Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. La littérature de Saramago vue par le cinema" - via Fundação Calouste Gulbenkian Del. Francesa

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN (Delegação Francesa)

Silvia Amorim, Raquel Schefer et Dominique Stoenesco. 
Conferência "La littérature de Saramago vue par le cinema"

Pode ser ouvida via SoundCloud, aqui

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils" - Reportagem via Telemadrid.es

A reportagem com vídeoda cadeia espanhola Telemadrid.es, pode ser consultada, aqui


Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de Vhils

"Madrid rinde homenaje a Jóse Saramago con un gran mural de 64 metros cuadrados en la fachada del campus de Madrid-Puerta de Toledo de la Universidad Carlos III de Madrid. El artista portugués Alexandre Farto es el autor de la obra dedicada al Nobel de Literatura. Una iniciativa que se enmarca en la XIV Muestra de Cultura Portuguesa en España.

La obra, realizada en la glorieta de la Puerta de Toledo, forma parte de las acciones de mejora del paisaje urbano.La directora general de Intervención en el Paisaje Urbano y Patrimonio Cultural, María Sol Mena, y el embajador de Portugal en España, Francisco Ribeiro de Menezes, han asistido a la presentación del mural firmado por el artista Alexandre Farto, conocido internacionalmente como Vhils.

La obra homenajea al escritor José Saramago con un retrato en gran formato trabajado sobre el propio muro con la técnica de cincelado. El Área de Cultura y Deportes ha colaborado con la embajada de Portugal para la elaboración de este mural como parte del 'Programa de mejora de la calidad del paisaje urbano mediante intervenciones artísticas en muros singulares'. La presentación de la obra se enmarca dentro un ciclo dedicado a la cultura portuguesa que tiene lugar estos días.

'Vhils' es un artista de reconocido prestigio internacional, licenciado por la universidad de las Artes de Londres, que ha expuesto en galerías de Hong Kong, Londres, Brasil y Shanghái, entre otros, y ha colaborado también importantes proyectos artísticos internacionales como 'Look at Porto' o 'Keith Haring 1978-1982'.

El muro, situado en una fachada con un paño de unos aproximadamente 8 x 8 m2, está situado en el antiguo Mercado de Pescados de Puerta de Toledo, actual sede de la Universidad Carlos III, quien colabora también con el proyecto junto con la Junta de Distrito Centro."

Vhils desenha José Saramago, "alguém que admirava", em Madrid - Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

A reportagem pode ser recuperada e consultada, através do site do jornal Público, aqui 
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/vhils-desenha-jose-saramago-na-fachada-da-universidade-carlos-iii-de-madrid-1750354

Público (por Vítor Belanciano, 08/11/2016)

"O trabalho do artista faz parte da 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada portuguesa na capital espanhola.

O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, vai criar um mural em Madrid com o rosto de José Saramago. O trabalho será efectuado a partir desta terça-feira e, se tudo correr como planeado, estará ultimado na próxima quinta-feira. O rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, passará a estar na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.

De partida para Madrid, Alexandre Farto disse ao PÚBLICO, que o convite para a feitura da obra partiu da Embaixada de Portugal na capital espanhola. "É um convite que me orgulha e que me faz sentido até pela ligação privilegiada que José Saramago teve com Espanha", disse. A intervenção artística num espaço público onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano."



"O José Saramago era alguém que muito admirava pelo corpo da sua obra, pela integridade e pelas posições políticas", afirmou Alexandre Farto que adiantou que o mural terá uma dimensão considerável. "O seu rosto será destacado mas também haverá elementos alusivos à sua vida e obra" disse o artista que trabalha com uma técnica singular onde explora as camadas do espaço urbano.

O actor Diogo Infante e o músico Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid. Alexandre Farto nasceu em Lisboa, em 1987, terminou os seus estudos de Arte em 2008, em Londres, tendo iniciado a actividade como artista  em 1998, com a pintura de muros e comboios, na margem sul do rio Tejo. Nos últimos dez anos deixou o seu trabalho inscrito por todos os continentes, transformando-se num dos artistas portugueses de maior circulação internacional.

A par das intervenções urbanas integra também o circuito expositivo convencional. A sua última grande exposição esteve patente em Honk Kong em Abril deste ano. Esta segunda-feira um vídeo produzido por si e pela agência Solid Dogma – da qual faz parte – foi exibido na abertura do Web Summit, numa encomenda da agência Invest Lisboa. com Lusa"




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Saramago por Vhils (Madrid Espanha)

em progresso...

Por um mundo melhor...


... um sinal de esperança

Dias do Desassossego - de 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

Seguir link para ajudar a divulgar o evento, via Facebook aqui
em https://www.facebook.com/events/1733223670336043/

De 16 a 30 de Novembro, a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa voltam a trazer para diferentes espaços da cidade de Lisboa os Dias do Desassossego. Cruzando linguagens artísticas, o programa destes Dias faz-se de debates, concertos, leituras, acções de promoção da leitura, poesia e prosa ditas e passeios literários, partindo dos livros, dos seus autores, da leitura e da literatura.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

14.ª Mostra da Cultura Portuguesa em Madrid - Vhils desenha José Saramago na fachada da Universidade Carlos III de Madrid

Notícia pode ser visualizada e recuperada, aqui
"O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, realiza a partir de hoje, até quinta-feira, um graffiti com o rosto do Nobel português da literatura, José Saramago, na fachada da Universidade Carlos III de Madrid.
Esta «intervenção» num espaço público, onde passam diariamente milhares de pessoas, faz parte da programação da mostra de cultura portuguesa que decorre em Espanha até ao fim do ano.
Diogo Infante e Rodrigo Leão estão entre os vários artistas portugueses presentes na 14ª. Mostra Cultura Portugal, organizada pela embaixada de Portugal em Madrid."
Diário Digital / Lusa (08/11/2016)


Os diversos trabalhos do artista Vhils podem ser consultados, aqui

Mais informações sobre a 14.ª Mostra da Cultura Portuguesa, aqui



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos" com vários destaques para o "Memorial do Convento" de José Saramago

Pode ser consultada e recuperada a informação aqui,
em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/mafra-comemora-300-anos-do-palacio-nacional-com-meia-centena-de-eventos-1749749

"Mafra comemora 300 anos do Palácio Nacional com meia centena de eventos"

O programa prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos, encenação de uma peça de teatro, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições

Mafra vai comemorar os 300 anos, desde o lançamento da primeira pedra do Palácio Nacional, com cerca de 50 iniciativas culturais e religiosas, ao longo do ano, anunciou esta quarta-feira a comissão organizadora.

Direcção-Geral do Património Cultural, Palácio Nacional, Câmara Municipal, Escola das Armas, Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra anunciaram, em conferência de imprensa, o programa, que prevê conferências, visitas à Tapada Nacional, lançamento de livros, concertos a seis órgãos, encenação de uma peça de teatro baseada no Memorial do Convento, de José Saramago, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições, ao longo do ano.

O director do palácio, Mário Pereira, espera que as comemorações sejam "sinónimo de investimento", recordando que foi lançado um concurso de 2,3 milhões de euros para a reabilitação dos sinos e carrilhões durante o próximo ano.

Em 2017, o monumento vai ser alvo também de obras de instalação de um elevador (400 mil euros), para as quais deverá ser em breve lançado concurso, e de restauro da Sala do Trono (50 mil euros), além de vir a ser dotado de 'áudio-guias' para facilitar a visita pelos turistas.

O programa das comemorações arranca no dia 17 com um espectáculo de fogo-de-artifício e uma conferência, pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás Martins.

O programa contempla, ainda este mês, uma exposição de arte alusiva ao tricentenário, uma missa na Basílica, acompanhada pelos seis órgãos históricos e dois coros (dia 19), e uma conferência pelo cardeal patriarca, Manuel Clemente (28).

Em Dezembro, acolhe, nos dias 17 e 18, um concerto a seis órgãos com a participação do Coro da Academia de Música de Santa Cecília de Lisboa, enquanto no dia 10 é lançada uma nova edição do Memorial do Convento, com prefácio de Carlos Reis e ilustrações do pintor João Abel Manta, para assinalar os 18 anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.

Em 2017, o palácio associa-se às cerimónias da Quaresma (Março) e da Páscoa (Abril), com missas presididas pelo cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.

Em Maio, é realizado o espectáculo teatral A luz no Sagrado, nos dias 19 e 20, a 26 é lançado o livro Os Órgãos Históricos do Concelho de Mafra, e, de 24 a 28, o palácio acolhe o Festival Internacional de Órgão, promovido pela Associação das Cidades com Órgãos Históricos.

Em Junho, organistas austríacos dão um concerto nos seis órgãos da basílica (dia 11) e vai ser promovida uma recriação histórica alusiva à fase de construção do monumento (dias 24 e 25).

Em Setembro, os visitantes vão poder observar um espectáculo de videomapping e fogo-de-artifício ( dias1 e 2).

Em Outubro, destaque para o dia 21, com uma mostra gastronómica alusiva à época e ópera e, no dia 22, uma missa presidida por Manuel Clemente, para assinalar a sagração da basílica.

O programa encerra a 17 de Novembro de 2017, com a comemoração dos 300 anos do lançamento da primeira pedra da basílica, de novo com um concerto a seis órgãos e fogo-de-artifício."

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis" baseado na obra de José Saramago em cena no teatro A Barraca

Aqui mais informações,

"Este belo e profundo romance convida a uma reflexão dramatúrgica muito entusiasmante.
Começa pela invenção do encontro entre Fernando Pessoa já falecido e o heterónimo Ricardo Reis, com casos reais de sexo e paixão, também de ambiente surdo, falso e pesado, e porque fala com humor da relação criador / “obra / figura/personagem”.
Além disso, define como protagonista principal da obra, o ANO em que a trama se desenvolve.

E que ANO!!??

1936! Alguns dados... Comemoração dos 10 anos do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que foi o pontapé de saída para o início do fascismo, especialização da polícia política com o apoio da Gestapo, fundação da Mocidade Portuguesa, Legião Portuguesa e campo de concentração do Tarrafal… Mussolini invade a Etiópia com o silêncio cúmplice das casas Reais Europeias, Hitler intensifica o ataque aos judeus, começo da guerra civil de Espanha…
Nos tempos de hoje, de frágil memória, menoridade cívica e ética, fundamentalismos, militarismos, imperialismo financeiro gerando miséria e horror Universais, renascendo a tenebrosa fénix nazi-fascista, aqui está uma obra que demonstra que as convulsões sociais nunca - infelizmente - , passaram a “coisa” datada e de dispensável interesse arqueológico."

de Hélder Mateus da Costa

Pode ser visualizado via YouTube, aqui

"1936, o Ano da morte de Ricardo Reis"
a partir do romance de José Saramago
um espectáculo de Hélder Mateus da Costa

com
ADÉRITO LOPES - Ricardo Reis
CAROLINA PARREIRA – Marcenda
JOÃO MARIA PINTO – Dr. Sampaio / Espanhol Franquista / Ceguinho viola
RUBEN GARCIA – Fernando Pessoa /Carregador da mala
SAMUEL MOURA – Salvador
SÉRGIO MORAS – Vitor/ Recrutador/ Saramago
SÓNIA BARRADAS – Lídia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Programa "Dias do Desassossego" - 16 a 30 de Novembro - "Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa"

O cartaz e a programação prevista para os "Dias do Desassossego"





"José Saramago combate 'cegueira' com votos em branco" - Entrevista de Cassiano Elex Machado (Folha de São Paulo, 2004)

"José Saramago combate "cegueira" com votos em branco"
de Cassiano Elex Machado
Folha de São Paulo, em 22/03/2004

A entrevista pode ser recuperada e consultada aqui
em, http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u42623.shtml

Capa da edição da editora brasileira "Companhia das Letras"

Pode ser consultado aqui

"No seu universo literário sem interrogações ou exclamações, José Saramago imprime com freqüência uma mesma pontuação invisível: não vemos as coisas como elas são. É um arco que vai da cegueira "explícita" de "Ensaio sobre a Cegueira" até a visão viciada dos personagens de "A Caverna", que vivem apalpando as sombras da realidade.

De repente, é como se as criaturas do Nobel de Literatura tivessem por fim seus estalos. No seu novo romance, "Ensaio sobre a Lucidez" (seu 11º), que a Companhia das Letras lança nesta semana, o escritor português de 81 anos dá a rara chance de seus personagens de reagirem.

Na sua nova alegoria, Saramago arquiteta uma população que resolve votar quase toda em branco. Na capital de um país sem nome (no qual as pessoas igualmente nome não têm), 83% dos eleitores depositam seus votos na urna sem "xis" algum. Tal qual Gandhi, pai da resistência pacífica, "derrubam" o poder usando o branco.

A metáfora canina (mais uma) "uivemos, disse o cão", com suas quatro e compactas palavras, dá o tom do livro, como explica o próprio autor, em entrevista por e-mail à Folha de S.Paulo (que teve outros trechos publicados no sábado). Saiba a seguir por quê.

Folha de S.Paulo - De quem é a frase "Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos: Quem assinou isto por mim"?
José Saramago - É minha. Ou não se pensa que eu seja capaz de produzir uma frase assim? E digo mais: essa frase resume todo o livro. Sem esquecer da epígrafe: "Uivemos, disse o cão". Os cães somos nós. É hora de começar a uivar.

Folha de S.Paulo - Por que, em um universo de sem-nomes, tem nome somente o cachorro que lambe as lágrimas dos outros? Por que é "imaterial" o cenário do romance?
Saramago - O cão viaja nos meus livros desde "Levantado do Chão", e o nome Constante que lhe dei é a homenagem de um humano a um canino. Sobre a "imaterialidade" do cenário, limito-me a dizer que a impressão sumiria se as personagens e as ruas tivessem nome, se tudo pudesse ser colocado em categorias. O leitor compreenderá que o que ali se passa tem a ver diretamente com ele, precisamente por parecer não ter nada a ver com o que quer que seja. Espero ter sido claro.

Folha de S.Paulo - Em palestra recente, o sr. criticou a falta de reflexão da nossa sociedade, que segue vivendo de espetáculos, de pães e circos. Qual a saída da "caverna"?
Saramago - Dizia que estamos a repetir o que Juvenal escreveu numa de suas sátiras, "Panem et Circenses", isto é, pão e divertimento, pão suficiente para que não protestemos demasiado e divertimento tanto e tanto que nos salte pela boca e pelos ouvidos. Provavelmente morreremos de uma indigestão de divertimento... Manipulados, desinformados, enganados, mas bestialmente divertidos.

Folha de S.Paulo - O sr. já havia falado em uma "trilogia involuntária", ao se referir à relação de "A Caverna" com os dois livros anteriores. Com "Ensaio" o sr. chega a uma "tetralogia involuntária"?
Saramago - A trilogia começou por ser involuntária, isto é, não pensada antes. Também não se tornou voluntária, no sentido de corresponder a algo deliberado e planificado. As ideias surgem quando surgem, valem o que valem, e os livros vão aparecendo. Há um nexo entre eles, evidentemente, mas recuso-me a usar palavras como trilogia, tetralogia ou pentalogia... A expressão caiu no gosto dos jornalistas, por isso voltam sempre a referi-la. Deixemo-la, não merece tanto.

Folha de S.Paulo - Em livros como "Todos os Nomes", o sr. já relatou o processo de uma investigação. Na "segunda parte" de "Ensaio sobre a Lucidez", porém, essa busca se aproxima dos contornos da clássica literatura policial. Como o sr. se sentiu ao fazer essa incursão ao quase policial?
Saramago - Não se tratou propriamente de uma incursão ao policial. Sendo a história o que é, havendo um governo com a sua autoridade e as suas polícias, havendo uma insurreição cívica, era natural que o desenvolvimento fosse por aí. Mas não é policial tudo o que o parece. É policial "Crime e Castigo", de Dostoiévski?

Folha de S.Paulo - Como anda seu projeto de "policial" sobre Alexandre Dumas?
Saramago - Dentro de algumas semanas regressarei ao projeto.

Folha de S.Paulo - Por que o sr. já disse que "Ensaio..." é o seu testamento?
Saramago - Não penso em morrer nestes próximos dias. Se chamei testamento ao "Ensaio sobre a Lucidez" foi por nele ter escrito algumas coisas que nunca havia dito antes. Quando terminei o "Ensaio sobre a Cegueira" também me recordo de dizer: "Agora já posso morrer". Como se vê, não morri. Ainda."

ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras

Terceiro Centenário da Colocação da Primeira Pedra do Convento de Mafra e o Memorial do Convento como exepcional obra de divulgação

Memorial do Convento - 1982
Via página da Fundação José Saramago, aqui

«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: “Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra… Era uma vez a gente que construiu esse convento… Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes… Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido”. Tudo, “era uma vez…”. Logo a começar por “D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (…). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» 
(Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998)


José Saramago em diversos momentos junto ao Palácio Nacional de Mafra,
que serviu de inspiração para a sua obra


A arte de José Santa-Bárbara, aqui Baltasar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas
Do catálogo da exposição "Vontades Uma leitura de Memorial do Convento"

Cartaz alusivo à comemoração

Pode ser consultada informação sobre o assunto, aqui

"Terceiro Centenário da Colocação da Primeira Pedra do Convento de Mafra."

"Estamos perante o monumento português que melhor reflecte o que podemos chamar de Obra de Arte Total: arquitectura, escultura, pintura, música, livros, têxteis… enfim, um património tipologicamente diversificado, coerentemente pensado e criteriosamente encomendado para este Palácio/Convento/Basílica/Tapada e que aqui configura uma realidade única.

Com efeito, numa área com cerca de 40.000 m2, temos implantado um notável projecto de arquitectura que foi executado sem hiatos nem soluções de remedeio. De facto, aqui tudo é marcado por uma marca de qualidade que só a generosidade joanina podia e sabia exigir: excelência de materiais, soluções arrojadas e requinte de execução.

A Arquitectura modela funcionalidades ligadas por quilómetros de corredores e mais de 150 escadarias. A Engenharia perpassa por todo o monumento, desde o zimbório aos subterrâneos. Para Mafra, escolheram-se os melhores e escolheu-se do melhor: Ludovice e Custódio Vieira na arquitectura, Trevisani e André Gonçalves na pintura, Wolkmar Machado e Domingos Sequeira na pintura mural, Monaldi e Machado de Castro na escultura, Witlockx e Levache nos carrilhões, são alguns daqueles que contribuíram para configurar este património.

Quando visitamos este monumento sentimos que é uma experiência diferente. Diferente porque as singularidades que aqui são vivenciáveis não têm paralelo em qualquer outro sítio: um complexo Hospitalar do século XVIII, dois Carrilhões monumentais do século XVIII, um conjunto (único) de Seis Órgãos de tubos e uma das que por muitos é considerada como sendo a mais bonita Biblioteca histórica do mundo configuram este património que, na sua génese, é um Palácio do Rei, um Palácio da Rainha, um Convento franciscano, uma Basílica e uma Tapada."

sábado, 29 de outubro de 2016

Uma leitura de o "Ensaio sobre a Cegueira" do blogger Elenilson Nascimento (Brasil)

É sempre uma enorme satisfação poder divulgar o trabalho dos Saramaguianos espalhados pelo mundo, aqui deixo mais uma prova de uma opinião e análise sobre o "Ensaio sobre a Cegueira". 
E o Brasil sempre tão perto e acarinhando o legado de José Saramago.
Um enorme agradecimento ao Elenilson Nascimento!

A análise do blogger Elenilson Nascimento, aqui em 

"Minha resenha sobre o livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago. "Talvez, ainda hoje, o preconceito com a obra de Saramago seja por causa do gesto de total lucidez, mesmo na loucura, a rejeição sumária a todo o sistema do mais do mesmo que ai está. Pode-se concordar ou não. A questão nos seus livros não é ideológica, mas literária. Uma curiosidade: ao longo de sua vida, Saramago resistira em ceder os direitos sobre seus livros para o cinema." Confira aqui: http://cabinecultural.com/2016/10/20/literatura-ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago/ 
fonte: Cabine Cultural/UOL
#LiteraturaClandestina #Saramago"

“O autor português expressa os valores sociais que quer condenar como a crueldade, o egoísmo, a indiferença, o consumismo e a competição, que fazem com que os cegos estejam “sempre em guerra”, mas exalta os valores que pretende que prevaleçam como o respeito ao outro, a dignidade, a coragem, a solidariedade, e a convivência…”

Por Elenilson Nascimento

Sempre tive as minhas dificuldades com Saramago, autor português comunista que, quando vivo (*faleceu em 2010), era atuante, incentivador de cultura e voraz leitor, mas não pelo seu trabalho, afinal sempre achei eficaz as suas descrições do caráter humano, porém até hoje não gosto da maneira como ele organizava os seus textos: parágrafos gigantes, sem pontuação, sem travessões para separar os diálogos e afins. Contudo, a minha admiração com relação à sua vida foi bem maior do que as minhas limitações e preconceitos. Sim, eu tinha muitos preconceitos com relação ao que eu achava ser uma falta de cuidado com o texto, mas que, com o tempo, aceitei como sendo uma técnica de escrita bem particular do autor. Lembrando que se fosse eu que enviasse um livro assim para os editores brasileiros, na sua maioria excludentes e corporativistas, todos me reprovariam sem pensar duas vezes e ainda iriam me chamar de analfabeto. Pois bem…

“Ensaio Sobre a Cegueira” é um livro difícil para quem não está acostumado com o português de Portugal, além das barreiras já citadas, mas a história é fascinante e eu já tinha lido “História do Cerco de Lisboa”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Caim”, três livros maravilhosos da obra do autor. Aí abrir o “Ensaio…” em uma página qualquer e me deparei com a frase: “O medo cega… são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos”. Pensei: “Tenho que comer logo este livro!”. Mesmo porque eu queria fazer algum tipo de comparação com o filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. E tudo começa quando um homem, a caminho do trabalho, dentro de um carro, parado em um sinal de trânsito, espera pacientemente o sinal ficar verde. Sua espera é interrompida por uma “nuvem branca” que cobre toda a sua visão. Este é o primeiro que fica cego. No meio do desespero, ele é levado para casa por um desconhecido que, aproveitando da sua incapacidade física, rouba o seu carro. Tudo indica ser um vírus desconhecido transmitido pelo ar, pois, mais tarde, a mulher deste primeiro cego se contamina; e Saramago começa a apresentar ao leitor os demais personagens: a rapariga de óculos escuros que quando fazia um programa se vê “dentro de um pote de leite”; o médico, oftalmologista para ser exato; a mulher do médico; o velho da venda preta; o farmacêutico que cantou a rapariga de óculos escuros na farmácia; o rapazinho estrábico, além do ladrão do carro do primeiro cego. E queria ressaltar também um personagem pouco citado e que só apareceu quase no final da história, mas que achei muito pertinente: o cão das lágrimas.

Jorge Amado e José Saramago na porta da Fundação Jorge Amado, 
Pelourinho, Salvador – BA: o português daria o Nobel ao brasileiro 
(foto: divulgação/Fundação José Saramago)

Engraçado como Saramago optou em não citar nomes, mas adjetivá-los. No decorrer da trama, a tal “cegueira branca” vai se espalhando pelo mundo inteiro, sem controle e sem nenhuma explicação, atingindo todas as pessoas, sem distinção de raça, idade, crença religiosa, opção sexual. Mas a única isenta de tal sofrimento é a mulher do médico – sem nenhuma explicação aparente por parte do autor, vale ressaltar. Diante da epidemia sem controle, o governo resolve colocar em quarentena todas as pessoas que ficaram cegas, sob condições subumanas. Uma vez lá dentro, não há nada o que fazer a não ser tentar sobreviver. Para isso, os protagonistas se unem e tentam sobreviver em um lugar onde pessoas mais se parecem com animais. “Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos”, escreveu Saramago. Na camarata, como o autor chama a prisão, que na verdade é um velho sanatório, o ser humano se rebaixa ao nível de um animal irracional. Fazem suas necessidades em qualquer lugar, matam sem saber exatamente o motivo, estupram mulheres apenas pelo prazer de comandar alguém ou alguma coisa (*uma das cenas mais chocantes), comem a carne de seus amigos mortos… Enquanto isso, do lado de fora, cada vez mais pessoas vão ficando cegas. Os governadores, os presidentes, os funcionários públicos, os mendigos, os religiosos… todos. E o caos se forma no mundo!

Porém, num incêndio, sem explicações mais detalhadas, os cegos se vêem livres daquela prisão, descobrem que todo o mundo – isso mesmo, o mundo todo está cego. Não há mais quem enxergue nada, há não ser o “mar de leite”. “Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”. Fora da prisão, o desafio agora é sobreviver do lado de fora da quarentena. A mulher do médico, a única que pode ver e guiá-los, descreve as cenas aterradoras: corpos em estágio avançado de putrefação espalhados pela cidade em meio a fezes, ratos, lixo e pessoas vivas brigando pelos motivos mais diversos. A luta agora não é por um emprego, por dinheiro ou por sucesso, e sim por comida. “As ruas estão cheias de cegos que andam à cata de comida. Entram e saem das lojas, de mãos vazias entram, de mãos saem quase sempre, depois discutem entre eles (…) O lixo nas ruas, que parece ter-se duplicado desde ontem, os excrementos humanos, meio liquefeitos pela chuva violenta os de antes, pastosos, saturam de fedor a atmosfera, como uma névoa densa através da qual só com grande esforço é possível avançar”.

Impossível não se impactar com a cena. Não existe meio de transporte, telecomunicação ou qualquer coisa do tipo. Nem energia elétrica. As casas agora não são de ninguém, e sim de quem invadir primeiro. É o degrau mais baixo que um ser humano pode chegar. “A cegueira também é isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança”. Quando enfim, o grupo consegue um abrigo na casa do primeiro cego, que já estava ocupada por um escritor, Saramago parece querer mostrar a vergonha dos seres humanos perante suas próprias imperfeições. A cena dos cegos tirando suas roupas sujas para tomar banho e mesmo cegos com vergonha de se despirem na frente uns dos outros ficou simplesmente perfeita. “Se quiserem, posso pôr cada um de vocês numa parte da casa”, respondeu ironicamente a mulher do médico. “A cegueira é a providência dos feios…”

Anotação enviada por Saramago aos amigos mais próximos, na tarde de 8 de agosto de 1995, anunciando que tinha acabado de escrever “Ensaio sobre a Cegueira”. 
(imagem: divulgação/Fundação José Saramago)

Saramago também brinca com a importância dos livros: “Agora ninguém os pode ler, portanto é como se não existissem…” O autor neste “Ensaio Sobre a Cegueira” nos faz refletir sobre nós mesmos. Sobre nossos medos, nossas vergonhas, nossas inseguranças, nossos preconceitos. Através de uma cegueira física, ele ilustra a cegueira da nossa própria alma. Como se os nossos corações estivessem como aquela cidade, como se estivéssemos nos transformando, cada vez mais rápido, a um estado social caótico. Mas o autor também sinaliza para uma solução: “Organizando-se, organizar-se já é, de certa maneira, começar a ter olhos” – exatamente como o grupo de protagonistas no livro. “O mundo está cheio de cegos vivos (…) Morremos de doenças, de acidentes, de acasos. Morreremos de cegueira e de cancro, de cegueira e de tuberculose, de cegueira e de sida (AIDS?), de cegueira e de enfarte… (…) O único milagre que podemos fazer será o de continuar a viver…”

Quase no final do livro, o médico e a sua mulher chegam numa igreja onde a mulher do médico diz que parecia ter alucinações, pois o homem pregado na cruz tinha uma venda branca nos olhos, além de todas as outras imagens de santos também tinham vendas nos olhos: um homem com um livro aberto com um menino pequeno sentado, um velho de barbas compridas com três chaves nas mãos, um homem com o corpo cravejado de flechas e todos os outros santos tinham os olhos tapados. Só havia uma mulher que não tinham os olhos tapados porque já os levava arrancados numa bandeja de prata. “A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança”.

O final do livro não vou contar aqui. Mas garanto é surpreendente. E como todo bom livro, “Ensaio Sobre a Cegueira” também deu origem à um roteiro cinematográfico, cujo diretor, como já foi citado, foi um brasileiro que pegou toda a essência do livro. Em suma, pegue o livro e depois veja o filme. Ou o oposto, pois esse é um dos melhores livros da minha estante e acredito que vai arrebatar qualquer um. “É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade”. Estou louco agora para pegar o “Ensaio Sobre a Lucidez”, que também começa com um evento insólito. Num dia eleitoral, a maioria da população sai de casa para abarrotar as urnas com votos em branco. O sistema político entra em colapso, mas dessa vez o que se segue não é uma queda na loucura e na bestialidade. Ao contrário em o “Ensaio Sobre a Cegueira”, as pessoas neste livro são tomadas uma inquebrantável sensatez, que lhes permite manter as engrenagens funcionando.

Talvez, ainda hoje, o preconceito com a obra de Saramago seja por causa do gesto de total lucidez, mesmo na loucura, a rejeição sumária a todo o sistema do mais do mesmo que ai está. Pode-se concordar ou não. A questão nos seus livros não é ideológica, mas literária. Uma curiosidade: ao longo de sua vida, Saramago resistira em ceder os direitos sobre seus livros para o cinema. No entanto, em 2008, com a adaptação do “Ensaio Sobre a Cegueira”, ele ficou tão feliz com o resultado que ficou muito emocionado na pré-estreia – procure no YouTube. O filme obteve mundialmente críticas mistas, dividindo opiniões. O escritor disse a Meirelles “estar tão feliz de ter visto o filme como estava quando acabou de escrever o livro”. Em outra declaração, Saramago disse que “agora conhecia a cara de suas personagens”. Em suma, Saramago escreveu uma obra maravilhosa, não foi à toa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por este livro. (“ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA”, de José Saramago, romance, 310 págs, 19 edição, Cia. das Letras – 2001)

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina


do "Ensaio sobre a Cegueira" - a nota diz tudo

de Elenilson Nascimento 

Anotação enviada por Saramago aos amigos mais próximos, na tarde de 8 de agosto de 1995, anunciando que tinha acabado de escrever “Ensaio sobre a Cegueira”. 
(imagem: Fundação José Saramago)

I ENCONTRO IBÉRICO DE LEITORES SARAMAGO, 18/20 Novembro, Beja (Portugal) - Iniciativa de Diego Mesa


Mais informações podem ser consultadas, aqui 

Também colaboram neste projecto:
- A livraria A Das Artes de Joaquim Gonçalves (Sines), galardoada com diversos prémios e menções
Av. 25 de Abril, 8 - loja C - Sines / Tel. 269.630.954

- Carlos Marques e o Projecto al.gu.res - Colectivo de criação, 
através do espectáculo "Levantei-me do Chão"

"Caros amigos y amigas,

Ya tenemos el programa definitivo del Encuentro. La inscripción GRATUITA se podrá realizar en el correo: bibliotecamunicipalde beja@cm-beja.pt antes del día 3 de noviembre.

PROGRAMA
Dia 18 novembro (sexta feira / viernes)

17h00 – 18h30
Recepção/Recepción de los participantes

21h00
Sessão de abertura
Representante da Câmara Municipal de Beja
Directora regional de cultura – Ana Paula Amendoeira
Representante de la Consejería de Cultura de la Junta de Andalucía
Director Geral da DGLAG – Silvestre Lacerda
Aula Saramago – Diego Mesa
Centro Andaluz de Letras – Juan José Téllez
Representante da Fundação José Saramago
Conferencia inaugural pela Profª Odete Jubilado (Univ Évora)

22h30
As canções da poesía de Saramago, por Mário Sousa
Paco Damas canta Miguel Hernandez / Paco Damas canta a Miguel Hernández
Documentário “Nanas de la cebolla” de la serie “Andaluzas” sobre Josefina Manresa ,de Antonio Ramos Espejo.

DIA 19 novembro (sábado)
10h00
Aula Saramago
Apresentação/Presentación do projeto por Diego Mesa

11h00
Pausa

12h00
Levantado do chão
a leitura de Mário Sousa

13h00
Almoço/Almuerzo livre

14h30
A voz é do leitor/La voz de los lectores
Apresentações dos Leitores portugueses e espanhóis

16h30
Pausa

17h00
A voz é do leitor/La voz de los lectores
Apresentações dos Leitores portugueses e espanhóis

19h00
Encerramento/Cierre

19h30
Jantar livre

22h00
Levantei-me do chão – LADO B
Espectáculo de teatro por Carlos Marques
na Casa da Cultura de Beja

DIA 20 novembro (domingo)
10h00 – 13h00
Viagem a ….
Visita guiada a Beja percorrendo os lugares e memórias do livro “Viagem a Portugal”

A PROPÓSITO DE SARAMAGO
exposições e outras iniciativas

Levantado do chão
Exposição Mail Art / Arte postal
postais recebidos dos 4 cantos do mundo (iniciativa Aula Saramago)

Saramago à venda / Saramago en venta
Neste espaço poderá comprar os livros de José Saramago
(com a colaboração da Livraria A das Artes de Sines)"

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"O Conto da Ilha Desconhecida" adaptado e encenado por Rita Lello - em cena no Teatro A Barraca

"Uma ilha onde os adultos entram pela mão das crianças"

"Elenco renovado da peça com Tiago Assis, Samuel Moura, Nádia Yracema e Rita Soares
Fotografia de Jorge Amaral/Global Imagens"

Mais informações aqui - Teatro A Barraca (Lisboa)

A presente reportagem foi publicada, via Diário de Notícias por Marina Marques, e pode ser recuperada e consultada, aqui
em http://www.dn.pt/artes/interior/uma-ilha-onde-os-adultos-entram-pela-mao-das-criancas-5428201.html

"Um homem desce as escadas, por entre o público, chega ao palco, e apresentando-se à porta do rei diz: "Dá-me um barco." Assim, mesmo, sem mais rodeios. A narradora contextualiza dando um significado aos adereços em palco: "A casa do rei tinha muitas portas, mas aquela era a das petições." O mote está lançado e o espaço físico enquadrado. À ação junta-se um rei que também será mais tarde capitão do porto e uma mulher da limpeza. É em torno destas personagens que gira O Conto da Ilha Desconhecida, um espetáculo adaptado e encenado por Rita Lello, a partir do texto de José Saramago.

Uma escolha pouco óbvia para um espetáculo pensado para crianças a partir dos 4 anos, reconhece Rita Lello. "Queríamos adaptar um Saramago para miúdos porque, na verdade, é uma escrita muito visual. E este Conto da Ilha Desconhecida é particularmente visual", explica. A Maior Flor do Mundo foi a primeira escolha, mas, sendo "uma viagem que passa por vários espaços físicos concretos, tornava-se difícil levar a cena". A escolha acabou por recair neste O Conto da Ilha Desconhecida porque, "como se trata de uma viagem interior torna mais possível a construção e a adaptação cénica", conta Rita Lello.

Essa não foi, no entanto, a única razão: "Optámos por este [texto] também porque é muito mais abrangente: veicula conceitos universais com os quais nascemos. Enquanto a sociedade não nos estragar, nós queremos todos partilhar, encontrar um caminho, aprender, evoluir, queremos todos justiça. E é sobre isso que este texto fala: encontrar o caminho para um sonho, para uma sociedade melhor. Mais justa. Ora, as crianças já nascem com isso e portanto são conceitos que não são difíceis de elas entenderem. São mais difíceis de um adulto abraçar do que as crianças entenderem". Por isso, acrescenta: "Este acaba por ser um espetáculo em que os pais entram pela mão das crianças... esperemos."

Esta é, de resto, uma das marcas do trabalho de Rita Lello. "Se calhar não podemos considerar nem o texto nem o espetáculo como sendo para infância. É um texto ao qual as crianças também aderem, mas é um texto verdadeiramente para todos. Esse foi sempre o trabalho que a mim me interessou fazer e à Barraca. Espetáculos para todos. Prefiro muito mais um teatro em que se crie um espaço de transversalidade em termos geracionais do que aquela coisa de fazer os espetáculos só para as crianças."

Outro traço do trabalho de Rita Lello é usar exclusivamente as palavras do autor em cena. "Neste caso levei o desafio ao limite e está o conto integral em cena", adianta. E para resolver a oscilação entre narração e ação, "temos personagens que narram tudo, que metem o bedelho nas ações das outras, e temos personagens que só se narram a si próprias, ou seja, narram a sua própria componente emocional ao mesmo tempo que a vivem", explica.

Outra curiosidade do espetáculo é o facto de os mecanismos de mudança de cenários, de som e luz estarem todos no palco, à vista de todos. Esta componente pedagógica "tem a dupla graça de serem os mesmos mecanismos nos barcos e nos teatros", destaca.

Estreado em 2006, e em cena por duas temporadas, já têm uma ideia da reação do público. "Tivemos reações maravilhosas de pais com os filhos ao colo a chorar de felicidade, porque o espetáculo é muito emocional, é sobre uma utopia. Acho que as pessoas saem deste espetáculo com o sonho alimentado, com a abertura de uma possibilidade de amor, de beleza, de partilha, de construção de uma sociedade alternativa onde as pessoas possam esperar ser felizes. Este homem corre e sabe para onde corre e consegue construir realmente o seu mundo, a sua vida, o seu futuro. Acho que é isso que comove as pessoas." E o pequeno trecho do Homem do Leme, dos Xutos & Pontapés, dá uma ajuda.

Ficha de espetáculo

O Conto da ilha desconhecida

De José Saramago

Adaptação e encenação de Rita Lello Teatro Cinearte, Largo de Santos, 2, Lisboa

Sábados às 15.00 e domingos às 11.00

Para maiores de 4 anos"

"Camões, Pessoa, Saramago : trois géo-stratégies littéraires" Conferência de Diogo Sardinha - Festival L'Incertitude (Paris - 3/11 18h30m)


Via Twitter
@BiblioGulbenkian
"Bibliothèque en Sciences Humaines sur le Portugal et les pays de langue portugaise. Retrouvez-nous également sur Facebook"

https://www.facebook.com/BibGulbenkian/
http://bibliotheque.gulbenkian-paris.org/


[#Festivalincertitude] Conférence : Camões, Pessoa, Saramago : trois géo-stratégies littéraires, par Diogo Sardinha, le 3 novembre à 18h30

"Camões, Pessoa, Saramago : trois géo-stratégies littéraires"

"José Saramago a imaginé, dans son roman "Le Radeau de pierre", un phénomène géologique par lequel la péninsule Ibérique se détache du sud de la France et se met à naviguer sur l'océan Atlantique, traînant l’Espagne et le Portugal vers une nouvelle destinée maritime. Paru en 1986, le livre fait écho à l’œuvre de deux écrivains majeurs, Camões, auteur du poème épique "Les Lusiades" qui, au XVIe siècle, chante le voyage de Vasco de Gama ; et Fernando Pessoa qui, au début du XXe siècle, met en vers le Portugal de la fin d’empire. Trois moments historiques sont ainsi recréés, fictionnés et fixés par le génie de trois écrivains. Nous prendrons leurs textes comme des visions des mondes qui leurs sont contemporains et des propositions pour ce que ces mondes allaient devenir.

Diogo Sardinha, ancien président du Collège international de philosophie, formé dans les universités de Lisbonne et de Paris-Nanterre, a travaillé aux universités Catholique de São Paulo, Freie de Berlin et Columbia de New York. Il est l’auteur d’"Ordre et temps dans la philosophie de Foucault" (2011) et de "L’Émancipation de Kant à Deleuze" (2013).

Organisé en partenariat avec le Centre de philosophie des sciences de l'université de Lisbonne."

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Homenagem a José Saramago pela plataforma "Hombres contra las violencias machistas"

Via Fundação José Saramago, aqui

"A peça que a "Hombres contra las violencias machistas" entregou na sexta-feira a Pilar del Río, homenageando José Saramago pelo seu trabalho na luta contra as violências machistas."




"La caverna, de José Saramago, es el libro protagonista de Léeme 10"

A Fundação José Saramago, através da sua página do Facebook em https://www.facebook.com/fjsaramago/ deu a conhecer a apresentação da obra "A Caverna", realizada pela Léeme 10, e que deixo os seus links para melhor conhecer este magnífico trabalho.

"Un mes más, ¡volvemos con otro capítulo de Léeme!
¿Crees que vives en la verdadera realidad? ¿Estás seguro de que lo que ves es lo que hay?
José Saramago no estaba muy seguro de que la realidad fuera igual a lo que nuestros sentidos perciben cada día. En el año 2000, el escritor portugués desempolvó el mito de la caverna de Platón y, basándose en las sombras y en los prisioneros que las contemplan, escribió una novela que, más que respuestas, sembrará muchas preguntas en tu mente.
Esta novela se llama "La caverna" y es la protagonista de Léeme 10. Para contártela, nos fuimos a Lisboa a grabar el episodio y entrevistamos a Pilar del Río, traductora y esposa de José Saramago. Todo esto y mucho más, como siempre, al otro lado del click :)"

"Un programa lleno de preguntas…
Al acabar de grabar este programa, no podíamos parar de pensar en la cantidad de preguntas que quedan en el aire con él, y por supuesto con La caverna, la novela que lo ha inspirado.
Preguntas sobre el futuro de la humanidad, sobre la responsabilidad que tenemos como ciudadanos, sobre el progreso, sobre nuestra conciencia…
Por eso, lo mejor que podemos hacer aquí es abrir el micro y preguntarte a ti: ¿Qué reflexiones te ha suscitado este Léeme 10? ¿Has sacado alguna conclusión, o, como José Saramago, prefieres seguir cuestionándotelo todo?
Cuéntanos en los comentarios 🙂 ¡Muchas gracias por estar ahí una vez más!
Y aquí va… pequeño álbum de fotos de Lisboa"

Mais trabalhos desta estupenda equipa, aqui 

O trabalho pode ser recuperado e consultado via YouTube, aqui

"En el año 2000, justo antes del cambio de siglo, el escritor portugués José Saramago publicó una novela que te enfrentará contigo mismo: con todo lo que crees y valoras y con todo lo que das por bueno. ¿Consumimos demasiado? ¿Estamos progresando descontroladamente? ¿Todo esto puede hacernos realmente felices? Éstas son sólo algunas de las preguntas que te surgirán cuando leas "La caverna", de José Saramago. ¿Te vienes con nosotros a Lisboa?

Léeme 10 incluye una entrevista a Pilar del Río, traductora y esposa de José Saramago y actual presidenta de la Fundación Saramago.

Presentado y guionizado por Irene Rodrigo.
Director artístico e ilustrador: Nacho Vergara.
Cabecera: Sumaya Barber."

"Está lá tudo - A crônica e o cosmos de José Saramago" de Saulo Gomes Thimoteo (Appris Editora BR) via "Um caderno para Saramago"

O "Blog Um caderno para Saramago" apresentou a obra de Saulo Gomes Thimóteo - "Está lá tudo - A crônica e o cosmos de José Saramago". 
Refere na sinopse de apresentação que (...) "o cronista Saramago, que, ao longo de oito anos (1969-1976), escreveu aproximadamente 300 crônicas, antecede o romancista Saramago". (...)

Pode ser consultado aqui 


Imagem da capa da obra, retirada da página da Appris Edifora

"Este livro é sobre José Saramago esquecido, ou, pelo menos, ocultado. O cronista Saramago, que, ao longo de oito anos (1969-1976), escreveu aproximadamente 300 crônicas, antecede o romancista Saramago, consagrado por Levantado do chão (1980) ou Memorial do convento (1982), mas, como ele mesmo continuamente apontaria sobre sua participação jornalística: “Está lá tudo”. Mas o que vem a ser esse tudo que as crônicas contêm? Não os roteiros dos romances, por certo, mas sim os primeiros ensaios em prosa das preocupações contínuas do cidadão-escritor Saramago. Já se pode notar o questionamento reiterado da História, do Indivíduo, da Sociedade, ou seja, de todas as verdades inamovíveis que refletem uma imposição do poder. A crônica, enquanto híbrido da Literatura e do Jornalismo, permite à palavra que atue como mecanismo de desvendamento, podendo abordar todos os assuntos com o mesmo tom de conversa e aparente despretensão. Cabe, então, a José Saramago cronista constituir-se como viajante em busca de compreender a paisagem do mundo e as suas transposições possíveis em linguagem. Assim se apresenta o livro "Está lá tudo": a crônica e o cosmos de José Saramago, de Saulo Gomes Thimóteo. A edição é da Appris Editora."

Aconselhamos a visita ao blog e aos links associados para acompanhar as novidades e notícias que envolvem não só a obra de José Saramago mas como os eventos que se realizam à volta do nome desta figura mundial. Podem seguir aqui





domingo, 23 de outubro de 2016

"Os 12 Melhores Livros Portugueses dos Últimos 100 anos" - pela Revista Estante (FNAC - Outubro 2016)

"OS 12 MELHORES LIVROS PORTUGUESES DOS ÚLTIMOS 100 ANOS"

"A Estante convidou um júri de cinco elementos, composto pela jornalista Clara Ferreira Alves, o crítico Pedro Mexia, o professor catedrático Carlos Reis, o editor Manuel Alberto Valente e a jornalista Isabel Lucas, para eleger os 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. Este é o resultado.

Por: Catarina Sousa | Ilustração: Gonçalo Viana | Fotografias: Bruno Colaço/4SEE"



AO LONGO DE DEZ EDIÇÕES a revista Estante tem vindo a entrevistar muitos autores portugueses, explorando várias temáticas nas quais a língua portuguesa surge como pano de fundo. Tínhamos desde o início uma vontade que transformámos em desafio e materializámos em iniciativa: eleger os melhores livros portugueses.

Não procurávamos uma lista demasiado extensa. Queríamos que os decisores fossem pessoas dos mais variados quadrantes, mas personalidades respeitadas e conhecedoras do mundo da literatura em Portugal. Cinco pessoas aceitaram o nosso convite: o professor e ensaísta Carlos Reis; a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves; a jornalista Isabel Lucas; o editor da Porto Editora, Manuel Alberto Valente; e o crítico literário e assessor cultural do Presidente da República, Pedro Mexia.

O desafio não se adivinhava fácil: escolher os melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. Contudo, reunidos à volta de uma mesa, a escolha foi até bastante rápida.

O júri selecionou os melhores livros portugueses dos últimos 100 anos, restringindo a escolha a obras de ficção narrativa publicadas entre 1 de janeiro de 1916 e 1 de janeiro de 2016. A eleição recaiu sobre os 12 livros que se apresentam abaixo, sem qualquer ordem a não ser a alfabética.

Curiosamente, entre os autores dos livros selecionados apenas dois estão vivos: António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís. Deixamos mais informação sobre cada um destes livros que ajudam não só a justificar a escolha do júri, mas a enquadrar a importância de cada uma das obras na literatura portuguesa dos últimos 100 anos.

A equipa da Estante estabeleceu alguns critérios que considerou pertinentes para a seleção dos melhores livros portugueses.
1. Os livros devem ter sido originalmente publicados a partir do dia 1 de janeiro de 1916.
2. Os autores devem ser de nacionalidade portuguesa.
3. As obras em causa devem ser de ficção.
4. Podem ser incluídas edições de autor."


"O Ano da Morte de Ricardo Reis" - José Saramago
A obra de José Saramago (1922-2010) é tão singular que lhe valeu o Prémio Nobel de Literatura – o único que Portugal recebeu até hoje nesta área.
O Ano da Morte de Ricardo Reis é não só peculiar como faz por questionar tudo o que nos rodeia. Quem somos? O que nos acontece quando morremos? Somos únicos ou, como Fernando Pessoa, somos vários?

O livro conta a história do regresso a Portugal, vindo do Brasil, de Ricardo Reis, o heterónimo de Pessoa, quando confrontado com a morte do seu criador. É um livro denso mas vai envolvendo o leitor do início ao fim, fazendo também uma viagem pela história de Portugal.

AS PRIMEIRAS FRASES
“Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas do barro, há cheia nas lezírias.”

SOBRE O AUTOR
“Falava e escrevia com o desassombro e com a clareza que a alguns desagradava, mas que para ele eram uma forma inalienável de respiração intelectual.”
Carlos Reis


A compilação das 12 obras escolhidas