vez están tan enfermos que ya no entienden los conceptos de respeto e igualdad. Hacen caricaturas sin darse cuanta de que quien pare caricaturas es porque es una caricatura en sí mismo, una caricatura sin belleza e inteligencia.

Dice Saramago en Alabardas: el silencio, de todas las armas, es la más poderosa. ¿Cuánto se ha matado -o se mata- con el silencio?
Con el silencio matamos más que la muerte. Y nos hacemos seres abyectos.

Saramago, hasta el final, ha dado muestras de su feminismo indiscutible. Felícia ha sido la última mujer fuerte y coherente de su universo literario. ¿Estaba haciendo Saramago un último retrato de la mujer que es Pilar del Río, la mujer que se plantó en Lisboa a conocerlo tras leer Memorial del Convento y la mujer que sigue continuándolo?
José Saramago estaba escribiendo una novela, no haciendo retratos. Y dejó dicho que acabaría el libro con un sonoro y radical “Vete a la mierda” de Felícia al exmarido que no entiende nada. Pues eso: ante disposiciones canallas, ante falta de voluntad para legislar, ante imposiciones, tomemos la palabra para defender conceptos. Y creemos el imprescindible marco de libertad y de igualdad entre hombres y mujeres. Y a quienes se oponen con magias, dogmas o sinrazones, la única respuesta posible es ese sonoro “vete a la mierda”. A ver si así el poder patriarcal entiende el mensaje y decide venir al espacio de libertad que somos y proponemos la mitad del mundo que somos las mujeres. 

José Saramago: violência contra a mulher é coisa de homens

MANIFESTACIÓN

¿Cúando? Viernes 21 de octubre de 2016 a las 19:00

¿Dónde? Inicio: Puerta Jerez. Final: Plaza Nueva

Pode ser visualizado aqui via YouTube,

"O Nobel de Literatura José Saramago explica, em entrevista a TV
espanhola, por que os homens precisam se envolver na luta contra a
violência contra as mulheres."

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Revista Blimunda - Outubro 2016 Edição #53

A presente edição da revista Blimunda, pode ser consultada e descarregada gratuitamente, aqui

Capa da edição #53

Sinopse da edição da autoria da Fundação José Saramago

"A Blimunda #53 viajou até ao encontro literário “Poesia, Um Dia”, que desde 2012 promove o diálogo com a poesia no belo cenário natural de Vila Velha de Ródão.

Editar é uma tomada de posição. Este é o lema da editora Chão da Feira, que, prestes a completar cinco anos de vida, publica livros usando táticas de guerrilha. A Blimunda deste mês conversou com Maria Carolina Fenati, criadora do selo com um pé no Brasil e outro em Portugal.

Há 20 anos o IBNL (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro), atual DGLAB, criou o Prémio Nacional de Ilustração. A revista deste mês propõe um balanço destas duas décadas de ilustração em Portugal.

Na secção Visita Guiada, o ponto de paragem deste mês é a Nuvem de Letras, selo criado há um ano e que integra o grupo Alfaguara/Penguin Random House.

No dia 14 de dezembro de 1990, a revista O Ribatejo Ilustrado publicou uma crónica de José Saramago intitulada O Planeta dos Macacos, recuperada 26 anos depois nesta edição da Blimunda.

Este número inclui também o habitual conto de Andréa Zamorano e as sempre presentes sugestões de leitura na Estante e nas Leituras do Mês.

Boas leituras e até Novembro!"

Epígrafe que acompanha a presente edição

Dias do Desassossego - 16 a 30 de Novembro - Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa


Aproxima-se o mês de Novembro. 
De 16 a 30 com inúmeras actividades à volta de José Saramago e Fernando Pessoa.
Da Casa dos Bicos sede da Fundação José Saramago 
até à Casa Fernando Pessoa em Campo de Ourique.


sábado, 15 de outubro de 2016

José Santa-Bárbara, artista plástico... um criador

Recuperação de fotografia tirada no atelier de José Santa-Bárbara 
na companhia de José Saramago



"Vontades Uma leitura de Memorial do Convento" de José Santa-Bárbara

Blimunda "Nunca te olharei por dentro" - Óleo sobre Tela (60*73cm)
de José Santa-Bárbara (Informação livro/catálogo "Vontades")

Um dos episódios mais importantes da obra - O desfazer do jejum de Blimunda


Detalhe da obra

 Baltasar Mateus

Baltasar Mateus o Sete-Sóis e Blimunda a Sete-Luas